quinta-feira, 5 de setembro de 2019

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS A... - TCHELLO D'BARROS

Agradecemos ao autor TCHELLO D'BARROS pela disponibilidade em responder ao nosso questionário


1 - Como se define enquanto autor e pessoa?

Acredito que exista sempre uma lacuna entre nossa auto imagem e como de fato as pessoas nos percebem. Parece que somos um pouco esse misto entre a pessoa que emerge no espelho com aquela que propalamos nas redes sociais, enquanto que nosso semelhantes vão em paralelo tecendo um silente perfil de nossa persona pública a partir do que pensamos, dizemos e principalmente do que fazemos. Então, incapacitado em aqui definir-me, no máximo posso confidenciar como me sinto, e neste caso sinto-me como alguém comprometido com o fazer cultural, um modesto missionário envolvido com as linguagens artísticas, um trabalhador das artes ou um operário da cultura. Como autor, já é diferente, pois o mais sensato talvez seja considerar que nossos textos digam - nas entrelinhas das entrelinhas – quem de fato somos. Minha produção textual caminha ao longo da carreira nos trilhos da Prosa e da Poesia, mas a viagem é a mesma. São contos, crônicas, o segundo romance a caminho, e um caudal de poemas que se multifaceta em trovas, sonetos, haicais, cordeis, versos livres e até poesia visual. Penso que o importante não é tanto a forma, mas de que forma podemos repassar ao leitor, através de um texto, a replicação da experiência que sentimos com o fenômeno poético.


2 - O que o inspira?

O conceito de inspiração é bastante amplo – ainda mais no terreno literário – considerando-se o quanto são diferentes os processo criativos e o quanto variam de escritor para escritor. No meu caso, as coisas não acontecem tanto pela via mais convencional da chamada inspiração. Normalmente algum assunto começa a me inquietar, começa a se repetir por algum tempo e vou percebendo sinais aqui e ali no cotidiano que acabam convergindo para aquele assunto e assim vão surgindo fragmentos de pensamentos, esboços de frases, imagens, e isso tudo vai formando uma abordagem pessoal sobre aquele tema. Chega uma hora que isso vai para o papel, para a etapa dos rascunhos, da elaboração do texto, a criação dos versos, caso seja um poema. Escrevo inicialmente sempre no papel, pois há uma organicidade no gesto da manuscritura, que facilita a e até estimula a escrita. E assim vão surgindo meus textos que falam sobre nossa experiência nesse mundo, sobre as relações afetivas, situações inusitadas do cotidiano, pessoas singulares que vamos conhecendo ao longo da vida, fé, arte, tempo e a vida em sociedade e até a vida sexual dos nudibrânqueos... Esses são alguns assuntos que, se não me inspiram, ao menos me estimulam a seguir tecendo as mais de mil páginas que tenho produzido, numa sina em que pretendo seguir em direção a esse horizonte que sempre se prolonga, prolonga, prolonga...   


3 - Existem tabus na sua escrita? Porquê?

Prefiro dizer que existe uma assertividade tanto na escolha das formas quanto na abordagem dos temas que são destilados em verso e prosa. Os chamados tabus são assim considerados de forma muito desigual, dependendo muito do arcabouço do leitor, esse personagem sempre indefinido. É tabu para quem? Quando José Saramago escreveu “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” algumas correntes retrógradas e conservadoras consideraram tabu, heresia e mesmo outros adjetivos menos elegantes, mas a comunidade acadêmica, os ateus, o leitorado erudito e o júri do Nobel consideraram a obra prima do autor.  Então, independente das opiniões heterogêneas que possam surgir, parece que o coerente é o autor seguir tecendo seu texto, com sinceridade e com a profundidade que lhe for possível. Os eventuais julgamentos posteriores são algo que não pertencem ao autor, pois a própria obra ao ser publicada, num certo sentido, também já não lhe pertence mais.


4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

Embora esse tipo de publicação tenha perdido o charme e a relevância de outrora, de antes da era digital, ainda é uma forma de se fazer a produção literária de muitos autores chegar aos leitores. No Brasil, grassa o equívoco de titular coletâneas como antologias, são coisas diferentes, sobejamente em publicações alternativas, cooperativadas e principalmente aquelas que não têm um conselho editorial para a seleção das obras. Não são raros os casos em que os autores pagam para participar e os que possuem maior poder aquisitivo podem comprar mais páginas para veicular suas veleidades literárias. O resultado quase sempre são publicações belíssimas em termos de produção editorial – o objeto livro – e muito pobres em termos de qualidade literária. Um editor me contou que via de regra são textos de poetas de fim-de-semana e pessoas de meia idade que já plantaram uma árvore e fizeram um filho, agora só faltaria publicar um livro, então começam publicando suas escrevinhações em blogs e coletâneas impressas. Dificilmente se verá um desses recebendo um prêmio Jabuti ou o Camões. Ainda assim, quando o projeto é realizado por pessoas idôneas, quando há preocupação com a qualidade da escrita, digo que vale a pena participar.


5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

Sinto-me um peixe na rede, enredado até o pescoço nas malhas virtuais de um oceano digital onde vida e obra se fundem, onde realidade e virtualidade se confundem e as relações se ampliam para outras águas e novos cardumes de leitores. Lembro agora que quando surgiu o Twitter, a primeira coisa que fiz lá foi fazer uma versão virtual de minha exposição de Poesia Visual “Convergências”. Cada imagem, uma postagem. Desde que surgiu a comunicação via códigos simbólicos, os autores têm usado as mídias de seu tempo, fossem as tabuinhas com letras prensadas na argila, fossem os rolos de pergaminhos ou a prensa medieval. Se em nosso tempo e lugar temos as mídias digitais e as redes sociais virtuais, não há motivos para o autor hodierno não usá-las. E, a profusão de novas tecnologias e equipamentos está aí para potencializar a veiculação da produção autoral contemporânea, aproximando criadores e consumidores, fazendo girar mais rápida a grande roda da literatura.


6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

O ponto positivo é o sinal de dois-pontos, pois nos deixa atentos para algo surpreendente que está por vir. E o ponto negativo é o ponto final, pois é sinal de que acaba de acabar aquele prazer estético que aquele texto estava nos proporcionando... Brincadeirinhas a parte, talvez seja válido lembrar que, nesse universo, estamos num tempo em que nunca se escreveu tanto, nunca se publicou tanto e por isto mesmo, ampliou-se a oferta e a diversidade de estilos, propostas, gêneros, hibridismos e experimentações textuais. E, quem ganha com isso são os leitores, que tem muito mais opções para seu deleite e fruição. Um ponto que, se não é negativo ao menos deve se tornar um debate em aberto, são as políticas públicas para a publicação autoral, que são sempre reduzidas, deficitárias e sem alcançar a demanda existente.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

A própria pergunta já apresenta uma resposta, ou ao menos um problema de nosso tempo atual. As pessoas se tornaram produtos de si mesmas, as pessoas são consumidas, seguidas nas redes, onde o personalismo se tornou uma marca de nossos dias, um aspecto de nossa recente pós-modernidade. Se em algum momento anterior a esta era, a força na divulgação concentrava-se mais na obra, hoje o foco é a pessoa. Não importa mais tanto o autógrafo no lançamento, importa mais a selfie, uma foto com quem está lançando o livro. Isto implica dizer que do ponto de vista do autor, sempre haverá em termos essenciais, uma preocupação com a qualidade da escrita, enquanto que as editoras se preocuparão com a qualidade do produto, o marketing editorial e sua distribuição. E ao leitor caberá em essência, ser afetado por tais divulgações e fazer a aposta em escolher este ou aquele autor para seu prazer literário.


8 - Quais os projectos para o futuro?

Já é. Meu projeto para o futuro já está acontecendo no presente e tem sido resgatar o passado.  É que venho aos poucos resgatando minhas publicações – sete livros publicados e esgotados e também textos diversos em dezenas de antologias, coletâneas e livros didáticos – produzindo edições revistas e ampliadas no formato de e-books. Esta tem sido minha estratégia em providenciar para que meus textos permaneçam e cheguem até novos públicos. Para além disto, debato-me no desafio de concluir um novo romance que venho escrevendo a parir das experiências do período em que vivi na Amazônia. O futuro é incerto sempre, mas devo voltar aos poucos a ministrar oficinas literárias em diversas instituições no intuito de capacitar pessoas interessadas em desenvolver sua escrita. Quanto à produção cotidiana de poemas, crônicas e contos, bem isso vai continuar se espalhando por aí, nas mais diversas mídias.


9 - Sugira um autor e um livro!

Sugiro “A Epopeia de Gilgamesh”, considerado por muitos como o mais antigo texto literário. Não se sabe a autoria mas a obra foi constituída de fragmentos de tradições orais da cultura suméria na antiga Mesopotâmia, ali para os lados do que hoje se conhece como Iraque.   


10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Nunca me perguntaram: quem é você? E se perguntassem, não sei se eu responderia o seguinte: sou o demiurgo de um sonho metafísico numa sanha idiossincrática, sincrética, em sinas de acasos e insanos ocasos de êxtases. Meu signo, uma esfinge estática, estética, cujos olhos desatam a linha do horizonte entre mantras e tantras. Viajor fugaz em trânsito entre o inusitado e o insólito, riscando a abóbada celeste nas asas do sublime. Na mão direita, os nomes das potestades, e na esquerda a chave das comportas do tempo. No lado escuro da lua, um quasar pulsante ilumina a passagem dos meus cometas feéricos, enquanto minhas musas celebram núpcias no palco de um teatro diáfano, ora sacro, ora profano. Nos olhos, mandalas quânticas que se fecham para poder ver as auroras edênicas. Na voz, jaz uma espada flamígera, um grito em lume de neon, raio de aura púrpura, hálito de tântalo e saliva de cicuta. Nas veias, uma torrente violácea, âmago de magma rubro, caudal de labareda ígnea em ascese de volúpias e olores de âmbar. Meu ofício, esse cotidiano jardim onírico, sem jade ou alabastros, erige um labirinto de epifanias com pétalas das letras com as quais construo templos de enlevos, pontes de estesias e umbrais de alumbramentos. Tenho convidado bem poucos para essa festa, mas os que sabem com quantos abraços se escreve a palavra arte, bem, esses tem acesso garantido nesse sarau tão inefável quanto infinito.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

IN-FINITA APRESENTA... OUTROS TANTOS DE FLÁVIO ULHOA COELHO



Em vésperas do lançamento oficial do novo livro de Flávio Ulhoa Coelho, deixamos aqui o parecer de Krishnamurti Góes dos Anjos sobre OUTROS TANTOS


Belo exemplo de criatividade e sensibilidade em “Outros tantos” de Flávio Ulhoa Coelho
Por Krishnamurti Góes dos Anjos
Encontrar um diálogo oportuno e frutífero com o pensamento de grandes escritores do passado no que vem sendo publicado atualmente na Literatura é um achado gratificante. Sobretudo, quando boas ideias são redimensionadas sob um viés de criatividade e competência intelectual. Lembremos de um passado relativamente recente.
No ano letivo de 1985-86, o escritor italiano Ítalo Calvino (1923 - 1985) iria proferir palestras na universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Ele definiu como tema os valores literários que mereciam ser preservados no curso do próximo milênio; imaginou seis conferências e escreveu cinco. A morte prematura o impediu de concluir o seu trabalho, “Seis propostas para o próximo milênio.” Propostas que, segundo ele, seriam úteis para renovar a linguagem escrita contra “a peste da linguagem” e “o dilúvio das imagens pré-fabricadas”, males que estariam assolando a Modernidade. Tal peste se manifestaria como a perda de força cognitiva num automatismo que tende a nivelar a expressão sobre as fórmulas mais genéricas, anônimas, abstratas, a diluir os significados, a cegar as pontas expressivas, a apagar qualquer centelha que jorre do encontro das palavras com novas circunstâncias. Calvino estabeleceu afinal, Proposições a que deu os nomes de Leveza, Rapidez, Exatidão, Visibilidade, Multiplicidade e Consistência, esta última perdurando inconclusa. Propostas estéticas, que se imporiam como armas de resistência, meios de intervenção e de atuação do escritor em relação ao mundo.
Calvino entendia a Leveza (no sentido de retirar o peso das coisas), apontando para o peso existente no mundo, um peso que deve ser filtrado, amenizado pela operação literária. A partir da consciência da existência do peso que podemos e devemos buscar a Leveza. Tornadas leves, as coisas e os seres adquirem velocidade, escapando de qualquer controle. Por isso, não é à toa que Calvino escolhe a Rapidez como proposta que se seguirá imediatamente à da Leveza. Sem jamais perder de foco o mundo não escrito, Calvino contrapõe a Rapidez que ele propõe para a Literatura, à velocidade que percebe nos meios de comunicação. Por isso, também no início da sua segunda conferência, ele adiantou que “o valor que quero recomendar é justamente este: em uma época em que outras media velocíssimas e de extensíssimo raio triunfam, e arriscam achatar qualquer comunicação em uma crosta uniforme e homogênea, a função da literatura é a comunicação entre aquilo que é diferente em tudo quanto é diferente, não camuflando, mas exaltando a diferença, segundo a vocação própria da linguagem escrita”. Vemos assim a Rapidez como instrumento de comunicação direta, para fazer contato com Tudo. Acrescentemos que a Rapidez também nos serve para que possamos ver e captar as coisas sem que elas passem pelo controle, pela análise do consciente, como se ao mesmo tempo as surpreendêssemos e fôssemos surpreendidos por elas.
Já a definição de Exatidão, se baseia em três pontos, a saber, 1) o desenho da obra bem definido e bem calculado; 2) a evocação de imagens visuais nítidas, incisivas, memoráveis, e 3) uma linguagem a mais precisa possível como léxico e como demonstração das nuances do pensamento e da imaginação. A comunicação exata entre as coisas. O uso exato e justo da palavra, “associa o rastro visível à coisa invisível, à coisa ausente, à coisa desejada ou temida, como uma frágil ponte de fortuna lançada sobre o vazio. Já em sua proposta da Visibilidade, Calvino chama a atenção para o fato de que é por meio da capacidade de imaginar (transformando palavras em imagens, imagens em palavras), que conseguimos criar novos mundos, novas linguagens, renovamos a (nossa) vida, tal como ocorre com a Natureza. Queria ele, que víssemos também com os olhos da nossa alma, usando criativamente a linguagem de modo que possamos tanto reciclá-la num eterno retorno do efêmero, quanto torná-la vazia para partirmos novamente do zero.
Quanto à Consistência que ele não teve tempo de elaborar, seria, segundo alguns estudiosos, o que tornaria para nós visível e exata uma sensação de Totalidade, de conjunto para tudo aquilo que, no mundo escrito e também no mundo não escrito, parece escapar de nós em sua Leveza, Rapidez e Multiplicidade.
A publicação de “Outros tantos” do escritor Flávio Ulhoa Coelho, reúne 32 contos (alguns com estrutura de crônica), agrupados em 6 partes sob os títulos que foram tão caros à Italo Calvino: Leveza, Rapidez, Exatidão, Visibilidade, Multiplicidade e Consistência. E o que o leitor encontra é em evidente exemplo de criatividade. Parece-nos que tal divisão é meramente esquemática, intuitiva, sem ligações rígidas com o pensamento de Calvino, diríamos mesmo que constituem um flexível exercício em torno daquelas ideias do escritor italiano, que são atualizadas e, em certo sentido, aprofundadas.
Em alguns textos observamos a nítida opção pelo fragmentário de vidas ou situações que se entrelaçam, em circunstâncias existenciais complexas de que o olhar eventual de um observador não daria conta. O olhar do ficcionista recolhe “traços” e apresenta reflexões que não possuem a intenção de organizar, mostrando que a composição do real se revela no fragmento. Ver: “E nós quem somos?”, “negro y blano”, e “A árvore darwiniana”. Há contos onde a imaginação atua como alavanca de procedimentos lógicos. E entra em cena uma dialética entre imaginação e realidade, com resultados realmente surpreendentes como acontece no excepcional, ”Ela, a ideia”, uma verdadeira aula de como o escritor lida com sua imaginação criadora.
Há ainda no autor dessa obra, uma faceta muito interessante. A partir de um enredo básico de um conto, ele escreve outro com uma abertura para: “e se fosse diferente o curso daquela história?”. A possibilidade vem em outro texto, e de uma forma muito sutil, não diretamente implícita, um mero detalhe muda a trajetória de vidas. Os exemplos mais evidentes são “Olhares flutuantes” e “Olhares futurantes” de um lado, e mantendo essa característica de variação de desfecho, mas aprofundando sentidos, temos “Os momentos mais eternos” e “Conto de natal”. Como são textos muito bem trabalhados no nível da construção ficcional, perduram na memória do leitor e, quando este lê o outro texto, percebe claramente que emergem detalhes e circunstancias já ventiladas, mas com uma iluminação mais intensa. Habilidade típica do contista que domina plenamente a sua ficção em toda e qualquer direção que entenda dar-lhe.
Em outras narrativas encontramos profundas reflexões sobre a monstruosa realidade social brasileira como acontece em “O carregador de dedos” e “Um par de tiros”. Profundas reflexões porque, mais importante do que a mera reprodução de situações, o autor põe o dedo na ferida exposta. Na ferida aberta da corrupção sistêmica que assola o país, que muitos adotam e até defendem, como lemos no primeiro conto, ou o porque de nossa juventude negra e pobre (via de regra), estar sendo sistematicamente exterminada por aqueles que representam o Estado, ou deveriam representar. E não somente a triste realidade atual, o autor visita o tempo um pouco mais recuado. Veja-se o conto “A rua”, pungente relato sobre a vida de uma mulher corajosa e engajada politicamente, que é assassinada durante o escrotíssimo (desculpem mas não encontro outra palavra), regime de exceção que tivemos no Brasil durante vinte e tantos anos, e que todo mundo sabe muito bem qual foi. Contos assim, nos levam a reconhecer, com pesar, com muita dor, que o Estado brasileiro foi mesmo forjado na violência e na exclusão, e continua desgraçadamente nesse triste percurso.
Não poderíamos deixar de mencionar finalmente, o doce lirismo que exala em textos como “Bonde 53”, “mãos dadas no parque”, “guardanapo”, “achados e perdidos”, “morto no corpo” e “por ora”. Esses textos, todos, com suas características e circunstancias peculiares claro, nos fazem lembrar das coisas boas da vida, sim, por incrível que possa parecer, a vida os tem. E então somos capturados inapelavelmente por sensações e sentimentos bons quando lemos textos que excitam a memória de tempos idos, ou a maravilha que é estar apaixonado, ou ainda a delícia e a dor da entrega impensada. Quem não lembra dos vestígios daquele amor que poderia ter sido e não foi? Que bem nos faz constatar a transitoriedade de nossas dores de amor que refluem com o tempo para o mais completo esquecimento? Que dizer então, da doçura que é sentir-se amado?
E, paralelamente ao que já referimos e, dentro da diversidade dos temas e formas trabalhados, que dão um sabor todo especial ao livro, salta aos olhos a elegância e a qualidade literária da prosa. Sem sombra de dúvida podemos afirmar que “Outros tantos” do escritor e professor Flávio Ulhoa Coelho consegue abrir espaços de interrogação, de meditação e de exame crítico Em suma, enseja a proveitosa relação com nós mesmos, com o nosso mundo interior através do mundo que o livro nos abre.

Livro: “Outros tantos” – Contos de Flávio Ulhoa Coelho – Editora Penalux,
Guaratinguetá - São Paulo - SP, 2019, 198p.

ISBN 978-85-5833-531-7


quinta-feira, 1 de agosto de 2019

DEZ PERGUNTAS A... MANUELA FRADE


Agradecemos à autora MANUELA FRADE pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Escrever é uma necessidade ou um passatempo?

Escrever é um acto criativo… Uma forma de expressar o meu imaginário, as emoções, as viagens interiores…é complementar ao da pintura ou desenho… Portanto poderei dizer que é uma necessidade porque é o meu modo de ser e de me expressar artisticamente.

2 - Em que género literário se sente mais confortável?

Na poesia ou narrativa poética… Porque é como um espelho da pintura.

3 - O que escreve é inspiração ou trabalho?

80% inspiração é 20% trabalho porque tenho que me preocupar com a qualidade formal e linguística do que escrevo do mesmo modo que o faço quando desenho ou pinto… Sou uma comunicadora, portanto, tenho que pensar em quem lê e em quem vê o meu trabalho artístico.

4- O que pretende transmitir com a sua escrita?

Histórias, pensamentos, viagens no mundo das emoções, esperança, a minha visão da fé, do amor, da vida… a importância do “ser” sem medos ou preconceitos.

5 - Qual o seu público alvo?

Todo aquele que gosta de ler, sonhar, viajar com emoção, apreciar o produto de um acto criativo.

6 - Em que corrente literária acha que a sua escrita pode ser incluída?

Se me permitirem o atrevimento... no lírico impressionista e /ou expressionista… porque umas vezes são flaches ou impressões de “vida”... Outras, a expressão rasgada de sentimentos ou desejos, viagens no mundo sensorial, muito fortes.

7 - Quais as suas referências literárias?

Tenho muitas… Nacionais e estrangeiras… Florbela Espanca, Fernando Pessoa e seus heterônimos, José Afonso, Natália Correia, Sidónio Muralha, Carlos Drummond de Andrade, James Joyce, Samuel Beckett… Entre muitos outros…

8 - O que costuma fazer para divulgar o que escreve?

Tenho blogues pessoais e de grupos de autores... No Facebook… Ou edito virtualmente em editores com o ISSU. Tenho participado em antologias em Portugal e no Brasil como poetisa e ilustradora e como coautora… E ultimamente tenho participado em projetos promovidos pela In-Finita e seus colaboradores.

9 - O que ambiciona alcançar no universo da escrita?

A divulgação do meu trabalho, poder dedicar-me mais à minha carreira artística - escritora versos poetisa versos pintora - e talvez, se surgir a oportunidade, poder dedicar-me mais amplamente à ilustração de obras quer minhas quer de outros autores seria fantástico… especialmente se esse trabalho fosse promotor da verdadeira inclusão… poder ser percepcionado por todas as pessoas… visuais e invisuais, surdo-cegos, de baixa visão... etc.

10 - Que pergunta gostaria que lhe fizessem e como responderia?

Se acho que o meu trabalho faz a diferença e se acrescenta algo… Eu diria que sim porque procuro com ele transmitir a liberdade de pensamento, de sonhar, de criar... a libertação de todo e qualquer preconceito... valorizar e “Ser” e o “viver” plenamente sem medo de sentir e de expressar.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS A... SEMEANO OLIVEIRA


Agradecemos ao autor SEMEANO OLIVEIRA pela disponibilidade em responder ao nosso questionário
1 - Escrever é uma necessidade ou um passatempo?  
Ambas. Por vezes sinto uma vontade irrefreável de escrever, apesar da escrita ser, para mim, um passatempo. Porque não tenho hora nem tempo certos para o fazer.
2 - Em que género literário se sente mais confortável?
Poesia, Prosa Poética.
3 - O que escreve é inspiração ou trabalho?
As duas coisas. Junto a inspiração de algumas ideias e/ou frases, e a partir dai trabalho as mesmas.
4 - O que pretende transmitir com a sua escrita?
Gosto de abordar Conteúdos Sociais e Humanísticos.
5 - Qual o seu público alvo?
Todas as Pessoas que se identifiquem com a minha escrita.
6 - Em que corrente literária acha que a sua escrita pode ser incluída?
Contemporânea, Modernista.
7 - Quais as suas referências literárias?
Cesário Verde, Pessoa, Camões, Saramago, Baudelaire, Brecht,
8 - O que costuma fazer para divulgar o que escreve?
Participo em Antologias/Coletâneas. Blog, Sites Literários.
9 - O que ambiciona alcançar no universo da escrita?
Quero continuar a sentir o prazer de escrever. Isso é o mais importante.
10 - Que pergunta gostaria que lhe fizessem e como responderia?  
“O que significa escrever para si?”
Escrever é a expressão dos nossos pensamentos, sentimentos. É a transmissão do nosso ser essencial”.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

IN-FINITA APRESENTA... FLÁVIO ULHOA COELHO


Flávio Ulhoa Coelho é professor na USP e escritor. O seu primeiro livro, Contos que conto, foi terceiro lugar na categoria contos da 5Bienal Nestlé de Literatura Brasileira e saiu publicado em 1991. Desde então publicou outros oito livros entre coletâneas de contos, romance e infanto-juvenis. Tem contos publicados em diversas antologias e na Revista Brasileira (da Academia Brasileira de Letras). Desde maio de 2015 mantém o blog literário asquintasfeiras.blogspot.com onde publica semanalmente.


Lista de livros.

  • Contos que conto, Editora Estação Liberdade, 1991 (esgotado). Segunda edição no formato e-book pela e-galaxia em 2017 (contos).
  • Ledos Enganos, Meras Referências, pela Editora Escrituras, 1996 (contos).
  • Gambiarra e outros paliativos emocionais, Editora Arte Paubrasil, 2007 (contos).
  • Contos&Vinténs, Editora AGirafa, 2012 (contos).
·        A turma do Costa e o desafio de Xadrez, e-book pela e-galáxia, 2014 (juvenil).
  • Pigarreios, Editora Chiado, 2016 (romance).
·        Guarda-trecos, Belo Dia Editora, 2017 (infantil).
·        as nuvens amortecem a queda, (coleção32), Sangre Editorial, 2019.
·        outros tantos, Editora PENALUX, 2019.


terça-feira, 16 de julho de 2019

IN-FINITA APRESENTA... OUTROS TANTOS, DE FLÁVIO ULHOA COELHO


Às vezes o melhor que podemos fazer por um livro, e respectivo autor, é dar a conhecer a primeira impressão. Assim sendo, aqui fica o texto que Isabela Noronha escreveu para o livro OUTROS TANTOS, de Flávio Ulhoa Coelho.

Leveza, rapidez, exatidão, visibilidade, multiplicidade, consistência: são esses os grandes valores literários, aqueles que merecem ser preservados, definiu Italo Calvino, um dos maiores escritores italianos. Não a toa, cada um deles dá titulo às seções deste livro. Os contos de Flávio Ulhoa Coelho são um mergulho nessas virtudes. Começamos com a leveza – despojamento e sutileza, tanto de linguagem quanto de estrutura – e não estamos mais abandonados. É na companhia dela que viajamos dentro do bonde 53 não para um lugar, mas para outro tempo – um em que cabem desejo, café recém-passado e pão quentinho. Passamos por olhares flutuantes, sofremos, nos reencontramos nos olhares futurantes e somos lembrados de que, encontro ou desencontro, só o final, essa mínima parte, muda. É também uma celebração da leveza o humor de Negro y Blanco em que tudo está posto, porém ainda assim o mistério persiste – um convite à imaginação do leitor, convite esse que perpassa todo o livro. Está no absurdo do homem que carrega uma maleta cheia de dedos em uma “missão secreta” em O carregador de dedos, na saudade rubra e triste de Natal, vermelho, na mudança de ponto de vista em Adoção, na dolorida homenagem ao pai em Nove de Julho. É contando com um leitor ativo, inteligente, que essas histórias se realizam. E, mais que oferecerem respostas, se abrem em um diálogo com a reflexão de Calvino: "Quem somos nós, quem é cada um de nós senão uma combinatória de experiências, de informações, de leituras, de imaginações? Cada vida é uma enciclopédia, uma biblioteca, um inventário de objetos, uma amostragem de estilos, onde tudo pode ser completamente remexido e reordenado de todas as maneiras possíveis."


Isabela Noronha, escritora e professora da pós-graduação Formação de
Escritores do Instituto Vera Cruz, em São Paulo

domingo, 7 de julho de 2019

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS A... SOPHIA VARGAS


Agradecemos à autora SOPHIA VARGAS pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1- Escrever é uma necessidade ou um passatempo?

Quanto mais escrevo mais liberta a minha alma. Falar dos meus sentimentos me acalma.

2 - Em que género literário se sente mais confortável?

Em quase todos, falar de amor é sempre mais fascinante.

3 - O que escreve é inspiração ou trabalho?

Além da inspiração, muito do que escrevo tem vida, faz parte da minha história... tenho fascínio pelas imagens. Às vezes transformo em palavras o que elas vêm me dizer.

4 - O que pretende transmitir com sua escrita ?

Eu faço críticas, falo do meu amor por Deus, e da importância do amor no mundo... pensamentos... ensinamentos...

5 - Qual é seu público alvo?

Variado.

6 - Em que corrente literária acha que sua escrita pode ser incluída?

Romantismo. Realismo.

7 - Quais suas referências literárias?

Livro editado (Tecendo Amor Volume 01)
Em edição (Tecendo Amor Volume 02)
Em edição (Tecendo Amor Volume 03)
- Antologias:
  1 - Poetize-se >>> Editora Versejar
  2 - Com(Vertidos) >>> Editora Versejar
  3 - Recanto dos Escritores do Brasil (01) >>> Editora Versejar
  4 - Recanto dos Escritores do Brasil  (02) >>> Editora Versejar
  5 - Elas e as letras Volume (02) >>> Editora Versejar
  6 - Mulher >>> Editora do Carmo
  7 - Literarte >>> Associação Internacional e Escritores e Artistas.
  8 - Conexões  Brasil / Portugal >>> In-Finita
  9 - (Aguardando algumas aprovações...)

 8 - O que costuma fazer para divulgar o que escreve?

  - Recanto das Letras
  - Pensador
  - KD frases
  - Pinterest
  - Instagram
  - Facebook ( Perfil pessoal e 7 páginas )
  - Saraus em grupos

9 - O que ambiciona alcançar no mundo da escrita?

Apenas reconhecimento.

10- Que pergunta gostaria que lhe fizessem e como responderia?

- Pergunta - Você comete plágio?
- Resposta - Meu encanto não é só pela poesia. Por trás dela há meu caráter. Que carrego no dia a dia.

sábado, 6 de julho de 2019

DEZ PERGUNTAS CONEXÕES ATLÂNTICAS A... VIEIRINHA VIEIRA


Agradecemos à autora VIEIRINHA VIEIRA pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Escrever é uma necessidade ou um passatempo?

Escrever antes de mais tem vindo a ser uma profissão, não porque vivo da escrita, mas pelo tempo despendido e amor aplicado. Porque encaro a escrita com seriedade, responsabilidade e respeito. Depois porque sempre foi uma necessidade pessoal e íntima para além de ser onde passo boa parte do meu tempo. Tempo  esse onde me construo e construo a minha vida. Nada é por acaso, sou escriturária faz 20 anos este final de ano. 

2 - Em que género literário se sente mais confortável?

O género literário que mais gosto é o lírico, infantil e dramático.

3 - O que escreve é inspiração ou trabalho?

Tudo começou como uma necessidade que passou a ser uma inspiração e tem virado profissionalismo devido às exigências.

4 - O que pretende transmitir com a sua escrita?

Que o mundo pode realmente ser melhor, está nas nossas mãos. Afinal a união faz a força, a questão é: "Para que lado pende as decisões do mundo? Porquê? Como? Quem faz essas decisões?"

5 - Qual o seu público alvo?

Todo o público é alvo. O chamar atenção para a importância do pensamento e do seu estado, tudo isto não é uma questão de ser iluminado como alguns senhores pretende fazer parecer e sim de reflexão. Até porque nunca me vi como melhor que ninguém, até porque a importância que nos é dada, "principalmente aos literários de raiz", é nula. E o silêncio diz muitas vezes mais que uma palavra. Todos nós achamos que sabemos pensar e que o nosso jeito de pensar é o correcto a verdade é que no decorrer da vida, a própria vida nos vai provar que não é bem assim. Sou apenas mais um ser, a querer estar na sociedade, ativo fazendo aquilo que gosto e aplicando o talento que possa ter e explorar.

6 - Em que corrente literária acha que a sua escrita pode ser incluída?

Já li livros de diversos autores dos mais conhecidos aos menos, dos considerados pelos críticos melhores e menos bons. Hoje em dia apesar do tempo escasso para a leitura seleciono mais. No entanto é nos seus reflexos, convergências e divergências que mergulho para criar referências. O mundo: As minhas sensações a plenitude do meu eu. Talvez seja isto poesia ou a minha vida seja apenas ficção.

7 - Quais as suas referências literárias?

Todos lemos Camões "Lusíadas", Florbela Espanca, António Nobre, Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Miguel Torga, Mia Couto mas também já li a bíblia, Osho, António Damásio, mais contemporâneo Pedro Chagas Freitas, Veronica Roth, Nora Gray e Leonard Cohen e alguma filosofia (livros escolares dos miúdos)

8 - O que costuma fazer para divulgar o que escreve?

Escrever! Participar como coautora, estar presente nos eventos literários e disponível sempre que convidada ou solicitada.

9 - O que ambiciona alcançar no universo da escrita? 

Tudo. O Universo é rico e hoje mais que nunca sinto que tenho muito a explorar de mim, sempre fui justa e os meus valores sempre defini como tal. Já mudei várias vezes no decorrer da minha vida, mas continuo reforçando os meus valores (mudo postura, reações, gestos, peso e roupas mas os valores são como raiz que me mantém viva).

10 - Que pergunta gostaria que lhe fizessem e como responderia?

Quem ganhou o prémio Nobel da literatura? Eu