quarta-feira, 30 de agosto de 2023
Alma - PAULA MIGUEL
terça-feira, 29 de agosto de 2023
Diário do absurdo e aleatório 49 - Emanuel Lomelino
Diário do absurdo e aleatório
49
Não existem muitos estudos sobre a matéria e quase todos pecam pela escassez informativa, sendo pouco esclarecedores.
Não há consenso quanto à forma de classificar este género de transtorno porque a multiplicidade de sintomas não permite deduzir se estamos perante uma tendência patológica ou uma perturbação mental. Esta dificuldade deve-se ao facto de existirem diferentes graus de manifestação do fenómeno, sempre dependente de cada infectado.
Sabe-se que é um vício. Uma dependência incontrolável que, mesmo detectada precocemente, é difícil de combater porque a ciência, ao contrário do que fez com outras adições, ainda não conseguiu identificar uma origem concreta e universal. Os únicos factos comprovados são que, em nenhuma circunstância, e apesar de ser uma condição pandémica, não há casos de regressão, apenas de progressão, mas não se conhecem casos de mortalidade associada, logo, não tem características malignas.
Assim sendo, não existindo fármacos nem tratamentos paliativos específicos, recomenda-se que todos os adictos diagnosticados prossigam as suas vidas dentro da normalidade que a sua compulsão pela escrita permite, até que se descubra um antídoto.
EMANUEL LOMELINO
segunda-feira, 28 de agosto de 2023
Diário do absurdo e aleatório 48 - Emanuel Lomelino
Diário do absurdo e aleatório
48
O destino ordenou que Marcolina e Juvêncio estivessem sempre juntos desde o berço. Tiveram a mesma ama, frequentaram a mesma escola, seguiram os mesmos passos até que, chegado o momento, casaram e passaram a ser donos e senhores do seu próprio negócio.
Ambos aprenderam, com os seus progenitores, a arte dos ofícios que agora dominavam. Juvêncio era pastor e Marcolina era produtora de queijos.
As cabras que Juvêncio levava a pastar, todos os dias do ano, antes do sol raiar, forneciam o leite suficiente, e adequado, para que Marcolina produzisse os melhores queijos que alguma vez tinham sido feitos na região.
O sucesso deles foi imediato e o negócio cresceu tanto que viram-se na obrigação de contratar ajudantes para conseguirem dar resposta ao elevado número de encomendas que recebiam, todos os dias.
Felizes e empolgadíssimos com o êxito, Marcolina e Juvêncio trabalhavam de sol a sol e parecia que o tempo voava.
Mesmo grávida de gémeos, Marcolina nunca parou de trabalhar e só deixou de lado as tarefas mais pesadas quase no final da gestação. Simultaneamente, Juvêncio cumpria as suas rotinas diárias, verificando se as cabras eram levadas aos melhores pastos, se o leite era bem ordenhado e armazenado, se não faltava nada na queijaria e as encomendas eram expedidas correctamente.
O nascimento dos filhos reforçou-lhes a felicidade e renovou-lhes as energias para continuarem a ser bem-sucedidos no negócio da família. Com o esforço redobrado e máxima dedicação no trabalho, conseguiram que o filho se formasse em biologia e a filha em sociologia.
Marcolina e Juvêncio trabalharam até aos últimos dias de vida. Nasceram, viveram e morreram tal como o destino ordenara: juntos.
Para remate desta história, só falta dizer que o filho Marcolino é um obcecado seguidor do veganismo, e a filha Juvência é fervorosa activista dos direitos dos animais.
Adivinhem o que o destino reservou para a Queijaria MJ…
EMANUEL LOMELINO
O abismo (excerto 24) - CARLA SANTOS
domingo, 27 de agosto de 2023
Diário do absurdo e aleatório 47 - Emanuel Lomelino
Diário do absurdo e aleatório
47
Esta noite fui invadido por uma avassaladora vontade de comer algo que há muitos anos deixei de consumir. Para tristeza minha não havia leite em casa, já passava das onze e, por mais que me caíssem bem as sopas de leite, não me daria ao incómodo de ir até à bomba de gasolina – único local aberto àquela hora.
O que fazer numa situação destas? Bem, quem não tem cão caça com gato – coitado do Nico que nada tem que ver com esta história. A decisão foi tomada: as sopas de leite (com bolachas Maria) foram substituídas por uma pequena ceia composta por biscoitos de baunilha acompanhados com… cálices de vinho do Porto.
Os biscoitos acabaram rapidamente – talvez ao fim de três copos – já o vinho… foi a minha companhia nesta vigésima terceira noite do sexto mês do ano (detalhe ébrio que talvez corte antes de publicar o texto).
Não sei se é a bebida a falar, mas a verdade é que fiquei a noite toda a tentar-me convencer que a opção tomada estava repleta de lógica e o argumento final não deixa margem para dúvidas.
Da mesma forma que há muitos anos não comia sopas de leite, também já faz uns aninhos valentes que não ficava tão bêbado como agora.
p.s.
apesar da embriaguez que originou este texto, o mesmo está sem erros porque
agora (24/6) de manhã, mesmo com uma ressaca desgraçada (tremenda dor de cabeça
e boca mais seca que um poço em pleno deserto), decidi endireitar as linhas
tortas e expurgar o dialeto obsceno para deixar tudo mais apresentável.
Ah, terminando esta nota de rodapé, vou ali ao hipermercado comprar leite porque, vai-se lá saber porquê, a vontade de comer sopas de leite aumentou.
EMANUEL LOMELINO
sábado, 26 de agosto de 2023
Diário do absurdo e aleatório 46 - Emanuel Lomelino
Diário do absurdo e aleatório
46
Cansado de frases feitas e clichés de ocasião, o corpo embrulha-se em si mesmo e chora todas as dores – as que tem, as que sente, e as que estão por vir.
Nesse recolhimento não há verde nem outra cor qualquer que mascare a palidez da derme triste e dormente. Só escuridão absoluta e isenta de compaixão.
Assim retraído, procura defender-se das inclementes chuvas metafóricas e mordazes que não cessam de ferroar, como ponteiros no extremo da agudeza e perversidade.
Quanto mais se fecha, na sua redoma sem escudo, mais expostas ficam as cicatrizes que o abraçam, e mais abertas ficam as feridas que o retraem.
O processo repete-se tantas vezes que acaba por transformar-se num ciclo vicioso e o corpo cede ao inevitável, converte-se à dor instituída e deixa de sentir…
EMANUEL LOMELINO
Emma Everston (excerto 6) - Ernesto Moamba
Peabiru (excerto 18) - CARLOS DOMINGUEZ
sexta-feira, 25 de agosto de 2023
Diário do absurdo e aleatório 45 - Emanuel Lomelino
Diário do absurdo e aleatório
45
Jeremias é um homem vulgar, com um caráter vulgar, uma vida vulgar, uma casa vulgar, um emprego vulgar, e uma rotina tão vulgar quanto ele. Apesar da vulgaridade, é um homem feliz.
A ambição é um pensamento estéril que só teve em duas ocasiões da sua vida, e ambas por ter sido questionado sobre o tema. Jeremias, por sua autorrecriação, nunca perdeu tempo para aprofundar a ideia.
No entanto, hoje, Jeremias confessou ao seu amigo Gervásio, ter passado toda a hora de almoço a invejar a exuberante vida do Ezequiel, companheiro de ambos nas tertúlias domingueiras no café da vila.
- Sabes, Gervásio, nem que fosse por um dia, gostaria de ter o intelecto e o carácter efusivo dele. Queria viver como ele vive, viajar constantemente, estar em lugares diferentes todas as semanas, ter uma casa maior, um emprego mais relevante, poder desfrutar das coisas que ele desfruta e ter uma vida mais agitada.
Gervásio acendeu um cigarro, bebeu um trago de cerveja, olhou o amigo com apreensão e retorquiu-lhe:
- A vida é engraçada! Ontem, nesta mesma mesa, estive a conversar com o Ezequiel, e ele disse-me que era capaz de dar tudo o que tem para ser como tu: mais contido, mais humano, mais caseiro, mais modesto, ter mais serenidade em casa, no trabalho, e poder viver a vida de forma mais tranquila, sem a obrigação moral de agradar, seja a quem for. E deixa-me que te diga, Jeremias, sinto o mesmo que ele. Ao contrário do que pensas, a simplicidade da tua vida faz de ti um homem especial. Alguém que todos nós gostaríamos de ser, mas nunca conseguimos porque ficámos obcecados em obter coisas efémeras, em vez de nos limitarmos àquilo que realmente importa – a felicidade. E, no nosso grupo, tu és o único que sabe o que é isso.
EMANUEL LOMELINO
quinta-feira, 24 de agosto de 2023
Diário do absurdo e aleatório 44 - Emanuel Lomelino
Diário do absurdo e aleatório
44
Qual o problema em comer a última batata da travessa, beber cerveja directamente da garrafa, ficar concentrado apenas na refeição e recusar sobremesa?
Onde está o incómodo em ser somente ouvinte, conversar com os próprios botões e não rir de piadas sem graça?
Que erro se comete ao encarar as situações com leveza, ao não dar importância a coisas menores e definir-se prioridades?
Onde está a inconveniência de querer abraçar o silêncio, recusar companhias que não se quer e evitar repetir erros cometidos?
Que prejuízo advém de querer permanecer na zona de conforto, lutar pelo que se acredita e não apostar quando as probabilidades de vencer são ínfimas?
Onde reside o egoísmo da recusa em divulgar pormenores de foro pessoal, em reivindicar direito à privacidade e festejar a preservação da intimidade?
Como pode haver presunção na exigência de respeito, na necessidade de exercer direitos e deveres e preservar a individualidade?
Que obscenidade existe em, apenas, querer ser?
EMANUEL LOMELINO
quarta-feira, 23 de agosto de 2023
Diário do absurdo e aleatório 43 - Emanuel Lomelino
Diário do absurdo e aleatório
43
Quero avisar-te, leitor que agora me lês, que as letras diante dos teus olhos não são frescas como pão acabado de fazer, porque as escrevi há quase dois meses. O mesmo é dizer, isto que te escrevo, do passado, deves consumir com moderação e lentamente porque, apesar de estar dentro do prazo de validade, digeri-lo pode ser difícil.
Preciso que entendas a enorme diferença que existe entre escrever sobre um momento e estar a escrever o momento. Confuso? É simples!
Escrever sobre um momento é dissertar sobre algo que, não tendo acontecido, poderia muito bem acontecer, por ser plausível.
Escrever sobre o momento é contar detalhes de um evento, específico e real, ocorrido ou presenciado por quem escreve.
A diferença entre estes dois conceitos é a mesma que separa a ficção da realidade.
Se, mesmo assim, na tua cabeça persistir a dúvida, olha para a gramática e observa que num caso é usado o artigo indefinido “um” e no outro é aplicado o artigo definido “o”. O primeiro é genérico; o segundo é específico.
Sabes, leitor, estes pormenores fazem toda a diferença na forma como se interpreta um texto. Porque tudo deve ser entendido dentro do “contexto” que lhe deu origem.
A função de quem escreve é, na medida do possível, dar vida (e alma) às suas palavras e provocar uma reacção nos leitores.
Se hoje (no teu presente) estás a refletir nestas palavras que escrevi, então hoje (meu presente - teu passado) consegui cumprir-me como autor.
EMANUEL LOMELINO
O abismo (excerto 23) - CARLA SANTOS
terça-feira, 22 de agosto de 2023
Diário do absurdo e aleatório 42 - Emanuel Lomelino
Diário do absurdo e aleatório
42
Hoje, a palavra escrita é a representação gráfica de alguns gritos presos na garganta; de alguns impropérios que não podem ser proferidos porque ainda há crianças acordadas; de algumas imprecações lamechas que não combinam com a linguística socialmente aceite.
Hoje, a palavra escrita é uma fuga silenciosa aos fantasmas que teimam em assombrar os ingénuos; aos enfadonhos oradores que não sabem a diferença entre os sinónimos poéticos de festa e plenário; aos inúmeros arrolhadores das plataformas digitais.
Hoje, a palavra escrita é a excessiva glorificação do silêncio; é a exaltação dos pensamentos mais mundanos e vulgares; é o elogio à criação narcisista – dispensável como a maionese numa salada de frutas.
Hoje, a palavra escrita não é um exercício catártico; uma purificação de alma e espírito; um exorcismo de angústias, desilusões, desesperos.
Amanhã, a palavra escrita simbolizará outras coisas – ainda bem – porque também os dias são todos diferentes e merecem ser descritos com as palavras que melhor se adequam à sua singularidade.
EMANUEL LOMELINO
segunda-feira, 21 de agosto de 2023
Diário do absurdo e aleatório 41 - Emanuel Lomelino
Diário do absurdo e aleatório
41
Nesta loucura de mim, reflexo das piscadelas de olho dos meus (apurados?) sentidos, cravo todos os verbos auxiliares de memória e construo uma história sem futuro, mas intemporal.
Como criador que sou (e me sinto?) abro o kamasutra de possibilidades ilimitadas do estro (se o tenho!) e desenho a inconveniente postura de um adjectivo concreto, para expurgar o iodo das sentenças enfermas e, assim, eliminar a linha condutora dos raciocínios exactos que me invadem.
Enquanto autor de incoerências e paradoxos redundantes, mergulho na liquidez de um pensamento firme e dou-lhe características plásticas, como quem mastiga a dor de uma revelação insonsa - de cuja falta de encanto pode germinar a frase mais contundente e acintosa.
Há propósito nos casamentos que imponho às palavras porque de nada servem as solteiras, prenhes de solidão gramatical e mais susceptíveis ao embuste e ao narcisismo.
Acredito na desformatação das fórmulas e no aniquilamento do óbvio (advérbios e derivações!) em detrimento – que não substituição – dos recursos assessórios, que não os simples e básicos, porque essenciais e necessários.
Creio na encriptação metafórica e na irónica exploração dos verbos regulares, como quem personifica uma multitude de gestos comprometedores.
Por isso, todos os meus textos podem ser explicados numa única e definitiva frase, quando não por apenas uma singela palavra.
EMANUEL LOMELINO
Emma Everston (excerto 5) - Ernesto Moamba
Peabiru (excerto 17) - CARLOS DOMINGUEZ
domingo, 20 de agosto de 2023
Diário do absurdo e aleatório 40 - Emanuel Lomelino
Diário do absurdo e aleatório
40
Ao contrário de todos os outros sentimentos, acho que o medo ainda me espera no inesperado.
Não tenho medo de répteis, roedores ou gosmas, apenas asco e repugnância. Não tenho medo de agulhas, ou outros instrumentos pontiagudos.
Não tenho medo da solidão porque a procuro. Não tenho medo do vazio porque me preencho. Não tenho medo do escuro porque me atrai. Não tenho medo de gritos porque os ignoro. Não tenho medo de falinhas mansas porque desconfio. Não tenho medo de traições porque as sinto. Não tenho medo da desilusão porque prevejo. Não tenho medo do futuro nem da morte porque os desconheço.
Não tenho medo de monstros, bestas, feitiços, crenças, seitas ou outras criações fantasiosas da humanidade porque também as sei criar.
Tenho vertigens, mas nunca me recuso subir ao penhasco mais alto e íngreme porque sou combativo mesmo sentindo angústia e desconforto.
Dizem que o medo dá arrepios, também a febre. Dizem que o medo faz tremer, também o frio. Dizem que o medo faz suar, também o ginásio. Dizem que o medo deixa a garganta seca, também a sede. Dizem que o medo dá nós no estômago, também a fome. Dizem que o medo gera apreensão, também a pobreza. Dizem que o medo causa ansiedade, também as drogas. Dizem que o medo acorda os sentidos, também o sexo. Dizem que o medo origina desconfiança, também a política. Dizem que o medo provoca lágrimas, também a cebola. Dizem que o medo assusta, também eu.
EMANUEL LOMELINO
sábado, 19 de agosto de 2023
Diário do absurdo e aleatório 39 - Emanuel Lomelino
Diário do absurdo e aleatório
39
O meu modo de criação é distinto e dá-me imenso trabalho, porque sou um autor estranho.
Leio uma frase, escuto uma conversa, oiço uma música, vejo uma imagem, e logo acende-se em mim uma estranha necessidade, impossível de controlar, de desenvolver a ideia.
Estranhamente, chamo os meus vizinhos dicionários, sondo verbos, adjectivos e substantivos, estudo sinónimos e antónimos, examino advérbios e pronomes, pesquiso significados e curiosidades, enfim, faço trabalho de laboratório. Experimento conceitos, construo frases, burilo daqui, pinto dali, desenho acolá, escrevo e reescrevo até que o texto me informe da sua disponibilidade para ir ao forno, secar a tinta e temperar o aço que o sustenta. E espero…
Espero que o sujeito – meu ortónimo (mais estranho que eu) – decida se deve ou não divulgar o que escrevi. Quando há aval positivo, ele pré-agenda e tudo fica em suspenso, até à data de publicação.
O processo faz com que exista uma grande distância temporal entre o dia que vê nascer o texto e o momento em que lhe é dado sentir a luz da visibilidade.
Este texto, escrito hoje, certamente só terá leitores daqui a um mês, ou mais. Ou devo dizer: este texto que escrevi há um mês, ou mais, só está a ser lido hoje.
Seja qual for a forma correcta de expressar a ideia, de uma coisa tenho certeza: por causa do pré-agendamento, dependendo do ritmo de criação, só saberão da nossa morte – minha e do ortónimo obsessivo-compulsivo – meses depois de acontecer. E isso será um estranho prolongamento da nossa vida. Uma espécie de imortalidade temporária.
EMANUEL LOMELINO
sexta-feira, 18 de agosto de 2023
Diário do absurdo e aleatório 38 - Emanuel Lomelino
Diário do absurdo e aleatório
38
O útero foi fecundado, num ato de amor casto e inocente, com a esperança de ser a génese de uma nova realidade, plena, lúcida, feliz.
Mas os conceitos embrionários não têm correspondência nas atitudes progenitoras. Todas as regras criadas são apenas para enfeitar. Os princípios morais não são para seguir. Os novos hábitos e comportamentos são meras figuras de retórica. As imposições jamais se cumprem. O respeito exigido não se dá. E a cegueira do obstetra de serviço impede que se diagnostique uma gravidez de risco.
Quando
o parto acontece, todos aplaudem e celebram o rebento. Ninguém duvida da
paternidade, mas também não reconhecem os traços da ascendência. Instala-se um
silêncio inquisitivo e uma ânsia contempladora, mas há felicidade nos rostos.
A inocência infantojuvenil depressa se transforma em arrogância e prepotência, de forma tão natural quanto previsível. Dizem que é sinal dos novos tempos e, com o contágio da cegueira obstetra, vai-se alimentando as bizarrices do pequeno adulto.
Agora multiplique-se por toda uma geração e, pasme-se quem quiser, temos o sucessor do homo sapiens. Um inútil, sem interesse no passado, dependente e sem rumo, criado na ilusão dos novos tempos, em que todos são vencedores e os reis são aqueles com cabelo cor de açafrão ou colorau, maquilhados com filtros virtuais, donos de canais de TikTok e que questionam a utilidade de se ter inventado a gravidade.
Não escrevo mais nada porque ainda me cancelam.
EMANUEL LOMELINO


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