sábado, 22 de abril de 2017

EU FALO DE... VISITA AO GRUPO DE ACÇÃO COMUNITÁRIA

PODEM ACOMPANHAR E SABER MAIS SOBRE O TRABALHO DO G.A.C NESTE LINK


O percurso de um autor não se faz apenas de lançamentos e apresentações dos livros editados. O percurso de um autor não se deve limitar a presenças regulares em feiras do livro e tertúlias ou saraus. O percurso de um autor não deve estar direccionado apenas na conquista de novos leitores. O percurso de um autor deve, para além de tudo o que atrás referi, completar-se com momentos de partilha com aqueles que são colocados à margem da sociedade ou, mais grave ainda, ignorados socialmente.

O parágrafo anterior serve de ponto de partida para vos dar conta da belíssima tarde que desfrutei, no passado dia 4 de Abril, junto dos utentes do Grupo de Acção Comunitária (GAC), a convite da autora, e psicologa desta instituição, Marta Teixeira Pinto.

Inserida na actividade de escrita criativa, esta minha visita permitiu-me contactar mais de perto com uma realidade que, na maioria das vezes, parece estar longe dos nossos olhos, isto quando não nos limitamos a desviar o olhar e fingir que não vemos.

Precisamente devido a essa reacção, ou falta dela, alguns técnicos de doença mental acharam por bem criar esta instituição com o propósito de prestar um melhor serviço àqueles que mais necessidade têm de um apoio continuado para superar, não só a doença, mas, acima de tudo a indiferença de toda a sociedade.

De modo a serem criadas condições para o desenvolvimento cognitivo dos utentes, os profissionais do GAC desenvolveram uma série de actividades que lhes permitem alguns progressos visíveis, entre elas a escrita criativa, que pude constatar nesta visita e me foi explicado por Elisabete Sousa, uma das utentes que, tal como outros, de forma interessada e participativa, se revelou uma enorme anfitriã.

Depois de uma visita guiada pelas instalações foi-me entregue um livro, editado pela Federação Nacional de Entidades de Reabilitação de Doentes Mentais, cujos textos são da autoria de algumas das pessoas que, por razões bem distintas e em graus diferentes, sofrem de alguma patologia de foro mental, e deixam desta forma registadas algumas memórias e considerações sobre tudo o que está relacionado com a doença que os atingiu.

Numa sala muito bem composta por utentes e técnicos do GAC, sentados em círculo, deu-se início ao evento. Primeiro, um a um, todos os presentes apresentaram-se falando um pouco de si, do tempo que frequentam a instituição e das actividades em que participam. E foi importante para mim ver que todos eles (especialmente os utentes) falaram-me olhos nos olhos e sem qualquer complexo sobre a sua doença. E senti que o fizeram quase como uma demonstração inequívoca de que, apesar dos seus problemas de saúde, são iguais a todos os outros que, como eu, são considerados normais aos olhos da sociedade. E, de facto, a conversa decorreu entre iguais.

O interesse pela minha presença ficou expresso nas diversas perguntas, muitas delas bem mais pertinentes do que as que me colocam nas sessões de lançamento e apresentação dos meus livros. Tive de falar do meu percurso como autor, do meu processo criativo, das diversas actividades em que me tenho envolvido, das minhas expectativas e objectivos, de projectos futuros. Tive também de contar, alguns episódios engraçados, e outros nem tanto, relacionados com a escrita e comigo. Também foram lidos poemas meus; nem só por mim.

E quando eu pensava que a tarde já estava a correr muito bem fui presenteado, pelos utentes, com algumas leituras de trabalhos feitos no âmbito da actividade de escrita criativa, que mereceram muitos sorrisos e gargalhadas.

No final, para terminar em beleza, ou como se costuma dizer; a cereja no topo do bolo, foi servido um lanche (bolo e chá) feitos pelos utentes.

Em resumo, foi uma tarde muito bem passada, com conversa séria e muitos momentos divertidos e de boa disposição junto dos utentes e colaboradores do GAC.

Para terminar quero deixar expresso, de forma pública, o meu agradecimento à Marta Teixeira Pinto pela honra do convite que me fez e pela enriquecedora experiência que o mesmo me proporcionou.

Que todos os momentos de um autor fossem assim!

MANU DIXIT


quarta-feira, 22 de março de 2017

EU FALO DE... MAIS UM CASTIGO


Já perdi a conta às vezes que fui castigado no FB.

Verdade seja dita que, para a maioria, sei quais foram as razões e nem me declarei inocente porquanto estavam relacionadas, quase todas com denúncias públicas que fiz de perfis onde abundava o plágio. Outras foram o prémio por dizer/escrever aquilo que penso sobre algumas atitudes que proliferam nos cantos sombrios das redes sociais e que estão associadas ao universo da escrita.

Não me custa absolutamente nada compreender o incómodo que muitos sentem por eu estar, de forma constante e persistente, a apontar o dedo e a tocar nas feridas. Não me custa absolutamente nada entender que há quem seja apologista de dar-se bem com Deus e o Diabo. Também não me custa absolutamente nada perceber as razões que levam certas pessoas a agir cobardemente e pela calada, a galope no anonimato que as redes sociais permitem.

No entanto, compreender tudo isso não é sinónimo de concordância nem, tampouco, de virar a cara para o lado como se nada tivesse acontecido.

E como me recuso virar a cara para o lado continuarei a dizer/escrever aquilo que, sempre sob o meu ponto de vista e consciente que é apenas a minha opinião, achar errado.

Posto isto e porque quem me conhece sabe que não sou menino de ficar calado perante evidências resta-me identificar as razões pelas quais voltei a ficar castigado, desta vez sem possibilidade de aderir, partilhar e/ou comentar em grupos do FB.

Ao contrário do que se possa pensar, por este castigo aparecer aquando das partilhas que estava a fazer de um poema meu, este castigo surge como consequência das partilhas que faço, através do meu blogue TOCA A ESCREVER, de poesias de outros autores.

E como posso ter a certeza disso? Muito fácil. De algum tempo a esta parte, tenho sido confrontado com o aparecimento de caixa de verificação de caracteres, sempre que partilho os poemas do dia em determinados grupos, aos quais fui adicionado, cujos administradores pertencem a uma editora, ou pseudo-editora.

Ora, essas caixas de verificação de caracteres só aparecem em caso das publicações de uma determinada fonte (neste caso o meu blogue TOCA A ESCREVER) forem denunciadas como spam. A partir do momento da denúncia, todas as publicações dessa fonte são confrontadas com as ditas caixas de verificação de caracteres, sempre que tentar partilhar nesses grupos.

Compreendo que o facto de mencionar o nome das editoras que patrocinam cada poema possa causar algum desconforto, mais ainda quando são editoras que actuam no mesmo segmento de mercado, no entanto, os poemas que divulgo nesse blogue pertencem a autores que, muitas vezes, contribuem para as antologias dessa mesma editora/pseudo-editora.

Por outro lado, e aqui quero deixar publicamente expresso, se não divulgo poemas dos livros de algumas editoras a razão é apenas uma... não responderam à minha proposta de patrocínio como as outras fizeram; inclusive algumas tiveram a frontalidade de anunciar a sua indisponibilidade e desinteresse em patrocinar o blogue e nem por isso me impediram de partilhar os poemas das outras editoras, nos grupos por elas geridos.

Podem perguntar: se apareciam essas caixas de verificação, porque não deixaste de partilhar nesses grupos? A pergunta pode parecer legítima, contudo, agir dessa forma era aceitar que a divulgação que faço dos poemas de outros autores fosse considerada spam, e isso eu nunca poderei aceitar. Por outro lado, não ficaria bem comigo mesmo se continuasse a partilhar a minha poesia nesses grupos (nunca me apareceram as caixas de verificação) abdicando de partilhar os poemas dos outros autores (mesmo com caixas de verificação).

Posto isto e para que não restem dúvidas, mal acabe este castigo voltarei a fazer tudo do mesmo modo. Para se verem livre de mim e da divulgação do TOCA A ESCREVER terão de excluir-me dos grupos e, dessa forma, denunciarem-se publicamente do acto despropositado, mesquinho e cobarde que tiveram, não para comigo mas para todos os autores cuja poesia tenho o gosto de partilhar e divulgar.


MANU DIXIT

sexta-feira, 17 de março de 2017

EU FALO DE... MUSA VIAJANTE

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR CHIADO EDITORA
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Se, em algumas ocasiões, torna-se difícil para mim escrever sobre um ou outro livro, pela uniformidade estilística e de conteúdo da grande maioria dos autores, outras há em que a tarefa afigura-se mais fácil e tranquila pela escrita diferenciada. É o caso deste MUSA VIAJANTE de Frassino Machado.

Não sendo para mim um autor completamente desconhecido, não deixa de ser verdade que o volume dos seus textos que passou pelo meu crivo de leitor era reduzido e não me permitia ter uma opinião formada com forte base de fundamento.

Neste momento e após a leitura deste MUSA VIAJANTE, sabendo de antemão que é apenas um de vários livros do autor, já consigo afirmar, sem correr o risco de errar estrondosamente, que estamos perante um autor com elevada consciência do seu ofício e, acima de tudo, com a capacidade de transportar para as criações, com enorme fluência e rigor, todo o seu saber, tanto da vida como da arte poética.

E se da vida cada um adquire as suas próprias experiências e reage nas suas próprias condições e termos, já na vertente poética torna-se evidente quem é que "sabe da poda" e/ou "estudou as lições" que nos foram deixadas em legado.

À primeira vista pode parecer que as duas vertentes são gémeas na concepção, no entanto existem mais diferenças que semelhanças.

Para exemplificar esta minha ideia façamos uma analogia:

Todos nós, numa qualquer altura da nossa vida (nem todos da mesma forma) ficámos a saber que o fogo queima - esse conhecimento foi-nos dado pela experiência de vida. No entanto, só alguns conseguem distinguir diferenças entre as origens de cada fogo - esse conhecimento é transmitido pelo estudo. O mesmo acontece com a arte da escrita. Todos sabemos, em maior ou menor grau, o que é poesia e como se faz, mas nem todos sabem distinguir as diferentes tendências, as distintas fórmulas, e tampouco as sabem executar. Para isso é preciso estudar a fundo a matéria.

E é precisamente esta distinção que consegui observar na leitura deste MUSA VIAJANTE.

Neste livro, o autor Frassino Machado faz uso de uma das ferramentas mais clássicas da poesia portuguesa, e, por consequência, lusófona; a redondilha maior. Direi mesmo que em certos momentos essa particularidade quase nos transporta ao tempo das trovas, cantigas de amigo, de escárnio e mal-dizer. E essa capacidade só a pode ter quem estudou a matéria exaustivamente.

O mesmo posso dizer, e porventura com mais propriedade, da inclinação, que me parece natural neste autor, do uso do soneto clássico (petrarquiano), do soneto inglês (shakespeariano) e do soneto estrambótico, que, diga-se em abono da verdade, quase ninguém conhece e poucos ouviram falar, não sendo por isso menos clássico.

Contudo e apesar das abordagens mais clássicas e uma ou outra referência de cunho histórico, a poesia em MUSA VIAJANTE é transversal no tempo e bem moderna pela actualidade - essa sim baseada na experiência do homem, que empresta o corpo ao autor.

Tudo o que acabei de escrever serve para garantir que, MUSA VIAJANTE de Frassino Machado, é um livro que recomendo vivamente, não só pelo conteúdo temático muito diversificado mas também, e em maior relevo, por ser um excelente manual de como poetar usando estruturas clássicas sem deixar de criar modernidade.

MANU DIXIT

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

EU FALO DE... FLUXOS DA MEMÓRIA

Sempre defendi que a poesia só o pode ser, efectivamente, se, entre outros elementos, tiver uma componente filosófica. E, aos que, como eu, têm um percurso académico escasso ou mesmo inexistente, explico que a filosofia, em traços gerais, nada mais é que amor ao saber; amor ao conhecimento, e busca constante desse saber. E todos nós, mesmo sem darmos conta disso, temos as nossas próprias filosofias de vida que se revelam nas acções do dia-a-dia.

Posto isto, porque o meu conhecimento sobre esta autora (talvez remonte a 2014) nasceu precisamente pelo seu lado filosófico ao assistir a alguns eventos literários onde palestrou (só mais tarde e de forma isolada é que conheci alguns dos seus trabalhos poéticos), e aproveitando, uma vez mais, a parceria com a Chiado Editora, decidi aprofundar o meu conhecimento sobre a sua obra e requisitar o livro FLUXOS DA MEMÓRIA, de sua autoria.

Tal como em dissertações similares anteriores, mais que prescindir, recuso-me a fazer análises técnicas sobre as obras por ser apologista da multiplicidade de conceitos/estilos/tendências/correntes que, são para mim, meros complementos de um todo; a poesia. No entanto, não posso deixar de expressar o meu agrado pelo facto da autora, de forma tão directa quanto humilde, confessar que a ausência de características mais clássicas na sua poesia se deve mais a uma opção pensada do que incapacidade para fazê-lo. E que falta fazem mais autores que pensem a sua obra.

Seguindo este último raciocínio, fica evidente ao longo da leitura de FLUXOS DA MEMÓRIA, que Isabel Rosete pensa, e muito, a sua poesia, ou como a própria refere, num texto biográfico que antecede o conteúdo poético, a sua poesia existe porque antes existe a filósofa, a pensadora, a eterna caçadora de conhecimento e eterna questionadora do seu mundo e do mundo que a rodeia.

Uma das dúvidas que nasceu em mim, pela leitura de alguns escassos textos publicados em obras colectivas, estava relacionada com o modo como a autora assinava os seus poemas, umas vezes com o nome Isabel Rosete e outras com o pseudónimo IR. O mesmo texto biográfico esclarece esse ponto de forma inequívoca sem deixar de confessar que a explicação só lhe surgiu a posteriori.

Seja como for e independentemente da assinatura, poema a poema, a autora dá voz aos seus pensamentos, às suas dúvidas, aos seus sentires, que também podem ser dos leitores. Direi mesmo que muitos serão aqueles que ao lerem este livro se identificarão com a autora.

Por minha parte, e perdoem-me a ligeireza do que vou afirmar, mais do que identificar-me com os poemas ou elementos dos poemas, mais do que compreender as diferentes nuances das suas criações, mais do que entender a sua forma de criar, mais que distinguir as razões que explicam a sua poesia, eu identifico-me, sobremaneira, com essa postura de honestidade perante os leitores, o mesmo é dizer: identifico-me com essa ideia de criar poesia pensada; identifico-me com esse modo de saber explicar cada elemento de um poema e quais os pensamentos que lhe deram origem.

Dito isto e para terminar a minha dissertação, quero dizer que acima de qualquer outro aspecto ou qualidade que reconheço neste livro, FLUXOS DA MEMÓRIA teve o condão de espicaçar-me a pensar ainda mais a minha poesia e a encontrar formas simples para explicar aos meus leitores a complexidade das razões que me levam a escrever tudo aquilo que escrevo.

MANU DIXIT


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

EU FALO DE... DIA DA RÁDIO

A importância deste órgão de comunicação é, de todos e por todos, reconhecida, pelo que, limito-me a congratular e felicitar aqueles e aquelas que dedicam o seu tempo a perpetuar esta nobre forma de comunicar e estreitar laços entre povos.

Para celebrar o Dia da Rádio, que hoje se comemora, decidi ir ao meu baú de antiguidades e publicar aqui um poema que me encomendaram e que apenas foi publicado num trabalho de faculdade em 2012.

RÁDIO

Numa sociedade cuja maioria era iletrada
só uns poucos tinham acesso à informação
quem sabia ler, lia sobre tudo e sobre nada
analfabetos nada tinham à sua disposição.
Quem tinha os conhecimentos a seu favor
já ouvira falar em comunicações sem fios
mas quem só conhecia a arte do seu labor
achava essas modernices meros desvarios. 

No início, telefonia era um luxo tremendo
tal privilégio cabia em sorte aos abastados
após experiências o conceito foi crescendo
e aos poucos aumentaram os privilegiados.
Grande foi a surpresa, está bom de se ver
quando a rádio começou as suas emissões
o povo ganhou ânimo e mais algum saber
uma novidade traz sempre novas emoções.

Ficou mais fácil saber o que ia no mundo
noticias chegavam com mais actualidade
mudavam frequentemente a cada segundo
mesmo as que sofriam censura de verdade.
Com o tempo, ouvir rádio era imperativo
as famílias reuniam-se à volta do aparelho
qualquer programa era apenas um motivo
para entreter o mais novo e o mais velho.

Escutavam-se folhetins, novelas e o fado
com o mesmo entusiasmo, tudo se ouvia
aos poucos este fenómeno ficou instalado
possuir um rádio já todo o mundo queria. 
Muito antes de aparecer a caixinha mágica
e ver imagens não passava de pura ilusão
para se distrair da vida rude, dura e trágica
o povo apenas desfrutava da radiodifusão.

A influência das rádios chamou a atenção
do poder político, na época uma ditadura
e a melhor forma de formatar a população
foi encontrada na aplicação da vil censura.
Perante as restrições que o estado impunha
ouvia-se só o que deixavam, oh triste sina!
Mas mesmo assim havia quem se dispunha
escutar a rádio em transmissão clandestina.

Aquele que com ferro mata, com ele morre
diz o adágio com razão e assim aconteceu
meio essencial é a definição que me ocorre
para rádio, quando a revolução prevaleceu.
Foi o som de poesia cantada e famosa senha
que iniciou a revolta que pôs fim à ditadura
o estado novo queimou-se na própria lenha
ateada pela telefonia que ainda hoje perdura.

O tempo que passa deixa sua marca, história
e os homens nunca mais vão poder esquecer
que a radiofonia merece ser coroada de glória
pela importância que teve e continuará a ter.
Para quem duvida da rádio e do seu sucesso
para quem pensa que longevidade é ilusória
deixo meros fragmentos dum longo processo
assim ficam registados pedaços de memória.

MANU DIXIT

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

COLECTÂNEA LIVRO ABERTO

Tal como aconteceu no passado, o TOCA A FALAR DISSO, volta a associar-se a uma iniciativa literária cujo texto regulamentar é o seguinte:

Está aberta a participação na Coletânea LIVRO ABERTO
O programa “Livro Aberto” da Rádio Voz de Alenquer em parceria com o grupo do facebook Autor Publica informa que será lançada a Coletânea Poética com o título LIVRO ABERTO., com o intuito da divulgação dos autores em união de sentires. Envio de trabalhos até ao dia 30 de março de 2017.

PARTICIPAÇÃO:
a)       Poesia ou prosa poética - Tema livre;
b)      Só serão aceites textos em português e em formato Word ou equivalente; tipo de letra Arial 11
c)      Cada autor pode enviar vários trabalhos até ao limite máximo de 6 páginas A4 devidamente identificados com nome (nome de identificação é obrigatório para a organização) ou pseudónimo, morada, telefone, mail, pequena biografia e foto;
d)      Cada autor ao participar na coletânea assume todos os termos deste regulamento, bem como, a cedência para publicação, ficando reservado o direito de autor mas sem qualquer retorno financeiro;
e)       Qualquer situação omissa será resolvida pela organização sem disposições de recurso de terceiros ou dos participantes;
f)       Todos os autores cujos trabalhos sejam selecionados para a coletânea LIVRO ABERTO, assumem a aquisição de pelo menos um exemplar mais custos de envio se for o caso.

ORGANIZAÇÃO:
a)       A capa e a paginação são da exclusiva competência da organização;
b)      O valor de capa será definido pelo grupo Autor Publica;
c)      A seleção dos trabalhos a publicar é da exclusiva competência e responsabilidade da organização;
d)      Os trabalhos não selecionados serão destruídos;
e)       A lista dos autores selecionados e respetivos títulos serão publicados no Facebook do LIVRO ABERTO e AUTOR PUBLICA;
f)       A organização reserva o direito de anular a publicação, caso os participantes não sejam em número suficiente ou a qualidade das obras não sejam consideradas;
g)      O evento de lançamento está previsto para o dia 07 de maio de 2017 pelas 16 horas em Alenquer, local a anunciar.

Resumo de documentos a enviar
- Textos para publicação (limite 6 páginas A4 em Word ou equivalente)
- Nome completo e pseudónimo se for o caso
- Endereço de mail
- Morada completa e Telefone
- Pequena biografia e Foto

Enviar para: livro.aberto.rva@hotmail.com

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

EU FALO DE... MOMENTO AGRIDOCE


Para quem acompanha, com alguma proximidade, o que é editado, é fácil perceber que a grande maioria dos autores limita-se a transformar em livro um punhado de poemas escritos durante um determinado período de tempo (normalmente reduzido), sem qualquer tipo de preocupações, sejam de natureza técnica, estilística, ou temática. Mas isso é matéria para outro filme.

É minha convicção que um autor, para além da vertente criadora e criativa, deve possuir uma apurada capacidade de intuir quando um trabalho está terminado ou exige continuação. Evidentemente, este pressuposto depende, sobremaneira, dos objectivos e natureza da obra criada e/ou a criar.

Apesar do elevado grau de auto-exigência que sempre tive, confesso que, somente após ter começado a escolher os textos para o meu primeiro livro, senti a necessidade de repensar a forma como agrupava as minhas criações. O mesmo é dizer: só comecei a dar importância ao valor do todo quando confrontado com a perspectiva de editar.

Essa forma de raciocínio explica, não só, as linhas mestras de cada um dos sete livros que editei, mas também, todos aqueles que tenho guardados para possível edição.

Já me ouviram dizer muitas vezes: eu não escrevo porque edito, eu edito porque escrevo. Tendo em conta esta máxima e o facto de, felizmente e contra o vaticínio de muitos, continuar a receber convites para editar, tenho tido a preocupação de emprestar alguma coerência e linha condutora em cada uma das propostas que, entretanto, tenho produzido.

No entanto, e ao contrário do que alguns pensam, eu não me sento em frente ao computador num determinado momento a escrever um livro de rajada; o eclectismo que existe em mim não o permite.

Eu vou escrevendo o que tenho a escrever no momento, e apenas na hora de guardar o texto é que surge a decisão de o colocar neste ou naquele ficheiro, o mesmo é dizer, só depois de terminado o poema é que decido em que possível livro é que ele encaixa melhor. Também sendo verdade que muitas vezes não encaixa em lugar algum, seja por não ter o grau qualitativo que me auto-exijo, seja por estar desenquadrado com as temáticas e/ou estilos que requerem complementaridade.

Porém, há alturas em que um poema, apesar de corresponder aos critérios de um determinado projecto, cria em mim um sentimento agridoce que passo a explicar e é a razão primeira para toda esta dissertação.

Não sendo uma situação virgem, creio que nunca abordei esta questão e desconheço se o mesmo acontece com outros autores.

Falo daquele momento em que encaixo um poema no projecto de livro que julgo mais adequado e, ao reler o todo, nasce a sensação que não há mais nada a acrescentar a esse projecto, tendo chegado a hora de o dar por terminado e colocá-lo na "gaveta" à espera de uma oportunidade para ser transformado em livro.

Foi o que aconteceu hoje quando terminei de escrever o primeiro poema deste ano e o fui colocar num projecto que tem o nome, talvez, provisório: VERDADES INDUZIDAS. Ao reler a totalidade dos textos que coloquei neste esboço de livro, dei-me conta que não há mais nada que eu possa acrescentar a este trabalho que iniciei há mais de três anos.

O sentimento agridoce de que falo deve-se ao facto de conseguir saborear o momento em que dou por terminado este trabalho sem, contudo, deixar de sentir também a certeza que estará relegado a uma espera sem tempo.

Resta, tal como em momentos anteriores e outros que virão, esperar que apareça a sua hora e começar a dar vida a outros esboços de livros, porque ideias não faltam.


MANU DIXIT

domingo, 8 de janeiro de 2017

EU FALO DE... ENSAIOS E SENTIRES POÉTICOS

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR CHIADO EDITORA
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Diz-me a experiência, de alguns anos de contacto com autores, que muitas vezes, para não dizer a maioria das vezes, o discurso não combina com o ofício. Essa discrepância ocorre quase sempre quando conhecemos o autor antes da obra. Por isso, só é possível esclarecer sobre a existência desse diferendo quando nos embrenhamos nos trabalhos e comparamos com as palavras que ouvimos da boca do(s) autor(es). Sendo perfeitamente normal que os discursos levem à criação de algumas expectativas, exige-se um certo distanciamento e capacidade de análise imparcial aquando das leituras.

Serve esta linha de raciocínio para falar-vos do livro ENSAIOS E SENTIRES POÉTICOS do poeta Celso Cordeiro.

Cruzei-me diversas vezes com este autor em tertúlias e, através das conversas, dei conta de estar na presença de alguém que tem bem definidas as suas percepções sobre a poesia e rege o seu ofício com directrizes coerentes e pensadas pela própria cabeça (ao contrário do que acontece com a generalidade dos autores).

Perante esta minha avaliação feita ao discurso, nasceu-me a curiosidade sobre a sua obra e, aproveitando a parceria com a Chiado Editora, pedi que me enviassem o seu último trabalho para o divulgar e analisar.

Desde o primeiro texto, tornou-se evidente para mim estar perante um livro que encaixa perfeitamente no perfil que havia criado. Cada poema encerra em si mesmo as ideias transmitidas e defendidas pelo autor, sobre a arte de criar poesia. A coerência, entre o discurso e os poemas, é indesmentível e isso, por si só, dá um cunho de originalidade e autenticidade à obra, no seu todo.

Entre outros aspectos, não menos importantes, existem dois que se destacam e merecem ser mencionados:

Em primeiro lugar, o domínio do autor na utilização mesclada de elementos antigos com outros modernos. Nomeadamente o uso de linguagem actual, simples e sem a busca frenética e desequilibrada pela rima, dentro de estruturas clássicas, com forte predominância das estrofes em detrimento das estâncias. Com a consciência, evidenciada, que o discurso escrito, vulgo poema, não obriga à utilização dogmática de sintaxe diferente da usada no discurso oral. Esta faceta menos técnica na hora de criar facilita, aquilo que me parece ser uma imagem de marca do autor, uma maior aproximação e identificação entre os leitores e o poeta.

Em segundo lugar e porque é uma qualidade pouco vista nos dias de hoje, devo referir a grande capacidade de síntese demonstrada pelo autor. O mesmo é dizer que me agrada sobremaneira um livro composto por poemas curtos mas decididamente esclarecedores, em contraponto aos "lençóis" escritos por grande parte dos autores.

Para terminar, resta-me deixar expresso o quanto me apraz ter encontrado alguém com consciência de autor mas que, ao invés da maioria, dá-lhe uso. Por tudo isso, recomendo vivamente a leitura de ENSAIOS E SENTIRES POÉTICOS de Celso Cordeiro.

MANU DIXIT