quarta-feira, 14 de novembro de 2018

A IN-FINITA APRESENTA... MANUAL DOS OFÍCIOS


MANUAL DOS OFÍCIOS – um conto longo sobre a anuência do mal

SINOPSE:

O protagonista desta obra rememora a sua vivência por via dos ofícios com os quais se cruzou ao longo da vida.

O amor aparenta ser central nesta sucessão de missões na Bósnia e Herzegovina, mas depressa nos apercebemos da vacuidade desse sentimento.

A reflexão impõe-se-nos como elemento fulcral desta reconstrução sucessiva de identidades por entre as diversas pessoas conhecidas, possuídas e amadas. Por entre enredos quase folhetinescos e recordações de momentos de sofrimento, perdemos o rumo às nossas crenças por momentos e reencontramo-nos com velhos preconceitos. Ficamos a saber quais os remansos do medo onde se alberga a justificação da violência contra idosos, mulheres, crianças; enfim, todos os aspectos do Outro que nos dilaceram e, por vezes, comovem.

Existe mais do que uma mente na experiência de se ser humano? Como conciliar a ideia de justiça com o conhecimento cabal da injustiça? De que forma o facto de sermos parte de um império morto nos faz ambular pelo mundo fora fingindo estarmos vivos? Qual a natureza do mal e qual a relação dessa natureza com a nossa existência? Estas e outras questões emergem das experiências do primeiro-cabo cabo-verdiano, que nos guia por entre as trincheiras da manutenção da paz.

Podem saber mais da autora e adquirir o livro neste link

terça-feira, 13 de novembro de 2018

EU FALO DE... O SERENO FLUIR DAS COISAS


Por vezes o melhor que podemos fazer por um livro, e um autor, é dar a conhecer a nossa primeira impressão. Assim sendo, aqui fica o prefácio que tive a honra de escrever para o livro O SERENO FLUIR DAS COISAS, de Alvaro Giesta.

“Ser uma coisa evidente é ficar reduzido a quase nada”

Esta frase, do poeta dramaturgo Teixeira de Pascoais, explica em poucas palavras os conceitos que Alvaro Giesta aplica na arte da escrita. Nada do que sai de sua pena fica restrito ao evidente. Há, quase sempre, algo mais a ser entendido, para lá da palavra escrita. Há, quase sempre, matéria que, não sendo secundária (bem pelo contrário), merece tanta ou mais atenção. Há, quase sempre, algo que, fazendo sombra à evidência, nos obriga a ver para lá do óbvio e a decifrar entre linhas.

E o título da obra que temos em mãos é o exemplo perfeito. O SERENO FLUIR DAS COISAS, na sua fórmula evidente, ficaria reduzido ao simples e básico nada. No entanto, o poeta, enquanto mestre conhecedor das ferramentas que depuram a poesia e sabedor daquilo que se auto-exige, usou-as para que o conteúdo contrariasse o título, transformando-o numa ironia: o interior deste livro é tudo menos sereno, direi mesmo inquietante. Em contraponto, porquanto a arte poética não tem linearidade, o título desta obra também pode ser entendido como uma reflexão pela naturalidade com que devemos encarar as coisas que acontecem, seja na concepção da obra, seja naquilo que, afinal, é a vida de todos nós. As coisas acontecem porque tem de ser assim e devem ser entendidas como inevitabilidades da condição humana.

Alvaro Giesta já demonstrou, em diversas ocasiões, o quanto domina a arte do subliminar e essa capacidade é fruto de um trabalho apurado, consciente e, acima de tudo, permanente. Afinal, é esse rigor, no uso da linguagem simples, que se exige ao poeta. Se assim não for sobra apenas o banal. Mas não se confunda o banal com o simples. Existem diferenças abismais entre estes dois conceitos. Entenda-se o banal como algo frívolo, vulgar, o tal nada a que se referia Pascoais. O simples, ou a simplicidade na escrita, é algo bem mais complicado de se atingir mas uma vez alcançado pode ser sublime por não ser evidente.

Disse Herberto Helder:

“Escreve-se um poema devido à suspeita de que enquanto o escrevemos algo vai acontecer, uma coisa formidável, algo que nos transformará, que transformará tudo”

Alvaro Giesta labora a sua escrita por acreditar que, enquanto escreve, as transformações acontecem. E fá-lo para, no mínimo, transformar o banal em algo formidável, porque a estética também diz muito sobre o trabalho do poeta.

Esta simbiose (trabalho/estética), tão querida ao poeta, acaba por ser a imagem de marca da sua obra mas não explica tudo porquanto a primeira é apenas o meio para alcançar a segunda. E se sobre a estética cada um pode interpretar a seu bel-prazer e entendimento, sobre o trabalho não há margem para duvidar que o poeta se escreve a cada verso.

Neste sentido, e porque não existe uma só forma de dissertar sobre a obra de Alvaro Giesta, não resisto a fazer um paralelismo, já tão gasto como o tempo, entre a escrita poética e a escultura. Ao contrário de muitos contemporâneos que dizem esculpir o poema da matéria bruta, desbastando aqui e limando acolá, Alvaro Giesta usa o texto como matéria prima e, com o cinzel de poeta, vai retirando os excessos que o envolvem, até ficar apenas o que sempre existiu: o poema. Dito isto, é fácil deduzir que a poesia está dentro do poeta e ele limita-se a colocá-la cá fora somente quando entende que o poema atingiu a maturidade necessária para se dar a conhecer – o estado de quase perfeição.

“Os homens são como as obras de arte: é preciso que se não entenda tudo delas duma só vez”

Esta frase de Miguel Torga ajuda-nos a fundir e resumir tudo o que dissertei até aqui. A mestria de Alvaro Giesta no uso da linguagem simples, através do burilamento do poema, e a arte de transformar essa simplicidade em algo formidável mas nada evidente, para que cada leitor, a cada nova leitura, vá descobrindo ou decifrando o poema e o poeta. Neste contexto, faço um parêntesis e ouso escrever que O SERENO FLUIR DAS COISAS é a menos hermética das obras de Alvaro Giesta mas, em contrapartida, talvez seja a que mais nos fala do homem que dá corpo ao poeta e assim o vamos conhecendo pouco a pouco.

Sintetizando, e fazendo uso de uma discussão tão antiga quanto a poesia, creio que a forma mais adequada, para definir a poética deste autor, é considerar que, aquilo que para muitos é inspiração/criatividade, para Alvaro Giesta é transpiração/trabalho, porque o ofício de poeta o exige e a demanda pela perfeição também. Ou como disse Fernando Pessoa: “Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter”.

MANU DIXIT

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

IN-FINITA APRESENTA... - MAR INTERIOR

PARA SE FALAR DE UM AUTOR E UM LIVRO, NADA MELHOR QUE A PRIMEIRA IMPRESSÃO. EIS O PREFÁCIO, ESCRITO POR TITO LÍVIO, PARA
O LIVRO MAR INTERIOR, DE SUSANA PIRES

“Sou um simples véu numa encosta à beira mar“

Eis a bela definição de Susana Pires no seu poema/biografia breve, mas impactante e tão vera para quem a conhece, e privou, com ela de perto, a aprendeu a ler, no dia-a-dia, na sua ternura, na sua bonita feminilidade, na dádiva de uma profissão exigente, no seu carinho junto dos amigos, como mulher plena de afectos que é.

Neste seu primeiro Livro de Poesia, “Mar Interior” ela entrega-se-nos, desvenda-se, de corpo inteiro, numa poesia lírica, confessional e intimista, em que a presença da água, elemento feminino por excelência, é omnipresente. Daí este título de “Mar Interior”, mar sempre vizinho e companheiro permanente na paisagem que habita desde menina, marés com o seu fluxo e refluxo constante e a sua ligação às Luas, outro elemento bem feminino, enchente e vazante, como aliás acontece na vida de cada um de nós. Até nas surpresas que as ondas altaneiras fazem, chegar, inesperadamente à praia.

“Apareceste
 Amo-te assim sem sono
 nem acordes no tempo “

Depois do cansaço das rotinas e da espera, um corpo que renasce e se transforma e revive nas mãos, nos braços do homem amado, nos seus beijos e carícias há tanto desejados. Uma poesia erótica, carnal, mas sempre púdica, às vezes indizível, porque nem todas as emoções e sentimentos encontram expressão nas palavras justas. Porque elas só se encontram plenas na linguagem dos corpos dos amantes.

"Meu amor/não anuncies o zumbido/dos nossos pulsos - quando voltares".

E depois há o anúncio da festa dos corpos e do seu maravilhoso encontro, a mulher na vertigem/vórtice das sensações:

"Deixa-me beijar a noite"...

A mulher sedutora, a mulher que sabe surpreender e capaz de ser surpreendida, de captivar e enlear o amante.

“Ele achou-a louca... só para saborear como homem todo o seu Ser“

A projecção dos sentimentos pessoais na paisagem circundante e cúmplice. Porque no coração, e no corpo/ brotaram, numa nova Primavera, flores e frutos.

"Despertarei os teus jardins/até que as árvores soprem de felicidade"

Mas Susana Pires encontra de, de facto, no AMOR, por vezes, a magia exacta das palavras porque é uma Poesia que vem do mais fundo e secreto de si mesma como se nos quisesse envolver, a todos, nesse halo, momentos de felicidade total e pura.

"E foi assim/quando aquele beijo/foi devolvido/como a transparência/da gota de orvalho/pena que esvoaça do ninho".

Feiticeira apaixonada, ela dança e rodopia e canta, e diz, diz-nos, transmitindo a sua enorme plenitude de mulher.

"Danço que nem bailarina/Meu corpo reluz/sobre o grito que desprendes/pérola do meu sonho/feiticeira sou".

Mas a autora começa por viajar até à infância e a uma juventude serena, feliz, calma tranquila, sempre com a eterna presença do Mar e das Marés como fundo propiciatório. E sempre "com os olhos assoberbados da infância".

Finalmente a surpresa de alguns poemas de uma poesia gráfica, no tamanho variável de certos versos, no isolar de algumas palavras mais importantes, no jogo das maiúsculas quando se quer destacar algo mais importante, aviso ao leitor como sinais de um caminho acidental, desigual, mas de final seguro.

Minha querida Susana, o teu livro surpreendeu-me, e adoro quando os amigos/as me conseguem surpreender pela positiva. E há um contacto nas nossas Poesias que amei: esse lado erótico que consegues exprimir de uma forma muito bela, inteira, mas sempre púdica, porque, como dizia o meu Mestre José Régio: "coisas que terei pudor de contar seja a quem for..."

“E se puderes, sê uma águia de asas abertas e um pardal que ninguém nem nada consegue prender porque nasceu, e quer morrer, livre e liberto"

Ou, como tão bem, exprimes:

"Já não quero ser gente /mas pássaro/ter asas de águia/bico de colibri/frescura de andorinha/voar por entre os verdejantes das colinas/percorrer o mar"

Porque o Mundo há que conquistá-lo, está aqui à nossa espera e tu nunca poderás felizmente ser um dolorido "pássaro de asas cortadas".

O teu Amigo e admirador:

Tito Lívio

domingo, 11 de novembro de 2018

DEZ PERGUNTAS A... ROSANA PICCOLO


Agradecemos à autora ROSANA PICCOLO a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autora e pessoa?

Não sei se a autora pode ser separada da pessoa. Creio que uma reflete a outra. Tudo o que escrevi até hoje pode ser considerado como páginas de um mesmo livro, e esse livro, uma espécie de diário, onde retrato o dia a dia da metrópole, vivido há cerca de quatro décadas.

2 - O que a inspira?

Praticamente todos os aspectos da cidade grande. Encontro meus poemas nas multidões, ruas movimentadas, personagens que passariam despercebidas por um olhar não direcionado. Tem a noite também. A noite como símbolo de libertação, a noite como inimiga da razão perversa do dia. Porque é o dia que nos oprime, o dia com seus deveres, obrigações, o dia dos conceitos, da realidade concreta oposta à metáfora e ao sonho. “Não é a noite que te falta, mas o seu poder”, escreve Éluard. A noite, a boa loucura da noite enquanto poder revolucionário. Acredito nisso.

3 - Existem tabus na sua escrita? Porquê?

Existe. É o amor romântico. Muito difícil escrever sobre esse tema sem cair na pieguice. Além disso, não gosto do assunto.

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

Gosto das antologias temáticas. Como leitora e como poeta. Como poeta, por ser uma forma de democratizar a participação de autores de várias tendências num único tema (ou não). Enquanto leitora, por permitirem um “conhecimento” mais amplo do assunto em questão.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

São de grande importância na divulgação do trabalho. O feed back é imediato em relação aos outros meios de comunicação. Há ótimas revistas eletrônicas de literatura, sempre que posso, tento participar.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Não sei se entendi bem a pergunta, mas vou dizer o que acho. No Brasil, atualmente, há um grande número de pequenas editoras, que surgem como alternativa ao monopólio das grandes, pautadas pelo lucro das vendas.
Ora, eu faço poesia, não mercadoria (a discussão da arte como mercadoria é ampla e não cabe aqui). No meu entender, a venda é consequência, não objetivo.
Sendo assim, só posso ver como positivo o nascimento dessas editoras, que publicam pequenas tiragens em parceria com os autores. Por outro lado, não sei se em função dessa facilidade ou não, o que percebo é uma proliferação de “poetas” como nunca houve talvez. É preciso critério, acho eu, para que a poesia não se banalize e perca seu poder de impacto.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

A divulgação é a última etapa. O essencial é o trabalho. Se ele for de qualidade, divulga-se quase sozinho nas redes sociais, saraus e coletâneas.

8 - Quais os projectos para o futuro?

A curto prazo, uma antologia comemorativa dos meus 20 anos de estrada, com poemas antigos ao lado de outros, inéditos.

9 - Sugira um autor e um livro!

Indico Lautréamont, Os Cantos de Maldoror. Em filosofia, a Genealogia da Moral, de Nietzsche. Ou Artaud, O Teatro e seu Duplo. Esses três se complementam, em certo sentido.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Uma pergunta que se faz com frequência é sobre nossas influências. Tive várias. Baudelaire (dos Quadros Parisienses) e, no Brasil, Roberto Piva, para citar as mais importantes.

Acompanhem, curtam e divulguem esta e outros autores através deste link

sábado, 10 de novembro de 2018

DEZ PERGUNTAS A... ANGÉLICA COSTA

Agradecemos à autora ANGÉLICA COSTA a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autora e pessoa?

Por infindos momentos busco definir-me. Afinal, quem sou? Quem sabe Versos Íntimos de  Augusto? Sinto por vezes que sou eu mesma... E outras vezes não sei quem sou. Seria eu Acadêmica, Poetisa, Autora ou  apenas protagonista da própria história. Não sei... Jamais saberei! Precisaria de Chico Xavier para me explicar o que trago de outras vidas para pelo menos, supor!

2 - Quais as influências do Nordeste na sua escrita?

Uma variação, desde o Interland do Nordeste brasileiro, a sua gente, suas paixões, amor destructional, a evolução. E carrego desde meados do século XIX uma bagagem genética através da verve poética, sou descendente da família de Agostinho Nunes da Costa, agricultores, pequenos proprietários de terra, homens letrados e amantes da poesia. O primeiro folheto de cordel brasileiro foi escrito por Agostinho Nunes da Costa que foi fundador e primeiro prefeito da cidade deTeixeira - PB, que era parente de Antônio Ferreira da Costa patriarca do Distrito do Pindurão do Costa - Camalaú - PB.
Agostinho Nunes da Costa, foi pai dos dos maiores repentistas da época, Nicandro e Ugolino que eram grandes improvisadores de versos e tiveram a feliz ideia de cantaremao som de uma viola.
Descenderam de Agostinho Nunes da Costa mais de cem cantadores que contribuíram muito como grandes interpretes dos que não são poetas. E surjo eu, ANGÉLICA COSTA filha de Manoel Araújo da Costa, parente de Antonio Ferreira da Costa e Agostinho Nunes da Costa com esse DOM da poética de geração em geração carregando nas veias a genética familiar e a responsabilidade de dar continuidade a nossa literatura.

3 - O que lhe motiva a escrever? E porquê a poesia?

Levar ao mundo a importância da literatura e deixar meu legado para gerações futuras.
A poesia é um outro EU e foi nessa generosidade tão necessária do dar e receber que o EU se torna um NÓS

4 - Que barreiras existem no seu percurso como autora?

“N" barreiras, a primeira delas é a questão de gênero na literatura, sou mulher, plebeia, e sei  que a minha escrita é indicada quatro vezes menos do que a dos homens, não por ter uma escrita inferior mas pelo simples fato de  ser mulher.
Temos a Lei ROUANET 8.313 do dia 23 de dezembro de 1991, que na prática não funciona, o olhar do Estado que não existe. Afinal, poesia é conhecimento e os governantes ainda querem o povo na senzala, ovacionando a casa grande.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

Um impacto de grande relevância, para que eu possa apresentar trabalhos em fração de segundos, com um leque  vasto de possibilidades de divulgação, vendas e parcerias.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Positivos: A troca de experiências, ser recomendada pelo leitor, a crítica, se deparar com alguém lendo ou comprando meu trabalho, a liberdade de criar, voar nas asas da imaginação, é muito gratificante, vivificante, cheio de candura.
Negativos: Não pesquisar, não estudar, desrespeitar o trabalho do colega de profissão, não está aberto para a troca de conhecimentos, tudo isso contribui para o fracasso profissional, o ponto mais negativo de todos considero a falta de humildade.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Um trabalho que toque a sensibilidade do seu público e uma divulgação na mídia com isenção e credibilidade

8 - O que tem feito, enquanto autora, para o enriquecimento da literatura nordestina?

Bebendo a fonte do conhecimento, através da formação Acadêmica, das pesquisas, da cultura, do bate papo com os amantes da poesia, sejam eles leigos, auto didatas, grandes especialistas nos assuntos, todos têm o que me transmitir em conhecimentos para meu crescimento, poético e pessoal e em contra partida oferecer um pouco do meu conhecimento.

9 - Sugira um autor e um livro do Nordeste!

Patativa do Assaré, Obra: CANTA LÁ QUE EU CANTO CÁ

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Atualmente, cada vez mais é difícil publicar um livro, principalmente devido aos motivos financeiros. Qual foi a vossa maior dificuldade na publicação dos mesmos?
Encontrar parcerias com editoras que publiquem a (Obra Solo). Entendo ser um desafio para as mesmas, porém se for analisado por uma equipe competente e eu apresente um trabalho de grande relevância, analisando o público alvo a ser atingido, formaremos uma parceria imbatível a editora, eu enquanto autora, e o leitor.
Assim sendo:

"O que é já foi,
e novas fontes beberão do
que passou;
renovando assim as profundezas"

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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

EU FALO DE... OS SONS DO SILÊNCIO


Por vezes o melhor que podemos fazer por um livro, e uma autora, é dar a conhecer a nossa primeira impressão. Assim sendo, aqui fica o prefácio que tive a honra de escrever para o livro OS SONS DO SILÊNCIO de Maria Antonieta Oliveira.

Escrever sobre os livros de Maria Antonieta Oliveira não é complicado porque, ao contrário daquilo que encontramos noutros autores, existem características na sua poesia que, tal como as impressões digitais, nos remetem imediatamente para si.

Numa era em que as correntes literárias caíram em desuso e a esmagadora maioria dos autores recusa ser conectado seja com o que for, não deixa de ser curioso existirem outros que, de forma consciente ou talvez não, tentam encontrar formas de se destacar, dos demais, através dessas pequenas diferenças/peculiaridades/características. É o presente caso.

Apesar de não poder ser catalogada como uma autora minimalista, os textos curtos, mas concisos, são uma das suas imagens de marca. Da mesma forma, não podendo ser considerada, em absoluto (e por razões naturais), como uma autora do romantismo, a sua escrita tem alguns pontos de contacto com essa corrente literária, nomeadamente na abordagem recorrente, que não exaustiva, do EU poético, do tempo, da natureza e dos sentimentos.

Posto isto, não é de todo desfasado dizer-se que a obra, de Maria Antonieta Oliveira, centra-se, essencialmente, em quatro pilares temáticos, e o facto dos seus textos não serem extensos permite-lhe o uso continuado desses temas sem se tornar repetitiva. A prova do que acabo de escrever pode ser encontrada neste OS SONS DO SILÊNCIO e no modo como está dividido. E a mesma análise poderia ser feita caso a estrutura do livro fosse distinta, isto é, se as três partes do livro tivessem sido dispostas de outra forma, porquanto, nenhuma tem preponderância sobre as restantes, bem pelo contrário, até se entrelaçam em muitos dos textos.

Quem tem acompanhado o percurso da autora, e já teve oportunidade de ler os trabalhos anteriores, não vai ficar defraudado. Aqueles que nunca leram a sua poesia podem ter a certeza que este livro é um bom manual para se entender toda a obra de Maria Antonieta Oliveira e o que a motiva.

Fazendo uma analogia entre a poesia e o póquer, atrevo-me a dizer que OS SONS DO SILÊNCIO é uma boa aposta porque a autora não está a fazer blefe.

MANU DIXIT

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

DEZ PERGUNTAS A... ZÉLIA VALÚ



Agradecemos à autora ZÉLIA VALÚ a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autora e pessoa?

Me defino como amante da poesia, adoro rimas. Como pessoa uma simples professora, que desde os sete anos aprendeu a declamar.

2 - Quais as influências do Nordeste na sua escrita?

Todas, sou uma nordestina de corpo e alma.

3 - O que lhe motiva a escrever? E porquê a poesia?

O amor à arte da escrita e a emoção que a poesia traz ao ser declamada. Porque poesia é a essência da vida.

4 - Que barreiras existem no seu percurso como autora?

As barreiras de iniciantes: falta de patrocínio, ser desconhecida etc.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

As redes sociais são de grande importância para o meu percurso, me dar a oportunidade de levar a minha poesia e a de outros  poetas a muitas pessoas em toda a parte do mundo.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Positivos muitos: a literatura e a cultura da leitura são essenciais ao ser humano. É  tudo! 
Acho que os pontos negativos não representam nada.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Um trabalho bem feito é o essencial.

8 - O que tem feito, enquanto autora, para o enriquecimento da literatura nordestina?

Sendo nordestina tenho feito vários poemas  engrandecendo  minha terra.

9 - Sugira um autor e um livro do Nordeste!

O curioso destino de Rita Quebra Cama de Ricardo Ishmael.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Se eu estou feliz em fazer parte desse trabalho
Resposta Estou muito feliz

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quarta-feira, 7 de novembro de 2018

EU FALO DE... ESTRANHEZA E INDIGNAÇÃO



Ao longo de quase nove anos, a divulgar livros e autores, passou-me pelas mãos muita coisa, desde o bom, até ao ruim, passando pelo assim-assim.

Dei o mesmo destaque a todos, sem excepção, porque os gostos diferem e a minha função não é filtrar de acordo com a minha percepção ou gosto pessoal. Sempre disse que essa tarefa é uma responsabilidade que deve ser outorgada ao público; dele exige-se que saiba separar o trigo do joio.

No entanto, como noutros momentos passados, não posso ficar indiferente quando, por questões de trabalho, tenho o privilégio de ser confrontado com uma autêntica pérola literária.

Em consciência, e porque sei o quão injusto pode ser o público leitor (a cada um as suas razões), jamais poderia calar a minha estranheza e indignação por ver um livro ser, quase completamente, ignorado apesar do mérito e qualidade que encerra.

Estranho e indigno-me por saber que existem muitos outros livros que, não acrescentando nada ao enriquecimento de quem os lê, vendem como castanhas no Outono. Estranho e indigno-me por saber que quem escreve esses livros não o faz como contributo cultural. Estranho e indigno-me porque, infelizmente e cada vez mais, a mediocridade está a ter mais impacto do que a genialidade. Mas, acima de tudo, estranho e indigno-me porque quem escreveu este livro/pérola literária, apesar de nova, não é novata nesta coisas e já deu provas mais que suficientes da sua tremenda capacidade criativa e da inovação literária dos seus escritos, e merecia outra atenção por parte de quem gosta de literatura séria.

Mas deixemos de lado a minha estranheza e indignação e foquemo-nos no objeto principal deste meu texto: o livro MANUAL DOS OFÍCIOS – Um conto longo sobre a anuência do mal, de Sara Timóteo.

Como referi, sinto-me privilegiado por, na sequência de um trabalho de coordenação, ter sido o primeiro a contactar com esta obra-prima da literatura lusófona.

Quando convidei a Sara Timóteo para fazer parte da colecção de contos Istorias, fi-lo por saber que era uma aposta segura e consentânea com aquilo que me propus atingir com este projecto. Conheço a escrita da autora em diversos registos mas, a bem da verdade e tal como mencionei no dia do lançamento da obra, confesso que não estava à espera que me entregasse algo tão excepcional. Uma coisa é escrever com a qualidade que lhe assiste, outra bem diferente é apresentar um livro inovador e com grande dose de risco. No entanto, passada a surpresa inicial e fazendo uso do conhecimento que tenho da autora, da forma como pensa a escrita e do modo como trabalha as palavras, sei que foi um risco calculado e um atrevimento ponderado, com a dose certa de irreverência, mas também com forte sentido de responsabilidade e consciência de autor. Tudo isto, ingredientes essenciais na produção de verdadeira literatura.

Posto o que anteriormente escrevi e para terminar, estranharei e indignar-me-ei se este MANUAL DOS OFÍCIOS – Um conto longo sobre a anuência do mal, continuar a fugir ao olhar do público leitor exigente e conhecedor do que é literatura séria.

Leitores conscientes e interessados podem adquirir o livro através deste link

MANU DIXIT

terça-feira, 6 de novembro de 2018

AS CRÓNICAS DA AVÓZITA... PORQUÊ?!



Há amigos… amigos… e… amigos…
Para mim a amizade é ser feliz com a felicidade do outro, só assim concebo a verdadeira amizade.
Ao longo de todo o meu percurso profissional, das minhas amizades, criei inimizades. Nem todas, é evidente, porque como escrevi acima, há amigos… amigos e amigos.
Não porque tenha directamente contribuído para que houvesse essa transformação de sentimento, apenas e só, porque me deram um degrau para subir e eu subi esse degrau, e porquê eu?! E porque não eu?!
Entrei neste mundo das palavras em Julho de 2009, criei amizades que considerei serem verdadeiras e para a vida. Disse várias vezes que neste “mundo” não existiam rivalidades ou invejas, havia sim, entreajuda e cumplicidade.
Como me enganei!!
Sem me aperceber, degrau a degrau, fui subindo o que me foi sendo “dado”, não pelos meus lindos olhos, acredito em mim e no dom que Deus me deu. Sei o que posso e consigo fazer. Sei quem sou e o que sou.
Continuei sendo a mesma pessoa, com 1,60 de altura mas passei a ser um pouco maior e criei inimizades.
Afinal enganei-me, no mundo das palavras também há inveja.
PORQUÊ EU?!
E PORQUE NÃO EU?!

MARIA ANTONIETA OLIVEIRA