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terça-feira, 22 de abril de 2025

Lita, a menina bonita (excerto) - Vieirinha Vieira

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Personagem principal da história que contava. Uma menina, apenas cinco anos, cabelos aos cachos num castanho oriado, 50 cm do chão. Cheia de vitalidade.
Filha única,habitava com a avó em Lisboa!
No dia que a avó tinha visitas, mesmo dia que por acaso Lita cometeu sua primeira asneira. Era domingo, seus tios com eles traziam uma criatura a qual só conhecia de nome, passou os olhos uma vez pela fotografia que a avó fez questão de mostrar já fazia algum tempo!

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - COLETÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

O corpo é como o sentimento, cresce! - VIEIRINHA VIEIRA

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Era muito menina, mas já temia a existência dos céticos. Muitas eram os que por vezes se amedrontavam com aqueles que sabiam, eram mais velhos e tinham outras experiências, tinha de respeitar os mais velhos e crescer aprendendo que não se deve questionar os que sabe... até porque ela não dizia nada de jeito!
Dentro do peito sentia que a ferida era profunda, mas ainda não tenha descoberto como lá chegar para curar.
Na verdade, a infância passou e ela quase nem deu por isso, chegou a adolescência e o desânimo por vezes parecia amontoar-se. O primeiro rapaz que beijou, sentiu nojo...passou o resto do ano a fugir dele como o diabo da cruz, por bem que não sabia o significado da frase, mas a mãe e o senhor prior usavam-na muitas vezes.
Veronica era uma observadora nata. Gostava de moda, mas tinha um certo prazer em mostrar a sua capacidade intelectual, era alta, ou seja, alta comparada com a grande maioria das raparigas da sua idade, mas não tão alta como Ana Maria. De cabelos loiros a esbarrar-lhe a anca, por onde passava não passava despercebido.
Veronica tinha um sorriso encantador e esboçava seus lábios de uma forma ternurenta, escusado será dizer que era a eleita da turma. Os rapazes babam-se para poder dizer-lhe um olá! O Filipe que era meu companheiro de carteira era um deles. Para o Filipe eu era uma boa amiga, e na verdade. Era mesmo!
Talvez mais que amiga, uma irmã. Isso porque tinha um irmão e sempre sabia o raciocínio dos rapazes com mais clareza.
Filipe era apaixonado por Verônica!
Escusado será dizer-vos que era eu que lhe escrevia as deliciosas cartas de amor.
Mas, tal como era amiga de Filipe, exatamente na mesma medida eu era amiga de Verônica. Havia sempre a ovelha negra da turma que por algum motivo ninguém gramava, a roíninhas. Mas esta era minha colega na vida dupla e partilhamos um segredo. Eu e os segredos. Verdade sempre fui uma boa guardadora de segredos e lá tentava apaziguar as coisas com a roíninhas...
Terminado o ciclo na verdade nunca mais os voltei a encontrar, mas trazia como apêndice a roinas mas sempre fica a recordação dos bons e dos não tão bons momentos que passamos juntos.
A amizade era daquelas coisas que nos fazia correr até a torre dos clérigos e ir espreitar a cidade ou então visitar a feira popular até já não poder mais... parece que ainda consigo ver Verônica correr com os seus botins de salto alto. Em plataforma de madeira, o hippie da época. Verônica nunca perdia sua posse e conseguia sorrir mesmo quando sabia que era ela que nos provocava os sorrisos.
Lembro da minha paixão pelo David e de guardar segredo desta ilusão juvenil, entre outras paixões que senti nunca fui de me deixar cair nas malhas das breves ilusões.
Mas não vos escrevo para falar de mim! Na verdade, não vos escrevo para falar de ninguém, apenas imaginar juntos...
Eram dezasseis horas em ponto e, nesse dia, Nélia tinha teste de português, seu nervosismo era de tal ordem que derrubava tudo por onde passava, ninguém compreendia nada. Entre todos ela era a quem chamávamos de tufão. Havia um motivo para que Nelia ficasse daquele jeito sempre que havia aula de português. Mas era mais fácil para todos não querer ver do que ser confrontados com a verdadeira causa dos porquês… logo após a aula ela saiu em direção a casa. Chorou horas seguidas, sabia que os seus objectivos estavam próximos assim como o verdadeiro motivo que a fazia chorar. Seria dor o que sentia? Ou capricho de uma menina que não se preocupava com nada... na verdade não há nada para nos preocupar! E Nélia sempre resolvia os seus problemas hoje. Nunca fora rapariga para deixar para depois. Ela sempre preferia enfrentar e deitar de cabeça tranquila.
Na escola todos sabiam da sua grande paixão pelo David! Será que este era o mesmo David da minha Paixão? ou não... teríamos sido colegas de turma ou apenas frequentamos o mesmo local? Até aos dias que correm ainda ninguém descobriu isso...
Na verdade, até David ficou sabedor do amor que Nélia sentia, ela não tinha medo de amar.
O romance inicia numa fase bastante controversa das suas vidas. Nélia tinha programado viajar para os Estados Unidos e David desejava curtir umas longas férias na Califórnia, haviam fatos omitidos mas isto dos humanos permite.
Tal como permite intervenções nos seus próprios sentimentos, como se muitos usassem um bisturi e removesse o que de errado havia em si mesmos.
E fora lá que conhecera Hugo!
Sem ter certeza se tinha acabado o seu relacionamento com David, Nélia torna-se distante e a determinada altura chega mesmo a afastar-se deste para que não acabasse em rolo. Mas que rolo... Já David em plena Califórnia só pensava em miúdas, praia, surf e uma cerveja.
Está-se mesmo a ver que nem tempo tinha para lembrar do amor de Nélia, sim. Ainda hoje me pergunta se David algum dia foi apaixonado por Nélia?
Nunca vou esquecer o dia 26 de Agosto de 2012, precisamente as 20 horas quando toca o telefone, cause nem quis acreditar quando ouço do outro lado Nélia! Sim, ela estava a ligar-me dos Estados Unidos. Mas porque eu?
Sim, Nélia sou eu como estas?
Desculpa incomodar, mas sabes alguma coisa do David? É que tento ligar com ele e não consigo ligação.
A minha vontade foi dizer-lhe: Nem espero que ele volte da Califórnia algum dia, mas contive-me e deixei sair um leve sussurro: Não.
E não sabens...
Nem deixei que terminasse a pergunta! Disse-lhe de imediato que não sabia de absolutamente nada, que não via o pessoal da turma dês da mesma altura que ela e o facto de não viajar para forma não significava que não tinha coisas para fazer. Até porque arranjara um emprego e nem sabia se voltava para o ano seguinte.
Senti a tristeza subir-lhe pelas cordas vocais!
Na mesma noite acabou por ceder ao convite de Hugo para um jantar, ali mesmo no restaurante do hotel.
Ai, amiga ele é tão encantador!
Lá a convenci a ir sem sentimento de culpa e pedi-lhe que me deixasse ao corrente da situação e tal como lhe tinha dito, afinal que mal poderia existir num jantar entre amigos. Apaixonar-se? Mas só quem já está livre de amarras ou sentimentos volta a criar novos laços e se esta se apaixonasse, seria um ótimo sinal indicativo do que já todos sabiam. A relação dela com David não tinha qualquer futuro.
O ano começou e eu tive de deixar o emprego para poder levar adiante a conclusão dos estudos, Nélia voltará dos Estados Unidos já fazia uns dias e David, ainda não tinha dado sinal da sua existência. Havia rumores que não voltaria mas na verdade este ao fim de quatro dias lá se apresentou e com uma cara de pau que todos julgaram estar a ver mal. Aproximou-se da Nélia como se ainda namorado fosse e ficou muito aborrecido quando esta o deixou a falar sozinho. Como se não bastasse ainda sobrou para mim, queria fazer de mim correio. Mas não teve sorte nenhuma.
Nélia afastou-se do grupo geral da turma e eu comecei a ser a sua grande amiga e contávamos os nossos segredos uma à outra quando não podíamos estar juntas, ligávamos, mas existia sempre feedback.
Escusado será dizer que Nélia e Hugo mantinham uma relação muito próxima e diria que chegaram mesmo a casar mais tarde, que hoje sou a madrinha de um dos seus filhos e que ver a Nélia feliz me faz bem, afinal somos como duas irmãs.
Ah, eu não cheguei a casar, no entanto tenho uma relação de longo tempo com Adriano. Acho que se vai manter assim por algum tempo, afinal só muda quem está mal.
David por exemplo, depois que perdera os pais teve de trocar a prancha de surf pelas bombas de gasolina e como todos do grupo a vida mudou.
Mas Nélia aprendeu a lição. A pressa nunca é boa conselheira, mas sabem uma coisa amigos? O mais importante é que ela encontrou a sua felicidade!
E já agora: E eu a minha! Formas diferentes, mas não menos felizes.

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quinta-feira, 30 de julho de 2020

Prémios - VIEIRINHA VIEIRA

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Os prémios e sua excitação. Glamour...
Um aglomerar de situações, leva que as avaliações sejam ponderadas e qualificadas ao pormenor. Trabalhara tanto nos últimos anos que já chegara acreditar que não era para ela. Estava demasiado emocionada pois nunca lhe tinha passado pela cabeça ser condecorada com tanta honra e lisonjeira, achava até que só se limitara a cumprir o seu papel de cidadã comum. Afinal, para si, suas características eram apenas diferentes e tinha de as por em prática em nome de um futuro.
Eram largos os dias que olhava o futuro com olhos brilhantes de sol e fazia pertence deste passando horas imaginando como seriam as novas gerações?
E se nós hoje fizermos assim? E se não fizermos isto... E como seria um dia que tivesse filhos, netos ou até mesmo sobrinhos. Como seria o tempo da sua velhice, quando a força física se esgotasse e a cabeça já não conseguisse. O que significaria o seu nome dali em diante?
Ainda estava presa a conceitos antigos mas carregada de fé pois dali para a frente tudo seria completamente diferente!
Questões e mais questões e ia pondo em prática um bem comum. Logo ela que era um ser comum mas que muitos procuravam só para sentir o seu calor. O calor da sua presença que transmitia paz e harmonia.
Ela trazia no sorriso o sol e nos olhos as estrelas da mais linda noite de luar, era mulher de mistérios mas ao mesmo tempo uma menina de encantar.
À sua volta tudo era belo. Ela fazia questão de nos fazer ver o belo, de pintar belo e escrever mais ainda... Ainda não sabia o porquê de tal distinção mas seu coração pedia que continuasse, não pelos prémios ou méritos mas pelo exemplo! Pelas lágrimas cristalinas que brotavam dos seus olhos quando tudo lhe parecia tão difícil, pela sua intensidade e vontade de não desistir apesar das dificuldades.
Aqueles prémios sem as pessoas que amava não eram nada e não encontrando futuro mais vazio se tornava. Era impressionante como apesar de uma enorme sala cheia o seu coração era mais ainda... Faltava algo!
Quando seus olhos lhe caíram em cima...
Todos se viraram em sua direcção, ele entrou e tudo parou estupefacto. Convidou-a para dançar!
Ambos de mãos dadas abriram a pista, sem palavras… E o mundo acabara de parar naquele preciso momento, no para sempre... Seu prémio tinha atingido o auge! Chegou.
Ao seu redor, todos aqueles que amou e ama, todos aqueles com quem travou batalhas e que reconheciam hoje seu trabalho.
Estava belíssima, leve como uma pena capaz de fazer tudo de novo! Capaz de reviver o dia que beijou seus olhos com o coração e entre passos leves de balsa entregaram os lábios ao som de seus sentimentos.
Talvez este tenha sido o dia mais feliz de sua vida, ou não! Pois o dia que teve a certeza do que desejava, queria e era. Foi igualmente feliz. E nos dias que se entregava a paz das suas fantasias tinha sido igualmente feliz. Até naquele dia que Deus lhe dissera, vai tu és capaz... Ela foi tão feliz.
Aquele prémio era apenas um pretexto para celebrar a vitória do amor, do quanto este a inspirava e fazia regressar do seu mundo na lua.
Para agradecer a felicidade que até então não enxergava, passara demasiado tempo olhando e procurando défices pois tinha noção do quanto precisava ser melhor.
Mas ali nos seus braços encontrou tudo! E agradeceu a felicidade e a oportunidade que lhe deram de transmutar em felicidade todos aqueles momentos.
Já serena, sorrindo dedica em discurso a todos os outros a sua felicidade e a capacidade que estes têm de a fazer feliz, outras destas virão. Dizia ela sorrindo... E nessas, os prémios pertencerão a outros mas enquanto eu merecer e conseguir esta distinção, farei tudo para vos retribuir.
A noite ia longa e todos começavam a abandonar a sala. Mas ele com o seu terno azul, camisa bege e sapato brilho, permanecia como estátua na janela ao pé do chafariz... Fez questão de nunca mais a deixar em solidão.
Juntos celebravam a vida como um prémio.

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domingo, 19 de maio de 2019

SEM LIMITES PARA O AMOR (excerto) - VIEIRINHA VIEIRA

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Amigas? Amigas!
Amigas, fazia tantos anos.
Houve anos que nem se viam mas Isa e Maria do Céu seriam amigas para sempre. Isa era extremamente calada já Maria do Céu era demasiado expansiva e expressiva sempre muito amiga do seu amigo, sempre pronta a um bom conselho ou puxam de orelhas. Isa tinha paciência para ouvir as suas histórias e confusões, passavam horas juntas onde uma emprestava os ouvidos e a outra a sua realidade, com o místico imaginativo próprio de uma menina sonhadora e corajosa.
Sempre juntas!
Certo dia a vida as separava, deixaram de pertencer à mesma turma e escolheram futuros distintos, afinal era normal, eram tão diferentes e nunca deixariam que distância alguma afectasse a sua amizade. Eram amigas e ponto! Todos os intervalos lá se encontravam para falar sobre as aulas, os colegas, e partilhar as suas últimas e novas experiências. No fundo, emprestavam os olhos uma a outra como se pudessem estar em dois sítios ao mesmo tempo, era maravilhoso.
Aquela separação até parecia que uniam ainda mais os seus laços fortes e muito embora agora os trabalhos de grupo fossem com novas colegas eles não tinham o mesmo sabor mas se tornavam saborosos quando conseguiam juntar-se, combinando contar uma outra como tudo tinha sido tão gratificante e como era bom trocar experiências.
Maria do Céu fez anos e convidará todas as suas novas colegas é certo que Isa conhecia as mais antigas, logo não se incomodou nem um pouco, não tinham segredos.
Lembro desse dia devido a enorme confusão que se gerou, ciúmes!
Algumas colegas, boatavam pela escola que estas seriam lésbicas e elas nem se chateavam a sua sexualidade nunca tinha sido posta à prova, isso servia muitas vezes como brincadeira, essa verdade ou mentira não as incomodava de facto.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (PROSA E CONTOS) - ANTOLOGIA - IN-FINITA