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sexta-feira, 23 de novembro de 2018

EU FALO DE... O BANCO AMARELO DO ARPOADOR

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA
Podem conhecer a autora neste link


Dois seres que se cruzam no acaso do destino e se complementam, pelo menos a espaços, movidos por ânsias de mudança e pelo amor que sempre sonharam. Duas histórias particulares que, apesar das diferentes vivências, os aproximam.

Um homem, longe de casa, tenta reencontrar-se e procura, no exotismo de outro continente, colmatar as carências que sente. Mas tocado pela dúvida deixa-se reprimir pela razão que a idade lhe concede. Uma mulher tenta refazer-se, após ter sido tocada pela tragédia mais dilacerante que qualquer ser humano consegue suportar, e assim retomar os trilhos da vida que acredita merecer.

Ele encanta-se pela beleza, jovialidade e o modo extrovertido dela. Ela apaixona-se pelo charme, elegância e a atenção que ele lhe devota. Ambos deixam-se enredar pelo apelo da carne e limitam-se a viver apenas os momentos de intimidade que partilham. Quando juntos, o mundo parece reduzir-se a eles. Nada mais existe. Eles são tudo o que respira e vive.

No entanto, nele existe uma tremenda luta interior entre a descrença nos sentimentos e a possibilidade de finalmente ser feliz. Por mais que queira cortar as amarras que o prendem, há sempre algo que o faz recuar.

Nela sobressai a necessidade de um ombro que a conforte, ampare e ajude a olvidar o sofrimento do passado. Ela acredita ter encontrado nele o porto de abrigo que procurava.

Pouco a pouco, nem sempre de forma intencional, cada um deles vai dando sinais dos seus fantasmas. Ela fala abertamente sobre o que sente, ele revela acidentalmente o que o atormenta. Ela tenta superar as diferenças entregando-se cada vez mais. Ele tenta reprimir-se e usa qualquer pretexto para que a relação fique estanque. Ambos querem um futuro diferente mas... enquanto ela faz acontecer, ele insiste em deixar a razão do medo sobrepor-se ao desejo da felicidade.

Ela afasta-se mas conserva a esperança de manter o relacionamento porque o ama sem reticências e, cada vez mais, acredita que o destino é ficarem juntos. Ele nega interesse para lá do platónico mas sofre com a ausência dela. Ele vai atrás dela. Ela recebe-o de braços abertos. Ela quer. Ele nega querer. Ela insiste e ele, apesar das evidências e dos sintomas, persiste na negação. Contudo, existirá sempre o banco amarelo do Arpoador a uni-los.

O vento, o mar, os cheiros, os sabores, as cores e a luz do Rio de Janeiro. Tudo isto faz parte do cenário tropical que a autora, Deborah Almeida, usou para criar o enredo desta história de amor, que pode ter muitos finais. Entre encontros e desencontros, ela teceu e entrelaçou as vidas dos dois personagens, de modo tão natural que, até as atitudes, porventura, mais insensatas e pitorescas nos parecem verosímeis. Para tal desiderato, talvez não seja estranho o facto do personagem masculino, um anglo-saxónico, ser também o narrador: isto é, a história que nos é contada, neste livro, é a versão dele. Ficamos a saber as suas percepções sobre os episódios vividos enquanto casal que quer ser mas, por vontade dele, ou por força das suas incertezas, dificilmente será. Ficamos a conhecer as qualidades e defeitos que ele vê nela, e do inverso apenas as suposições dele. Assim, ao lermos cada linha, somos acometidos pela curiosidade de saber se a versão dela seria a mesma.

Seja como for, e em resumo, este O BANCO AMARELO DO ARPOADOR - uma breve história de amor, tem 84 páginas, divididas em 28 capítulos, que se lêem num fôlego e faz-nos desejar que a autora, um dia, nos brinde com outro romance da mesma história mas com a narração a ser feita pela personagem feminina. Fica o desafio apenas porque fiquei curioso...

Recomendo, sem reservas, este livro de Deborah Almeida

Breve biografia da autora:

Deborah Almeida (1961) nasceu em Porto Alegre. É bacharel em Direito e aficionada pela leitura e a escrita. A aposentadoria em 2015 alavancou o início à carreira literária, escrevendo contos, crônicas e romances.

Os interessados podem adquirir o livro através deste link

MANU DIXIT

terça-feira, 13 de novembro de 2018

EU FALO DE... O SERENO FLUIR DAS COISAS


Por vezes o melhor que podemos fazer por um livro, e um autor, é dar a conhecer a nossa primeira impressão. Assim sendo, aqui fica o prefácio que tive a honra de escrever para o livro O SERENO FLUIR DAS COISAS, de Alvaro Giesta.

“Ser uma coisa evidente é ficar reduzido a quase nada”

Esta frase, do poeta dramaturgo Teixeira de Pascoais, explica em poucas palavras os conceitos que Alvaro Giesta aplica na arte da escrita. Nada do que sai de sua pena fica restrito ao evidente. Há, quase sempre, algo mais a ser entendido, para lá da palavra escrita. Há, quase sempre, matéria que, não sendo secundária (bem pelo contrário), merece tanta ou mais atenção. Há, quase sempre, algo que, fazendo sombra à evidência, nos obriga a ver para lá do óbvio e a decifrar entre linhas.

E o título da obra que temos em mãos é o exemplo perfeito. O SERENO FLUIR DAS COISAS, na sua fórmula evidente, ficaria reduzido ao simples e básico nada. No entanto, o poeta, enquanto mestre conhecedor das ferramentas que depuram a poesia e sabedor daquilo que se auto-exige, usou-as para que o conteúdo contrariasse o título, transformando-o numa ironia: o interior deste livro é tudo menos sereno, direi mesmo inquietante. Em contraponto, porquanto a arte poética não tem linearidade, o título desta obra também pode ser entendido como uma reflexão pela naturalidade com que devemos encarar as coisas que acontecem, seja na concepção da obra, seja naquilo que, afinal, é a vida de todos nós. As coisas acontecem porque tem de ser assim e devem ser entendidas como inevitabilidades da condição humana.

Alvaro Giesta já demonstrou, em diversas ocasiões, o quanto domina a arte do subliminar e essa capacidade é fruto de um trabalho apurado, consciente e, acima de tudo, permanente. Afinal, é esse rigor, no uso da linguagem simples, que se exige ao poeta. Se assim não for sobra apenas o banal. Mas não se confunda o banal com o simples. Existem diferenças abismais entre estes dois conceitos. Entenda-se o banal como algo frívolo, vulgar, o tal nada a que se referia Pascoais. O simples, ou a simplicidade na escrita, é algo bem mais complicado de se atingir mas uma vez alcançado pode ser sublime por não ser evidente.

Disse Herberto Helder:

“Escreve-se um poema devido à suspeita de que enquanto o escrevemos algo vai acontecer, uma coisa formidável, algo que nos transformará, que transformará tudo”

Alvaro Giesta labora a sua escrita por acreditar que, enquanto escreve, as transformações acontecem. E fá-lo para, no mínimo, transformar o banal em algo formidável, porque a estética também diz muito sobre o trabalho do poeta.

Esta simbiose (trabalho/estética), tão querida ao poeta, acaba por ser a imagem de marca da sua obra mas não explica tudo porquanto a primeira é apenas o meio para alcançar a segunda. E se sobre a estética cada um pode interpretar a seu bel-prazer e entendimento, sobre o trabalho não há margem para duvidar que o poeta se escreve a cada verso.

Neste sentido, e porque não existe uma só forma de dissertar sobre a obra de Alvaro Giesta, não resisto a fazer um paralelismo, já tão gasto como o tempo, entre a escrita poética e a escultura. Ao contrário de muitos contemporâneos que dizem esculpir o poema da matéria bruta, desbastando aqui e limando acolá, Alvaro Giesta usa o texto como matéria prima e, com o cinzel de poeta, vai retirando os excessos que o envolvem, até ficar apenas o que sempre existiu: o poema. Dito isto, é fácil deduzir que a poesia está dentro do poeta e ele limita-se a colocá-la cá fora somente quando entende que o poema atingiu a maturidade necessária para se dar a conhecer – o estado de quase perfeição.

“Os homens são como as obras de arte: é preciso que se não entenda tudo delas duma só vez”

Esta frase de Miguel Torga ajuda-nos a fundir e resumir tudo o que dissertei até aqui. A mestria de Alvaro Giesta no uso da linguagem simples, através do burilamento do poema, e a arte de transformar essa simplicidade em algo formidável mas nada evidente, para que cada leitor, a cada nova leitura, vá descobrindo ou decifrando o poema e o poeta. Neste contexto, faço um parêntesis e ouso escrever que O SERENO FLUIR DAS COISAS é a menos hermética das obras de Alvaro Giesta mas, em contrapartida, talvez seja a que mais nos fala do homem que dá corpo ao poeta e assim o vamos conhecendo pouco a pouco.

Sintetizando, e fazendo uso de uma discussão tão antiga quanto a poesia, creio que a forma mais adequada, para definir a poética deste autor, é considerar que, aquilo que para muitos é inspiração/criatividade, para Alvaro Giesta é transpiração/trabalho, porque o ofício de poeta o exige e a demanda pela perfeição também. Ou como disse Fernando Pessoa: “Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter”.

MANU DIXIT

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

EU FALO DE... OS SONS DO SILÊNCIO


Por vezes o melhor que podemos fazer por um livro, e uma autora, é dar a conhecer a nossa primeira impressão. Assim sendo, aqui fica o prefácio que tive a honra de escrever para o livro OS SONS DO SILÊNCIO de Maria Antonieta Oliveira.

Escrever sobre os livros de Maria Antonieta Oliveira não é complicado porque, ao contrário daquilo que encontramos noutros autores, existem características na sua poesia que, tal como as impressões digitais, nos remetem imediatamente para si.

Numa era em que as correntes literárias caíram em desuso e a esmagadora maioria dos autores recusa ser conectado seja com o que for, não deixa de ser curioso existirem outros que, de forma consciente ou talvez não, tentam encontrar formas de se destacar, dos demais, através dessas pequenas diferenças/peculiaridades/características. É o presente caso.

Apesar de não poder ser catalogada como uma autora minimalista, os textos curtos, mas concisos, são uma das suas imagens de marca. Da mesma forma, não podendo ser considerada, em absoluto (e por razões naturais), como uma autora do romantismo, a sua escrita tem alguns pontos de contacto com essa corrente literária, nomeadamente na abordagem recorrente, que não exaustiva, do EU poético, do tempo, da natureza e dos sentimentos.

Posto isto, não é de todo desfasado dizer-se que a obra, de Maria Antonieta Oliveira, centra-se, essencialmente, em quatro pilares temáticos, e o facto dos seus textos não serem extensos permite-lhe o uso continuado desses temas sem se tornar repetitiva. A prova do que acabo de escrever pode ser encontrada neste OS SONS DO SILÊNCIO e no modo como está dividido. E a mesma análise poderia ser feita caso a estrutura do livro fosse distinta, isto é, se as três partes do livro tivessem sido dispostas de outra forma, porquanto, nenhuma tem preponderância sobre as restantes, bem pelo contrário, até se entrelaçam em muitos dos textos.

Quem tem acompanhado o percurso da autora, e já teve oportunidade de ler os trabalhos anteriores, não vai ficar defraudado. Aqueles que nunca leram a sua poesia podem ter a certeza que este livro é um bom manual para se entender toda a obra de Maria Antonieta Oliveira e o que a motiva.

Fazendo uma analogia entre a poesia e o póquer, atrevo-me a dizer que OS SONS DO SILÊNCIO é uma boa aposta porque a autora não está a fazer blefe.

MANU DIXIT

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

ADRIANA FALA DE... NÃO FAÇAS BARULHO. FUI ALI GRITAR QUE TE AMAVA



Não há poesia sem paixão.
E não há poetas sem loucuras.
O que faz da paixão a maior loucura…

João Dordio

Poesia. Poesia no sentido mais latente, visceral. Que ultrapassa o ser criativo e transforma-se, sem limites, sem regras, sem parâmetros. Poesia livre, sem fronteiras, amarras ou estética. Apenas o ser poético que transborda em ousadia e cria. Estilos misturam-se em originalidade e despertam questões antigas, o limite entre poesia e prosa poética. Mas a liberdade da escrita de João Dordio, revela que o autor buscou um espaço só seu, e distante de formalidades ou correntes literárias, utiliza ferramentas independentes e muito pessoais para se auto definir.

Poesia, que grita e silencia.
Poesia, do encontro de si mesmo.
Poesia, que enlouquece.
Poesia, que transcende as coisas do amor.

NÃO FAÇAS BARULHO. FUI ALI GRITAR QUE TE AMAVA é uma síntese do ser apaixonado, com todas as verdades, inquietações e loucura.

Poesia que pede ar, para respirar.
Poesia que pede compreensão, pelo amor desmedido, incomensurável.
Poesia que pede esperas, para acontecer.
Poesia que desperta os sentidos.
Poesia que questiona o íntimo mais obscuro.
Poesia que quer sorver todos os sentidos.
Poesia que sufoca, dilacera, escraviza, faz sofrer.
Poesia que aconchega, acalenta, harmoniza.
Poesia que liberta.

NÃO FAÇAS BARULHO. FUI ALI GRITAR QUE TE AMAVA é um livro para ficar, no lado de dentro, daqueles que buscam uma forma não convencional para definir o que há de mais liberto, verdadeiro e íntimo no sentir e no viver, do amor, das loucuras e da paixão desmesurada na criação poética.

DRIKKA INQUIT

terça-feira, 31 de julho de 2018

ADRIANA FALA DE... DAS FLORES E DO TEMPO


LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
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Fazer Poesia

Fazer poesia, inventar palavras, recriar significados, esperança revolucionária de poeta que desencadeia mudança na alma e na paisagem. Não importa se a paisagem é feita de coisas, de sentimentos, de relações, mas, é esse mundo inventado que faz tempo e espaço dançar numa infinita valsa cósmica e pousarem numa folha de papel… Ah, se os rabiscos permanecessem no livro impresso! Entre o rabisco e o livro está o ofício do poeta numinoso, fingidor, dionisíaco e sonhador.  Lapidar o instinto, a intuição e caminhar em busca da linguagem liberta de significados esperados, do poema puro e reconciliador do tempo mítico, festivo e inútil, tempo poiésis. O espiral do fazer poético é uma busca de libertação do poeta de sua obra, um desapego sofrido e gozado. Um gozo sem limites agora ao seu dispor! Reiventem!

Dinaldo Lessa

Das flores e do tempo é um convite do autor, para a experimentação do sentir poético. É o atalho oferecido para a entrada de um universo paralelo, onde as palavras tornam-se ferramentas dos sentidos e do sentir. É a lapidação das letras e dos elementos, concretos e abstratos utilizados por quem faz da escrita um caminho a ser explorado para quem o quiser seguir. A poesia de Dinaldo Lessa, é (des)estruturada, é elaborada, é um despertar para as diversas formas da criação. Com habilidade e maestria, o livro é construído a partir dos rabiscos, ensaios, olhares que ultrapassam, confundem-se e aliam-se ao tempo. O tempo da criação. O tempo das percepções. O tempo dos sentimentos. O tempo da observação. O tempo despertar. E esse tempo é trabalhado, entre o ontem, o hoje e o amanhã, manipulado pelas ferramentas ocultas nesse ato de construir a sua própria forma de expressar a linguagem do que vai além do que se vê ou sente. É a concretude do ato de criar e sentir. É a abstração que vaga por entrelinhas e finaliza em palavras com elos que se interligam e despertam. Despertam afetos, despertam o regojizo, despertam a admiração, despertam o desejo. Do autor. Do leitor. Das flores e do tempo é um passeio pelos perfumes e cores de um espaço leve, belo, romântico. E também um sacudir de pensamentos, emoções e linguagens. No tempo em que tudo permanece. No tempo da poesia. Dinaldo Lessa desbrava, com lirismo e metáforas, os espinhos e as flores que o tempo lhe trouxe.

DRIKKA INQUIT

terça-feira, 17 de julho de 2018

FRANCISCO DE PINA QUEIROZ FALA DE... VIVÊNCIAS



Este é o posfácio que FRANCISCO DE PINA QUEIROZ escreveu para o livro Vivências de MARGARIDA CIMBOLINI

Acabámos de ler um livro de poesia da lavra de Margarida Cimbolini.

Um total de oitenta e nove poemas, compilados em quatro capítulos (“Alinhavos do Tempo”, Delírios da Madrugada”, Poesias da Terra” e “Vivências”), escritos por quem à escrita se dedica tanto desde a sua juventude, e da sua sensibilidade assume uma feminilidade ora de cariz afectivo / carnal ora da procura consciente do que se encontra em cima e em tudo – a Universalidade.

Se atendermos a números, são exactamente doze poemas em cada um dos três primeiros capítulos e cinquenta e três no último, cujo título também deu nome ao livro: “VIVÊNCIAS”.

Com este livro, temos acesso a vivências da Margarida, repartidas por vários anos e por várias necessidades de extravasamento – quer do sentido na realidade, quer do supostamente sentido se algo tivesse sido ou viesse a ser realidade no tempo, considerado real, em que as palavras preencheram o vazio de uma folha de papel ou de um écran de computador.

Não obstante esta verdade em quem se liberta pela escrita poética, urge salientar o desnudamento constante da Margarida Cimbolini, em todas as áreas por que ramais foram criados pela sua impossibilidade de permanecer indiferente aos corpos, ao seu corpo, aos afectos, ao meio físico envolvente sem limite algum.

E isto tudo sob a auréola do Amor, obriga-nos a lembrar a frase de Fiama Hasse Pais Brandão: “O amor é o olhar total”.

Em cada palavra, em cada verso, Margarida Cimbolini espraia-se pela entrega inequívoca a uma simbiose bem aquilatada por nós, leitores: o Amor pelo Amor e o Amor à Poesia (o amor às próprias palavras).

Sem proveniência de um acto voluntário da Margarida-Poeta, a palavra “mar” e os termos a ele relacionados – climatéricos, náuticos, profissionais e zoológicos – proliferam com um assentimento preciso e oportuno, e não por recurso.

Com o mar ou sem o mar, a autora, de tanto amar e/ou querer amar, deixa transparecer, por vezes, a sua noção de vivência externa e da sua pequenez face à grandiosidade e ao fascínio do Universo.

Deslisando pelas palavras escritas – ao sabor do vento ou contra ele, com a inspiração da Lua ou sem o seu brilho de prata – e colocando-as nas posições convenientes para a intenção a transmitir, a Margarida proporciona-nos a descoberta (a dádiva poética) de prosopopeias, paradoxos, metonímias e paralelismos.

As exclamações fogem ao número tão vulgarizado, agora, em poemas de frequentadores de Noites / Serões/ Tardes e Tertúlias de Poesia (em que a autora também participa).
As reticências, na sua grande maioria, convidam-nos a reflectir sobre hesitações e dúvidas. Estas bem arredadas de qualquer timidez por parte da autora.

Depois das cinquenta CARTAS DE AMOR – editadas por Carlos Margarido – pegámos nas VIVÊNCIAS – editadas por “in-Finita” – e chegados ao termo da sua leitura, sentimo-nos destinatários de uma correspondência emitida pela Margarida Cimbolini – Amiga e Poeta – pela qual a sua vida transparece como “Alinhavos do Tempo” em que não são negados “Delírios da Madrugada” e saem reforçadas as “Poesias da Terra”.

Um conjunto de VIVÊNCIAS colocadas à nossa disposição pelo Amor à Poesia e pelo Amor a tudo, à manifestação mais ínfima ao nosso alcance (seja por que sentido percepcionável).

Cumprida a tarefa derivada do convite honroso dirigido, há muito tempo, pela Margarida Cimbolini, resta-me agradecer-lhe a confiança e à Editora In-Finita (na pessoa de João Dordio) agradecer a boa vontade.

Convido todos os que chegaram aqui a fazerem como eu: a reler esta obra e a torná-la oferta de aniversário e/ou de quadras festivas.

Lisboa (Residência do Lumiar) 13 de Junho de 2018
Francisco de Pina Queiroz

Os interessados em adquirir o livro devem contactar a autora através deste link

sábado, 14 de julho de 2018

JOÃO DORDIO FALA DE... VIVÊNCIAS


Este é o prefácio que JOÃO DORDIO escreveu para o livro Vivências de MARGARIDA CIMBOLINI

Se, por um lado, é uma enorme honra e um grande privilégio ter sido convidado como coordenador desta coleção de Poesia, por outro lado, não deixa de ser um orgulho poder contar com Margarida Cimbolini para este autêntico tiro de partida. Estamos, de facto, a começar uma corrida que se presume ser complicada, mas também muito aliciante e motivante.

Tenho a perfeita consciência de que não poderia ter encontrado melhor poetisa para iniciar este projeto que espero ir de encontro a todas as expectativas. E ter sido escolhido pela Margarida também para fazer o prefácio confesso que mais surpreendido fiquei. Porém, era uma missão impossível de rejeitar. Apesar de apenas conhecer a Margarida e o seu já extenso trabalho há pouco mais de dois anos, desde que comecei a frequentar com mais regularidade o bar Inda a Noite É uma Criança e as tertúlias das quintas-feiras à noite, desde o primeiro momento percebi que estava perante alguém com uma qualidade notável e com um cunho muito pessoal.

Dividido em 4 capítulos (o último dá nome à obra, “Vivências”), encontramos vários temas como o amor, a paixão, o romantismo, a fantasia, e que são transversais à sua poesia e a toda esta obra de grande inspiração e ternura. E que são tratados de maneira sublime!

“No principio era o verbo
e as casas dos botões estreitas e misteriosas
floridas em veias de espuma...
... tornam-se largas e bambas
Era a paixão nunca obscena
do amor experimentado”

Da forma particular e pessoal com que coloca (ou não) a pontuação, ao estilo vanguardista e até visionário da sua escrita, Margarida Cimbolini consegue surpreender-nos a cada linha dos seus versos!

“com o beijo molhado das algas
condenso em mim a tua teatral fantasia
pois tu e eu somos só um”

Certamente que esta coleção e este livro em particular irá permitir contrariar e colmatar, de alguma forma, a lacuna de existirem tantos e tão bons poetas praticamente desconhecidos por este país. A Margarida é um bom exemplo disso, apesar de não ser uma perfeita desconhecida, longe disso. Porém, considero que não está ainda no seu devido lugar. Após a leitura deste livro, perceberão porque afirmo isso, de forma categórica e sei que irão dar-me razão. Porque são poucos os que conseguem aconchegar as letras da forma que ela o faz, numa mistura de mestria com originalidade.

“Gosto de ti
e esses beijos... deixa que voem…
entre nós criam raízes...
são fecundos... vidas… flores… perfumes… risos...
que tombaram num repente…
E nós simples gentes não soubemos prender”

Parabéns, Margarida Cimbolini!

João Dordio

Os interessados em adquirir o livro devem contactar a autora através deste link

terça-feira, 3 de julho de 2018

ADRIANA FALA DE... VIVÊNCIAS


Margarida Cimbolini desnuda-se em Vivências. De corpo, alma, vida. Faz das palavras arte. Transforma dores e solidões em ferramentas para compor divinamente a escrita poética. Usa as alegrias e o amor, para extravasar o que transborda pelo lado de dentro. Busca, vasculha, garimpa e lapida. Os sentimentos, as vivências, o estar e ser. Sabe o caminho que percorre e não tem dúvidas de onde quer chegar. Conhece preciosidades e o que há de melhor e usa a seu favor, a favor da expressão, da literatura, da poesia.

O livro é um convite para dar as mãos e percorrer com a autora esses caminhos, tão bem trilhados e traçados em cada verso ou frase. Caminhos cheios de surpresas, ensinamentos, que causam estranhezas ou contentamento. Que nos fazem cúmplices nesse desnudar da alma. Que partilham sentidos e emoções, tão comum entre todos nós, mas nos poemas de Margarida Cimbolini, criam vida, melodia, forma e cor. E quase podemos tocar, na imagem lírica, na metáfora, nas entrelinhas que despertam sensações e intimidade.

Intensidade em viver, no verso, na paixão, no sentir, no pulsar inesgotável, na ferida inevitável. Na inquietação do ser mulher, no desejo ardente – ausente. Na plenitude que avassala – presente. No limite de si mesma, que quer ultrapassar e ousar.

Alinhavos do Tempo, Delírios da Madrugada, Poesia da Terra e Vivências, conversam entre si, nas passagens de uma vida, cheia de experimentações e sentir. No amadurecimento, nas contradições, nos encontros, nos desejos, nas solidões de uma alma feminina, que tem sensibilidade e sabe, com maestria unir letras e usa-las a seu bel-prazer, instigando, experimentando, provocando, seduzindo, acalentando, abraçando, abrigando a todos que a leem.

Um livro de paixão, de emoção, como a cor vermelha que traz tantos significados, do amor que extravasa, da dor que dilacera, da euforia que enlouquece, do desejo insaciável, das perceções e questionamentos. Margarida Cimbolini vai além, com a força, o entusiasmo, o querer de quem faz da poesia um relicário de Vivências.

VIVÊNCIAS, de Margarida Cimbolini é o número I da Coleção POIESIS, coordenada por João Dordio e produzido pela IN-FINITA.
Um pouco mais sobre a autora:

BIOGRAFIA

Margarida Cimbolini nasceu a 9 de maio de 1958 em Lisboa. Estudou na Escola Primária do Restelo e na Escola Secundária Liceu de Oeiras. Formou-se como Educadora de Infância na Escola Superior de Educação João de Deus. Licenciou-se em História de Arte na Universidade Autónoma. Neta, sobrinha e filha de poetas e livreiros, viveu sempre no meio das letras. Começou a escrever muito cedo e toda a vida escreveu poesia, crónicas e contos.
Destaque para o seu tio-avô, Alfredo Guisado, contemporâneo de Fernando Pessoa, cofundador da Revista Orfeu, poeta de destaque participante no grupo Orfeu com várias obras publicadas e considerado hoje um poeta injustiçado em relação aos seus pares.
Margarida Cimbolini recebeu, em 1975, o conhecimento de PREM RAWT na ASSOCIAÇÃO DE RAJA YOGA, formação que exerceu durante 8 anos.
Casou duas vezes, teve uma filha do primeiro casamento e um filho do segundo, sendo agora viúva.
Frequentou a Escola Lusitânia Feminina de Lisboa, curso que não completou, bem como vários WORKSHOPS sobre astrologia, tarot e ciências esotéricas.
Viajou por toda a Europa e América tendo vivido em França, Bélgica e Amsterdão, onde desenvolveu a atividade de Antiguidades e obras de arte, atividade essa que ainda mantém.
Realizou exposições de Antiguidades e de Arte por todo o país como empresária na empresa Linho-e-Velho, fundada em 1992 com sede em Linda-a-Velha e com várias lojas em Lisboa com o mesmo nome.
No ano de 2010 começou a publicar nas redes sociais onde recebeu várias menções honrosas.
Pertence a 760 grupos de poesia onde publica regularmente.
Participou em mais de 30 Antologias Poéticas, bem como em várias tertúlias literárias e debates sobre literatura, poesia e obras de arte. Publicou um livro com o titulo “Cartas de Amor”, apresentado pelo professor Francisco Queiroz, e que esgotou rapidamente, estando já na 3ª edição com algumas modificações.
Foi consultora no museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa, atividade que manteve até 2013.
Possui dois blogues (“Mar de Verdes Versos” e “A Cor do Vento”), com cerca de 1800 poemas.
Neste momento dedica-se à escrita e ao comércio, avaliação e restauro de Antiguidades e obras de arte.


DRIKKA INQUIT

sábado, 30 de junho de 2018

EU FALO DE... SEMENTES DE HUMANIDADE


LIVRO GENTILMENTE ENVIADO PELA EDITORA
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Numa altura em que as correntes literárias parecem ter caído em desuso, ou está fora de moda catalogarem-se as criações e os autores desta era digital, arrisco dizer, embora de forma simplificada, que os autores de poesia, na hora de escreverem, dividem-se em duas tendências: de um lado os neo-românticos, de outro lado os universalistas.

Na leitura que fiz dos poemas deste SEMENTES DE HUMANIDADE, de José Carlos Pereira, não consegui deixar de me lembrar dos fundamentos bases do movimento romântico do século XIX. Contudo, e porque já se passaram duzentos anos e vivemos numa era bem distinta, existem elementos usados nos textos deste livro que, noutro período, seriam considerados inadequados e, talvez mesmo, contrários ao romantismo. Por essa razão, no primeiro parágrafo, eu identifiquei os neo-românticos.

Tal como há dois séculos, os poemas deste livro retratam o drama humano, as questões do EU, a religiosidade, a paixão, os sentimentos pelo outro e pela natureza, baseando-se nos momentos de inspiração fugaz que a vida proporciona. Ao mesmo tempo somos brindados com os tais elementos contrário à corrente literária original que, no meu escasso conhecimento académico, remeteu-me mais para o realismo e até para o humanismo.

O enfoque do autor na busca pelo entendimento, através dos sentimentos e emoções; a extrema sensibilidade sobre os aspectos mais frágeis do outro; e a presença constante do elemento divino como rumo e/ou explicação para os desafios que a vida coloca, dão-nos a ideia clara sobre os propósitos de José Carlos Pereira ao compilar os textos que compõem o livro.

SEMENTES DE HUMANIDADE, mais que um livro de poemas, é um compêndio de textos com forte dose de valores morais, gritos de esperança, escritos por alguém que apenas dá às suas palavras o cunho e testemunho daquilo que aprendeu durante todo o seu percurso académico, aliado à experiência adquirida ao longo da vida.

MANU DIXIT

quarta-feira, 27 de junho de 2018

ADRIANA FALA DE... O OLHO DO RINOCERONTE


Enviado pelo autor, de Recife, recebi essa semana, surpreendida até pela rapidez, O OLHO DO RINOCERONTE, que atravessou o oceano atlântico, e aportou em Lisboa, não para ser lido, mas para ser apreciado.

E ao gostar muito da capa e deparar-me na contracapa com a seguinte descrição: Os rinocerontes são grandes mamíferos perissodáctilos (ungulados de dedos ímpares), da família Rhinocerontidae. Geralmente vivem isolados. Para demarcar território, pisam nas próprias fezes, acumulando em pilhas que podem atingir um metro de altura, às vezes escavam em volta pilhas, tornando-as ainda mais visíveis. Têm cabeça e tórax grandes e pernas curtas, olfato e audição potentes, seus olhos são pequenos, sua visão é fraca…

Fiquei pensando no quanto seria difícil escrever essa resenha e ler esse livro, confesso.

Depois como sempre, e mais uma vez, Frederico Spencer, surpreende:

…Mas esse livro não é sobre rinocerontes, é um livro de contos, com suas várias histórias que nos coloca frente a aspectos de verossimilhança com o comportamento animal. Todo o resto é mera ficção.

E fui em busca, com avidez e curiosidade, dessas semelhanças que temos com esses seres que nunca fizeram parte do meu universo. E não consegui parar, até à última página. Li, reli, absorvi, aspirei, traguei cada palavra, embevecida pela forma quase poética e metafórica dos escritos. Cada conto tem a sua particularidade, uns emocionam, outro causa repulsa, outros despertam o pensamento, ensinam, preenchem a alma e confortam. E sempre nos conduzem para a inquietação. Daquelas que mexem com o que está sossegado dentro de nós e nos conduzem de volta a sensações escondidas na memória. E ficamos com o olhar perdido no tempo, imersos em nossos questionamentos e buscas. E é isso que o autor provoca, com O OLHO DO RINOCERONTE, uma imersão em nós mesmos. Em cada página, percebemos nas entrelinhas, as intenções, análise crítica, exercício de escrita, e cuidado na elaboração de cada conto. Frederico Spencer não escreveu para ser uma simples obra de entretenimento. Ele faz um chamamento ao leitor, para um mergulho no reflexo do espelho, no lado de dentro. Nos conduz até um ponto, depois solta a nossa mão e nos empurra para um mergulho íntimo. E deparamos com todas as nossas memórias, algumas esquecidas, outras abandonadas, consciente ou inconscientemente, estão lá e são despertadas em cada página do livro. Sensações e sentimentos, altruístas, egoístas, gentis, amáveis, humorados, solidários, irracionais, cruéis, sádicos, masoquistas, de sobrevivência ou simplesmente o que somos, ao nos despir de todas as influências do meio social e nos defrontarmos com a nossa nudez como ser humano, e em essência, como diz o autor, percebemos o quão somos semelhantes, com os nossos irmãos do mundo animal.

Além de agradecer, por essa imersão e despertar dos sentidos e pensamento, com uma leitura agradável e envolvente, parabenizo Frederico Spencer por saber usar as ferramentas certas e ser esse fio condutor, dentro da poesia ou da prosa, um autor completo, que utiliza como ninguém uma das ferramentas mais preciosa no espaço literário: a análise do ser humano e suas analogias, transportada por uma imensa capacidade de criação e conhecimento, não só estrutural e gramatical, mas, principalmente poética.

Frederico Spencer - biografia:

É sociólogo, professor, produtor cultural, poeta e contista. Membro fundador da Academia de Letras de Jaboatão dos Guararapes. Como poeta foi premiado pela Academia Pernambucana de Letras em 1985 (Prêmio Gervásio Fioravanti). É editor do Portal Domingo com Poesia (dois Prêmios pelo Top Blog Brasil nos anos de 2012 e 2013, no gênero literatura. Tem quatro livros publicados: Portal do Tempo (Editora Bagaço) 1986, Quadrantes Urbanos (Editora Livrorápido) 2006, Abril Sitiado (Editora Bagaço) 2011, Linha de Risco (Editora Bagaço) 2016. Tem vários poemas publicados em antologias, jornais e revistas literárias.

DRIKKA INQUIT

sexta-feira, 15 de junho de 2018

ADRIANA FALA DE... ABRIR OS OLHOS ATÉ AO BRANCO



Miguel Curado pegou um atalho. Saiu do caminho seguro e confortável dos seus textos narrativos e descritivos e embrenhou-se na noite da poesia. Ora com céu estrelado e iluminado pela lua, ora, em breu total, silencioso e desértico. Seguiu o fluxo do tempo, na fluidez poética, na metáfora, na essência da palavra. Encontrou a claridade. Sentiu. Criou. Buscou evidências cotidianas, lapidou com lirismo e quis mais. Imergiu nas profundezas do seu lado de dentro, deparou-se com a escuridão, com a inquietação, com a contradição do não ser. Queria reencontrar a luz, mas precisou ir mais fundo. No abismo de si mesmo, viu um lado desconhecido, a loucura. Desnudou-se. Absorveu tudo o que podia, debateu-se, esgotou-se, ousou. Voltou a percorrer caminhos, em passos incertos tateando o escuro, mas sempre, inspirado. Fluiu nos espaços da noite e por seus mistérios, caminhou no tempo em que se é tudo, pois a vida parou por instantes para ser percebida, longe da agitação cotidiana, com o olhar da emoção. A noite, com seus desesperos, magias, mistérios, solidões, sedução, é a companheira que enlouquece e afaga.  E após sorver vivências e descaminhos para chegar a criação, aflorou os sentidos e seguiu…

ABRIR OS OLHOS ATÉ AO BRANCO é passear por esses atalhos misteriosos percorridos pelo autor. É pisar no desconhecido e encontrar semelhanças: Em cenas cotidianas, simples, reais. É perder-se na noite, rebelar-se, inconformar-se e sentir-se abrigado pelas mesmas percepções. É descobrir que a loucura é sã e que necessitamos dela para criar, perceber, viver. É identificar-se e espantar-se. Um livro de poesias que causa estranhezas e calmarias em quem o lê. Incomoda e dá satisfação. Acalenta e emociona. Desperta e conforta.

Com maestria Miguel Curado, não olhou para trás ao abandonar o lugar-comum. Fez das palavras um exercício continuado de sentimentos e observações, e teve coragem de as expor em poesia. O primeiro livro é sempre um desafio. E assim como na vida, é necessário criar, buscar conhecimento, ultrapassar barreiras e limites, provocar reações, com perspicácia e ousadia. E é com imensa satisfação, que a IN-FINITA deu as mãos ao autor e, por entre a noite, a escuridão e loucura, marcamos um encontro com a arte da palavra.
O autor conta com a vossa presença
DRIKKA INQUIT

sábado, 26 de maio de 2018

EU FALO DE... ABRIR OS OLHOS ATÉ AO BRANCO



Há o breu, a escuridão, a negritude plena, a noite, as sombras, e a loucura semi-obscura na busca sempiterna do raciocínio claro, objectivo, sem manchas nem máculas.

Há luta interior na tentativa de conquistar discernimento; batalhas entre o inconformismo e o inalcançável; medos e ânsias a descoberto; desejos presos e vontades algemadas; dogmas disfarçados de utopias e prazeres reprimidos pelas imposições da vida.

Há a loucura, ou um estado de insanidade consciente, que conduz os pensamentos sem lógica, apenas aparente, pelos caminhos sinuosos e enegrecidos que a mente amplifica a cada momento. 

Há visão, ficção, realidade e fingimento. Um discurso, de tudo e nada, com rumo certo e objectivos lúcidos, impregnado de uma ingenuidade racional, ao alcance de poucos.

Há um poema que se escreve ao longo de muitos poemas. Uma demanda quase obsessiva pela luminosidade, pelo brilho, pelo sol, pela clarividência, pelo entendimento, pelas certezas longínquas de um tempo que corre ao sabor da pena e simplesmente recusa deter-se. Enfim, há poesia. Daquela que merece ser lida e relida, degustada e saboreada, consumida e devorada, até que os raios de sol se sobreponham à lua; até que as cores substituam o negro da vida.

Há um livro de poesia que pede para ser examinado à luz da sensibilidade de cada leitor que tiver a coragem de abrir os olhos até ao branco – de espanto e incredulidade.

MANU DIXIT

sexta-feira, 11 de maio de 2018

ADRIANA FALA DE... A INATINGÍVEL CURVA DA MIRAGEM


Capa provisória

A aridez da criação, o ser poético no caminho inverso de si mesmo, e todos os significados que interceptam, esgotam e sobrepõem-se ao criador, e no paralelo de todas as contradições, a abundância dos sentidos e percepções. O fio condutor que em metáforas, direciona o despertar mesmo que na ausência do que faz sentido. Breu, luz e sombras, na caverna obscura do que se oculta, mas está lá, espreitando e aguardando o chamamento, mesmo que nos ecos silenciosos da mente criativa. Um peregrino de si mesmo, que arde até a sua total ebulição e retorna - fluídico. E usa a alquimia dos elementos (in)existentes para expor com audácia e irreverência a necessidade de uma nova movimentação, desfaz-se  em outro momento, despindo-se das marcadas doloridas de uma vivência desértica  e quer sorver as docilidades das miragens que o acompanham nessa travessia de redescobertas de si mesmo: o oásis inatingível . Elos invisíveis. Explosões dos desejos e nostalgias. Os extremos que levam-nos à descrença e à esperança. Os mitos e musas. A sede insaciável. A dor que dilacera. O êxtase que leva ao delírio. A insanidade e a coerência intrínseca. A palavra que transforma-se, nua, bruta, crua. O poeta que lapida, retém, sorve,transborda. Sem limitações, tudo é possível na arte da criação. Nos atalhados do lado de dentro, nas inspirações, iluminações que desfazem o engano envolvido por ecos e medos das amarras que sufocam a necessidade de ultrapassar todos os limites e em um grito mudo e sentido, liberta-se de si mesmo e segue faminto na eterna (im)permanência do processo criativo. A INATINGÍVEL CURVA DA MIRAGEM é essa fonte, que seduz, perturba, convida e inebria.

Paulo de Carvalho, em seu  terceiro livro, ultrapassa o intransponível ,na arte da escrita e na lapidação da palavra, com toda a harmonia dos sons que compõem as palavras e na busca estética das descrições utilizadas nas imagens figurativas da linguagem.

Em breve, lançamento por ARMAZÉM DE QUIQUILHARIAS E UTOPIAS

DRIKKA INQUIT