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sexta-feira, 10 de junho de 2022

Gênero e Imigração (excerto 2) - HANNAH SCHIFF

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Adicionalmente, nos primeiros tempos, somos postos/as a prova e seguimos lutando para alcançar nossos objetivos, sejam eles quais forem. Alguns lutam por qualidade de ensino, outros lutam por um trabalho com contrato, a maioria busca conseguir o título de residência, outros querem ajudar a família no Brasil ou garantir uma qualidade de vida para os familiares. Os objetivos são diferentes, mas as lutas são bastante similares.
Com isso, destaco que nos meus primeiros anos em Portugal, eu e minha mãe tivemos ajuda de muitas mulheres que nos abriram portas e nos estenderam a mão. Graças a elas, eu posso escrever sobre isso e ajudar outras mulheres também. Assim, como mencionado anteriormente, cheguei ao país em 2008 e presenciei uma crise económica internacional que gerou uma onda de recessão à nível social e económico em Portugal e no mundo. A vida era difícil para todos/as os/as portugueses/as, e consequentemente a vida do/a imigrante tornou-se mais árdua. Era mais complicado arranjar um emprego digno com um contrato de trabalho, a aceitação no país tornou-se complexa devido, principalmente, ao aumento da competitividade na busca de vagas de emprego.

EM - GÊNERO E IMIGRAÇÃO - PLATAFORMA GENI - IN-FINITA

domingo, 5 de junho de 2022

Gênero e Imigração (excerto 1) - HANNAH SCHIFF

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Antes demais, é importante apresentar a minha história. Sou imigrante há cerca de 12 anos, deixei o Brasil em 2008 com apenas 12 anos de idade e muito cedo acabei por descobrir que ser imigrante, ser mulher e ser brasileira são três características que definiriam para sempre como seria tratada. Independentemente do meu comportamento, sotaque ou capacidade intelectual. Por outras palavras, a forma como somos tratadas baseia-se, quase sempre, nessas características. Com efeito, ainda muito jovem, compreendi também que estas características não devem ser consideradas vulnerabilidades, mas sim símbolos de resiliência e coragem. No entanto, existem inúmeros estereótipos e preconceitos relacionados às mulheres brasileiras em Portugal, que dificultam essa simbologia de empoderamento.

De modo geral, o principal estereótipo evidente debruça-se em torno da sexualidade da mulher brasileira, no qual elas são “explicitamente identificadas com sexo. As ideias de beleza, sensualidade e disponibilidade sexual parecem estar imbricadas entre si no imaginário da mulher brasileira”(Gomes, 2003, pp. 873–874). Mas existem outros preconceitos em torno do sotaque, da capacidade intelectual, das roupas, das músicas, entre outros. Assim, ser imigrante, mulher e brasileira está automaticamente relacionado a enfrentar diariamente comentários, posturas ou olhares que são influenciados por algumas dessas ideias machistas e xenófobas.

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