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quarta-feira, 21 de março de 2018

ADRIANA FALA DE... OLHA-ME COMO QUEM CHOVE


Ler Alice Vieira é transportar-se para perto de uma lareira, onde o crepitar das chamas aquece e ao mesmo tempo, se ultrapassarmos um limite, nos queima. É o sentimento à flor da pele, a poesia despida e transparente. O sentir latente e real, quase que transportado para o concreto. É sentir-se confortável no aconchego de uma leitura sempre bem elaborada, bem escrita, onde as palavras mesmo com lirismo ou metáforas, são palpáveis e simples, que acarinham e despertam, envolvem ou simplesmente contam uma história, em cenas cotidianas, tão comuns a todos nós. Mas com a licença dos deuses concedida a  poucos e Alice Viera tem, de preencher todos os espaços das entrelinhas com a sua alma, que carrega a arte, o belo, o sentir em sua total plenitude e intensidade, apesar da racionalidade e observação prática evidente na suas obras.

Mesmo que a atemporalidade esteja bem presente, as perdas ou ausências, emocionam e somos tocados pelo vazio como se aquele instante também fizesse parte da nossa história, mas logo em seguida, mergulhamos nas profundezas de um estado quase letárgico, tão íntimo e profundo, que sua poesia sempre nos conduz, como se a plenitude fosse o lugar de chegada, o abrigo que buscamos toda a nossa existência, como bálsamos para aliviar as jornadas entre as pedras e abismos de nós. E mesmo que a intenção seja sacudir nossos alicerces, retirar o mofo da mesmice e direcionar os sentidos para o que realmente importa no ser, sentir, vivenciar, aquela sensação de bem estar, após a sua leitura, permanece.

É esse estar à beira mar, com gaivotas deslizando na brisa, em total liberdade e sentidos apurados, na calmaria, do ir e vir das ondas em sinfonia permanente que o ler Alice Vieira, conduz, que nos faz transbordar de contentamento ao apreciar a arte das palavras sempre tão bem-vindas. É como aquele colo que nos envolve, o sorriso que afaga, como a mão amiga que conduz, aquele instante que não volta mais e permanece ecoando na lembrança. Ler Alice Vieira é como o entardecer, seja no verão ou no inverno, com suas cores, cheiros e sabores que ficam bailando no ar.

Foi assim que me descobri em seus poemas e os sigo, há mais de dez anos, quase que guardados em um relicário de sensações e emoções identificadas a cada leitura.

E reencontro-os a cada livro lançado. E não podia ser diferente em OLHA-ME COMO QUEM CHOVE. Talvez um livro de memórias, de instantes e vivências, de distâncias e proximidades, de observações e intensidades, de afetos e partidas, de lembranças , de ecos do passado na celebração da vida presente, do pensar no além daqui, como parte do inevitável, mas vivido tão intensamente que permanece nas marcas do lado de dentro, ou simplesmente um livro de amor, com o que não se pode reter em vida. Mas pode se guardar e levar, na alma.

DRIKKA INQUIT

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

FALA AÍ BRASIL... ADRIANA MAYRINCK

No vácuo do tempo

Percebi em vivência o que significa essa expressão que sempre utilizei de forma literal e do quanto somos vulneráveis aos planejamentos e ações do destino ou acontecimentos cósmicos ou ao acaso, seja o nome que for, de acordo com a filosofia de vida de cada um.

Nunca gostei de planejar ou me perceber a médio ou longo prazo, sempre tive uma certa aversão, de querer me imaginar em um tempo a frente e de tentar controlar os acontecimentos. Após anos resistente e relutando muito para essas determinadas situações, ano passado, confirmei a presença em um evento, meses antes, hospedagem e passagem pagas e a cia aérea, não enviou o ticket de embarque que até hoje não foi encontrado ou justificado. Não compareci, e a confirmação de que planejamento geralmente termina em frustração e decepção.

Teimosa, esse ano, lá fui eu fazer novos planos, a médio prazo, e orgulhosa de que finalmente havia superado esse incômodo na minha vida, segui determinada, passo a passo, contrariando a minha natureza. (Lembrando que 50% do sucesso não dependiam de mim). De início logo nas primeiras semanas, dois projetos foram cancelados e tive que readaptar-me. Outro por insistência dos acontecimentos, foi realizado, mas sem a satisfação e excelência  do que foi idealizado e imaginado.

Por fim, ainda tomei fôlego e insisti. Três meses de empenho, pesquisas, buscas e ao perceber que tudo estava caminhando sem sustos, confirmei novamente a minha presença, nesse mesmo evento, um ano depois. Com as experiências anteriores, tomei todas as providências para seguir tranquilamente na empreitada de obter meu primeiro sucesso em planejamento antecipado. Mas como por ironia ou sina, no último minuto do segundo tempo, houve um erro da operadora de viagens, marcando a data tantas vezes repetida e escrita para 7 dias após a data solicitada. Foi uma semana sem dormir, indignada, tentando resolver de todas as formas a incompetência e descaso alheio. E regida pelo incontrolável, todas as datas de embarque daquela companhia estavam lotadas para os dias que eu precisava. Ultrapassei o limite de toda a minha diplomacia, descontrole e capacidade de negociação, até a conformação de que não era para ser e estar novamente naquele momento. A mesma situação se repetiu. Passagem e hospedagem pagas com antecedência, confirmação da minha presença e estou aqui.

Explicação? Não tenho. Aceitação? Para não perder a minha fé, quis acreditar naquela máxima de que não era para ser.

Fiquei parada no vácuo do tempo.

Corri tanto para deixar tudo organizado, despedi-me da família e amigos, organizei todos os detalhes burocráticos de quem faz uma mudança de vida e de repente... Não embarquei para o destino planejado naquele dia tão esperado.

E a minha vida parou no dia do embarque previsto. Mais uma vez, o senhor dos destinos, mostrou-me que nada se controla, pelo menos, comigo, e não tenho esse poder de fazer com que os acontecimentos se cumpram quando eu quero.

Não vou usar novamente a palavra frustração, mas hoje estou aqui, olhando para o céu e decidida a engolir mais essa, e esperar o próximo vento passar, para embarcar na hora que a vida determinar.

Lembrei  de uma música que sempre repeti, talvez, a melodia tenha ficado registrada no inconsciente, de onde dizem vir os desejos...

“ Deixa a vida me levar...vida leva eu...sou feliz e agradeço por tudo o que Deus me deu”. É, Sr. Zeca Pagodinho, sempre vou repetir esse refrão quando novamente decidir fazer qualquer planejamento.

 E sigo... cantarolando.

DRIKKA INQUIT

quinta-feira, 12 de abril de 2018

ADRIANA FALA DE... IV SARAU IN-FINITA


A vida é feita de pequenos momentos e, são esses, que realmente valem a pena ser vividos e viram retalhos guardados na lembrança ou deixados quietinhos, quase que esquecidos no sótão de nossa história.

Para as manhãs de sábado, um fragmento de apenas uma hora e meia, mas tão intensa na troca de energias e bem estar que nos surpreende a cada dia, após nossos eventos. Criámos essa linha que alinhava os pequenos retalhos, chamado SARAU IN-FINITA, sem expectativas ou direcionamentos, apenas com o intuito de dar espaço para a voz do poeta. E com o tempo, as presenças, as acolhidas, fortaleceram esse fio condutor, e percebemos claramente depois do IV SARAU IN-FINITA/PALÁCIO BALDAYA, aonde queremos chegar: na lembrança daqueles que compartilham esses nossos momentos.

A poesia é o convite, o motivo, a satisfação, a expressão maior. É ela a agulha que tece amizades, acolhe, descobre talentos, divulga autores, incentiva a caminhada, mas há algo maior inerente a nossa vontade, mas que faz toda a diferença: a boa disposição e interesse de todos que reservam seu tempo para expressar, sentir, semear, ou apenas, absorver, ouvir, participar.

Sempre gratos a todos que fazem parte desses pequenos momentos e aos que estão chegando a cada evento: autores, amigos, leitores e curiosos. Nesse em especial, ficámos felizes pela presença de um jovem poeta, João Barnabé, participando de seu primeiro Sarau. E que seja o primeiro entre muitos, aqui, ali, ou acolá, porque como disse, a poesia é o convite.

E vamos seguindo a cada quinze dias, com essas pequenas lembranças. Até breve...

DRIKKA INQUIT

terça-feira, 10 de julho de 2018

ADRIANA FALA DE... O OUTRO LADO DA MOEDA



Naquela época em que não existiam as redes sociais e o disse-me-disse limitava-se apenas aos vizinhos e círculo de amigos, acho que vivíamos com mais tranquilidade e simplicidade na forma de estar. Mas o tempo e o progresso não perdoam e aqui estamos na era digital, propagando o bem e o mal, a verdade e não verdade e ultrapassando todos os limites da boa conduta, diplomacia e educação. Todos somos críticos, analistas, comentadores e perturbadores da paz alheia. Basta uma postagem no facebook e opiniões se dividem, palavras se inflamam, discussões viram quase uma guerra fria. O que era para ser apenas uma opinião pessoal, dissemina-se de uma tal forma, que questiono, entre os meus botões, o que se ganha com isso? Atenção por alguns segundos? Alguma qualificação?

Fiquei estarrecida dias atrás, com a atitude de uma senhora, falando em Propriedade Intelectual, levantando a bandeira de que autores palestrantes não deveria aceitar a participação em eventos sem remuneração, e nem um pouco solidária com o trabalho, boa intenção e desgaste alheio, e nessa fração do tempo, movimentou por algumas horas mais de cem pessoas em torno de suas afirmativas e observações irônicas, sarcásticas e nada contributivas.

Saí do meu país e atravessei o oceano para perceber que quando o assunto é literatura, poesia, cultura, estamos com as mesmas dificuldades em conseguir patrocínios para realizar eventos, feiras, festivais, encontros, enfim… não há dinheiro para o fomento e divulgação, principalmente da Poesia. Nós, os corajosos que acreditamos e criamos essas movimentações literárias, sabemos o quanto é desgastante e desafiante fazer acontecer. Contamos com o apoio, a boa vontade, a simpatia e o desejo de agregar e contribuir, de um espaço, de um palestrante, de profissionais que abracem a causa, pois se pensarmos em retorno financeiro, a maior parte dos eventos não aconteceria.

Por isso, em resposta a essa senhora, que foi convidada por mim, indicada por uma pessoa de extrema reputação e conceituadíssima no mercado literário, e ao negar a participação em um evento que apoio e visto a camisa pela iniciativa, não satisfeita em se limitar a negativa, tentou denegrir o trabalho alheio. Se conhecesse a realizadora e todo o talento, entusiasmo e ideal nos seus vinte e um anos, ficaria em silêncio, remoendo seus pensamentos sem atacar da forma injusta como o fez, sem direito a resposta. Apenas lamento a pobreza de espírito. E celebro a arte dos encontros e agradeço imensamente a tantos autores que ainda acreditam que o dinheiro e o reconhecimento sempre chegam por outras vias, para quem tem talento, competência e arte, e que podem contribuir de acordo com suas agendas e disponibilidade, participando desses eventos que tanto enriquecem e divulgam a nossa língua portuguesa.

E quanto à propriedade intelectual, acho que se temos algo de bom para contribuir com a arte ou a cultura, não devemos comercializá-lo em troca de moeda. Todos nós precisamos de dinheiro para viver e, para a  grande maioria, é através do trabalho e das nossas competências. Tudo na vida tem um preço e cada um tem um objetivo e uma forma de ser e estar. Concordo que todos os trabalhos deveriam ser remunerados, mas existem diversas formas de contrapartida e possibilidades de um retorno pelo tempo despendido, pelo talento e obra, se não puder ser financeiro, sempre há ganhos e realização pessoal, de uma forma ou de outra. O importante é divulgar o que enaltece e não denegrir e subestimar o trabalho, ideal e esforço daqueles que apesar de todas as dificuldades, conseguem realizar.

Não entrei na discussão, resolvi escrever esse texto.

E é claro, fui bloqueada.

DRIKKA INQUIT

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

ADRIANA FALA DE... CABEÇA DE ANTÍGONA EM LISBOA


A poesia que sai do fundo das entranhas, rasgando e tomando conta de todos os espaços, pura, crua, dura e intensa, como tudo que vem ao mundo para fazer a diferença, é assim que nos encontramos com mais essa preciosidade vinda da Patrícia Porto. As palavras bem elaboradas que brotam da alma da autora, com cheiro de terra molhada, às vezes com ventos fortes, são a representatividade de uma vida de luta renhida, incansável, poética que a autora expõe a coração aberto e por muitas vezes, sangrando, nas páginas de CABEÇA DE ANTÍGONA. Um livro tão bem cuidado, desde a capa até a última palavra, que dá vontade de deixá-lo voando no vento, espalhado ao alcance de todos, para que mãos, corações e almas sintam-se acarinhadas pela arte da escrita.

E no que está ao meu alcance, tenho feito esse movimento, como assessora literária da autora, tento espalhar alguns poemas de CABEÇA DE ANTÍGONA, nos  saraus promovidos pela In-Finita em Parceria com o Palácio Baldaya em Lisboa, um projeto para dar voz aos poetas, divulgar e conectar Brasil e Portugal e atrair leitores. Os poemas ora lidos por mim, com sotaque brasileiro, ou com sotaque luso, lidos por Emanuel Lomelino, sempre causam alguma reação. E são essas reações tão positivas por parte daqueles que nos acolhem, que sei que estamos no caminho certo. CABEÇA DE ANTÍGONA, está em Lisboa, encontra-se acessível a todos que frequentam a Biblioteca do Palácio Baldaya, faz parte da feira literária que acontece nos eventos IN-FINITA/PALÁCIO BALDAYA, em dois sábados por mês. Faz parte do TOCA E ESCREVER, com 12 poemas circulando nas redes sociais por 4 meses a partir de março, com link direcionado à autora, e segue com outras ações em breve divulgadas.

Patrícia é essa mola propulsora que de imediato enviou os livros para divulgação em Lisboa e abraçou o projeto com a força da mulher nodestina, que lhe é característica, o talento nato que transporta para seus livros, resenhas, crônicas e poemas, sempre divulgados na páginas do facebook e blogue LITERAMARGENS e a habilidade profissional e pessoal adquiridos nos anos de vivências cariocas. Demos as mãos e seguimos o caminho dos nossos ideais e desejos de fomentar a literatura e através dela educar, despertar, conectar e divulgar. Fazemos o nosso melhor, acreditamos nesse contributo necessário, pequeno mas significativo, para que, de forma continuada, esse nosso ir e vir agregue mais e mais autores e leitores junto a nós.

DRIKKA INQUIT

sexta-feira, 14 de julho de 2017

ADRIANA FALA DE... KYRIE

Abrir as páginas do Kyrie, é como se os cantos gregorianos começassem a soar por nossa alma, antes mesmo de aprofundarmo-nos na leitura de cada poema. Uma leitura não muito fácil, pois é pontuada por algumas palavras que remetem a liturgia católica e outras em latim. E mexe com o oculto, a teologia, a filosofia que carregamos na história de nossas vidas.

Mas esse tom, que vem do sagrado e que percorre cada poema, que mistura-se com o profano em  versos cadenciados e bem elaborados fica explícito na arte da boa escrita. É como uma obra de arte, para apreciar, sentir, aprofundar-se. A relação do autor com ele mesmo, com a natureza, com a vida, fica bem pontuada, com ritmo e forma. Pura poesia, daquelas que vem das origens da escrita, revestidas por metáforas e signos.
Percebe-se o cuidado de Paulo de Carvalho,em fugir do conceito religioso, atendo-se a algo muito maior do que a religião, com simbolismos e uma linguagem peculiar, as vivências e reflexões que todo nós em algum momento de nossas existências, deparamo-nos. O existir de uma força maior e todos os questionamentos que nos envolve a partir disso, no mais íntimo de nosso ser.

Kyrie da primeira até a última página, nos leva para essa reflexão e indagação, e a uma introspecção, não só conduzida pela alma do poeta , mas também nós leitores, seguimos por esses caminhos, ao nos identificarmos com esse duo que carregamos desde os primórdios tempos:

A essência divina que é a chama que nos move, rege e de algum modo orienta, e o outro lado, concreto, material,  que nos faz tão mundanos, imperfeitos e únicos.

Um abraço tropical
Adriana Mayrinck

DRIKKA INQUIT

sexta-feira, 9 de março de 2018

ADRIANA FALA DE... CONEXÕES ATLÂNTICAS


Uma ideia, um passo, um encontro, um livro.

E após quase cinco meses de elaboração, contatos e parcerias, CONEXÕES ATLÂNTICAS concretiza-se numa antologia, a primeira ferramenta de um projeto que vai além dos impressos.

Dar voz aos poetas que estão do outro lado do Atlântico e representá-los de uma forma mais ampla, em saraus, feiras literárias, organizados pela IN-FINITA em Lisboa, deixar que seus poemas sejam lidos por frequentadores de bibliotecas, divulgar o autor , sua trajetória e obra, trazendo para mais perto de outros autores, e também chamar a atenção dos leitores, numa conexão, entre Brasil e Portugal, é o objetivo principal do projeto, em ações continuadas e permanentes.

E com imensa alegria, como sempre, ultrapassando pequenos entraves, apresento uma ideia que deu certo pela adesão imediata dos parceiros e dos autores contatados. Numa reunião, em Lisboa, com Edson Mendes, secretário geral da UBE-União Brasileira de Escritores, vindo por solicitação de Alexandre Santos, presidente, e Taciana Valença, diretora social, da qual sou representante em Portugal, e queridos amigos, apoiadores e incentivadores nessa ponte para divulgação da lusofonia.

Edson, na reunião com a IN-FINITA, abraçou com alegria o projeto CONEXÕES ATLÂNTICAS e ao chegar no Brasil foi um incansável parceiro no convite aos poetas e com excelente resultado. O meu muito obrigada.

Agradeço aos poetas que embarcaram no CONEXÕES ATLÂNTICAS e foram extremamente solícitos em todos os pedidos de material para divulgação e envio dos poemas : Abigail Souza; Adélia Maria Woellner; Ana Maria Alves; Ana Maria Lopes; Ana Paula Sobrinho, Anapuena Havena; Andréa Motta; Artur Esteves; Auzeh Freitas; Bárbara Fernanda Cunha de Abreu; Bárbara Lia; Cassia Cassitas; Cosme Rogério; Cristina Lebre; Edir Meirelles; Edson Amaro de Souza; Edson Mendes; Emmanuel Almeida; Estevão Machado; Fernando Matos; Frederico Spencer; Gesilda Medeiros; Ivanilton Fatumby Tristão; Jacinto Terto; João Marques; Jorge Santos; José Alexandre Saraiva; José Galvão; José Luiz Mélo; Josessandro Andrade; Juçara Valverde; Jullie Veiga; Lígia Sávio; Lília Souza; Luiz Otávio Oliani; Marcia Barroca; Márcio Souza; Maria Helena Latini; Maria Marlene; Marília Santos; Newton Messias; Nic Cardeal; Paulo Gervais; Petrucia Camelo; Rô Martins; Salete Aguiar; Sidney França; Sílvia Schmidt; Taciana Valença; Vanessa Ratton; Vanize Claussen; Virgínia Finzetto; Wagner Martins; Zelita Rocha.


Nossa antologia está prestes a sair, e em breve será anunciado o dia do lançamento e demais ações, enquanto isso, mostramos em nossas páginas os autores que embarcaram nessa viagem
... acompanhe-nos.

E brevemente poetas lusos em terras tropicais...

DRIKKA INQUIT

Acompanhem, curtam e divulguem o projeto através deste link

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

ADRIANA FALA DE... CONEXÕES ATLÂNTICAS

Nas minhas andanças por entre autores e leitores durante tantos anos de Brasil, fiz uma recolha do que observava e ouvia e a necessidade de dar um primeiro passo no contributo de um projeto, um ação, ou uma ideia, em que pudesse dar voz aos autores tanto do lado de lá, quanto do lado de cá, do oceano. Após aterrar em Lisboa, surgiu CONEXÕES ATLÂNTICAS, um projeto organizado pela In-Finita para assessoria literária com apoio do Toca a Escrever, e UBE União Brasileira de Escritores - Recife, para dar voz aos poetas brasileiros em Portugal,  E quem sabe, a médio prazo, fazer o caminho inverso. A iniciativa é para a união dos autores em projetos acessíveis a todos, como antologias para divulgação, participação de feiras, saraus, eventos e em nossas redes sociais.

Um desafio, uma responsabilidade, um passo. Ancorei a nau em Portugal, de imediato Patrícia Porto (Niterói-RJ), Bárbara Lia(Paraná) e Cristina Lebre  (Niterói-RJ), embarcaram nessa viagem. Recebi  11 livros CABEÇA DE ANTÍGONA da Patrícia Porto . a primeira ação, foi ler suas poesias no I SARAU POÉTICO In-Finita/ Palácio Baldaya, no último dia 03 de fevereiro e doar um exemplar para a Biblioteca do Palácio Baldaya, estabelecido em Benfica, Lisboa. Cristina Lebre, veio nos visitar, trazendo na mala OLHOS DE LINCE e MARCA DÁGUA, e também foi uma das autoras lidas no SARAU. Bárbara Lia, em breve, estará em terras lusas, lançando seu livro de poesias RESPIRAR. Depois embarcaram JackMichel composto por duas escritoras e irmãs de  Belém, Jaqueline e Micheline Ramos, com os livros de poesia e prosa a caminho. Sempre com a TOCA A ESCREVER como ferramenta de apoio e divulgação.

Para atingir o maior número de autores e fortalecer o projeto, sem perder a ideologia e a visão de mercado, com baixos custos, acessibilidade e dar voz à escrita poética daqueles que estão longe, surgiu a ANTOLOGIA CONEXÕES ATLÂNTICAS, que tem lançamento previsto para março, mas que a partir da segunda quinzena de fevereiro começa a mostrar os poetas participantes. De imediato foi abraçado por EDSON MENDES, secretário geral da UBE-União Brasileira de Escritores-Recife, em viagem de poucos dias a Lisboa, levando o projeto para   ALEXANDRE SANTOS (presidente), TACIANA VALENÇA (diretora social), que firmaram a parceria e apoio.

A In-Finita, marca presença com uma visão diferenciada de mercado. Como prestadora de serviços, sempre visando contribuir com assertividade as ações de divulgação e fomento da literatura e lusofonia, para que sejam bem representadas, de forma profissional, consciente e justa para aqueles que exercem a arte da escrita, seus seguidores e leitores.


DRIKKA INQUIT

sexta-feira, 11 de maio de 2018

ADRIANA FALA DE... A INATINGÍVEL CURVA DA MIRAGEM


Capa provisória

A aridez da criação, o ser poético no caminho inverso de si mesmo, e todos os significados que interceptam, esgotam e sobrepõem-se ao criador, e no paralelo de todas as contradições, a abundância dos sentidos e percepções. O fio condutor que em metáforas, direciona o despertar mesmo que na ausência do que faz sentido. Breu, luz e sombras, na caverna obscura do que se oculta, mas está lá, espreitando e aguardando o chamamento, mesmo que nos ecos silenciosos da mente criativa. Um peregrino de si mesmo, que arde até a sua total ebulição e retorna - fluídico. E usa a alquimia dos elementos (in)existentes para expor com audácia e irreverência a necessidade de uma nova movimentação, desfaz-se  em outro momento, despindo-se das marcadas doloridas de uma vivência desértica  e quer sorver as docilidades das miragens que o acompanham nessa travessia de redescobertas de si mesmo: o oásis inatingível . Elos invisíveis. Explosões dos desejos e nostalgias. Os extremos que levam-nos à descrença e à esperança. Os mitos e musas. A sede insaciável. A dor que dilacera. O êxtase que leva ao delírio. A insanidade e a coerência intrínseca. A palavra que transforma-se, nua, bruta, crua. O poeta que lapida, retém, sorve,transborda. Sem limitações, tudo é possível na arte da criação. Nos atalhados do lado de dentro, nas inspirações, iluminações que desfazem o engano envolvido por ecos e medos das amarras que sufocam a necessidade de ultrapassar todos os limites e em um grito mudo e sentido, liberta-se de si mesmo e segue faminto na eterna (im)permanência do processo criativo. A INATINGÍVEL CURVA DA MIRAGEM é essa fonte, que seduz, perturba, convida e inebria.

Paulo de Carvalho, em seu  terceiro livro, ultrapassa o intransponível ,na arte da escrita e na lapidação da palavra, com toda a harmonia dos sons que compõem as palavras e na busca estética das descrições utilizadas nas imagens figurativas da linguagem.

Em breve, lançamento por ARMAZÉM DE QUIQUILHARIAS E UTOPIAS

DRIKKA INQUIT

segunda-feira, 19 de março de 2018

ADRIANA FALA DE... I TERTÚLIA IN-FINITA/PALÁCIO BALDAYA


Após uma semana de ventos e chuva forte, sábado, amanheceu com sol, contrariando todas as previsões do tempo. Foi nesse clima que aconteceu a I TERTÚLIA IN-FINITA/PALÁCIO BALDAYA, com o Tema MÚLTIPLAS VOZES e os autores convidados, MARIA ANTONIETA OLIVEIRA e VÍTOR COSTEIRA, iluminaram ainda mais, com talento, simpatia, poesia e uma boa conversa que cativou e envolveu a todos que ali estavam.

Maria Antonieta e Vítor aqueceram essa manhã fria de inverno, com assuntos pontuais, interagindo com o público e pontuando com maestria e excelência, o que para nós, representa uma Tertúlia. Só temos que agradecer a imediata disponibilidade e carinho com que responderam ao nosso convite, além de toda a divulgação.

Para  resumir, transcrevo o comentário do Carlos Arinto, também autor, que me chegou através da nossa página do facebook:

1. As redes sociais não merecem a importância que se lhes quer atribuir.
2. Não percebi o que é o erotismo.
3. Sou do tempo dos livros "proibidos". Talvez esteja na altura de regressarmos ao passado.
4. As diferenças entre "homem-mulher" não me impressionam, nem percebo o que é isso do dia.... Das pessoas. São todos os dias.
5. Que o Homem é naturalmente mau, sabia. Obrigado Vítor Costeira. Foi a religião e a Igreja que edificou assim o homem.(e a mulher) 
6. Acompanhei o Mário Viegas em muitos recitais em que ele declamava o folheto de instruções da máquina de lavar roupa. Nada de novo.
7. Parabéns a todos os participantes. Nota: excelente.

E nessa caminhada, com flores e alguns espinhos, pois se tratando de produção, alguns detalhes ficam àquem ao desejado, por mais que estejamos precavidos, recebendo o apoio e incentivo de todos, mais uma vez, só temos que agradecer a receptividade e presença dos autores e poetas e também dos amigos e leitores que prestigiaram I TERTÚLIA IN-FINITA/PALÁCIO BALDAYA, é o que nos alimenta e estimula a seguir em frente, na certeza do caminho certo.

Aos autores que deixam seus livros disponíveis para a nossa doação para a Biblioteca BALDAYA, o nosso muito obrigado. Um contributo para o nosso projeto desde o primeiro dia, que tem como missão, dar voz e divulgar autores, permitindo o acesso a todos que se interessam por literatura, principalmente poesia.

Seja nos saraus, tertúlias ou demais eventos, temos um cantinho disponível para uma mini-feira, onde as obras ficam expostas e disponíveis para quem quiser adquirir, diretamente com o autor.

Os eventos, sempre aos sábados, a cada quinze dias, de 11:00 às 12:30, acontecem no horário determinado e com rigor.  A IN-FINITA (Adriana  Mayrinck e Emanuel Lomelino) tem sempre o cuidado em manter essa  marca, que já acontecia, em demais eventos realizados individualmente por cada um de nós.

E vamos seguindo para o III SARAU IN-FINITA/PALÁCIO BALDAYA, no dia 24 de março, em celebração ao dia internacional da mulher e ao dia internacional da poesia. Todos convidados!

Lembrando que a inscrição para declamação ou leitura é feita por ordem de chegada e encerra pontualmente às 11:00, início do evento. Nossa divulgação é feita com duas semanas de antecedência, em nossas páginas e grupos nas redes sociais.

DRIKKA INQUIT

sábado, 3 de fevereiro de 2018

ADRIANA FALA DE... FALTA DE INTERPRETAÇÃO

Falta de interpretação. Um sintoma crescente nas redes sociais.


Acompanhei o surgimento da internet e das redes sociais quase no final da minha adolescência. Em todo o meu tempo de formação, escolar e de vida, fui orientada a ler e interpretar, sempre. E hoje, deparo-me com tantas situações explícitas em que, com apenas uma leitura mais atenta, tudo é esclarecido, mas as pessoas fazem comentários tão despropositados que me remete ao olhar inquisidor de uma professora nas minhas aulas de português, com sua caneta vermelha ativa, onde éramos cobrados a interpretar textos. (E nem vou comentar outros assuntos, relacionados à mal escrita, que se disseminam nesta era digital). Se fosse a geração que cresceu na era copia e cola, até poderia compreender, embora não aceite, a dificuldade de percepção. Mas ao se tratar de autores, senhores da escrita e pessoas habituadas ao universo literário, fica difícil entender tamanha dificuldade. Só posso creditar esse fato à rapidez em que inserimos a nossa vida e nossos pensamentos nesse tempo digital, onde os segundos passam a toda a velocidade e que as  postagens e respostas devem seguir o mesmo percurso, sem tempo de análise. Demorei a ser adepta desse novo jeito de viver mas por necessidade de manter contato com amigos distantes e depois por ser uma útil ferramenta do meu trabalho, um pouco reticente e resistente a esse fenômeno que nos torna dependentes, e expostos, mesmo que se tenha cuidado em manter a privacidade pessoal, sucumbi a esse apelo da modernidade. Mas ainda caminho entre a cruz e a espada, questionando, observando, analisando e por que não criticando, aqui com os meus botões, essa necessidade cotidiana da humanidade estar conectada ao facebook, instagram e twitter, entre outros, correndo o risco de perder, aquela pessoa próxima que faz aniversário, uma postagem interessante ou evento que passou despercebido. Sou depende por necessidade, e a experiência de ter ficado uma semana inativa me fez sentir um peixe fora d'água e ainda perder alguns contatos, e percebi o quão exigente e mediático é esse nosso espaço virtual. Apesar de continuar em defesa do tempo off line, do café quente, um bom papo e olho no olho, desejo que o tempo siga no seu fluxo e que as pessoas adequem-se a ele, também nessa era instantânea, no mínimo, lendo, interpretando, para depois responder com coerência e assertividade, contribuindo para a continuidade de uma linguagem correta, que só faz enriquecer a nossa tão especial língua portuguesa.

DRIKKA INQUIT

terça-feira, 27 de março de 2018

ADRIANA FALA DE... PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS IN-FINITA



Por experiência pessoal, por ideologia, por utopia, por ideal, busquei fazer do meu trabalho, um caminho inverso do que o mercado geralmente pratica. Foram inúmeros eventos que aconteceram com apoios, parcerias e patrocínios, sempre no propósito de promover e divulgar a arte, a obra, o autor, seja na literatura, música, artes plásticas ou demais segmentos, sem receber nada por isso, e se não paguei cachês, todos os envolvidos de forma direta ou indireta tiveram benefícios.

E nesse caminho, abrindo mão de retorno financeiro por meu trabalho, sempre viabilizei os meus projetos. Produtora cultural não vive de vento, e eu não faço parte do seleto grupo que sabe fazer de um artista uma mina de ouro, sem hipocrisia, acredito num outro sentido para a forma de se trabalhar a cultura e a arte, enfim, em paralelo, dedicava meu tempo a outros trabalhos que pagavam as minhas despesas, e com isso, fui adiando alguns projetos e sonhos.

Chegando a Lisboa, não poderia ser diferente. Mas resolvi correr todos os riscos e me dedicar integralmente e exclusivamente ao meu projeto e ao meu sonho, por tantas vezes adiado. Eu e o Emanuel Lomelino pensamos e agimos da mesma forma e, com isso, a nossa parceria e sociedade sempre teve um alicerce sólido e intransponível, no que acreditamos ser justo e acessível para todos.

A In-FINITA é uma prestadora de serviços e produção de eventos, e direcionamos para a área literária e, mesmo que façamos a produção de livros, com o intuito de facilitar a elaboração de uma obra, não temos a disponibilidade financeira e nem os recursos de uma editora, por isso, criamos um projeto diferenciado, para fazer acontecer, contando com o nosso profissionalismo, conhecimento, disposição e dedicação e a compreensão e incentivo dos autores.

Prestamos também serviços para as editoras e somos profissionais o suficiente, para não misturarmos as estações, pois o que é de César é de César, e assim, dormimos tranquilos e seguimos firmes com os nossos princípios éticos.

Tudo isso é para dizer que, embora muitos não compreendam, haja críticas ou desistências, fazemos o que acreditamos, baseados em pesquisa e muitas conversas para adequar custo/benefício, certos de por mais diferente que possa ser, e mesmo que seja preciso muita transpiração e algum tempo, os projetos acontecem, exatamente como queremos e idealizamos, pois é essa a mola propulsora que nos dá energia e força fazendo com que cada desafio seja superado, construindo o nosso espaço na vida daqueles que chegam até nós.

DRIKKA INQUIT

terça-feira, 3 de outubro de 2017

FALA AÍ BRASIL... ADRIANA MAYRINCK

Impressões cotidianas I

Mergulho no caos urbano, em um dia de chuva. Alagamentos e trânsito congestionado. Rostos retraídos passando pelo para-brisas, onde perdem entre buzinas e impaciências o tempo da vida. O taxista, senhor de setenta anos, esconde todo tipo de dor, com a sabedoria dos anos vividos. E aqueles que esperam o ônibus lotado que não vem, o trabalho que telefona impaciente pela falta do funcionário, a ambulância que para sem ter para onde ir, na sua urgência ...e vidas que se vão. A polícia que insiste na sirene, tumultuando o ar quase irrespirável. Lixo boiando, esgotos rompidos, rostos tensos e irritados. E aqueles que jogaram o papel no chão nos dias de sol...pisam agora enlameados pela cegueira da ignorância, amaldiçoando a chuva. E seguimos usando máscaras, para esconder que ainda consideramos a todos parte da família SER-HUMANO. As pessoas tornaram-se ecos de reclamação. Estou aqui, presa no caos, após amanhecer acreditando ter um dia melhor que o anterior. E pergunto-me qual o sentido de tudo isso? A chuva incessante não dá trégua. Penso nos moradores de rua, naqueles que vivem à margem da dignidade. Penso na violência calada desses que usam os transportes como arma de agressão. Para justificar desequilíbrios nos dia de chuva ou calor. O governador deve estar dormindo. O prefeito viajou. E os responsáveis pelo trânsito, bem abrigados fingindo que nada acontece. E nós? Eleitores, trabalhadores, cidadãos conscientes? Que lugar nos pertence? Somos obrigados a viver em cárcere, aprisionados pela nossa própria impotência e incapacidade de coordenar nosso cotidiano. E achar normal o "deixar para lá". As horas passam, mas a vida paralisou na angustia, revolta e insatisfação de não sermos nada, no meio das nossas escolhas erradas, quando acreditamos que naquela eleição as coisas iriam mudar. E que a humanidade tem salvação. Mas eu ainda espero por um dia diferente. Quero o meu direito de ir e vir, livremente. Quero passar por sorrisos leves. 

Caminhar por entre gentilezas e educação. Utopia? Espero que não...

Mas hoje ainda olho para o céu, e respiro fundo abafando meu grito de indignação.


DRIKKA INQUIT

domingo, 2 de julho de 2017

ADRIANA FALA DE... ABRIL SITIADO



As andanças e navegações pelas águas da literatura são infinitas e atemporais.

Rios que desaguam em oceanos infindáveis de prosa e rima, poças que retêm o real/imaginário do poeta e do que quis ocultar, mas que se revela, sutilmente no deslizar pelas entrelinhas.

O prazer de mergulhar nesse universo tão amplo, particular e ao mesmo tempo exposto da alma de quem escreve, é para mim, uma satisfação que chega ao extremo da admiração e embevecimento pela arte de unir letras.

E O TOCA A ESCREVER, desperta isso na gente. Aquele momento do dia que surge do espaço virtual, o colírio, o arco-íris, o bálsamo que por instantes, nos tira um pouco os pés do chão, e faz flutuar nas vivências de cada um que aqui se mostra.

A vontade de colecionar palavras que nos identificam , comprar  livros e guardar na estante e no nosso banco de memórias, folhear, sentir o cheiro e abraçar aquele que despertou em nós os sentidos semelhantes, ou nos fizeram repensar, é um momento tão especial, como o inicio de um namoro, cheio de descobertas.

E de alguma maneira, a poesia nunca se faz indiferente. É uma via de mão dupla, mesmo que olhares e palavras nunca se encontrem.

O poeta e o leitor comungam, no mesmo espaço do tempo, de afinidades.

E é por causa delas, que estou aqui, apresentando Frederico Spencer e seu livro Abril 
Sitiado, recém chegado a Biblioteca do TOCA A ESCREVER, agora, com a contribuição mais assídua dos poetas brasileiros.

Um poeta contemporâneo, autêntico e que deixa sua marca no tempo, ao cantar o amor e suas contradições, expressando nas paisagens da sua terra natal, o Recife, o sentimento de adoração, e com talento e sutileza, nos conduz para assuntos do cotidiano revestidos de lirismo.
Acompanhe-nos.

Um abraço tropical,
Adriana Mayrinck

DRIKKA INQUIT


domingo, 15 de outubro de 2017

ADRIANA FALA DE... CABEÇA DE ANTÍGONA

"Humilhação, exclusão e exílio matam. Sentir-se ferida na sua honra mata. Sentir-se duramente injustiçada, envergonhada - mata. É procurar em vão o direito perdido de viver no próprio corpo politico, o usurpado. Aos poucos eu vejo uma luz ainda que turva, ela vem do fundo do meu poço. Vou tateando aqui e ali num passo lunar de cada vez. Um slow motion de sensações redescobertas, como quem volta de um longo coma induzido. Este livro é uma celebração à vida depois da morte."
Patrícia Porto in Cabeça de Antígona

Patrícia Porto, é uma das autoras e sem duvida, ser humano  que admiro e tenho imenso carinho não só pela genialidade em que faz uso das palavras, em uma dança cadenciada, criativa, única e sempre com pinceladas de sarcasmo, ironia, rebeldia, dor, entusiasmo, coragem, humor e possui a habilidade extraordinária de estar em cada texto de forma tão iternsa e particular, que leva o leitor para viagens tão profundas, que sempre regressa transformado de alguma maneira, seja em uma forma diferenciada de olhar o mundo ou de perceber-se a si mesmo. Patícia tem esse dom, de transformar e envolver seja na escrita ou na palavra dita, o universo daqueles que gravitam ao seu redor, como leitores e ou amigos.

Não pude deixar de registrar e divulgar mais esse momento enriquecedor para nós , leitores e fãs, com o Lançamento em 18 de outubro em Niteroi, Rio de Janeiro de mais uma preciosidade que preenche a alma e nos faz despertar para um outro mundo.

Transcrevo as palavras da Editora Reformatório que sintetisa, em poucas palavras e com maestria essa obra de arte que está por vir:

"Cabeça de Antígona", de Patricia Porto que, segundo Délcio Teobaldo na apresentação do livro, "possui o manejo, tem as mãos adestradas ao ofício, mas chuta as panelas, rasga a nesga da saia a navalha, aumenta a chama a ponto de incendeio, erra a pitada do tempero. Por isso, quando me pediu que escrevesse uma orelha para este livro, reagi com ironia: “Ora, ora, Patrícia... Não te farei apenas a orelha. Te faço escuta”. Sonora escuta, porque os poemas de “Cabeça de Antígona” como, aliás, toda a poética de Patrícia Porto é de uma musicalidade que beira ao absurdo. Provoca desvario. Então, não se surpreendam que, cabocla e maliciosamente, sua Antígona se assemelhe a uma ribeirinha ancuda terçando um coco, um tambor de Mina, um samba de roda. Assim ela põe Antígona e Ogum no mesmo terreiro, e no ritmo alucinante da música! (leiam Patrícia Porto em voz alta, por favor!) "



DRIKKA INQUIT