sábado, 14 de agosto de 2021

Guardiã do Cerrado - AMANDA PEREIRA SANTOS

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Mulherio das Letras Portugal neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

Jaci era filha da natureza. Cria da mãe terra, nasceu em um rio de águas cristalinas, da mesma cor de seus olhos. Era noite de lua cheia.
Enquanto as crianças da sua idade entediavam-se com as brincadeiras tradicionais, contentava-se em admirar a paisagem ao seu redor e entreter-se com os animais.
Vivia em um chalé no meio do Cerrado, cercado por morros e quedas d'água. Era simples, mas não precisava de mais.
Os adeptos a um estilo alternativo diriam que sua vida era perfeita, fora dos padrões sociais. Até que tudo mudou quando finalmente completou dezoito anos.
Era noite novamente quando uma luz invadiu as janelas da residência. Então, ouviu uma batida na porta. Abriu-a e viu uma forma feminina que irradiava as mais diversas cores.
A figura estendeu-lhe a mão e ela não pensou duas vezes antes de segui-la até o exterior da propriedade. Não sabia como nem o porquê, mas sentia uma energia que a atraía, como se as duas estivessem conectadas.
Lá fora, o frio penetrava o tecido fino de suas vestes e fazia com que seu corpo tremesse dos pés à cabeça. O escuro prevalecia, contrastando com o brilho das estrelas. Mas foi a lua que tirou o fôlego de Jaci. Uma lua cheia, completamente deslumbrante.
Por alguns instantes, esqueceu da companhia sobrenatural ao seu lado e manteve os olhos erguidos em direção ao céu. Então, uma voz doce e serena interrompeu o silêncio.
– A sua hora chegou. Junte-se a mim. Torne-se um só com o universo. Somente assim a paz reinará.
– Diga-me o que fazer e farei.
As palavras saíam de sua boca como se tivessem autonomia.
– Prometa à lua que assumirá seu papel como protetora da região.
E assim Jaci fez. Quando sua vida terrena findou-se, seu espírito permaneceu.
Tornou-se guardiã do planeta, protetora dos seres vivos e de bom coração.
Há quem acredite que, ainda hoje, é possível vê-la. Está sorrindo lá do alto, nas noites de lua cheia.

 EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (PROSA E CONTOS) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Fotossíntese - ALDIRENE MÁXIMO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Mulherio das Letras Portugal neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

Sempre gostei muito de papel. Cadernos, agendas e livros sempre foram meus melhores amigos. Pois com eles, vivi e vivo as melhores aventuras.
Dentro desse contexto, me sinto uma árvore. Desde as raízes mais profundas, aos frutos que são capazes de gerar sementes para se tornar novas árvores e gerar novos frutos.
Uma árvore de galhos resistentes, resiliente, que já enfrentou invernos, tempestades e ventos fortes. Uma árvore que já foi abrigo e já foi o abraço amigo.
Que através da fotossíntese, ressignifica o ar que respira, cicatrizando as feridas da própria alma!
Uma árvore gigante, morada de passarinhos e seus ninhos. Fonte de inspiração.
Uma árvore, cheia de vida e sabedoria, capaz de produzir papel e eternizar a história da humanidade.
Uma árvore, de raízes profundas, que mesmo no deserto, foi capaz de encontrar água e sobreviver!

 EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (PROSA E CONTOS) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Sem excesso de futuro! - AGNETE SOMBRA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Mulherio das Letras Portugal neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

Enquanto saboreava os algodões açucarados no João da esquina, contemplava as nuvens como névoas, que bailavam no céu da minha rua.
Gostava mesmo de saborear até o fim...
Sim, removendo os excessos grudentos que se escondiam nas minhas unhas crescidas de criança. Depois chupava o picolé de morango até aquele momento de olhar a mudança de cor do palito.
Talvez desejando ser aquele palito que abraçava o meu gelato preferido antes de mim. Ficava horas sem fim na frente do espelho, naquela única parte não oxidada, pelo excesso de umidade do banheiro. Agradecia pela cor róseo viva carimbada na minha língua.
E a rede estampada?
Ah, as suas cores confusas escondiam a sujeira matreira no solado dos meus pés.
Precisava esfregá-los na borda da minha canoa de punho, para que mamãe não brigasse quando os impulsionava na parede caiada, para que o arremesso fosse cada vez mais alto.
Maravilhoso o frio na barriga quando quase batia a cabeça no teto baixo da casa de três vãos. A simplicidade contagiante da vida de criança nutria cada dia como único, mesmo que as mesmas coisas fossem repetidas todos os dias.
O segredo estava em não colecionar o EXCESSO DO FUTURO que os adultos armazenam, tornando-os, às vezes, inábeis a desfrutar as muitas crianças que habitam como presente, no presente que eles transformam em futuro, sem ao menos vivê-los.

 EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (PROSA E CONTOS) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Pílula - VERA LÚCIA DE OLIVEIRA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Mulherio das Letras Portugal neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

Beijou-o com desespero, agarrando-se ao seu corpo, com frio. E viu que o beijo escorregou da boca dele, ainda úmido e vermelho, e foi descendo pelo pescoço, passou sobre o peito, até cair no chão sem rumor. Afastou-se, o beijo estava lá, ainda vivo, palpitante, pedinte. Teve pena e o recolheu, trouxe-o junto a si e viu que buscou a parte mais quente do seu corpo, para não morrer.
Voltou-se, para que ele não visse seus olhos, saiu sem se despedir, sentindo ainda mais frio, enquanto a noite descia sobre os tetos, cancelava o céu e ali, na escuridão completa, parou, procurou o beijo, enfiou-o na boca e o engoliu.

 EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (PROSA E CONTOS) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Colo perfumado - TERCIANA MARTINS

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Mulherio das Letras Portugal neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

A beleza de uma mulher de bordel quando desce de uma escada com o seu vestido curto preto colado no seu corpo curvilíneo com cabelos longos negros e com um decote imenso nas costas até as nádegas é de arrepiar qualquer homem que esteja a sua espera.
Quando ela começa a desfilar diante de vários homens de todas as idades, desde o mais jovem até o mais maduro com um perfume embriagador no seu colo e com seus lábios carnudos vermelhos, todos querem beijar esta boca tão desejada e provada por todos.
O primeiro rosto queria que ela desse beijos de língua molhados e demorados que parecia que ia devorar a boca toda. O segundo rosto de saciar desejos carnais. O terceiro rosto queria que ela passasse as suas mãos por todo o seu corpo onde aos poucos ele deixou ela tocar em todas as suas partes íntimas sempre sutilmente em cima da roupa, nada cafajeste o que deixava ele ainda mais excitado com uma vontade de chegar a penetrar e ter o gozo chegando assim ao êxtase.
Ela queria matar a sede desses homens insaciáveis de sexo, pois estava sendo paga e quando se lembrava que tudo aquilo que ela fazia sem amor, só por prazer sexual e por dinheiro para se sustentar e quando se lembrava de sua origem humilde no dia que saiu de casa querendo conquistar o mundo e viver a sua liberdade, só não sabia que teria que pagar um preço muito caro para sobreviver numa cidade grande desconhecida cheia de vestígios de um submundo miserável e cruel.
Sob o olhar do espelho ela via o seu corpo estranho não conseguindo mais visualizar o reflexo da sua imagem e sim um labirinto de faces escondidas sobre a sua indecifrável identidade.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (PROSA E CONTOS) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Caminhos - TAIASMIN OHNMACHT

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Mulherio das Letras Portugal neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

Olhou para o céu e viu uma estrela cadente. Não havia pedidos a serem feitos. Lembrou o jornal da noite anterior. Vários meteoros se aproximariam da terra. O mundo segue seu próprio script, não se interessa pelos dramas humanos.
Precisava andar até o carro e o ar da noite era congelante, mesmo tão bem agasalhada sentia a aragem cortar suas bochechas. Lembrou-se do quarto quente que acabara de deixar. Queria voltar, queria partir. Já sentia saudade do cheiro dela em seu corpo. Tomou um banho quente antes de deixar o apartamento e o sabonete roubou-lhe os restos da paixão. Se retornasse, a encontraria disposta a amá-la mais uma vez? Nada disso interessava, pois tinha outro destino, mesmo sabendo que o único olhar que importa é o de desejo.
Arrancou o carro com a determinação dos que não pensam, seguindo apenas o caminho já traçado. Não havia arrependimentos, nem pelo quarto deixado, nem pela estrada escolhida, só a vaga sensação de que a vida é mais complexa do que lhe ensinaram um dia.
Abriu a porta para a acolhida de seu lar. Os filhos pequenos a receberam em festa. Com um no colo e o outro segurando sua perna, foi até a sala e cumprimentou seu marido com o beijo rápido dos conviventes de longa data.
Distraído, ele pergunta:
– Eu fiz janta. Aqueço?

 EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (PROSA E CONTOS) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 8 de agosto de 2021

Rostos apagados - SHIRLEI PINHEIRO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Mulherio das Letras Portugal neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

Há um tempo trabalhei como voluntária em um grupo que uma vez por semana levava quentinhas a moradores de rua em alguns bairros da minha cidade, durante os outros dias juntava os alimentos doados para fazer o cardápio que era bem variado com sobremesa, frutas e sucos.
Fiquei impressionada com as histórias deles, que obviamente tinham uma vida bem diferente da realidade em que vivem atualmente, como todos nós. Pessoas estudadas, com bons empregos, famílias. Conheci um que era poeta e tive a oportunidade de ler uma de suas poesias, um requinte e habilidade de usar as palavras como poucos, uma leveza na escrita que nos faz viajar, naquele momento fiquei pensando o que poderia tê-lo levado a abrir mão de tudo e se encontrar naquela situação, talvez teria se tornado um poeta famoso, ter escrito livros... é difícil saber, cada um tem um motivo e não cabe a mim, julgar.
Confesso que antes de fazer parte desse grupo eu como a maioria não enxergava essas pessoas, muitos se acostumam a vê-los como parte da paisagem urbana, rostos apagados. Por trás desses rostos tem vidas, sonhos, medos, inseguranças, esperanças, erros, acertos, alegrias, frustrações, são seres humanos que não podem simplesmente se tornar parte do banco da praça ou do viaduto.
Encontrei com um rapaz que recebia nossas quentinhas e ele se lembrou de mim, disse que saiu da rua e conseguiu um emprego, ele nem é da minha cidade, veio do Sul tentar a vida por aqui e fiquei muito feliz com a sua recuperação, mostrou que o nosso trabalho não foi em vão.
Hoje ainda faço parte desse grupo com doações, mas não tenho ido para as entregas por falta de tempo, mas quando ando pelo centro da cidade não sou mais indiferente a essas pessoas, lamento muito quando
percebo que aumentou esse número, mas tenho esperança que outros se sensibilizem com essa situação e passem a não só enxergar essas pessoas, mas ajudar de alguma forma a quem precisa.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (PROSA E CONTOS) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sábado, 7 de agosto de 2021

E nem sei o dia - ROSE PEREIRA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Mulherio das Letras Portugal neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

Amanheceu, e já estava atrasada quando avistei da janela uma flor nova no meu jardim.
Parei, simplesmente parei.
Esqueci do tempo, da hora, e das roupas já prontas no corpo, e me permiti, conscientemente, quebrar as regras do dia. Dediquei-me inteiramente aquela flor diferente que nunca tinha visto, tomada pela sua beleza que me atraia como uma mensagem de amor.
Aproximei-me o quanto pude.
Observei sem pressa seus detalhes, a cor, os traços, os minúsculos fios em suas pétalas, suas imperfeições...
Aparei-lhe os galhos secos, em outros me atrapalhei, catei a folhas mortas que nos cercavam, e não senti as dores dos espinhos.
A terra pediu água, e sem me despir das coisas do dia, encharquei-me com os apertos do peito. Tomei banho de mangueira numa hora imprópria e molhei as flores.
Senti-me menina outra vez, e mesmo assim, não prevaleceu o gosto de eternizá-la nas mãos como fazia nos vasos de outrora. Os pensamentos agiram por mim.
Perdi a noção dos afazeres, das responsabilidades e do humano, e somente a alma, serena, encantava-me.
Por alguns instantes recorri ao jardim do meu quintal.
Sorri pra mim, para a flor que me descobriu... e percebi que precisava mesmo revirar o solo, adubar, tirar as roupas molhadas, e enxugar o corpo.
Tudo agora esperava.

 EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (PROSA E CONTOS) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Transversas - RITA QUEIROZ

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Mulherio das Letras Portugal neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

Vagarosas lembranças se espalham sobre o tapete da sala. O relógio parou. As horas ficaram suspensas. Olho para o espelho...
Na cozinha, a cafeteira apita: o café está pronto. Falta açúcar. O amargor não me agrada. Verto todo o café na pia. Abro a geladeira. Aquele vapor frio me paralisa. As lembranças estão à minha espera. Não quero encontrá-las.
Visto uma roupa mais quente, em pleno verão. Calafrios me assustam. Fecho as janelas. O sol está sorrindo. Choro saudades. Olho para o espelho...
O tempo não passa. Tudo volta na velocidade da luz. As palavras daquele dia seguem martelando minha mente. Não consigo apagá-las. As saudades rolam pela face. O espelho grita...
Fragmentos de mim desmoronam. A roupa me sufoca. Visto um vestido vermelho, de um tecido fino, transparente. Solto os cabelos. Passo um batom combinando com a cor do vestido. Pinto os olhos. O espelho sorri...
As horas seguem seu ritmo normal. Varri as lembranças e não as coloquei sob o tapete. Não mais me assustam. Brinco com os anéis. Os pés bailam freneticamente. Me reconheço no espelho.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (PROSA E CONTOS) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

O Tempo e a sabedoria - RITA PINHEIRO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Mulherio das Letras Portugal neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

Afirmar que o ser humano é a expressão concreta da racionalidade é, talvez, o primeiro equívoco da modernidade. Prefiro a linha instintiva e intuitiva dos animais irracionais.
Precisamos dos nove meses de preparação gestacional: partindo da concepção, as longas oito semanas para sermos considerados um “feto”, o desejo, a espera, a perfeição, ausência do último período menstrual e as 40 semanas não de inércia e sim de movimento divino. É o nosso primeiro encontro com o senhor TEMPO!
A falta de tempo aparece na contramão da sabedoria, na aquisição de hábitos nada saudáveis. Os Gurus, sacerdotes, Xamãs, dentre outros sábios seres escolhidos e enviados ao mundo para mostrar o caminho da paz e equilíbrio veem no tempo o seu guia.
Precisamos dar tempo ao tempo! Contemplar o pôr do sol que se oculta no horizonte na direção oeste e/ou aguardar o Halo Solar surgir ao redor do astro rei. Pra que complicar ?
A contemplação não requer receitas científicas, é só deixar que o sol faça a sua parte. O "Ocaso" brinca com o tempo sabiamente num movimento duplo: terra e sol. E o que impede o Homem de assistir ao espetáculo diário é a falta de tempo.
Segundo a linha budista há dois dias do ano onde nada pode ser feito: um se chama ontem e o outro amanhã. Hoje quero parar, sentir a brisa, deitar na grama, tocar as mãos do amigo, nadar, pular ondas no mar, caminhar descalço, usar pouca roupa, beijar uma criança, alimentar os animais, recitar o poema que estou por fazer, não fazer nada, escrever na madrugada.
E se alguém perguntar:
– E o tempo?
Vou responder:
– Ele parou para ler esse texto.

 EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (PROSA E CONTOS) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS... CELÊNE IVO JUNQUEIRA BACELAR

Agradecemos à autora CELÊNE IVO JUNQUEIRA BACELAR pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - O que entrega de si, enquanto pessoa, na hora de escrever?

Entrego com amor toda a minha capacidade de criação e o faço com prazer.

2 - Criar textos é uma necessidade ou um passatempo?

Escrever, para mim, não é necessariamente um passatempo. A poesia está na alma, gosto de expressar, através dos versos, o que sinto e penso. Nos momentos de inspiração, registro imediatamente os pensamentos, satisfazendo meu ego. Sendo assim, uma necessidade.

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

Os dois aspectos são importantes, mas o cuidado linguístico sobrepõe à espontaneidade. A escrita pode ter originalidade, mas sem boa linguística perde um pouco a beleza.

4 - Em que género literário se sente mais confortável e por quê?

Poesia. Sinto-me realizada quando crio versos. A poesia faz parte de mim, está na alma.

5 - Que mensagens existem naquilo que escreve?

Passo mensagens que levam à reflexão. Mensagens positivas de vida, de amor e de esperança.

6 - Quais as suas referências literárias?

Ah, são tantas que eu poderia citar!! Cito apenas alguns autores que aprecio bastante: Machado de Assis, Carlos Drummond, Cecília Meireles, Cora Coralina. Gosto muito de María Dueñas e, como creio no sobrenatural, sou fã de Pedro Siqueira.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras e autores?

Acho ser essencial o marketing editorial na divulgação de obras e o pessoal, na de autores. Fotos com boa apresentação e conteúdos para atrair leitores.

8 - O que concretizou e o que ainda quer alcançar no universo da escrita?

A publicação do meu livro de poemas foi um sonho que realizei. Pretendo publicar o segundo assim que passar esse período atual que estamos vivendo.  Estando ao meu alcance, quero participar de eventos literários a fim de divulgar meu trabalho.

9 - Por que participa em trabalhos colectivos?

Porque acho formidável divulgar nosso trabalho através desse meio e, ao mesmo tempo, conhecer o trabalho de outras pessoas.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Se você pudesse voltar no tempo, o que faria diferente? Não mudaria nenhum acontecimento, apenas aprimoraria alguma coisa em alguns. Grata.

Lívia é um pêndulo - JOSELMA NOAL

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Mulherio das Letras Portugal neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

A mulher a mover-se no alto da sala. No pescoço longo e branco, haverá o colar de pérolas e a grossa corda. No porcelanato, haverá o brilho do lustre e das gotas de cristal estilhaçadas. No céu, haverá nuvens cinzentas a anunciar a chuva por vir.
Sentia-se massacrada, esmagada entre Vicente e Alberto. Nem sempre havia sido assim. A vida, antes calma, passou a ser angustiada, dividida e Lívia sofreu. Houve o tempo do triângulo isósceles, forma perfeita, todos em seu devido lugar: com o seu espaço, com a sua liberdade. Tudo era assim: sem regras, sem máscaras, sem preconceitos. A vida parecia boa.
Até que Lívia mudou, sentiu-se desimportante, diminuta, parecia sobrar naquele amor masculino. Eles nem notaram, nem perceberam, quanto mais se uniam Vicente e Alberto, mais se isolava Lívia. Uma ostra.
Agora reflete a mulher sobre a sua insignificância. Estuda a sala, observa a mobília, ergue o olhar, observa o lustre, vai descendo até encontrar o porcelanato, consegue enxergar o cenário futuro. Gira o corpo para contemplar-se no espelho da sala, ajeita o colar de pérolas. Caminha alguns passos até a cadeira, ali encontra a bolsa pendurada, abre o fecho com vagar a procura da corda.

 EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (PROSA E CONTOS) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Sem pintura - CONCEIÇÃO CRUZ

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Mulherio das Letras Portugal neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

Certamente, é coisa do Céu: estava "escrito nas estrelas".
A razão puramente humana não sabe explicar!
Desde o passamento do cônjuge, ficou meses e ano longe da vida social.
Sem pintura, sem cor, sem voz... ou quase inaudível.
Nas idas e vindas, muito chão a percorrer...O mapa astral revelou,
dentro de parcos anos, um novo matrimônio. Mas... Como?
O olhar agora voltado para dentro, cursos e buscas para cuidados físicos
e espirituais, sem muito vislumbrar além do amor de pet: suas “meninas"
postiças.
Trabalho. Trabalho. Trabalho. Vida resumida.
Antes que alguém sonhasse com o fim do mundo, um vírus surgiu na
China: varreu todos os continentes. Fixou homens em seus lares, não as
suas mentes!
Aleluia! Será coisa do céu? “Ninguém sabe o dia de amanhã!?” A tecnologia
serviu para amenizar as distâncias físicas, astrais e (des)unir a
humanidade?
No verão da pandemia de 2021, um sorriso largo, brilho no olhar,
serenidade vinda de dentro, vibrante em cores, na foto sem pose, seguramente,
plena.
Atitude de mulher empoderada. Coisa do céu?
O amor, passaporte para a felicidade, veio junto com a maturidade,
eternizado em instantes no beijo materno das alianças e nas bênçãos de
novo casamento.
Sem sair de casa, união de diferentes clãs! Passou a integrar uma carismática
e tradicional família, no auge da pandemia!
Fantasia? Ou será que, realmente, estava "escrito nas estrelas"?
Coisas do Céu?
Certamente...

 EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (PROSA E CONTOS) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Entra na minha vida - C. GONÇALVES

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Mulherio das Letras Portugal neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

Entra na minha vida, podes entrar sempre que quiseres.
O meu coração está vazio e triste, e a tua chegada ilumina-me.
Nos dias que passam, por vezes sem sentido, a tua presença é uma lufada
de ar fresco, uma renovação. Não tenhas medo de ficar, de pertencer.
É esse o objetivo, é essa a razão. Ficares, ficarmos, juntos.
Entra na minha vida, podes entrar sempre que quiseres.
O meu coração já te pertence, e a cada dia que passa, sinto mais a tua
falta quando não estás. Nas horas que movem o sentido da vida, é na tua
companhia que me sinto bem, que me sinto livre. Não tenhas medo do
amanhã. Ele será o reflexo daquilo que fizermos hoje. Das emoções que
vivermos hoje. E se ficares, ficaremos, juntos.

 EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (PROSA E CONTOS) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 1 de agosto de 2021

Para sempre em mim - ANA MENDES

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Mulherio das Letras Portugal neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

O vento que tudo leva à força ou pela mão,
A chuva que a terra rega alimentando até uma ilusão.
Sinto que me puxa ou empurra, fecho os olhos e agarro-me ao pontão.
A emoção avassala-me e nada a segura, lágrimas traduzem mágoas
do coração.
A maresia entranha-me quando as ondas balançam com vigor
Burrifos salgados esvoaçam e banham sentimentos entre o sal e o mel
do meu amor.
Pensamentos escondidos invadem-me, aprisionam-me a mente, o ser.
No torpor nada me liberta enquanto o meu corpo dolorido desperta.
As chagas do destino que se estendem, sobre o meu eu tímido em alerta
Chora e grita ferido na escuridão, procuro a liberdade, fôlego, o respiro
Quero soltar-me na imensidão e mergulhar nas revoltas ondas, prefiro.
Despir-me da dor da solidão, porque agora que já não És, me retiro.
Embora sinta no ar que sussuras entre gotas, sobre a pele deste mar índigo.
Imagino carícias que me acompanham, que me agarras.
E quero as palavras de amor que levas-te contigo, o carinho que
murmuravas, ao ouvido.
Olho as águas que me apelam e já não consigo...
Vejo-te e não me sentes, convite que te desenhas sobre a espuma
Tentação do meu sofrer e querer, esvaindo-se como as forças
sobre a lua, nesta bruma que se levanta ao anoitecer.
O destino assim o quis...
Lanço-me na imensidão e vôo até ti
Tão frias são as garras que me recebem sem ceder
Gélidas mãos azuis ou cinza, que importância agora, parto enfim...
E nas profundezas da natureza te encontrarei
e guardarei para sempre em mim...

 EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (PROSA E CONTOS) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 26 de julho de 2021

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS... SIGRIDI BORGES

Agradecemos à autora SIGRIDI BORGES pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - O que entrega de si, enquanto pessoa, na hora de escrever?

Tudo o que está preso na minha garganta. Não sou uma pessoa extrovertida. Consigo me expressar através da escrita. Mas nem sempre foi assim. Com o passar do tempo, fui mudando, aprendendo e criando...  Amadureci.

2 - Criar textos é uma necessidade ou um passatempo?

Necessidade. Preciso escrever, isso me faz bem.

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

A espontaneidade vem primeiro. O cuidado com a escrita, correções e adequações são importantes, mas precisam ser trabalhados depois que a ideia já está colocada no papel.

4 - Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

Lírico, com certeza. Gosto de sonetos clássicos, de trovas e de haicais. Acredito que, por eu ser matemática, acabo misturando as letras com a métrica dos versos. Gosto de contar as sílabas para formar as frases. Às vezes pode parecer um pouco engessado, mas discordo. Escrevo com prazer e tento obedecer à estrutura. Ainda acho o haicai mais difícil de ser criado: poucas palavras para dizer tudo o que se deseja. Um desafio.

5 - Que mensagens existem naquilo que escreve?

Depende muito da inspiração. Ela surge sem eu perceber. Acredito que o estado emocional colabora. Basicamente são mensagens de fé, de esperança, de carinho, de persistência, observando o cotidiano daqueles que me cercam.

6 - Quais as suas referências literárias?

Cora Coralina, Mário Quintana e Paulo Bomfim.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras e autores?

A interação com outros autores, participação de concursos literários, a mídia. Principalmente leitores. Precisamos de leitores.

8 - O que concretizou e o que ainda quer alcançar no universo da escrita?

Tenho dois livros infantis que surgiram durante conversas em família. Ainda tenho mais alguns deles para publicar. Tudo a seu tempo. O que ainda quero alcançar? Talvez trabalhar numa editora, numa biblioteca.

9 - Porque participa em trabalhos colectivos?

Acredito que o escritor consegue uma maior divulgação de seus trabalhos quando participa de projetos com talentos diversos. Ele passa a ser mais conhecido no meio literário, aprende com os colegas, divulga seu talento, mostra o que gosta de fazer. E fazer com dedicação.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Você gostaria de ainda ser criança? Responderia sim.

sexta-feira, 16 de julho de 2021

DEZPERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS... ZENÓBIA MELO

Agradecemos à autora ZENÓBIA MELO pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - O que entrega de si, enquanto pessoa, na hora de escrever?

A alma.  Nos meus escritos, me desnudo.

2 - Criar textos é uma necessidade ou um passatempo?

Necessidade.   Em muitos deles, me desabafo, fico mais leve.

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

O mais importante é me fazer entender, em um linguajar simples, todavia, não descuidar na grafia correta das palavras.

4 - Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

Conto. Minha imaginação viaja que é uma beleza...

5 - Que mensagens existem naquilo que escreve?

Muita filosofia de vida, conselhos tirados da própria experiência e da dos outros.

6 - Quais as suas referências literárias?

Na adolescência, livros que me ensinaram a crescer, a amadurecer: Saint Exupéry, (Pequeno Príncipe), Eleanor H. Porter, (Pollyanna), Dale Carnegie, (Como Evitar Preocupações e Começar a Viver), Ariano Suassuna, Jorge Amado, enfim, sou fã dos escritores e poetas nordestinos.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras e autores?

Exposição em lugares muito frequentados e não se esquecer de que “a propaganda é a alma do negócio”.

8 - O que concretizou e o que ainda quer alcançar no universo da escrita?

Editar livros. Sinto um vazio por não ter escrito ainda um romance.

9 - Porque participa em trabalhos colectivos?

Por mera casualidade ao receber convites para tal.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Está feliz com o decorrer da sua vida, desde o seu nascimento até os dias atuais?

Responderia Sim. Porque o se não existe para mim. O que passou, o presente e o futuro, foi , é e será o que tem de ser. Exemplo: corre-se tanto atrás de um sonho que nunca acontece, enquanto outros, quando menos se espera caem de pára-quedas em nossos braços... São os mistérios da vida...

domingo, 11 de julho de 2021

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS... HUMBERTO CELLUS

Agradecemos ao autor HUMBERTO CELLUS pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - O que entrega de si, enquanto pessoa, na hora de escrever?

Tempo e concentração em busca do melhor pro bem da Poesia e da escrita

2 - Criar textos é uma necessidade ou um passatempo?

Uma enorme necessidade que se torna em instantes um passatempo agradável e responsável.

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

A espontaneidade.

4 - Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

Gosto de penetrar nos costumes e dizeres da Literatura de Cordel.

5 - Que mensagens existem naquilo que escreve?

Indicar a não presença do amor e suas consequências.

6 - Quais as suas referências literárias?

Aos versos encontrados na Literaturas de Cordel.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras e autores?

Os recitais de poesias que revelam seus títulos e autores.

8 - O que concretizou e o que ainda quer alcançar no universo da escrita?

A participação em ANTOLOGIAS e a construção de uma autobiografia.

9 - Porque participar em trabalhos colectivos?

É a grande relevância para o escritor ter a oportunidade de parceria.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Como se faz um poema?

Com a força da alma nas batidas do coração.

sábado, 10 de julho de 2021

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS... CECÍLIA SOUSA

Agradecemos à autora CECÍLIA SOUSA pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - O que entrega de si, enquanto pessoa, na hora de escrever?

Quando estou escrevendo esqueço de tudo ao meu redor, me entrego por inteira e me isolo para me concentrar.

2 - Criar textos é uma necessidade ou um passatempo?

Criar textos é como está dando vida ao imaginário, é um passatempo que se faz necessário, ou seja, não vivo de fazer texto, então faço porque gosto.

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

Os cuidados linguísticos devemos ter sempre, para quem ler isso fará muita diferença, ou seja, a forma como escrevemos é a forma como o leitor nos ver e tudo fica mais interessante quando junta os cuidados e a espontaneidade, sinto necessidade de passar para o papel os meus sentimentos e pensamentos.

4 - Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

O gênero lírico, por ser uma pessoa romântica. A poesia, sem sombra de dúvida, nela deixo viajar/ fluir meus pensamentos e sentimentos , é na poesia que me acho.

5 - Que mensagens existem naquilo que escreve?

Procuro escrever o que vem do coração, sempre positiva em tudo que escrevo, que a vida deve ser vivida da melhor forma possível, então em minhas poesias eu me dedico com toda emoção para que meus leitores gostem de ler.

6 - Quais as suas referências literárias?

As minhas referências literárias são a Cora Coralina, Cecília Sfalsin, Cecília Meireles, Raquel de Queiroz, Mia Couto, Mário Quintana etc. Mas tudo que escrevo tem muito de mim, ou seja, coloco minha alma nas poesias.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras e autores?

Hoje divulgar é muto fácil, temos vários meios de divulgação acessível. Eu prefiro as antologias que participam vários autores de cidades, estados  e até países diferentes e com isso o seu trabalho chega em toda parte.

8 - O que concretizou e o que ainda quer alcançar no universo da escrita?

O que me concretizou foi as publicações em várias antologias e por ter organizado a I antologia da Academia de Letras do Sertão Pernambucano – ALESPE.

9 - Porque participa em trabalhos colectivos?

O trabalho coletivo nos possibilita compartilhar saberes, nos permite ver e ser vista por muitos outros autores até ter coragem que publicar o seu trabalho solo.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Uma pergunta que se me perguntassem eu não saberia responder, mas gostaria mesmo assim que me fizessem: “Se não houver amanhã, você é feliz hoje?

sexta-feira, 9 de julho de 2021

DEZ PERGUNTAS MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL... CELÊNE IVO JUNQUEIRA BACELAR

Agradecemos à autora CELÊNE IVO JUNQUEIRA BACELAR pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Poesia, prosa ou conto, por quê?

Poesia. Porque a poesia é parte de mim, está na alma. Quando estou escrevendo isolo-me no meu eu, entrego-me totalmente àquele momento. Os pensamentos vagueiam criando o meu mundo de fantasias. Envolta pelo véu da criação, extravaso o que sinto, penso e, muitas vezes, transporto para mim o exterior.

2 - Quase um ano de pandemia, o que mudou na sua rotina, enquanto autora?

O tempo dedicado à criação. Como fomos obrigadas a ficar em casa, as ideias fluíram com mais facilidade.

3 - O que tem feito para manter-se produtiva e dar continuidade aos projectos em tempos tão restritos?

Como sou aposentada, continuei a escrever sem interrupção. Mesmo por que para não ficar absorvendo o sofrimento do próximo.

4 - Pontos positivos e negativos na sua trajetória na escrita.

Positivos. Participei da primeira Coletânea em 2019. Um Concurso Brasileiro de Poesia, com tema específico, promovido pela farmácia Pague Menos. Nesse período de crise que, infelizmente, ainda não terminou, tive a oportunidade de participar de nove, entre Coletâneas e Antologias. Cinco da In-Finita.

Negativos. Devido à pandemia, precisei adiar a publicação do meu segundo livro, já que os amigos esperam um evento presencial para o lançamento.

5 - O que pensa sobre essa nova forma de estar, onde tantas pessoas começaram a utilizar LIVES e VÍDEOS para promover suas atividades?

Acho ótimo. É um meio de estar com pessoas diferentes e conhecer a maneira de pensar de cada uma.

6 - Acredita que o virtual, veio ocupar um espaço permanente, sobrepondo-se aos encontros literários presenciais, pós pandemia?

Acredito que vai continuar por mais tempo, mas não permanente. As pessoas gostam de confraternização, partilhar ideias.

7 - Se pudesse mudar um acontecimento em sua vida literária, qual seria ?

Por falta de experiência, a publicação do meu livro de poemas foi feita sem nenhuma divulgação. Hoje faria diferente.

8 - Indique-nos um livro que lhe inspirou.

Gosto muito de Cora Coralina, com quem me identifico um pouco, Carlos Drumond de Andrade e Cecília Meireles. Na verdade nenhum livro me inspirou. Se eu escrevesse romance, dentre tantas leituras inspiradoras, poderia indicar “O Perfume da Folha de Chá” de Dinah Jefferies.

9 - Quem é Celêne Ivo Junqueira Bacelar no reflexo do espelho ?

É uma pessoa com qualidades e defeitos, sobressaindo mais as qualidades. Fé em Deus, determinada, corajosa, gosta de buscar o novo, sempre com pensamentos positivos.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Qual sonho, em sua vida literária, gostaria que fosse realizado? É realmente um sonho. Sucesso e ser reconhecida.

Celêne Ivo Junqueira Bacelar, professora aposentada, licenciada em Letras Vernáculas pela UFBA, casada, reside em Feira de Santana, Ba. Tem publicados um livro de poemas, Amor e Vida, textos e poemas em jornal desta cidade. Participação em Coletâneas: 2019, de um concurso literário brasileiro de poesias, 2020, Pandemia de Palavras, Ecos do Nordeste, Toca a Escrever da In-Finita-Porugal e da Antologia Lírica Urbe da Editora Edições & Publicações.