Prosas
de tédio e fastio
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Olho
o cinzentismo deste céu indisposto, solidarizo-me com o seu mau humor por ver os
meus planos irem água abaixo e penso, de mim para comigo: «raios partam»!
Acho
que me escutou os pensamentos e oiço-o resmungar um trovão, cujo ribombar ainda
ecoa no interior de cada osso do meu corpo.
Acto
contínuo, fico a observar o dia pardacento com saudades da caminhada que não posso
fazer por culpa deste chove que não chove.
Então,
para levantar a moral e ganhar um brilhozinho nos olhos, vem-me à ideia uma “sergiogodinhada”
e decido escrever. Para mal dos meus pecados, nada valoroso me ocorre.
Mas
como homem prevenido vale por dois, faço das tripas coração e, numa inversão de
marcha, opto por executar um plano “b”, porque quem não tem cão caça com gato e
mais vale um pássaro na mão…
Assim
sendo, procuro na linha do tempo algumas palavras que me sirvam de agasalho ao
estro e encontro, entre revelações de alma e outras algaraviadas, um texto que faz
cócegas neste meu espírito desanimado.
Depois
de, silenciosamente (como é meu apanágio), rir a bandeiras despregadas, escolho
dar corda ou rédea solta às metáforas e mergulhar de cabeça numa empreitada de
expressões idiomáticas. De louco todos temos um pouco e quem vê caras não vê
corações (a inversa também é válida).
Posto
isto, agora que me deitei na cama que fiz e já sinto água pela barba pelas
frondosas correntes de baboseira derramada, sinto que devo agradecer a
inspiração divina a uma simples consulta de rotina, mais acrobática do que a
ida ao ginásio, cujo diagnóstico se resume a chá e torradas.
Ah,
é favor não esquecer o “Omeprazol” porque não se deve consumir comprimidos de
estômago vazio.
EMANUEL LOMELINO