domingo, 27 de outubro de 2019

HOJE VISITEI UMA CASA LILÁS (excerto VI) - MARIA MAGUEIJO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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– És tu, Maria? Sabes, eu não fui tremendamente infeliz lá naquela aldeia. Apenas corrói a minha mente e vou enlouquecer. Receberam-me como um ser do Além... gentes de tantos lugares, de tantas raças, de tantas culpas e de tantas inocências... mulheres que apenas precisavam de uma ajuda Divina, uma ajuda de alguém que não pertencesse ali, que fosse a “anormal”, fora do contexto. Eu fui tudo isso. Com tanto esforço, com tanta convicção, com tantas lágrimas escondidas e mesmo assim, eu acreditava que podia criar um Mundo melhor para aquela gente tão revoltada, cheia de remorsos, ou não... Isabella era o nome mais ouvido naquele espaço e isso alegrava a minha existência. Era eu para ajudar alguém que se sentia mal, era eu porque alguém durante a noite precisava ler e de um conforto verbal. Era eu que sabia todos os segredos, alguns que me rasgavam por dentro sem o demonstrar, sempre no silêncio, na ausência de perguntas e tratava todas as gentes de igual modo.
– Isabella, querida, estás a cansar-te. Precisas dormir. Já passou! Quem sempre te Amou, continua a Amar-te. Quem não o faz... esquece essas pessoas. Foca-te em seres a Isabella que todos conhecem como um ser do Além, com feitio por vezes agreste, resmungona, mas, na realidade, isso é só máscara. Tu és de essência doce e assim serás sempre.

EM - HOJE VISITEI UMA CASA LILÁS - MARIA MAGUEIJO - IN-FINITA

sábado, 26 de outubro de 2019

AS ESTÓRIAS DO TI REINALDO (excerto) - ERNESTO FERREIRA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Miguel, fixa esta frase: Reinaldo, um Artista que devemos recordar, diz a Poesia.
Os mais novos da aldeia não o conhecem como tal, mas todos sabem que é moleiro e sabe contar contos fantásticos. Os mais velhos, aqueles que com ele convivem, têm-no na conta, mais das vezes, de um pobre diabo que se sustenta das parcas maquias que são a moeda de troca pelo trabalho de moagem. A dura vida da aldeia, na época de carência, não deixa tempo para apreciações mais cuidadas. Cada um vale pelo seu poder económico, que no caso em apreciação se aproximava do zero. Felizmente que os jovens da minha época ouviram dezenas de vezes as suas estórias, contos e peripécias, sempre com a emoção de quem as ouve pela primeira vez. O que de todo não era falso já que o Ti Reinaldo, cada vez que conta um conto, lhe empresta uma nova tonalidade e emoção. Como qualquer artista doutra área da cultura. Esses jovens, hoje já na 3ª idade e com uma formação mais cuidada, recordam o contador de histórias e menos o moleiro. Tenho a sorte de ainda pertencer a esse grupo etário. Ao escrever algo sobre o Ti Reinaldo quero pagar-lhe em memória, para todo o sempre, os fantásticos momentos que me deu e dá, de exaltação do imaginário.
Um imaginário por vezes assustador, pois alguns dos seus contos metem figuras sinistras e situações em que Satanás é a mais santa das entidades envolvidas. Mas não é apenas um contador de estórias. Tem uma voz maravilhosa que, aliada ao familiar dom da música, o torna um expert do cantar seja ao desafio, seja a cantar as Janeiras, seja nas “ramboiadas” que adorava e adora.
Uma das manifestações mais apreciadas são as “tainadas”, normalmente aos domingos, depois do terço, ou no dia de S. Martinho, a 11 de Novembro, quando o provérbio, “no dia de S. Martinho,
vai à adega e prova o vinho”, está sempre presente. Eu aí nunca estou presente, diz a Poesia. Os viticultores juntam-se para, pela primeira vez, apreciar e qualificar o vinho da colheita de Setembro/Outubro. A prova dos vinhos é “aconchegada” com a ingestão de umas tapas (broa e chouriça) e com facilidade a euforia se torna desafiadamente sonora.

EM - MIGUEL, NO EXTREMO DA ESTREMA - ERNESTO FERREIRA - IN-FINITA

terça-feira, 22 de outubro de 2019

HOJE VISITEI UMA CASA LILÁS (excerto V) - MARIA MAGUEIJO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Alguém que não identificava aproximou-se, sentiu um suave sentar na sua cama e uma voz que lhe fazia perguntas. Ficou em silêncio, tentando reconhecer aquele timbre que afinal lhe era familiar.
Era a sua prima. Lembrou-se do chá e biscoitos naquela tarde que visitou a sua avó, confidente de tantos, bons e maus, momentos.
Tentou sorrir e escorregou a sua mão trémula até sentir o quente daquela que se lhe estendia.
– Conheces-me? Consegues ver-me? Já te lembras do meu nome? Sente apenas a energia da minha mão. Eu estarei aqui. Não fales se não conseguires.
– Eu sabia que estarias aqui perto de mim. Senti o teu coração bater perto do meu. A ternura da tua voz. Foste sempre tão delicada. Cometi muitos erros de forma ingénua e tonta. Tudo podia ter sido diferente. Mas o medo! Estou consumida e preciso dormir! Nem me lembro de me ter deitado. Quem terá sido? A verdade é que aqui estou de pijama e tudo. Foste tu! Só tu te lembrarias da minha cor de pijama favorita. Do suave aroma, que aqui se faz sentir, a alfazema. Obrigada. Mas eu urjo de uma paz interna. Pedes para me adormecerem durante um tempo?
– Para que queres tal coisa, Isabella? Com o tempo, uma vida nova, e vais conseguir esquecer.
– Eu preciso Maria, peço-te.

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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

O MOINHO DE ASTURÃES (excerto) - ERNESTO FERREIRA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Miguel, disse a Poesia, para melhor te identificares com o Ti Reinaldo, é necessário que conheças locais e factos, que ele possa recordar.
Um deles é o moinho, provavelmente o símbolo mais valioso da freguesia.
Não se sabe exactamente o ano de construção, mas pensa-se que teria sido nos meados do século XVII.
Sabe-se, isso sim por documentos e escrituras existentes, que foi adquirido por Ana Joaquina da Rocha, antepassada (pentavó) de Miguel, aos senhores Viscondes de Bertiandos em três de dezembro de mil oitocentos e quarenta e nove, cuja escritura se plasma em parte:
... uma azenha e engenho de serrar e uma insua, pelo fôro anual de dez mil reis em dinheiro, uma galinha de lutuosa e laudémio de vintena etc, seguido de condições de garantia.
Este moinho tinha duas funções: moer cereais, especialmente milho, e serração de madeira. Por essa razão tinha duas rodas verticais, sendo que, após cessação da serração, este equipamento motriz foi utilizado na produção de energia eléctrica.
A função “serração”, que cessou no final do século dezanove, era interessante e ela obrigou à existência de uma porta com acesso à ponte românica. Assim os toros de madeira entravam pela porta virada à ponte e saíam para o eido pela porta do lado sul onde as tábuas eram encasteladas para promover a sua secagem e arrumação.
A função moagem terminou no século passado, existindo ainda em condições de funcionar. O Ti Reinaldo trabalha aí há uns bons 40 anos.
O moinho tem cerca de 100 m2 e, enquanto morada do Ti Reinaldo, tem uma cozinha, um galinheiro, a sala do equipamento e um quarto, este de piso elevado em relação ao salão da mó para defesa das cheias do rio, que são vulgares.
Como podes ver Miguel, o moinho e a ponte parecem gémeas, pese embora terem sido construídos em épocas bem distantes.
E com o conjunto das duas ilhas, a jusante e a montante da ponte, mais a corrente de água límpida, constituem um quadro que qualquer pintor não resistirá em gravar. Com o privilégio raro de, sob qualquer posicionamento, sempre ter em frente de si, quadro de infinita beleza.
(Miguel não conseguiu comprovar, mas dizia-se que a Poesia teria nascido aqui. Verdade ou não, assim o afirmam os aldeãos).
No rio, nadando ao seu modo e conforme as épocas do ano, podemos ver lampreias, enguias, barbos, escalos, trutas, bogas e solhas e fugidiamente o seu predador “pica-peixe” pássaro, com penas de múltiplas cores e o seu principal predador, as lontras. As trutas constituem a espécie mais procurada pelos pescadores desportivos e pelos visitantes, cada um com seu interesse. Os primeiros
para disputa de troféus; os segundos para observar os saltos espectaculares das trutas, na caça aos insectos que sobrevoam a água do rio.

EM - MIGUEL, NO EXTREMO DA ESTREMA - ERNESTO FERREIRA - IN-FINITA

sábado, 19 de outubro de 2019

IN-FINITA APRESENTA... EDSON MENDES



Edson Mendes, professor, escritor, malino, filho de Pedro Mendes, pernambucano do Limoeiro, e de Eva Rita, baiana do povoado Juá, nasceu na cidade de Pa, Bahia, em 16/09/1952. Em 2018 recebeu o Prêmio Edmir Domingues, da Academia Pernambucana de Letras, por sua obra inédita Quase Poesia. Se você lhe perguntar, vai se declarar um perguntador, mas como sabemos que isto não é profissão, como não o foi para Borges, que se dizia um leitor, pode ser que acrescente mais outras algumas coisas. Por exemplo, caminhar sob o sol, ou a chuva. Cinema nas manhãs de domingo. Ler. Qualquer coisa. Tudo. Uisque com coca-cola. Viajar de carro com a música no volume 40. Discutir filosofia. Dar aulas. Ver e rever todo mundo. Tem opinião sobre quase tudo, mas certeza mesmo só tem sobre quase nada... Ultimamente vem dizendo que o tempo urge ruge. Está preparando uma playlist para ser tocada no próprio velório. E aconselha, citando Horácio: carpe diem! Aproveitem o dia! E Paul Valery: Il faut être léger comme l’oiseau, et non comme la plume”. É preciso ser leve como o pássaro, e não como a pluma. E Tonho, seu primo vaqueiro, acima de todos: “todo aquele que pode impedir um malefeito e não impede é um malfeitor, e do pior tipo”; Há três lugares onde se sente bem para escrever, beber e fumar: o apartamento no Poço da Panela, a casinha em Tamandaré e o oitão de seu Bilinho e dona Reco, na Fazenda Coração Aberto, povoado Barroca, em Paulo Afonso. Na alegria e na tristeza, sempre esteve com as cores branca do Santos FC e tricolores do EC Bahia. E avisa todo mundo: se não me acharem, procurem Pepa. Onde ela estiver, lá estará meu coração. E o mais? O mais é cinza...


Prólogo ENQUANTO AGONIZO 
O que realmente importa, e por quê Um olhar sobre o sentido e o propósito da existência, com apoio de W. Faulkner, Manoel Bandeira, Mauro Mota, André Gide, Carlos Pena Filho, Sócrates, Galileu, Vieira, Cartola, Nelson Cavaquinho, Heidegger, Bach, Batatinha e outros Trilha musical 6 meias-músicas e 1 frase musical Conferencia. Palestra. Aula Ensaio 60’

Lançamento dos livros Quase Poesia Memorial do Raso da Catarina A Regra do Jogo Londres 19/10/2019, 19h Paris 26/10/2019, 16h Lisboa 8/11/2019, 19h



sexta-feira, 18 de outubro de 2019

DEZ PERGUNTAS A... CARLOTA MARQUES CANHA


Agradecemos à autora CARLOTA MARQUES CANHA pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 – O livro AGARRAR O TEMPO “Pensamentos sem tempo” foi lançado em dezembro de 2018. Conte-nos um pouco da história da caminhada entre a autora e o livro.

Este livro que, considero quase como um filho,  foi um processo inesperado numa fase pessoal da minha vida em que o meu sonho falou mais alto e a necessidade de fazer algumas mudanças na minha vida, contornar ciclos, uma fase de reinvenção deram-me a coragem,  a segurança que estava na hora de avançar com este projeto. Inicialmente foi uma edição de autor, mas a vontade pessoal de levar o livro mais longe fez com que o mesmo chegasse a algumas editoras e foi a Chiado Books que decidiu editar este livro que foi no tempo, no momento certo da minha vida.

2 – Como foi o processo criativo para a elaboração do seu livro AGARRAR O TEMPO “Pensamentos sem tempo”?

Alguns poemas já existiam de um passado da minha juventude em que abandonei a escrita durante quase 20 anos, mas a vontade de voltar a escrever foi enorme e senti esse grande apelo interior. No início, as ideias tinham alguma dificuldade em concretizarem-se, mas gradualmente foram aparecendo os temas e os poemas foram  sendo escritos a pouco e pouco, sendo o resultado de experiências pessoais do passado recente e outras mais antigas. A intuição e uma corrente criativa que foi suscitada na altura fizeram-me avançar, seguir este caminho em frente, mesmo com algum receio e dúvidas. Decidi apostar. Contei muito com o apoio que senti de alguns amigos, de realçar o incentivo e carinho que recebi da primeira pessoa que leu o livro em primeira mão, a  amiga  e jornalista do Jornal de Negócios, Carla Pedro que gostou desde o início do manuscrito e fez-me acreditar que estava no caminho certo e também a minha mãe que, na sua idade avançada e com uma saúde debilitada encorajou-me a seguir em frente, mesmo com todas as dificuldades e barreiras que iria enfrentar fez-me acreditar que era possível levar este sonho, este projeto avante. Para além da minha mãe, tive um “empurrão celestial” do meu pai já falecido e que sempre apoiou-me em todos os desafios que quis enveredar, fez-me ver que teria que lutar pelo que queria e, se queria muito algo tinha que lutar com todas as forças sem nunca baixar os braços. Embora tivesse, muitas das vezes, alguma rebeldia em aceitar os seus conselhos na minha juventude, hoje sei que foi pelo meu bem e para o meu crescimento e evolução como pessoa. Foi ele que me fez ver e perceber que era agora ou nunca o momento de arriscar. O prefácio do livro “Agarrar o Tempo” foi uma homenagem em forma de dedicatória que fiz ao meu pai que já partiu, mas que está sempre comigo numa conexão que diria quase espiritual. Sou muito grata aos pais que tive que sempre estiveram comigo em todos os momentos decisivos da minha vida, sem excepções. O livro acabou por unir a escrita e também a fotografia através de um amigo pessoal que surgiu na minha vida numa fase crítica, mas que foi o responsável pela produção fotográfica do livro de autor e, posteriormente com o livro “Agarrar o tempo – Pensamentos sem tempo”, o Miguel Vidal Pinheiro foi decisivo nesta fase de criação com a sua genuína e bonita amizade e também pela sua experiência como fotógrafo. Vários fatores alinharam-se,  permitindo que “Agarrar o Tempo”, título de um poema original que faz parte do mesmo livro tornasse-se numa realidade e que seria editado e publicado em Dezembro de 2018.

3 – Como foi a sua metodologia de trabalho na criação desse livro?

Foram escolhidos 100 poemas para fazerem parte deste livro, alguns foram escritos no verão de 2018 em que a intensidade da minha escrita começou de tal forma a produzir-se que chegava a escrever pela madrugada fora sem parar, porque a inspiração e a corrente criativa estavam tão presentes que não conseguia parar. Foi complicado articular a minha atividade profissional na altura com o tal “desejo” incontrolável de escrever, escrever sem parar. Sentia quase uma “maratona” sem fim à vista, mas deixava-me muitas vezes muito exausta. Os temas foram escolhidos de forma aleatória, mas gosto de escrever sobre as emoções, sobre o amor, a natureza, os outros e até sobre a minha pessoa foram temas  que falaram mais alto e com alguma profundidade como apontam alguns dos meus seguidores  e leitores.

4 – Em que corrente literária acha que a sua escrita se enquadra? Fale um pouco da sua poesia e do seu livro.

Não sei bem precisar que tipo de corrente literária poderia atribuir ao trabalho que tenho desenvolvido, mas considero-me uma autora das “emoções”, escrevo sobre quase tudo o que me fascina e interessa na vida. Gosto de sensações, gosto de observar, de vivenciar e penso que é isso que reproduzo no papel, uma escrita leve, despretensiosa, humilde porque estou a crescer como autora e disponível para receber tudo o que o mundo literário pode oferecer. Julgo que a corrente que mais me identifico será com Fernando Pessoa, poeta do século XX que reproduz as emoções, as sensações de uma forma muito peculiar e diria até única na nossa história literária. Considero este livro “Agarrar o tempo” um início para ser continuado com outro livro num futuro próximo.
                                                                                     
5 – Em que momento se sentiu preparada para publicar um livro e divulgar a sua poesia?

Foi no ano passado em finais de Março em que estive num processo de recuperação por motivos de uma cirurgia que tinha feito e numa recuperação complexa que senti esse ímpeto para avançar com a escrita, voltar a escrever poesia e, posteriormente a possibilidade de publicação do livro tornou-se uma realidade. Nessa altura, a minha  voz interior disse-me ou tentava agora ou seria nunca e como mulher não gosto de desistir de desafios na vida, gosto de pensar que pode não ser o momento, mas a hora iria chegar e graças a Deus a hora chegou.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Os pontos positivos da escrita são a liberdade que sentimos para reproduzir o que sentimos, pensamos, vivenciamos e até desejamos.
É um processo de auto-conhecimento que sinto na minha pessoa e faz-me olhar para dentro, perceber-me enquanto eu interior e como posso relacionar-me com os outros, o mundo. Gosto de pensar que a minha escrita tem uma mensagem positiva, de esperança, que é neutra dirige-se a todos e pode servir de motivação para os outros. Tenho leitores no Brasil que chegam a dizer-me em mensagens muito simpáticas e carinhosas que, a minha escrita é a sua companhia no dia e, quando não escrevo ou não publico na página “Pensamentos Soltos – Poesia Portuguesa” chegam a dizer-me que sentem falta desse contacto, dessa proximidade pelo mundo digital das redes sociais. Há um calor humano e uma proximidade tão bonita que parece que não temos um oceano que separa dois países. É a língua e o gosto de acompanharem o nosso trabalho que faz-me acreditar que farei alguma diferença na vida dessas pessoas que nunca vi pessoalmente, que nunca falei via telefone, mas sentimo-nos muito próximas como uma “família”.
Em termos de pontos negativos, escrever pode gerar, às vezes, algum stress quando queremos reproduzir algo no papel que não conseguimos naquele momento, não sai nada e o que sai não presta na maioria das vezes. A criação surge em momentos inesperados em que o gravador de voz ou um bloco de notas acompanham-me fielmente para reproduzir o que estou a pensar, sentir e concretizar  depois as ideias.  Às vezes debatemos-nos com falta de ideias, de criatividade, de veia de inspiração acaba por ser um processo solitário não que seja mau, mas é algo individual que só nós sabemos o que queremos expressar. Já aconteceu-me tantas vezes durante alguns dias não conseguir escrever nada de jeito, mas depois um dia estamos freneticamente concentrados nos pensamentos e sai tanta coisa bonita para o papel que chego a duvidar se fui mesmo eu que escrevi e nessa altura é uma grande emoção de felicidade e sentir que naquele dia acrescentei algo bom. É um momento de plena satisfação, grande realização.

7 – O que pretende alcançar enquanto autora?

Como autora gostaria de pensar que chego a todas as pessoas, independentemente da idade, alguns podem gostar, outros não, mas sobretudo que o público, os leitores em geral, descubram a minha escrita e façam o seu juízo de valor. O que escrevo é para todos para além da minha pessoa, mas não cultivo qualquer egoismo de escrever apenas para mim. Alguns escritores, poetas são vistos como pseudo egoístas porque só escrevem para eles, porque entendem a mensagem, mas não se preocupam em saber se quem os segue e lê percebe o que escrevem. Gosto de pensar que escrevo porque vale a pena e não um puro acto de “ego” exacerbado não me vejo de forma alguma dessa maneira. Escrevo é claro para mim, mas para os outros, o público em geral.

8 – Cite um projeto a curto prazo e um a longo prazo.

A curto prazo está nos meus planos fazer formação na área da representação/interpretação como forma de dotar-me de ferramentas e valências próprias para construção, composição de personagens, dado que pretendo escrever uma narrativa de ficção, um romance a médio longo prazo. Para além deste ambicioso projeto, gostaria de continuar a escrever poesia, participar em projectos de antologias com outros autores e quem sabe voltar a editar um segundo livro de poesia, mais maduro do que o primeiro e que espelhe essencialmente a minha evolução e consolidação a nível de autora.

9 – Os poemas apresentados é um resgate de sentimentos pessoais ou a criação da autora?

Em termos gerais, os poemas escritos são, alguns,  fruto de sentimentos pessoais, de experiências vividas algumas com alguma dor e dificuldade diria, mas outras foram aprendizagem, foram amadurecimento. Outros poemas são puramente criação enquanto autora.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Qual é a tua verdade Carlota?
A minha verdade é ser ser o que sou, fui e serei num futuro, simples, autêntica, genuína, na forma de ser e estar com os outros e com a vida. Alguém que vive e atua em transparência sem mágoas, sem rancores, sem máscaras eu própria, a Carlota no seu jeito de ser. Quem gostar, ótimo deixa-me feliz, quem não gostar aceito e respeitarei. Serei fiel aos meus valores e princípios que edificaram o meu carácter e pessoa e espero continuar sempre a escrever desde que a minha mente e força interior assim o permitam.
Amo muito escrever e espero continuar nessa  base como um exercício mental saudável de expressão de sentimentos, ideias, pensamentos e, fundamentalmente contar histórias, não apenas as minhas “histórias”, mas o mundo que vejo.


BIOGRAFIA

Carlota Marques Canha

Nascida e natural de Lisboa é licenciada em Tradução económica-jurídica na vertente francês e inglês pela Universidade Europeia e com uma Pós-graduação em Gestão Comercial e Marketing pelo ISTE Porto.
Iniciou o seu percurso profissional em Assessoria de Direção em diversas empresas multinacionais onde se mantém em funções na área de legal no Grupo Jerónimo Martins.
É escritora com o lançamento do seu primeiro livro de poesia “Agarrar o Tempo” - Pensamentos sem tempo. Para além do género de poesia gosta de escrever prosa, crónicas, contos e letras originais de músicas.
Gosta de desafios e fazer coisas diferentes, o teatro e o gosto da representação acabaram por surgir ligados à vontade de compor personagens, compor histórias para um romance que pretende escrever a médio longo prazo. Nos seus tempos livres, para além da escrita, leitura, danças latinas, gosta de fotografia, captar momentos que servem de inspiração para a sua escrita, para a criação de pensamentos, ideias.
Sentir e escrever sobre a vida, os outros, as aprendizagens e experiências recebidas são o que mais a movem na sua busca constante de evoluir como pessoa, como mulher.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

HOJE VISITEI UMA CASA LILÁS (excerto IV) - MARIA MAGUEIJO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Eram tantos livros, mas que conhecia de cor e dizia-lhes: comportem-se!
Na hora da saída deixava a biblioteca, no maior dos silêncios, onde, mesmo assim, ouvia melodias de encantar, lia-se baixinho nas letras que um dia nos deixaram. Lágrimas de saudades também rolavam pelas capas daqueles que eram uma das suas melhores companhias. Eles continuavam vivos na loucura que não se acredita existir. Mas ela sabia que sim! Cada vez que pegava num livro sentia como se, por baixo das suas delicadas mãos, houvesse um coração a palpitar; e era apaziguador para quem também não os sabia tão presentes na sua vida.
Ontem, depois de fechar o local das leituras, dos momentos doces onde o Mundo era bonito, Isabella tinha ido jantar com mil pensamentos a pairar na sua mente dorida.
No dia seguinte, Isabella não foi tomar o pequeno almoço, acordou com um alvoroço fora do comum.
Ambulância, médico, enfermeiros e gente que cuidava das gentes.
Tinha nascido um bebé. Um menino embrulhado em lençóis imaculados e que erguiam para todas verem. Sendo a sua mãe um ser frágil, entrara na véspera na aldeia e receosa não contou que estava grávida. De manhã, ao pequeno almoço, tudo aconteceu desta forma rápida e desnorteante. A Teresa com o menino nos braços, e com um sorriso, gritou para todos a ouvirem: Milagre! Temos um menino de uma vitoriosa mulher, forte e de boa saúde. Por isso, Vítor será!

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quarta-feira, 16 de outubro de 2019

TI REINALDO - ERNESTO FERREIRA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Eram cerca das 7 horas solares quando Miguel começou a despertar, não sabendo se de sono ou de um sonho.
O sol brilhava numa atmosfera límpida, é o mínimo que se pode dizer, de tão transparente e refrescante, que só poderia existir se todas as determinantes do Tempo fossem cumpridas. O que se verifica.
Miguel esfregou os olhos não acreditando no que estava a ver. Estava sobre uma ponte, tendo ao lado um moinho cuja roda vertical rodava lentamente. Um cheiro agradável e estranho o atingia:
era o cheiro da farinha que estava a ser produzida no moinho.
Sob a ponte, um rio de águas límpidas corria abraçando uma ilhota que por aluvião se havia formado ao longo dos séculos. Nessas águas, Miguel via os peixes que nunca tinha visto e, voando
rente à superfície, muitas aves, para além dos astures, faziam números circenses a grande velocidade. Tão extasiado estava com o espectáculo, que nem se apercebeu da chegada da Poesia, que o contestou:
– Então Miguel, já iniciaste a tua recolha? Ao que Miguel respondeu:
– Não e não sei quando vou iniciar, pois não é fácil sair deste paraíso.
– Eu sei, e por sabê-lo é que aqui estou para te lembrar que vais encontrar outros locais que te convidarão ao mesmo sentir. Diz-me Miguel: sabes os nomes dos peixes que estás a ver?
– Não Poesia, sei apenas que são um espectáculo de vida e beleza. Queres fazer o favor de me ensinares?
– Podia fazê-lo, mas vou dar-te a conhecer quem melhor te possa explicar. Não só o nome de todos estes peixes e aves, como te contará estórias fantásticas. Irás conhecer o mais fabuloso contador
de estórias que tenho a felicidade de ter como meu igual e amigo. Mas antes disso vou descrever-te algumas situações e lugares que ajudarão a melhor compreenderes as estórias.
– Quem é esse privilegiado?
– É o moleiro deste moinho e chama-se Reinaldo, mas para todos é o Ti Reinaldo. Eu vou chamá-lo. Oh, Ti Reinaldo. 
E uma voz vinda do interior responde:
– “Atão” quem vem lá? Pode entrar...
E perante Miguel aparece uma figura tão forte e simpática que deixou Miguel confundido. É que, ao apreciar a imagem do Ti Reinaldo, pareceu que era a Poesia! Só passados segundos viu que
afinal ao lado do Ti Reinaldo estava a Poesia, como se tratasse de dois irmãos...
– Ti Reinaldo, disse Poesia, o Miguel aceitou o desafio do meu pai Universo e vai precisar de vossemecê para conhecer tudo sobre Asturães.
– Pois muito bem, respondeu o ti Reinaldo. Ainda bem que o mal que anda por “baixo de carvalhais e por cima de silveirais” vai ser vencido. Pode o menino estar descansado porque tem aqui um aliado. Contar-lhe-ei coisas que jamais pensou ouvir.
– Então até logo Ti Reinaldo e muito obrigado.

EM - MIGUEL, NO EXTREMO DA ESTREMA - ERNESTO FERREIRA - IN-FINITA

terça-feira, 15 de outubro de 2019

IN-FINITA APRESENTA... - MOMENTO VIVO, DE RONALDO WERNECK


Ronaldo Werneck é poeta de décadas e livros. Suas obras amalgamam cidades, rios, amores, mares, sóis e poetas com a tipografia da letra, o branco da página, o estilhaçamento do verso. Tudo levado à plasticidade máxima do encontro do eu-lírico com o signo-significante-significado. Neste momento vivo é com este encontro que nos (re)encontramos.  De selva selvaggia (1976), seu primeiro livro de poesia, a o mar de outrora & poemas de agora, de 2014, Werneck, num processo cabralino de catar seus feijões, revisita aqui toda sua obra poética, com um plus de 21 novos poemas. 
Bruno D´Abruzzo, Editor/São Paulo

Em momento vivo a ação verbal do poema reescreve uma nova estética pontilhada por fragmentos e fraturas na horizontalidade do verso tradicional. Os versos de Werneck recortam o visual contínuo e espraiam-se em ilhotas de palavras e sintagmas, formando arquipélagos de uma nova geografia poética.
Cláudio Murilo Leal/Rio de Janeiro

momento vivo agudiza uma visão caleidoscópica de um escritor que constrói pontes estéticas. Em suas mais que festejadas cinco décadas de criação, percorrendo o vasto mundo dos signos e suas interações formais, Ronaldo Werneck vem construindo uma obra singular dentro do panorama da literatura brasileira.
Ronaldo Cagiano/Lisboa

Sobre o autor: Ronaldo Werneck é mineiro do mundo-Cataguases. Tem vários livros publicados de poemas, crônicas, ensaios. Os mais recentes: o mar de outrora & poemas de agora e Rosário Fusco - Sob o signo do imprevisto. Veja o que já se disse sobre os poemas de Ronaldo Werneck, neste e noutros mares:



segunda-feira, 14 de outubro de 2019

DEZ PERGUNTAS A... ANTÓNIO MR MARTINS


Agradecemos ao autor ANTÓNIO MR MARTINS pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Escrever é uma necessidade ou um passatempo?

Tem dias! Mas é, sobretudo, uma agradável necessidade. É algo que me acontece, e me tem acompanhado, ao longo da vida, após ter feito o ciclo preparatório.

2 - Em que género literário se sente mais confortável?

Sem dúvida, e a questão não é propriamente o sentir-me mais confortável. Gosto de poesia. De escrever e ler poesia dos mais diversos poetas, de todos os parâmetros, todos os patamares, todas as vertentes. Viva a poesia!

3 - O que escreve é inspiração ou trabalho?

Não será bem inspiração, mas trabalho não é de certeza. É um gosto enorme poder criar um poema, um após o outro e assim sucessivamente. Embora, hoje em dia procure mais ler do que escrever. Já tenho muita coisa escrita, que ninguém conhece.

4 - O que pretende transmitir com a sua escrita?

Escrevo sobre sentires e observações. Os meus e as minhas e as de todos os meus semelhantes.

5 - Qual o seu público alvo?

Não procuro público para aquilo que escrevo, procuro sim escrever e ao concluir um poema sinto-me completo e preenchido.

6 - Em que corrente literária acha que a sua escrita pode ser incluída?

Não procuro, nem nunca procurei, definições, agrupamentos ou englobamentos para aquilo que escrevo. Se tal tiver de haver, que o façam os leitores e os críticos, se efectivamente me lerem e o quiserem fazer.

7 - Quais as suas referências literárias?

Gosto de ler tudo aquilo que seja poesia, e se relacione com a mesma, e dou imenso valor a todos o que criam e escrevem, nesse âmbito. Gosto de imensos autores contemporâneos, muitos deles meus amigos, mas para não ferir susceptibilidades, vou enumerar alguns consagrados dentro de diversas áreas e temas: Fernando Pessoa, no seu heterónimo Alberto Caeiro, Florbela Espanca e Bocage, nos sonetos, Eugénio de Andrade, Ary dos Santos, no conteúdo social e Drummond de Andrade, que considero fabuloso, mas há muitos e muitos mais que gosto de ler.

8 - O que costuma fazer para divulgar o que escreve?

A divulgação que faço é publicando alguns poemas na minha página do facebook, na cronologia também, e no meu blogue de poesia “Poesia Avulsa”.

9 - O que ambiciona alcançar no universo da escrita?

Viver até ao termo da minha vida com mais alguma felicidade.

10 - Que pergunta gostaria que lhe fizessem e como responderia?

Tudo o que poderia dizer sobre uma questão deste tipo será inteiramente subjectivo.

domingo, 13 de outubro de 2019

IN-FINITA APRESENTA... O AVESSO DO ARQUIPÉLAGO, DE BEATRIZ H. RAMOS AMARAL


      A vibração transliterária percorre toda a poesia de Beatriz Amaral. O rigor poético resplandece. Há muitos anos sou leitor de sua poesia. Recentemente, reli Alquimia dos Círculos, Peixe Papiro e Os Fios do Anagrama. Tudo o que Beatriz escreve é flama exuberantemente.”   (E.M. de Melo e Castro, poeta e ensaísta, São Paulo)    
Já com vasta obra poética, Beatriz Amaral transporta para sua poesia algo da ‘floresta de simbolos' baudelaireana, o ritmo da música de Verlaine e Mallarmé, o claro-escuro do barroco, a experiência concretista, o equilíbrio cósmico-taoista.  (Daniela Braga,  crítica e ensaísta,  Porto, Revista Terceira Margem)
“Gostei muito de ‘In Limine' e aprendi muito com o seu livro sobre Edgard Braga. O que mais impressionou foi a criatividade de seus textos literários.” (Teolinda Gersão,  escritora, Lisboa)
“La presentation et analyse de cinq versions d'un poème du recueil (Enchainements) de Beatriz Amaral ilustrent le travail de condensation e de correction opére par l'auteur-scripteur. De la première version du poème a la version publiée, modifications indiquent que l'auteur crée par ‘un processus methonymique” ( Régis Salado, Revue Genesis,  Paris)
Poeta, ensaísta e musicista, a multiartista Beatriz Amaral tece palavras, fisga linha e fio, vislumbra sentidos e expõe brechas e desvãos do cotidiano.” (Maria Cecília S. Freire César, crítica e ensaísta, São Paulo)
“A leitura caleidoscópica de Beatriz H. R. Amaral é um ofertório de signos moventes. Em Beatriz, detectamos pérolas da literatura universal presentes em nosso âmago: Borges, Lispector, Octavio Paz, Rimbaud são apenas algumas que reluzem, porém,  com sua translucidez inconfundível e própria.  Ler a premiada autora é dar um salto interior.” (Reynaldo Barreto. M. Castro, escritor e filósofo, Bragança Paulista).

BIOGRAFIA
BEATRIZ H. RAMOS AMARAL , paulistana, poeta,  contista, musicista e ensaísta, publicou vários livros (“Planagem", “Primeira Lua”, “Peixe Papiro” e outros). Várias vezes premiada. Mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP. Formada em Direito pela USP. Premio Internazionale Francesco de Michele, Prêmio Literatura 2017, Prêmio Literatura 2019. Finalista do Prêmio Jabuti e da ANPOLL. Coordenou ciclos literários na Secretaria Municipal da Cultura de São Paulo.

O AVESSO DO ARQUIPÉLAGO será lançado e apresentado dia 25 de Outubro, sexta-feira, a partir de 19h, na Livraria Barata, na Av. de Roma 11, Lisboa, com leituras especiais da autora.  Apresentação: João Morgado,  João Rasteiro e Ronaldo Cagiano.



sábado, 12 de outubro de 2019

HOJE VISITEI UMA CASA LILÁS (excerto III) - MARIA MAGUEIJO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Nove horas em ponto! Hora de trabalho. Cada um para o seu posto, para os apagões de memórias que magoavam. Na biblioteca, a menina que tinha ido visitar uma casa lilás, alinhava a secretária (só mania de arrumação, pois tinha ficado impecável na véspera) e iniciava a leitura para as outras pessoas que, entretanto, lhe tinham vindo fazer companhia. Hoje foi um livro de leitura fácil, de entendimento suave, para transmitir vontade de crescer.
Depois, a hora da música para suavizar a mente e em silêncio observar como os sorrisos surgiam com a leitura e com os momentos musicais de meditação. Quase dormiam e ela ficava com a certeza que magia acontecia naquela biblioteca.
– Os livros recomendados para hoje estão na prateleira com símbolos verdes. - dizia com voz firme.
O verde também é uma cor suave e permite ousar levar um livro para ler, mesmo que com alguma hesitação (porque sempre diziam que não gostavam muito de leituras...) na esperança que as noites se tornem menos longas. Viveriam seguramente alguma lembrança que as faria sorrir.

EM - HOJE VISITEI UMA CASA LILÁS - MARIA MAGUEIJO - IN-FINITA

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

ASTURÃES - ERNESTO FERREIRA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Poesia, que entretanto chegou, começa a descrever o meio que caracteriza a aldeia dizendo:
Miguel, para descrever paisagística, geográfica e morfologicamente Asturães, tenho duas dificuldades: seria necessário inventar novos adjectivos e analisar cada metro quadrado.
A visão global da aldeia é fascinante: Num arco de 270 º, a aldeia é limitada pela linha de cumeada de formações montanhosas, com mais ou menos formações rochosas. Este arco começa sensivelmente no sulsudoeste e termina no sulsudeste. Os restantes 90º são um vale verdejante por onde se espraia um Rio, que será figura nuclear das nossas estórias. Neste macro espaço, Asturães
define-se mais nas vertentes sul, oeste e norte. As montanhas circundantes elevam-se a pequena altitude ficando-se, no máximo, nos 800 metros. Os seus nomes são Serra de Agra, Antesdelas e
Formigueiro. Destas só a primeira é parte de Asturães. Uma formação muito especial surge a sulsudoeste denominada O Castelo, com o seu irmão mais jovem, o Castelo Pequeno. É o nosso Kilimanjaro... sem neve!
Este monte será o berço de estórias, entre as quais, sobre mouras encantadas, hoje esquecidas.
As encostas da montanha para o vale são várias telas magníficas pela sua tonalidade e cores, ou melhor dizendo, são vários quadros pintados a cores diferentes, consoante a época de ano. Nestes
quadros sempre, ou quase sempre, aparece o elemento água, quais são as ribeiras apressadas que descem da montanha, em tons e sons impossíveis de definir com um mínimo de similitude. Milhões
de insectos, nos quais se contam milhares e milhares de abelhas, adquirem aí o seu sustento e são agentes da polinização indispensável.
A primeira imagem que se recebe nesta aldeia é a de um rio de águas tão brilhantes e límpidas que nos conduzem a uma explicação do manto que encobre Asturães. Só água tão pura poderia
formar o manto protector, que por sua vez se eleva e volta a cair originando fantásticas quedas de água que sobressaem no inclinado das montanhas limítrofes da aldeia.
O rio afirma-se como o núcleo desta aldeia. Vindo das montanhas, que mais adiante descreverei, serpenteia em vale não muito largo. No início é rápido, como quem tem pressa em chegar ao
seu encontro com as pessoas. Mas, como qualquer ser paisagista, deixa, neste seu troço, diversos pequenos lagos onde jovens trutas fazem os seus movimentos para, num rápido salto, sair da água e captar insectos que sobrevoam o pequeno lago.
Ao longo do rio, desde a sua última junção de ribeiras, as ribeiras do Formigueiro e a ribeira do Riobom, até entrar na zona húmida, as suas margens são planícies que, conforme a época do
ano, têm os seus matizes, todos de enorme beleza e fonte da riqueza da aldeia. Espero que desta descrição tires todo o proveito, termina Poesia.

EM - MIGUEL, NO EXTREMO DA ESTREMA - ERNESTO FERREIRA - IN-FINITA

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

IN-FINITA APRESENTA... - AGARRAR O TEMPO, DE CARLOTA MARQUES CANHA

Às vezes o melhor que podemos fazer por um livro, e respectivo autor, é dar a conhecer a primeira impressão. Assim sendo, aqui fica a introdução que CARLOTA MARQUES CANHA escreveu para o seu livro Agarrar o tempo - pensamentos sem tempo.


A vida apresenta-nos desafios e obstáculos que, por vezes, são penosos de serem ultrapassados. Mas são esses desafios e obstáculos que levam a que nos atrevamos a posicionar-nos em caminhos mais certos e a rumarmos para futuros que nos fazem sair do nosso pensamento limitado para descobrirmos soluções e fazermos escolhas que, sobretudo, nos levam a ver portas, onde apenas víamos muros intransponíveis.

A coragem e determinação para vencer as vicissitudes que a vida nos apresenta é das mais estimulantes sensações quando somos postos à prova perante desafios futuros e fazemos acontecer os ideais e sonhos que comandam a nossa mente, onde o insucesso ou o medo não devem encontrar lugar. É nesse encontro com o nosso eu mais profundo que damos a nós mesmos um voto de confiança e tomamos a decisão imediata sobre aquilo que queremos fazer e sobre o caminho que vamos percorrer dali em diante.

Foi com essa convicção e experiência pessoal que – após ter arrumado a escrita num passado longínquo da minha juventude, em que as minhas vivências e experiências pessoais eram ainda pouco significativas, em que os receios de avançar e alguma insegurança não me deixavam dar o passo seguinte – vinte anos depois renasce e surge uma vontade enorme de transcrever pensamentos, sentimentos e emoções, soltar ideias e acreditar que o projeto de escrever saiu do papel e toma uma forma a que dou asas: a um sonho real e não apenas de papel.

Sinto que estou num novo ciclo da minha vida em que me questiono sobre muita coisa e em que a escrita de poemas surge como um ato de expressão de sentimentos, sensações, palavras que soltam emoções para quem lê e me deixam pensar que estou a reinventar-me na minha criação que me conduz a escrever aquilo que os meus olhos percecionam e sentem e a estar em paz comigo própria e com o mundo.

Nesta chamada reinvenção, dou-me a oportunidade de criar e seguir um novo caminho de esperança, de convicções, de confiança e fé que, corajosamente, me põem à prova. E não fosse eu uma mulher de gostar de desafios, a vida não teria o encanto que encontro e no qual acredito, e, seria, certamente, um desencanto com o qual não teria tempo a perder.

CARLOTA MARQUES CANHA

BIOGRAFIA
Nascida e natural de Lisboa é licenciada em Tradução económica-jurídica na vertente francês e inglês pela Universidade Europeia e com uma Pós-graduação em Gestão Comercial e Marketing pelo ISTE Porto.
Iniciou o seu percurso profissional em Assessoria de Direção em diversas empresas multinacionais onde se mantém em funções na área de legal no Grupo Jerónimo Martins.
É escritora com o lançamento do seu primeiro livro de poesia “Agarrar o Tempo” - Pensamentos sem tempo. Para além do género de poesia gosta de escrever prosa, crónicas, contos e letras originais de músicas.
Gosta de desafios e fazer coisas diferentes, o teatro e o gosto da representação acabaram por surgir ligados à vontade de compor personagens, compor histórias para um romance que pretende escrever a médio longo prazo. Nos seus tempos livres, para além da escrita, leitura, danças latinas, gosta de fotografia, captar momentos que servem de inspiração para a sua escrita, para a criação de pensamentos, ideias.

Sentir e escrever sobre a vida, os outros, as aprendizagens e experiências recebidas são o que mais a movem na sua busca constante de evoluir como pessoa, como mulher.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

HOJE VISITEI UMA CASA LILÁS (excerto II) - MARIA MAGUEIJO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Naquelas ruínas em que se deixaram as memórias, houve tempos em que não sabia onde ficava a cor, o cheiro, o abraço. Perdia-se nas noites onde o vento era tão forte que a levava, na sua inquietação desmedida, a encostar-se devagarinho ao canto do quarto e escorregava pela parede aconchegando-se nos próprios joelhos, mantendo o rosto tapado com as mãos como se tudo isso a eliminasse da face da terra e a esquecesse.
O bramir do vento forte do norte, entretanto, acalmara, ficou um silêncio ensurdecedor.
Era preciso acordar do letargo do corpo, dos sentidos e acordar principalmente a vontade de rever a casa de lilás pintada.
Tentava dormir, descansar, já que o pensamento atormentava todos os minutos daquela existência. Nem as estrelas, que conseguia ver e tentava contar, eram suas aliadas nos seus sonhos.
Altas horas, o cansaço vencia e quando chegava o amanhecer, o cedo erguer, o rosto inebriava-se de um sorriso contagiante que a defendia.
Seria o sorriso da avó?

EM - HOJE VISITEI UMA CASA LILÁS - MARIA MAGUEIJO - IN-FINITA