sábado, 12 de abril de 2025

Prosas de tédio e fastio 27 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

27

Não me impinjam pessoas de utópicas esperanças, grávidas de vertigens fúteis e especializadas em esturjão. Prefiro o cheiro destas páginas – genéricas das tertúlias de Montmartre – que são como geniais pautas de tangos tropeçados nos pátios da Graça, perfumados a arroz de cabidela.

Não me imponham falsas marés de fortuna, com suas ondas de fama adquirida ao preço de vénias heréticas. Prefiro o anonimato sombrio destas salas de papel reciclado, que pululam nas inúmeras Varsóvias lusas que tresandam a tabaco contrabandeado.

Não me poluam com essas histórias imberbes sobre a importância dos lugares-comuns e dos matizes de um arco-íris furtuito. Prefiro a policromia cega da consciência popular que se traduz no linguajar das guitarras harmónicas que decoram as tasquinhas e pedem cálices de ginjinha e sangria.

Não me peçam para ser contranatura e renegar José Régio. A ironia cansada dos meus olhos arrasta-me, com meu consentimento, pelos loucos caminhos da individualidade. E sigo, passo a passo, com o bolso carregado de verdades minhas e algumas de Botto, O’Neill, Ary e Ruy Belo.

EMANUEL LOMELINO

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Prosas de tédio e fastio 26 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

26

Acordo com a melodia cadenciada de chuva tocada a vento, que beija a janela do quarto. Recolho-me no conforto quente dos lençóis de linho e sinto a frescura gélida da mão esquerda que havia-se rebelado, pernoitando no lado externo do edredão. Recuso olhar o relógio.

Oiço o som inconfundível de borracha a deslizar na água, deduzo a passagem de um carro elétrico e a quantidade de precipitação acumulada na estrada. A iluminação da rua permite-me ver a sombra dos ramos, da Tília-de-folhas-grandes ainda despida pelas estações, e a corrida irregular das gotículas que deslizam na janela. Recuso olhar o relógio.

Os sons invernais recuam-me os pensamentos até ao início da adolescência, cerro os olhos, enrolo-me nas dores de meio século, e deixo-me cair num sono modorrento e nostálgico.

Mais um carro que passa. E outro. E outro. E a estridência do despertador mata-me a inocência de um sonho breve, retornando-me à realidade de mais um dia de tormenta – não só climatérica – porque a poesia é fado e infortúnio.

EMANUEL LOMELINO

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Prosas de tédio e fastio 25 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

25

O discernimento vem com a idade e é nesse momento que as epifanias brotam como água em fonte inesgotável.

O trigo já aparece separado do joio; os coxos são mais esguios do que os trapaceiros; as duas faces das moedas são indisfarçavelmente distintas; todos os bois, além de nome próprio, também têm apelido, proveniência e intenções patenteadas; as utopias e os dogmas perdem importância; as sombras esbatem-se; os brilhos deixam de ofuscar; a lucidez é rainha; o medo é bobo; a vida é um fiapo de tempo; a morte é uma inevitabilidade e continua a ser um mistério.

Mas toda esta perspicácia às vezes fere. É uma quase automutilação. Vil, sanguessuga, vampiresca, medonha, assustadora. E dá vontade de saber menos do que na adolescência, ser inconsequente, inanimado, como uma página ingenuamente branca.

EMANUEL LOMELINO

Na epístola (excerto 2) - Rose Pereira

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Antes, porém, preparei para que meu bebê não se desesperasse. Dei a ele medicamentos suficientes para garantir um sono demorado ou, pelo menos, que lhe fizessem acalmar até que fôssemos encontrados. Não pretendia levá-lo comigo. Esbocei um destino melhor na carta de despedida que deixei em cima do balcão da sala.
Meu pequeno, no entanto, atordoado, levantou-se da cama antes do tempo previsto e veio acomodar-se entre o piso e o meu corpo ainda morno. E adormeceu.

EM - ESTAVA ESCRITO - ROSE PEREIRA - IN-FINITA

quarta-feira, 9 de abril de 2025

Prosas de tédio e fastio 24 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

24

Arrasto-me pelos dias, cada vez mais sombrios, com um saco de incómodos às costas, um cigarro mal prensado nos lábios, e os olhos cegos ao desconforto.

Com os pés treinados nas caminhadas sem rumo, testo a firmeza das cordas bambas, prescindindo de artes circenses para encontrar equilíbrio e estabilidade. Basta-me olhar o vazio para que os passos soem a trotes melodiosos sem lugar a sinfonias orquestradas.

Subo escadas intermináveis pousando apenas os calcanhares para não acordar os calos do dedão, enquanto mantenho as mãos ocupadas a transportar os bisturis que me laceram, como finalistas a praxar caloiros.

Depois, fico horas a deambular entre o conformismo idiota e a revolta silenciosa, como estivesse a preencher puzzles de Sudoku, só para passar o tempo até chegar a altura de recolher-me e purificar-me nas palavras – a única droga que consegue anestesiar-me o âmago.

EMANUEL LOMELINO

Tudo sob controle (excerto 2) - Daniele Rangel

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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É óbvio que ele se levantou. Um tanto contrariado, mas se levantou. Tinha se dado por vencido. A mãe não desistiria. Quando colocava uma coisa na cabeça, não tinha jeito. Foram para o quarto do bebê, a mãe sentou-se na poltrona para fiscalizar o trabalho do pai. Pois é, leitor, se a mãe sofre com as contrações, com os enjoos, com os hormônios… os pais também têm seus sofrimentos. Nesta quase meia-noite, o sofrimento era montar uma banheira.

EM - TUDO SOB CONTROLE - DANIELE RANGEL - IN-FINITA

terça-feira, 8 de abril de 2025

Prosas de tédio e fastio 23 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

23

Este sentimento de desadaptação está costurado no meu âmago desde sempre. Lembro-me de, em criança, muito pequeno ainda, sentir-me deslocado no tempo, como se a cegonha tivesse ficado retida num engarrafamento de décadas provocado por uma paralisação dos serviços administrativos aéreos da Natalidade.

Esse atraso na entrega fez com que eu só visse a luz do dia bem mais tarde do que seria suposto. Pelo menos, valha-nos isso, o tempo de traslado é independente do de gestação, caso contrário eu teria nascido mais velho do que a Sé de Braga.

Tirando esse detalhe do desacerto temporal, não tenho mais nada a colocar no livro de reclamações. Os movimentos de rotação e translação dão-me os dias, as noites e as estações. A gravidade não me deixa flutuar – isso é óptimo para quem tem vertigens -, o céu varia entre o azul e os tons cinzentos, o mar anda entretido com os seus humores e marés, tanto a fauna como a flora são incríveis. Enfim, é tudo tão perfeito que a única coisa que posso reclamar da vida é estar aqui no tempo errado.

EMANUEL LOMELINO

Tenho tantas saudades tuas (excerto) - Rosa Fonseca

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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O sol tinha acabado de se esconder no horizonte e tu, aqui comigo, na sombra ténue das palmeiras, acolhes os gestos e as palavras que entremeiam a tua inquietação, como quem acolhe o destino e vai pela noite largando a tristeza. E contas-me então das saudades e da falta que ele te faz. Dos telefonemas a meio da tarde e ao deitar. Dos passeios pelas alamedas ladeadas de flores amarelas. Os finais de tarde eram sempre apetecidos.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - COLETÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Epístolas sem retorno 29 - Emanuel Lomelino

Edgar Allan Poe
Imagem pinterest

Caro Edgar,

As gárgulas, empoleiradas no negrume dos telhados, choram lágrimas de pó quando atestam, com notório desgosto nas faces grotescas, a perversa iniquidade dos, autodenominados, vates modernos.

Há, nas suas bizarras feições, untadas de raiva incontida, laivos de tristeza pagã e réstias de soturnidade, que resultam dessa fanfarronice egocêntrica que, sabe-se lá por quê e em nome de quem, é característica indissociável dos neo-versejadores.

Longe vão os tempos em que as palradoras estátuas de pedra rejubilavam com as góticas criações dos nobres e genuínos artesãos das palavras. Hoje, por mais esforços hercúleos que façam, dificilmente encontram diversidade na coloração das chamas, porque tudo é azul-propano como esta metáfora imperfeita.

Sombrio

Emanuel Lomelino

Ondas (excerto) - Rita Queiroz

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Era inverno no hemisfério sul. Para Marisa, calores intensos a tomavam arrebatadoramente. Olhava para os lados e quem estava à sua volta, tremia de frio. Cobertores não eram suficientes.
Uma angústia a tomava. Seus suores eram frios e quentes ao mesmo tempo. Calafrios percorriam seu corpo de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Era esquisito, nunca tinha sentido isso. No meio da noite, acordava sobressaltada. Os termômetros marcavam 10º e ela, em febre de 38º. Precisava ir ao médico.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - COLETÂNEA - IN-FINITA

domingo, 6 de abril de 2025

Prosas de tédio e fastio 22 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

22

Por vezes o fogo da vontade perde vigor e transforma-se numa ténue faúlha, que só não se extingue porque nos momentos de alento invertido, sobram ligeiras ondas de resiliência que, embora em banho-maria, impedem que o sentir seja obliterado por uma brisa de fraqueza.

Tal como os arco-íris, os ápices débeis da mente são miragens que tentam grudar-se ao céu do raciocínio, na esperança de ganhar protagonismo, como fossem autores de lavras plagiadas, a desfilar nas sombras de falsas passadeiras vermelhas, sem holofotes nem comendas.

Esses instantes frágeis, quando bem identificados, são manuais empíricos, do lado negro do ser, que ajudam na compreensão dos extremos da personalidade.

Cabe a cada um dar uma utilidade holística, ou parcial, ao aprendido – quando munidos de capacidade reflexiva e isenção de preguiça.

EMANUEL LOMELINO

O que guardamos quando habitamos provisoriamente um lugar? (excerto) - Rita Furtado

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Quando habitamos provisoriamente um lugar podemos guardar objetos, materiais ou os mesmos materializados nas fotografias. Mas penso que dele guardamos predominantemente impressões... memórias... De Lisboa guardo especificamente belezas abstratas. Guardo o azul profundo de um céu vivo que iluminou meus dias. Guardo a vista do Tejo e o avançar sereno de suas embarcações. Guardo a subida aos miradouros para apreciar o pôr do sol e seus raios que dão uma cor especial à cidade, ou o final da noite com suas luzes cintilantes que ocultam os detalhes da arquitetura, mas dão relevo às formas da cidade.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - COLETÂNEA - IN-FINITA

sábado, 5 de abril de 2025

Prosas de tédio e fastio 21 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

21

Há um abismo, criado propositadamente, que dificulta o acesso ao mais íntimo de mim, porque só a mim pertenço, só a mim me justifico, só a mim me cumpro.

Por muito que deduzam pedantismo, tomara cada um ver-se o centro do universo, qual astro com órbita personalizada, e poder acionar ou desligar, dependendo do sentir, a força gravitacional que permite a aproximação de outros corpos celestes.

Muitos usam expediente semelhante, no entanto, sempre subjugados ao engrandecimento material que os “atraídos” proporcionam.

O meu egocentrismo, consciente, é espiritual, intimista, irreversível, meu. A mais ninguém pertence, a mais ninguém é útil, a mais ninguém enriquece.

E, pasmem-se os desavisados, esta convicção prática jamais foi impeditiva dos meus contínuos altruísmos, dos quais tampouco alardeio ao mundo. Quem vê, sabe. Quem desconhece, ignora. E convivo bem com ambos os espectros, porque só a mim cativo.

EMANUEL LOMELINO

Na epístola (excerto 1) - Rose Pereira

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Lentamente, sentei sobre os joelhos dobrados no chão. Os punhos, por conta própria, verteram as mãos espalmadas para cima, como se pedissem uma bênção, ou quem sabe, suplicando clemência pelo que acabara de fazer.
A cabeça curvou-se à frente.
Neste instante, em fração de segundos, um turbilhão de lembranças me invadiu a mente, alternando-se em ritmo acelerado, e de uma maneira extraordinária, harmonizavam-se, permitindo, numa imensidão de tonalidades, o desnudamento interior.

EM - ESTAVA ESCRITO - ROSE PEREIRA - IN-FINITA

sexta-feira, 4 de abril de 2025

Prosas de tédio e fastio 20 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

20

Sinto que estou a derramar-me até ao extremo do vazio; até ao limite da sensibilidade; até à falésia da consciência, qual abundante cascata de coisa alguma.

Nestes dias em que liquidifico a minha existência deixo de ser corpóreo, liberto-me das emoções, abraço a vacuidade profunda e agrilheto os pensamentos no mais esconso subterrâneo.

Embrulho-me na agudeza protetora e segura do silêncio absoluto e deixo o meu espírito vazado deambular pela neutralidade do espaço.

Somente o nada consegue ser, em mim, o equilíbrio, a prudência, a sensatez, a razão, o tão desejado porto de abrigo.

EMANUEL LOMELINO

Promessa de Todos os Dias (excerto) - Paula Miguel

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Era uma vez, em uma pequena cidade cercada por montanhas, um casal chamado Teresa e José. Eles se conheceram ainda crianças, brincando nas ruas de paralelepípedos, e cresceram juntos, dividindo sonhos e segredos.
Teresa sempre foi uma alma serena, amante dos dias calmos. Gostava de passar as tardes lendo sob a sombra das árvores no parque central, enquanto a brisa suave brincava com seus cabelos. José, por outro lado, tinha uma paixão pelos dias nublados. Havia algo no céu cinzento que o fascinava, uma melancolia que combinava com seu espírito introspectivo.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - COLETÂNEA - IN-FINITA

Tudo sob controle (excerto 1) - Daniele Rangel

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Esse é um momento em que o pai nunca tem razão. A mãe sempre está pronta para “explodir” em todos os sentidos que a palavra tiver. A gestação parecia se estender por mais nove meses e aquela última semana não terminava nunca. O que parecia ansiedade para ela, na verdade se configurava como intuição. O sexto sentido vem no combo da maternidade. O menino vai nascer amanhã, sim. Estou dando spoiler.

EM - TUDO SOB CONTROLE - DANIELE RANGEL - IN-FINITA

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Epístolas sem retorno 28 - Emanuel Lomelino

David Attenborough
Imagem redbubble

Prezado David

Há uma heterodoxia evidente no silvo melífluo da brisa que beija as folhas de uma árvore. É um ciciar da natureza; um aviso intimista, mas tão expressivo quanto os brados das ondas que esculpem os maciços rochosos. Contudo, mantemo-nos indiferentes.

Existe um discurso, nas vozes das tempestades, que passa despercebido a olho nu. É um código do ambiente; um sinal de alerta, tão dual como o ressonar de um vulcão adormecido na antecâmara do seu estrondoso despertar. Contudo, mantemo-nos apáticos.

Há uma oscilação atmosférica em todas as épocas como um entrelaçar festivo de quadras temporais. É um sussurro climático; uma advertência tão cadenciada quanto o degelo dos mais primitivos glaciares. Contudo, mantemo-nos passivos.

Existe um tempo que se esgota como uma ampulheta quebrada. É a noção de perenidade a extinguir-se como o Cretáceo. Contudo, mantemo-nos impávidos porque essas coisas só acontecem aos outros. Quais outros?

Apreensivo

Emanuel Lomelino

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Prosas de tédio e fastio 19 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

19

A turbulência dos dias não quer saber se o arco-íris é filho do sol e da chuva ou reflexo da cúpula que dá razão aos esfomeados terraplanistas.

De leste chegam uivos ogivados rugidos por gargantas mais inocentes do que gárgulas esquimós, enquanto, daquela janela aberta para o Tejo, ecoa uma voz de barítono com hálito de açorda e chamuça.

Nos carris do elétrico, encerados pela morrinha recente, deslizam saltos altos, “raios partam” e outros impropérios indiferentes às moedas, largadas à laia de piedade, no boné do humorado maltrapilho, que tem banca permanente no adro da igreja e um cartaz a informar: multibanco avariado.

Na porta da tasca sorvem-se ginjinhas espirituosas e lançam-se olhares – cada um com o seu significado – para os “camones” na esplanada e aos que passam, de mochilas às costas e ansiosos por fotografar os azulejos quebrados das fachadas devolutas.

O céu anuncia o anoitecer precoce de mais um domingo e não há tempo a perder com notícias de Gaza ou Kiev porque é dia de clássico na tv e expulsão num reality show.

EMANUEL LOMELINO

terça-feira, 1 de abril de 2025

Pensamentos literários 20 - Emanuel Lomelino

Pensamentos literários 

20

Sou um leitor híbrido. Embrenho-me em romances, contos, filosofia, antropologia, história, ciências, crónicas, ensaios, prosa poética e poesia, como quem procura respostas a perguntas que ainda não fez.

Leio contemporâneos e antigos, essencialmente clássicos, com o objectivo de expandir os meus conhecimentos e, com isso, alargar horizontes e aperfeiçoar as minhas técnicas criativas.

Nessa fome por sapiência, mais do que ler, devoro livros atrás de livros, com plena consciência de que o estômago literário jamais ficará saciado.

No entanto, a conclusão mais relevante desta gula está no facto de que, das léguas de palavras lidas, tal como admitiu Adam Zagajewski, assimilei apenas “farrapos” de entendimento. O resto, sobra-me a esperança, um dia conseguirei compreender.

EMANUEL LOMELINO