domingo, 16 de julho de 2023

Peabiru (excerto 10) - CARLOS DOMINGUEZ

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Momento de encantamento. São agora umas quatro horas da tarde. Já estive neste local antes, mas não trazia na minha mente esta vida que hoje me move. E nunca havia estado aqui com o local absolutamente vazio. Somente os pássaros estão na catedral em ruínas. Os pássaros e três guardas que buscam sombra para esmorecer o calor insuportável ao sol. Mais de 42 graus. No imenso gramado verde, da portaria até o prédio da catedral, uma caminhada me oferece o raro vazio e tranquilidade em um local turístico.
Estamos ali Álvaro, eu e três guardas. O céu azul com a perspectiva de tormenta no fim do dia. O vento norte bufa quente. Quando chegamos, porém, na frente da igreja em ruínas, buscando a sombra das paredes, uma inexplicável sensação de frescor me paralisa. Silêncio nas paredes de arenito cor de barro. Apenas um cachorro late na vila ao lado do sítio arqueológico. A torre do sino, feita de tijolos imensos, tem três pavimentos, com 34 palmos de altura. A mente viaja.

EM - PEABIRU - CARLOS DOMINGUEZ - IN-FINITA

sábado, 15 de julho de 2023

Diário do absurdo e aleatório 4 - Emanuel Lomelino

Diário do absurdo e aleatório

4

Erradamente, supôs-se que a vida seria uma simples equação matemática. Mas alguém, fraco no domínio da álgebra e apenas conhecedor dos números inteiros, enganou-se nos cálculos por não contemplar décimas, fracções, ou raízes quadradas.

Supostamente, a vida deveria ser um segmento de recta. Todos a partirem de um ponto A para chegarem, linearmente, a um ponto B. Mas alguém, fraco em geometria, olvidou a existência de círculos, triângulos, quadrados, etc. Tampouco conhecia ângulos, senos, cossenos, tangentes, catetos e hipotenusas.

Na verdade, de nada nos serve sabermos fazer cálculos avançados ou trigonométricos porque a complexidade da vida ultrapassa todas as ciências.

Para facilitar as coisas, pensemos na vida como uma enorme espiral irregular que contradiz todas as teorias conhecidas.

As contas nunca batem certas, os ângulos estão sempre errados, e as figuras geométricas têm formas difíceis de entender ou identificar.

Bem vistas as coisas, só o ponto de partida A e o ponto de chegada B são os elementos reais da equação da vida, tudo o resto são incógnitas disformes.

EMANUEL LOMELINO

sexta-feira, 14 de julho de 2023

Diário do absurdo e aleatório 3 - Emanuel Lomelino

Diário do absurdo e aleatório 

3

O tempo passa no seu ritmo célere e eu sei que não consegui dar todos os passos que devia. Por vezes ponho-me a pensar se não ocupei mal o tempo que me foi concedido. Acredito ter deixado passar algum sem lhe ter dado o devido uso. Tempo perdido e mal aproveitado.

Os dias sucedem-se a galope do tempo e eu deixo-me ficar apeado sem saber o que fazer, o que dizer, o que realizar, mantenho-me quieto no meu canto sem perceber que estou a perder o meu tempo.

Mesmo não sendo saudosista acontece-me em muitos momentos desejar que o tempo recue e me dê uma nova oportunidade de fazer algumas coisas que deixei de fazer por falta de tempo ou por não ter sabido aproveitá-lo.

E penso no tempo que deixei escapar entre os dedos, em tudo o que devia ter feito e não fiz, no que deveria ter dito e não disse, no que poderia realizar e não realizei. E assim dou por mim a pensar no tempo que se foi e esgota sem perceber que ao pensar no tempo que perdi continuo a perder tempo que podia utilizar para fazer, dizer e realizar as coisas que não faço, não digo e não realizo por falta de tempo e por não o saber aproveitar.

O mesmo é dizer que pensar no tempo que perdi continua a ser uma perda de tempo.

EMANUEL LOMELINO

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Diário do absurdo e aleatório 2 - Emanuel Lomelino


Diário do absurdo e aleatório 

2

O dia voou-se-me pelos dedos com a fúria premeditada de lâminas rombas. As mãos choraram desconforto enquanto a alma – essa eterna chaga tresmalhada – regozijou-se por não ser corpórea e celebrou a sua indiferença ao beliscar do físico.

Os segundos latejaram-me na pele; os minutos picaram o ponto; as horas cauterizaram os sulcos, infamemente, enfaixados com gaze inexistente. E ela – a alma arredada de empatia – manteve-se fiel ao seu umbigo narcisista.

A tarde sucedeu à manhã, como é habitual nestas coisas do tempo, e a cada tique-taque da ampulheta moderna mais rugas decidiram enfeitar-me a derme irritada de poeira e sedenta de tréguas. Da outra – a alma desgarrada de afinidades – nem um sopro refrescante de interesse ou sinal de afectação.

Foi apenas mais um dia que passou. O corpo ganhou umas quantas medalhas por continuar a superar etapas, enquanto a alma – vilã de si mesma – permanece na ignorância de que nada, nem ninguém, é imune à passagem do tempo e que este também se lhe aplica.

EMANUEL LOMELINO

O abismo (excerto 15) - CARLA SANTOS

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Em paralelo, a minha mente anda a testar uma tese... Tenho tido umas visões estranhas, sonhos loucos e sem resposta ou sem nexo para este mundo...

– Será que existem mesmos portais do tempo???

– Moinho do Penedo... Moinho do Penedo... Ora bem... deixa cá ver no pesquisador o que pode ser... talvez se colocar Penedo porque moinhos há muitos... vejamos... nada?!

Então e se for localidades? Vá lá... vá lá... Penedo Colares... Penedo S. Domingos de Rana... Penedo das Amizade, Sintra... Penedo de Lexim, Igreja Nova...

Assim não vou longe!... pensa... tantos Penedo... a sério... e agora?

Moinho do Duque... situado em Penedo Torres Vedras... será este?

Huuummm a aldeia é histórica... uma antiga Vila Romana... interessante... dois moinhos: o do Duque em bom estado e o moinho do Balofo meio em ruínas... entre eles um trilho militar... tenho que ir até lá... sábado... sim é isso.

EM - O ABISMO - CARLA SANTOS - IN-FINITA

quarta-feira, 12 de julho de 2023

Diário do absurdo e aleatório 1 - Emanuel Lomelino

Imagem pthometalk

DIÁRIO DO ABSURDO E ALEATÓRIO 

1

Os dias tecem-se como macramé. Entrelaçam-se os nós à velocidade dos ponteiros, e a estética nunca é ditada pelo tecelão, mas sempre pelos fios do tempo. Os minutos são franjas e as horas urdem-se de forma aleatória, porém harmoniosa.

Hoje teci um dia pardo, entre refeições. Quis Aracne – deusa do ofício –, de porte altivo, como todas as divindades devem apresentar-se, que o padrão das pausas, para descansar as mãos doridas de tantas agulhadas, fosse obtuso, contudo geométrico. E os desenhos de mais um dia ficaram-me tatuados na pele.

A minha sorte é ter esta obsessão redundante pela etimologia das palavras e descobrir que, ao contrário de todos os “dejá vu” deste dia, macramé não tem origem francesa, antes árabe “migramah”, ou talvez do turco (língua aliada) “miskrama”.

Seja como for, assim que a noite se predispuser a embalar-me as escaras, enrolar-me-ei na tecelagem deste dia e dormirei na certeza de que na próxima alvorada serei artesão de outra arte qualquer.

EMANUEL LOMELINO

Caso 40 (excerto) - DALMO MEDEIROS

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Minha sede de cantar nunca está totalmente saciada. Estou sempre procurando um jeito de cantar, seja o que for, seja onde for. Assim como na Bahia, fui contemplado com o brilhante Grupo Dendê Diet, no Rio recebi de prêmio o Grupo OuroBa. Essa é uma história super interessante.

Numa tarde da semana, recebi um telefonema de um grande amigo, o cantor baixo Symo. Ele havia saído de um outro grupo vocal, o BR6, grupo que tinha feito shows pela Europa e com discos gravados.

Ele tinha em mente, montar um grupo vocal para cantar música brasileira. Inicialmente, já tinha convidado a arranjadora e maestrina Celia Vaz, com quem tive contato nos tempos da Pró-Arte, Marianna Leporace, irmã da Gracinha Leporace, esposa do grande Sergio Mendes, Vicente Nucci, irmão do cantor Claudio Nucci (ex-Boca Livre).

EM - ESTAVA ESCRITO NAS ESTRELAS - DALMO MEDEIROS - IN-FINITA

terça-feira, 11 de julho de 2023

Peabiru (excerto 9) - CARLOS DOMINGUEZ

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Após a explicação das sementes, o cacique Floriano vai dando por encerrado o rápido encontro. Indago a ele sobre o Caminho do Peabiru e a Terra sem Males – Yvy Mãrey. O cacique me olha bem nos olhos, silencioso. Não explica nada. Volta a dar a conversa por terminada. Como não estava nem um pouco satisfeito, busco despertar sua atenção novamente. Conto a ele que meu pai era nascido no Paraguai, na cidade de Coronel Bogado. Este assunto lhe devolve o entusiasmo.
– O pai dele é de Bogado, Marcelo! Nasci no Paraguai. Andei por muitos lugares. Agora estou aqui para não deixar nossa cultura terminar. Por isso converso com meu filho e com nossas crianças dos nossos costumes. Marcelo já sabe. E vai levar adiante para seus filhos. O modo do guarani não é o do branco. A gente não quer dinheiro. A gente quer viver e fazer nossa roça para ter comida. Do modo guarani. O guarani não faz guerra, é de outro costume. A gente planta a nossa semente. É outro viver. A gente vive bem, a gente faz outra cultura. A gente ensina as crianças, fala de como ter a nossa cultura, a língua guarani – explica Floriano com entusiasmo.

EM - PEABIRU - CARLOS DOMINGUEZ - IN-FINITA

Matriz de Santo Antônio (excerto) - TEREZINHA PEREIRA

E-BOOK GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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“Esta igreja começou a ser construída em 1710, no lugar de uma pequena capela. Naquela época começava a grande corrida dos tropeiros vindos de diversas colônias portuguesas no Brasil, em busca de ouro e pedras preciosas. Em 1723, Tiradentes, então conhecida como Vila de São José do Rio das Mortes, possuía 78 lojas e vendas e 3.801 escravos. Em 1729, já possuía 5.419 escravos, 106 vendas e 17 lojas. As primeiras informações a respeito desta igreja estão situadas entre 1730 e 1740. Sabe-se que a sua construção durou muitos anos, tendo começado pela capela-mor. Somente algum tempo depois lhe foi acrescentada a nave. Há registros de que a parte do coro foi feita em 1736. Mesmo que muita gente pense diferente, senhores, estejam certos de que este é o templo mais belo do Brasil. Vejam, seu interior é surpreendentemente grandioso. A obra de entalhamento do altar, a decoração das paredes da capela-mor e do arco do Cruzeiro são de autoria de João Ferreira Sampayo. Os lampadários de prata, os sinos e a ferraria foram instalados somente em 1760 e vieram do Rio de Janeiro. Vamos ao altar principal. Veja a imagem do orago da Matriz lá no alto, o Santo Antônio. Um pouco abaixo, vemos a imagem de São José, que é o padroeiro da cidade. O teto deste altar-mor recebeu pintura a ouro de arabescos florais, que lembram os templos da China e da Índia.”

EM - TRINDADE - TEREZINHA PEREIRA - IN-FINITA

Enfim, meu irmão chegou! (excerto) - ANGELA RODRIGUES

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Até 1960, mamãe não tinha tido o filho homem que tanto esperava! Na família existia a crença que “menina dá mais trabalho do que menino”. Diziam que meninos eram mais livres, se viravam sem dificuldades como as delas. Imagino o quanto isso a frustrou.

Ela com 27 anos e chega o Roberto, pequenino, prematuro de sete meses, de cesariana e dois quilos e pouco, mas nasceu. Ficamos muito felizes! A excitação foi tão grande que papai enviou cartões para o “mundo inteiro” com dizeres no encarte em balões coloridos: “Verinha e Sergio mandam dizer que Roberto nasceu no dia 5 de setembro de 1961!”.

O nome Roberto foi uma homenagem ao meu avô paterno. Ele, como todos diziam, “parecia um rato” de tão pequenino e feio. Mas era homem e ficamos muito felizes. Não me lembro de nós, irmãs, sentirmos ciúmes dele. Gostávamos de cuidar dele e o tratávamos como filho. O que guardei foram os choros incessantes dele, depois do almoço. Mamãe resolveu seguir a educação infantil moderna que recomendava a criança ficar sozinha no berço e aprender a conviver com a frustração sem a presença constante da mãe, para não “estragar” a criança.

EM - OS CAMINHOS DA CURA - ANGELA RODRIGUES - IN-FINITA

sábado, 8 de julho de 2023

O abismo (excerto 14) - CARLA SANTOS

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Temos três casos de abuso sexual de menores por membros da Igreja Católica que também foram recrutados, hoje chamam-se: Muhammad que na altura da denuncia tinha 11 anos, Said com 14 e Ihab com 10 anos. Todos da mesma paróquia, mas que após investigações e julgamentos que acabaram sempre por ser encobertos pelo patriarcado e a Santa Sé... o pároco apenas foi transferido para outra paróquia e continua a sua vida sem que nada se tenha passado. Até agora não existem mais queixas dele, veremos se as há ou não... O povo cala-se, pois, a Igreja é sinónimo de pureza, de virtude, de apoio, confidência e respeito... isto na teoria... pois na vida real tudo muda e nada disto é verdade. Apenas uma mera ilusão em que o mundo tem vivido ao longo de séculos.
Os meninos apenas se tinham uns aos outros... os pais tinham vergonha e calaram-se, pois, o poder da igreja era e ainda é muito. Penso que já se arrependeram, pois, os filhos fugiram para não serem gozados e injuriados pelos amigos e vizinhos... diziam que era impossível o Padre João ter feito tal coisa, era tão amigo de todos, tão bom e ajudava sempre quem precisava. Deste modo mais uns que se autoproclamam islamistas. Estão em parte incerta neste momento.

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sexta-feira, 7 de julho de 2023

Caso 38 (excerto) - DALMO MEDEIROS

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A mediunidade numa pessoa, pode ser desenvolvida de diversas formas. A informação me chegou por diferentes guias espirituais. Tive a sorte de estar aberto, suscetível, até posso dizer, aguardando uma sinalização, devido aos fatos que acontecem na minha vida de forma repetida. Estou sempre alerta para leituras subliminares dos fatos que me acontecem. Percebo que, quando me disseram que eu traria boas energias para aquelas pessoas que se aproximavam de mim com boas intenções, decidi ficar atento a todas as pessoas que me cercavam.

Uma dessas pessoas, que tinha contato próximo a mim, passava por momentos difíceis na vida. Eu o via constantemente reclamando de fatos que não se completavam no trabalho, ações perdidas quando estavam na “frente do gol” para acontecer. Ele veio a mim com esses problemas. Nessa época, eu visitava com certa constância, uma espírita, Dona Elsa, já mencionada aqui antes, que recebia uma Vovó Cambinda de Aruanda.

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quinta-feira, 6 de julho de 2023

Peabiru (excerto 8) - CARLOS DOMINGUEZ

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O calor missioneiro era abrasador, na casa dos 42 graus. O cacique guarani conversa sobre sementes de milho e a agricultura guarani. O local estava fechado para brancos por conta da pandemia de Covid-19, mas o cacique concorda em nos receber no portão da área onde fica um acampamento provisório para apenas duas famílias. A maior parte da tribo está em outra região ali perto, comandados por um dos filhos de Floriano, um homem de 55 anos, baixo, forte, de mãos ásperas por lidar com a terra e plantar sua comida.
– O guarani não precisa de muita terra pra plantar. Não é para dar dinheiro. É para ter comida. Plantamos no nosso sistema. Milho, batata, feijão, mandioca e amendoim. Temos as nossas sementes. Fazemos do nosso jeito, sem veneno. E não precisamos de muito. Isto o branco não entende. Guarani não faz o mal para os outros. Se damos nossa palavra, tá feito o compromisso – fala com calma o cacique, envergando uma camiseta do Grêmio Foot-ball Porto Alegrense, calções e chinelos de dedo no assentamento da Linha Paraíso, limite da área urbana de Santo Ângelo.

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O Universo sempre conspira a favor! (excerto) - ANGELA RODRIGUES

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Incrível como essas visualizações se assemelham ao que eu usava nas ressonâncias! Volto à PNL porque há anos uso uma técnica com o foco no futuro e quando me transporto mentalmente para lá posso e identifico as crenças e as habilidades que preciso para me empoderar e chegar ao presente. Essas técnicas são maravilhosas! É a que uso para ficar uma hora e vinte no buraco da ressonância magnética. Ao sentir medo no tempo presente vou para o futuro ou para o passado, me sinto feliz e tranquila.

Por outro lado, eu precisava ir além! Foi quando, do nada, me deparei com uma palestra no Youtube do Dr. David Hamilton, químico orgânico P.H.D: “O acreditar muda a biologia”. Ele relatou vários exemplos de pessoas que se recuperaram do câncer nas sessões de quimioterapia, imaginando peixinhos-piranha destroçando e mordiscando os tumores.

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terça-feira, 4 de julho de 2023

Augusta (excerto) - ROSALINA VAQUEIRO

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Augusta tinha namorados, um em cada esquina. Dava trela a uns e a outros, porque era alegre, moça nova e sabia que os homens a olhavam com ar cobiçador. Gostava de brincar, divertir-se. Ora, se não for agora quando será? Quando for velha e caquética?
Ti Felisbela cascava nela dia sim, dia sim.
– Tem tento nessa cabeça estovada, rapariga, qu assim na vais a arranjar marido. Passas das mãos dum pas mãos doutro, opois ninhum te quer! Inda cais na má vida qu eu bem vejo o que acontece cas outras. Poe os olhos na filha da ti Rosa do Profiro da ófecina. Aquilo era uma mocetona tã bunita qu’inté é uma dor d’alma andar prai a perder-se nas esquinas nessas noites da cidade.
Mas um coração vadio também bate e o de Augusta tinha um segredo – Artur, esse marinheiro musculado, curtido e bronzeado por dias de mar, com uma lábia de enrolar a todas, derretia aquele coração vadio. Um abraço de Artur e o chão fugia, a terra girava, o mundo desaparecia. Só ele tinha aquele sussurrar aos ouvidos, enquanto roçava a barba ruiva na cara corada dela e o seu nome dito daquele jeito que mais nenhum sabia dizer, naquela voz quente de bagaço e tabaco:
– Agusta, Agusta…. Tu és só minha, nha Agusta.

EM - EXPRESSÃO - COLETÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 3 de julho de 2023

O abismo (excerto 13) - CARLA SANTOS

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Infelizmente essa família levou-o e não o deixou regressar, saiu do país para Marrocos e de lá para a Síria onde foi recrutado num dos campos de treino militar especial Jihadista, onde tudo o que jogara no PC passou a ser real… matou a sangue-frio, sem um pingo de misericórdia ou arrependimento. Movido pela revolta, pela raiva, e depois pela lavagem cerebral que lhe deram com o Alcorão, até o nome mudou... agora chamava-se Habib, pois tinha um simbolismo especial para ele e significava “muito amado”, coisa que sempre quis.
Sabemos que António, ou Habib, está ainda por terras sírias e não entrou em território nacional desde há 3 anos, quando de cá partiu.

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domingo, 2 de julho de 2023

Caso 37 (excerto) - DALMO MEDEIROS

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Em 2006, mês de janeiro, normalmente um mês de acumulo de pagamentos, impostos, material escolar, taxas diversas e cartão de crédito estourado pelas compras natalinas. Sempre foi um mês complicado. Tudo era mais que contado na ponta do lápis, porque o mês de fevereiro, ainda no verão, tem Carnaval, férias, tudo embola mais ainda as finanças. Nesse ano aconteceu algo que nos aliviou bastante no bolso.

Fui ao cinema com Angela para assistir a uma comédia brasileira, o filme “Se eu fosse você 2”. O primeiro tinha sido um sucesso. O irmão de Angela, Roberto Rodrigues, estava casado com a Produtora de Cinema Iafa Britz, excelente produtora que controlava praticamente toda a produção executiva do cinema nacional. Roberto ganhava convites para as sessões de estreia dos filmes que Iafa produzia, e sempre distribuía na família os convites promocionais dos filmes em lançamento.

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Eu danço (excerto) - PATRÍCIA LEITE

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Eu danço para me conectar com o pulsar de minhas células.
Para manter acesa a chama da alegria dentro de mim.
Para me manter conectada àquela menina cheia de sonhos e fantasias que adorava rodopiar sobre a grama, com os pés descalços no chão, os cabelos soltos ao vento, gargalhadas no rosto e as mãos na saia a levantar.
Eu danço pra me manter em mínima sanidade mental.
Para tentar controlar um grito que da minha garganta está a ecoar.
Um grito de desespero por liberdade e prazer. Um grito pra dar vazão à enorme raiva que reside dentro de mim.
Para marcar território e estabelecer limites.
Eu danço para sentir a minha autenticidade e imensidão.
Para perceber a grandeza de quem me tornei e continuo me tornando.
Para expandir a minha respiração, olear as minhas articulações e lubrificar as minhas zonas de prazer.

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sábado, 1 de julho de 2023

Minha carruagem virou abóbora (excerto) - ANGELA RODRIGUES

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Juro que achei que sairia do hospital para a vida normal instantaneamente! Tinha só que viver e me resgatar pouco a pouco! Só que a realidade não mudou, acredita?!!! As dores e a fragilidade se mantiveram e voltei pra bolha. Nem pensar em trabalhar, muito menos viagens… etc. Sair da bolha seria ainda um processo gradativo e adaptativo.

Como ser uma nova pessoa? Será que zerei as toneladas de tralhas e elas ficaram para trás? Entendi que nem todas… A ficha caiu quando constatei que restavam pedregulhos, pedrinhas e travas a serem revistas e dissolvidas para eu me sentisse free again!

Também não tinhas ideia que eu tinha zerado minhas vacinas aplicadas a vida toda e no autotransplante voltei à proteção imunológica zero. Para simplificar, eu precisava me vacinar de todas essas doenças e das atuais, da BCG à febre amarela ainda não liberada!!!

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Peabiru (excerto 7) - CARLOS DOMINGUEZ

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Markun buscou por anos a reconstituição da vida de Álvar Núñez Cabeza de Vaca, um dos mais singulares conquistadores espanhóis. Buscava a Flórida e naufragou. Buscava o império Inca e não o encontrou. Foi traído por seus desafetos no povoado que seria Assunção, hoje capital paraguaia e, posto a ferros, foi enviado para Espanha para ser julgado por traição. Markun pesquisou os manuscritos do julgamento na corte espanhola e entendeu os motivos de Cabeza de Vaca para ter produzido um dos livros mais citados por quem faz referências ao Caminho do Peabiru.
– O livro “Naufrágios e Comentários" foi uma defesa do conquistador para a corte espanhola, para justificar seus atos. Narra dois momentos muito distintos e tempos diferentes na atribulada vida deste sujeito ímpar. Em sua primeira viagem, Cabeza de Vaca passou a ser considerado um curandeiro que ressuscitava até os mortos. Lá, ele viveu um transe místico junto aos nativos. E passou a ter respeito pela vida dos que acabaram salvando a sua. Isso fez dele um explorador muito raro. E os livros que escreveu para fazer suas reivindicações colocaram-no na história – explica o jornalista.

EM - PEABIRU - CARLOS DOMINGUEZ - IN-FINITA