Prezado Friedrich
Juro
que, apesar de dissertar múltiplas vezes sobre esta temática, não tenho
obsessão pela morte. Simplesmente, acho fascinante discorrer os pensamentos pelas
questões que a ela estão, de alguma forma, associadas. Principalmente o medo.
Aliás, creio que, exceptuando alguns filósofos com discursos de índole
religiosa, a esmagadora maioria dos pensadores vê o medo da morte como um dos paradoxos
mais naturais, mas também ridículos, da humanidade.
Para
Epicuro: “A morte é apenas a ausência de sensação, logo, não deve ser temida”.
Para
os estoicos: “A morte é passado e futuro, e o medo dela impede de viver
plenamente o presente”.
Para
os existencialistas: “A consciência da finitude é o que dá sentido à vida”.
Na
minha visão, vale o que vale e até posso vir a mudar de opinião, não existe
medo da morte. Aquilo que há, dentro de quem diz sentir medo da morte, é, na
verdade, medo de sofrer na hora da morte. Ninguém, em perfeito juízo, pode
sentir medo de algo que desconhece e sobre o qual nada mais se sabe para além
da certeza de ser o fim da vida, tal qual a concebemos e entendemos. Contudo,
todos sabem que a maioria das mortes comporta um final doloroso, angustiante,
lento e até violento. E é disso que a humanidade tem medo; da dor, do
sofrimento, da angústia, da incerteza, enfim, da espera.
Não existe medo do desconhecido, há apenas medo do que se conhece. E para combater esta realidade, Friedrich, na tentativa de desmistificar o medo da morte, estou inclinado a prescrever a sua fórmula: “O que não me mata, fortalece-me”.
Pensativo
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