quarta-feira, 7 de novembro de 2018

EU FALO DE... ESTRANHEZA E INDIGNAÇÃO



Ao longo de quase nove anos, a divulgar livros e autores, passou-me pelas mãos muita coisa, desde o bom, até ao ruim, passando pelo assim-assim.

Dei o mesmo destaque a todos, sem excepção, porque os gostos diferem e a minha função não é filtrar de acordo com a minha percepção ou gosto pessoal. Sempre disse que essa tarefa é uma responsabilidade que deve ser outorgada ao público; dele exige-se que saiba separar o trigo do joio.

No entanto, como noutros momentos passados, não posso ficar indiferente quando, por questões de trabalho, tenho o privilégio de ser confrontado com uma autêntica pérola literária.

Em consciência, e porque sei o quão injusto pode ser o público leitor (a cada um as suas razões), jamais poderia calar a minha estranheza e indignação por ver um livro ser, quase completamente, ignorado apesar do mérito e qualidade que encerra.

Estranho e indigno-me por saber que existem muitos outros livros que, não acrescentando nada ao enriquecimento de quem os lê, vendem como castanhas no Outono. Estranho e indigno-me por saber que quem escreve esses livros não o faz como contributo cultural. Estranho e indigno-me porque, infelizmente e cada vez mais, a mediocridade está a ter mais impacto do que a genialidade. Mas, acima de tudo, estranho e indigno-me porque quem escreveu este livro/pérola literária, apesar de nova, não é novata nesta coisas e já deu provas mais que suficientes da sua tremenda capacidade criativa e da inovação literária dos seus escritos, e merecia outra atenção por parte de quem gosta de literatura séria.

Mas deixemos de lado a minha estranheza e indignação e foquemo-nos no objeto principal deste meu texto: o livro MANUAL DOS OFÍCIOS – Um conto longo sobre a anuência do mal, de Sara Timóteo.

Como referi, sinto-me privilegiado por, na sequência de um trabalho de coordenação, ter sido o primeiro a contactar com esta obra-prima da literatura lusófona.

Quando convidei a Sara Timóteo para fazer parte da colecção de contos Istorias, fi-lo por saber que era uma aposta segura e consentânea com aquilo que me propus atingir com este projecto. Conheço a escrita da autora em diversos registos mas, a bem da verdade e tal como mencionei no dia do lançamento da obra, confesso que não estava à espera que me entregasse algo tão excepcional. Uma coisa é escrever com a qualidade que lhe assiste, outra bem diferente é apresentar um livro inovador e com grande dose de risco. No entanto, passada a surpresa inicial e fazendo uso do conhecimento que tenho da autora, da forma como pensa a escrita e do modo como trabalha as palavras, sei que foi um risco calculado e um atrevimento ponderado, com a dose certa de irreverência, mas também com forte sentido de responsabilidade e consciência de autor. Tudo isto, ingredientes essenciais na produção de verdadeira literatura.

Posto o que anteriormente escrevi e para terminar, estranharei e indignar-me-ei se este MANUAL DOS OFÍCIOS – Um conto longo sobre a anuência do mal, continuar a fugir ao olhar do público leitor exigente e conhecedor do que é literatura séria.

Leitores conscientes e interessados podem adquirir o livro através deste link

MANU DIXIT

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