quinta-feira, 29 de novembro de 2018

IN-FINITA APRESENTA... MADALENA E O SAGRADO FEMININO


Madalena e o Sagrado Feminino aos olhos de Thiago Fonsêca

Se Maria Madalena não teve seu lugar assegurado nos versículos dos sagrados livros cristãos, esta obra poética garante os versos necessários para apresentar esta mulher, fundamental para compreendermos o sagrado feminino, usurpado de nós por tantos dogmas e austeras vozes masculinas.

A literatura tem esta beleza, a de nos revelar os possíveis e impossíveis da história, a de subverter realidades e alargar nossos horizontes. O que Manoel Fonsêca faz é mais do que estrofes e rimas, sua escrita nos oferece um novo imaginário, o qual aceitamos de bom grado através de uma leitura fluida, fácil, embora possa soar incômoda aos que insistem em não ler as boas novas.

Esta obra afirma o Feminino dentro de uma tradição religiosa que se iniciou com a crucificação de um homem e se perpetuou com a condenação à morte de inúmeras melhores. Talvez olhando para Maria Madalena encontremos também a redenção para Jesus, geralmente representado numa imagem melancólica, cabisbaixa, com os braços tristemente abertos.

O amor de Madalena é para permitir o abraço incompleto, levantar nossa cabeça e ressuscitarmos. É a nossa redenção, homens e mulheres de todo o mundo. Este livro é um convite para o amor divino realizável na terra.

Thiago Fonsêca

Professor de Meditação e Aprendiz Espiritual.

Conheça um pouco mais sobre o autor neste link

Contacto para adquirir o livro e-mail:  mdfonsecan@gmail.com

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

ADRIANA FALA DE... PATRÍCIA PORTO


Os caminhos conduzem não só os nossos passos, mas daqueles que precisam fazer parte da nossa história, e foi por um desses caminhos que encontrei e depois reencontrei Patrícia Porto. O primeiro olhar foi de admiração pelo gigantismo dessa Pequena Grande Mulher, ao falar e apresentar, na época, o seu mais recente livro Diário De Viagem Para Espantalhos E Andarilhos: Poemas E Notas De Sobrevivência. Depois, veio a curiosidade em conhecer um pouco mais da escritora, poeta, professora e, como afetos e afinidades não se explicam, fomos ficando confortavelmente uma na vida da outra, seguindo nossos passos e caminhos em paralelo, mas sempre interligadas, de uma maneira ou de outra. Falar de Patricia para mim é fácil, pois a imensidão que traz na alma e na mente sempre em ebulição daria para escrever todos os dias sobre suas produções, movimentos, lutas e vivências. Mas isso deixo para outro momento, quem sabe, tomo coragem e dedico-me a essa ideia que passou como relâmpago por aqui agora.

Hoje quero apenas registrar um pouco da Patrícia Porto, que estará entre nós, em Lisboa, dia 26 de janeiro lançando o seu mais recente livro  MEMÓRIA É UM PEIXE FORA D'ÁGUA, pela editora Penalux. Ainda com os rastros adocicados que o sucesso do livro de poesias CABEÇA DE ANTÍGONA, na segunda edição, deixou nesse caminhar.  E temos que celebrar um ano de uma parceria que tem dado muito certo, com a assessoria literária da In-Finita em Lisboa.

Poderia fazer mais uma entrevista com a autora, mas achei melhor pegar alguns fragmentos de sua biografia e apresentá-la assim, de uma forma mais didática e menos informal.

Patrícia de Cássia Pereira Porto, Professora e Pesquisadora no/do Ensino Fundamental (EJA). Escritora, poeta e cronista.
Rio de Janeiro.
Doutora em Educação pela UFF no ano de 2009 com a tese: “Narrativas memorialísticas: Por uma arte docente na escolarização da literatura” (publicada em 2010). Atualmente tenho como tema de pesquisa e trabalho pensar uma didática que possa trazer em si a ação de reinventar as experiências cotidianas da sala de aula, retirando delas determinados costumes que de tão naturalizados nos levavam ao não-questionamento e a não-curiosidade em relação ao nosso próprio fazer. A narrativa neste caso foi tratada como reinvenção de si na composição da história narrada na História humana, propondo assim a recuperação da memória singular e coletiva como possibilidade de transformação do ser e do fazer em sala de aula. O desafio de pensar a leitura e a literatura na escola surgiu então balizado pelo desafio de compreender como os professores na relação com o seu metapoeisis vivenciavam suas práticas e as tantas linguagens que delas provinham, linguagens que diziam e dizem de perto aos fluxos memorialísticos das palavras e imagens que compõem o que eles chamavam real juntamente com o que reinventam ou re-significam feito lembrança do vivido. Nesse sentido, me importava e importa problematizar metodologias existentes e pensar numa perspectiva pedagógica lúdica a favor da ousadia e da concretização de uma escolarização encarnada, sensível, atrativa e experimental – sem perder o rigor, a curiosidade e o desejo de mudança.
Estive na idealização, coordenação, implementação e execução dos projetos “Oficina de Leitura /Produção Textual”, "Ensinar português para quem FALA português" e também na execução do projeto “Reintegração” (PMSG), voltados para crianças das séries iniciais.
Hoje desenvolvo o Projeto LER pra VER e VER pra LER, voltado para alunos do EJA
.

Patrícia possui um poço infinito de águas claras e profundas de saber, conhecimento, arte, talento e vivência, e o que mais admiro é a simplicidade, a humildade, a alegria e sua forma de ser e estar, sempre atenta, contribuindo de uma forma ou de outra para um engrandecimento pessoal e cultural de quem cruza o seu caminho. E toda a minha gratidão por fazer parte dessa caminhada.

Indicada pela UFF ao Prêmio Capes de Melhor Tese do Ano (em 2009) pelo livro Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte Docente na Escolarização da Literatura. Graduada em Letras (Português e Literaturas) pela Universidade Federal Fluminense, pós-graduada em Alfabetização de Crianças das Classes Populares, mestre em Educação no Campo de Confluência de Estudos do Cotidiano e da Educação Popular (com a dissertação O Livro: Literatura entre as tramas da linguagem, memória e narrativa) e doutora em Políticas Públicas e Educação. Durante o mestrado e o doutorado foi bolsista da Capes e do CNPq. Integrou os grupos de pesquisa Linguagens, Leituras e tecnologias na escola, na UERJ e Política de Formação de Professores: Cultura, Memória, Narrativa e Imaginário, na UFF. Publicou vários artigos acadêmicos em periódicos no Brasil e no exterior, além de capítulos de livros. Lecionou, ainda, nas universidades UFRJ, UFRRJ, UERJ e Uniabeu, na área de Educação e Letras. Publicou quatro livros, sendo três de poesia (Sobre Pétalas e Preces, Diário de Viagem e Cabeça de Antígona) e um acadêmico, que teve como base a tese de doutorado. Foi Coordenadora e Professora-Pesquisadora do NUEC UFF, no Curso de Especialização em Educação de Jovens e Adultos na Diversidade e Inclusão Social, sendo a responsável pelo módulo de orientação de TCC. Possui mais de 23 anos de experiência como docente, tendo lecionado para alunos de todas as faixas etárias, desde a educação infantil até a pós-graduação. Durante este período criou e coordenou vários cursos, oficinas e eventos que buscavam despertar o interesse pela leitura nas crianças. Mantém o blog Literamargens, dedicado à literatura e temas afins. Pertence ao Corpo Editorial da Revista Uniabeu. Atualmente é pesquisadora e colaboradora na ANF atua como pesquisadora no Projeto Portinari, PUC, e integra o coletivo Mulherio das Letras.

Com toda a minha admiração, recomendo: leiam e conheçam Patrícia Porto.

DRIKKA INQUIT

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

EU FALO DE... O BANCO AMARELO DO ARPOADOR

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA
Podem conhecer a autora neste link


Dois seres que se cruzam no acaso do destino e se complementam, pelo menos a espaços, movidos por ânsias de mudança e pelo amor que sempre sonharam. Duas histórias particulares que, apesar das diferentes vivências, os aproximam.

Um homem, longe de casa, tenta reencontrar-se e procura, no exotismo de outro continente, colmatar as carências que sente. Mas tocado pela dúvida deixa-se reprimir pela razão que a idade lhe concede. Uma mulher tenta refazer-se, após ter sido tocada pela tragédia mais dilacerante que qualquer ser humano consegue suportar, e assim retomar os trilhos da vida que acredita merecer.

Ele encanta-se pela beleza, jovialidade e o modo extrovertido dela. Ela apaixona-se pelo charme, elegância e a atenção que ele lhe devota. Ambos deixam-se enredar pelo apelo da carne e limitam-se a viver apenas os momentos de intimidade que partilham. Quando juntos, o mundo parece reduzir-se a eles. Nada mais existe. Eles são tudo o que respira e vive.

No entanto, nele existe uma tremenda luta interior entre a descrença nos sentimentos e a possibilidade de finalmente ser feliz. Por mais que queira cortar as amarras que o prendem, há sempre algo que o faz recuar.

Nela sobressai a necessidade de um ombro que a conforte, ampare e ajude a olvidar o sofrimento do passado. Ela acredita ter encontrado nele o porto de abrigo que procurava.

Pouco a pouco, nem sempre de forma intencional, cada um deles vai dando sinais dos seus fantasmas. Ela fala abertamente sobre o que sente, ele revela acidentalmente o que o atormenta. Ela tenta superar as diferenças entregando-se cada vez mais. Ele tenta reprimir-se e usa qualquer pretexto para que a relação fique estanque. Ambos querem um futuro diferente mas... enquanto ela faz acontecer, ele insiste em deixar a razão do medo sobrepor-se ao desejo da felicidade.

Ela afasta-se mas conserva a esperança de manter o relacionamento porque o ama sem reticências e, cada vez mais, acredita que o destino é ficarem juntos. Ele nega interesse para lá do platónico mas sofre com a ausência dela. Ele vai atrás dela. Ela recebe-o de braços abertos. Ela quer. Ele nega querer. Ela insiste e ele, apesar das evidências e dos sintomas, persiste na negação. Contudo, existirá sempre o banco amarelo do Arpoador a uni-los.

O vento, o mar, os cheiros, os sabores, as cores e a luz do Rio de Janeiro. Tudo isto faz parte do cenário tropical que a autora, Deborah Almeida, usou para criar o enredo desta história de amor, que pode ter muitos finais. Entre encontros e desencontros, ela teceu e entrelaçou as vidas dos dois personagens, de modo tão natural que, até as atitudes, porventura, mais insensatas e pitorescas nos parecem verosímeis. Para tal desiderato, talvez não seja estranho o facto do personagem masculino, um anglo-saxónico, ser também o narrador: isto é, a história que nos é contada, neste livro, é a versão dele. Ficamos a saber as suas percepções sobre os episódios vividos enquanto casal que quer ser mas, por vontade dele, ou por força das suas incertezas, dificilmente será. Ficamos a conhecer as qualidades e defeitos que ele vê nela, e do inverso apenas as suposições dele. Assim, ao lermos cada linha, somos acometidos pela curiosidade de saber se a versão dela seria a mesma.

Seja como for, e em resumo, este O BANCO AMARELO DO ARPOADOR - uma breve história de amor, tem 84 páginas, divididas em 28 capítulos, que se lêem num fôlego e faz-nos desejar que a autora, um dia, nos brinde com outro romance da mesma história mas com a narração a ser feita pela personagem feminina. Fica o desafio apenas porque fiquei curioso...

Recomendo, sem reservas, este livro de Deborah Almeida

Breve biografia da autora:

Deborah Almeida (1961) nasceu em Porto Alegre. É bacharel em Direito e aficionada pela leitura e a escrita. A aposentadoria em 2015 alavancou o início à carreira literária, escrevendo contos, crônicas e romances.

Os interessados podem adquirir o livro através deste link

MANU DIXIT

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

IN-FINITA APRESENTA... BENDITAS & GUERREIRAS


LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR

A seu modo, guerreiras e benditas, todas são certamente divindades.

A seu modo, ou a modo dos devotos, traçaram caminho diverso, torto mesmo, e outros resolveram segui-las. Transfiguraram-se em trilhas, modus vivendi, horizontes.
As mortais, deusas transmutadas em vida, fascinam mais. Inventaram-se desnudaram-se, revestiram-se de concreto e doçura. Não derivaram da imaginação alheia, mas da delas, decerto. Ao contrário, foram forjadas pela vida, tão inimaginável e tão presente. E umas viram-se nas outras.

Sobre elas, o médico Manoel Fonseca pesquisa, indaga, faz a anamnese, mas foge da terapêutica, não prescreve tratamento, até porque são hígidas (ou não) e, no receituário, prefere, para bem delas e nosso, recitar sonetos.

Já o poeta Manoel admira-as de longe, lusco-fusco de fantasia e realidade. Ensaia aproximação, troca mesuras, corteja-as, relata-nos suas façanhas, idealiza encontros e dele nascem sonetos.

Poesia e mulher, tantas vezes confundidas, embaralhadas (e embaladas) numa só. E uma alimenta-se na outra. Rima e cabelos, trova e pernas, redondilha e ancas, madrigal e sedução, enjambement e cavalgada.

E o poeta alimenta-se de todas. Fagocita e, em versos, as coloca no altar, santifica as guerreiras e humaniza as benditas.

Para a nossa adoração.

Felipe Barroso
Pastorador de Nuvens

Benditas & Guerreiras de Manoel Fonseca

Composto de 46 poemas divididos em quatro idades históricas: a Antiga, a Média, Moderna e Contemporânea, “Benditas & Guerreiras” acrescenta mais uma: a das deusas primordiais. Aquelas que antecederam a própria História. Pótinia da Turquia, por exemplo; Pacha Mama, do Chile que, como a outra, também se confunde com uma mãe universal; Cy, a deusa mãe brasileira; Iemanjá e Iansã, da África, e Brígida, uma deusa celta. As outras deusas, mais orientais, seriam Amaterasu, do Japão, e Aditi, da Índia.

Dividida em várias partes, “Benditas & Guerreiras”, de Manoel Dias Fonseca Neto, é uma homenagem às mulheres na história da humanidade. “Este livro, diz ele, logo no início, nasceu de uma indignação intelectual”. E explica. Afirma que sua mulher, Iracema Serra Azul, ficou perplexa quando percebeu que a maioria das deusas, na mitologia antiga, eram do sexo masculino e não feminino. Para dar mais evidência às deusas e às mulheres da História, por extensão, sugeriu ao marido, Manuel Fonseca que, além de médico e mestre em Gerenciamento de Sistemas Locais de Saúde, também é poeta, publicar um livro no qual as divindades e os heróis femininos e não masculinos fossem destacados. Foi assim que surgiu “Benditas & Guerreiras”.

Saibam mais do autor e do livro neste link

BENDITAS & GUERREIRAS - MANOEL DIAS DA FONSECA NETO - EXPRESSÃO GRÁFICA E EDITORA LDA


ASSESSORIA LITERÁRIA IN-FINITA

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

FALA AÍ BRASIL... PATRÍCIA PORTO (XXX)

Tempos de Bauman

Vivemos numa cibersociedade. Ainda é possível encontrar culturas agrafas? Raras por certo. O que está realmente na ordem do dia são as novas sociabilidades, as relações ou conexões cibernéticas. Quando algo dessa natureza acontece feito avalanche em termos de rapidez e descarte, vai se tornando mesmo difícil encontrar, desenvolver um código de gentilezas. Não falo em ética, algo mais profundo na escala do conhecimento. Falo de gentileza, porque é o que vem dessa esfera mais à derme do humano. Também não falo em humanismo, outra demanda conceitual. Quero falar da gentileza que está na base primeira do conviver - viver com. Gentileza como ação cotidiana, a da rotina mais usual entre os seres. O gesto, uma palavra de afabilidade, um aceno, um elogio, um gesto herdado do levantar dos elmos diante mesmo do inimigo.

Penso nessas relações líquidas, frágeis, instantâneas, das novas sociabilidades que giram nas mídias sociais e confesso sentir antipatia pelo desrespeito, por mensagens que agridem, causam dor. Claro que o ódio sempre existiu, mas a dinâmica das redes sociais amplificou, tirou do armário os que ainda tinham certo constrangimento de expor o machismo, racismo, xenofobia, fascismo etc. Mas sobre a gentileza há algo mais sutil e não menos perverso. A falta de gentileza é a falta do mínimo necessário, a falta de algo como ser "polite".

E com as mulheres há algo a ser estudado realmente, porque a falta de generosidade se expressa pela falta de sororidade, de empatia, por certa crueldade internalizada do patriarcado. O que aconteceu com Dilma, o que acontece hoje com Manuela, Marcia Tiburi são exemplos cognitivos a ser pesquisados.

É tudo muito fluído, efêmero, volumoso e raso, paradoxal. Sou de uma geração de transição. Vivemos o analógico. Sabemos da ampulheta e temos alguma ideia de finitude, creio.

Logo tudo isso será passado. Mas o hoje já está chegando com esse (des)gosto de algo (mal) passado. E dá uma melancolia não encontrar neste equipamento tão interessante, algum tipo de fóssil bonito e necessário que abrigue a gentileza. Dá dó do presente.

Patrícia Porto

mini-Biografia: Patricia Porto

Graduada em Literaturas Brasileira e Portuguesa, Doutora em Políticas Públicas e Educação, professora e poeta, publicou a obra acadêmica "Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte Docente na Escolarização da Literatura” e os livros de poesia "Sobre Pétalas e Preces" e "Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos". Participou, ainda, de coletâneas no Brasil e no exterior, integra o coletivo Mulherio das Letras e é colaboradora do portal da ANF (Agência de Notícias das Favelas). 

Assessoria Literária IN FINITA