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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

EU FALO DE... REGOZIJO E FRUSTRAÇÃO


Uma das vantagens de ser responsável pela coordenação de livros, sejam colectivos ou individuais, é ter a possibilidade de ler, em primeira mão, textos inéditos de autores que, à partida, me garantem a qualidade literária que creio ser essencial neste género de trabalhos.

Acossado pelo conhecimento aprofundado que tenho dos autores que abordo e partindo do princípio que todos eles mantém a mesma linha qualitativa que me faz convidá-los para integrarem os projectos em que me envolvo, raras são as ocasiões em que algum me consegue surpreender.

No entanto, existem sempre esses momentos em que, sem aviso prévio, sou brindado com autênticas pérolas literárias que me apanham completamente desprevenido. Já aconteceu no passado, voltou a acontecer recentemente e, assim me permita o destino, mais acontecerão no futuro.

Sirvo-me dos três parágrafos anteriores para demonstrar o meu regozijo por ter a possibilidade de, através dos trabalhos que tenho feito, experimentar a honra de ser o primeiro a ter nas mãos verdadeiras obras primas da língua portuguesa.

Nesses momentos, a única frustração que me consome é não ter meios nem conhecimentos que me permitam dar a esses autores a visibilidade que as suas criações merecem, levando-as a patamares mais elevados.

MANU DIXIT


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

EU FALO DE... PEQUENO BALANÇO SOBRE 2017


Num pequeno e raro momento de pausa, tive a ousadia de entregar-me à reflexão e, quase em choque, dei-me conta que estamos prestes a despedir-nos de mais um ano civil. E que ano foi este! Com pouco mais de dois meses pela frente e ainda alguns projectos por terminar e compromissos para respeitar, posso fazer um balanço do que me aconteceu em 2017.

Foi um ano que começou cheio de motivação pelo sucesso do meu blogue de divulgação de poesia lusófona (TOCA A ESCREVER), com o ponto alto a acontecer, em Junho, aquando do início da parceria com a IN-FINITA, e o impacto que a mesma originou, tanto ao nível de tempo que passou a exigir-me, como ao nível de adesão que este passo suscitou, principalmente no outro lado do Atlântico. E essa adesão foi de tal forma impactante que tive de adicionar, ao projecto TOCA A ESCREVER/IN-FINITA, o blogue TOCA A FALAR DISSO, dando-lhe uma roupagem diferente alargando, desse modo, o seu propósito inicial. Em simultâneo, vi confirmadas as intenções, das editoras, em prolongar os patrocínios.

Mas a parceria não se ficou por aqui e, em Setembro, tivemos o primeiro evento em Portugal com o apoio IN-FINITA, que foi um sucesso e para sempre ficará marcado na história do nosso percurso.

Num outro patamar, vi-me envolvido em dois projectos de uma editora: a coordenação de um concurso literário e a organização/elaboração de uma colecção de livros de bolso... Já escrevi tanto sobre estes dois projectos que só me resta dizer que foram meses de intenso labor, com pontos altos e alguns dissabores mas com a satisfação de ver reconhecidas as minhas capacidades, sentido de missão e profissionalismo.

Mais tarde fui confrontado com uma estreia ao ser convidado para dar uma palestra sobre o significado de ser-se poeta nesta era digital... Não posso deixar de confessar que este convite apanhou-me de surpresa porque, por norma, são poucos os que se dispõem a ouvir-me falar devido aos meus modos pouco, ou quase nada, "politicamente correctos". No entanto, supresa maior foi o convite que se seguiu para defender o género poesia integrado num painel composto por mais dois nomes importantes da cena literária nacional; Isabel Stilwell e Jaime Rocha. Seja como for e independentemente do factor surpresa, não posso deixar de regozijar-me pelo facto de, não só se predisporem a ouvir-me, como ainda se dispuseram a pagar-me para o fazer... sinal dos bons tempos?

Como disse no início deste texto, faltam pouco mais de dois meses para findar 2017 mas ainda há projectos na forja e compromissos a respeitar. Mas, sobre esses, escreverei em devido tempo.

MANU DIXIT

domingo, 1 de outubro de 2017

FALA AÍ BRASIL... TACIANA VALENÇA


ele não se encontra

Não pensem que o título é sobre alguém que está precisando urgente de um analista, psicólogo, terapeuta ou o que quer que seja para ajudá-lo a se encontrar (ou se preferir, encontrar a si mesmo).

Especificamente em um período do mês essa expressão me dá arrepios.

- Dr. Fulano está?

- Não, infelizmente ele não se encontra.

Esqueço. Esqueço totalmente o que queria falar com Dr. Fulano e imediatamente imagino-o como um cachorro que fica rodando tentando pegar o rabo. Bem, deve ser assim que ele procura se encontrar.

Radical?

Talvez.

Quem sabe, novamente, minha pouca tolerância se vê aflorada quando pressionada por expressões que me incomodam?

Pode ser.

Posso estar errada sim.

É. Devo ser eu a errada porque cada dia mais as pessoas dão a mesma resposta. Antipática, diga-se de passagem. Repetitiva e antipática, além, claro, de frustrante, porque se você liga para Dr. Fulano é porque tem algo para lhe dizer.

Outra coisa que penso é o que escrevi nas primeiras linhas. O Dr. Fulano deve ter ido ao seu analista, pois precisa urgentemente "se encontrar", caso contrário não estará plenamente apto a dirigir uma empresa. É, faz sentido ele estar "se encontrando". Bom pra ele, pior pra mim que além de não encontrá-lo tive que engolir o "não se encontra".

Não seria mais fácil dizer simplesmente:

- Ele não está.

- Ele saiu e deve voltar às 18:00h?

Mas, se por ventura ela completasse:

- Ele não se encontra, mas não se preocupe, quando chegar eu estarei dando o recado, ok?

Bem, a não ser um caso de extrema necessidade, eu não ligaria mais para Dr. Fulano, sob risco de desligar o telefone antes da senhorita terminar sua fala.

Já disse, posso estar errada, mas não me critiquem porque não vou ler os comentários, infelizmente "estarei indo dormir" em alguns minutos.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

FALA AÍ BRASIL... TACIANA VALENÇA

VIDEOCONFERÊNCIA

O Pior de ter que acordar cedo numa segunda-feira, depois de um domingo ensolarado e divertido, é ter que estar às 9h na videoconferência da empresa ouvindo, em alto e bom som, o "superintendente" falar para mais de 50 gerentes as palavras "teje" e "seje" numa empáfia e elegância de dar arrepio  na alma.

Fico imaginando como aquele sujeito chegou ali falando daquele jeito. Claro, estou sendo radical, é óbvio que ele tem "outras habilidades" que compensam que ele "seje" tão "ingnorante" e que "esteje" naquela posição tão "previlegiada". Sim, porque isso é um PREvilégio (algo que ninguém prevê, rsrs). Desculpem, é que às vezes temos que rir mesmo pra não entrar em depressão.


Fico pensando em meus pais que gastaram tanto em bons colégios para que eu falasse direitinho e tivesse ao menos alguns privilégios diante da vida... Mas, fazer o que? E já que não posso fazer nada a respeito, tenho mesmo é que rir da minha P____ falta de competência!

domingo, 24 de setembro de 2017

EU FALO DE... FORMAS DE EXPOSIÇÃO PÚBLICA


Embora já não estranhe, faz-me tremenda confusão ver como a maioria dos autores gere a sua exposição pública.

Por existirem várias formas, qual a mais aberrante, decidi elaborar uma lista de procedimentos recorrentes que, muito provavelmente, poderá sofrer de alguma omissão.

1 - Os vaidosos

- Aqueles que aparecem para exibir os encantos que a natureza lhes outorgou, na esperança que a carinha laroca lhes sirva para vender mais uns quantos exemplares.

2 - Os falsos humildes

- Aqueles que aparentam uma extrema humildade e oferecem alguma resistência em aparecer, mas estão sempre na primeira fila para serem vistos e ouvidos.

3 - Os pavões

- Aqueles que, julgando-se em patamares superiores aos demais, fazem sempre questão de alardear feitos e conquistas, por mais insignificantes e suspeitas que sejam.

4 - Os interesseiros

- Aqueles que só aparecem em eventos se tiverem a possibilidade de brilhar, vender alguns exemplares ou ser visto com determinadas pessoas mais mediáticas.

5 - Os narcisistas

- Aqueles que fazem questão de se apresentarem através de biografia e bibliografia, sempre extensas e enfadonhas, mesmo quando estão em lançamentos ou apresentações de outros autores.

6 - Os angariadores

- Aqueles que só aparecem em eventos na véspera de lançamentos e/ou apresentações dos seus próprios livros e antologias em que participem, para angariarem público.

7 - Os penetras

- Aqueles que, escrevendo em registos diferentes, fazem questão de aparecer em eventos com vastos nucleos formados, na tentativa de aliciar público que de outra forma não conseguem ter.

8 - Os evasivos

- Aqueles que aparecem em eventos mas de forma rápida e cirúrgica, como quem diz: "Estou muito ocupado mas fiz questão de vir ao teu evento... Agora esquece-te de ir ao meu!"

9 - Os dotados

- Aqueles que fazem sempre questão de dedicar um poema da sua autoria, nos eventos de outros autores e nunca lêem nada desses.

10 - Os papagaios

- Aqueles que não tendo nada para dizer acabam por se estender nos discursos, repetindo sempre as mesmas ladainhas, em todos os eventos que aparecem.

Podia enumerar mais uns quantos, mas prefiro ficar por aqui porque pode ser contagioso.

MANU DIXIT

terça-feira, 19 de setembro de 2017

EU FALO DE... PLÁGIO E PLAGIADORES

Aproveitando a recente polémica do cantor acusado de plagiar alguns dos seus grandes sucessos e depois de ler muitas opiniões vulcânicas sobre o assunto, decidi vomitar as minhas postas de pescada sobre o tema, ou não fosse eu acometido de intenso prurido e alergia pura quando há plágio. Aliás, como muitos saberão, alguns dos meus castigos no Facebook aconteceram após as denúncias públicas que fiz de algumas páginas onde essa prática é recorrente.

Este caso traz à tona algumas questões pertinentes e, sem admiração, reparei que num assunto que deveria ser consensual, existem grandes divergências e inexplicáveis contradições na hora de avaliar este fenómeno.

Não tenho competência, nem conhecimento efectivo, para poder alegar a existência ou não do crime, no entanto, como tenho dois olhos na cara e, pasmem-se, até gosto de pensar, analisei a questão, tal qual foi noticiada pelos órgãos de comunicação social (que não TVI ou CMTV) e não consegui detectar inocência do artista, mais não seja pela demonstração, de culpabilidade, clara e inequívoca, do próprio, ao alterar o registo de algumas canções, de autor para adaptador. Ah... fazendo-o somente após a bomba ter rebentado e o caso vir a público.

Mas, apesar das evidências, há sempre alguém que defende de unhas e dentes o culposo. Neste caso específico, creio que essa defesa cega prende-se mais pelo mediatismo do artista que, mesmo não estando dentro das minhas preferências musicais, não me custa admitir, é um cantor de massas e essa condição cria uma aura de intocabilidade que, até há muito pouco tempo, seria muito complicado desconstruir e combater.

Um aspecto interessante nas reacções, no Facebook, que tive oportunidade de ler, e que sempre acontece em casos mediáticos, é a intolerância, cada vez maior, à opinião de terceiros. Quando aparece uma polémica, os lados têm tendência a extremar-se e, na generalidade das vezes, acaba em discussões de teor ofensivo, para não dizer mal educado e de baixo nível, bem longe do assunto que gera a discórdia.

Nestas alturas, todos são donos da razão e, vai-se lá saber como e desde quando, transformam-se em entendidos profundos e analistas conhecedores das matrizes e leis aplicáveis. Neste caso até apareceram opinadores com vastos conhecimentos sobre a legislação e, em simultâneo, sobre questões técnicas do foro musical.

Mas o mais caricato, para mim, foi observar como algumas das pessoas que desvalorizam o plágio nas redes sociais, nomeadamente no plágio descarado aos textos que muitos autores aqui partilham, foram os primeiros a apontar o dedo à prevaricação do cantor, usando os argumentos que consideram inválidos quando se trata de plágio de poemas. Acho engraçado que neste caso venham dizer que existe plágio nem que seja por uma frase semelhante, quando em situações similares, mas menos mediáticas, argumentam que frases iguais não significam plágio mas sim formas idênticas de exprimir. Afinal em que ficamos? Por que razão querem traçar linhas distintas na hora de avaliar as situações de plágio? Será que só é plágio se os envolvidos forem figuras mediáticas? Por que razão deve existir um peso e uma medida para poemas de canções e outros diferentes para poemas apenas escritos?

Mas o mais engraçado de tudo foi ler um acérrimo comentário, feito por um individuo muito indignado pelo descaramento do cantor em usar meios tão baixos para alcançar sucesso e que, segundo a sua perspectiva, se o cantor não conseguia escrever poemas para as suas músicas que os comprasse e não roubasse as frases de outros autores. E ler este comentário foi engraçado porque, quem o fez, foi administrador de um grupo de onde fui expulso por ter acusado, com provas, este mesmo administrador de plagiar uma autora amiga, usando 14 (catorze) adjectivos, para definir o amor, e pasmem-se, na mesma sequência. Na época, este senhor teve o descaramento de me dizer que não tinha plagiado coisa alguma, apenas se tinha inspirado no texto da autora e que a sequência tinha sido mero acaso. Claro que sim... eu vi mal e nem dei conta que estava perante um texto com 14 coincidências, coincidentemente alinhadas.

Se por um lado, ter lido o comentário deste senhor, fez-me rir e recordar o que o mesmo fazia, por outro lado deixou-me tremendamente satisfeito pois os meus argumentos da altura fizeram um plagiador virar acérrimo combatente do plágio.


MANU DIXIT

terça-feira, 12 de setembro de 2017

FALA AÍ BRASIL... ADRIANA MAYRINCK


Ando pelas ruas do Recife com olhar de distanciamento, recolhendo na memória relíquias. Com uma certa saudade das ruas em que crianças corriam e brincavam e hoje passam carros barulhentos com as suas buzinas apressadas. As casas com seus pés de jambo e azeitonas que hoje transformaram-se em prédio colados um ao outro e pouca sombra. Os apitos dos vendedores ambulantes que perderam-se nas lembranças infantis. Ainda ouço passos, vozes, da família reunida na varanda, na casa do meu avô, misturando-se com a melodia das folhas dos coqueiros a dançarem no vento, o cheiro do queijo coalho derretido com mel de engenho, aquele sabor do café com bolo de rolo, o suco de graviola, o sorvete de mangaba e tantos sabores que só encontrava nesse pedaço de mim.

Deixo esse Recife de Manuel Bandeira, Ariano Suassuna, João Cabral de Melo Neto. Alberto da Cunha Melo, Clarice Lispector, e tantos outros imensos escritores e poetas, referências da minha trajetória de vida e caminhos, retidos em um lugar especial, do lado de dentro.

Hoje a palavra saudade chega com leveza e sensação de um tempo muito bem vivido e desfrutado em cada instante. E no encontro com amigos e família, constatei as alegrias que deixamos no coração e nas memórias daqueles que partilhamos vivências. E nas marcas do tempo, ficam ali, guardadas a serem resgatadas quando um olhar, um sorriso, uma palavra se reencontram. Voltei a Recife, como o fiz, inúmeras vezes, após abraçar o Rio de Janeiro como parte de mim. Mas nesses cinco meses, regressei como quem se despede a cada dia. E essa percepção de “talvez não passe mais por aqui”, faz com o que o olhar, o sentimento, sejam mais atentos aos detalhes e até mais carinhosos com aqueles que cruzam o nosso caminho.

E fui tão acarinhada nesses dias que a palavra saudade transformou-se em gratidão envolvida por um sorriso de alegria e aconchego. Foram tempos de incertezas, trabalho árduo e muitas conquistas. Foi como se o ninho estivesse preparando o pássaro para um voo maior pelo céu sem limites. E em uma manhã de sol intenso, ouço no vento... “Vai... voa!”

Recife, local onde nasci e criei laços, e pouco permaneci. Mas é aquele lugar de abrigo, de sol, de sabores e docilidades. E é o local onde retornei, várias vezes para respirar e me inspirar. O ar abafado dos dias ardentes e a brisa refrescante das noites enluaradas. 

O cheiro de maresia e a sede saciada com água de coco. E palavras, encontros, leituras, poesias, luminosidade.

O ponto inicial, o ponto de partida.

Recife que me abriga e me liberta.

Para um novo olhar, um novo tempo, um novo voo.


DRIKKA INQUIT

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

EU FALO DE... O BURRO QUE SOU E O BURRO QUE NÃO SOU

Sobre o colecção Status Quo, que coordenei a pedido da Edições Vieira da Silva, e na sequência do que deixei em suspenso no primeiro texto que escrevi, tenho algumas coisitas para dizer.

Reitero a minha satisfação por ter conseguido levar a bom porto esta tarefa que me foi entregue e reafirmo o meu contentamento pela confiança que em mim depositaram - tanto a editora como os autores.

No entanto, tal como escrevi então, este projecto acabou por revelar-se agridoce porque nem tudo correu bem e, tal como fiz na altura junto dos autores, assumo as minhas responsabilidades por inteiro e dou a cara por todos os erros, mesmo os cometidos por terceiros.

O meu maior erro, e que servirá de aprendizagem para futuros projectos, foi não ter acompanhado mais em detalhe cada passo, após o envio do material para a editora. Errei ao esperar que as falhas, que entretanto ia detectando, fossem resolvidas e, acima de tudo, assumidas por quem as cometeu. O meu erro foi pensar que todos os envolvidos se dedicariam a este projecto com a mesma paixão e entusiasmo que eu e os autores. Isso não voltará a acontecer. Não voltarei a cometer esse erro.

Quando falo em terceiros, não estou a referir-me aos responsáveis da editora que, gabo-lhes a paciência, tiveram de ouvir-me protestar constantemente. Quando falo de terceiros, estou a referir-me a uma equipa de paginadores que, durante todo o tempo, demonstrou poucas qualidades para além de incompetência. E, não tenho problema algum em afirmar, sofrem de uma liderança bacoca, sem sentido de responsabilidade e tremenda falta de brio profissional.

Mais grave ainda, para mal do "líder", que teve a ousadia de querer falar comigo pessoalmente - como se eu me intimidasse por falar com chefias - foi ter tentado mandar-me areia para os olhos como se, a minha parca formação e escassos conhecimentos informáticos, fizessem de mim um retardado que come gato por lebre.

Sim, sou um burro a nível de informática... mas não sou burro o suficiente para acreditar que alterar o suporte digital de um ficheiro altera todo o ficheiro a ponto de mudar os textos de sítio. Quanto muito, digo eu que sou o burro informático, os últimos versos de um poema ficam juntos ao título do poema seguinte. Mudar o suporte de um ficheiro não altera a ordem dos poemas nem repete poemas.

Sim, sou um burro a nível informático... mas não sou burro suficiente para deixar que um "líder" incompetente defenda a incompetência da sua equipa que, vai-se lá saber por que razões, decidiram alterar as estruturas do ficheiro e colocar, ao contrário do original, poemas de dupla página na mesma folha.

Sim, sou um burro a nível informático... mas não sou burro suficiente para não detectar erros tão grosseiros e deixar passar em claro, sem reclamar.

E tudo isto aconteceu a propósito dos três primeiros volumes da colecção. E tudo o que escrevi nos três parágrafos anteriores foi o que eu disse ao "líder" da paginação, na presença dos responsáveis da editora. E disse também que, se voltasse a receber os ficheiros pdf naquelas condições, não me custaria absolutamente nada voltar a falar com os autores, que convidei para a colecção, pedir-lhes desculpa por os ter feito perder tempo com este projecto e, simplesmente, cancelar tudo.

Acto contínuo a esta minha postura: não voltei, sequer, a receber os ficheiros finais, que foram enviados directamente aos autores restantes, sem passar pelo meu crivo. Consequência disto: na altura da Feira do Livro de Lisboa, uma das autoras ficou desolada com o resultado final do seu livro, completamente diferente do que havia ficado estipulado entre mim e ela.

Por muito que os editores não tenham culpa directa no sucedido, eu não podia deixar de lhes apontar o dedo por terem deixado de me enviar os ficheiros para aprovação e compactuarem com a incompetência da equipa de paginadores.

Mas para grandes males, grandes remédios e o ficheiro desse livro foi reformatado e reenviado para impressão correcta.

Sim, estou tremendamente orgulhoso do resultado final da colecção Status Quo. Foram muitas horas de dedicação, de contacto com os autores, de revisão aos textos, de negociação com alguns autores para se chegar ao melhor livro possível, de fazer ponte entre autores e editora, de acompanhar o processo (enquanto me foi permitido), de defender os interesses dos autores junto da editora.

Não, não fiquei completamente satisfeito porque foram muitas horas desperdiçadas a remendar incompetências, muitas horas a rever trabalhos de paginação mal executados, foram muitas horas de conversa desnecessária quando tudo poderia ter sido feito com tranquilidade e em muito menos tempo. Não posso ficar completamente satisfeito quando o objectivo de ter toda a colecção pronta a tempo da Feira do Livro de Lisboa foi por água abaixo porque, vai-se lá saber as razões, uma equipa de paginação decidiu fazer um trabalho de auto-recriação e mais não fez que demonstrar aptidões de incompetência.

No fim de tudo isto, sobra-me a confiança dos editores e dos autores e a experiência. No futuro outras experiências me esperarão, certamente.

MANU DIXIT

domingo, 6 de agosto de 2017

EU FALO DE... EFEMÉRIDE NO TOCA A ESCREVER

O último ano tem sido muito intenso (e interessante) para o blogue TOCA A ESCREVER.

Primeiro foi o início do apoio de dois novos patrocinadores (Chiado Editora e Edições Vieira da Silva), com o contributo de dois livros mensais, de cada chancela.

A seguir, a 1 de Janeiro de 2017, depois de sete anos a divulgar um poema lusófono por dia (de forma ininterrupta) passou-se a publicar dois poemas diários.

No dia 1 de Junho foi a oficialização da parceria com a IN-FINITA e o alargamento da esfera de acção de ambos os projectos, com a criação de páginas em outras plataformas digitais, que vieram permitir uma maior visibilidade à divulgação que fazemos.

No passado dia 1 de Agosto, tendo em conta o aumento substancial de autores interessados em verem os seus livros divulgados por nós, passámos a publicar três poemas diários.

E por tudo isto chegámos à belíssima marca dos 3000 poemas divulgados (mais de 480 autores) em sete anos, oito meses e cinco dias.

Mas não queremos ficar por aqui e vamos continuar este trabalho para que mais autores e editoras se juntem a nós e possamos inclui-los numa próxima efeméride.


MANU DIXIT 

quinta-feira, 27 de julho de 2017

EU FALO DE... A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR


Muito tenho falado da divulgação que faço nos meus blogues e da recente parceria, que tem aumentado a visibilidade e o interesse no projecto TOCA A ESCREVER/IN-FINITA.

Tenho feito, talvez com menor regularidade do que seria justo, alguns agradecimentos, tanto aos autores que colaboram, como às editoras que patrocinam (Editora UniVersus, Edições OZ, Edições Vieira da Silva, Chiado Editora) no entanto há mais gente envolvida e cujo contributo tem sido essencial no crescimento que temos tido.

Também tenho agradecido aos que ultimamente têm colaborado no projecto, desde o início da parceria TOCA A ESCREVER/IN-FINITA, Adriana Mayrink (In-finita, correspondente de autores brasileiros), Julia Mayrinck (In-finita, arte e design) e José Manuel Martins Pedro (correspondente de autores africanos).

E como me prezo, não só da boca para fora, mas também por actos, de prestar o devido reconhecimento a quem o merece, chegou a hora de dar a César o que é de César e alargar o meu agradecimento a todos aqueles que, de forma altruísta e com plena aceitação, permitem que utilize os seus espaços com este propósito de divulgar a lusofonia; falo dos responsáveis/administradores dos diversos grupos de Facebook, onde partilho os textos lusófonos, que, com toda a justiça, passo a mencionar:

MARIA ISABEL RODRIGUES - grupos - Amantes da Poesia; Amigos que gostam de Amantes da Poesia

JOSÉ AFONSO - grupo - Amigos da Poesia

ANA PORTUGAL - grupo - Bloga-me que eu adoro

MARIA JOSÉ LACERDA - grupo - UniVersus dos livros

DANIEL BRAGA - grupo - Leituras e poetas da lusofonia

LUÍS MIGUEL RICARDO - grupo - Leitores em rede

CAROLINE OLIVEIRA - grupo - Eu leio de tudo (projecto author)

ARLETE PIEDADE - grupo - Poetas de todo o mundo

ISIDRO SOUSA - grupos - Letras Lusófonas - Autores Lusófonos - Autores Luso-brasileiros - Poesia Luso-brasileira

MARCO BARRANCOS - grupo - Outros Autores

PEDRO NOBRE – grupo – Ao Encontro da Poesia

MARIA GOMES - grupo - Palavra Cantada

MARIA EUGÉNIA PONTE - grupo - AlenCriativos

ANA COELHO - grupo - Livro Aberto-Rádio Voz de Alenquer

CIDÁLIA VENTURA - grupo - Poiesis

e também ao grupo Poesia do mundo - que não tem administradores e/ou moderadores.

Existem ainda outros, onde esporadicamente divulgo poemas de autores cujos livros pertencem às chancelas ligadas a esses grupos. Não seria ético da minha parte ocupar esses espaços com uma divulgação mais generalizada, sem as devidas autorizações.

Seja como for e porque já devia este reconhecimento público, aqui deixo expresso o meu agradecimento a todas estas pessoas que também têm a sua quota de responsabilidade no crescimento do projecto TOCA A ESCREVER/IN-FINITA. Bem-hajam.

E uma vez mais, deixo a porta aberta a todos aqueles que queiram colaborar no projecto, sejam autores, editores, divulgadores, promotores e organizadores de eventos, livreiros e responsáveis/administradores de outros grupos que se disponibilizem para ajudar na divulgação dos autores lusófonos.


MANU DIXIT