sexta-feira, 24 de julho de 2026
As sombras (excerto 23) - Maria Cabana
domingo, 19 de julho de 2026
As sombras (excerto 22) - Maria Cabana
terça-feira, 14 de julho de 2026
As sombras (excerto 21) - Maria Cabana
quinta-feira, 9 de julho de 2026
As sombras (excerto 20) - Maria Cabana
sábado, 4 de julho de 2026
As sombras (excerto 19) - Maria Cabana
segunda-feira, 29 de junho de 2026
As sombras (excerto 18) - Maria Cabana
domingo, 28 de junho de 2026
No Castelo Do Suserano... (excerto) - JackMichel
quarta-feira, 24 de junho de 2026
As sombras (excerto 17) - Maria Cabana
terça-feira, 23 de junho de 2026
Na Quinta Flor... (excerto) - JackMichel
sexta-feira, 19 de junho de 2026
As sombras (excerto 16) - Maria Cabana
quinta-feira, 18 de junho de 2026
Passeando Com O Príncipe... (excerto) - JackMichel
domingo, 14 de junho de 2026
As sombras (excerto 15) - Maria Cabana
sábado, 13 de junho de 2026
A Soturna Face... (excerto) - JackMichel
terça-feira, 9 de junho de 2026
As sombras (excerto 14) - Maria Cabana
segunda-feira, 8 de junho de 2026
No Solar Do Príncipe... (excerto) - JackMichel
domingo, 7 de junho de 2026
No fundo do baú 206 - Emanuel Lomelino
Estou cansado das primaveras atrasadas, com flores estéreis e sem cor, espargidas de aromas inodoros. Prescindo dos favos de mel acerados pelas obreiras, sem solas nem décimo terceiro, e dos tijolos de milho prensado pelas ferraduras desenxabidas dos asnos-rei, também conhecidos como vendedores de banha-genérica – porque a banha da cobra já não compensa.
Não quero mais esperar pelas marés de lua cheia nem pelo rodopio vertical das andorinhas acrobatas, em fins de tarde sem pôr-de-sol. Tampouco me interessam os aprendizes de Fernão Capelo, ou versões “pimba” das fábulas, onde lebres e cágados são personagens isentas de fiabilidade.
Cansei-me de todas as histórias inundadas de lugares-comuns e de oásis com palmeiras virtuosas, dromedários adormecidos, e odaliscas vergadas ao império do silicone. Já não tenho pachorra para evangelizações discursivas e esgotei a paciência nos testemunhos dos criativos de ponto cruz e bombazina.
Até os hálitos de menta e tomilho fumado deixaram de perfumar o ar que respiro, assim que estendi a toalha da fadiga e liguei a ventoinha de incenso.
Abdiquei do estéreo e voltei a mono.
EMANUEL LOMELINO
sábado, 6 de junho de 2026
No fundo do baú 205 - Emanuel Lomelino
Olho as rugas do espelho e os brilhos solares trespassam a íris cega e irreconhecível, tornando qualquer imagem uma sombra esguia que recusa os holofotes da realidade.
Há minerais baços por detrás de cada bafo gelado e as narinas são crateras que expelem geiseres esquentados na tremedeira involuntária, de um dorso retraído e enrolado sobre si, consequência natural de mais uma morte.
Há um luto dermatológico acompanhado pelas fanfarras, nada jazzísticas, dos acordes doloridos que brotam de cada escara mal cicatrizada. As manchas avermelhadas são mapas temporais dos golpes infligidos ao ritmo da descrença, do desapontamento, do conformismo masoquista e da submissão arbitrária de todos os sentidos.
Não há verde que reanime o âmago nem andorinhas a anunciar uma nova primavera. Há caducidade em todos os poros salinos e um breu que apregoa futuras finitudes.
EMANUEL LOMELINO