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quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Sinônimo de Resistência - Jeane Tertuliano

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Eu escrevo como quem ama: mergulho de corpo e alma nas entranhas da poesia. O amor diz muito sobre o ofício de uma poeta, pois não é por dinheiro que produzo a minha arte, mas sim pelo que sinto quando versejo com o coração. Beirando o meu quinto livro, escrevo com mais afinco. A vida parece enfim ter sentido, e isso significa tudo para mim. Ser mulher é um ato de coragem. Ser uma mulher que produz literatura às vistas de uma iminente ditadura, é uma proeza que por si só faz implodir a medonha estrutura da sociedade machista, golpista e tirana. Eu sei que divago demais, mas ser poeta é isso mesmo: é traduzir tudo que me fere a alma o tempo inteiro. Não sei viver se o sentido preestabelecido for ser feliz num padrão contido pelos vãos que ecoam nos lares do mundo infindo. Mulheres não se calam quando têm razão e sonhos. Os opressores podem até espernear, mas se a própria ciência aponta que somos a maioria, não há sentido algum em negar a soberania da nossa existência. Escrever é sinônimo de resistência!

EM - ELAS E AS LETRAS: SEMENTE, PRESENTE - UM LIVRO PARA MARIELLE FRANCO - COLETÂNEA - IN-FINITA

sábado, 11 de setembro de 2021

Infortúnios Nocivos - JEANE TERTULIANO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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É dia. Dos noticiários televisivos, jorram infortúnios nocivos: mais Marias foram violentadas e / ou estupradas cobardemente. Ainda assim, é dia. Pessoas acordam e vivenciam suas rotinas sem despertar ante o constante oscilar dos monstros que vêm e vão de suas pseudojaulas. As vítimas, quando não são postas em túmulos, seguem existindo sem porquê nem pra quê num mundo que insiste em apontá-las como culpadas, crê?
Nada novo por aqui nem acolá...
Independente das injustiças acometidas àquelas que sofrem desde que nasceram, é dia. O grito que ousou irromper das entranhas doloridas foi fisgado pela violação abrupta de um pai (?), padrasto, tio, vizinho etc. É dia, mas a lei continua a dormir quando o assunto em pauta envolve uma pobre coitada vestindo saia curta, batom "vermelho cheguei" nos lábios e hematomas enfeitando o seu corpo depravado. É dia? Os algozes que deveriam habitar a escuridão da noite andarilham livremente aonde
bem entendem. A Maria que ousar delatar um assédio, será devidamente punida se não trouxer em si mesma provas contundentes do sacrilégio, do contrário, o ato desprezível será ignorado descaradamente.
É dia! Feminismo não é vitimismo! É sinônimo de luta em prol do alvo em iminente perigo, que anseia apenas por igualdade perante uma sociedade indiferente às mazelas sofridas a muitas mulheres inocentes que foram lançadas à fogueira injustamente por feras hediondas disfarçadas de cristãos, que utilizavam o credo como desculpa para cometer leviandades absurdas em meio a grandiosa farsa que era a tão aclamada devoção.
É dia, as bruxas não serão queimadas novamente! Em nosso âmago, maior é a chama que evoca o sagrado feminino e une o passado ao presente. A poesia secular nos envolverá em seu compasso experiente e calejado, privando-nos do passarinheiro que à espreita aguarda um descuido nefasto que impedirá a futura geração de voar.

 EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (PROSA E CONTOS) - COLECTÂNEA - IN-FINITA