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terça-feira, 22 de abril de 2025

Lita, a menina bonita (excerto) - Vieirinha Vieira

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Personagem principal da história que contava. Uma menina, apenas cinco anos, cabelos aos cachos num castanho oriado, 50 cm do chão. Cheia de vitalidade.
Filha única,habitava com a avó em Lisboa!
No dia que a avó tinha visitas, mesmo dia que por acaso Lita cometeu sua primeira asneira. Era domingo, seus tios com eles traziam uma criatura a qual só conhecia de nome, passou os olhos uma vez pela fotografia que a avó fez questão de mostrar já fazia algum tempo!

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sexta-feira, 18 de abril de 2025

Na suave cadência das ondas do mar (excerto) - Terezinha Pereira

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Enquanto caminhava na praia com a mulher de meus sonhos - prazer tamanho do mar - entranhado no mistério de seus segredos, contei-lhe uma história.
“Era uma vez, anos atrás, um pescador que saía, dia ainda escuro, a buscar o sustento de sua amada. Mar calmo, mar revolto, ventania, tempestade, o homem voltava com o barco cheio de peixes e encontrava a mulher à espera no porto. Juntos, separavam a pesca boa para o dono do barco. Comiam do que restava.

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quarta-feira, 16 de abril de 2025

Hedera (excerto) - Susana Veiga Branco

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Amanheceu a gotejar, após uma noite de lua em quarto crescente
e de esperanças. 
Inês abriu a portada mas não lhe chegou.
Descalça, saiu, pisando a pedra e a relva molhada.
Sorvendo tragos de aroma a outono, abriu os braços ao céu, à natureza que sabe também sua.
Um gato cirandava junto a si, ainda com algum orvalho no seu pêlo de veludo.
Os primeiros raios de sol despontavam, trazendo o som do chilrear de pássaros destemidos, saltitando em ramos de árvore, espanejando as suas penas de ar e magia.

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terça-feira, 8 de abril de 2025

Tenho tantas saudades tuas (excerto) - Rosa Fonseca

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O sol tinha acabado de se esconder no horizonte e tu, aqui comigo, na sombra ténue das palmeiras, acolhes os gestos e as palavras que entremeiam a tua inquietação, como quem acolhe o destino e vai pela noite largando a tristeza. E contas-me então das saudades e da falta que ele te faz. Dos telefonemas a meio da tarde e ao deitar. Dos passeios pelas alamedas ladeadas de flores amarelas. Os finais de tarde eram sempre apetecidos.

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segunda-feira, 7 de abril de 2025

Ondas (excerto) - Rita Queiroz

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Era inverno no hemisfério sul. Para Marisa, calores intensos a tomavam arrebatadoramente. Olhava para os lados e quem estava à sua volta, tremia de frio. Cobertores não eram suficientes.
Uma angústia a tomava. Seus suores eram frios e quentes ao mesmo tempo. Calafrios percorriam seu corpo de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Era esquisito, nunca tinha sentido isso. No meio da noite, acordava sobressaltada. Os termômetros marcavam 10º e ela, em febre de 38º. Precisava ir ao médico.

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domingo, 6 de abril de 2025

O que guardamos quando habitamos provisoriamente um lugar? (excerto) - Rita Furtado

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Quando habitamos provisoriamente um lugar podemos guardar objetos, materiais ou os mesmos materializados nas fotografias. Mas penso que dele guardamos predominantemente impressões... memórias... De Lisboa guardo especificamente belezas abstratas. Guardo o azul profundo de um céu vivo que iluminou meus dias. Guardo a vista do Tejo e o avançar sereno de suas embarcações. Guardo a subida aos miradouros para apreciar o pôr do sol e seus raios que dão uma cor especial à cidade, ou o final da noite com suas luzes cintilantes que ocultam os detalhes da arquitetura, mas dão relevo às formas da cidade.

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sexta-feira, 4 de abril de 2025

Promessa de Todos os Dias (excerto) - Paula Miguel

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Era uma vez, em uma pequena cidade cercada por montanhas, um casal chamado Teresa e José. Eles se conheceram ainda crianças, brincando nas ruas de paralelepípedos, e cresceram juntos, dividindo sonhos e segredos.
Teresa sempre foi uma alma serena, amante dos dias calmos. Gostava de passar as tardes lendo sob a sombra das árvores no parque central, enquanto a brisa suave brincava com seus cabelos. José, por outro lado, tinha uma paixão pelos dias nublados. Havia algo no céu cinzento que o fascinava, uma melancolia que combinava com seu espírito introspectivo.

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segunda-feira, 24 de março de 2025

Rogai por nós (excerto) - Malu Baumgarten

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Não consigo lembrar o rosto dela. Apenas três vezes estivemos juntas e ela arrasou meu coração. Disse que eu não era nada. Não sou. Tão vulnerável. Sem palavras quando, no telefone ela disse que meu desejo era falta do que fazer. Ocupada ela, muito, para pensar em mim. Só uma foda, fui. Aqui estou, uma foda, mas dói a minha pele. Fina, queima ao longo do corpo. Ovo descascado, pêssego macio, Maria Madalena sou. Choro também por ter ficado para trás quando era a hora da minha mãe. E feliz estava aquele dia, o anseio do amor depois de anos sem.

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quinta-feira, 20 de março de 2025

A casa dos ursos (excerto) - Maíra Baumgarten

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A tarde cai lentamente, as calçadas encontram-se cobertas de névoa outonal e a rua da margem ostenta ricas sombras de arvoredo no interior do córrego. O caminho até a Casa dos Ursos é longo e acidentado. Passa pelo grande edifício que oculta uma favela urbana inserida bem no meio de um quarteirão e segue até o colégio em direção à pracinha que fica na confluência de três ruas. Depois, a lomba híbrida que leva de uma avenida a outra através dos muros do Cemitério Israelita, de um lado, e dos estudantes de marketing, de outro. Na esquina o crematório de más lembranças.

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terça-feira, 18 de março de 2025

O caso calcinha anônima (excerto) - Lílian Maial

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– De quem é essa calcinha? A pergunta de Flávia, em tom incisivo, pegou Paulo de surpresa.
– De que calcinha você está falando, mulher?
– Dessa aqui, essa vermelha, obscena, sexy e, ainda por cima, tamanho P!
Flávia há muito deixara de ser tamanho P. Fazia de tudo para não passar para o G, apertando-se num M esgarçado e sempre de algodão e lycra, bem mais elásticas.
Paulo mostrou-se tão surpreso quanto Flávia, exibindo uma tranquilidade irritante:
– Olha, Flávia, você pode não acreditar, mas não faço a menor ideia de quem seja a dona dessa calcinha, muito menos o que ela faz no porta-luvas do meu carro. Você usou o carro ontem, deve ter colocado aí e nem se lembra.

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terça-feira, 11 de março de 2025

Perdas e ganhos na rota de ser feliz sempre (excerto) - Joce Araújo

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Na formação da vida a formatação é sempre uma gangorra – ganhos e perdas – muitas vezes dolorosa. Durante a jornada fazemos as escolhas e a vida vai moldando cada uma delas. Podemos selar nossa existência enclausurada em uma redoma de tristezas voltadas para as perdas, ou escolher seguir a nossa rota alimentada pelas lembranças felizes dos ganhos, parafraseando Carlos Drummond de Andrade que “No meio do caminho tinha uma pedra.” Penso que “A Pedra” aparecerá sempre e não será removida, permanecerá lá, no meio do caminho se não a retirarmos.

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quinta-feira, 6 de março de 2025

Adorável Sol (excerto) - Divânia Pereira Schuenck

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A travessia se tornou de repente muito longa e tortuosa! A primavera veio se deitar comigo pedindo flores em meu coração rebelde. O vazio e o gelo encobrem meu coração que bate num compasso de espera e misto de cansaço.
A noite caiu como uma luva tirando uma estrela para dançar a música intitulada: Dança dos Vampiros!
Solidão e nostalgia pairam no ar deixando um cheiro de jasmim entre as portas e fechaduras trancadas com mãos de ferro. A cabana é simples, mas gera abrigo e proteção! A pele de leopardo cobre o corpo nu e o fogo acompanham essa dança hipnótica de seres alados em guerra consigo mesmo.

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segunda-feira, 3 de março de 2025

Dignidade enxovalhada (excerto) - Conceição Cotrim

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Dói-me a alma e o coração ao o dia terminar e para o meu cantinho regressar, depois deste dia tão original para que me conseguiram levar, me vieram arrebatar, mas na espera de prosseguir numa sala destinada, mirei almas a penar com sacos ao seu lado, cheios de tudo, nada... a dignidade humana enxovalha.
Vejo um idoso... talvez aparentando mais idade do que têm…, a comer, um naco de meia broa de milho amarelo, sem nada a acompanhar, mas que vejo lhe serve de jantar, pela forma de o devorar... Sem demonstrar revolta, apenas apatia no olhar e nos gestos.

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sábado, 1 de março de 2025

Ponte (excerto) - Claudia Valentini

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Voltando para Argentina, sensação de estar em casa. O carro faz a última curva, estamos finalmente "subindo" a ponte, inaugurada em 1947. A mesma que une dois países e coincidentemente divide meu coração. Não está em bom estado, há "remendos" por toda a estrada, sem pintura nas laterais, a única coisa que nos traz a atualidade, é a iluminação, aquele tal de "LED". O cimento e o ferro simplificam o que se passa há muitos anos, não tem um olhar empático e clama desesperadamente por reconstrução. A ponte internacional que liga Brasil e Argentina precisa de manutenção. Eu também...

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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Mistério no Minho (excerto) - Clarissa Machado

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Tão pequena, a Maria, com seus cabelos negros compridos envoltos no tradicional lenço de algodão cor de ouro, e tão adorável com seu avental de linho xadrez onde se via um enorme Galinho de Barcelos bem no meio. Tão singelinha, essa Maria! Sempre à janela, a estender peças de roupas. Ah, Maria, com seus olhinhos rasos de saudade… Sonhava navios, mares e cheiros de espuma. Histórias da terra e do mar. Fado que não enfada! Saudade, saudade, saudade - palavra mais portuguesa não há!

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sábado, 22 de fevereiro de 2025

Sacrifício - Cecília Dias Gomes

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Com sacrifício eu criei meus três (3) filhos, trabalhei anos a fio, do nascer ao pôr do sol!
Com paciência e muitas alegrias, venci o que para muitos seria impossível, na verdade eu venci sozinha.
Com sacrifício lutei tanto, nesta vida, eu hoje chamo-lhe dádiva minha, agradeço a cada segundo, tudo que conquistei, e em nada meto uma vírgula.
Com sacrifício venci doença, e na minha crença sempre consegui.
Com sacrifício levei me a remar, quantas vezes não consegui estar ali ou no seguinte barco apanhar, mal sabia remar, levei onde poderia levar, mas em qualquer porto deixei estar o cartão a picar.

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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Já ninguém escreve cartas (excerto) - Carmo Marques

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Antigamente, as cartas eram uma das formas mais usuais para manter as relações entre pessoas, enganar saudades, namorar, tratar de negócios, acordos ou quaisquer outros assuntos. O carteiro, seu portador, palmilhava estradas, ruas, becos e travessas, carregando ao ombro o enorme malão de couro duro, onde, ao balanço do ritmo dos seus passos, embalava as boas e más notícias. Dialogando com cães ou fugindo deles, à chuva e ao sol, caminhava até aos lugarejos mais recônditos, onde restavam apenas algumas casinhas modestas, mas cujos moradores ele bem conhecia.

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domingo, 16 de fevereiro de 2025

Uma crônica de viagem (excerto) - Carla Gisele Batista

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Quando passei alguns dias em George, na África do Sul, o anfitrião do lodge onde me hospedei sugeriu ir a Oudtshoorn. Ele mesmo reservou o passeio com um guia que veio me buscar em seu confortável automóvel no casarão aristocrático onde aluguei uma suíte, podendo usufruir da sua estrutura.
A estrada montanhosa sofria por causa de queimadas que consumiam a vegetação e eram alardeadas diariamente pela imprensa. Apesar de melancólica, a imagem não era feia, pelo contrário. Como fotos em branco e preto, os galhos negros retorcidos e as montanhas perfuravam nuvens de fumaça. Um sombreado distante contrastava, como fantasma vultoso, sufocando a vida num abraço frouxo, lento e constante.

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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Olhei para dentro (excerto) - Ana Marta

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Salvaste-me de uma vida que nunca conheci, libertaste-me desta teia que, transparente, me envolvia em quereres que nunca quis. Vivia agarrada àquela conceção do "tem de ser", num conceito de alguém que não era eu. Rodopiava numa agonia amorfa, que me apontava o abismo num ritual igual a tantos outros. Chamava-lhe destino. Hoje, questiono qual o verdadeiro destino de alguém. Nascemos para morrer e isso não é um querer, é apenas um destino que nos aguarda a todos. Sem exceção. Senti-te. Ou acho que sim.

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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Somos o que escolhemos acreditar (excerto) - Ana Acto

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Deitou-se na cama de colcha branca bordada à mão, no quarto caiado na casa da avó, fechou os olhos e desligou do mundo. Tinha decidido ficar uns dias ali, também para ela era seu refúgio, e só ali encontrava realmente paz.
Acordou, como se alguma vez tivesse realmente adormecido, é real, foi real, saiu do quarto, e à sua porta vê um louva-a-deus, embora nascida e habituada ao campo, já se sentia mais citadina de vivência, chamou a avó para que pusesse o inseto na rua, não com medo, mas com aquela sensação de meia aversão.

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