sexta-feira, 6 de julho de 2018

DEZ PERGUNTAS A... PC_SO


Agradecemos à autora PC_SO a disponibilidade me responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autora e pessoa?

Como autora, sou a alma, imaginação... O subjectivo
Como pessoa, sou corpo (cabeça, tronco e membros), mas o objectivo
Lutadora sem pestanejar, para poder alcançar o mínimo de ser humana.

2 - O que a inspira?

Tudo e todos, o meu infinito sem peso e medida.
Seguir o algoritmo da vida, VOS... Ver, Ouvir, Sentir

3 - Existem tabus na sua escrita? Porquê?

Sim existe tabus, no sentido cuidar da minha forma de escrever sensações, pensamentos e ações humanas.
Porque simplesmente, quero dar liberdade erótica em todos os sentidos, a quem lê o que escrevo.
Sem qualquer tipo de demagogia, não gosto de palavras explícitas para defenir o indefenivel Ser Humano em todos os aspetos da sua vida.

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

Um meio de se dar a conhecer
Dar continuidade ao valor da escrita
Bom exemplo de união fazer a força
Prático
Barato

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

Descoberta do meu gosto pela escrita
Descoberta da eterna aprendizagem
Descoberta da escrita, como forma de crescer mental, espiritual
Descoberta desta agradável parceria... Tecnogia/Manual

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Como em tudo na vida, o universo da escrita não foge a essa regra de ouro,
Parcerias. Temos é de aceitar, contornar e acima de tudo respeitar a nossa condição de ser humano.
Lado positivo é escrever e dar a ler... HUMANIZANDO
Lado negativo, é escrever como um negócio, escrever só para uma parte da nossa sociedade... MECANIZADO.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Editoras mais abertas ao desconhecido
Qualidade/preço a nível editorial
Perseverança, humildade de parte a parte... Editora/Autor

8 - Quais os projectos para o futuro?

Escrever o meu infinito
Escrever o Ser humano e sua humanização
Escrever com música, cores, sabores... Sem mecanizar

9 - Sugira um autor e um livro!

Miguel Sousa Tavares
“ Madrugada suja”

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

“És um Ser completo...?
“- Não fui, não sou e nunca serei.
-Sou puzzle incompleto
-Labirinto
-Humana

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quinta-feira, 5 de julho de 2018

FALA AÍ BRASIL... AUZEH AUZERINA FREITAS


A insônia é extenuante, como tudo que se vela ou espera. Agora 3:30 da madrugada. Um vento acordou um pássaro. Fechei a cortina com medo dos olhos da noite e/ou dos vadios do mundo. Há tantos.

Começou cair chuva, e lindo é o ritmo com que ela chega: lentamente, tal qual passos do homem de bem, muito amado. Está aumentando. O som remete a galopes ao longe, e imagino que vem vindo cavalos. Meu pensamento voa sobre montes e chego na fazenda dos meus, outrora lindos dias.

Sinto neblina e vejo em pensamento tênue luz dos postes e recordo o olhar dos que amo e dormem um sono de paz, porque almas leves. Pesado agora , apenas o som de turbinas, avião quebrando a barreira do som na pista das nuvens, e os meus olhos pesam em mim. Tal qual trem de pouso, irei me recolher para poder voar no sonhar com a tecedura do tempo " primavera " que me trará, um mar de poesia e um oceano de emoções e amigos, naquele Rio de Jobim. Parou de chover. Apaguei as luzes.

DEZ PERGUNTAS A... ILANA ELEÁ


Agradecemos à autora ILANA ELEÁ a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autora e pessoa?

Por páginas de observação, escuta, sentimento e impulso.

2 - O que a inspira?

O que está bem perto, possível de tocar; o que desapareceu do horizonte; os dias passando em versos.

3 - Existem tabus na sua escrita? Porquê?

Em um primeiro momento me vejo liberta de tabus mais evidentes, como os sexuais e religiosos. Não tenho religião e moro na Suécia, um país inspirador para democracias, liberdades, sexualidades, feminismo, questões de género: um alento. Entretanto, nesse país nórdico há uma série do que podem ser chamados de tabus políticos, como o terror de ser interpretado como conservador nas colocações públicas sobre questões de imigração, abafando questões importantes vindas da boca do povo para debaixo dos tapetes - o que infelizmente, em sintonia com a onda de fake news,  pode ter contribuído para a ascensão de partido de extrema-direita nas intenções de voto, também debaixo dos panos; cresce o debate acirrado sobre a reinvindicação pelo “lugar da fala”, “representatividade”  e “politicamente e ambientalmente correto” na literatura, o que muitos consideram a morte da literatura e sua liberdade e outros, uma necessidade vital, irrevogável. Considero este, então, o novo tabu para escritores, ou um dos desafios e temas para se pensar, em conjunto, sobre qual o papel e limites dos escritores na contemporaneidade.

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

Gosto delas como conceito e diversidade. Em sueco, uma criteriosa antologia com autores brasileiros, publicada pela editora Tranan, tem sido minha escolha há anos para presentear amigos. Imagine o impacto em poder oferecer, em um único exemplar, trechos e contos com tantas vozes de qualidade.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

Imenso. A forca da rede Mulherio das Letras - no Brasil e na Europa - , assim como a página Um poema nórdico ao dia, me impulsionaram a mudar a rota de atuação, rumo a literatura e poesia, de maneira íngreme e bonita.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Deixo essa questão para a matemática. Para mim, a escrita é fluxo e encontro.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Entrevistas são interessantes; mas resenhas críticas profissionais e comentários dos leitores ainda soam fundamentais.

8 - Quais os projectos para o futuro?

Sou pedagoga, com doutorado em Educação e agora pretendo estudar Literatura, recomeçar nos grupos universitários como curiosa aluna, movida por poesia. Meu livro infantil, Caramela, está sendo ilustrado pela talentosa artista Martha Werneck, procuraremos editoras em breve.  Uma publicação artesanal para meu livro de poesias seria devaneio. A continuação de Encontros de neve e sol está sendo escrita. E ah! A biblioteca infantil no jardim ficaria linda se plantada em outras varandas e casas.

9 - Sugira um autor e um livro!

Só para ficar com quatro maravilhas atuais escritas por jovens poetas brasileiras vivas digo: O peso do pássaro morto, da Aline Bei; Quando o céu cair, da Danielle Magalhaes; 16 poemas + 1, da Francesca Cricelli; O livro das semelhanças, da Ana Martins Marques.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Porquê a poesia? Me perguntariam. E para responder, me deitaria em versos, com a síntese do sentimento preenchendo os olhos. Porque casas flutuam e nem tudo se explica, respondi.

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DEZ PERGUNTAS A... MARIETE LISBOA GUERRA


Agradecemos à autora MARIETE LISBOA GUERRA a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autora e pessoa?

Estamos juntas no mesmo paralelo a apertar a mão do conhecimento.

2 - O que a inspira?

A vida, as gentes, A visão do outro na minha realidade.

3 - Existem tabus na sua escrita? Porquê?

Na minha forma de ver /actuar, acho que não. Porque na Poesia ou outra forma de escrita e sua expressão, terá que ser livre, conforme o sentir. Só abraço o que sinto.

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

Divulgação. Aprendizagem. Partilha.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

Muito positivo e perfeitamente inesquecível. O amadurecimento foi feito nesse registo. Estou grata.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Não vejo pontos negativos. Paixão será sempre paixão. Terá acabado o mar?

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Um autor deve ser divulgado na sua essência e verdade. Jamais com intuito de ser um ganho e investimento para terceiros.

8 - Quais os projectos para o futuro?

Continuar a ser feliz, quando escrevo.

9 - Sugira um autor e um livro!

Difícil. Sempre comprei livros. A minha mesada era gasta com eles, meus companheiros. Impossível ser um. Desobedeço, dois.
 “Aroma” – Radbika Jha,
“um homem”- Oriana Fallaci

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Porque esta entrevista tem dez perguntas? Responderia a mais perguntas. Seria surpreendente pela qualidade das dez.

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quarta-feira, 4 de julho de 2018

EU FALO DE... GREGOS E TROIANOS



Existe uma velha máxima que diz: “Não se consegue agradar a gregos e a troianos”. Concordo em parte porque a unanimidade é algo que dificilmente se alcança, no entanto, também não deixa de ser verdade que, ao longo dos anos e em vários projectos, tenho conseguido o apoio de pessoas com formas bem distintas de pensar e agir, e isso, para mim, é conseguir agregar mais de um lado.

Sem saber a quem chamar grego ou troiano, não raras vezes, tenho juntado, em múltiplos trabalhos realizados, autores de várias sensibilidades, estilos e tendências, e isso, tem sido gratificante, mais ainda sabendo que há diferenças que, em outras circunstâncias, revelariam as incompatibilidades entre autores e criariam alguns atritos.

Posto o anteriormente dito, continuarei a fazer a minha parte dando a mesma percentagem de atenção a gregos e a troianos (e a persas e a...) em prol da heterogenia que tento colocar em tudo o que faço. E se, tal como já aconteceu no passado, desses trabalhos surgirem momentos de tréguas, e até aproximação, cá estarei para manifestar, mais uma vez, o meu regozijo.

MANU DIXIT

DEZ PERGUNTAS A... ANGELI ROSE


1 - Como se define enquanto autora e pessoa?

Como um barco à vela que se deixa levar pelo oceano da fantasia, ora à deriva, ora com leme direcionado para terras longínquas a serem descobertas dentro e fora de mim.

2 - O que a inspira?

Alguma experiência significativa, que pode ser desde a leitura de um romance, de algum filósofo, passando por m paixão (correspondida ou não!), à observação da simplicidade presente na brincadeira de uma criança. Em realidade, acho que é um instante intenso sentido em algum acontecimento que pode tornar aquele momento uma eternidade, o que é suficiente para querer buscar palavras inspiradoras para outrem.

3 - Existem tabus na sua escrita? Porquê?

Acho que sim. Estaria mentindo se dissesse que não. Existem limites, talvez por ignorar em alguns momentos a potência humana, para o bem e para o mal. Mas vejo positivamente esses limites, porque eles transformam-se em desafios, aqueles desalinhos necessários para investigar a potência da língua em que se escreve e da experiência humana. Isso ajuda a viver e fazer literatura. É “lutar com as palavras”, uma “luta vã”, como queria o poeta Carlos Drummond de Andrade.

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

Como professora, acredito que tenham uma função de democratização do acesso à literatura, naquele sentido que o professor Antonio Cândido tão bem provocou: o direto à literatura; algo de fundamental importância para a formação humana. Como escritora, mulher, ”parda” como me registraram em meu país (Br),de família simples sem tradição intelectual,proletária da educação,penso que as antologias são uma oportunidade de compartilhar um “espaço”,o do livro,com outros poetas e escritores,também uma chance de ler e ser lida em meio ao mercado editorial tão irregular e indisciplinado como está o atual,já que passa por uma mudança relevante com o advento da cibercultura e suas redes sociais,com escritores se autopublicando aos montes a cada dia,assim como com a abertura autorias compartilhadas como a literatura digital/eletrônica tem provocado.Por outro lado, penso que para a crítica literária e cultural,as antologias são um desafio porque os motivos que as tem organizado não seguem mais necessariamente os princípios que as regiam em séculos passado.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

Todos. Como escritora, mantenho um “MEMORIAL DIALÓGICX” na rede social FACEBOOK, sob um pseudônimo: capitu nascimento.Mas já fui blogueira também.Tenho a oportunidade de entrar em contato com muitos escritores e pesquisadores,através das redes sociais,mas sem deixar isso tomar meu tempo de leitura.Como pesquisadora,intrigam-me as associações,alguns princípios em voga em prol ou não da literatura,tais como as comunidades de leitores.Por outro lado,fico perplexa e vejo com certo receio a dificuldade para lidar com a convivência virtual e presencial. Como professora,sou fã dos youtuber por um lado,daqueles que são despojados na forma de resenhar livros e apresentar suas leituras.São jovens, em sua maioria,bastante desenvoltos e conscientes quanto à importância da leitura de fôlego para a formação de um pensamento crítico.E como cidadã,que inclui tudo isso e mais alguma realidade,me sinto desafiada a tolerar mais do que imaginaria e menos do que gostaria.Ainda tenho vontade de arriscar mais em termos de recursos tecnológicos que algumas redes sociais oferecem,principalmente, no que diz respeito ao uso de imagens e de sons em movimento,associados à palavra.Eu frequento as redes sociais,poucas e pouco,porém a cada dia mais restrita aos meus interesses profissionais,porque na medida do possível,ainda prefiro preservar minha relações com os laços de intimidade.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Um ponto negativo da escrita é a escrita; um ponto positivo da escrita é a escrita. Podem parecer tautológicas ou vazias tais considerações, mas é que de fato,lidar com a escrita num mundo em que ela já não é a protagonista,como o foi no século XIX,isto é,como todos os clássicos universais que formaram alguns que decidiram escrever é algo “negativo”,desafiador,eu diria.Ao lado disso,ou por isso mesmo,a escrita(literária) está num momento em que é fascinante relacioná-la tão intensamente com outras linguagens,com efeitos de acoplagem,subtração,superposição,etc.Enfim,no nosso tempo,nesse tempo em que estamos,continua sendo instigante a escrita e por que negativo e positivo faz-nos sentir o que está vivo em nós,quer pela memória,quer pela imediatez que o mundo digital proporciona em termos de criação e recepção.Agora pensando mais,acho que o negativo é o autor e o positivo é o leitor,sem que estes estejam em personas diferentes obrigatoriamente.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Primeiro que seja lido por quem vai divulgá-lo. Isso tem sido um pouco difícil, dado o volume de publicações com o qual os editores e divulgadores costumam lidar. Ser lido criticamente, de maneira que se conheça a potencialidade daquela literatura a ser veiculada, o que é uma maneira de estar pronto para as oportunidades que podem surgir, independentemente dos meios e espaços já estabelecidos para essa atividade de divulgação. Ou, ouvir, ler, quem já leu o autor e é fonte confiável, e quando digo confiável, penso no leitor ou crítico que não se deixa tomar por grupos e guetos literários (as patotas). Há outros aspectos mais práticos que tocam a questão do divulgador, como ser bem relacionado, conhecer os canais acessíveis e que dão visibilidade a autores (as), no entanto, penso que gostar do que faz ter curiosidade pela experiência humana e interessar-se por literatura é o que pode resultar em êxito para a atividade de divulgação. Posso estar sendo um pouco idealista e fora da realidade, já que o estado de crise em que permanentemente nos encontramos nesse campo editorial e literário não dá muitas escolhas para os profissionais do ramo. Talvez. Mas prefiro pensar na divulgação como algo orgânico nas relações voltadas para a circulação da literatura.

8 - Quais os projectos para o futuro?

Isso é curioso. Pensar nisso é curioso, porque tenho a impressão de estarmos vivendo um estado de coisas em que somos exigidos a pensar em futuros (possíveis e impossíveis) e não mais num futuro. Lidamos com temporalidades tão diversas em nosso cotidiano que o futuro parece, por vezes,ter sua medida encurtada e já se anunciar como o agora;de outra feita,apresenta-se tão distante e inexequível a nós que se confunde com sonho ou utopia.Se posso falar em projetos,quero poder continuar a escrever e a publicar,experimentando textualidades que ainda não pude ou não quis.Mas há um romance para sair,o que é algo mais concreto em relação à escrita.Ah! Quero também poder conhecer e estar mais com pessoas que gostam de estar com as outras, para falar sobre poesia, ler poesias, enfim...

9 - Sugira um autor e um livro!

Nossa! Que questão difícil!Vou me arriscar a dizer uma mulher porque também é importante militar e viver a sororidade como ação afirmativa do momento: “Outros jeitos de usar a boca”, Rupe Kaur; (e desobediente que sou, não vou perder a oportunidade) A hora da estrela,Clarice Lispector.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Você viveria numa ilha deserta? O que faria nela? Sim. Sim! Como o mestre José Saramago adoraria viver numa Lanzarote como ele o fez. Mas gostaria de ter um parceiro como o escritor português conquistou e uma boa e rápida internet, claro. E levaria os livros, os bichos e os notebooks, para escrever e convidar amigos, vez por outra, e fazer um sarau regado a vinho.

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DEZ PERGUNTAS A... LEANDRO PEREIRA DE FREITAS


Agradecemos ao autor LEANDRO PEREIRA DE FREITAS a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autor e pessoa?

A única definição que logro encontrar para me caracterizar enquanto pensador que por instinto escreve é o ser eu. Ser fiel e idêntico a mim mesmo, com ou sem caneta, com ou sem voz, é este o princípio que regula toda a minha existência consciente. Não poderei, jamais, em qualquer circunstância adotar uma postura se não a minha. Encaro a minha atividade cívica como sendo uma oposta ao sedentarismo intelectual que, infelizmente, demonstra uma elevada adesão por parte dos membros da nossa sociedade! Para além disso, reconheço vivamente o poder da juventude não só por me incluir nela, como também por ser uma força que quando libertada é indomável... Assim sendo, como o autor é inseparável da pessoa, sacrificarei a minha vida escrevendo, falando, sentindo e agindo de modo a iluminar os outros. Em suma, é desta forma que eu me sinto eu, é desta forma que me defino.

2 - O que o inspira?
        
Eu sinto-me inspirado por tudo aquilo que sou capaz de expirar. Enquanto padeça desta doença da Vida inspirar-me-ei em tudo aquilo que ela aporta. Com os sentidos transporto-me para a sensação - inspiro - e logo após de com a razão pensar, simplesmente, expiro. Deste modo, é na convivência com as pessoas, é no visualizar, no sentir, no pensar, no idealizar, por outras palavras é na vida e com a vida que permaneço vivo e inspirado.

3 - Existem tabus na sua escrita? Porquê?

Sim, um apenas. O tabu de nunca escrever, pois sem escrever a história e conhecimento diluem-se nos fluídos do tempo.

4 - Que importância dá às antologias e coletâneas?
        
As antologias e coletâneas ganham a sua importância em duas fases fundamentais. O antes e o depois, a construção e a propagação. Em primeiro lugar, todo o processo envolvido na construção de uma antologia ou de uma coletânea prevê um massivo envolvimento entre diferentes pessoas e intelectos, convívio que, a meu ver, é importantíssimo! É na convivência com os outros que as arestas do nosso ser ganham significado. Algumas são polidas e outras permanecem, assim crescemos. Em segundo lugar, uma obra desta natureza apresenta uma riqueza única e variada, dado que, quem a escreve não é um só, são vários e a história que conta não é a de uma vida, mas sim de infinitas. Deixamos na terra sulcos literários que impulsionam a humanidade. Que a nossa experiência sirva de experiência para quem aí vem...

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

As redes sociais são magníficas para partilhar ideias, pensamentos e pontos de vista, uma ferramenta de debate. No entanto, é pena que, na generalidade, quem as usa não a usa com esta finalidade. Eu tenho por costume partilhar um pouco do que escrevo com os meus íntimos através das redes sociais e considero-a fundamental para divulgar outros trabalhos de natureza cívica como eventos e participações políticas. Em suma, a importância das redes sociais, para mim, resume-se ao manter contacto, partilhar e informar.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Honestamente sou incapaz de encontrar qualquer ponto negativo no universo da escrita em si, a não ser, na relação para com. A escrita está presente em toda a nossa vida, poderia escrever uma lista infindável de onde ela aparece, no entanto, tal trabalho superaria a minha condição humana. Ela, aliada à fala, permite-nos comunicar, necessidade esta que nos é intrínseca e vital, assim sendo, o universo da escrita é inseparável do nosso próprio universo. Em relação aos pontos negativos que, eventualmente, poderia citar no âmbito da relação para com, sinto que não o posso fazer, dado que, a relação entre os Homens e a escrita, tanto no sentido de criação, como também na aquisição de conhecimento, ponto que poderia ser discutido na procura ou não do mesmo, dependem, fundamentalmente, do livre-arbítrio. Estaria a ser hipócrita se considerasse que a não procura está errada, pois condicionaria a conduta humana adentrando-me nos domínios do determinismo que, a meu ver, no âmbito da ação e deliberação não faz qualquer sentido. Deste modo, o ideal seria que todos utilizassem o universo da escrita como forma de aprendizagem autodidata sem imposição, mas para isso é necessária uma mudança de paradigma, levar as pessoas a pensar sobre e mediante a sua razão decidirem como querem proceder. Em suma, todos dispomos de armas semelhantes, mas a forma como as utilizamos podem ser bem diferentes… eis o que nos diferencia uns dos outros tornando-nos únicos!

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

A meu ver, para uma divulgação eficiente de um autor é fundamental apresenta-lo nas diversas redes sociais, dar-lhe espaço de expressão escrita e, o mais importante, dar-lhe voz na comunidade literária.

8 - Quais os projectos para o futuro?

Em primeiro lugar, nos domínios da escrita quero continuar a participar em antologias poéticas, visto que, sinto que cresço de uma forma progressiva. Para além disso, gostava imenso de lançar-me numa publicação, já tenho o material na gaveta, falta lança-lo ao mundo. Por questões económicas ainda não o fiz, no entanto, antes dos meus 18 anos, antes de caminhar para a universidade, pretendo publicar o livro com os poemas que escrevi no decurso da minha passagem pelo ensino secundário de modo a deixar-me em verso na terra que me viu crescer, é uma forma de agradecimento por me terem preparado para o futuro. Em segundo lugar, a nível de formação académica quero formar-me em Física Teórica trabalhando num centro de investigação e, para além disso, investir na minha formação pessoal no sentido humanístico. Quero ocupar uma posição no mundo da política e, utilizarei a poesia como arma! Estarei recetivo a participar em todas as iniciativas cívicas que me apareçam, quero desempenhar o meu papel como cidadão de uma forma exemplar dando luz à palavra e à ação!

9 - Sugira um autor e um livro!

Autor – Antero de Quental. Livro – Apologia de Sócrates

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?
                   
Como lidas com a Morte?

Como quem lida com a Vida. Ambas existem. Não detivemos qualquer conhecimento da vida sem a viver, assim como, não iremos deter qualquer conhecimento da morte sem a sentir…

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terça-feira, 3 de julho de 2018

ADRIANA FALA DE... VIVÊNCIAS


Margarida Cimbolini desnuda-se em Vivências. De corpo, alma, vida. Faz das palavras arte. Transforma dores e solidões em ferramentas para compor divinamente a escrita poética. Usa as alegrias e o amor, para extravasar o que transborda pelo lado de dentro. Busca, vasculha, garimpa e lapida. Os sentimentos, as vivências, o estar e ser. Sabe o caminho que percorre e não tem dúvidas de onde quer chegar. Conhece preciosidades e o que há de melhor e usa a seu favor, a favor da expressão, da literatura, da poesia.

O livro é um convite para dar as mãos e percorrer com a autora esses caminhos, tão bem trilhados e traçados em cada verso ou frase. Caminhos cheios de surpresas, ensinamentos, que causam estranhezas ou contentamento. Que nos fazem cúmplices nesse desnudar da alma. Que partilham sentidos e emoções, tão comum entre todos nós, mas nos poemas de Margarida Cimbolini, criam vida, melodia, forma e cor. E quase podemos tocar, na imagem lírica, na metáfora, nas entrelinhas que despertam sensações e intimidade.

Intensidade em viver, no verso, na paixão, no sentir, no pulsar inesgotável, na ferida inevitável. Na inquietação do ser mulher, no desejo ardente – ausente. Na plenitude que avassala – presente. No limite de si mesma, que quer ultrapassar e ousar.

Alinhavos do Tempo, Delírios da Madrugada, Poesia da Terra e Vivências, conversam entre si, nas passagens de uma vida, cheia de experimentações e sentir. No amadurecimento, nas contradições, nos encontros, nos desejos, nas solidões de uma alma feminina, que tem sensibilidade e sabe, com maestria unir letras e usa-las a seu bel-prazer, instigando, experimentando, provocando, seduzindo, acalentando, abraçando, abrigando a todos que a leem.

Um livro de paixão, de emoção, como a cor vermelha que traz tantos significados, do amor que extravasa, da dor que dilacera, da euforia que enlouquece, do desejo insaciável, das perceções e questionamentos. Margarida Cimbolini vai além, com a força, o entusiasmo, o querer de quem faz da poesia um relicário de Vivências.

VIVÊNCIAS, de Margarida Cimbolini é o número I da Coleção POIESIS, coordenada por João Dordio e produzido pela IN-FINITA.
Um pouco mais sobre a autora:

BIOGRAFIA

Margarida Cimbolini nasceu a 9 de maio de 1958 em Lisboa. Estudou na Escola Primária do Restelo e na Escola Secundária Liceu de Oeiras. Formou-se como Educadora de Infância na Escola Superior de Educação João de Deus. Licenciou-se em História de Arte na Universidade Autónoma. Neta, sobrinha e filha de poetas e livreiros, viveu sempre no meio das letras. Começou a escrever muito cedo e toda a vida escreveu poesia, crónicas e contos.
Destaque para o seu tio-avô, Alfredo Guisado, contemporâneo de Fernando Pessoa, cofundador da Revista Orfeu, poeta de destaque participante no grupo Orfeu com várias obras publicadas e considerado hoje um poeta injustiçado em relação aos seus pares.
Margarida Cimbolini recebeu, em 1975, o conhecimento de PREM RAWT na ASSOCIAÇÃO DE RAJA YOGA, formação que exerceu durante 8 anos.
Casou duas vezes, teve uma filha do primeiro casamento e um filho do segundo, sendo agora viúva.
Frequentou a Escola Lusitânia Feminina de Lisboa, curso que não completou, bem como vários WORKSHOPS sobre astrologia, tarot e ciências esotéricas.
Viajou por toda a Europa e América tendo vivido em França, Bélgica e Amsterdão, onde desenvolveu a atividade de Antiguidades e obras de arte, atividade essa que ainda mantém.
Realizou exposições de Antiguidades e de Arte por todo o país como empresária na empresa Linho-e-Velho, fundada em 1992 com sede em Linda-a-Velha e com várias lojas em Lisboa com o mesmo nome.
No ano de 2010 começou a publicar nas redes sociais onde recebeu várias menções honrosas.
Pertence a 760 grupos de poesia onde publica regularmente.
Participou em mais de 30 Antologias Poéticas, bem como em várias tertúlias literárias e debates sobre literatura, poesia e obras de arte. Publicou um livro com o titulo “Cartas de Amor”, apresentado pelo professor Francisco Queiroz, e que esgotou rapidamente, estando já na 3ª edição com algumas modificações.
Foi consultora no museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa, atividade que manteve até 2013.
Possui dois blogues (“Mar de Verdes Versos” e “A Cor do Vento”), com cerca de 1800 poemas.
Neste momento dedica-se à escrita e ao comércio, avaliação e restauro de Antiguidades e obras de arte.


DRIKKA INQUIT