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quarta-feira, 17 de novembro de 2021

A nova literatura brasileira: A mulher negra como protagonista da sua própria história - RITA PINHEIRO

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O século XX traz uma ascendente valorização das raízes culturais no país e consequentemente uma maior visibilidade das produções artísticas negras na literatura, música e artes plásticas. Os padrões eurocêntricos, até então reinantes, se vê diante do surgimento de padrões estéticos próprios do povo brasileiro.
Anteriormente limitadas à marginalidade, as culturas negras e indígenas passam a situar-se no centro das discussões, forçando a todos - editoras e leitores - a se colocarem em lugar de escuta e requerendo de forma irreversível um estudo mais aprofundado dessas produções culturais.
No mundo contemporâneo as escritoras trazem nas suas produções a sua própria história, a nossa e de tantas outras que se vêem contempladas nessas narrativas. A literatura negra surge como forma de resistência, nasce da necessidade de ter poder sobre a narração das suas próprias experiências e da urgência de ocupar espaços que antes lhe foram negadas.
Com percursoras como Maria Firmina dos Reis, que em 1822 lançou o romance “Úrsula”, e Carolina Maria de Jesus, autora do livro “Quarto de despejo: Diário de uma favelada”, o Brasil literário negro feminino traz uma gama de representatividade reconhecida pelo mundo pela qualidade que estes tem promovido na estruturação de discussões e amplificação de vozes como: Conceição Evaristo, Djamila Ribeiro, Mel Duarte, Jovina Souza, Paulina Chiziane, Noémia Souza, Carla Akotirene, dentre muitas que têem suas publicações como campeões de vendas num país com uma baixa taxa de leitores.
Escrever, publicar, é alimentar sonhos, libertar medos e construir uma nova história.

EM - MULHERES A UMA SÓ VOZ - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

O Tempo e a sabedoria - RITA PINHEIRO

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Afirmar que o ser humano é a expressão concreta da racionalidade é, talvez, o primeiro equívoco da modernidade. Prefiro a linha instintiva e intuitiva dos animais irracionais.
Precisamos dos nove meses de preparação gestacional: partindo da concepção, as longas oito semanas para sermos considerados um “feto”, o desejo, a espera, a perfeição, ausência do último período menstrual e as 40 semanas não de inércia e sim de movimento divino. É o nosso primeiro encontro com o senhor TEMPO!
A falta de tempo aparece na contramão da sabedoria, na aquisição de hábitos nada saudáveis. Os Gurus, sacerdotes, Xamãs, dentre outros sábios seres escolhidos e enviados ao mundo para mostrar o caminho da paz e equilíbrio veem no tempo o seu guia.
Precisamos dar tempo ao tempo! Contemplar o pôr do sol que se oculta no horizonte na direção oeste e/ou aguardar o Halo Solar surgir ao redor do astro rei. Pra que complicar ?
A contemplação não requer receitas científicas, é só deixar que o sol faça a sua parte. O "Ocaso" brinca com o tempo sabiamente num movimento duplo: terra e sol. E o que impede o Homem de assistir ao espetáculo diário é a falta de tempo.
Segundo a linha budista há dois dias do ano onde nada pode ser feito: um se chama ontem e o outro amanhã. Hoje quero parar, sentir a brisa, deitar na grama, tocar as mãos do amigo, nadar, pular ondas no mar, caminhar descalço, usar pouca roupa, beijar uma criança, alimentar os animais, recitar o poema que estou por fazer, não fazer nada, escrever na madrugada.
E se alguém perguntar:
– E o tempo?
Vou responder:
– Ele parou para ler esse texto.

 EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (PROSA E CONTOS) - COLECTÂNEA - IN-FINITA