quarta-feira, 26 de maio de 2021

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLANTICAS... EDUARDO CARVALHO

Agradecemos ao autor EDUARDO CARVALHO pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - O que entrega de si, enquanto pessoa, na hora de escrever?

Há seis anos, dedico-me exclusivamente à produção literária. Assim, entrego tudo de pessoal e profissional que há em mim: memória e imaginação, essas irmãs gêmeas separadas pelo tempo!

2 - Criar textos é uma necessidade ou um passatempo?

Uma necessidade pessoal e profissional. Fui professor de redação, jornalista, publicitário, entre outras ocupações. Em todas elas, a criação de textos sempre foi protagonista em minhas lidas. Há seis anos, dedico-me exclusivamente à produção literária e tenho sobrevivido às custas de prêmios que conquisto nessa área.

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

O cuidado linguístico é o que difere o texto literário dos registros pessoais sem pretensões artísticas. A elaboração da mensagem, a dita função poética da linguagem, é essencial à Literatura, seja em qual gênero ela se expresse.

4 - Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

Na verdade, eu sou eclético e procuro frequentar os diversos gêneros. Tenho obras publicadas de poesia, romances, novela, dramaturgia e aforismos. Escrevo também crônicas, resenhas literárias, ensaios, contos, textos infantis. Algumas de minhas obras, como Xadrez, Sessenta e Seis Elos e Quadrilha destacam-se por fundirem gêneros diferentes. Xadrez, por exemplo, é um romance epistolar, no qual ocorrem poemas e resenhas literárias e cinematográficas, além disso, partes das cartas, trocadas pelos protagonistas à guisa de disputarem uma partida de xadrez, servem de crônicas de fatos sociais e políticos correspondentes ao período em que se desenrola o enredo.

5 - Que mensagens existem naquilo que escreve?

São tantas, principalmente na poesia. Empenho-me em trazer visão social, política e econômica, críticas de costumes e reflexão existencial. Tudo o que possa acrescentar ao pensamento crítico do leitor.

6 - Quais as suas referências literárias?

São muitas. Destaco algumas: Jorge Luis Borges, J. M. Simmel, Eduardo Galeano, Julio Cortazar, Gabriel Garcia Marques, Machado de Assis, João Guimarães Rosa, Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Leminski, Cecília Meireles, Frederico Barbosa, Augusto e Haroldo de Campos, Mário Chamie, Ferreira Gullar. Poetas contemporâneos como Alberto Bresciani, Mell Renault, Solidade Lima... As listas são imensas.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras e autores?

O boca a boca. A propagação da mensagem: “li, gostei e recomendo”. Isso manifesta-se desde em textos elaborados como resenhas até em posts nas redes sociais.

8 - O que concretizou e o que ainda quer alcançar no universo da escrita?

Já publiquei O Teatro Delirante (poesia lírica e erótica), Retalhos de Sampa (poesia de muitos temas), Sessenta e Seis Elos (romance sobre afrodescendência), Xadrez (romance epistolar), Quadrilha (novela contemporânea), Frasebook (aforismos) e, no prelo para junho de 2021, Evoé, 22! (dramaturgia). Tenho mais uns trinta títulos concluídos que participam de concursos e aguardam o tempo de vir ao público. Pretendo ainda executar, pelo menos, uns vinte a trinta projetos que já anotei com o fito de transformar em obras acabadas.

9 - Porque participa em trabalhos colectivos?

Para interagir com outros autores, conhecê-los mais intimamente, fazer trocas, estabelecer diálogos, inserir-me em meu tempo e em minha comunidade artística.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Por que largou tudo e dedica-se só à literatura?

Porque foi esse um projeto adiado por décadas, nas quais me ocupei de ler, instruir-me, praticar até que me sentisse apto a produzir minha obra e confortável a compartilhá-la com os leitores.

terça-feira, 25 de maio de 2021

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS... CELSO CORDEIRO

Agradecemos ao autor CELSO CORDEIRO pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - O que entrega de si, enquanto pessoa, na hora de escrever?

Acima de tudo autenticidade na forma como procuro da melhor forma exprimir o meu pensamento, a minha criatividade e o meu sentir

2 - Criar textos é uma necessidade ou um passatempo?

Passatempo não será propriamente, apenas necessidades pontuais de extravasar sentimentos, emoções ou até meras linhas de pensamento ou de atitude perante a   vida e toda a conjuntura

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

Primeiro a espontaneidade da linha de pensamento, mas a que tem que ser inevitavelmente associado o cuidado linguístico

4 - Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

Género Poético sem dúvida, é a minha zona de conforto natural e espontânea sem necessidade de razões que o motivem

5 - Que mensagens existem naquilo que escreve?

Uma variedade enorme de mensagens, tão variadas quanto as emoções que a cada momento e em cada conjuntura me desencadeiam a necessidade/vontade de escrever

6 - Quais as suas referências literárias?

Não sigo nem tenho quaisquer referências, navego à vista sem rumo nem orientação tendo apenas como princípio que a minha principal referência é manter-me autêntico e coerente entre conduta, pensamento e escrita; sou de certa forma um rebelde que escreve “o que lhe dá na gana”

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras e autores?

Um empenho sério para fazer chegar as obras a quem é seu destino, os leitores, seja pela divulgação em meios virtuais seja pela criação e patrocínio de eventos que aproximem os autores de quem lê

8 - O que concretizou e o que ainda quer alcançar no universo da escrita?

Tudo o que já alcancei, seja pelos trabalhos poéticos já produzidos até ao momento, seja pelos 4 livros já editados e pelo que está em fase de finalização, seja pela participação em coautoria de mais de 2 dezenas de colectâneas vai muito para além do que alguma vez me passaria pela cabeça, mas acima de tudo o reconhecimento que vou recebendo no dia-a-dia dos leitores que têm acompanhado a minha obra é extremamente gratificante e estimulante para continuar este caminho; no que toca a objectivos, também aqui terei que dizer que navego à vista e não predefino quaisquer objectivos, a escrita é algo que acontece com naturalidade e não tem dias nem horas marcados e muito menos objectivos a atingir. O objectivo é sempre o trabalho que está em mãos a cada momento, e neste momento é encerrar a obra que estou a finalizar.

9 - Porque participa em trabalhos colectivos?

Confesso que tenho participado em muito menos obras colectivas do que me tem sido sugerido ao longo dos anos, por alguma exigência de qualidade que gosto de manter, mas quando o faço é sem dúvida porque é mais um meio de divulgação da minha obra e de visibilidade não só perante o público em geral mas até perante outros autores

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Qualquer pergunta que eu não esteja de todo à espera porque a surpresa permite evidenciar a autenticidade da resposta

segunda-feira, 24 de maio de 2021

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS... PIETRO COSTA

Agradecemos ao autor PIETRO COSTA pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

      1 - O que entrega de si, enquanto pessoa, na hora de escrever?

     A minha percepção e sensibilidade no tocante às vivências do cotidiano e eventos que me circundam, cotejando as palavras que melhor desnudem como penso e sinto, no esforço de dialogar com várias vertentes do saber, em especial a filosofia, a psicologia e a literatura, sem renunciar à sutileza das associações inesperadas e metáforas que a poesia proporciona.

     2 - Criar textos é uma necessidade ou um passatempo?

    Tudo ao mesmo tempo, pois escrever é algo que gratifica cada dia de minha vida de propósitos maiores e, quando não o faço, sinto os grãos de areia da ampulheta se esvaírem inutilmente.

     3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

   Eu considero que ambas têm sua importância, mas depende muito do objetivo pretendido com o texto. Por vezes, um grande texto não surge espontaneamente, mas a partir de uma demanda social como, por exemplo, a violência sistemática contra os negros e mulheres, e a escolha criteriosa das palavras ajuda a instigar uma leitura mais intelectualizada, no sentido de minuciosa e crítica. Por outro lado, a espontaneidade na escrita pode aproximar leitores que têm afinidade com tal linguagem, mais concisa, imediata, amena. Eu tento equilibrar essas tendências na produção de meus textos, para evitar indesejáveis excessos, ou seja, que fiquem demasiado rebuscados ou demasiado simplórios. Acredito que a espontaneidade é o mapa para reconhecer os “tesouros da observação” (Nabokov) e que o trato cuidadoso com as palavras na acepção do mote juste de Flaubert, não deve significar, absolutamente, uma postura pedante ou de diletantismo, mas pode ser uma forma de cultuar as preciosidades de nossa língua, de modo a expressar com riqueza as nossas ideias e emoções sobre os mais diversos assuntos que nos angustiam e fascinam.

     4 - Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

   A poesia, porquanto se trata de uma escola extraordinária para o aperfeiçoamento da linguagem e da profunda expressividade, com suas sutilezas e ambivalências, metáforas, sinestesias, associações inesperadas, renunciando ao supérfluo e ao abuso de chavões e clichês.

     5 - Que mensagens existem naquilo que escreve?

   O amor, a natureza, o transcendente, a pluralidade das manifestações culturais, as relações afetivas com seus encontros e desencontros, os valores transcendentais e das virtudes urdidas nas lutas democráticas que realçam a posição superior máxima da dignidade do ser humano, os paradoxos da era contemporânea de maximalismo digital, a problemática do conhecimento, a coisificação da vida, o incômodo com a devastação do sentimento de coletividade e cidadania, os esbulhos psíquicos, morais, sociais e identitários.

     6 - Quais as suas referências literárias?

   Tenho muitas referências. Seria enfadonho e inútil listar todos, pois a memória me trairia. Portanto, vou fazer algumas menções, assumindo o risco de preterir algum nome. Já peço minhas desculpas antecipadas por isso.

   Na poesia, Drummond, Manoel de Barros, Cecília Meireles, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Garcia Lorca. Na prosa, Machado de Assis, Ariano Suassuna, Mário de Andrade, Vargas Llosa, Jorge Luís Borges, Dostoiévski, Jane Austen, Goethe, García Márquez, Dickens, T. S. Elliot, Victor Hugo, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa. Amo também a Filosofia. Aristóteles, Platão, Nietzsche, Schoppenhauer, entre outros arautos de diferentes períodos e escolas, só para citar os que mais me influenciam.

     7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras e autores?

    Acredito que os novos tempos, das redes sociais, têm demonstrado que literatura não se faz sozinho. É crucial construir parcerias, vínculos, de modo que se afigura deveras importante para os escritores e escritoras que desejam crescer na literatura, desenvolver um sentimento de comunidade literária, no sentido de ter por meta encurtar as distâncias, obtendo uma maior aproximação e diálogo, e, com isso, o almejado pertencimento. Muitos trabalhadores da palavra têm obtido justo reconhecimento e forte notoriedade de suas obras, utilizando as ferramentas digitais de comunicação, publicação e divulgação, que envolvem ilustradores, agentes e produtores culturais, editoras, leitores, resenhistas, etc.

     8 - O que concretizou e o que ainda quer alcançar no universo da escrita?

  Tenho diversos prêmios, honrarias e títulos. Pertenço a Academias Literárias e Entidades Culturais no Brasil e no exterior. Publicarei, ainda neste ano, a minha quinta obra literária, Lua a Pino, pela Edições e Publicações.

    Sou autor das seguintes obras: Entre a Caneta e o Papel, Chiado Books, 2018; A Rosa dos Ventos, Art Letras, 2019; Juras de Poesia Eterna, Art Letras, 2020 e Urbanos, Art Letras, 2020.

    Ainda pretendo escrever um livro bilíngue, fazer um lançamento na Europa e aprender espanhol.

    9 - Porque participa em trabalhos colectivos?

   Porque nosso fazer literário ganha densidade e amplitude quando lemos autores e autoras de distintos repertórios, linguagens e formações. E também porque acredito que a experiência de participar de um trabalho coletivo fomenta a aproximação e o diálogo entre leitores e escritores que se interessam pelo assunto tratado, o que considero bastante salutar.

    10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

    Que conselhos eu daria para que um escritor que está iniciando a carreira.

     a - Não tenha obsessão pela famosa originalidade. Isso pode levar você a trilhar pelos atalhos fáceis, enganosos, das listinhas prontas, das receitinhas infalíveis.

     b - Esqueça a historinha do escritor como um ser extraordinário, provindo do Olimpo. Escrever é labor. É trabalho, disciplina. É ser tomado pela insatisfação. É um caminho insólito. Hemingway reescreveu 39 vezes o final de "Adeus às armas".

  c - Guie-se pela sua curiosidade. Não se furte ao prazer da leitura. Não leia fundamentalmente por obrigação ou para atingir uma determinada meta. Mas por amor ao saber. Para ser mais.

     d - Participe de certames literários e coletâneas. Tenha uma vida literária ativa.

    e - Leia manuais estilísticos, que são úteis como consulta para refinar a técnica, mas não fique refém deles. Os fundamentos da arte de bem escrever nós podemos encontrar e assimilar nas obras de grandes autores/autoras.

    f - Imprescindível desenvolver as habilidades do senso de observação - a realidade para o escritor é como a tinta para o pintor (Autran Dourado) e de ampliação do conhecimento - quanto mais diversidade na leitura, maior a percepção e sensibilidade acerca do uso das palavras e as possibilidades de associação. 

domingo, 23 de maio de 2021

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS... ALINE BRANDT

Agradecemos à autora ALINE BRANDT pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - O que entrega de si, enquanto pessoa, na hora de escrever?

Eu me entrego, sistematicamente, 100% para o escrever. Jamais dou início a um escrito se tenho algo de urgente a cumprir. Também jamais fico na minha escrivaninha a espera de inspiração. Eu vou para lá quando a inspiração já está formada. Daí é só encontrar as palavras que expliquem com toda clareza aquilo que estou sentindo.

2 - Criar textos é uma necessidade ou um passatempo?

Eu tenho duas necessidades essenciais desde que me conheço por gente. Uma é ler. A outra é escrever. Essas duas atividades têm o poder de impedir que qualquer coisa desagradável chegue a mim. Se escrevo ou leio nem fome sinto.

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

Eu dou importância idêntica a esses dois ingredientes. Eu sinto uma responsabilidade enorme no que diz respeito ao conhecimento que tenho poder de transmitir aos leitores. Então, de forma alguma, arrisco falhar nestes dois quesitos.

4 - Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

Para falar a verdade: eu tenho dois gêneros vitais para a minha vida de escritora... Um deles é a crônica sobre coisas bonitas do nosso planeta e do universo de forma geral. O outro é a poesia repleta de ternura. Adoro dedicar palavras lindas para as pessoas do meu círculo de amizades – sobretudo as que compõe a minha família.    

5 - Que mensagens existem naquilo que escreve?

Nesta resposta vou ser bem sucinta... A minha mensagem... A minha persistente mensagem é por um mundo que, pelo menos, se aproxime da perfeição. Um mundo igualitário e de oportunidades para todos. Quando eu era pequena acreditava que Branca de Neve e os sete anões existiam. Depois de crescida, ao saber que eram apenas personagens de uma imaginação criativa, tive uma passageira decepção. Hoje isso não me aflige mais. Porém: tenho verdadeiro fascínio por obras que agradam crianças de um a cento e vinte anos.

6 - Quais as suas referências literárias?

Érico Veríssimo, Lucinda Riley, Mário Quintana, J. R. R. Tolkien e Kristin Hannah.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras e autores?

Um efetivo empenho das editoras. Capas bem elaboradas. Marketing de poucas palavras com mensagens bem objetivas.

8 - O que concretizou e o que ainda quer alcançar no universo da escrita?

Eu estou convicta de que, do caminho que desejo percorrer, só cumpri uns 15%. Tenho muito ainda a transitar no mundo literário. Por enquanto meu tempo ainda é por demais investido em atividades jornalísticas. Meu sonho é deixar esse mundo de informação muitas vezes cruel e navegar por um oceano sem fim de boas ilusões.

9 - Porque participa em trabalhos colectivos?

Porque não sei recusar desafios. Tenho diversos livros prontos. Por falta daquele tempo que entendo adequado continuo a espera do momento de enviar à gráfica. Então, com esses filhinhos produzidos com a doçura que gosto de ver em todas as páginas, já me considero bem sucedida. Sei que não fugi da ousadia que precisa ter um escritor repleto de sonhos. Acho que, em menos de um ano, estarei lançando algumas dessas obras do jeito que sempre sonhei. Hoje alimento a minha fome de escrever em obras coletivas como essa da editora In-Finita.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Quer que editemos os seus livros? Minha reposta: Adoraria.

sábado, 22 de maio de 2021

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS... ROSA ACASSIA LUIZARI

Agradecemos à autora ROSA ACASSIA LUIZARI pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - O que entrega de si, enquanto pessoa, na hora de escrever?

Tempo e experiências de vida.

2 - Criar textos é uma necessidade ou um passatempo?

É uma necessidade. A escrita é o espaço da criação, subversão, do (não) respeito às normas e manutenção das formas.

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

A depender da intenção do autor, certamente predominará um dos dois.

4 - Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

No gênero lírico. A poesia (que faço) permite-me sair do convencional, das amarras da língua.

5 - Que mensagens existem naquilo que escreve?

São reflexões a respeito da vida, da arte, da interação sujeito-linguagem.

6 - Quais as suas referências literárias?

Machado de Assis, Clarice Lispector e autores da prosa e poesia contemporâneas.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras e autores?

Editoras com equipes qualificadas, força de vontade, interação com os escritores e respeito ao público leitor.

8 - O que concretizou e o que ainda quer alcançar no universo da escrita?

Obtive várias conquistas no campo da Literatura por meio de muito trabalho. Tudo o que virá, de agora em diante, continuará sendo motivo de gratidão.

9 - Porque participa em trabalhos colectivos?

O trabalho coletivo é uma forma de abraçar e conhecer a multiplicidade de vozes diferenciadas.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Uma pergunta cuja resposta seria a solução para o problema da fome no planeta.

sexta-feira, 21 de maio de 2021

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS... CLAUDIA FILIPPO

Agradecemos à autora CLAUDIA FILIPPO pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - O que entrega de si, enquanto pessoa, na hora de escrever?

O que sinto e penso

2 - Criar textos é uma necessidade ou um passatempo?

Os dois

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

Os dois

4 - Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

Qualquer um

5 - Que mensagens existem naquilo que escreve?

Reflexões 

6 - Quais as suas referências literárias?

Nenhuma

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras e autores?

A própria divulgação. Usando a criatividade

8 - O que concretizou e o que ainda quer alcançar no universo da escrita?

Estou mais longe do que poderia imaginar

9 - Porque participa em trabalhos colectivos?

Pela diversidade 

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Se sou feliz.

Sim. Muito feliz

 

quinta-feira, 20 de maio de 2021

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS... MARIA ANTONIETA OLIVEIRA

Agradecemos à autora MARIA ANTONIETA OLIVEIRA pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - O que entrega de si, enquanto pessoa, na hora de escrever?

O pensamento e a alma.

2 - Criar textos é uma necessidade ou um passatempo?

Uma necessidade

3 - O que é mais importante na escrita, a espontaneidade ou o cuidado linguístico?

Em primeiro lugar a espontaneidade, de seguida, verifico a parte linguística.

4 - Em que género literário se sente mais confortável e porquê?

Poesia, não sei muito bem porquê, surge mais espontaneamente do que a prosa. No entanto, também escrevo muito em prosa.

5 - Que mensagens existem naquilo que escreve?

Essencialmente o amor.

6 - Quais as suas referências literárias?

Várias, mas as mais inspiradoras no início da minha escrita, foram a Florbela Espanca e o Fernando Pessoa.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de obras e autores?

As editoras não se limitarem a receber dos autores e de seguida esquecê-los. Penso esta ser o essencial. Numa época em que as redes sociais fazem “magia”, porque não apostar e dar a conhecer os autores e as suas obras?!

8 - O que concretizou e o que ainda quer alcançar no universo da escrita?

Já concretizei mais do que imaginava conseguir. Cinco livros editados e coordenadora de pelo menos, já, 21 livros de outros autores.

O que gostava de ainda fazer, era editar a minha biografia, que já está a caminho.

9 - Porque participa em trabalhos colectivos?

Foi em trabalhos colectivos que comecei a dar a conhecer a minha escrita, portanto, nada me fará desistir de aí, continuar a dar a minha contribuição.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Boa pergunta!

Se pudesse voltar atrás, faria tudo igual?

Não! Faria muita coisa diferente.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

DEZ PERGUNTAS MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL... ROZZ MESSIAS

Agradecemos à autora ROZZ MESSIAS pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 –Poesia, prosa ou conto, porque?

Poesia sempre. Porque envolve emoção, sentimentos, é algo profundo, é escrita de alma.

2 - Quase um ano de pandemia, o que mudou na sua rotina, enquanto autora?

Devido ao trabalho remoto, tive mais tempo para me dedicar à escrita. 2020 foi um ano de muitas produções.

3 – O que tem feito para manter-se produtiva e dar continuidade aos projectos em tempos tão restritos?

Tenho feito mais contatos no meio literário, apoiado colegas, firmado parcerias.

4 – Pontos positivos e negativos na sua trajetória na escrita.

Pontos negativos: entrei sem saber como o meio funcionava, tive algumas decepções literárias.

Pontos positivos: selecionei minhas preferências de gênero para escrita, editoras, parcerias. Especifiquei mais meu trabalho.

5 – O que pensa sobre essa nova forma de estar, onde tantas pessoas começaram a utilizar LIVES e VÍDEOS para promover suas atividades?

Acho que lives e vídeos são meios válidos, não só nesse momento, mas que ficarão a partir de agora. As pessoas reinventaram-se, é uma forma de resiliência, de adaptação à nova realidade.

6 – Acredita que o virtual, veio ocupar um espaço permanente, sobrepondo-se aos encontros literários presenciais, pós pandemia?

O virtual será permanente, mas não substituirá os encontros presenciais. As pessoas sairão dessa pandemia sedentas de contato humano.

7– Se pudesse mudar um acontecimento em sua vida literária, qual seria?

Minhas primeiras publicações. Esperaria um pouco mais, conheceria melhor as editoras, o processo de produção de um livro.

8 – Indique-nos um livro que lhe inspirou:

O pequeno príncipe.

9 – Quem é Rozz Messias no reflexo do espelho ?

Uma mulher em constante mudança, de bem com a vida, resistindo aos momentos difíceis, uma pessoa de fé, interessada em melhorar, em dar espaço aos bons sentimentos. Uma autora mãe, esposa, filha, irmã, amiga, profissional… alguém que aprende a cada dia, que tem esperança de deixar alguma boa marca nesse mundo.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Já foi feita. Quem eu sou. Com certeza a resposta será diferente a cada dia, melhorada, acrescida de novas experiências...

Biografia

Rozz Messias é professora, pedagoga, psicopedagoga, contista, poeta e antologista. Participou dos Planos de Aula da Revista Nova Escola, foi premiada três vezes no Concurso Literário de Colombo e outra pelo Conectando Saberes/Fundação Lemann. Participa de mais de 40 antologias, responsável pela organização da trilogia Lendas pelo Mundo e das Antologias Idílico Concílio e Poemas Extraordinários.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

DEZ PERGUNTAS MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL... CECÍLIA PESTANA

Agradecemos à autora CECÍLIA PESTANA a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 – Poesia, prosa ou conto, porquê?

Sempre escrevi poesia, mas começo a gostar de escrever prosa. Porque é a evolução do gosto e da paixão de escrever.

2 – Quase um ano de pandemia, o que mudou na sua rotina, enquanto autora?

Quase nada mudou. Continuo a escrever quando estou inspirada.

3 – O que tem feito para mantar-se produtiva e dar continuidade aos projetos em tempos restritos?

Para manter-me produtiva, participo em vários Grupos Literários no Facebook, em que sou membro. Futuramente, ando a projetar o meu 2º livro de poesia.  

4 – Pontos positivos e negativos na sua trajetória na escrita.

Pontos positivos na minha trajetória na escrita tem sido a minha evolução na mesma, assim como, determinação para começar a publicar os meus poemas, tanto em Antologias e Coletâneas Poéticas, e-books. Publiquei o meu primeiro Livro de Poesia “ A Voz do Poeta “, em Fevereiro de 2020. Não encontro pontos negativos, tenho o gosto pela escrita.

5 – O que pensa sobre essa nova forma de estar, onde tantas pessoas começaram a utilizar LIVES e VÍDEOS para promover suas atividades?

Acho muito positivo, uma vez que hoje em dia os novos autores têm essa possibilidade de aproveitar ao máximo as redes sociais para fins literárias e culturais.

6 – Acredita que o virtual, veio ocupar um espaço permanente, sobrepondo-se aos encontros literários presenciais, após pandemia?

Sim, até posso acreditar, mas não se sobrepõem aos encontros literários presenciais, depois da pandemia. Está todo o mundo sedento de cultura e arte ao vivo.

7 – Se pudesse mudar um acontecimento em sua vida literária, qual seria?

Não mudaria nada. Casa um dos autores tem a sua forma muito própria de escrever. O que é realmente bastante enriquecedor.

8 – Indique um livro que lhe inspirou.

Um livro polémico perante a Igreja: “Caim“, de José Saramago.

9 – Quem é Cecília Pestana no reflexo do espelho?

Uma pessoa determinada e que Ama a Vida.

10 – Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

O que mais gosta da Vida? Viver!

Cecília Maria Pereira Pestana nasceu a 4 de Dezembro de 1957, em Torres Novas, distrito de Santarém. Filha de pais madeirenses e pai militar, passou a infância em Torres Novas, Lourenço Marques (Maputo), Águeda, e veio residir para a cidade do Funchal, Ilha da Madeira, aos 9 anos de idade. Amante de leitura de poesia desde jovem, apaixonou-se rapidamente pela escrita poética. É coautora de cerca de 30 antologias e coletâneas, e seis e.Books. É membro de algumas academias poéticas: Mulherio das Letras de Portugal, Solar de Poetas, Mundo Latino Poesias e Prosas, etc. Participa em Saraus e eventos de Poesia. Publica o seu primeiro livro de Poesia “A Voz do Poeta “, em Fevereiro de 2020.

terça-feira, 11 de maio de 2021

A beleza te leva longe - LU DALLABRIDA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Conheçam a IN-FINITA neste link

Ser bela fisicamente faz toda diferença, quem disse que beleza não põe a mesa? Que abre portas, leva longe, facilita e conquista?

Mulheres belas casam bem, têm tudo que querem. São convidadas a festas, eventos e a quermesses. Afinal, a primeira impressão é a que fica.

E a piada toda acaba aqui. Dá para fazer um texto baseado na superficialidade, tirando onda das crenças tão rasas e dos costumes cômicos que prega o meio social. E conforme amadureço, crio duas mulheres, vou aprendendo a conhecer um tantinho a mais da vida, de mim, e de todas nós juntas do cromossoma XX. E vou garimpando absurdos pela estrada, para lapidar informações e sentimentos verdadeiros. Versões que fogem de todo e qualquer preconceito. De uma forma ampla.

E bato na tecla incansavelmente para minhas meninas que a vaidade é essencial, um pouquinho de charme ou de sedução não fazem mal a ninguém. Ambos são acessórios femininos, diria que são armas infalíveis, para quem sabe o exato momento de usá-los. Mas, não são tudo, nem o todo, e não justificam nem um meio.

Elas, já incorporam um mantra que “Mulher não precisa ser bonita, tem que ser interessante, saber indicar um livro, um restaurante e ter humor sempre “

Podem até as lindas dizerem que, isso é discurso de feia. Ah, mas eu garanto...

A beleza põe a mesa mas é a atitude que serve um Chardonnay geladinho, a beleza, abre portas mas é a coragem que derruba limites e leva não só para longe, mas para qualquer lugar. A beleza arranja bons casamentos, mas nem sempre boas relações...

Pois as belas e Vinícius de Morais que me desculpem mas só a beleza, é superficial demais.

EM - ELAS E AS LETRAS (INSUBMISSÃO ANCESTRAL) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 23 de abril de 2021

A Valsa, o Samba e o Sapateado - MARLI AGUIAR

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Sr. João, aquele homem pequeno, magro, tão miúdo que dá medo, pois se der um vento forte a impressão é que poderia levá-lo. Este poderia ser meu pai, meu avô, meu tio, pela idade que aparenta ter, que não menos que 70 anos. E também pela ternura e carinho com que olha o mundo. Parece fraco, aparências, Sr. João, trabalha e trabalha. Poderia estar curtindo a vida, os netos, mas trabalha, trabalha e trabalha. Sr. João é negro, é pobre, é periférico, é catador de materiais recicláveis, mas gosta de uma cachaça, gosta de samba, ainda dança, e dança, menos do que trabalha. Olhando bem para ele, vem a imagem de sua juventude, a vida de artista e boêmio que deveria ter nas noites paulistana. Com a força de suas mãos, negras, finas, arranca sons de tambores, de latas e tampas velhas, chocalho de garrafas de pet. Ela canta Adoniram Barbosa “despejo na Favela”, seu olhar ilumina o barracão e o mundo, parece carregar o mar neles, e para disfarçar, limpa as desesperanças. Canta a música como se já vivera, em algum momento em uma história do passado, e no momento presente permanece a poesia, que intensifica o ardor nos olhos, potencializando as lagrimas que já não cai mais. Pois, Sr. João, já não chora, pois acredita na sua força, na força das mulheres que o rodeia e uma delas em especial, que observando suas mãos protegidas, e movimentos rápidos na separação de cada objeto na esteira produzidos pela civilização humana.

Ele com seu corpo “velho”, magro, equilibrando nas pernas cansadas que carregam o tronco. De um lado a outro ele arrasta sacos, caixas, papelões, faz lembrar Carolina Maria de Jesus, sua força e sua coragem de mulher negra e catadora de recicláveis. Ele coloca toda sua força, aquela que ainda lhe resta após as várias horas de trabalho, e sabe que tem que continuar, e mantê-la para subir um pacote imenso com outras mãos companheiras no veículo. Todo material coletado, separado, triado, enfardado ao longo da semana pelas mãos de cada um e cada uma. Sr. João com seu corpo fino-negro, cansado, rodopia, rodopia como dança de salão. É uma valsa infinita e cada minuto suas parceiras de dança são trocadas, ora são as Pets, ora as aparas de papel. E quando Sr. João não está dançando valsa pelo salão, ele está com os óculos grandes e transparentes no rosto negro azulado e um pedaço de pau com um peso na ponta, como uma mão de pilão, e começa a sambar e a sapatear dentro de uma caçamba esverdeada de vidros preparando a próxima carga. Sr, João, às vezes, cansa, senta um pouco para aliviar as pernas magras e cansadas, depois de alguns minutos, lava o rosto, observa o sapato de proteção para retificar se está ok, e volta novamente a valsar, o sambar e o sapatear até o findar do dia em seu galpão de zinco e madeira.

EM - ELAS E AS LETRAS (INSUBMISSÃO ANCESTRAL) - COLECTÂNEA - IN-FINITA