sexta-feira, 27 de março de 2020

Em tempos de quarentena - PAULA COSTA


Enclausurado!

Enclausurado nesta reclusão
Tamanho tormento
Angústia e solidão!
Vieste ceifar vidas
Causar dor e sofrimento
Vivemos num tormento!
Causador de momentos difíceis
Vidas de sofrimento
Este desconhecido
Causador de tanto desalento!
Mas a tormenta vai passar
Como passa uma tempestade
A força da união é poderosa
Unidos juntos em polvorosa!
Numa batalha contra o tempo
Esta guerra iremos travar
Lutando juntos iremos vencer!
Porque o amanhã irá chegar
E o sol voltara a brilhar
Viveremos um novo recomeço
Unidos recomeçaremos uma nova história
A história de um povo unido
Lutando rumo á vitória!

Paula Costa


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quinta-feira, 26 de março de 2020

Em tempos de quarentena - MARIETE LISBOA GUERRA


É a palavra que fica

nas imprevistas portas fechadas
a pele asseada e ajuizada,
o resto ninguém sabe o porquê
do monstro que se move
pelas cidades desertas.

Na ausência de abraços,
invejamos os pombos que bicam e saltam.

A calamidade, a morte sem medicamento,
veneraremos o renovar, a luz do brilho do sol,
a paz que o mundo pede.

"Autoclismem" o que não presta!.

Mariete Lisboa Guerra

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Em tempos de quarentena - MARIA JOÃO HORTA PARREIRA


Horizontes de cor,
Salteados de amor,
Pincelam ideias inquietantes,
Transmutadas em medos pedantes.

No processo criativo natural,
A tela vazia mental,
Sofre a necessária combustão,
Enraizando a dor e sua ablação.

O estímulo da melodia,
Transporta a serena energia,
Em ondas empáticas,
Promovendo ligações telepáticas.

No contexto artístico,
O conjunto linguístico,
Da sensibilidade colectiva,
Manifesta a fome supressiva.

A condição do parecer,
Bloqueia o fluido ser,
E a sadia nutrição do sistema,
Digere a solução do teorema.

Cheiros, sons, sabores,
Roda de letras e cores,
Na argamassa universal,
Equilibramos o essencial.

O ciclo de vida e sua alquimia,
Expressa com força a alegria,
E a luz da humildade,
Converte o complexo em simplicidade.
Eternidade.

(escrevi em 2012, Maria João Horta Parreira)

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quarta-feira, 25 de março de 2020

Em tempos de quarentena - ZÉ CARLOS ALBINO


fomes
tenho fome de ser gente
tenho fome de liberdades
tenho fome de companhias, boas ou más
tenho fome de carinhos de quem me ama
tenho fome de passear na minha terra, tal como ela sempre foi sendo
tenho fome de viajar, nem que curtas
tenho fome da oralidade em que somos o que somos
tenho fome de mim tal como venho sendo
tenho fome de inspirações variadas
tenho fome de encontros de surpresa
tenho fome de conversas sobre tudo e nada
tenho fome de tudo o que é viver

e da fome ao medo
é um pulo de pés juntos,
sendo o medo um quarto escuro e sem portas,
tenho medo de não voltar a ser eu em pleno
tenho medo que nos mantenhamos fechados
tenho medo que nada do que devia mudar no mundo, fique na mesma
tenho medo que voltemos a tempos antigos de misérias várias
tenho medo que a liberdades fiquem enfraquecidas
tenho medo de não resistir a tantas fomes e medos

mas vozes amigas lembram-me
que sempre fui um combatente
que os encaminhou para caminhos de emancipação
que já resisti a tantos desaires e a mortes batendo-me à porta,
ancorado nestas vidas passadas
vou tentar fazer das tripas coração
dando alimentos às fomes´
fazendo dos medos avisos para os conseguirmos combater,
transformando o sobreviver dos tempos actuais
em vidas, mesmo que curtas,
de caminhos vivos e esperançosos,
voltando a ser eu mesmo !

zé carlos albino,
Messejanana, 19-20-21-22 de Março de 2020.

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Em tempos de quarentena - FÁTIMA HORTA


ESPERANÇA

Sempre a acompanhar: Tenho comigo pensamentos e incertezas, sonhos que quero ver acabados.
Tenho comigo, nesta clausura forçada, o sabor amargo. Desejo ver o fim desta guerra desenfreada.

Tenho comigo lágrimas escondidas de noites mal dormidas. A luta é dura, todos somos soldados desta guerra fria.
O inimigo está escondido, avança sem tréguas, não escolhendo sexo, idade, classes sociais ou ideologia. Mas vamos ter força e coragem para que não nos tire a alegria.

O mundo está em mudança. 
A Primavera chegou triste, cinzenta, o medo perto de nós isola-nos.
O sol por vezes está escondido, mas que nunca desapareça em nós a esperança.

Assim, quero ter forças para voar como os passarinhos, ver o mundo sorrir,a primavera florir, as crianças a sorrir,os mais velhos com força para lutarem pela vida e a música e poesia como companhia.

Quero escutar o trinar da guitarra e viola com alegria e viver o fado da minha vida no meu dia a dia.

Nunca deixando de fazer minha poesia com magia, porque ela em mim nunca morrerá.
E a esperança pela vida me acompanhará.

Obrigada In-Finita por estarmos todos juntos.
Fátima Horta 23/03/2020

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terça-feira, 24 de março de 2020

Em tempos de quarentena - CLÁUDIA CAROLA


Mais cedo

Respira, sente a tua força interior
Não te deixes jamais levar pelo medo
Que não se instale na vida o terror
Só assim tudo terminará mais cedo

Mais cedo se mantiveres a esperança 
Mais cedo sim se mantiveres a fé 
Ter em nós e nos outros confiança 
Em breve estaremos juntos num café 

Sê realista, mas liberta o alarmismo
Sê criativo, deixando o conformismo 
Vamos todos regressar à nossa infância 

Regressar a quem somos, à essência 
Recuperar a serenidade e a paciência 
Deixar o ter, para voltar a ser substância 

Cláudia Carola 

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quinta-feira, 19 de março de 2020

ADRIANA FALA DE... OITO DIAS EM CASA


Oito dias em casa

Após os primeiros dias de excesso de trabalho devido a cancelamentos e adiamentos de eventos, incertezas e insegurança, entro na segunda semana um pouco mais tranquila. Com o trabalho reduzido, e com os prazos mais alargados, sobrou, em mais de dois anos, tempo para organizar roupas e armários, limpar com mais cuidado e atenção a casa, falar com a família e amigos do outro lado do oceano e aqueles mais próximos, ou além das fronteiras, que recebiam breves mensagens, devido à correria diária.

Sobrou mais tempo para ler os livros que se acumulavam na cabeceira da cama, ou aquela série da Netflix parada na metade. As pesquisas de museus, músicas e literatura, onde os links eram guardados para ver mais tarde.

Sobrou mais tempo para pensar na razão de tudo isso.

Sobrou mais tempo para acompanhar a evolução da pandemia causada pelo coronavírus e pensar, pensar e repensar.

Saí à rua quase deserta hoje pela manhã, para ir ao supermercado, e lamentei as cenas que vi e que não vale a pena descrever, pois são comentadas no noticiário da noite.

Saí à rua para sentir o sol, o vento, caminhar um pouco e deparei-me com o egoísmo, individualismo, falta de educação e consciência coletiva e da responsabilidade social que o momento exige. Ali, naquele espaço de quase uma hora na porta de uma grande rede de supermercados, ouvi de tudo. Reclamações, piadas, desinformação. Percebi a falta de preparo das pessoas para seguirem regras, normas e conviverem com situações que as tirem da sua zona de conforto. E cada carrinho que saía abarrotado de comida e demais itens mostraram mesmo a falta de solidariedade com o próximo. Pois voltei sem o que precisava, por causa das prateleiras vazias. Senti-me no enredo de um filme, daqueles tipo salve-se quem puder, aconteceu uma catástrofe.

O sol ficou mais pálido.

Acredito que o mundo entrou em colapso, e essa é uma das formas de regeneração. Menos poluição de agentes químicos, menos poluição de gás carbônico, menos poluição sonora.

Redução do lixo nas ruas e mais espaço para a natureza manifestar-se.

Acredito que não precisamos estar todos os dias nos centros comerciais, supermercados, fast food ou restaurantes consumindo compulsivamente.

Acredito em um tempo que exige mais convívio familiar, que ficou em segundo plano, pois pais, filhos e netos não tinham mais horas nos seus dias para estarem mais próximos, mais perto.

Acredito que somos o coletivo, e que sentimos igual aos nossos irmãos de todos os cantos do planeta, independente da cultura, raça, língua ou religião.

Acredito na exigência que a vida nos faz agora, nesse momento, para olharmos com mais cuidado e respeito para com a nossa saúde, atitudes e hábitos. E tornarmos mais solidários, preocupados, não só com o nosso bem estar, mas com quem está ao nosso lado.

Acredito que é necessário esse refúgio obrigatório para darmos mais valor à nossa liberdade de ir e vir, com mais calma, e com um olhar mais atento ao que nos cerca.

Acredito que a dor, o sentido de impermanência e ameaça, desperta em nós o que temos de mais humano: a solidariedade e o amor pelo próximo.

Acredito que isso vai passar. E que tudo vai mudar, para melhor. As nossas rotinas, as nossas atitudes, e como vamos administrar o nosso tempo.

Vamos perder sim, vamos sofrer, vamos ver o sofrimento alheio. Teremos privações para percebermos que nem tudo é essencial, e que podemos sobreviver com muito, muito pouco.

E olhando para aquele sol, quase escondido por uma nuvem, lembrei que no ano passado, estive uma semana com uma mochila nas costas fazendo o Caminho de Santiago, e que este ano estarei em casa, sem poder sair.

Fechei os olhos e resgatei aquela sensação de liberdade e lembrei a grande lição daqueles dias de caminhada, com bolhas nos pés e dor em todo o corpo: Seguir em frente.

Eu só tinha uma mochila nas costas e vivi os melhores dias da minha vida, estava leve, feliz e confiante. Determinada em superar todas as dificuldades, com coragem para enfrentar o desconhecido e muita fé para o que Deus havia me reservado no passo seguinte.

Levava apenas uma mochila, com pouca roupa e comida, partilhava conversas com desconhecidos e o sentimento solidário de estarmos na mesma situação. Caí e ajudaram-me a me levantar: um senhor peregrino italiano.

Seguia sozinha pelo desconhecido, no meio da estrada, no meio da floresta, dos campos, das aldeias, mas não me sentia solitária ou abandonada.

E sempre reencontrava os amigos e as pessoas nas paragens para descansar e confraternizar.

Levava em meu coração as pessoas que eu amava e as minhas boas lembranças. E a minha mente estava entregue apenas a observar e usufruir tudo o que eu podia reter daquele momento de tão grande aprendizado.

O sol me acompanhava e quando escondia-se eu o percebia por trás das nuvens.

Eu só tinha uma certeza, como tenho agora: tudo passa.

E tudo isso vai passar. No tempo certo, depois que todos nós aprendermos a nos olhar, olhar para a vida que nos cerca, olhar para o outro.

O planeta pede socorro, a vida pede socorro e no ar está o seu grito, o seu chamamento, o seu pedido.

É nossa responsabilidade pessoal e social cuidar de tudo isso e lembrarmos a cada instante que fazemos parte desse todo, que se chama humanidade.

O sol vai voltar a brilhar.

Adriana Mayrinck

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

EPISÓDIO DA MENTE... (excerto) - SÓNIA CORREIA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Ele era nas palavras a correspondência aos tantos devaneios que ela procurara. Ocultava algo que ela não soubera definir e, no entanto, o espanto do entendimento quase que já vestia cumplicidade sem tempo.

Sabia lê-la e, num único encontro de relance, tinham ficado de pensar entrelaçado. A vida pegara lhe na mão, talvez trémula na espera ou talvez intencionada, desbravou o silêncio e ela respondera- lhe sem o identificar. Nasceu uma troca de letras intensa, quiseram-se nas frases, tocaram-se em textos impensados.

Namoraram, casaram e divorciaram-se em três dias, o sentido de humor gravara sorrisos constantes e gargalhadas afrodisíacas. Não se sabiam e aconteciam sem freio, falaram em viver loucuras, em paz para mover o futuro, em viagens para partilhar o mar e o corpo, foram até um encaixe no meio de uma certa inconsciência.

Furacão foi como a definiu num jantar inventado que nunca chegaram a partilhar, mas no mundo do impossível sonhavam um presente desenhado a mil cores enquanto a velocidade do desejo disparava, tudo eram metáforas vívidas de intensidade.

EM - ALMA-TE - SÓNIA CORREIA - IN-FINITA

domingo, 23 de fevereiro de 2020

REFLEXO... (excerto) - SÓNIA CORREIA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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O lume que trago na alma inexplicado de clareza veste de metáforas todos os sentires poupados nas letras.

Não podem vir a nu as constantes insanidades. Desentendidas seriam pelos olhos que as lessem, perdidas ficariam pelas críticas esbaforidas das bocas que mastigam sem saborear, que bebem sem sorver, faces que expressam sem perceber.

Só tu entendes as redes tecidas entre a alma que jorra paixões, a mente que desenha amores, o corpo que veste um sem número de tamanhos abaixo do desejo por sucumbir.

Por dentro, as tristezas do nada, as alegrias fictícias do sonho, a vontade aprisionada... Por fora, um corpo por saciar, uma vastidão de sorrisos só nossos, as lágrimas pendentes na escuridão e décadas de palavras que só a loucura igual sabe decifrar.

Escrever é o nosso esconderijo como sabes, e ainda assim, um porto de abrigo, um farol delinquente, uma lua sedosa de brilho, estrelas, milhares de estrelas incandescentes sob o mar que chamamos de nosso porque das ondas fizemos morada.

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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

TUDO OU NADA... (excertos) - SÓNIA CORREIA

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Agarrado ao corpo, dentro dele, irritantemente por vezes, existe um coração, esse órgão que dizem sente, não sei se é o coração que sente ou se todas as emoções pairam dentro desse corpo, que serve de templo ao ser que me define no interior e se reflete no exterior.

Mas a verdade é que esse corpo não existe sem o órgão acusado de todas as paixões ou amores, de todas as felicidades e tristezas, de todos os quereres que vibram. Nesse corpo também carrego a tal massa cinzenta que é responsável pelo racional, como se alguma vez funciona-se quando o resto do corpo sente, sente, sente.

No tempo vem a gestão mais madura dessa luta entre as duas partes, vem a noção mais dissecada da guerra perdida e vencida tantas vezes, por não ouvirmos o que aprendemos. Em pura teimosia encontrarmos argumentos para contrariar a realidade em prol do batimento acelerado desse coração já culpado das tantas batalhas escritas.

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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

SOMBRAS... (excerto) - SÓNIA CORREIA

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Não, não são as “50 sombras de grey”, mas sim as sombras que, de quando em vez, me assolam a alma. Aquelas que saem das catacumbas porque pertencem ao cansaço, que desvelam os momentos menos alegres e mais pensativos, que me prendem e amarram num qualquer sofá para reflectir sobre todas as coisas.

Não é perfeita a felicidade, nem mesmo a que de ninguém depende. Por vezes, visitam-me as sombras que espremem o sorriso e me deixam apática, inerte e chovendo ou não nas minhas janelas. A força quebra, o cinza quase preto, na clareira, abafa a paisagem de lírios e malmequeres e não fica senão um manto de borralhos, cinzas do que acabou e foi jogado ao vento.

O universo cala-se, o mundo não gira, a esperança barafusta em eco e dentro de mim, nesses rasgos de ondas paradas, cai o outono. Folhas secas desbulham das árvores e crescem no chão amontoadas. Os ramos vestidos de nada realçam um vazio cuspido pelas sombras em jeito de trevas. Há que procurar abrigo.

Penso demais talvez e com os anos vai definhando o leque das possibilidades. Já me habituei ao silêncio que me conforta na paz, mas será que alguém se concebe só para sempre?

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sábado, 8 de fevereiro de 2020

ESTRANHO QUERER... (excerto) - SÓNIA CORREIA

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E tenho destas horas em que me sinto feliz apenas deitada no meu sofá. Muitos quilómetros de guerra fria deixados para trás, uma luta desventrada pela sobrevivência, um educar constante de mim mesma, mas a paz – ai, este som surdo de paz! - por entre o cansaço físico e mental, sabe a oásis, indescritível a nuance que me embala a alma!

Vou sorrindo, mesmo sozinha, tantas vezes, despojada de preocupações mundanas. Entras-me pensamento adentro, apenas porque me sabe bem esta coisa que não é coisa nenhuma, mas que vamos partilhando neste acaso peculiar.

Gosto de te rever nas imagens, olhar-te para além do que o mundo aprecia e mesmo quando me chamas parva, parece-me um acto meigo, sem intenção oculta e provavelmente acompanhado de uma qualquer gargalhada espontânea que faz eco em mim.

Sei que não gostas de textos, não és das letras, mais dos números, mas também sabes que não sei não escrever, sentir e dizer. Contudo, escrevo-te mais do que aquilo que me lês. Parece-me espontâneo falar-te no papel mesmo que o guarde na minha gaveta de desabafos.

EM - ALMA-TE - SÓNIA CORREIA - IN-FINITA

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

INDOMÁVEL... (excerto) - SÓNIA CORREIA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Nada é tão indomável como nós mesmos, é-o por dentro que queremos domar num auge em espiral de sentimento ou sensação que não acontece. Tudo está ao nosso alcance à infeliz excepção do que com foices tentamos arrancar do coração, aquela parte do sermos humanos que não se explica e nos arrasta sem piedade para a estrada do desapego.

Mas não é indomável a aceitação, e se nos deixarmos levar nesse vento, o coração acalma, as realidades aparecem nítidas como a água onde muitas vezes nos escondemos para não se notarem as lágrimas.

Selvagem é o sentir que não nos deixa escolha, vem de rompante, acorda a esperança e antes que o carrocel acabe a viagem, já lá estamos na intransigente e teimosa vontade fluida da alma, quase parece que chegamos, que pertencemos, que a viagem não será mais na solidão acomodada.

E a vida continua, são tudo momentos que devemos acarinhar, lembrar com sorrisos, guardar como pedaços da nossa história, espremer o positivo, preservar o possível, domar o que é a felicidade.

EM - ALMA-TE - SÓNIA CORREIA - IN-FINITA