quinta-feira, 28 de junho de 2018

DEZ PERGUNTAS A... VÍTOR COSTEIRA


Agradecemos ao autor VÍTOR COSTEIRA a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autor e pessoa?

Penso que o Autor e a pessoa, no meu caso, se confundem um pouco. Somos um só. Apenas a roupagem se altera, pois a pessoa é mais do que o Autor, uma vez que se entrega à Família, a Amigos, a funções, tarefas e a actividades diversas, para além de se entregar ao próprio Autor. De qualquer das formas, o fio condutor entre os dois está na forma como entende o mundo onde se insere. Sou um observador e um captador de sensações. Tal como com a fotografia, eu retenho a memória dos momentos dos outros e dos meus. Depois, passarei para uma escrita feita de Poesia ou Prosa... ou não.
Sou defensor de tudo quanto possa unir as pessoas, acreditando que é a diversidade que embeleza a unidade! Somos parte de um todo perfeito, daí sermos não-perfeitos, pois somos apenas parte.

2 - O que o inspira?

O Amor, a Amizade, a dor, a felicidade, os outros, os outros, os outros, sempre aprendendo com os outros, permitem-me um vasto manancial de inspiração! Assim como também a Natureza, pois ela é o suporte vital para toda esta compreensão de um todo, que me leva a inspirar nela mesma e no meu papel tão reduzido, mas tão importante!

3 - Existem tabus na sua escrita? Porquê?

Não chamaria “tabus”, mas não me vejo a escrever poesia sobre emoções, sentimentos passionais e mesmo erotismo, como se estivesse escrevendo um manual de instruções para reparar um electrodoméstico. Não sinto necessidade de descrever um acto literalmente. Tabus? Não, não sinto que tenha.

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

Tal como existem, na maior parte das que eu conheço, honestamente, não me atraem as antologias e/ou colectâneas. Acredito que estes livros sejam importantes para muitas pessoas, pela possibilidade de verem a sua escrita em papel que todos possam ler de outra forma e pela circunstância de estarem lado a lado com alguns poetas e poetisas de quem são admiradores. Em termos literários, para um autor que escreva com objectivos mais vastos, creio que estas obras não dirão muito, mas não deixarão de ser uma ferramenta de divulgação do que fazem possibilitando sempre o encontro latente com outras mentes e outros estilos e géneros literários. Acredito que, na maior parte dos casos, estas compilações se abram apenas nas páginas dos que as adquiriram, por eles, pelos seus familiares e pelos amigos. Há uma certa falta de cultura literária que grassa pelo público em geral, mas também pelos próprios autores.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

No meu caso, as redes sociais terão sempre que ser lembradas como o primeiro veículo de divulgação do que eu escrevia. Sempre tive uma aversão às redes sociais, mas acredito que tal acontecesse por deficiente informação da minha parte. Eu iniciei o meu percurso nas redes sociais no Google+, como forma de expor imagem digital, de que sou forte adepto e autor também, para além de um outro passatempo, a fotografia. Mais tarde, comecei a ilustrar as imagens com pequenas frases que ia escrevendo... era já o bichinho da escrita que me ia desassossegando e convidando a mostrar o que eu já fazia há muitos anos, mas que a ninguém mostrava. Entretanto, uma boa amiga desafiou-me a mudar de ares e eu, finalmente, aceitei o desafio e passei a publicar no Facebook e ainda em outras plataformas digitais. Tudo mudou! Fui bem recebido. Os meus poemas passaram a ser lidos e ansiados por leitores que, alguns deles, me acompanham desde o primeiro instante. Para terminar este ponto, devo acrescentar que aqui cheguei apenas há cerca de dois anos sem nenhuma obra publicada. Neste momento, são já três livros de poesia e... o futuro mais dirá!

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Não consigo olhar para o universo da escrita e entendê-lo de forma diferente do universo social em que circulamos como indivíduos reais. Quem escreve são pessoas reais, são aqueles que encontraremos em espaços sociais e também em redes sociais. Aquilo que de bom e de menos bom acontece, no dia-a-dia das pessoas, também acontece no mundo da escrita. Somos todos nós, autores e leitores, quem teremos que destrinçar o que queremos ou não queremos, optando por aquilo que entendermos ser o melhor para nós e para a forma de entender os outros e o mundo em que acreditamos!

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Em primeiro lugar, entendo que o autor não deve desligar-se da sua própria divulgação, da sua alavancagem! Diria mesmo que, ele, Autor, é a peça-chave desse dar-se a conhecer aos potenciais leitores! Publicar algo, seja em que editora for, e esperar que o céu mude de cor apenas para ele... resulta no maior erro da sua “carreira” literária!
Depois, a própria editora não deve abster-se de apoiar a obra e o autor! Não estou a par do que pode ou não fazer-se, mas sei que uma obra que não se veja, de que não se fale, é obra morta e autor reduzido a cinzas! Resumindo, acredito que tudo resulte bem, se houver uma interacção saudável entre editora e Autor!

8 - Quais os projectos para o futuro?

Como ser humano, continuar o meu crescimento! Estudar, entender o que me cerca, respeitar a Natureza e os outros parceiros de caminhada e tentar ser feliz, nos momentos que assim o puder ser!
Como autor, ser o prolongamento da pessoa que cada vez mais quer ser melhor, crescer muito e chegar onde o meu sonho nem arrisca sonhar!
Iniciei a caminhada com a Poesia, mas os contos sempre aqui estiveram e ansiosos continuam espreitando!

9 - Sugira um autor e um livro!

É uma crueldade sugerir um autor apenas e um livro apenas! A literatura é uma vastidão de obras e autores acima de acima! Sinto-me redutor e injusto, ao mesmo tempo! Mas seria de todo fastidioso e impossível elaborar uma lista deles que continuaria a ser redutora e injusta!
Assim, aqui vai! De idioma estrangeiro, Gabriel Garcia Marquez e o seu “Cem anos de solidão”. De idioma português, José Saramago e o “Memorial do Convento”.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Pergunta: “O que o impulsiona a escrever?”
Resposta: Uma necessidade urgente em me ver do lado de fora de mim mesmo! Um saber entender-me melhor! Uma carência afectiva de mim para mim, que me permita gostar de quem sou!

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quarta-feira, 27 de junho de 2018

ADRIANA FALA DE... O OLHO DO RINOCERONTE


Enviado pelo autor, de Recife, recebi essa semana, surpreendida até pela rapidez, O OLHO DO RINOCERONTE, que atravessou o oceano atlântico, e aportou em Lisboa, não para ser lido, mas para ser apreciado.

E ao gostar muito da capa e deparar-me na contracapa com a seguinte descrição: Os rinocerontes são grandes mamíferos perissodáctilos (ungulados de dedos ímpares), da família Rhinocerontidae. Geralmente vivem isolados. Para demarcar território, pisam nas próprias fezes, acumulando em pilhas que podem atingir um metro de altura, às vezes escavam em volta pilhas, tornando-as ainda mais visíveis. Têm cabeça e tórax grandes e pernas curtas, olfato e audição potentes, seus olhos são pequenos, sua visão é fraca…

Fiquei pensando no quanto seria difícil escrever essa resenha e ler esse livro, confesso.

Depois como sempre, e mais uma vez, Frederico Spencer, surpreende:

…Mas esse livro não é sobre rinocerontes, é um livro de contos, com suas várias histórias que nos coloca frente a aspectos de verossimilhança com o comportamento animal. Todo o resto é mera ficção.

E fui em busca, com avidez e curiosidade, dessas semelhanças que temos com esses seres que nunca fizeram parte do meu universo. E não consegui parar, até à última página. Li, reli, absorvi, aspirei, traguei cada palavra, embevecida pela forma quase poética e metafórica dos escritos. Cada conto tem a sua particularidade, uns emocionam, outro causa repulsa, outros despertam o pensamento, ensinam, preenchem a alma e confortam. E sempre nos conduzem para a inquietação. Daquelas que mexem com o que está sossegado dentro de nós e nos conduzem de volta a sensações escondidas na memória. E ficamos com o olhar perdido no tempo, imersos em nossos questionamentos e buscas. E é isso que o autor provoca, com O OLHO DO RINOCERONTE, uma imersão em nós mesmos. Em cada página, percebemos nas entrelinhas, as intenções, análise crítica, exercício de escrita, e cuidado na elaboração de cada conto. Frederico Spencer não escreveu para ser uma simples obra de entretenimento. Ele faz um chamamento ao leitor, para um mergulho no reflexo do espelho, no lado de dentro. Nos conduz até um ponto, depois solta a nossa mão e nos empurra para um mergulho íntimo. E deparamos com todas as nossas memórias, algumas esquecidas, outras abandonadas, consciente ou inconscientemente, estão lá e são despertadas em cada página do livro. Sensações e sentimentos, altruístas, egoístas, gentis, amáveis, humorados, solidários, irracionais, cruéis, sádicos, masoquistas, de sobrevivência ou simplesmente o que somos, ao nos despir de todas as influências do meio social e nos defrontarmos com a nossa nudez como ser humano, e em essência, como diz o autor, percebemos o quão somos semelhantes, com os nossos irmãos do mundo animal.

Além de agradecer, por essa imersão e despertar dos sentidos e pensamento, com uma leitura agradável e envolvente, parabenizo Frederico Spencer por saber usar as ferramentas certas e ser esse fio condutor, dentro da poesia ou da prosa, um autor completo, que utiliza como ninguém uma das ferramentas mais preciosa no espaço literário: a análise do ser humano e suas analogias, transportada por uma imensa capacidade de criação e conhecimento, não só estrutural e gramatical, mas, principalmente poética.

Frederico Spencer - biografia:

É sociólogo, professor, produtor cultural, poeta e contista. Membro fundador da Academia de Letras de Jaboatão dos Guararapes. Como poeta foi premiado pela Academia Pernambucana de Letras em 1985 (Prêmio Gervásio Fioravanti). É editor do Portal Domingo com Poesia (dois Prêmios pelo Top Blog Brasil nos anos de 2012 e 2013, no gênero literatura. Tem quatro livros publicados: Portal do Tempo (Editora Bagaço) 1986, Quadrantes Urbanos (Editora Livrorápido) 2006, Abril Sitiado (Editora Bagaço) 2011, Linha de Risco (Editora Bagaço) 2016. Tem vários poemas publicados em antologias, jornais e revistas literárias.

DRIKKA INQUIT

DEZ PERGUNTAS A... SÍLVIA SCHMIDT


Agradecemos à autora SÍLVIA SCHMIDT a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autora e pessoa?

Uma cidadã hoje mergulhada no caos- no universal - em conexão com o internacional e regional. Sinto-me parte do todo no todo. Uma miríade. A obra a materialidade por onde esta consciência transcende da autora que se cria. Sou linguagem e línguas dentro do conceito - escreviver - já usado por Clarice Lispector e o poeta gaúcho Carlos Nejar. Não há separação.

2 - O que a inspira?

Estas possibilidades quânticas, a vida em si – como disse Osho – “uma oportunidade” e Guatari e Deleuze na Filosofia “o devir”. Estas aberturas para o novo o surpreendente. Um barco jogado ao mar enquanto Língua por Saussure em seus estudos em linguística geral.

3 - Existem tabus na sua escrita? Porquê?

Não, muito pelo contrário se somos este emaranhado de possibilidades – se estou na vida para o encontro não posso colocar barreiras entre o que estou sendo, penso e faço. Isso não quer dizer que não tenha meus limites, senso crítico e claro ética. Mas tabu no sentido de preconceitos e ou moralidades excludentes não.

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

Muita! Penso que com o mercado editorial sectarizado e recrudescido cada dia mais precisamos nos unir. Numa coletânea nós escritores em diferentes gêneros literários podemos dialogar, mostrar e revelar novos escritos. Nem sempre possível em uma obra pelo valor que isso significa assim como a dificuldade de encontrarmos o leitor a livraria que a recebam. Devemos organizar mais coletâneas, e se possível com temas , com intenções para que elas ganhem força. Resenhar, criticar – pensar o encontro dos selecionados. Importante critério na seleção sem o qual as mesmas podem cair em descaso. Isso é papel importante de curadoria - que precisa além do trabalho gráfico editorial saber selecionar escritores pautados em crítica literária. Dar harmonia entre os escolhidos, instigar o exercício da escrita enquanto experiência com a matéria prima da Literatura a palavra e distribui-las a em eventos tais como saraus, feiras de livros, festas, bibliotecas. Vejo vocês realizar isso. Fico muito grata.

5   - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

Há dois momentos no surgimento da web na minha escrita. Ao estar na vida, nestas tantas viagens entre diferentes países, fora de ordem e fora de casa, a internet me conectou sim com os amigos da estrada, com a família e claro com o leitor. Foi sensacional estar ali junto de tantos que inclusive se tornaram vozes em personagens quando neles encontrei originalidade. Para divulgar meus escritos, lançamentos foi essencial. Há muitos sites que há anos permitem o encontro em salas de modo online e ao vivo. O lançamento de meu primeiro romance - 2014 - Duty Free - foi realizado assim em museus e bibliotecas e com sala virtual cheia, o que não ocorre hoje em encontros presenciais infelizmente. Realizei um que será marco em meu processo - Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro. Fiz para compreender e mostrar os passos de catalogação de uma obra: o ISBN - Catalogação, Direitos autorais - o arquivo legal. Enfim os passos para legitimar a obra oficialmente. Segue link abaixo.
Por outro lado, estar disponível demais no meio virtual tira do leitor por vezes a curiosidade de encontros presenciais e mesmo a leitura da obra. Pequenos trechos os satisfazem e isso torna o processo desistimulante para quem escreve. Surgem críticos dispostos a tirar onda com sua pequena e ainda insignificante parcela de trabalhos, obras ainda não lançadas. Ao expormos estes pequenos arroubos de iniciantes, por vezes impensadamente – queimamos etapas - e curadores de prêmios significativos exigem ineditismo. Somos artistas sempre exigidos e quase nada lembrados. 

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

A demora por correspondências – que sejam os leitores, os prêmios, os convites às mesas e debates às coletâneas e resenhas com certeza é o lado negativo da arte literária. Há estudos em letras contemporâneas riquíssimos que vamos ter acesso muitos anos depois de anunciados, estamos sempre atrasados no tempo criativo em relação ao expositivo. Uma lástima. Eu pessoalmente corro para não perder este delay – deste vácuo e isso cansa também por demais. Para estarmos no meio crítico criativo há de se fazer investimentos em viagens para estes debates, congressos, festas literárias, a compra dos livros. O tempo de leitura dos escolhidos. Recém descobri um marco histórico da literatura latinoamericana e estou há meses procurando torná-la conhecida e reconhecida no meio. Num primeiro momento desconfiam – o que te afasta ainda mais da sua intenção genuína, depois te esquecem para que não crie cama nem fama entre os famosos. Não é fácil e exige responsabilidade inclusive no que tange o campo do conhecimento. Não é nada gratuito muito menos glamoroso. É trabalho não remunerado.
Penso no entanto que o lado positivo é este universo criativo de possibilidades mil que me alimenta intelectual e espiritualmente. Uma estrada com pedras de pontas afiadas, mas que temos que saber esperar, trocar e confiar. Do campo do conhecimento a Literatura é das trocas simbólicas a mais exigente e isso nos faz redimensionar o olhar, a postura com as diferenças ter posição crítica e política. Como comentei lá em cima estou absolutamente imersa. Algo sairá deste caldo de estrelas e entrelinhas - espero.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Estudos críticos e para isso um profissional da area. Sou formada em Letras, e nem sempre reconhecida como uma profissional. Podemos não ter talento mas na hora de uma resposta em teoria, crítica (acadêmica e criativa) ou em debates o profissional precisa ser chamado. Nem sempre quem tem apenas talento, criatividade com a escrita tem as condições para circusncrever o objeto ali exposto. Posicioná-lo no tempo no espaço em sua originalidade em referências históricas é super importante para dar-lhe legitimidade. Enfim teoria e prática nem sempre andam juntas. O curador precisa deles e deve dar ao devido respeito ao procurar um profissional que experiente em estudos literários para aí então divulgá-los.

8 - Quais os projectos para o futuro?

Hoje depois de 16 anos na sala de aula como professora de Literatura e  18 anos na estrada, como disse escrevivendo, preciso de um lugar silencioso para descansar. Na verdade editar-me. Preferi eu mesma editar-me através do selo Símbol@Digital sob minha concepção. As mulheres em especial estão a elaborar seus escritos, suas obras porque perceberam em tempo que o mercado lhe é fechado. No Brasil estudos provam que é machista elitista e excludente. Esperar mais o quê se isso já esta definido por estudos seríssimos. então mãos “às obras”. Tenho pelo menos cinco livros no prelo e isso significa - orelha de capa, designer, lançamento, divulgação, vendas a parte mais complicada do processo penso eu. Ainda assim estou confiante e faço o que é preciso - com muita rotina.
Ah mas a necessidade do silêncio hoje é urgente.

9 - Sugira um autor e um livro!

Um e um? Quase impossível. Penso sempre em conjunto da obra.
José Saramago - em Evangelho Segundo Jesus Cristo.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Pergunta : o que mereces?
Resposta : ser lida
Segue um poema para fecharmos a entrevista que desde já agradeço com afeto renovado. Livrx para todos.

Livrx

Sob linhas entre folhas- o papel- plano livre lhe cai
um vento- brisa sucinto para ele sopra todo o falar
mãos de anjos subscrevem no símbolo o som sibilar

Nele costumes união -de ritmos- em belas imagens
sincretismos entre decassílabos poemas ou haikais
revelam -se as dores d'alma do corpo inerte - cais

Signos que ao todo como- metáfora- em sílabas vai
incrustando desejos e no tempo sua morada fazem
de platônica estrada suas curvas ruas ou mesmo ais

Assim em quase- poético filamento-profético se faz
alcançando invernos qual galhos em árvores- sublime paz
não se perscrutam sua origem ou mesmo sua finalidade

A palavra em sua metalinguagem- falácias nele escorre
entre areias brancas e tufos de algodão na incapacidade
por não refazer a trajetória-bagagem- a que lhe é d´ fato

[Livrx- estado-de quem pensa em quase fúnebre marcha
 cujo contrário também lhe é próprio e acertado de fato]
In esparsos

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DEZ PERGUNTAS A... MARIA ANTONIETA OLIVEIRA


Agradecemos à autora MARIA ANTONIETA OLIVEIRA a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autora e pessoa?

Falar de mim não vai ser fácil, no entanto, vou tentar fazer o meu melhor.
Sou uma pessoa humilde, sem ideias preconceituosas. Amiga do meu amigo, sempre atenta na tentativa de poder ajudar a melhorar e ou mudar (o que me for possível) na vida de quem me rodeia. Gosto de ser eu a comandar a minha vida.
Como autora, não tenho uma linha definida, não cumpro regras, nem métricas, no que diz respeito à poesia. Quando me atrevi a escrever o romance, tentei descrever o problema de muitas pessoas em situações idênticas às que relatei. Na altura fazia sentido, neste momento as mentes estão mais abertas e já não têm as dúvidas e os tabus existentes naquela data.

2 - O que a inspira?

A vida. Tudo o que me rodeia, tudo o que vivi e vivo, quer directamente, quer o que os olhos e os ouvidos me indicam.

3 - Existem tabus na sua escrita? Porquê?

Não. Porque acho que a vida já é demasiado complicada para escrever com tabus, há que abrir as mentes para simplificar a vida.

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

Há pouco tempo alguém me dizia – cito:- Ainda fico perplexa com a "vaidade" de pagar para aparecer! Erro meu! Mau feitio! A minha resposta foi simples, e vou transcrevê-la assim como o que se seguiu - Minha querida, respeito a tua opinião, mas, não considero vaidade, de modo algum, apenas uma hipótese de se dar a conhecer a outros, que não só os do facebook, aquilo que escrevemos, seja bom ou nem por isso, por um valor mais baixo do que aquele que um editor leva para a publicação de um livro só nosso. Beijinhos amiga - Maria Antonieta, "seja bom ou nem por isso" já diz tudo! Beijinho. – (eu) nesse aspecto concordo, mas, tem que haver sempre uma primeira vez, e é a errar que aprendemos. Também é a ler os outros que vemos que afinal o que escrevemos, não é tão bom como pensávamos. Beijinhos. - Penso com este relato ter respondido à pergunta.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

Foi através das redes sociais que dei a conhecer aquilo que escrevo, e as interacções de outros foram muito importantes neste meu mundo das palavras, Os incentivos impulsionaram-me e publiquei o primeiro livro, segui-se o segundo, o terceiro e agora no final de 2017, o quarto livro. Para além destes quatro livros individuais, também através das redes sociais, já participei em várias dezenas de antologias e colectâneas. Se não existissem as redes sociais, nada disto tinha acontecido.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Na escrita desenvolve-se a ideologia, a cultura, os sentimentos de um povo, de vários povos. Neste desenrolar encontram-se pontos positivos e negativos, também assim é no mundo da escrita, encontra-se de tudo. Criam-se amizades e inimizades. Há inveja e solidariedade. De tudo um pouco, um pouco de tudo.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Neste momento as redes sociais são um motor de divulgação, por não haver outro meio mais acessível. As editoras deveriam ter uma base de divulgação de autor, no entanto, isso não acontece, a sua principal função é editar para melhor recolha de lucros. Quanto a mim, se divulgassem os autores também eles lucrariam. A máquina certa não funciona.

8 - Quais os projectos para o futuro?

Continuar a escrever na esperança que algum editor se lembre de mim, caso contrário escreverei apenas para mim. Editar um livro, se não se é conhecido, exige despender muito dinheiro, sem se saber se haverá retorno, como tal, ficarei esperando os acontecimentos. Mas, nunca desistirei de escrever, de deixar em palavras sentimentos meus e de outros.

9 - Sugira um autor e um livro!

Há tantos e tão bons que escolher um não é fácil. Vou optar por um clássico, talvez, Eça de Queiroz e o seu extraordinário livro “Os Maias”

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Se te saísse o euromilhões o que farias?
Arranjaria um local espaçoso, com muita área livre, onde mandaria construir um lar, em que os seus ocupantes, pagariam apenas o valor que recebessem de reforma, portanto, uns pagariam pelos outros, e todos teriam iguais direitos dentro desse LAR.

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terça-feira, 26 de junho de 2018

AS CRÓNICAS DA AVÓZITA... PASSEIO PELA FEIRA



Desci aquela fila de comes e bebes, misturada com livros de toda a espécie, desde infantis, passando pela ficção, sem esquecer a poesia e também os eróticos.

Editoras e livros misturados com sabores entrelaçados com gente, com muita gente que quase se empurrava para seguir em frente. Raros eram os que paravam e mais raros ainda os que compravam um livro, no entanto, nos espaços das editoras estavam autores de caneta a postos para o primeiro autógrafo.

Também lá estavam os autores conceituados, com nome na praça, esses, alguns, até tinham que usar a caneta e autografar com amizade, quem nem sequer conheciam, apenas naquele momento, tinham adquirido um livro seu, a preço de feira, que para os outros, aqueles que pagam para editar, até era um custo mais baixo que os próprios, os autores da obra, tinham pago pela mesma. Enfim.

Dei a volta, entrei na outra fila e o espectáculo era o mesmo. Editoras, livros, autores, canetas, hamburguers, cerveja, batatas fritas, gelados, uma verdadeira miscelânea de saberes e sabores.

Outra fila e tudo igual.

A antiga feira do livro, onde os livros eram folheados, em que o seu cheiro era saboreado, em que os livros eram escolhidos, e, na maioria das vezes, até eram comprados, já não existe. Foi substituída por gente que passa correndo, de telemóvel numa mão e na outra um shot, ou um cigarro.

Aonde fica a leitura?!

Aonde fica a cultura?!

MARIA ANTONIETA OLIVEIRA

DEZ PERGUNTAS A... ADRIANA GARCIA SOUSA


Agradecemos à autora ADRIANA GARCIA SOUSA a disponibilidade me responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autora e pessoa?

Enquanto autora um sonho realizado na simplicidade de ser. Como pessoa? Apaixonada por ser eu mesma diante de tudo e de todos.

2- O que a inspira?

O real amor.

3 - Existem tabus na sua escrita? Porquê?

Não. Porque a minha ação do escrever não disputa com outras escritas. A liberdade que sai no interior de uma alma em aprendizado.

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

De oportunidades, divulgação, entretenimento, conhecimento e união reforçando o valor de um escrito de diversidades no âmbito de ser o que você é, e o maravilhoso encontro com o leitor.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

Expandir os sentimentos que encontra com outros e se revelam que somos um oceano de variadas emoções e estilos perante o mundo que nos abraça. Uma porta que abre para o mundo da escrita.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Sempre haverá os prós e os contras... negativos para relembrarmos que mesmo não agradando sermos nós mesmos. E diante da pluralidade de escritas não deixar que a inveja te domine e a positividade que nos ensina que podemos escrever mais e mais quando permitimos ouvir e somar as escritas de maneira prazerosa e não competitiva. Precisamos para viver esses dois polos negativo e positivo em todos os aspectos da vida.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

A valorização daquilo que você escreve e uma boa divulgação e atualmente as redes sociais contribuindo nesse trabalho.

8 - Quais os projectos para o futuro?

Continuar escrevendo sem desanimo... conseguir publicar mais livros.

9 - Sugira um autor e um livro!

Clarice Lispector (Perto do Coração Selvagem) e demais outros que contém a essência de ser cada um.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

A pergunta que não tivesse começo, meio e nem fim. Estranho não perguntar e responder. Exatamente que fizesse acontecer com a humildade e delicadeza de um homem de bem. Sendo o amor e a paz perguntas e respostas para um mundo melhor.

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