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segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Espiritismo no mundo (excerto) - PEDRO SILVA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Por mais que procuremos, as evidências ao espiritismo na Antiguidade não mais muito concretas. Existe um esforço actual de integrar algumas frases e noções bíblicas com a doutrina espírita mas quanto a nós temos pouco a que nos agarrar de forma muito concreta.
Mas, ainda assim, as palavras de Moisés, no Antigo Testamento, levantam algumas questões que não podem ser escamoteadas. A dada altura refere, aos seus ouvintes, que o verdadeiro Deus lhes pede para não recorrerem a adivinhadores, a mágicos ou a quem fale com os mortos. É aqui que nos vemos confrontados com uma confirmação de que, à época, o espiritismo, a comunicação com o além e a adivinhação eram fenómenos incontornáveis da sociedade.
Também por isso alguns teólogos vislumbram no surgimento, e forte impacto, da religião cristã como fruto de uma grande descrença das comunidades da época em fenómenos difíceis de confirmar, em serviços prestados por pretensos profetas, burlões de então. Havia um clima de cansaço moral, até mesmo de enfartamento de crendices populares e o cristianismo simplificou imenso as coisas, tornando a visão mais estreita, dando um caminho e uma fé renovada aos seres humanos.
Apesar de o espiritismo considerar o estudo da Bíblia à luz dos seus princípios, como fonte fundamental, defendem que a palavra de Deus não está na Bíblia, mas sim uma certa transmissão dos acontecimentos, do passado, entrando em confronto directo com os cristãos. Nada disso, no entanto, inibe o espiritismo de acreditar que Deus é eterno, imutável e o todo-poderoso.

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quarta-feira, 24 de agosto de 2022

O que são lendas urbanas? (excerto) - PEDRO SILVA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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A própria noção do termo “lenda” remete-nos, de forma automática, para o campo da fantasia. Ou seja, estamos a tratar de algo que não podemos considerar uma realidade factual, a menos que alguém consiga provar o contrário. Ainda assim, não deixa de ser curioso sentir que todo este conjunto de lendas urbanas, das quais iremos referir uma selecção em seguida, tenha uma implantação tão forte junto da população em geral.
Para um autor, referir estas lendas, sem que as mesmas sejam tratadas textualmente, serve o propósito de dar ao leitor uma maior aproximação à fonte primária. Poderíamos tratar do assunto de uma maneira mais rebuscada, imprimindo uma versão mais trabalhada, mas isso tornaria a própria essência da lenda urbana como algo mais artificial.
Grosso modo podemos considerar que as famosas lendas urbanas, que são passadas oralmente, normalmente em um círculo de amigos, familiares ou, de forma mais ampla, dentro da comunidade onde nos inserimos, representam um conjunto de histórias que, à partida, podiam valer para várias pessoas, em determinadas situações, e que comummente são adaptadas à realidade de quem as conta.
Não é, como tal, raro que as lendas urbanas, ao serem contadas, comecem com o introito: “certo dia, meu pai (ou minha mãe, irmão, amigo, etc)…” ou, em alternativa, “um taxista (ou outro qualquer condutor) ia a guiar, calmamente, na estrada quando…”.

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sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Atlântida – uma ilha mítica ou factual? (excerto) - PEDRO SILVA

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Em primeiro lugar, extraíam da terra todas as substâncias sólidas e fundíveis. (…) Havia abundância de madeira para o trabalho dos marceneiros e alimento bastante para os animais domésticos e selvagens. Havia, além disso, na ilha enormíssima quantidade de elefantes.
(…) Os perfumes que agora existem na terra, de raízes ou ervas ou madeiras ou essências destiladas de flores e frutos, todos eram ali produzidos e fornecidos. Também os frutos moles ou duros que nos servem de alimento, os legumes que usamos na comida, os frutos lenhosos que nos dão bebida, alimentos e unguentos, como ainda os frutos que, usados por jogo e por deleite, depressa se estragam e aqueles que usamos como estimulantes contra a saciedade no final da refeição, todos aquela ilha sagrada debaixo do sol produzia, belos e maravilhosos e infinitos em número.
Seja como for, enquanto obtinham todas estas coisas da terra construíam templos, palácios reais, portos, arsenais e embelezaram toda a região.
(…) Revestiram de prata todo o exterior do templo excepto os acrotérios, que foram revestidos de ouro. No interior, a abóbada era toda em marfim, matizado de ouro e auricalco, enquanto toda a parte restantes das paredes, das colunas e do pavimento estava coberta de auricalco. Ali se colocaram estátuas de ouro: o próprio deus de pé no carro, guiando seis cavalos alados, tão alto que com a cabeça tocava na abóbada; e em volta cem Nereidas sobre delfins, pois tal era o seu número para as pessoas daquele tempo. No interior do templo existiam além disso muitas estátuas oferecidas por particulares.

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domingo, 14 de agosto de 2022

O Graal em livros polémicos! (excerto) - PEDRO SILVA

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Aproveitando a oportunidade, gostaríamos de analisar o Graal e a sua hipotética relação com Maria Madalena e Jesus Cristo. A nossa base de investigação, neste caso, foi um conjunto de dois livros, um no campo da ficção e outro de ensaio. Parece-nos que, actualmente, o chamado best-seller "O Código Da Vinci" é o título mais apoiado e criticado entre todos. Em relação ao título "Maria Madalena e o Santo Graal", cujos editores afixaram, na capa, que "foi o livro que inspirou «O Código Da Vinci»", trata-se de uma obra mais antiga no tempo, em termos de publicação original, trazida à ribalta pelo sucesso da controversa obra de Dan Brown.
Doravante, para melhor identificação, usaremos a sigla CDV para "O Código Da Vinci" e MM para "Maria Madalena e o Santo Graal".
Em CDV, há, como em todos os romances do género policial, um crime inicial. A partir daí, a trama é desenvolvida numa sequência alucinante, ou não fosse o seu autor um especialista neste género literário. No entanto, de quando em vez, há pistas simbólicas que nos vão sendo referidas e abordadas, de uma maneira mais ou menos sucinta. Em MM, a autora descreve-as mais detalhadamente. Tentaremos, de alguma maneira, fazer um paralelismo. Nas ocasiões em que não seja possível fazer coincidir uma obra com a outra, ficará a versão mais descrita.

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terça-feira, 9 de agosto de 2022

Jesus Cristo (excerto) - PEDRO SILVA

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Conforme tem sido sugerido nos últimos tempos, o seu nome hebraico terá sido Yeshua, termo que significa “salvar”. Assim sendo, tem-se identificado Jesus como Salvador e Cristo como “o escolhido” por ter sido ungido (passar, por óleo, sobre o corpo de alguém era sinal de que essa pessoa era rei ou líder, fosse no campo político ou religioso).
Não deixa de ser curioso que uma questão, aparentemente secundária, tenha suscitado tanta investigação quanto o nome por que Jesus seria efectivamente conhecido, na época da sua vida terrena. Investigadores como E. P. Sanders, referem que há aproximadamente duzentos anos que se investiga a vida do Cristo. Porém, estamos em condições de afirmar que, provavelmente, jamais houve tanta curiosidade em torno da sua figura como na última década. Fruto de curiosidade da parte de muitos leitores e do maior interesse dos editores pelo tema, as obras multiplicam-se, proporcionando basta fonte de pesquisa.
Assim sendo, é comummente aceite que Cristo e os seus apóstolos falavam aramaico – uma língua semita, utilizada, na época, no Médio Oriente, que possuía um alfabeto próprio e uma longevidade de três milénios. A língua aramaica seria uma mistura de dialectos africanos e asiáticos que redundaram num estilo próprio que ainda é passível de ser escutado em locais do interior da actual Síria.

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quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Maria Madalena (excerto) - PEDRO SILVA

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Inexplicavelmente, Maria Madalena, nascida em Magdala (Galileia), próxima de Cristo, passou de “prostituta” a “portadora do sangue real”, por intermédio da obra mais impressa dos últimos anos e dos subsequentes estudos que se “colaram” ao famoso “O Código Da Vinci”.
Qual a razão para isto? Estamos em crer que é extremamente simples – o facto de a Humanidade ser constituída por mais mulheres do que homens leva a que a sociedade possa, facilmente, tornar-se em local agitado sempre que um texto tenha o mérito de fazer ressalvar o crucial papel da mulher na Humanidade e, naturalmente, frisando o amordaçar do sexo feminino por uma opressão machista.
E Maria Madalena tornou-se o expoente máximo da máquina de propaganda que, durante anos, serviu o Homem – supostamente, o Concílio de Niceia, nos primórdios da Nossa Era, teria sido concebido para abafar por completo o papel da Mulher na história. Assim, Maria, mãe de Jesus, primordialmente Grande-Mãe e similar à Grande-Deusa da pré e proto-história, foi excluída da primazia na Bíblia. Vários evangelhos teriam sido considerados apócrifos, isto é “falsos, falsificados ou forjados”, pelo facto de darem grande importância ao papel de duas mulheres na vida de Cristo (Maria Madalena e a própria mãe de Jesus) e de veicularem informações que não seriam “oficiais”. De esposa de Cristo, Maria Madalena teria sido transformada, pela pena habilidosa de alguns autores ou pela censura do Concílio, em mera prostituta.

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sexta-feira, 29 de julho de 2022

Superstições (excerto) - PEDRO SILVA

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- Alho: É um alimento muito importante no campo do misticismo. Ao que parece, será capaz de afugentar os vampiros, pois lhes provoca profundo terror. Em alguns países, uma cabeça de alho deve seguir dentro do bolso do casaco de alguém que pretende evitar o mau-olhado ou demais bruxarias, estando, portanto, no campo dos amuletos. Estamos em crer que, acima de tudo, sempre foi utilizado, com efeitos positivos, no campo da medicina, ganhando aí o seu nome positivo. Uma pequena erupção cutânea deve ser esfregada de imediato com o interior de um alho cortado ao meio, impedindo a infecção de avançar. Actualmente, as dificuldades em curar o cancro levam a que muitos comem alho cru na esperança de evitar o aparecimento ou propagação, no interior do corpo, dessa terrível e mortal maleita. O que é confirmado é que se trata de um bom tratamento para a hipertensão. Seja como for, egípcios e gregos não apreciavam o alho, proibindo em certos locais, mas sempre reconhecendo as suas propriedades contra algumas infecções. Os soldados romanos costumavam comê-lo antes das batalhas, por crerem na sua protecção e que lhes daria mais força.

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domingo, 24 de julho de 2022

Superstições (excerto) - PEDRO SILVA

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- Sexta-feira: O único aspecto positivo deste dia da semana é que se crê que desmamar uma criança, a uma sexta-feira, será torná-la mais forte para o resto da vida. Para além disso, é considerado, unanimemente, o mais aziago dos sete dias que compõem o ciclo completo semanal. A razão para tal parece provir directamente de Adão e Eva, sendo neste dia que o elemento masculino cedeu à tentação. Iniciar um emprego neste dia não augura nada de bom para a vertente profissional, ao passo que não é comum que alguém escolha contrair matrimónio neste dia. Mais recentemente, a sexta-feira 13 celebrizou-se pela negativa, pois junta o treze (doze apóstolos mais Jesus Cristo, em que um deles traiu o seu Senhor, assim como nunca convém colocar treze pessoas a uma mesma mesa pois um dela falecerá em breve) ao mau prenúncio natural da sexta-feira. Mas muitos defendem que o pavor à sexta-feira 13 se deve ao facto de ter sido nesse dia que Jacques de Molay, último mestre templário, foi queimado vivo, agonizando e amaldiçoando os seus algozes. Esta é uma das teorias mais correntes para explicar o facto de todos andarem mais atentos quando este dia da semana se cruza directamente com o número do azar.

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terça-feira, 19 de julho de 2022

Superstições (excerto) - PEDRO SILVA

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- Gatos: Muito provavelmente, será o animal mais conhecido no campo da superstição. Em algumas civilizações, é sinal de mau agoiro, principalmente o gato preto, que de acordo com os celtas, deveriam ser sacrificados aos deuses. Hoje em dia, teme-se cruzar com um gato preto, algo que significará sete anos de infortúnio. Para além disso, se acidentalmente alguém matar uma gata em pleno período gestacional, por cada cria morta somar-se-á um ano de infelicidade. No Egipto antigo, os gatos eram considerados deuses (tal como a gata Bast) e substituíram o leão em alguma iconografia mística. Porém, a verdade é que em outras culturas, o facto de se cruzar com uma gato preto é sinónimo de boa sorte, sobretudo se formularmos um desejo. Mas, regra geral, o gato não é portador de boas novas, antes pelo contrário. E, estamos em crer, que tal se deve por ser um animal furtivo, com olhos penetrantes, que se acreditavam estarem intimamente ligados a bruxarias. Ter um gato como animal doméstico será a procura de evitar que o seu eventual poder maléfico se propague ao lar. Tratando-o bem evita-se o infortúnio. E, curiosamente, o gato tem mais tendência para se revoltar contra a dona, por ser do sexo feminino. Na Idade Média, São Domingos representou o diabo sob a forma de um gato, tornando esse animal num campo demoníaco. Muitas superstições estão intimamente ligadas ao gato, a saber: se um gato se deitar em cima de uma campa, significa que o defunto arde no inferno; se o animal olha de forma continuada para a janela é prenúncio de chuva; e, por exemplo, se a gata dorme com as patas escondidas é sinónimo de mau tempo.

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quinta-feira, 14 de julho de 2022

Homem, um ser supersticioso (excerto) - PEDRO SILVA

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Ao contrário do que se possa pensar, é nos países onde a fé cristã tem maior impacto que a crença em superstições parece possuir uma força maior. Mesmo parecendo uma incongruência, talvez não seja tão estranho quanto isso. Se as religiões actuais podem ser consideradas como tendo pontos de contacto com mitos pagãos, então a superstição não poderia deixar de figurar no dia-a-dia do comum mortal.
Baseando-nos, primordialmente, em Portugal, o nosso país de nascença e onde nos formamos enquanto pessoas, o qual tem sido, reconhecidamente, desde a sua criação enquanto nação independente, de características cristãs, reconhecemos que os mitos populares e as crenças em fenómenos extranaturais são indissociáveis do seu povo.
Assim acontece, igualmente, em outros locais do planeta.
Mas, voltando ao caso que melhor conhecemos, desde sempre nos habituamos a lidar, de forma paralela, com os dogmas católicos e com fenómenos como a crença “no mal de inveja” ou, até, nos demónios que se pretendiam afastar com a colocação, por detrás da porta da casa de habitação, ou de uma cruz ou de um conjunto de artefactos como o corno, o signo-saimão, a meia-lua entre outros. Isto é, uma série de amuletos que derivam de várias culturas, como a muçulmana ou a judaica.

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sábado, 9 de julho de 2022

Inferno, um não-lugar ou uma realidade? (excerto) - PEDRO SILVA

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Se o Paraíso é o local para onde todos desejam ir, já o Inferno, em contraposição, é o sítio menos ansiado de todos. De acordo com a teologia cristã, trata-se de um sítio onde os pecadores irão arder eternamente, devido à condenação pelos pecados cometidos. Basicamente, está num plano similar ao da prisão terrena, para onde os culpados são enviados para cumprir a sua pena.
O próprio nome em latim, infernum, dá a noção real deste termo, pois está conotado directamente com o mundo das profundezas e lugar para onde são enviados os mortos.
“O Cristianismo, adotando na sua escatologia o inferno, isto é o Hades clássico ou Gehenna dos hebreus combinados com o mito egípcio do Juízo e Osíris, designou desde logo a pátria de todos os mitos anteriores condenados.
A insuficiência do saber deu, pela observação, um caráter, como que científico, ao inferno, cujas «boccas» continuaram sendo visualizadas nas grutas singulares onde há erupções gasosas ou termais e nas crateras dos vulcões activos, como o Vesúvio, o Etna e o Hecea.
É um fato sabido que, entre homens e deuses, os vencidos são igualmente condenados. A tremenda sentença que o latim formulou – Vae Victis! – aparece consagrada na esfera espontânea e ingénua da mitologia. A raça esmagada passa à condição de feiticeira, e os deuses vencidos, à de demónios.

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segunda-feira, 4 de julho de 2022

Interpretação de alguns sonhos comuns (excerto) - PEDRO SILVA

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Não existe, neste subcapítulo em particular, uma preocupação de dar respostas concretas ou verdades absolutas pois, não sendo nós peritos em estudo do sonho, não o poderíamos, naturalmente, efectuar, a respeito do bom-nome da nossa própria actividade enquanto ensaístas. Para além disso, é reconhecido que ainda ninguém conseguiu, e por certo jamais conseguirá, criar uma interpretação correcta sobre aquilo que se sonha. Mesmo Freud ou Jung basearam-se em probabilidades, em teorias, e foram, provavelmente, os maiores estudiosos da História no campo dos sonhos.
Independentemente dessa questão, entendemos ser de interesse para o público leitor, reunirmos todas as obras estudadas por nós, dos mais diversos investigadores, e fazermos uma espécie de compilação sobre alguns dos sonhos mais comuns ao ser humano e respectivas tentativas de explicação. Acreditamos que, de um conjunto de ideias, pode nascer um consenso interessante.
E, não obstante, ser a área dos sonhos, principalmente por lidar com o cérebro (o órgão humano mais misterioso de entre todos) e com uma parte da nossa vida que não controlamos (o sono propriamente dito), optamos pela coragem de, numa obra que se pretende isenta e séria, aventar hipóteses interpretativas do que sonhamos, com base nos maiores mestres que a este tema se dedicaram.

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quarta-feira, 29 de junho de 2022

A história dos sonhos (excerto) - PEDRO SILVA

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Na senda de Platão, que desmistificou, por completa, a origem dos sonhos, um médico grego chamado Galeno (131-200) cria piamente que os sonhos eram pistas para futuras doenças do indivíduo. Há aqui a curiosidade de, ao mesmo tempo que pretendia retirar o sonho do campo da profecia, não deixava de acreditar num certo futurismo ou predição de algo.
Afinal em que ficamos? Os gregos acreditavam que os sonhos eram proféticos ou que eram apenas alucinações causadas pela mente humana?
Foi necessário chegarmos a Artemidoro para obtermos, finalmente, um estudo racional dos sonhos. Tendo viajado por toda a Ásia Menor, este estudioso não se baseou em factos pré-concebidos e publicou os seus volumosos estudos dando a entender que, acima de tudo, toda e qualquer pessoa sonhava, e não apenas os mais importantes no interior da sociedade em que se inseriam. Isso, automaticamente, levantar-lhe-ia outras questões, como, por exemplo, da impossibilidade de todos serem profetas.
Como tal, chegou à conclusão que o sonho, para além de ser um exclusivo do sono, nada tinha que ver com mensagens místicas, mas, isso sim, com pré-determinações do cérebro humano, bastante complexo por sinal, que poderiam ter as mais diversas interpretações. E, mesmo que Artemidoro, com alguma hesitação, considerasse alguns sonhos como de inspiração divina (como competia a alguém que se inseria numa sociedade profundamente mitológica), não se coibiu de, pela primeira vez, afirmar peremptoriamente que a maior parte dos sonhos eram “comuns”, um grande avanço no estudo do fenómeno dos sonhos.

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sexta-feira, 24 de junho de 2022

A história dos sonhos (excerto) - PEDRO SILVA

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Segundo se crê, desde que o ser humano começou a ser definido enquanto tal, isto é, com as características mentais do Homo Sapiens Sapiens, pensador por natureza que o sonho, e a sua interpretação, tornaram-se, para alguns, uma verdadeira obsessão. Principalmente, a referência aos sonhos, como veremos mais adiante, e como já tivemos oportunidade de apercebermo-nos em relação à Bíblia Sagrada, surge amiúde nos livros sagrados. Ora, de certo modo, a noção de religiosidade, ou até fenómenos pré-históricos ou pré-religiosos, são paralelos à preocupação com os sonhos.
Data de há quatro mil anos, na antiga Babilónia, uma das primeiras fontes escritas – o Gilgamesch – que fazem referência à importância dos sonhos. O Talmude, fonte sagrada da religião judaica, contém pérolas como: “como é e o que é, assim o homem sonha” ou “um sonho não decifrado é como uma carta que não se abriu”. Por outro lado, sabe-se que a imploração de Buda foi feita num sonho. Também Homero fez Agamenon cavalgar contra a poderosa Tróia, baseado num sonho, no qual o todo-poderoso
Zeus lhe teria passado tal informação.
Como tal, compreendemos agora que em todas as civilizações a interpretação dos sonhos foi fundamental, seja como fonte de profecias ou como explicações de diversos acontecimentos.

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domingo, 19 de junho de 2022

Sonho: o que é? (excerto) - PEDRO SILVA

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És um sonhador… ou Sonhas acordado… são duas expressões extremamente comuns na oralidade. Resumem-se a uma denominação para alguém que costuma extrapolar a sua própria realidade, ou crendo ser aquilo que, na verdade, não é, mas gostaria de ser ou, por outro lado, acreditando piamente que um dia será ou obterá o que no momento não possui.
Neste caso, a perspectiva de sonho é algo não palpável e raramente concretizável. Remetemos, então, para os campos dos sonhos tudo aquilo que, de certo modo, está para lá das nossas capacidades.
Sonhamos com sucesso, riqueza e felicidade infinita. Sonhamos para nós mesmos e para os que nos rodeiam, sobretudo os nossos descendentes, a quem pretendemos imputar uma “responsabilidade” de concretizarem tudo aquilo que sonhámos para nós mesmos mas que, por uma razão ou outra, não conseguimos levar por diante.
Mas, lá diz o ditado, sonhar não custa nada e, portanto, continuamos a sonhar, seja de noite ou de dia, acordados ou a dormir, sempre como qualidade inata ao ser humano.
Aspiraremos nós sempre a algo que não possuímos?
Seremos insatisfeitos por natureza?
Ou não nos conseguimos, mesmo, livrar dos sonhos, mesmo que o quiséssemos?

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terça-feira, 14 de junho de 2022

Poltergeist (excerto) - PEDRO SILVA

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De acordo com os parapsicólogos, os fenómenos poltergeist representam psicocinese recorrente espontânea, por se tratar de algo que se repete, sem invocação (isto é, os espíritos surgem por vontade própria) e, através de mente (telecinese) existir a capacidade de movimentar objectos inanimados.
É este “movimento” que mais fascina os estudiosos. Certo que existem alguns factos que nos levam a pensar existir pessoas (seres vivos) com capacidade de, apenas com o pode da mente, movimentar objectos, nem que por escassos centímetros, assim como de dobrar artefactos metálicos ou adivinhar combinações sequenciais. Isso exige, ao que parece, grande esforço e mesmo as mentes mais treinadas ficam exaustas rapidamente. Porém, o poltergeist significa que uma entidade espiritual (ou seja, não material, sem parte física) consiga movimentar objectos, provocar barulho e a sensação de movimento pessoal (arrastar de pés, etc). Como será isso possível?
Desde o século XVII que estes fenómenos são registados. Mas, durante séculos, mais do que estudados, a ideia era extingui-los de pronto. Por isso, foram colocados num saco global a que chamaram “bruxaria” e perseguidos, torturados e, em grande parte dos casos, mortos aqueles que viam ou eram coniventes com as ideias de estranhas visões ou barulhos.

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quinta-feira, 9 de junho de 2022

Fantasmas (excerto) - PEDRO SILVA

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Como referimos acima, o fenómeno dos fantasmas está intrinsecamente ligado ao espírito de alguém falecido, cuja alma permanece a vaguear junto dos seres vivos. A razão para que tal aconteça tem sido bastas vezes analisada. Porém, as conclusões não têm conseguido satisfazer todas as mentes. Eventualmente, alguns casos parecem ter explicação, como, por exemplo, quando há um caso referente a algo que ficou por dizer da parte do defunto, que permaneceu num limbo espácio-temporal até cumprir o seu desígnio, a saber, explicar ou comunicar com determinada pessoa. Só depois disso, a sua alma parece poder repousar.
Talvez aí resida parte da explicação para o facto de os fantasmas não serem vistos de forma colectiva. Antes pelo contrário, tudo parece suceder com grande intimidade, no género de diálogo directo com o interlocutor principal. Isto difere, como frisámos acima, da sessão espírita na qual a alma do defunto é invocada, chamada à presença de todos e dialogando pelo corpo físico de um ser vivo predisposto para tal. No âmbito das visualizações de fantasmas, a vontade é deste último que surge, quando entende, chamando a atenção directamente para a pessoa com a qual pretende dialogar.
Vislumbramos aqui um acontecimento que se assemelha bastante aos mensageiros divinos – anjos, espíritos de luz que trazem informação provinda directamente de Deus – bem aceites pela Igreja. Supostamente, no dogma cristão, a morte dá-se apenas fisicamente. A sua alma tomará então o caminho “merecido” – para o Paraíso ou para o Inferno. Esta é a ideia base. Assim, não parece existir a possibilidade de a respectiva alma deambular entre um local e o outro, permanecendo junto do antigo corpo físico. É esta a contraposição que leva à não-aceitação do fenómeno dos fantasmas.

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sábado, 4 de junho de 2022

Breve análise e distinção (excerto) - PEDRO SILVA

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Ao contrário do que é comum afirmar-me, os três fenómenos acima referidos são distintos entre si. Por exemplo, as aparições marianas ou a visualização angelical nada tem que ver com os restantes dois temas. Acima de tudo, podemos considerar que as aparições estão directamente relacionadas com o Cristianismo e por esta religião são naturalmente aceites. Consideram-se como “dádivas” do Espírito Santo que Deus concede, de forma a que mensagens proféticas sejam passadas aos comuns habitantes do planeta terra.
Por outro lado, fantasmas são visões de mortos. Também são comummente conhecidos por “almas penadas” por vaguearem pela terra, junto dos vivos, mas com fraca interacção, até um momento em que possam descansar eternamente. Está no ramo da parapsicologia e não é benquisto pela Igreja Católica, ou qualquer outra. Acreditar que os espíritos de defuntos vagueiam entre nós, e que contactam com certas e determinadas pessoas, ultrapassa, em muito, o conhecimento que se pretende dar a passar a todos nós.
Também no campo dessa nova disciplina, a parapsicologia, surge o fenómeno Poltergeist, de origem germânica, no qual a grande distinção é capacidade destes espíritos, ou almas, que têm a capacidade de provocar o som (por vezes grande algazarra) e de movimentar objectos de forma a manifestar a sua presença sem serem vistos.

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domingo, 29 de maio de 2022

Santa Rita de Cássia (excerto) - PEDRO SILVA

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Igualmente natural da Itália (local onde os estigmatizados parecem surgir com maior profusão), nasceu Rita de Fogliano (apesar de alguns a apelidarem de Rita Lotti), no ano de 1381, mais concretamente a 22 de Maio.
Antes do seu nascimento, já a sua vida estava marcada por fenómenos místicos, contando-se que os seus idosos pais receberam a visita de um Anjo (tal e qual como na Anunciação) informando que iriam ser abençoados com uma criança o que, naturalmente, já não acreditavam ser possível.
Tal como São Bernardo de Claraval, que era considerado um santo doutor melífluo, pelo facto de ter sido alimentado por abelhas, também Santa Rita foi cuidada por um enxame de abelhas brancas (símbolo da pureza), que a alimentaram, na boca, com mel, sem, no entanto, lhe dar a mínima ferroada, o que é condizente com os antecedentes místicos de alguns santos da iconografia cristã.
Conta-se que o papa Urbano VIII, ao encontrar-se com Santa Rita, que andava sempre acompanhada do enxame de abelhas, segurou em uma delas e a marcou, colocando-a em local diferente das demais. Estranhamente, a mesma em breve regressou ao enxame, como se fosse essa a sua missão. Esta é uma bonita lenda que pretende transmitir a ideia de espiritualidade forte impregnada na jovem italiana.

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terça-feira, 24 de maio de 2022

São Francisco de Assis (excerto) - PEDRO SILVA

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Aparentemente, foi esta a primeira personagem na História que, comprovadamente, viu o seu corpo marcado pelas chagas de Cristo, como referimos acima. Nascido em Assis, na Úmbria (Itália), a 26 de Setembro de 1181, renunciou ao mundo em 1206, penitenciando durante dois anos e pregando sempre da forma mais humilde possível.
No ano de 1209 criou, junto com doze discípulos, um pequeno grupo pregador acolhido pela Ordem de Cluny, tendo viajado por grande parte do mundo, sempre espalhando a mensagem divina. Fundou a Ordem dos Frades Menores e a Ordem das Clarissas.
Até chegar à parte da existência em que se dedicou à vivência monástica, S. Francisco terá vivido com todo o luxo possível, filho de abastados comerciantes, compreendendo que havia uma diferença enorme entre os pobres e os ricos. A partir do momento em que recebe um chamamento divino, aparentemente após um período de grave enfermidade.
Foi já no final da sua vida, muito cheia de dificuldades e reconhecidamente em prol dos mais humildes do planeta, que no Monte Alverne, em 1224, é cravejado com as chagas de Cristo, que não mais o largaram.
Tal como todos os estigmatizados, sofreu bastante das dores que as feridas provocavam e estava sempre em constante sobressalto espiritual, lutando internamente para assegurar a sua crença e auto-justificar a presença de tais feridas no corpo. Foi já no sepulcro que terá curado enfermidades de várias pessoas que estiveram presentes no local, mais um acontecimento que contribuiu para a sua canonização.

EM - O OUTRO LADO DA HISTÓRIA DO MUNDO - PEDRO SILVA - IN-FINITA