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domingo, 26 de novembro de 2023

Emma Everston (excerto 24) - Ernesto Moamba

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Minutos depois a vítima estava exposta de cabeça para baixo, com as mãos atadas atrás das costas e suspensa por uma corrente presa nos pulsos. A dor tornava-se ainda maior quando, com auxílio de um fio de arame atravessado nas suas gengivas, o perfura lentamente, dente por dente, gengiva por gengiva. E na cabana, seus amigos já estavam há duas horas à sua busca, mas sem sinal ou pista do mesmo.
O medo e o nervosismo maltratavam cada vez mais a vítima que se encontrava, até então, com o rosto rodeado de baratas e ratos que atiçavam maior terror quando porventura pensasse em gritar, quando o assassino passasse o alicate de metal nos seus dentes. Passar a noite deitado era quase impossível, aliás, mesmo se quisesse nem tão pouco pegaria no sono, pois os mistérios de homicídios atingiam o auge de medo.

EM - EMMA EVERSTON, A UNIVERSITÁRIA DA CIDADE DE SANGUE - ERNESTO MOAMBA - IN-FINITA

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Emma Everston (excerto 23) - Ernesto Moamba

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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De tantas injustiças e sofrimento que passavam no meio daquela cidade, para eles a morte pareceu-lhes a melhor opção, uma alternativa de refúgio. Viver cercado de sangue e andar por cima de cadáveres desunidos das suas almas tornava-os imundos, desconhecidos e sem nenhum valor na sociedade. E foi desta forma trágica, lamentável e triste, que os dois agentes da SISE terminaram no alvo daquele inferno.
Algumas horas depois, a companhia já estava deserta e para o agente sortudo, que tinha escapado do assassino, quando escurecesse, depressa o medo lhe roçaria, lentamente, o corpo. Este encontrou-se indefeso, sem nenhuma arma, água ou comida. Poderíamos dizer que as esperanças e o amor pelo trabalho eram as únicas armas que o mantinham ainda vivo. Porque ninguém antes havia entrado e saído com vida naquela floresta.

EM - EMMA EVERSTON, A UNIVERSITÁRIA DA CIDADE DE SANGUE - ERNESTO MOAMBA - IN-FINITA

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Emma Everston (excerto 22) - Ernesto Moamba

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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O seu desaparecimento causava-lhe maior intranquilidade quase todas noites que se lembrava dela. Lunna era uma das amigas mais próximas e confidenciais que a Emma viera conhecer, tanto que ambas andavam sempre juntas. Apesar da distância que as separava, as duas sempre faziam esforço de se encontrar para compartilharem ideais, fofocas e parecer. A Lunna morava a trezentos quilómetros da cidade, num dos bairros mais pobres daquela região, onde a vida era insuportável, devido às inumeráveis dificuldades que lá enfrentavam no seu dia-a-dia. A maioria dos habitantes sobrevivia na base de reciclagem de resíduos sólidos, que eram jogados diariamente, em grandes porções, na sua maioria pelas empresas de extração e pelas famílias das grandes cidades. Fora o que aproveitavam para a venda e consumo, o resto era um caos, uma verdadeira colmeia de lixo que atraia ladrões desocupados, moscas, mosquitos e, para agravar, um celeiro de transmissão de doenças na sociedade.

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sábado, 11 de novembro de 2023

Emma Everston (excerto 21) - Ernesto Moamba

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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No dia seguinte, logo pela manhã, Lunna e seus colegas dirigiram-se à delegacia a fim de prestarem depoimentos sobre o que lhes havia acontecido nos últimos dias, no meio daquela ilha deserta. No final dos depoimentos, o Delegado Habson, também indignado com o sucedido, jurou diante de todos fazer o possível de modo a enviar um dos seus melhores agentes para atalhar o autor desses crimes em série, para que a justiça se fizesse e se cumprisse o prometido por parte desta entidade.
Ainda na conversa, o delegado, analisando cada depoimento referente a todos crimes por eles narrados, afirmou que todos os homicídios registados pareciam seriamente procriados por uma única pessoa, revestida de conduta astuciosa, imbecil e sem compaixão. Disse também que o bandido devia saber todos os passos, planos e a histórias das suas vidas.

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segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Emma Everston (excerto 20) - Ernesto Moamba

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Cinco horas depois de muitos conflitos, por fim fugiram do assassino e percorreram a estrada que ficava a alguns quilómetros da cidade onde residiam.
– Acho que estamos salvos. – afirmou Marily trocando uma garrafa de água para saciarem a sede.
Chegados ao centro da capital, tudo o quanto existia ainda parecia o mesmo. As ruas, as avenidas e os becos insensatos que recolhiam os desabrigados, as casas de tendas e zincos martelados sem plantas, as esquinas mecânicas rodeadas de carros majestosos e furtados, os muros vedados de estacas e pedacinhos de chapas, os cães vadios dos vizinhos, definhados de medo e fome, e nos currais o pivete insuportável de sujeira e fezes de porcos, contentores de lixo descuidados sem nenhum controle e assistência por parte do governo. Tudo isso e mais, continuava na mesma e, apesar das condições, era melhor viver mil vezes nessa cidade do que morar para além daquele inferno da selva violenta.

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quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Emma Everston (excerto 19) - Ernesto Moamba

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Já no interior da cabana, a luminosidade pouco refletia e a sombra da noite era mais negra que a própria escuridão, já havia décadas que nunca haviam passado por algo igual, mas não lhes sobravam nenhumas hipóteses, com medo ou sem medo tinham de redobrar os esforços e manterem-se corajosos para alcançarem o destino a fim de resgatarem a vítima antes do assassino. O chão do corredor era quase invisível e o sangue das presas retocava o local, deixando assim todo ar misturado de odor que provocava vómitos, hemorragia e dores asfixiantes no estômago dos que se encontravam lá dentro presos no local.
– Mas que diabo de gente é esta? – interrogou Marily bafejando vómitos de medo enquanto distanciava-se de dois cadáveres sem cabeça, retalhados e com as pernas transformadas e mergulhadas em sangue. – Vai Marlon, ajude-me a levantar. – disse Marily mergulhada em uma camada de sangue.

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quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Emma Everston (excerto 18) - Ernesto Moamba

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Minutos depois, formados em grupos de três pessoas, resolveram sair pelos arredores da floresta em sua busca. Exceto Lunna que haviam incumbido da missão de ficar de guarda no interior da casa. Já estava escuro, o céu tão pouco emitia luz e o telhado de nuvens aparentava-se meio sombrio, com alguns traços de sangue coberto de névoa. No interior da floresta a escuridão arrepiava até os fios de cabelos e o temor da morte irreversivelmente penetrava nos poros da pele, até aos fundos da carne consumada pelo medo. Percorrer alguns hectares e chegar ao destino sem passar por cima de um cadáver desfigurado era meio impossível, a ilha de Inhaca estava toda cercada de monstros.

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sábado, 21 de outubro de 2023

Emma Everston (excerto 17) - Ernesto Moamba

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Mas o assassino mostrou-se cada vez mais frio, cruel e intensamente covarde. Torturou-a furiosamente, como se não a conhecesse, e de uma forma extremamente selvagem.
– Vadia, pode gritar o quanto quiser, mas hoje você não sairá viva daqui. – confirmou o psicopata do assassino enquanto lhe arrancava a pele com lâmina bem afiada e obrigando-a a engolir como se fosse um porco desamparado e faminto. Cada vez que a lâmina lhe penetrava a carne, mais dor ela sentia ao ponto de implorar que este adiantasse sua morte, pois para a vítima, no momento, a dor era mais forte do que a morte.
Duas horas depois, Emma, farta de tanta tortura, ensanguentada e amortalhada, começou a deixar escorrer pela boca o rubro vicioso das emacias de sangue sobre as curvas da carpete que enfeitava a cabana, onde agora estava refém.

EM - EMMA EVERSTON, A UNIVERSITÁRIA DA CIDADE DE SANGUE - ERNESTO MOAMBA - IN-FINITA

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Emma Everston (excerto 16) - Ernesto Moamba

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Emma, arrumando seus arquivos, deparou-se com uma caixa contendo no seu interior uma fita gravada que tinha guardado aquando da morte de Rosey, no meio daquela ilha monstruosa. Por incrível que pareça, depois de tantas coisas que aconteceram na sua vida, ela já não fazia a mínima ideia da existência deste material.
– Não importa o que lá estiver, tenho de ver em lugar seguro. – disse Emma, para si, enquanto acessava o e-mail para mandar o endereço da sua localização para um dos seus colegas. – Mas que merda, Lunna está sem sinal. – resmungou Emma enviando a mensagem.
Quando terminou, dirigiu-se a uma casa abandonada que se encontrava a cem metros da estrada.
– Tomara que Lunna veja a minha mensagem. – desejou enquanto conectava a fita gravadora no seu dispositivo.

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quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Emma Everston (excerto 15) - Ernesto Moamba

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Chegando em casa Emma sentou-se no sofá e ligou a tv. Cidades de luto, avenidas entristecidas, casas abandonadas e vestígios de sangue por todo lado. As mortes misteriosas já haviam atingido todo o planeta e nos meios de comunicação já estava sendo divulgado como praga. Ligar a tv e não se deparar com nenhum caso que envolvesse suicídio, ou morte por tortura, era totalmente impossível. Em quase toda a mídia só se falava disso. O número de crimes no interior dos bairros já era bastante elevado, tanto que já enjoava e distorcia o governo.
A maioria dos casos estava sem punição e fartos os moradores começavam a virar-se contra a lei, e com razão. Há anos que esta gente vinha suportando, no silêncio, esta dolorosa realidade, sem nada que pudesse fazer. A cidade estava inquieta e a putrefação dos corpos contaminava até os céus.

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sexta-feira, 6 de outubro de 2023

Emma Everston (excerto 14) - Ernesto Moamba

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Um mês depois, numa noite silenciosa, completamente iluminada de estrelas e um céu enfeitado de nuvens que pareciam desenhar nos telhados das casas, Emma caminhava numa das avenidas sangrentas da cidade. As marcas de sangue e os restos de ossos de gente estavam presentes de uma maneira decorativa que, descrevendo, parecia um cemitério que hospedava os mortos.
A cidade estava um inferno e as pessoas eram liquidadas que nem zumbis e furiosamente perseguidas sem motivo. Mas, por incrível que pareça, os agentes da SERNIC, mesmo redobrando os esforços, dificilmente atinavam com alguma prova que pudesse levá-los ao suspeito ou ao autor de todos crimes já denunciados. Apesar dos meios providenciados, e do reforço solicitado no estrangeiro, o assassino mantinha-se rígido, perigoso e profissional. A sua forma e rapidez em agir era como se estivesse ligado a uma rede de informação genética.

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domingo, 1 de outubro de 2023

Emma Everston (excerto 13) - Ernesto Moamba

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Semanas depois, na ausência de Cayson, Emma invadiu clandestinamente o quarto secreto e confrontou-se com um álbum de fotografias de todos seus amigos, inclusive de algumas vítimas assassinadas meses atrás.
– Como é que estas fotografias vieram parar aqui e como as encontrou? – questionou-se Emma.
Oito horas depois, quando o marido voltou para casa, Emma, simpaticamente perguntou:
– Amor, como conseguiu as nossas fotos?
– Mas que fotos, Emma? Do que está falando? – indagou Cayson, num semblante confiante.
– As fotografias no álbum, dentro da sua gaveta. – proferiu Emma.
– Ahh sim, ia te contar. Há dois anos eu trabalhava, para a redação de um jornal, como fotógrafo e editor, e a nossa empresa tinha parceria com algumas universidades, inclusive a Universidade de Oxford, onde foi assinado um contrato nos últimos anos, antes da minha demissão. E estas fotografias foram-me enviadas por um amigo que precisava de ajuda, no que concerne à edição.

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terça-feira, 26 de setembro de 2023

Emma Everston (excerto 12) - Ernesto Moamba

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Quando, depois de muito procurarem, Emma, Vivianne e Marlon encontraram os restos mortais de Rosey, não conseguiram evitar os vómitos.
– Meus Deus quem fez isto com ela?
– Tenham cuidado, o assassino ainda pode estar por perto. – disse Emma, movendo-se em direcção a uma poça de sangue. – Que nojo! – disse silenciosamente enquanto encolhia seu corpo, sem chamar a atenção, para apoderar-se da fita gravadora que avistou e teria sido perdida por alguém. – Isso deve ter alguma coisa importante. – presumiu Emma. – Gente vamos dar fora daqui e avisar a polícia. Este monstro assassino deve ser detido.
Pouco antes de terminar a fala, um ruído assombroso aproximou-se deles como se viesse fazer vingança, e quando perceberam empreenderam a fuga.

EM - EMMA EVERSTON, A UNIVERSITÁRIA DA CIDADE DE SANGUE - ERNESTO MOAMBA - IN-FINITA

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Emma Everston (excerto 11) - Ernesto Moamba

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Uma semana depois, Emma decidiu sair com os seus amigos a fim de se despedirem da ilha, e de um maravilhoso rio onde as suas amigas, Lunna e Andressa, se teriam despido durante as investigações.
Já passava das quinze horas, quando um silêncio ensurdecedor, de repente, tomou conta do local. A medrosa Rosey segurou um canivete e afastou-se do rio.
– Gente! Vamos sair daqui. Algo me diz que estamos correndo perigo. – disse Rosey, num tom de medo, enquanto se distanciava, fugindo para o meio do bosque.
– Meu Deus, tenha calma querida! Ninguém vai fazer-te mal. Não é, pessoal?
– Sim, Emma, acho que ela bebeu demais. – riram todos.
Enquanto gargalhavam, Emma começou a sentir-se mal, como se o seu corpo notificasse algo que posteriormente pudesse acontecer.
– Marlon, Vivianne, por favor vamos atrás dela.

EM - EMMA EVERSTON, A UNIVERSITÁRIA DA CIDADE DE SANGUE - ERNESTO MOAMBA - IN-FINITA

sábado, 16 de setembro de 2023

Emma Everston (excerto 10) - Ernesto Moamba

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Minutos depois, decididamente, retomaram sua viagem, embora, por dentro, Emma sentisse algo estranho. Seu coração batia anormal e era possível ouvir, as melodias dos seus batimentos cardíacos, do lado de fora. Chegando no local, enquanto as meninas retiravam as bagagens do carro, os meninos montavam as tendas para ao cair da noite deitarem seus corpos desordenados pelo cansaço. A ilha estava deserta de gente, fora os restos de ossos humanos, crânios, e outros indícios de sangue encontrados no local. Bem próximo da tenda, as árvores estavam sombrias como se fossem refúgio dos espíritos mórbidos.
O tempo passava e a cada vez que saiam da floresta aconteciam coisas assustadoras entre uma e outra. Percorrer alguns metros pelos arredores da Ilha e não se atropelar nenhum corpo estendido, com marcas de tortura e vermes a viver em pedaços de carne humana, era meio impossível. A terra estava ensopada de sangue, motivo que levava Emma, juntamente com outros estudantes universitários, a começar, amendrontadamente, a suspeitar da existência de um monstro devastador.

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segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Emma Everston (excerto 9) - Ernesto Moamba

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Na mesma semana, apesar da opressão, junto com os seus amigos, teve que partir para a Ilha de Inhaca, uma obscura floresta que se encontrava a mais de vinte quilómetros da cidade onde se encontravam hospedados. Já passava das dezoito horas e a estrada, meio esburacada que estavam a percorrer, ficava cada vez mais cheia de sangue que, misteriosamente, imaginavam escorrer do céu, completamente nublado. As nuvens pouco se movimentavam e a sombra que reflectia sobre o chão parecia retratos de monstros, inclusive as árvores que, tão perto delas, pareciam gente como se estivessem no último lugar da terra. Tudo era tão sinistro, o silêncio intimidava até os parasitas que habitavam seus estômagos.

EM - EMMA EVERSTON, A UNIVERSITÁRIA DA CIDADE DE SANGUE - ERNESTO MOAMBA - IN-FINITA

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

Emma Everston (excerto 8) - Ernesto Moamba

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Nas avenidas, pouca gente passava e os melhores restaurantes da época eram como calabouços da cadeia, a tristeza espalhava-se até nas paredes dos hospitais e as artes marciais tão pouco favoreciam para se resistir e manter a imunidade nesta pandemia. Morar, com alguns animais de estimação, em casa já era minuciosamente escasso, o maldito vírus já se havia alargado em todas as espécies, inclusive, nos nefastos morcegos, um dos pratos mais temidos da gastronomia daquela cidade. Poderia então concluir-se que a cidade estava vivendo um dos piores momentos de sua existência.
Mas não tão piores quanto a extensão da dor, e de milhares de quilómetros de vazio desprendido num dos apartamentos do coração de Emma, com a partida irreversível da sua mãe, considerando que Emma sempre manteve uma relação próxima a seus pais, inclusive com a senhora Dollores, aquando da ausência do seu pai para servir o estado.

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sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Emma Everston (excerto 7) - Ernesto Moamba

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O tempo foi passando e a relação ficou cada vez mais tensa, séria e envolvente. Ambos já começavam a fazer planos para o casamento. Um mês depois, Emma recebeu, por e-mail, uma notícia triste sobre o desaparecimento da sua mãe, a senhora Dolores Calcavellos, vítima de uma pandemia que teria contraído durante a sua visita à capital de Hong Kong, como relata o seu médico particular, Doutor Sílvio Winston. Dizem ainda os cientistas da Faculdade de Medicina de Houston que, apesar de ter tido aviso sobre os supostos sintomas, ela insistiu bravamente em continuar com a viagem que, lamentavelmente, veio a deixá-la em coma numa das melhores clínicas da cidade de Texas. A cidade toda estava consumida e os vírus circulavam de lá para cá, como lobos em busca dos restos de ossos para o consumo, e a humanidade, na sua inocência, por medo da morte, percorria cemitérios até lugares impróprios do mundo.

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sábado, 26 de agosto de 2023

Emma Everston (excerto 6) - Ernesto Moamba

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A cada dia que passava, a cidade tornava-se mais temida e arriscada, tanto pelos visitantes assim como algumas autoridades envolvidas no caso. Semanalmente, o número de ocorrências de morte agravava-se muito, tanto que obrigou o governo local ir em busca de reforço policial, com mais experiência na área da investigação, para darem o seguimento. Enquanto ocorria o processo a sociedade, farta de tanta injustiça, em parceria com alguns sindicatos, resolveu sair às ruas, dividindo-se em avenidas a fim de repudiarem e chamarem atenção das autoridades sobre o assunto em causa. Continuar a morar naquela cidade era um caos, todos os bairros estavam contaminados, quando escurecia os gritos de socorro convertiam-se em pragas, aliás, um verdadeiro ciclone Idae, nenhuma família queria perder mais um ente querido.

EM - EMMA EVERSTON, A UNIVERSITÁRIA DA CIDADE DE SANGUE - ERNESTO MOAMBA - IN-FINITA

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Emma Everston (excerto 5) - Ernesto Moamba

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O silêncio já não parecia silêncio e a escuridão muito mais horripilante. As luzes pouco iluminavam e para quem não reconhecia o inferno... poderia imaginar. Mesmo com temor, Emma continuava sua busca na esperança de encontrar a moça que implorava pela ajuda. A cada passo que dava, os gritos pareciam mais perturbadores, mas a jovem permanecia forte e corajosa ao seu propósito.
No momento, nem o medo, nem os rios de sangue, que escorriam pelos arredores do apartamento do Guest House, intimidavam a jovem, aliás, cada vez que a vítima gritava mais força ela tinha. Já passava da meia-noite, Emma já havia revistado todos os aposentos e só lhe restava um que se encontrava a dez metros do local onde estava posicionada. O medo suprimia seus músculos e o corpo oscilava aceleradamente, a cada passo que dava, na esperança de alcançar o esconderijo.

EM - EMMA EVERSTON, A UNIVERSITÁRIA DA CIDADE DE SANGUE - ERNESTO MOAMBA - IN-FINITA