quinta-feira, 17 de setembro de 2020

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS A... SUZANA D'EÇA


Agradecemos à autora SUZANA D'EÇA pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1. Como se define enquanto pessoa?

Em primeiro lugar sou um ser humano, uma mulher, uma mãe, uma filha, uma pessoa solidária que escreve com delícia e que ama a vida. A vida é um dom.
Depois sou tudo o que já fui: Criança; Jovem; Estudante; Viajante; Professora de História; Diretora Comercial e Relações Públicas; Coordenadora de Relações Públicas e Gestão de Eventos da TVI - Televisão Independente S.A; Aluna de Escrita Criativa e de Storytelling, e tudo aquilo que continuarei a ser:  uma profissional como Consultora de R.P./Cultura, uma autora, uma crente, uma pessoa positiva, empreendedora e sonhadora. Gosto de Acreditar!

2. Escrever é uma necessidade ou um passatempo?

Desde os primeiros anos do liceu. Devorava livros. Devo-o à minha fantástica Professora de Português, Irene Ferreira de Almeida, que me ensinou a voar, lendo.
Descobri que voava ainda mais escrevendo, porque voava nas asas da minha imaginação.
Escrever permite-me ser mais introspetiva e conhecer-me melhor, para poder conhecer melhor os outros e saber dar. É uma constante aprendizagem que nos obriga a crescer e ainda bem.
Mas também me está no sangue escrever, a escrita corre-me saudavelmente nas veias. O meu avô era um grande jornalista, escritor, poeta e mecenas das artes. Os meus tios e minha mãe têm grande sensibilidade artística e todos escrevem muito bem e têm obra feita. Assim sendo, desde cedo que me senti impelida a escrever. Escrever faz parte do meu corpo físico e é mais forte do que eu: A Escrever preencho de emoções, memórias e outras histórias, o papel imaculado tornando a folha de papel viva. E tal como a vida, o livro faz-se folha a folha.

3. O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

Ambos são importantes, mas se é para escolher apenas uma palavra escolho espontaneidade.
No entanto volto sempre ao que espontaneamente escrevi.
Inspiro-me na vida e nas pessoas; nas minhas leituras. E inspirar-me na vida, é reviver as minhas amarguras, mas também a minha felicidade feita de bons momentos; o gosto pelo belo é também uma fonte de inspiração, assim como os meus leitores - minhas musas, sempre presentes. Depois, há sempre o depois: brota-me como uma cascata a imaginação e escrevo em torrente. Mais tarde volto, penso e amadureço a jovem escrita, até sentir luz.

4. Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

Sinto-me à vontade em ambos os géneros literários: prosa e poesia. Embora a poesia me rasgue, pois surge sempre abruptamente e sou impelida a escrever, como referi anteriormente.
Surgir desta forma não quer dizer, obviamente, que seja crua. Muitas vezes é poesia suave de amor ou memórias ou sobre personagens inventados, outra vezes é mais introspetiva.

5. O que pretende transmitir com o que escreve?

Escrever preenche qualquer vazio que, por vezes, encontro em mim. Mas não escrevo para mim, pois quem escreve é para quem lê. Quem escreve dá um pouco de si e quem lê, leva esse pouco (ou muito …) de nós e interpreta. Cria-se uma simbiose entre autor e leitor e cada leitor é um novo amigo, é muito gratificante.

6. Quais as suas referências literárias?

Esta é difícil, pois não parava de escrever nomes. São tantos. Vamos lá, só a alguns: Eça de Queiroz, Luís Vaz de Camões, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Rosa Lobato Faria  sobretudo (poesia), Mário de Sá Carneiro, António Tabucchi, Gabriel Garcia Marquez, Marcus Vinícius de Moraes, Isabel Allendre, Ricardo Eliecer Neftalí Reyes Basoalto - conhecido popularmente como Pablo Neruda, Rainer Maria Rilke, Pedro Paixão, Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa - Agustina Bessa Luís, José Tolentino de Mendonça, Teresa de Saldanha, Sophia de Mello Breyner Andresen, Mario Vargas Llosa, Umberto Eco, Mia Couto, Marguerite Yourcenar, Orhan Pamuk, Lev Nikolayevich Tolstoi - Leon Tolstói, Fiódor Dostoiévsk, James Joyce, Thomas Mann, William Faulkner, Jung Chan, Somerset Maugham, Ernest Hemingway, Alain Absire, Carlos Ruiz Zafón. Ui, tenho de parar. Senão fica longa a lista e rasuram (riso).
Mas ainda tinha muitos “escritores preferidos” para colocar como por exemplo; Yvete Centeno, Alice Vieira, Joaquim Pessoa… Para além de todos aqueles autores de que também gosto muito e dos que simplesmente gosto, e de outros de quem uma das obras amei.

7. O que acredita ser essencial na divulgação de obras literárias?

Persistência, criatividade, uma vez que este questionário está ligado a um livro “Conexões Atlânticas”, direi que também é fundamental ter boas conexões, quer com proprietários de livrarias, quer com livreiros, quer com editoras, quer com os media.

8. O que ambiciona alcançar no universo da escrita?

Ah, curioso, não sei bem responder a esta questão… Gosto de escrever, isso é um facto. Gosto, quando apresento um livro, de ver a sala cheia. Dou valor à amizade. Mas não faço muito por ser uma autora famosa, confesso que não. Valorizo mais viver a vida que é um dom, sem me preocupar muito com o mediatismo do que escrevo. Se calhar faço mal… Vivo a vida e na vida cabem todas as outras paixões, construídas com o amor, com a amizade e com a imaginação. E no amor cabe a família, os amigos e o amor aos outros.
A vida vive-se apenas de uma maneira, um dia, uma hora, um minuto ou talvez mesmo um segundo, de cada vez. E nela cabem todos os retratos: o da felicidade, o da angústia, o do desespero, o da alegria, o da loucura, o da saudade, o da meditação e o da contemplação.
E estes estados cabem em todas as paisagens e em todos os rostos que os espelham, possíveis de serem contados se os intuirmos. A vida é feita de momentos e a felicidade também, e encontra-se por vezes nas coisas mais simples do nosso dia-a-dia. Só é necessário estar atento.
Quem sabe ainda a minha escrita traga outros frutos…

9. Porque participa em trabalhos colectivos?

Comecei por ter uma rubrica ao Domingo, num blogue familiar, onde todos me incentivavam a publicar. Daí aos concursos poéticos, tertúlias e publicações em coletâneas foi um pulo. Mas o verdadeiro salto foram os livros a solo, uma viagem vertiginosa da qual não quero regressar.
No entanto, é importante estar em contacto com outros autores, através da escrita, ter conhecimento e ler o que se escreve na atualidade no nosso país e pelo mundo fora e penso que escrever em coletâneas e antologias é uma boa forma de conhecer o trabalho literário dos outros e de divulgar o nosso. Ainda este ano vigente colaborei em quatro coletâneas, duas das quais ainda não saíram.

10. Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Para quando e quais novos projetos literários?
Não será a pergunta que mais gostaria que me fizessem, mas acho que é uma pergunta lógica para final de entrevista a um autor e a resposta aqui vai:
Quando for será com certeza um mergulho nos rios do Amor e da Amizade, os maiores valores de sempre. Nas perdas da vida estas riquezas tornam-se preciosas.
Mas para já quero-me concentrar no agora, tenho um livro infantil, recentemente escrito para divulgar ”Matilde, a Noite e João Pestana, no Reino do Animais Fantásticos”, na saga do primeiro livro Infantil “Matilde A Noite e a Lua”, ambos das edições Vieira da Silva.  Não descurando os livros de poesia ou prosa publicados. Não digo não a novas possibilidades. No entanto vivo um dia de cada vez, e cada dia é um desafio novo, onde a capacidade de amar deve ser mais forte do que o medo. É preciso acreditar.

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS A... ANDRÉ LUÍS MACHADO GALVÃO


Agradecemos ao autor ANDRÉ LUÍS MACHADO GALVÃO pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto pessoa?

Alguém inquieto e inconformado. Isso me aflige, mas também me agrada. Gosto de ver a poesia que existe em todas as coisas e no mundo ao meu redor.

2 - Escrever é uma necessidade ou um passatempo?

Uma necessidade. Ao escrever, consigo traduzir como vejo o mundo ao meu redor, além dos meus sentimentos e inquietações. É como eu consigo me libertar do que me aflige, percorrendo as múltiplas possibilidades de significação das palavras no texto. É, ao mesmo tempo, um exercício de purificação e de labor, que me traz muita paz.

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

Os dois aspectos são muito importantes, creio até que se complementem. Eu, por exemplo, não desprezo a ideia espontânea, a inspiração. Mas submeto-a ao crivo do cuidado linguístico, para transformar a ideia em texto.

4 - Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

Com certeza na Poesia. Na Poesia eu me sinto mais seguro, ouso mais e traduzo melhor o que vejo, sinto e penso sobre mim e sobre o mundo.

5 - O que pretende transmitir com o que escreve?

Que a Poesia está em tudo, não só na beleza das flores ou dos mais nobres sentimentos. A Poesia nos circunda, nos acompanha e faz parte de tudo o que nos rodeia, e ver o mundo sob sua perspectiva o torna menos árido e tenso.

6 - Quais as suas referências literárias?

Na prosa, sou fã de Machado de Assis, Jorge Amado, João Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Gabriel García Márquez, José Saramago e dos distópicos: George Orwell, Aldous Huxley e Ray Bradbury. Na poesia, desde Luís de Camões a Augusto dos Anjos, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana, Paulo Leminski, Fernando Pessoa, Florbela Espanca... Enfim, são referências muito ecléticas!

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras literárias?

Essencial é falar sobre as obras do autor, de suas virtudes e potencialidades. Enfim, dar mais destaque ao conteúdo que ele produziu. Claro que apresentar a história do autor e suas referências é importante, porém acredito que a melhor forma de divulgar o seu trabalho é discutindo suas obras.

8 - O que ambiciona alcançar no universo da escrita?

Publicar o máximo de textos que conseguir, conhecer a maior quantidade de opiniões sobre eles e levar um pouco de suas mensagens ao público. Ver um texto meu ser discutido, analisado, ver que a sua mensagem foi compreendida (ou questionada) é sempre motivo de muito orgulho e satisfação.

9 - Porque participa em trabalhos colectivos?

Porque acredito que a Literatura é uma oportunidade de encontros. Então, nas antologias e coletâneas, temos a oportunidade de conhecer pessoas, textos e ideias. E isso é muito enriquecedor e motivador.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

O que escrever representa na sua vida? Um encontro íntimo comigo mesmo, um mergulho nas emoções, medos e reflexões mais pessoais, de onde tiro fôlego e inspiração para construir os textos que tanto me ajudam a viver. Escrever é um ato de libertação!

terça-feira, 15 de setembro de 2020

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS A... CIDO PISANI


Agradecemos ao autor CIDO PISANI pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto pessoa?

Eu me defino como uma pessoa em busca de mim mesmo, seja na aquisição de novos conhecimentos, seja na realização pessoal e profissional, que também envolve a escrita. Portanto, acredito que o mais certo é afirmar que não tenho uma definição. Não consigo me encaixar nisso ou naquilo. É meio insano tanto quanto é poético. Se isso é ser escritor poeta, então, digo que é o que sou.

2 - Escrever é uma necessidade ou um passatempo?

Acredito que escrever a questão da necessidade quando envolve a inquietação por expressar algo. Contudo, também é um passatempo, pois é quando eu posso abstrair para viver outras vidas e outros mundos na pele do personagem ou do eu lírico.

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

O escritor quer ser lido, e, por isso é preciso ter cuidado com a questão linguística para ser entendido por mais leitores. Contudo, isso não nos impede de ter liberdade em criar palavras, quebrar com as regras e tratar a língua de forma lúdica como ela gosta de ser tratada. A linguagem gosta de ser usada, amassada e retorcida, pois assim continua viva. É justamente o que o povo faz e o escritor é o reflexo desse povo.

4 - Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

Gosto tanto da prosa quanto da poesia. Por vezes, estou mais poeta, e, em outras, mais prosador. Depende muito do momento da escrita em si.

5 - O que pretende transmitir com o que escreve?

Eu tento, antes de tudo, dar prazer ao leitor por meio do que escrevo. A leitura precisa ser prazerosa. Os leitores, assim como os escritores, têm essa necessidade de abstrair do mundo. Primeiramente, tento levar isso em consideração, e conduzir o leitor em uma boa aventura (romance, suspense, etc), que lhe faça deixar de lado os problemas. Depois, sempre que posso, acrescento conhecimento, diálogos com outras obras, acesso ao mundo literário, tudo para enriquecer a mente de quem está lendo.

6 - Quais as suas referências literárias?

Posso citar muitos autores como referências, à medida que vamos lendo, também somos alfabetizados nas cartilhas desses grandes mestres da linguagem. Mas, sem dúvidas, acredito que Machado de Assis seja o meu grande professor e incentivador.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras literárias?

O essencial é abrir canais para que mais pessoas vejam as obras. Falar sobre a literatura. Usar os novos meios e criar novos leitores. Ajudar os demais escritores também, pois outros escritores não são nossos rivais. Muito pelo contrário, são nossos aliados na guerra contra a ignorância. Um mundo de bons leitores é um mundo sem desigualdade e sem guerras.

8 - O que ambiciona alcançar no universo da escrita?

Quero uma cadeira na Academia de Letras, quero um prêmio Camões e um Nobel, mas antes de tudo, como escritor, eu quero transformar a vida das pessoas.

9 - Porque participa em trabalhos colectivos?

O trabalho coletivo é uma forma de ganhar visibilidade e de adquirir experiências.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Por que a escrita e não o futebol? Nunca fui bom com os esportes, contudo, com as palavras, mesmo errando, ainda sei jogar desde que aprendi a falar.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS A... ANA PAULA COSTA


Agradecemos à autora ANA PAULA COSTA pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto pessoa?

Já pensei mais nisso! Neste momento não estou preocupada com definições. Penso que todos devemos e podemos ser plurais, como o universo. O que poderia dizer sobre mim de mais específico? Sou uma pessoa de gostos simples que gosta de tranquilidade. Sou mais uma alma neste universo a viver as suas experiências, tentando crescer e ajudando os outros também a crescer, espero.

2 - Escrever é uma necessidade ou um passatempo?

É tudo! Escrever é terapia, é paixão, é necessidade é passatempo é tudo.

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

Ambos. Não podemos ter a pretensão de que apenas um importa. É necessário muito trabalho quando se escreve; talvez não logo no momento da escrita em si mas depois na revisão e na intenção da mensagem que se pretende transmitir.

4 - Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

Prosa.
Se bem que de vez em quando preciso de escrever poesia, que é o que tenho feito ultimamente. Não sei bem porquê. Sou muito descritiva, imagética e talvez por isso me identifique mais com a prosa, há sempre mais qualquer coisa que quero dizer.

5 - O que pretende transmitir com o que escreve?

Tenho vindo a mudar ao longo do tempo. Comecei por transmitir desabafos, sentimentos com os quais muita gente se identificava. Depois comecei a transmitir reflexões, opiniões sobre o que me rodeia. Essencialmente pretendo que as pessoas pensem, reflictam, se identifiquem e tirem as suas próprias conclusões. Gosto muito de escrever para causar desassossego.

6 - Quais as suas referências literárias?

Tantas! Urbano Tavares Rodrigues. José Saramago, os eternos Eça de Queirós e Fernando Pessoa.  Não me esquecendo dos ingleses Shakespeare, Lord Byron e do irlandês Oscar Wilde. Recentemente José Luís Peixoto e a canadiana Margaret Atwood.  É impossível escrever sem ler.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras literárias?

As redes sociais têm vindo a desempenhar um papel importante nesse sentido. No entanto, considero que os eventos presenciais são indispensáveis, as apresentações das obras, as tertúlias e os ciclos de conversa proporcionam sempre oportunidades não só de divulgação e novos contactos mas também de grande aprendizagem e partilha.

8 - O que ambiciona alcançar no universo da escrita?

Quero continuar a escrever e que o público se continue a identificar com o que escrevo. Gosto de escrever para provocar reacções, desassossego e claro gostaria de alcançar um público cada vez maior.

9 - Porque participa em trabalhos colectivos?

Participo em trabalhos colectivos porque conheço sempre trabalhos novos, tenho oportunidade de divulgar e partilhar os meus trabalhos e a energia dessa troca é boa.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

A pergunta seria: Qual a sua opinião sobre o mercado editorial em Portugal?
Gostaria de falar sobre algo que considero injusto. Desde há uns tempos para cá percebi que há editoras que transformaram a publicação de livros apenas num negócio. Os autores fazem um investimento e depois são um pouco abandonados à sua própria sorte.
Levados pelo sonho de publicar pela primeira vez, muitos são os que arriscam. É uma experiência que já tive e felizmente aprendi alguma coisa. Escrevo porque gosto e selecciono os projectos em que participo, não pelo lucro que possa ter mas pela divulgação ou gosto pessoal que me possam proporcionar, como é o caso da Emporium Editora e agora mais recentemente da In Finita; é bom sentir que as pessoas importam.

domingo, 13 de setembro de 2020

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS A... SARA TIMÓTEO


Agradecemos à autora SARA TIMÓTEO pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto pessoa?

Um ser humano com sonhos, aspirações e lutos, como qualquer outro.

2 - Escrever é uma necessidade ou um passatempo?

Para mim, é uma necessidade e também a melhor forma de passar o tempo.

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

Ambas as vertentes são importantes e, quando atingimos um determinado nível, é possível conjugá-las. No meu caso em particular, encontro-me no patamar em que burilo muito o que escrevo.

4 - Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

A poesia foi onde nasci para a literatura e continuo a sentir-me desafiada por este género literário. Uma vez que não procuro o conforto, tento superar as minhas limitações com trabalho e paciência. Há algo na nossa expressão que não se pode forçar e que tem de se esperar que amadureça, tal como postulava Eugénio de Andrade na sua obra magna sobre as mãos e os frutos.

5 - O que pretende transmitir com o que escreve?

Um jogo, um desafio, alguma alegria e beleza. Uma construção que seja mais que aquilo que trouxe a pessoa à leitura de uma obra minha.

6 - Quais as suas referências literárias?

São muitas, porque leio tudo aquilo a que posso deitar as mãos.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras literárias?

Apostar na qualidade e na formação dos autores. Um autor que não sabe pensar torna-se redundante.

8 - O que ambiciona alcançar no universo da escrita?

Estou satisfeita com o que alcancei até agora e pretendo explorar novos patamares de inovação que me desafiem.

9 - Porque participa em trabalhos colectivos?

É uma excelente forma de criar em comum e de tomar conhecimento do trabalho dos autores da contemporaneidade.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Esta mesmo. Que tal se não existisse qualquer pergunta, mas a busca por uma resposta?

sábado, 12 de setembro de 2020

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS A... CECÍLIA PESTANA


Agradecemos à autora CECÍLIA PESTANA pela disponibilidade em responder ao nosso questionário


1 - Como se define enquanto pessoa?

Sou uma pessoa simples, alegre, determinada, amante da Vida. Sempre pronta para novas aprendizagens e mudanças.

2 - Escrever é uma necessidade ou um passatempo?

Escrever, começou por ser uma necessidade, depois um prazer. Hoje, considero ser um passatempo. Escrevo poesia desde a minha adolescência.

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

Ambos, a Língua Portuguesa é muito rica. Não concordo com o novo acordo Ortográfico, é um assassinato à nossa Língua, à nossa escrita.

4 - Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

Principalmente gosto de escrever poesia. Se de forma evolutiva poderei escrever outros géneros literários? O tempo o dirá.

5 - O que pretende transmitir com o que escreve?

Um pouco de mim. Transmito com alma e paixão um universo de imensas ânsias, lampejos de emoções sentidas, num rol imenso onde cabem a natureza, a minha existência, amor/desamores, o apelo da misteriosa magia dos cheiros e nostalgias das viagens, sítios, e locais onde vivi, das gentes que conheci, continentes que percorri... O ímpeto de querer ir mais além nas vivências que irão surgir…

6 - Quais as suas referências literárias?

Já li variadíssimos autores em diversas preferências literárias: Poesia/Prosa, Psicologia, Filosofia, Ciências Ocultas, Filosofia Oriental, Romance, Ficção, Policial/Criminal. Cada livro: uma Obra, um Escritor, um Poeta. O gosto pela leitura vem desde miúda incutida pela minha mãe. Poderia aqui citar nomes de escritores por mim lidos, mas são vastos. Citarei então, alguns poetas que muito admiro: Vergílio Ferreira, António Nobre, Florbela Espanca, Sophia de Mello Breyner, Eugénio de Andrade, Fernando Pessoa, Ary dos Santos, José Régio, Luís de Camões, entre outros.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras literárias?

Acredito ser essencialmente importante a divulgação através de Saraus, eventos de Poesia, jornais e revistas regionais, redes sociais, Coletâneas, Antologias e E-Books. Estas ferramentas são uma boa forma de Marketing. 

8 - O que ambiciona alcançar no universo da escrita?

Como apaixonada pelo mundo poético, ambiciono dar-me a conhecer e ser conhecida como autora, uma vez que publiquei o meu primeiro livro de Poesia “A Voz do Poeta “, em Fevereiro de 2020. Já em fase, e no âmbito de elaboração do mesmo, consegui no espaço de meio ano, boa receptividade de várias Editoras, na aceitação dos meus poemas inéditos, advindo dai a minha coautoria em duas dezenas de Coletâneas e Antologias Poéticas e dois E-books de Natal.

9 - Porque participa em trabalhos colectivos?

Participo em trabalhos colectivos para dar-me a conhecer como autora e conhecer o trabalho de outros poetas. Assim como eu, os poetas que vão surgindo nesta vaga de novos autores, aventuram-se depois, na edição das suas próprias obras.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

O que eu mais gostaria de ter na vida? Paz, e essa, já foi conseguida!

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS A... RONALDO WERNECK


Agradecemos ao autor RONALDO WERNECK pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto pessoa?

Pessoa Ronaldo, eu mesmo: Werneck. Sou como eu sou:  sem heterônimos. Pessoa, mas não Fernando.

2 - Escrever é uma necessidade ou um passatempo?

Uma necessidade regida às vezes por um certo ludismo: quase um passatempo. Com o passar do tempo, necessidade movida a contratempos.

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

“Ambos os dois”, no dizer redundante de um velho conhecido. A espontaneidade surge no próprio ato de criação: sem ela, esse não existe. Após a “explosão criativa”, ou coisa que o valha, há que se cuidar dos ditames da língua: mais que seguir, aprimorar, expandir o vernáculo. No dizer de Mallarmé: purificar o idioma da tribo.

4 - Em que género literário se sente mais confortável e por quê?

Na prosa, principalmente na crônica, onde posso me “soltar” mais, escrever sem compromisso. Os ensaios e artigos críticos demandam pesquisa e maior atenção. Já os poemas exigem ainda mais. Raramente surgem prontos, pedem sempre releitura, retoques, até que se dê por cumprido o ofício.

5 - O que pretende transmitir com o que escreve?

No fundo, passar ao leitor um gosto pela leitura. Na medida do possível, ensinar, comover, deleitar – como disse Ezra Pound em seu ABC da Literatura.

6 - Quais as suas referências literárias?

São muitas e variadas, às vezes surgem das leituras as mais imprevistas. Estou sempre aberto a novas experiências. Jamais me valho daquele “não li, não gostei”, como na blague de Oswald de Andrade. Para dizer que não gosto, leio antes, quando necessário, tudo o que em princípio não me atrai. E volto sempre, com prazer renovado, aos autores que amo: de Camões a Drummond, de Sophia de Mello Breyner a Cecília Meireles, de Machado de Assis a Dostoievski, de Cortázar a Joyce, de Mallarmé a João Cabral de Melo Neto, a Rimbaud, a Baudelaire, e de etcétera a outros vários etcéteras.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras literárias?

Que elas sejam divulgadas com as informações precisas, com releases bem articulados, de forma a “vender o produto”. E com o devido critério, com um bom canal de distribuição.

8 - O que ambiciona alcançar no universo da escrita?

Dois ou três leitores atentos e interessados me bastam. Se gostam, eles acabam por passar a outros, por indicar esse ou aquele livro. E assim gira, às vezes ao contrário, o chamado mundo literário.

9 – Por que participa em trabalhos colectivos?

Pela amplidão de leitores que eles trazem: “os dois ou três leitores” de outros poetas acabam, por contiguidade, lendo meus poemas e, por extensão, disseminando os meus e os dos outros. É uma questão de “ampliar o diálogo”: “há que tentar o diálogo quando a solidão é vício”, já dizia Drummond. Questão de convivência, de “viver com”. Nas antologias, os meus e os outros leitores se entrelaçam numa saudável convivência.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

“Quando você volta a Portugal?”. Eu responderia, já saudoso: “Assim que a pandemia passar, já me vejo a circular pelo Chiado, a reverberar as ladeiras do Rossio, a bordejar pelas margens do Tejo. Breve, muito em breve, espero. E, súbito, num uníssono, vejo minha voz se somar à de todos nós”.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS A... ANTÓNIO MR MARTINS


Agradecemos ao autor ANTÓNIO MR MARTINS pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto pessoa?

 Uma pessoa calma no seu exterior, muitas vezes a fervilhar no seu interior.

2 - Escrever é uma necessidade ou um passatempo?

É, sobretudo, um gosto enorme, logo absolutamente necessário para combater quaisquer revezes, que possam surgir pela frente.

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

A espontaneidade colocada no papel, ou no word do pc, e depois devidamente limada e burilada.

4 - Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

Na poesia. Porque, e isso é fundamental, a adoro. Gosto de lê-la, escrevê-la e ouvi-la.

5 - O que pretende transmitir com o que escreve?

A maior diversidade de situações, anseios, sentimentos, ilações, visionamentos, etc.

6 - Quais as suas referências literárias?

Fernando Pessoa, no seu heterónimo Alberto Caeiro, sobretudo, Manuel Maria Barbosa du Bocage, nos sonetos, Eugénio de Andrade, Edgardo Xavier, entre tantos outros. Lendo-os aprendo, sempre. Seja em que patamar se encontre, segundo a crítica reconhecida.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras literárias?

Que sejam lidas. Os leitores são, sem dúvidas, os maiores e melhores promotores daquilo que lêem.

8 - O que ambiciona alcançar no universo da escrita?

Poder continuar a escrever até ao final da minha existência terrena.

9 - Porque participa em trabalhos colectivos?

É mais uma forma de poder criar e continuar a produzir, ou seja escrever.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Não faço questão de eleger quaisquer tipos de perguntas. Se puder, e souber, responder, respondo, se não puder ou não souber (ou não quiser, obviamente), não respondo. De resto poderei, sempre, responder a todas as questões que me possam ser apresentadas, fora dos âmbitos referidos.