domingo, 15 de fevereiro de 2026

Grito (excerto 3) - Adriana Mayrinck

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O corredor a engoliu. E então, um som — baixo, quase imperceptível, mas que não era silêncio. Como uma respiração suspensa atrás da porta do quarto. Ou uma presença.

Seus olhos buscaram o interruptor. A luz não acendeu.

E foi ali, entre o escuro e o presságio, que Mariana sentiu: ele estava ali.

Ou o fantasma dele.

Ou a lembrança viva do que tentou esquecer.

Ela abriu a boca — e o grito que saiu não era apenas de medo, mas de tudo que foi reprimido: o amor que virou labirinto, a esperança desfeita em pesadelo, o sonho destroçado, a mulher que renascia do trauma.

Gritou.

E o eco do grito ficou preso nas paredes.

Como um trem que nunca deixa a estação.

EM - IDÍLIO EM FRAGMENTOS - ADRIANA MAYRINCK - IN-FINITA

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