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sábado, 10 de novembro de 2018

DEZ PERGUNTAS A... ANGÉLICA COSTA

Agradecemos à autora ANGÉLICA COSTA a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autora e pessoa?

Por infindos momentos busco definir-me. Afinal, quem sou? Quem sabe Versos Íntimos de  Augusto? Sinto por vezes que sou eu mesma... E outras vezes não sei quem sou. Seria eu Acadêmica, Poetisa, Autora ou  apenas protagonista da própria história. Não sei... Jamais saberei! Precisaria de Chico Xavier para me explicar o que trago de outras vidas para pelo menos, supor!

2 - Quais as influências do Nordeste na sua escrita?

Uma variação, desde o Interland do Nordeste brasileiro, a sua gente, suas paixões, amor destructional, a evolução. E carrego desde meados do século XIX uma bagagem genética através da verve poética, sou descendente da família de Agostinho Nunes da Costa, agricultores, pequenos proprietários de terra, homens letrados e amantes da poesia. O primeiro folheto de cordel brasileiro foi escrito por Agostinho Nunes da Costa que foi fundador e primeiro prefeito da cidade deTeixeira - PB, que era parente de Antônio Ferreira da Costa patriarca do Distrito do Pindurão do Costa - Camalaú - PB.
Agostinho Nunes da Costa, foi pai dos dos maiores repentistas da época, Nicandro e Ugolino que eram grandes improvisadores de versos e tiveram a feliz ideia de cantaremao som de uma viola.
Descenderam de Agostinho Nunes da Costa mais de cem cantadores que contribuíram muito como grandes interpretes dos que não são poetas. E surjo eu, ANGÉLICA COSTA filha de Manoel Araújo da Costa, parente de Antonio Ferreira da Costa e Agostinho Nunes da Costa com esse DOM da poética de geração em geração carregando nas veias a genética familiar e a responsabilidade de dar continuidade a nossa literatura.

3 - O que lhe motiva a escrever? E porquê a poesia?

Levar ao mundo a importância da literatura e deixar meu legado para gerações futuras.
A poesia é um outro EU e foi nessa generosidade tão necessária do dar e receber que o EU se torna um NÓS

4 - Que barreiras existem no seu percurso como autora?

“N" barreiras, a primeira delas é a questão de gênero na literatura, sou mulher, plebeia, e sei  que a minha escrita é indicada quatro vezes menos do que a dos homens, não por ter uma escrita inferior mas pelo simples fato de  ser mulher.
Temos a Lei ROUANET 8.313 do dia 23 de dezembro de 1991, que na prática não funciona, o olhar do Estado que não existe. Afinal, poesia é conhecimento e os governantes ainda querem o povo na senzala, ovacionando a casa grande.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

Um impacto de grande relevância, para que eu possa apresentar trabalhos em fração de segundos, com um leque  vasto de possibilidades de divulgação, vendas e parcerias.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Positivos: A troca de experiências, ser recomendada pelo leitor, a crítica, se deparar com alguém lendo ou comprando meu trabalho, a liberdade de criar, voar nas asas da imaginação, é muito gratificante, vivificante, cheio de candura.
Negativos: Não pesquisar, não estudar, desrespeitar o trabalho do colega de profissão, não está aberto para a troca de conhecimentos, tudo isso contribui para o fracasso profissional, o ponto mais negativo de todos considero a falta de humildade.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Um trabalho que toque a sensibilidade do seu público e uma divulgação na mídia com isenção e credibilidade

8 - O que tem feito, enquanto autora, para o enriquecimento da literatura nordestina?

Bebendo a fonte do conhecimento, através da formação Acadêmica, das pesquisas, da cultura, do bate papo com os amantes da poesia, sejam eles leigos, auto didatas, grandes especialistas nos assuntos, todos têm o que me transmitir em conhecimentos para meu crescimento, poético e pessoal e em contra partida oferecer um pouco do meu conhecimento.

9 - Sugira um autor e um livro do Nordeste!

Patativa do Assaré, Obra: CANTA LÁ QUE EU CANTO CÁ

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Atualmente, cada vez mais é difícil publicar um livro, principalmente devido aos motivos financeiros. Qual foi a vossa maior dificuldade na publicação dos mesmos?
Encontrar parcerias com editoras que publiquem a (Obra Solo). Entendo ser um desafio para as mesmas, porém se for analisado por uma equipe competente e eu apresente um trabalho de grande relevância, analisando o público alvo a ser atingido, formaremos uma parceria imbatível a editora, eu enquanto autora, e o leitor.
Assim sendo:

"O que é já foi,
e novas fontes beberão do
que passou;
renovando assim as profundezas"

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quinta-feira, 8 de novembro de 2018

DEZ PERGUNTAS A... ZÉLIA VALÚ



Agradecemos à autora ZÉLIA VALÚ a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autora e pessoa?

Me defino como amante da poesia, adoro rimas. Como pessoa uma simples professora, que desde os sete anos aprendeu a declamar.

2 - Quais as influências do Nordeste na sua escrita?

Todas, sou uma nordestina de corpo e alma.

3 - O que lhe motiva a escrever? E porquê a poesia?

O amor à arte da escrita e a emoção que a poesia traz ao ser declamada. Porque poesia é a essência da vida.

4 - Que barreiras existem no seu percurso como autora?

As barreiras de iniciantes: falta de patrocínio, ser desconhecida etc.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

As redes sociais são de grande importância para o meu percurso, me dar a oportunidade de levar a minha poesia e a de outros  poetas a muitas pessoas em toda a parte do mundo.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Positivos muitos: a literatura e a cultura da leitura são essenciais ao ser humano. É  tudo! 
Acho que os pontos negativos não representam nada.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Um trabalho bem feito é o essencial.

8 - O que tem feito, enquanto autora, para o enriquecimento da literatura nordestina?

Sendo nordestina tenho feito vários poemas  engrandecendo  minha terra.

9 - Sugira um autor e um livro do Nordeste!

O curioso destino de Rita Quebra Cama de Ricardo Ishmael.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Se eu estou feliz em fazer parte desse trabalho
Resposta Estou muito feliz

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domingo, 4 de novembro de 2018

DEZ PERGUNTAS A... INÊZ OLUDÉ


Agradecemos à autora INÊZ OLUDÉ a disponibilidade em responder ao nosso questionário
1 - Como se define enquanto autora e pessoa?
Eu procuro não me definir, quem se define definha! Prefiro me surpreender com minhas facetas que aparecem à medida que vou deixando as peles, feito as cobras. Ser ou não ser para mim não é a questão, como poeta, estudo muita filosofia, porque nunca entendi direito a busca de si mesmo, salvo alienação, cada um é o que é, não pode ser outro, ao meu ver, não ser é que é impossível. Quem sou eu? O resultado de muitos que vieram antes de mim, de onde vim para onde vou? Da terra e à terra voltarei, não creio em vida após a morte, acho que a vida é antes dela e há que vivê-la com intensidade. No entanto, reconheço que nossa cultura associa o ser com o fazer, e isso tem se intensificado nas últimas décadas, talvez seja uma maneira a aumentar as vendas de livros de auto ajuda e garantir o salário dos psicólogos? O que sei é que mudo a cada instante e mudei de profissão a cada dez anos. Isso aconteceu por questão de adaptação num pais estrangeiro, onde o racismo estrutural era e ainda é forte, e sobrevivência. Mudei até de pais. Gosto de fazer o que gosto, construí minha vida em função disso, tenho perebas azuis no corpo e na alma como todo mundo, mas delas cuido eu. E assim vou levando a vida como posso. O que eu sei com justeza é que não quero ser o que não sou, o resto é mistério. 

Através das Artes expresso o conteúdo da vida…

2 - Quais as influências do Nordeste na sua escrita?
São tantas, que é quase impossível a todas enumerar. Nasci no Sertão de Pernambuco. Tinha um tio que era vendedor de folhetos de cordel nas feiras de Sertânia, todos os sábados estávamos em família, onde nos acocoravam nos pés de parede para escutar suas piadas e versos. Foi em Sertânia que ouvi os primeiros cantadores repentistas e poetas e a cartilha do abc. Quando a gente ia à escola, não sabia ler e já conhecia um mundo de histórias. Fui alfabetizada pela minha mãe, acho que todos os meus irmãos aprenderam a ler assim também, minha mãe nos recitava e fazia repetir a cartilha do Abc e a tabuada. Todos na família contavam “causos” e fui embebida de poesia sempre, isso não é dado a todo mundo, mas às crianças do Nordeste, sim. Falo do Nordeste de antigamente, hoje a meninada tem celular, internet e são outros modos! Minha mãe contava muitas histórias, meu pai cantava e fazia repentes, mas nunca publicou nada. Tenho vários irmãos poetas e eu mesma, tenho muitos poemas na gaveta e vários contos publicados. De criança, já ouvia desafios, pelejas de viola e cordelistas declamando Pavão Misterioso, as safadezas de João Grilo, Pedro Malas-artes, Juvenal e o Dragão e contos que minha mãe inventava. O cordel também estava presente no dia-a-dia da vida da gente, nas feiras, vendinhas, escolas, festas de boi e nas reuniões. Tudo isso faz parte da vida cotidiana do povo do Nordeste. Na adolescência, ouvi e li de tudo que pude, Zé Limeira, Leandro Gomes de Barros, Patativa do Assaré, Laurentino, Caju e Castanha. Nos anos 80, frequentei a casa de Lourival Batista (o famoso Louro do Pajeú), em São José do Egito. Em janeiro era o aniversário de Louro, em sua casa se encontravam, nesta ocasião, todos os violeiros e cantadores do Nordeste. Era maravilhoso. Hoje sua casa virou a Casa do Poeta. Assisti a muitas pelejas entre João Furiba e Pinto do Monteiro, o Língua de Cobra, esse poeta, posso dizer que foi meu mestre, sou também uma língua de cobra das letras, faço poesia sem concessão. Pinto morava em Sertânia e Furiba em Monteiro, cidade vizinha, situada na fronteira entre Pernambuco e a Paraíba. Meu Irmão, conhecido como Zé Mago, mora até hoje em Sertânia e é dono da Casa do Poeta, onde se encontram os vates da região. A filha dele, Marta Luciana, criou uma filial em Olinda recentemente.

3 - O que lhe motiva a escrever? E porquê a poesia?
Eu escrevo sobre experiências profundas da minha vida, sobre as observação das dores do mundo, dos traumas pessoais ou coletivos, a paz, a guerra, a vida  a morte e tudo o que me interpela. Escrevo quase de maneira automática, tudo chega pronto, não critico, deixo fluir, coloco na gaveta, depois, aos poucos vou vendo o que escrevi. Mas não escrevo só poesia, é ou que eu prefiro, mas também escrevo contos e textos políticos. Sou artista plástica e poeta, mas também fiz teatro, dança, canto e arranho um violão clássico. Não virei tudo isso por desejo consciente, fui virada pelo mundo, como diz Gil, devido a certas circunstâncias de minha vida. O que expresso são os passos e os percalços, estes últimos, contarei no momento oportuno, se necessário for, porque não alimento miséria nem tristeza, nem dor, se acontecem, deixo que se expressem e depois que passem. O meu eu poeta se impôs, o meu eu pintora se impôs, foi tudo por necessidade, em momentos - chaves da minha vida, onde a memoria das ditaduras que vivi voltaram a incomodar e tinham que se expressar para serem sanadas. «Alguém» em mim, achou a arte e a poesia como solução para alegrar a minha existência. Agora é o meu Eu filosófico que esta me cutucando. Estou atenta porque gosto de prestar atenção em mim. Minha mensagem poética tem muito de irreverência, de ironia, de humor negro, até de sarcasmo, mas junto a isso, tem um bom fundo de filosofia.

4 - Que barreiras existem no seu percurso como autora?

Eu penso que cada escritor tem um percurso de vida próprio, seus empecilhos, suas soluções. Eu sou de saltar barreiras, de usar as pedras no caminho e de transformar as vicissitudes em adubo fertilizador para fazer crescer meus frutos. Na vida tive mais não que sim, mas isso fez de mim uma guerreira perseverante e tenaz. Não sou muito de ir em busca de glória, para mim é como correr atrás do horizonte, mais você avança mais ele se distancia. sucesso ou reconhecimento tem um preço que pode ser muito alto. As publicações das quais participei foram a convites, com as exposições se da o mesmo jeito: eu organizo meus eventos, porque percebi que o mundo da arte contemporânea é muito difícil, árduo e muita coisa funcionam através de amizades, de jeitinhos, de muito se abaixar. Com a poesia não deve ser muito diferente. Quando os amigos me chamam, eu vou, se me convém, é claro. Eu não faço muita publicidades meus trabalhos, não procuro galerias, respondo muito raramente a concursos, não envio nada às editoras, pelo menos até agora. Com a poesia vai ser diferente, estou na fase de corpo e alma na poesia, quero que seja lida, publicada, conhecida, por ser minha arma contra as injustiças e contra a opressão, ela deve ser um testemunha de uma época da história de chumbo da ditaduras militares que assolaram em toda a América Latina, para que outras sejam evitadas. Pelos atuais acontecimentos no Brasil e no mundo estamos correndo sérios riscos de voltar barbárie nazifascista. Por isso me inscrevi para participar da coletânea Ecos do Nordeste. O Brasil passa por um momento difícil, que pode ser o laboratório da s próximas ditaduras e quem silenciar, não tomar posição, deixar acontecer, ficar em cima do muro, será cobrado pela história. Então, decidi que agora é hora de me mostrar de novo como artista engajada agitadora, com o pincel e o teclado. Também organizo eventos, manifestações de rua e saraus.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?
Eu utilizo muito as redes sociais para atividade politicas, eu sou uma agitadora profissional, sou rebelde, anti fascista e isso se sabe, pois faço grande alarde, mas pouco mostro minhas criações. Tenho blogs, sites, mas não renovo muito, são como museus virtuais, no entanto, quero mudar isso, com a poesia.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita? 

Não sei se estou apta a responder a esta pergunta, por não estar ativamente no “mercado”, no então, penso que se houver pressa para fica famoso, ideias de ser rico ou a ilusão de querer ser um escritor popular e agradar a todo mundo, cai na armadilha da vaidade e se perde. Quando se tem meios financeiros e bons amigos na praça, as coisas ficam mais fáceis, mas pode também fazer aparecer um monte de mediocridade passarem por genialidade, sobretudo se a mídia está por trás na fabricação de artistas e literatos. O positivo é que você pode ter o objetivo de alegrar a vida do vivente, levar outros a pensarem fora da caixa, a repensar suas memórias com sua magia. 

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?
O primeiro passo é publicar, depois ter uma editora que divulgue seu trabalho na web, em livrarias, em feiras literárias, nacionais e internacionais, participar de saraus… Eu adoro dizer poesia e fazer conferências, faço muitas, acho que é uma forma muito inteligente de ter contato com as pessoas. Hoje a vida esta muito virtual. Segundamente, conhecer gente do meio literário, criar sinergias, participar de coletâneas, se editar se for preciso. Quanto às redes sociais, fazer blogs, sites, participar de redes, etc., No entanto, uma ressalva: isso pode ser uma ilusão. E necessário ter estratégias, antes de jogar-se às feras, é mister aprender a navegar nas redes sociais e não naufragar, como disse o filósofo Sérgio Cortela. Se não tiver uma bussola para nortear a navegação, pode se perder nas brumas do mar da mundialização.

8 - O que tem feito, enquanto autora, para o enriquecimento da literatura nordestina?
Essa pergunta necessita reflexão. Estou fora do Brasil há 46 anos e não posso pretender que nada mudou em mim. Mudou sim, mas tenho uma memória tenaz, lembranças vivas. Volto sempre para beber na fonte que me amamentou, tudo volta em mim com força e me nordestina, me sertaneja, me abrasileira. Mas não sei se contribuo muito, não sei nem se faço falta, com tantos poetas maravilhosos que tem o Nordeste. Aquilo ali é um viveiro de gente boa de poesia. Uma coisa é certa, eu tenho muito orgulho do que fui, e do que sou. O distanciamento é uma realidade, não posso negar, adquiri outras experiências de vida, outras identidades, outras realidades, outras subjetividades. Isso faz com que esteja meio à margem do que chamam de poesia nordestina, às vezes faço poemas no estilo repente, embolada, uso ritmos e rimas típicas, mas evito cair em clichês. Eu sou múltipla e pretendo ser universal pela temática, mas sobretudo porque conheço e reconheço bem minha aldeia.

9 - Sugira um autor e um livro do Nordeste! 

Nossa são muitos os escritores que eu adoro, é difícil escolher, ficarei com Ariano Suassuna e o Auto da Compadecida, pelo humor, pela inteligência com a qual mostrou a exploração que as elites conservadoras impõem  no Nordeste há séculos. Nesta obra está resumido tudo o que me inspira na literatura nordestina em toda sua grandeza. Ariano é mágico, consegue me arrepiar e fazer vir à superfície o sentimento de assombro necessário para ser poeta. Ele me fez visitar os limites dos territórios de Deus e do Diabo, estas entidades tão populares no Nordeste. Ariano me desperta o desejo de escrever assim, digamos que me dá uma ponta de inveja positiva e criativa. Ao meu ver, ele é quem mais soube mostrar  a sutileza,  o humor, a malicia, as facécias e as capacidades que desenvolve o nordestino para sobreviver. João Grilo e Chicó não só  enganaram os poderosos, mas driblaram o diabo e lograram até a confundir a morte na suas irreverências. Mas como eu falei acima, são muitos os escritores que admiro e que me alimentam espiritualmente. 

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia? 
Perguntem porque saí do Brasil.
Lhes responderei: não saí, me saíram. 

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sábado, 3 de novembro de 2018

DEZ PERGUNTAS A... RAMON MEDEIROS

Agradecemos ao autor RAMON MEDEIROS a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autor e pessoa?

Enquanto autor: simples, que prefere a rusticidade ao artificial e se encanta com as paisagens naturais e formas de vida existentes no Nordeste brasileiro, sobretudo, do sertão; enquanto pessoa: humilde, pacato, sentimentalista, romântico, defensor da cultura nordestina.

2 - Quais as influências do Nordeste na sua escrita?

Mariana Teles, Patativa do Assaré, Os Nonatos e Bráulio Bessa.

3 - O que lhe motiva a escrever? E por que a poesia?

Dar vida aos acontecimentos mais simples do cotidiano do povo nordestino; transformar sentimentos e ficção em realidade. Por ser um dom divino e a forma mais bela da expressão da arte.

4 - Que barreiras existem no seu percurso como autor?

Falta de espaço para a divulgação do trabalho autoral e da poesia como um todo; falta de incentivo em cultura e educação por parte dos poderes públicos; desconhecimento e desvalorização por parte da sociedade, principalmente para com os artistas locais.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

Assumem papel de fundamental importância, pois a partir das referidas mídias é possível atingir públicos diversos, uma vez que as mesmas estão cada vez mais acessíveis e com maior potencial de alcance, permitindo assim, a interação e o compartilhamento de distintas formas (escrita e audiovisuais) do conteúdo produzido. Graças as essas ferramentas consegui(o) chegar a lugares e pessoas que sem o auxílio das mesmas seria impossível.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Positivos: incentivo a leitura; exercício da linguagem verbal e suas normas; produção física ou digital do conteúdo (livro, cordel, revista, etc.);
Negativos: falta de interesse em leitura por parte da sociedade; restrição quanto ao alcance e acesso ao conteúdo; pouca valorização da escrita; dificuldades para publicação, principalmente quanto aos altos custos, entre outros.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Propagação do seu trabalho através de: inclusão em programações de eventos; valorização e respeito a sua cultura; espaço nos meios de comunicação mais acessíveis (rádio, TV, internet, jornais, revistas, etc.), entre outras.

8 - O que tem feito, enquanto autor, para o enriquecimento da literatura nordestina?

Tenho dois livros publicados no segmento poesia popular (literatura de cordel): Simplicidade Poética (2015) e Simplesmente Eu (2018); participação em sete coletâneas de poesias, sendo estas: Relíquias da Cantoria; IV e V edições do Festival Vamos Fazer Poesia; Romance do Nosso Amor; O que é Poesia? Centenário do Poeta Furiba: a lenda viva da viola e Antologia Ecos do Nordeste; defendo e propago a poesia popular em eventos culturais, sociais e religiosos, programas de rádio e televisão; ministro oficinas e palestras de literatura de cordel.

9 - Sugira um autor e um livro do Nordeste!

Patativa do Assaré – Inspiração Nordestina

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Na sua opinião, no Nordeste a poesia popular tem o espaço e a valorização que merece?

Não! A poesia popular, seja ela escrita ou de improviso, literatura de cordel ou cantoria de violas, respectivamente, é bastante conhecida, divulgada e praticada no Nordeste brasileiro, mas ainda estar longe de ter o espaço, o respeito e a valorização que merece. Basta olharmos as programações das Tv’s e rádios ou até mesmo dos grandes eventos locais e regionais para percebermos que quando existe espaço para a expressão da arte em questão, este é mínimo. Muito tem sido feito e conquistado, porém, ainda existe uma enorme lacuna a ser preenchida para com a raiz cultural da nossa região.

Como conquistas cito: o recente reconhecimento do cordel como patrimônio cultural do Brasil; a inclusão da literatura de cordel na grade curricular em escolas de alguns munícipios nordestinos; o espaço que o poeta cearense Bráulio Bessa tem semanalmente numa emissora de Tv de alcance internacional; os programas de cantoria de violas (diários ou semanais) em emissoras de rádio, principalmente no interior nordestino; o grande alcance que a poesia ganhou com as novas tecnologias e meios de comunicação, entre outros.

Mas, para notarmos o débito para com poesia e principalmente para com os artistas que a carregam sobre os ombros, basta observarmos as programações dos festejos juninos, época do ano em que a cultura nordestina ganha destaque nacional e internacional e a poesia quase não tem espaço nos grandes eventos. Pagam-se altos cachês à artistas (em muitos casos externos a nossa cultura) que na maioria das vezes trazem em seus repertórios conteúdos que deturpam os nossos valores culturais e princípios como a moral e o respeito, e baixíssimas quantias aos artistas locais (poetas e trios pé-de-serra). Outro exemplo é a lei Rouanet, “principal mecanismo de fomento à cultura do país”, que tem como objetivo “disponibilizar recursos para a realização de projetos artísticos-culturais”. Através desta lei, artistas já consagrados nacional e internacionalmente conseguem milhares e até milhões de reais para financiarem seus projetos, enquanto que artistas e instituições de menor expressão, principalmente os que defendem as raízes culturais do Nordeste, têm dificuldades absurdas para conseguir apoio da referida lei. É importante ressaltar também o poder da sociedade, que muitas vezes fomenta artistas dos mais distintos estilos e não incentiva nem prestigia os valores culturais da região.

Quer constatar a veracidade do que ora escrevo? Tente realizar um festival de violas ou um sarau poético em praça pública com o apoio dos poderes públicos? Tente publicar uma obra no segmento cultural poesia popular (cordel, livro, revista, documentário, etc.)? Tente conseguir um horário “nobre” em programas de rádio ou TV para divulgar a poesia?...

Por fim, concluo reafirmando e reconhecendo que muito já foi feito, porém, muito mais precisa-se fazer!

Iniciativas como essa da IN-FINITA BRASIL, de levar a poesia popular para além das fronteiras do país, além de louvável precisam ser copiadas!

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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

DEZ PERGUNTAS A... JOSÉ LUIZ CAVALCANTE


Agradecemos ao autor JOSÉ LUIZ CAVALCANTE a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autor e pessoa?

Zé Luiz é uma pessoa simples, que ama a vida, a natureza e as pessoas. Sua fé e esperança na humanidade me fez escolher a docência como profissão. A música, a poesia e ato de escrever são reflexos desses amores. Meus temas prediletos envolvem a vida e o viver das pessoas projetadas nos meus sentimentos e ambientadas na beleza do mundo.

2 - Quais as influências do Nordeste na sua escrita?

O nordeste é minha casa. Em tudo vejo sertão. As luzes do crepúsculo, o céu do cariri, a fauna e flora me fornecem a matéria prima para criar. O nordestino como parte de cenário é frequentemente abordado também.

3 - O que lhe motiva a escrever? E porquê a poesia?

Como ser que ama a vida, sinto necessidade de expressar meus sentimentos, impressões e opiniões. A poesia é uma forma de dizer o que quero sem necessariamente me prender a estética do mundo. Nela eu crio meu próprio universos, vivo amores, faço ode ao milagre da vida em seus mais variados aspectos, denuncio as injustiças e maldades que insistem em nos assombrar.

4 - Que barreiras existem no seu percurso como autor?

Uma barreira natural tem sido o incentivo à produção. Apoio a divulgação seja em eventos, mídias dentre outros. O fato que iniciativas como a da In-finita acaba sendo um movimento fundamental para superação dessas dificuldades.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

São fundamentais, pois tenho explorado, ainda que tímida, as redes sociais como forma de divulgação.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Escrita é comprometimento. Ao passo que lhe dá liberdade para expressar sentimentos, lhe traz responsabilidade sobre aquilo que escreve e difunde. Não vejo negatividade no ato de escrever, porém se o que eu escrevo conduz a disseminação de práticas negativas por quem lê, estamos falando de algo que deve ser analisado com cuidado. Escrever faz bem.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Canais como a internet, eventos alusivos à obra dos autores ajudam no processo de divulgação.

8 - O que tem feito, enquanto autor, para o enriquecimento da literatura nordestina?

Essencialmente produzido. Difundindo autores que ainda não são conhecidos. Participado de eventos e iniciativas com a In-finita.

9 - Sugira um autor e um livro do Nordeste!

Livro com Cheiro de Mar e Quixabeira de Josessandro Andrade.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

O que é a Flor de Cariri?
A flor de cariri é a vida, de cada pessoa sertaneja, caririzeira. É a beleza do milagre humano na metáfora do milagre da natureza.


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quinta-feira, 1 de novembro de 2018

DEZ PERGUNTAS A... PATRÍCIA SANTANA


Agradecemos à autora PATRÍCIA SANTANA a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autora e pessoa?

Como um ser em constante (re)construção, o ser autor e o ser pessoa estão sendo moldados diuturnamente, buscando embasamento no amor, que me move a ser melhor a cada dia e a buscar uma escrita capaz de tocar a alma humana.

2 - Quais as influências do Nordeste na sua escrita?

Meus pais são nordestinos, que deixaram a sua terra para buscarem uma vida melhor em São Paulo. Sou fruto da união desse sangue nordestino, que retornou para Bahia em 1986, aos sete anos de idade. Toda a minha formação foi construída no Nordeste, sou extremamente apaixonada pelo povo, suas variadas formas de falar, cultura, garra, alegria em meio a tempestades, a esperança de tempos melhores que ressurge em cada amanhecer...
   
3 - O que lhe motiva a escrever? E porquê a poesia?

Sou movida pelas situações do cotidiano, vivências, sentimentos que, a depender da situação, latejam em nosso ser... Sendo assim, escrevo tanto prosa, em especial, crônicas, quanto poesia. A poesia permite ao escritor um toque especial, alcança o leitor e o faz refletir sobre o que se passa em sua vida, analisando aspectos externos e internos. Ela tem um papel importantíssimo: move escritor e leitor a um encontro constante com o seu ser.

4 - Que barreiras existem no seu percurso como autora?

A primeira barreira que enfrento é comigo mesma. Escrevo desde a adolescência, mas sempre foi uma escrita muito particular, que ficava guardada nos meus cadernos ou pastas do computador. Os textos compartilhados eram peças teatrais que escrevia para um projeto literário que realizava em uma escola estadual que trabalhei de 2004 até 2013. Agora, senti a necessidade de desafiar-me e comecei a participar de seleções para coletâneas e antologias e postar meus textos nas redes sociais, no Instagram e na página “Patrícia Santana: entre prosa e poesia”, no Facebook. Sei que outras surgirão, até porque estou iniciando nesse processo de escrita, mas na certeza de que todas elas serão caminhos para mais (auto)conhecimento.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

As redes sociais permitem maior visibilidade dos meus textos. É gratificante saber quando um texto sensibiliza alguém e que pode fazê-lo refletir sobre determinado assunto e/ou ser tocado por minhas singelas palavras.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Com a escrita é possível ser livre. Escrever é libertador. Poder discutir variados assuntos, abrangendo um número cada vez maior de leitores, como também estar em contato constante com diversos escritores e com tudo que o mundo literário oferece são pontos muito positivos. Como pontos negativos, não consigo associar a literatura, a escrita, apenas com status e/ou uma forma criada para obtenção de dinheiro... A escrita vai muito além, transcende...
   
7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Toda forma de divulgação é válida, pois autor e obra passam a ser conhecidos e o trabalho do autor reconhecido pelo amor que dedica à arte literária.

8 - O que tem feito, enquanto autora, para o enriquecimento da literatura nordestina?

Sou amante da literatura nordestina. Estudei no Mestrado sobre algumas crônicas da escritora Rachel de Queiroz. Já publiquei alguns trabalhos científicos sobre a literatura nordestina e, agora, a publicação de textos literários. Além de sempre estar divulgando todo tipo de arte que envolva a literatura nordestina.

9 - Sugira um autor e um livro do Nordeste!

Rachel de Queiroz – Memorial de Maria Moura

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Ainda não me sinto apta para responder, mas, tenho certeza, que todas as perguntas que me forem feitas serão respondidas com muita sinceridade e externando o meu amor pelo que faço.


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