LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Às vezes imagino que, se pudéssemos ver o silêncio, ele teria forma de vento, não aquele que arrasta telhados, mas o que apenas desloca uma folha, como vejo na minha rua, ou que faz vibrar um fio de cabelo, no meu cabelo. Seria transparente, sim, mas não vazio; carregaria consigo o perfume das lembranças alheias, os restos de conversas desfeitas, a poeira dourada de momentos que ninguém percebeu.
EM - SILÊNCIO, O ESPAÇO ENTRE AS PALAVRAS - ANA CARVALHO - IN-FINITA
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