sábado, 5 de junho de 2021

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS... ARLINDO ANDRADE

Agradecemos ao autor ARLINDO ANDRADE pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - O que entrega de si, enquanto pessoa, na hora de escrever?

Ponho-me naquilo que escrevo, especialmente a minha inteligência e sensibilidade.

2 - Criar textos é uma necessidade ou um passatempo?

A escrita é para mim uma forma de intervenção. E, como a intervenção social e política são para mim um ato de cidadania, escrever ou criar textos acaba por ser, no que me diz respeito, uma necessidade.

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

A espontaneidade, embora assente em valores e critérios presentes no juízo que faço dos acontecimentos sobre os quais entendo que devo escrever.

4 - Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

Sendo para mim a escrita um ato espontâneo, sinto-me mais confortável na poesia, que me surge naturalmente. Porém, escrever um texto, também o faço com prazer.

5 - Que mensagens existem naquilo que escreve?

As mensagens que o juízo que faço sobre as coisas da vida me provocam. As coisas da vida são muitas vezes questões de ordem social, a promoção da nossa cultura, a beleza do nosso país, a emigração e a solidariedade das nossas gentes.

6 - Quais as suas referências literárias?

Não sou propriamente um seguidista, mas revejo-me, por exemplo, em Germano de Almeida.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras e autores?

A meu ver a credibilidade dos próprios autores é um fator essencial.

8 - O que concretizou e o que ainda quer alcançar no universo da escrita?

Sinto-me um privilegiado por ter publicado dois livros de poesia. Por agora, não tenho projectos definidos. O meu objetivo é dar resposta aos apelos do mundo que me rodeia.

9 - Porque participa em trabalhos colectivos?

Pela maior divulgação que proporcionam e pelo contacto/convívio com outros autores.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Qual deveria ser a prioridade daqueles que governam os povos?

Que invistam no desenvolvimento das pessoas, sobretudo, na educação.

DEZ PERGUNTAS MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL... SANDRA RAMOS

Agradecemos à autora SANDRA RAMOS pela disponibilidade em responder ao nosso questionário


1 - Poesia, prosa ou conto, porquê?

 

Poesia, prosa ou conto… “escrever” num grito endurecido pela vida através de um eco surdo que se faz ouvir na alma de quem ama a escrita e se deixa embalar pelo cognitivo. Um artista que vive a sua Arte na leveza e convicção da entrega, em que as palavras voam/dançam entre si e contam histórias, que quando lidas…tornam-se memórias.

 

2 - Quase um ano de pandemia, o que mudou na sua rotina, enquanto autora?

 

Vesti-me de palavras corajosas quando o coração desvaneceu. Quando quis abrir a porta em direção ao Mundo e entendi que a batalha contra o inimigo volátil não o permitia, apanhei flores, corri e saltei de mãos dadas com a minha única Filha e…aprendi a ser Feliz na Liberdade resgatada, na enfermidade e na ausência dos afetos. Durante esse tempo, após um dia de trabalho e concluídas as rotinas diárias, fui esvaziando – pouco a pouco – as gavetas da minha Alma. O tempo, essa entidade soberana, fez-me ver que havia chegado o momento de esvaziar a gaveta da melancolia e que a minha renovação interior era premente. E…renovei-me, aprendi a ser o meu próprio refúgio e libertei-me da clausura que me perseguia enrolada numa corda de aço.

Foram meses de introspeção que me fizeram voar, ganhei coragem e disse ao Mundo o que sentia na Alma; e sem medos deixei-me assoberbar pelo nascimento da minha escrita e do meu primeiro filho literário publicado em outubro de 2020: “Memórias de um Tempo Enfermo e Infinito: Diário Epidémico”.

 

O chão tremeu várias vezes sem conta e – enquanto autora – descobri-me e não padeci!


3 - O que tem feito para manter-se produtiva e dar continuidade aos projectos em tempos tão restritos?

 

Vivemos num mundo disfórico onde se aplaude sem o retorno que esperamos, por isso vou bebendo cada gota do meu antídoto, escrevo diariamente – um subterfúgio que me acompanha desde março de 2020 – e, sigo o caudal das coletâneas e das revistas que recebem o meu dizer de braços abertos.

Há-que reinventar, apesar da porta continuar fechada, “bater” com a nossa sombra em pequenos projetos num preparo meticuloso que nos fará abrir essa porta – por agora ainda fechada – recheados de uma panóplia de experiências e de seres humanos no nosso coração.


4 - Pontos positivos e negativos na sua trajetória na escrita.

 

Sou uma autora solitária embrulhada em sonhos. Arranco do meu peito a criatividade e, humildemente, enalteço-a com a doçura do meu sentir.

A escrita, para mim, é um amor infinito e incondicional, ladeado pelo ganho da emoção e da partilha.

 

É-me de todo insólito identificar pontos negativos, uma vez que vejo a minha escrita como a libertação ambígua da minha alma ferida, fustigada e adormecida!

 

É um vestir do despido de sensações sulcadas pela água do meu peito e afortunado(a) quem o faz sem cobranças, sem esperar por um retorno que possa nem sequer chegar.

 

5 - O que pensa sobre essa nova forma de estar, onde tantas pessoas começaram a utilizar LIVES e VÍDEOS para promover suas atividades?

 

Flui a sabedoria na capacidade em nos reinventarmos. É uma luta afincada pelo que se ama fazer e uma inquietude no amor à Arte.

Há-que nos munirmos dos recursos tecnológicos na condução do leme do nosso “barco”, “dobrar” o Cabo das Tormentas e… dar voz às nossas atividades silenciosas, por agora.

 

Perderam-se os convívios culturais, mas ganharam-se recursos de divulgação expedidos e de uma agilidade atroz; face à realidade atual.

 

No entanto, a meu ver, é uma ferramenta de recurso que em nada substituiu o que um “olhar” diz sem falar, um toque que se dá e a visibilidade de gestos acolhidos na plenitude do que é partilhado “in loco”.


6 - Acredita que o virtual, veio ocupar um espaço permanente, sobrepondo-se aos encontros literários presenciais, pós pandemia?

 

Não de todo! Somos lagartas que anseiam a liberdade, um abraço, um beijo. A provação põe-nos à prova, numa reflexão profunda da qual aprendemos a aceitar o que a vida nos oferta. Somos baús de memórias fechados que anseiam seguir pela avenida dos afetos numa inquietude desmesurada, numa vontade severa de beber!

Urge acreditar! O tempo coloca TUDO no lugar, após a tempestade e – é assim – que devemos viver!

 

7 - Se pudesse mudar um acontecimento em sua vida literária, qual seria?

 

“O mundo é um espelho – o que sentimos por dentro, recebemos do lado de fora”, Andrew Matthews”

 

Acredito que os ditames da minha Alma fazem-me viver com uma vontade majestosa em vencer através da honestidade, verdade, amor, cumplicidade e coerência.

É premente ouvirmos o nosso interior, cavalgar sem temor em busca do que nos realiza num confronto quase permanente que insiste em nos derrubar. Os “erros” espelhados são orquestras que tocam, que nos aceitam e nos ensinam a trilhar o caminho.

 

E é nesta grandeza, nesta capacidade em abraçar os catalisadores que nos derrubam; que erguemos e só assim flui o crescimento pessoal e a sabedoria no reencontro da bússola certeira.

 

O Mundo, esse espelho; mostra-nos o quanto somos reais, devolve-nos a força e no planar da batalha conquistada, desaguamos na libertação das nossas amarras e aprendemos…vezes sem fim…

 

Nada mudaria… tudo é um todo, cada pedaço, cada meia metade de Nada, cada copo cheio de tudo…uma panóplia de aprendizagens que não são mais do que o caminho até chegarmos a outra parte de Nós…a Mim.


8 - Indique-nos um livro que lhe inspirou

 

Aprecio solenemente Sophia de Mello Breyner que me ensina tanto nos seus “manuscritos”. Acredito – tal como Sophia – que somos poema que flutua nas estrelas abrasadas, fonte de vocábulos meticulosamente ordenados…amante confessada da Liberdade e do Mar, do Tempo e da Natureza.

Florbela Espanca, uma Mulher menina, astuta e de mente sofrida; refém da procura incessante de si, desnorteada na bússola da vida, temida, rasgada e agredida e incessante na busca de apego. " E é amar-te assim perdidamente...!" Não sei amar de outra maneira, só da Tua, Florbela!

Miguel Torga, insubmisso e irreverente, Miguel Cervantes da literatura ocidental, Miguel de Unamuno do existencialismo cristão, homem, escritor, poeta da alma e do coração.

Fernando Pessoa, Caeiro – um homem da Natureza -, Reis – excelso, profundo ao serviço da ciência e da solidariedade, - Campos -, sensacionalista-mor que afinca que é um fingidor da dor que não sente. Escritor (as)simétrico de atitudes, (in)tangível no abismo das palavras e ardor do nosso olhar encoberto.

Inspiro-me no legado deixado por estes escritores, saboreio a gramática solta: aprendo a amar como Sophia no começo das gotas de Andrade, sou alma, sangue e vida em mim como Florbela e…amo como o amor ama, já dizia Pessoa..., por entre o vendaval, forte como uma leoa..., sem receios, sem esbater!...

9 - Quem é Sandra Ramos no reflexo do espelho ?

Sou alguém… alguém que ama escrever. Resgato os meus “ais” e coso os meus remendos. Sou lombada de lágrimas e sorrisos, e- por favor - não me procurem no barulho, porque vivo no meu silêncio, no odor da maresia, no terno colo da minha Poesia.


10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?


“O Amor é fogo que arde sem se ver”? (Luís Vaz de Camões)

 

Inalação perfumada numa prece sagrada,

ambiguidade de palavras soltas sentidas na clausura da in(satisfação),

dor indolor proclamada em poemas ambíguos.

Combustão queimante fustigada!

Fogo ardente esvoaçante no vento cortante,

cinzas jogadas ao Mar ou à Sarjeta...!

Dói... na certeza da entrega sincera embutida no abraço único.

Peça do jogo inoperante resgatado em regras próprias e exigíveis...!

Sem se anunciar...abarca a solidez vertical do que é racional,

cicatriza dores e tatua - sem licença- tecidos de cetim altivos numa beleza sublime.

É éter, gás invisível na visibilidade do enlace.

Acolhedor e sôfrego sentimento, com vontade própria...!

É este o Amor proclamado pelos trovadores?

Entidade divina soberana/vencedora inscrita na Alma de quem Ama...!

Amor não é fogo...!

Amor é escrita (in)sensata no tempo dos amantes...!

Não arde...!

Aquece o adormecer dos sulcos da Entrega...!

Vê-se...!

Sentimento transparente que acolhe corpos férteis no entardecer da dormência da Entrega!

Amor é .... a escrita (fogo) que acolhe (arde) a entrega visível de quem sabe amar (sem se ver, sem saber)!

 

 

BIOGRAFIA

 

Sandra Ramos, nascida em Alcochete em maio de 1976. Vive desde os seus 27 anos na Charneca da Caparica. Concluiu o Curso de Engenharia Química na Faculdade de Ciências e Tecnologia (da Universidade Nova de Lisboa) em 1999, tendo ingressado nesse mesmo ano, no Instituto Português da Qualidade na área da Metrologia (ciência da medição) e em 2006 concluiu o mestrado em Gestão da Qualidade (em regime pós-laboral). Trabalhou numa empresa de Consultoria na área da gestão e da qualidade e ingressou em 2007 como Gestora da Qualidade no Laboratório de Análises de Dopagem do atual Instituto Português do Desporto e Juventude. Atualmente exerce funções de gestora da qualidade num departamento do Infarmed e foi – recentemente - nomeada uma das embaixatrizes para a implementação da Conciliação entre a vida profissional, familiar e pessoal. Está a frequentar o Doutoramento em Gestão Industrial. Em abril do ano de 2020, abriu uma página de autora onde publica diariamente poesia e prosa poética. Participa regularmente na publicação de poemas num blogue e atualmente é uma das cronistas (da equipa HeliCayenne) da revista Helicayenne Magazine. Foi desafiada a publicar o 1.º livro “Memórias de um Tempo Enfermo e Infinito: Diário Epidémico” (em outubro de 2020) com a chancela da Chiado Editora, uma súmula de textos e poemas escritos durante a pandemia (de março a agosto de 2020). Tem vindo, também, a participar em algumas coletâneas de poesia desde abril de 2020. O que mais ama fazer? Escrever, partilhar com os demais o que sente e contemplar a perfeita união de vogais e consoantes, decifradas em sentimentos íntimos e adornadas em mensagens de purpurinas. Ama a sua Filha (“Voa-Voa”, razão do seu Viver), a Poesia (o seu refúgio, a sua melhor amiga) e a Gestão da Qualidade (o seu 1.º amor).

sexta-feira, 4 de junho de 2021

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS... ANA MENDES

Agradecemos à autora ANA MENDES pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - O que entrega de si, enquanto pessoa, na hora de escrever?

Talvez o meu lado intimidado pela luz e a opinião dos outros...

2 - Criar textos é uma necessidade ou um passatempo?

Começou como passatempo, depois como um legar algo aos meus filhos, criar histórias e agora mais uma necessidade.

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

Sinceramente a espontaneidade, as correções devem ser feitas depois de tudo, para não alterar a imagem interior do que se tenta descrever...acho eu.

4 - Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

Gosto muito das crônicas e contos, porque de todos os modos são parte de mim, mesmo se relato acontecimentos verídicos, tendo sempre a deixar as minhas palavras...

5 - Que mensagens existem naquilo que escreve?

Um pouco de tudo e talvez algumas formas de desbloquear ideias ou opiniões das quais não sou muito fã e mostrar uma outra visão mais pacifista. Sou de alma pacífica e entendo legar isso aos outros, nos meus escritos

6 - Quais as suas referências literárias?

Seria impensável não nomear grandes escritores, mas vou apenas referir-me a alguns como Miguel Torga, Fernando Pessoa, José Rodrigues dos santos, Pepetela, Jorge Amado, Maria Resende, Agustina Bessa ou Hélia Correia.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras e autores?

Um bom apoio editorial e talvez também o/a prefaciador/a. Pois vai dar abertura ao desejo da leitura de tal ou tal obra. Uma boa divulgação.

8 - O que concretizou e o que ainda quer alcançar no universo da escrita?

Consegui compreender um pouco melhor este meio da cultura literária e troco impressões tanto com autores de renome como com novos autores e isso para mim é maravilhoso. Recebi alguns prémios que me sensibilizaram e mostraram o caminho a seguir. Mas gostaria de poder nadar como um peixe no futuro (entende?)...

9 - Porque participa em trabalhos colectivos?

Primeiramente porque os temas em geral são interessantes e fazem-me activar a criatividade. Em segundo lugar, porque os meus textos viajam pelas bibliotecas, países e são lidos por um público que também tem por hábito partilhar as palavras, num mesmo projeto. Também podemos despertar o interesse particular por alguém que partilha o nosso ponto de vista ou viveu uma história semelhante, podendo transmitir uma mensagem de afago.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

O que espero da escrita talvez... Diria que considero a escrita como uma terapia e esta pode ajudar-me a extrair vários males da vida e cura-los ou apenas grandes bens que trago para dar.

DEZ PERGUNTAS MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL... MEIRE PEDROSO DA SILVA

Agradecemos à autora MEIRE PEDROSO DA SILVA pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Poesia, prosa, ou conto, porquê?

Poesia. Porque é a reverberação de um desejo e da necessidade de que através dela posso gritar minha indignação. Foi ela que nutriu minha energia vital, e me fez ultrapassar a barreira do tempo.

2 - Quase um ano de pandemia, o que mudou na sua rotina, enquanto autora?

Tudo. Fiquei entre a luz e a escuridão. As “fendas de minhocas” foram a minha saída para o universo paralelo. E lá no convívio solitário com os portais virtuais, eu ressignifiquei a potência de minha paixão pela palavra. A poesia foi o meu respiro, foi ela que me deu fôlego para dialogar com o mundo nesse contexto inesperado.

3 - O que faz para manter-se produtiva e dar continuidade aos projetos em tempos restritos?

Deixo fluir. Caminho sem expectativas de resultados. Às vezes despenco no vazio. No Brasil vivemos outra pandemia, estranhamente estranha. Tempos sombrios. Tá pesado demais da conta. Tem gás lacrimogêneo em terras indígenas. Tem gente morrendo todo dia. Um genocídio. E os arquitetos desse abismo social fumam em paz os seus cachimbos.

4 - Pontos positivos e negativos na sua trajetória na escrita.

Considero como ponto positivo o fato da escrita chegar a mim através da leitura, com forte influência de minha mãe, que me ensinou a leitura da palavra e do mundo. Não sei se existem pontos negativos na minha trajetória. Talvez o fato de só conseguir publicar um livro com 65 anos.

5 - O que pensar sobre essa nova forma de estar, onde tantas pessoas começaram a utilizar LIVES e vídeos para promover atividades?

É o caminho que temos agora. Não dá pra fugir disso. Então, porque não usá-lo. Eu de mãos dadas com meu bando transmutei o espaço virtual das redes sociais em território de resistência. Nesse quilombo eu vomitei o patriarcado e toda opressão que sofri desde menina. Entoamos o coro dos descontentes e abraçamos a arte como forma de vingança coletiva contra essa bestialidade humana que se instaurou no meu país.

6 - Acredita que o virtual, veio ocupar um espaço sobrepondo-se aos encontros literários presenciais pós-pandemia?

Não. Ele veio pra ficar, mas estamos sedentos de encontros presenciais. Eu estou com fome de gente, abraços, beijos e poesia, olho no olho. As pessoas estão cansadas de distanciamento.

7 - Se pudesse mudar um acontecimento em sua vida literária, qual seria?

Teria investido mais na caça das palavras para propalar que é possível sonhar.

8 - Indique um livro que lhe inspirou.

Quarto de despejo – Carolina de Jesus.

9 - Quem é Meire Pedroso no reflexo do espelho? 

Ponha os olhos em cima de mim. Sou Meire Pedroso da Silva. Sou indígena, sou negra, sou mulher.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Até onde vai Meire Pedroso?

Daqui pra frente o remo de minha canoa toma o rumo que a poesia apontar.

Meire Pedroso da Silva.64 anos, RG 37564902-5, CPF 380718436-87, natural de Cuiabá/MT.

Professora, poeta, atriz. Na área de literatura está na expectativa de publicação do primeiro livro de poesia com o título de Tempos Tchapequara. Nos últimos anos realizou intervenções poéticas em saraus presenciais e virtuais.Participou do evento Mulherio das letras Portugal online/2020 com o trabalho Trinca de Manas em parceria com a poeta Elisabeth Brait Alvin e a cantora Ana Maria Carvalho.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS... MARI BARBOSA

Agradecemos à autora MARI BARBOSA pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - O que entrega de si, enquanto pessoa, na hora de escrever?

Entrego SENTIMENTOS E EMOÇÕES.

2 - Criar textos é uma necessidade ou um passatempo?

NECESSIDADE de extravasar algo que mexe ou mexeu com meu emocional, mesmo que esteja guardado no meu inconsciente.

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

A ESPONTANEIDADE, sem descuidar da parte gramatical e verbal.

4 - Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

LÍRICO. Gosto de escrever poemas de forma espontânea e livre.

5 - Que mensagens existem naquilo que escreve?

Escrevo de forma a induzir o leitor à REFLEXÃO e ao AUTOCONHECIMENTO, visando mudança evolutiva e de postura. Acredito que seja resquícios da área da saúde que escolhi para atuar enquanto profissional: SAÚDE MENTAL, como ENFERMEIRA/PROFESSORA de uma Universidade.

6 - Quais as suas referências literárias?

Entre os CLÁSSICOS: CASTRO ALVES e RAQUEL DE QUEIROZ, seguidos por CAROLINA DE JESUS, CARLOS DRUMOND DE ANDRADE, entre outros. Na atualidade gosto da forma literária de RITA QUEIROZ, DAGMAR SANTA DE JESUS e FLÁVIA CÔRTES.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras e autores?

Com a advento da INTERNET e o acesso à MÍDIA é fundamental a formação de uma REDE DE APOIO sólida, pautada na realidade, na verdade, na transparência e na naturalidade.

8 - O que concretizou e o que ainda quer alcançar no universo da escrita?

Estou CONCRETIZANDO como ESTREANTE, na publicação de meus poemas. PRETENDO encontrar apoio técnico e financeiro para ESCREVER E PUBLICAR UM LIVRO, contando a minha história de vida e a minha RESILIÊNCIA, mostrando outras habilidades artísticas que possuo, para incentivar outras pessoas a usarem o seu potencial de forma criativa e produtiva.  Neste livro, pretendo homenagear minha MÃE (in memoriam), uma mulher negra, nascida na primeira década do século passado, que não teve escola formal, mas homenageava seus filhos e netos com um poema. Chegou a escrever uma poesia falando dos seus 50 anos de vida conjugal, lida por ela, na missa de comemoração de sua BODAS DE OURO.

9 - Porque participa em trabalhos colectivos?

Porque fui incentivada e por acreditar que JUNTOS SOMOS MAIS FORTES. Sozinhos seria mais difícil e até impossível, considerando o acesso técnico-financeiro.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

COMO VOCÊ SE VÊ AOS 78 ANOS?

EU RESPONDERIA: PLENA, REALIZADA, FELIZ.  SEI QUE ESTOU VIVA E INTELECTUALMENTE ATIVA E PRODUTIVA

DEZ PERGUNTAS MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL... JANICE REIS MORAIS

Agradecemos à autora JANICE REIS MORAIS pela disponibilidade em responder ao nosso questionário


1 - Poesia, prosa ou conto, porquê?


Poesia em todas as suas formas, flui naturalmente... quem sabe um dia, arrisco um conto.


2 - Quase um ano de pandemia, o que mudou na sua rotina, enquanto autora?


Não mudou muito, venho escrevendo muito e publicando em alguns projetos.

3 - O que tem feito para manter-se produtiva e dar continuidade aos projectos em tempos tão restritos?


Ideias afloradas, sigo confirmando participações em coletâneas, revistas e grupos literários.


4 - Pontos positivos e negativos na sua trajetória na escrita.


Escrever faz bem, a poesia é a voz do poeta e levar a sua voz ao mundo espalhando boas coisas e levantando bandeiras é um positivo que minimiza qualquer negativo.


5 - O que pensa sobre essa nova forma de estar, onde tantas pessoas começaram a utilizar LIVES e VÍDEOS para promover suas atividades?


Adaptação necessária, a cultura não pode parar. E a forma virtual alcança um público bem distante... de qualquer lugar do mundo.


6 - Acredita que o virtual, veio ocupar um espaço permanente, sobrepondo-se aos encontros literários presenciais, pós pandemia?


Nada sobrepõe ao presencial. Acredito que continue, paralelamente,  ampliando a divulgação dos autores.


7 - Se pudesse mudar um acontecimento em sua vida literária, qual seria?


Já pensei que deveria ter começado a publicar mais cedo, mas acho que tudo acontece quando tem que acontecer.


8 - Indique-nos um livro que lhe inspirou


Cada livro, uma inspiração. A diversificação de ideias e estilos das Antologias é sempre inspiradora!


9 - Quem é Janice Reis Morais no reflexo do espelho ?


Mulher consciente de suas qualidades e defeitos, que se desdobra para as qualidades sobressaírem e compensarem os defeitos.


10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?


Quem é inspiração para suas poesias publicados nas coletâneas Mulherio das Letras Portugal?

Minha mãe, Conceição dos Reis Chagas Morais (in memoriam) foi uma mulher serena e elegante e ao mesmo tempo forte e determinada. E também, as conselheiras do Conselho Municipal da Mulher (CMDM Conselheiro Lafaiete), mulheres totalmente envolvidas e dedicadas que driblam o tempo para levar informações e acolhimento para outras mulheres.


Janice Reis Morais

Mineira de Conselheiro Lafaiete. Funcionária pública efetiva, sócio fundadora da AMAR (Ponto de Cultura AMAR).  Membro do Conselho Municipal da Mulher de sua cidade e do grupo Mulherio das Letras Portugal. Desde 2015, participa da Antologia Lafaiete em Prosa e Verso. Tem participação em dezenas de coletâneas e revistas literárias no Brasil e no exterior. Conquistou o Premio Cidade de Conselheiro Lafaiete do Concurso Internacional da Academia de Ciências e Letras da cidade (ACLCL) 2019. Muitas de suas poesias abordam as violas de Queluz, os mosaicos da AMAR e outros encantos de Conselheiro Lafaiete e Minas Gerais.

quarta-feira, 2 de junho de 2021

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS... LUCIENNE TINOCO RODRIGUES

Agradecemos à autora LUCIENNE TINOCO RODRIGUES pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - O que entrega de si, enquanto pessoa, na hora de escrever?

A minha escrita é construída a partir do que penso e sinto. Sendo assim, acredito que ela tem muito de mim. Os elementos externos são fontes de inspiração, no entanto, o que escrevo, mesmo com várias imagens e códigos, carregam fortes traços do meu pensamento e emoção.

2 - Criar textos é uma necessidade ou um passatempo?

Escrevo por necessidade na medida que a escrita me faz elaborar o que me angustia. Esse exercício da palavra que traduz o que está no meu íntimo provoca bem-estar, desse modo, escrever se torna urgente em muitos momentos. Num outro aspeto escrever é um passatempo já que não há comprometimento em produzir, não é uma atividade profissional.

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

Como considero minha escrita muito intuitiva, na sua origem o mais importante é a ideia. Entretanto, o cuidado com a língua é essencial. Mesmo que a escrita seja simples, sem termos e palavras rebuscadas, como é o caso da minha.

4 - Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

O gênero literário com que tenho mais afinidade ao escrever é a poesia. Muitas vezes a ideia surge no formato de versos, com palavras e ritmos. Enquanto na prosa, ainda não me sinto hábil para a escrita. Pois acredito precisar de mais argumentos e de uma capacidade de criação muito mais elaborada.

5 - Que mensagens existem naquilo que escreve?

Acredito que o que escrevo pode levar o leitor à reflexão de sua própria existência.

6 - Quais as suas referências literárias?

Clássicos da literatura como: Madame Bovary, de Flaubert, Notas de subsolo, de Dostoievsky, A Hora da estrela, de Clarice Lispector, além de estudos filosóficos que me dão suporte para uma escrita mais consistente. Identificar nos personagens suas fragilidades e suas angústias, desperta em mim desejo de produzir uma escrita que revela o que tenho mais interiormente.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras e autores?

Acredito que o essencial para a divulgação uma obra e de seu autor seja a valorização da própria criação. Mostrar a qualidade da obra em seus vários aspectos. Quanto ao autor, entendo ser válida a exposição no que se refere ao seu processo criativo, suas influências na produção da escrita, desde que sua imagem não supere seu trabalho.

8 - O que concretizou e o que ainda quer alcançar no universo da escrita?

A minha escrita já me colocou em um lugar que considero ser de muito valor já que, para mim mesma, foi surpreendente descobrir essa habilidade. Publiquei meu primeiro livro de poemas: Eu não sei o nome das coisas, em 2015. Desde então não publiquei nenhum texto. Neste momento, ao ter poemas aceitos para as Coletâneas Conexões Atlânticas e Mulherio das Letras na Lua, resgato o desejo de produzir o segundo livro, além de participar de outros projetos coletivos com possibilidades de ver meus poemas alcançarem lugares não imaginados.

9 - Porque participa em trabalhos colectivos?

É a primeira vez que participo de uma coletânea. Encontrei neste formato um meio de publicar meus poemas sem os ônus que envolvem uma publicação. Ainda mais por poder estar ao lado de outros poetas numa editora que demonstra interesse em incluir poetas desconhecidos promovendo sua escrita além das fronteiras.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Quando a escrita surgiu em sua vida e como se deu esse processo?

Comecei a escrever em 2014. Até então, não tinha pretensões na escrita. Ao participar de aulas de Filosofia e clubes de leitura promovidos pela filósofa Dília Gouvea, em Nitéroi, fui despertada por ela para essa possibilidade. Desde esse encontro fui soltando as palavras e versos dando vazão ao que pensava. Nessa sequência de acontecimentos surgiu o livro de poemas com incentivo e organização da Professora Dília.

DEZ PERGUNTAS MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL... HELENA SOARES SILVA

Agradecemos à autora HELENA SOARES SILVA pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Poesia, prosa ou conto, porquê?

Dedico-me a todos os géneros (poesia. Prosa e contos). Tenho, apesar de isso, uma maior apetência pela poesia e prosa poética. É uma forma de libertação e usar as letras em função dos sentidos.

2 - Quase um ano de pandemia, o que mudou na sua rotina, enquanto autora?

Há quem diga que a vida de quem escreve é solitária… Não, a pandemia não alterou a minha rotina diária, no que diz respeito à escrita.

3 - O que tem feito para manter-se produtiva e dar continuidade aos projectos em tempos tão restritos?

Tenho a sorte de viver no campo. O contacto com a natureza é o bastante para continuar com os meus projectos. Mesmo com toda esta terrível situação saúde a nível mundial, terminei três desses meus projectos (um de contos e dois romances).

4 - Pontos positivos e negativos na sua trajetória na escrita.

Tive um hiato bastante grande na escrita. Comecei desde muito jovem, mas as circunstâncias da vida fizeram com que interrompesse essa minha paixão. Mas fico extremamente feliz por ter retomado.

5 - O que pensa sobre essa nova forma de estar, onde tantas pessoas começaram a utilizar LIVES e VÍDEOS para promover suas atividades?

Penso que estas novas atividades virtuais trazem algo de muito positivo, tanto a nível de conhecimento de novos autores como na divulgação dos seus trabalhos.

6 - Acredita que o virtual, veio ocupar um espaço permanente, sobrepondo-se aos encontros literários presenciais, pós pandemia?

O contacto presencial é muito importante, mas há que se adaptar a uma nova realidade que passa pelo virtual. Um excelente complemento. Uma ponte para novas ideias. Uma diversidade de conhecimento.

7 - Se pudesse mudar um acontecimento em sua vida literária, qual seria

Tudo tem a sua razão de ser. Não há que fugir ao que nos está destinado.

8 - Indique-nos um livro que lhe inspirou

É-me impossível apontar m único livro que me tenha inspirado. Ao longo da nossa existência vamos conhecendo autores e obras que em determinadas fases da nossa vida nunca teríamos lido ou mostrado qualquer vontade de descobrir. Todos eles nos inspiram de uma forma diferenciada.

9 - Quem é Helena Soares Silva no reflexo do espelho?

Espelho meu, espelho meu… A realidade crua, mas vejo-me como uma pessoa que ainda acredita em utopias e na vida.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Porque escreve? Porque estendo as asas ao sonho e liberto todas as amarras que tentam aprisionar o pensamento.


Helena Soares Silva nasceu em Dili, Timor-Leste, no ano de 1962, e reside no concelho do Cadaval (Casais do Peral).

Foi atleta durante toda a sua juventude, tendo sofrido várias lesões que a viriam condicionar. Dedicou-se à escrita desde muito cedo, mas só depois de se reformar da função pública viria a retomar esta sua forma de arte.

Depois de ter abraçado a poesia como uma paixão, participou em alguns concursos nos E.U.A., obtendo três distinções "Editor's Choice 2007", cujos textos seriam publicados na coletânea "Immortal Verses".

Em 2011, publicou o seu primeiro livro de poesia, intitulado "Do Outro Lado". Em 2012, segue-se "Véus/Veils" (em português e inglês), com poesia dedicada à Luta pelos Direitos da Mulher. Em 2013, publicou um e-book intitulado "O Voo de Íris" e a sua primeira novela, "Tobias e as Águas Claras".

Em 2019, publica outro e-book, "Os Crocodilos Têm Memória", conto dedicado à sua terra natal, Timor-Leste, bem como o livro de poesia "Noites Brancas".

terça-feira, 1 de junho de 2021

Dona de si - FARAH SERRA

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Maria sempre foi dona de si. Ela sabia tomar decisões importantes e seguir, com coragem e medo, pelo mundo.
Maria partiu. Não me lembro se ela estava com a sua melhor roupa, se estava elegante, super penteada. Também não me recordo se ela partiu chorando, cantando, ou tapando a boca com as mãos, para encobrir uma risada histérica. Um pouco bêbada estava, disso me lembro bem, ela precisou de ajuda para aliviar a ansiedade, a vergonha e, de certo modo, até mesmo um embaraço.
Maria partiu em silêncio, sem nem olhar para trás, com uma passagem só de ida. Ao entrar no avião retomou a confiança e recarregou as esperanças. Afinal, iria aonde habitavam seus novos sonhos.
Maria partiu sem ter a mínima ideia do que significava ser estrangeira. Ela embarcou naquele avião, segura de si, mas completamente desprevenida.
Maria fez uma viagem que não a levou, mas a trouxe. Sem querer, ela prenotou o seu encontro consigo mesma.
Maria sentiu uma saudade doída dela mesma. Vestida de estereótipos, desnuda de si mesma, aguentou, aprendeu, chorou, riu. Viveu, se encontrou.
Maria seguiu, como sempre, dona de si.

EM - ELAS E AS LETRAS (INSUBMISSÃO ANCESTRAL) - COLECTÂNEA - IN-FINITA