sexta-feira, 18 de maio de 2018

ADRIANA FALA DE... ESPAÇO PARA DIVULGAÇÃO


Um espaço para divulgar autores, livros, editoras, trocar ideias e principalmente falar sobre poesia, com uma proposta diferenciada, por ser um sábado pela manhã, convidando a um amanhecer diferente da rotina diária, de frente para um jardim, com o barulho de água jorrando de uma fonte e ao lado de um charmoso café, dentro de um Palácio centenário, que transformou-se em um centro cultural com constantes atividades diferenciadas.

Nós da IN-FINITA tivemos esse privilégio na parceria firmada com o PALÁCIO BALDAYA. Desde fevereiro, continuamente, dois sábados por mês, estamos lá, com convidados e temas diferenciados nas Tertúlias e Painéis, com autores e leitores nos nossos SARAUS, fazendo chamamentos a todos, fora e dentro das redes sociais para juntarem-se a nós, sem pretensões de grupos ou qualquer distinção. Apenas provocar o encontro, a integração, o conhecimento.

Desfrutar apenas, do espaço, das companhias, da poesia. E como é difícil, esse despertar, esse agregar, por todos os motivos e desculpas, os espaços vazios permanecem. Temos a sorte, o agradecimento e a alegria em desfrutar da presença constante daqueles que já perceberam a nossa proposta e nos ajudam a dar continuidade. Um convite do amigo que esteve conosco ao amigo que comparece, gosta e volta no seguinte. E pedimos, chame outro amigo. Apenas uma hora e meia para fazer a diferença naquele dia para um, dois, dez, vinte e quem sabe mais participantes e frequentadores.

Temos no espaço uma mini feira para expor e vender livros, dos autores presentes, a cada encontro. Temos todas as ferramentas de divulgação antes, durante e pós eventos, sinceramente, não concordo quando dizem que não há espaços para divulgação. Nós fazemos esse espaço, real e virtual, gratuitamente. Não há desculpas aceitáveis, apenas a compreensão de que não há interesse. Por comodismo, por falta de tempo, ou outro motivo qualquer.

Investimos para realizar o que acreditamos e claro, mostrar o nosso trabalho e nossas ideias.  

Amanhã, dia 19, estaremos lá com o autor João Dordio, com GRITOS E SUSPIROS, para falar sobre prosa, poesia e seus dois livros em nossa II Tertúlia IN-FINITA/PALÁCIO BALDAYA. Faça diferente, amanheça entre nós, com certeza, um pouco de leveza e satisfação, lhe acompanharão por todo o dia.

DRIKKA INQUIT

IN-FINITA no facebook
Nosso contato: infinita.lisboa@gmail.com

quinta-feira, 17 de maio de 2018

EU FALO DE... NO CAMINHO CERTO


Já escrevi, e disse algumas vezes, que sempre estive ciente da necessidade de, enquanto In-Finita, mostrarmos obra feita, independentemente dos trabalhos realizados no passado.

Senti sempre que teríamos de ultrapassar resistências e enfrentar uma tremenda falta de entendimento sobre o projecto.

Também acertei quando disse que esses obstáculos seriam contornados, pouco a pouco, sem grandes dramas, porque, mais tarde ou mais cedo, acabaríamos por ver alguns resultados positivos, por mínimos que fossem, pelo esforço, perseverança e, sem modéstias, qualidade dos trabalhos e profissionalismo.

O projecto In-Finita começou muito perto da estaca zero, sem grandes meios; com parcas condições; mas com muita garra e a certeza absoluta que o caminho traçado é o mais assertivo.

Há muito para palmilhar neste trajecto, que definimos, mas as cores guerridas da nossa vontade, abnegação e entusiasmo já estão a dar nas vistas – tal qual como preconizei.

Mesmo a conta-gotas, com passos pequenos mas seguros, parceria a parceria, as novidades vão aparecendo. E brevemente, a visibilidade e o alcance serão ainda maiores.

MANU DIXIT

quarta-feira, 16 de maio de 2018

DEZ PERGUNTAS A... JOSESSANDRO ANDRADE


Agradecemos ao autor JOSESSANDRO ANDRADE pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autor e pessoa?

Como Pessoa, alguém que busca aprender sempre, para conhecer melhor e conviver bem, evoluindo um pouco a cada dia. Sensível, ansioso, mas assertivo, que busca ser resiliente. Como autor, penso que sou um reflexo desta personalidade de forma criativa, minha poesia busca experiências viajando por várias escolas e estilos. Como artista múltiplo, escrevo em várias linguagens tais como poemas, letras de música, textos teatrais, contos e argumentos para vídeos. Pessoa e autor se interpenetram e se influenciam como em todo processo de convívio.

2 - O que o inspira?

Tudo aquilo acessível a nossa visão do mundo e das coisas. Desde a natureza universal, até a paisagem nordestina e rural do meu Sertão do Moxotó. As angústias existenciais e urbanas do nosso tempo,  os dramas sociais da humanidade, os amores, o amor maior, a saudade, a solidão, as lembranças pessoais, as figuras folclóricas da minha gente, os fatos pitorescos do cotidiano, os poetas e a memória do meu lugar e dos lugares por onde vivi e passei. Os Poetas da minha terra, os mestres (Ulysses Lins- O Trovador do Sertão, o Patriarca da literatura sertaneja; Waldemar Cordeiro - O Gênio do Lirismo, o Dema do Moxotó; e Alcides Lopes de Siqueira, O Menestrel Armorial, o Doutor da Poesia) e nomes de destaque (Corsino de Brito, Mozart Lopes de Siqueira, Hamilton Rodrigues, Marcos Cordeiro , José Carneiro e Wilson Freire além do contista Marcelino Freire e do Ensaista Antônio Jorge de Siqueira. Minha cidade Sertânia é uma República de Poesia, berço nacional de Poetas e escritores, considerada a Capital literária do Sertão, sendo referência nacional em Literatura e Leitura. Particularmente, os arredores da rua onde nasci e moro até hoje, a Ladeira de Francisquinho,  convivendo com músicos e artistas na Casa e sede da orquestra do Maestro e compositor Francisquinho Araujo, na Venda dele , cujo cheiro de cereais, balas e  bombons ainda hoje perfuma minha alma,  A Estação de Trem, que há trinta anos foi desativada, mas ainda hoje é um filme passando nas lentes da minha memória, com seus sons harmoniosos.  

3 - Existem tabus na sua escrita? Porquê?

Em minha escrita não cultivo proibições de temáticas ou de qualquer espécie. Apenas, não costumo abordar ou enveredar por temas que não conheço ou que não me atraiam ou que não me agradem para escrever. Eu só enveredo na minha escrita para elaborar algo, quando percebo aquele terreno fértil para minhas inclinações e inquietações.

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

A Participação em obras coletivas permitem uma abrangência maior do raio de difusão do nosso trabalho, porque os autores acabam sendo agentes multiplicadores uns dos outros e de suas produções. Possibilita também um intercâmbio entre regiões, estilos e o acesso a um público muito maior diante da distribuição das edições para bibliotecas, livrarias, entidades e universidades, bem como a circulação em feiras e festivais. Promove ainda mais  a nossa literatura, com um nível de ampliação que não podemos mensurar de forma tão precisa e detalhada, pois é inestimável, já que não tem dimensão.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

Permitiu que pessoas desde a minha cidade, até Bruxelas na Bélgica pudessem compreender e admirar a minha escrita. Permitiu que eu pudesse conhecer escritores como eu, em busca de projeção do trabalho, até me aproximar de escritores já reconhecidos e com uma projeção mais amadurecida. Também me inseriu em grupos e nos concretizou a articulação regional entre entidades e projetos.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Nos dar a oportunidade de nos expressarmos subjetivamente de forma estética, sem o fazer de modo objetivo e informativo como nos textos não-literários. Nos fornece um lazer sadio, nos torna seres mais reflexivos, mais leves, mais densos. Nos exige trabalho e suor, disciplina para lapidarmos aquilo que produzimos. Destacaria como desolador a disputa de egos, as igrejinhas e as relações de compadrio  presentes em outras esferas da sociedade, que abundam os círculos literários por ai.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Participação em feiras, programas de rádio e TV, inclusive virtuais, inserção nas escolas e universidades e projetos voltados para comunidades carentes, rurais e urbanas.

8 - Quais os projectos para o futuro?

Votar a escrever para Teatro e escrever um romance. Voltar a gravar cd de poemas.

9 - Sugira um autor e um livro!

“Réstias de minha latada”, de Corsino de Brito, poeta sertaniense, radicado no Rio de Janeiro, no bairro de Copacabana. Cria de Ulysses Lins, ligou-se aos modernistas e conviveu com Carlos Drumonnd de Andrade e Solano Trindade. Uma poesia moderna vigorosa.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E qual a resposta que daria?

A melhor pergunta é aquela que nos faz filosofar através das indagações fruto de nossas inquietações. Preparam o terreno para um amplo campo de respostas. Eis aí um bom baixio para se iniciar a lavoura literária, que vive do adubo dos questionamentos e do gotejamento das recriações.

Acompanhem, curtam e divulguem este e outros autores através deste link

terça-feira, 15 de maio de 2018

AS CRÓNICAS DA AVÓZITA... - ANALISANDO


Em conversa de café quando alguém se auto menospreza de algo que tem, de algo que fez ou não fez e devia ter feito, para mim, é uma forma de se querer valorizar.

Ora bem, se ouvimos …/… ai… e tal… isto está péssimo…/…, automaticamente dizemos que não, que até está bem, mesmo que não pensemos exactamente assim, para que a outra pessoa não sinta a sua auto estima tão em baixo. O pior é quando essa cena se repete vezes sem conta, aí, a vontade é mesmo que até seja bom, concordar com a outra parte e dizer que tem razão, que na realidade não presta.

Também há aqueles que depois de se vitimarem, de seguida, se enaltecem, comparando-se até com altas figuras da praça, sobre o mesmo tema em que anteriormente se menosprezaram. Nestes casos o melhor é ouvir e calar.

Analisando, chego à conclusão que “modéstia em demasia é vaidade” é um ditado popular que se adapta na perfeição.

MARIA ANTONIETA OLIVEIRA

segunda-feira, 14 de maio de 2018

FALA AÍ BRASIL... PATRÍCIA PORTO (XXIX)


#crônica do meu novo livro: "A memória é um peixe fora d'água".
Um textão sobre perdas.
"Sobre o tempo de perder"
The art of losing isn't hard to master; so many things seem filled with the intent to be lost that their loss is no disaster. (“One Art”, Elizabeth Bishop)
As pessoas perdem diariamente: neurônios, células, cabelos, unhas, papéis, bilhetes, máscaras, memórias... Perdas banalizadas no amontoar das agendas que remontam tão pouco o contar dos danos absolvidos. Um dia perdemos as chaves de casa e nos pegamos com aquela sensação estranha de ter inaugurado, sem querer ou esperar, uma avalanche ininterrupta de perdas cotidianas: lá se vão os documentos, a hora do almoço e a hora de dormir, a hora de brincar com os filhos, de ligar pra amiga que está de cama com febre, de escrever um bilhetinho de amor pra pendurar na geladeira. Com a geladeira vazia por fora e por dentro, perdemos a alquimia de preparar nosso alimento, perdendo também a mesa e a conversa na varanda, na sala, no quarto. Conversaremos com banheiros, apertados de preferência, solitárias testemunhas das nossas ansiedades claustrofóbicas. E a passos rápidos perderemos um dia a e-terna-idade do chá que nunca marcaremos. Porque teremos passado anos a fio, ferro, fogo e açoite, perdendo um tempo danado investindo toda quantia recebida no final do mês nos pagamentos do começo do mês: para os bancos, para os impostos, para as contas a penar. E quantas a-pesar! E paranoicos trataremos de fazer cópias das chaves, das fotos, dos documentos, dos corpos com os quais deitamos. E nos preocuparemos em ganhar mais dinheiro para não nos preocuparmos em perder tanto dinheiro. E esqueceremos tudo que for de constrangimento com o tempo futuro para repetirmos tudo de novo e não pensando em nada, nada criarmos a respeito... Pequenas perdas visíveis se atrelam a um tempo imediato: “aquele” que não se quer perder, mas já perdido está: estamos sem tempo! E é claro que nos denunciaremos de quando em quando, lembrando uma, duas perdas, ou melhor, esquecimentos...nossos. Uma humanidade inteira de esquecimentos. Uma História inteira.

E é certo que perderemos ao longo da vida bens de um mundo concreto e excessivamente real, perdendo objetos, coisas que se gastam pelo uso e até pelo bom ou mau abuso: brinquedos, cartões, cartas (se os enviarmos e recebermos algum dia, é claro), perderemos bugigangas, bibelôs, meias, livros, luvas, guarda-chuvas... Guarda-chuvas... Em algum lugar, no mundo do excessivamente imaginado, deverá existir um reino de afeto para os guarda-chuvas perdidos, esquecidos nos bancos das praças, nos lugares a ermo, nas calçadas, nos chafariz tomando banho, nos sinais equilibrando malabares.

Um dia acordaremos velhos e teremos perdido o primeiro amor... E como será difícil perder! Dor no peito, sofreguidão que parece eternizar as horas, os minutos longe do ser adorado. E logo aprenderemos que doer não é somente parte do crescimento. Doer é o próprio crescimento e aprenderemos – às vezes no susto - que dói mais perder pessoas que coisas e que pessoas não são coisas. Não servem para qualquer tipo de uso ou abuso. Uma aprendizagem que para alguns começará muito cedo, até mesmo antes do nascer da vida ou do dia. Mas que para outros começará tão assustadoramente tarde que mal haverá tempo desprendido para a descoberta de uma compreensão mais profunda de mundo.

Dizem os mais antigos que algumas pessoas nasceriam com maior propensão a perdas que outras. Seria uma questão de destino, estrela, sorte ou devaneio de quem diz: nasceu “voltado” pra lua. O certo mesmo é que ninguém, nenhuma pessoa humana passará pela própria vida sem nunca perder algo ou alguém – seja por destino, livre arbítrio, resignação ou desejo. A gravidade, bem, a gravidade só saberá quem viver e quem viver viverá. Existem conjunturas as mais diversas e até algumas esquizofrênicas. Às vezes se chega ao auge, ao topo da montanha, da colina ou de uma escada, quando, de repente, sem que se noticie, lá no esconderijo do sótão se encontra em estado escondido uma perda imensa que se aloja na mente e no coração sem qualquer justificativa, ocupando espaço demais. É um imprevisto de existir. Vive-se então o conflito de uma felicidade vazia. Como quando entramos nos casarões antigos, bem mobiliados, limpos e nos cantos nos deparamos com ratoeiras à espreita querendo ferir a frágil existência do rato, o rato de Clarice.

E não será também o rato que se espera prender e amordaçar com medo e vingança parte de uma perda ulterior? Tanto ódio sangrará o rato? Matará o rato? O cadáver do rato quebrará nossos espelhos? Ou serão nossos os dedos presos e decepados pelas ratoeiras? Mas dizem também os antigos que quando se vão os anéis, os dedos, esses ficam. Os dedos que vamos perdendo das mãos. Para que mãos se elas não nos servem para o artesanato de afagos, preces e acenos?

Assim como é dito no belo poema de Elisabeth Bishop há uma arte de perder: perderemos cidades, rios, continentes inteiros. Perderemos o sotaque e a gente que morava com a gente, a gente que reconhecia a gente na rua, a gente que abraçava a gente por nada, de graça: nas brincadeiras de roda, nos encontros entre amigos. Perderemos e não daremos conta do risco e do riso. Se uma alegria é uma ação única e irrecuperável, a memória, mesmo a dessa esfumaçada alegria, é nada mais que o vestígio, a pétala seca do que um dia foi vivido.

Não precisamos de tantos acúmulos. Imprecisamos. E as perdas fazem parte do que somos. Há perdas precisas e até preciosas – como lágrimas, sorrisos, a separação decorrente da liberdade de quem se ama, o crescimento absurdo dos filhos, os frutos que amadurecem e as nossas raízes, que quase sempre tortas, depois de viverem todas as suas estações se vão para o dentro delas. São perdas, partos, despedidas que trazem à tona o nosso departamento interno de “perdidos e achados”.

Perdemos chaves, óculos, carteira, o trem fantasmagórico das coisas, um porão de lembranças e urgências para as traças. E se o mundo for mesmo acabar pelo aviltamento dos corações como professou Baudelaire, talvez possamos ainda nos empenhar um pouco mais no zelo de nossas mãos para além da arquitetura das lutas e das ratoeiras. Dedilhar os dedos de outras mãos, quem sabe... atravessando a rua e o tempo.

domingo, 13 de maio de 2018

DEZ PERGUNTAS A... NIC CARDEAL


Agradecemos à autora NIC CARDEAL a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autora e pessoa?

Acho que ainda não consigo me definir (ou, quem sabe, por toda a vida) como autora. Talvez como aprendiz da escrita. Sinto que é a escrita que me exercita e não eu a ela. Às vezes penso em escrever por um caminho e, quando chego ao final, o texto seguiu outro rumo. A bússola não sou eu quem alinha. Existe um mistério nessa coisa de palavras, quem sabe uma espécie de costura, arremate, remendos de sentidos. Vou seguindo a linha. Às vezes os nós são desatados e tudo se descostura. Faz parte desse aprendizado de dizer os sentidos, as emoções, as reações, a vida...
Como pessoa? Sou sempre outra. Cada dia é uma descoberta de mundo, ora comove, ora assombra, ora assusta... Gosto de universos diversos, peculiares, exóticos, aerados, apesar de ter meu sol em Capricórnio, e da minha lua e ascendente estarem em Touro, dois signos de terra, que pedem solidez e estrutura. Toda essa terra, em mim triplicada, faz com que eu sinta muita sede de céu. Acho que por isso sinto tanta necessidade de escrever. É como o voo de uma pipa que segue o vento, mas existe uma linha que a mantém presa à terra firme.

2 - O que a inspira?

Tudo. Ou nada. Coisas de fora ou de dentro. Às vezes tudo junto. Pode ser um respirar mais profundo. Uma nesga de Lua desfiada e vazia. Uma nuvem esparsa. Uma tempestade. Algo que vejo por aí, algum livro lido, algum pensamento perdido. Gosto muito do que diz Gaston Bachelard quanto a isso: “Uma página em branco dá o direito de sonhar”. Tudo cabe em uma página em branco. Basta sonhar. Ele mesmo também fala: “Eu sou um sonhador de palavras, de palavras escritas”.

3 - Existem tabus na sua escrita? Por quê?

Acredito que nenhum, mesmo porque não sigo convenções sociais, religiosas ou culturais. A escrita gosta de liberdade. Creio que liberdade e tabu não se coadunam nem um pouco!

4 - Que importância dá às antologias e coletâneas?

São fundamentais para a divulgação de escritores. Até hoje nunca publiquei um livro solo, somente participações em antologias ou coletâneas. Sem elas eu não teria tido a chance de ter contato com muitos outros escritores. Elas possibilitam intercâmbios maravilhosos entre autores, e entre autores e leitores.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

As redes sociais são muito impactantes para mim. Foi por meio do facebook, por exemplo, que tive possibilidade de conhecer diversos escritores, tanto iniciantes, quanto renomados e premiados, especialmente mulheres escritoras, que me encorajam e incentivam a prosseguir com meu exercício literário. As redes sociais são como janelas que, abertas, permitem essa visibilidade instantânea também do mundo da escrita. Uma corrente linda tem tomado dimensões incríveis por meio do facebook: o Mulherio das Letras – grupo de mulheres escritoras de todo o Brasil e mesmo brasileiras residentes em outros países que, por iniciativa da ‘mentora’ Maria Valéria Rezende, uniram-se virtualmente no propósito de divulgar a literatura feminina e mostrar ao mundo literário que o talento feminino também é merecedor de publicação e de leitura.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Creio que em todos os universos existem pontos positivos e negativos. Os opostos sempre andam juntos, quase sempre de mãos dadas. É da natureza, não só humana. Vivemos em um mundo material, de polaridades, portanto, é natural que os prós e os contras estejam sempre marcando presença. É o inconsciente trazendo o tempo todo à tona os diversos conflitos entre os opostos. Não vejo como escapar disso, estando nesse plano de dicotomias que é o mundo terreno.  Penso que é quase impossível escapar dos paradoxos humanos. Isso se reflete também no universo da escrita.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Antes de tudo, uma boa edição de seu trabalho e uma boa distribuição. A divulgação bem feita alcança grandes horizontes. Atualmente as redes sociais têm sido fundamentais nesse trabalho.

8 - Quais os projetos para o futuro?

Escrever. Ler. Conseguir publicar dois livros já finalizados. Continuar a escrever, ler.

9 - Sugira um autor e um livro!

Não consigo reduzir a um. Sugiro pelo menos três. Charles Dickens (Grandes Esperanças), porque marcou profundamente minhas leituras de infância. Clarice Lispector (Perto do Coração Selvagem), escritora que me virou do avesso na época de adolescência. Fernando Pessoa (Livro do Desassossego) desde sempre e para sempre, porque faz sossegar (no paradoxo da existência) minha alma inquieta.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

A melhor pergunta sempre é aquela que possui infinitas respostas. A melhor delas talvez seja a resposta que desde sempre procuro: a que é feito esse viver assim tão doce, e amargo, e louco, senão a esperar um porto, um horizonte, um descanso, um pouco de consolo?

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sábado, 12 de maio de 2018

EU FALO DE... PLÁGIO


Regra geral, em assuntos que dão origem a divisão de opiniões, consigo entender a existência de diferentes pontos de vista. Nesses casos, faço questão de compreender os argumentos de ambos os lados e, quando os do outro são mais válidos que os meus, não tenho problema algum em deixar cair a minha opinião, abraçando a ideia que me convenceu. E, até prova em contrário, acredito que este modo de estar e agir é o mais correcto a seguir.

Comecei este texto com a expressão “regra geral” porque, volta e meia, lá surge um tema para o qual não concebo visões distintas e a minha rigidez de pensamento impera. E um desses temas é o plágio. Não consigo aceitar, por mais argumentos que utilizem, por maior erudição que usem, esta conivência que abunda no universo da escrita. Não consigo compreender como muitos autores ficam impávidos e serenos quando confrontados com casos de plágio nítido e flagrante.

É do conhecimento de todos, os que acompanham a minha actividade nas redes sociais, a quantidade de vezes que fui bloqueado/denunciado por apontar o dedo (com provas claras) a alguns plagiadores que circulam entre nós. Se mais razões não existissem, esses “castigos/punições” sofridos são indicadores do quanto esta questão me provoca urticária. Felizmente não sou o único com esta patologia crónica e, por mais represálias que sofra, jamais me calarei nem deixarei de apontar o dedo aos prevaricadores.

No entanto, o facto de ser irredutível nesta matéria, não significa que entre às cegas nas batalhas anti-plágio. Estarei sempre contra a usurpação de textos alheios; estarei sempre na frente de combate, mas apenas se a acusação for devidamente provada e fundamentada.

Faço esta ressalva porque não embarco em actividades de linchamento de massas, só porque alguém gritou: - Olha o lobo!
Eu preciso ver o lobo antes de apontar.

Servem os parágrafos anteriores para dizer que, ao contrário do alarme lançado por uma autora incomodada por ter visto um poema com o mesmo título do seu, se títulos iguais fossem plágio, todos os autores seriam plagiadores da Florbela Espanca (podia dar outros exemplos) porque, num momento ou noutro, já escreveram algo titulado “SER POETA”.

É caso para dizer, tenham cuidado! Se usarem “SOLIDARIEDADE” como título de um texto vosso, provavelmente ouvirão alguém gritar: - Olha o lobo!

Sou contra o plágio, sim! Quero que mais autores o sejam, sim! Mas pelo menos saibam o que isso significa e o que implica, para não estarmos constantemente a dar alertas falsos porque depois, quando houver mesmo lobo, ninguém vai dar atenção ao grito!

MANU DIXIT

sexta-feira, 11 de maio de 2018

ADRIANA FALA DE... A INATINGÍVEL CURVA DA MIRAGEM


Capa provisória

A aridez da criação, o ser poético no caminho inverso de si mesmo, e todos os significados que interceptam, esgotam e sobrepõem-se ao criador, e no paralelo de todas as contradições, a abundância dos sentidos e percepções. O fio condutor que em metáforas, direciona o despertar mesmo que na ausência do que faz sentido. Breu, luz e sombras, na caverna obscura do que se oculta, mas está lá, espreitando e aguardando o chamamento, mesmo que nos ecos silenciosos da mente criativa. Um peregrino de si mesmo, que arde até a sua total ebulição e retorna - fluídico. E usa a alquimia dos elementos (in)existentes para expor com audácia e irreverência a necessidade de uma nova movimentação, desfaz-se  em outro momento, despindo-se das marcadas doloridas de uma vivência desértica  e quer sorver as docilidades das miragens que o acompanham nessa travessia de redescobertas de si mesmo: o oásis inatingível . Elos invisíveis. Explosões dos desejos e nostalgias. Os extremos que levam-nos à descrença e à esperança. Os mitos e musas. A sede insaciável. A dor que dilacera. O êxtase que leva ao delírio. A insanidade e a coerência intrínseca. A palavra que transforma-se, nua, bruta, crua. O poeta que lapida, retém, sorve,transborda. Sem limitações, tudo é possível na arte da criação. Nos atalhados do lado de dentro, nas inspirações, iluminações que desfazem o engano envolvido por ecos e medos das amarras que sufocam a necessidade de ultrapassar todos os limites e em um grito mudo e sentido, liberta-se de si mesmo e segue faminto na eterna (im)permanência do processo criativo. A INATINGÍVEL CURVA DA MIRAGEM é essa fonte, que seduz, perturba, convida e inebria.

Paulo de Carvalho, em seu  terceiro livro, ultrapassa o intransponível ,na arte da escrita e na lapidação da palavra, com toda a harmonia dos sons que compõem as palavras e na busca estética das descrições utilizadas nas imagens figurativas da linguagem.

Em breve, lançamento por ARMAZÉM DE QUIQUILHARIAS E UTOPIAS

DRIKKA INQUIT

quinta-feira, 10 de maio de 2018

DEZ PERGUNTAS A... JACINTO TERTO


 Agradecemos ao autor JACINTO TERTO a disponibilidade em responder às nossas questões

1 - Como se define enquanto autor e pessoa?

Como autor sou de certo modo reservado, meio esquivo, quase um anônimo, em virtude disso, uso o pseudônimo (Jacinto Terto); entretanto, Jacinto Terto é mais do que isso, é o meu heterônimo. Como pessoa sou um homem simples e de alma boa, sem nenhuma pretensão em ser singular; sou muito família e tenho um coração de manteiga, facilmente me comovo com o sofrimento alheio; e contra injustiça, sou firme como rochedo.

2 - O que o inspira?

Embora pareça um poeta inflamado, Jacinto Terto é um pouco fleumático,   é quase sempre movido pelo espanto, por algo que  o estarreça; algo que o provoque e o faça refletir, ou o deixe  indignado... Agora, não “faz versos como quem morre” como disse Bandeira nem é completamente fingidor como definiu o poeta, Fernando pessoa, mas, “faz versos como quem chora de desalento e de desencanto“.

3 - Existem tabus na sua escrita?

Não, sou um escritor livre, por tanto, sem pejo.

4- Que importância dá às antologias e coletâneas?

Toda antologia, seja ela de prosas ou (poesias) é importante assim como o são as coletâneas, à medida que divulga fragmentos literários e textos de autores diversos, às vezes, alguns deles anônimos e outros, até mesmo, neófitos na arte de escrever e expor o que escreve.

5 - Que impacto tem as redes sociais no seu percurso?

Embora as utilize, não sou muito afeito às redes sociais, apesar de reconhecer a capacidade que elas têm como veiculo de informação e propagação no mundo virtual e moderno.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

A escrita foi e continua sendo a mais espetacular invenção da humanidade, contudo, pode ser usada para o bem ou para o mal; o abismo é a palavra articulada, escrita ou verbalmente externada. Quanto ao universo da escrita, não vejo pontos negativos.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

É essencial à medida que possibilita o autor se tornar conhecido e reconhecido, e até mesmo para afirmá-lo como tal.

8 - Quais os projetos para o futuro?

Compilar tudo que tenho escrito e, após lapidar, editar livros, construir minha biblioteca e continuar escrevendo.

9 - Surgira um autor e um livro?

Victor Hugo; o livro: Os Miseráveis. Gosto muito de Neruda e Graciliano Ramos. (Vidas Secas), entre outros, Machado de Assis.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem, e como responderia?

Quem é a sua musa e de onde deriva seu estro? A minha musa é minha algoz e sempre tenta me levar ao cadafalso, portanto, nada de obvio direi a ela; quanto ao meu estro, não manda avisar quando vem... Por isso que meus versos vertem das fendas de um rochedo, inequívocos como lavas de um vulcão.

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quarta-feira, 9 de maio de 2018

AS CRÓNICAS DA AVÓZITA... INCONGRUÊNCIAS DA VIDA


INCONGRUÊNCIAS DA VIDA

Nunca gostei que me dessem ordens, no entanto, tive que obedecer à minha mãe até aos meus vinte e um anos, quando casei. Bem, isto não interessa, ou talvez interesse, depende da interpretação.

Enquanto estudei, “obrigaram-me” a ler Júlio Dinis, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, Camões, entre muitos outros. Fui mesmo obrigada a ler.

Não gostava de ler. Durante muitos anos, não gostei de ler. Porém, com quinze anos já escrevia os meus poemas, desabafos e paixões, sentires e recordações.

Escrevi, escrevo e quero continuar a escrever.
Quero que os jovens me leiam.
Quero que os adultos me leiam.
Quero que em cada idade me interpretem à sua maneira.
Sim, quero que me leiam.
Gosto que me leiam, sem obrigação de o fazerem.
Pois é, gosto que me leiam.

Nota – Ainda hoje, não gosto de cumprir ordens.

MARIA ANTONIETA OLIVEIRA

terça-feira, 8 de maio de 2018

EU FALO DE... V SARAU POÉTICO IN-FINITA


O tempo é, cada vez mais, uma unidade de medida irremediavelmente cruel e, muitas vezes, nem damos conta da sua passagem. E a prova do que acabei de expressar é a recente realização do V Sarau Poético In-Finita, no Palácio Baldaya. Parece que foi ontem a reunião que deu origem ao protocolo de parceria, que nos permite organizar iniciativas literárias na biblioteca do palácio, e já passaram três meses, com a realização de oito eventos.

Desta vez, devido à proximidade do dia da mãe e das celebrações da revolução de Abril, a generalidade dos poemas ditos/lidos (em diferentes suportes) abordaram essas temáticas. Num ambiente muito sereno e familiar, a hora e meia disponível chegou para que conseguíssemos, pela primeira vez, quatro rondas de leituras. Entre repetentes e mais uma estreia, deu-se voz (falada e cantada) à lusofonia contemporânea, intemporal e de distintas origens, e ainda houve tempo necessário para que eu e Adriana Mayrinck falássemos mais detalhadamente do projecto IN-FINITA e de possíveis trabalhos futuros.

Falar mais deste V Sarau é repetir o que já foi dito sobre os que o precederam, isto é, a disponibilidade dos autores continua elevada e de acordo com os nossos objectivos iniciais. Afinal de contas, decidimos fazer estes eventos para aproximar os autores do público… e pouco a pouco, evento a evento, vamos conseguindo levar a água ao nosso moinho.

MANU DIXIT