sexta-feira, 4 de abril de 2025

Promessa de Todos os Dias (excerto) - Paula Miguel

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Era uma vez, em uma pequena cidade cercada por montanhas, um casal chamado Teresa e José. Eles se conheceram ainda crianças, brincando nas ruas de paralelepípedos, e cresceram juntos, dividindo sonhos e segredos.
Teresa sempre foi uma alma serena, amante dos dias calmos. Gostava de passar as tardes lendo sob a sombra das árvores no parque central, enquanto a brisa suave brincava com seus cabelos. José, por outro lado, tinha uma paixão pelos dias nublados. Havia algo no céu cinzento que o fascinava, uma melancolia que combinava com seu espírito introspectivo.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - COLETÂNEA - IN-FINITA

Tudo sob controle (excerto 1) - Daniele Rangel

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Esse é um momento em que o pai nunca tem razão. A mãe sempre está pronta para “explodir” em todos os sentidos que a palavra tiver. A gestação parecia se estender por mais nove meses e aquela última semana não terminava nunca. O que parecia ansiedade para ela, na verdade se configurava como intuição. O sexto sentido vem no combo da maternidade. O menino vai nascer amanhã, sim. Estou dando spoiler.

EM - TUDO SOB CONTROLE - DANIELE RANGEL - IN-FINITA

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Epístolas sem retorno 28 - Emanuel Lomelino

David Attenborough
Imagem redbubble

Prezado David

Há uma heterodoxia evidente no silvo melífluo da brisa que beija as folhas de uma árvore. É um ciciar da natureza; um aviso intimista, mas tão expressivo quanto os brados das ondas que esculpem os maciços rochosos. Contudo, mantemo-nos indiferentes.

Existe um discurso, nas vozes das tempestades, que passa despercebido a olho nu. É um código do ambiente; um sinal de alerta, tão dual como o ressonar de um vulcão adormecido na antecâmara do seu estrondoso despertar. Contudo, mantemo-nos apáticos.

Há uma oscilação atmosférica em todas as épocas como um entrelaçar festivo de quadras temporais. É um sussurro climático; uma advertência tão cadenciada quanto o degelo dos mais primitivos glaciares. Contudo, mantemo-nos passivos.

Existe um tempo que se esgota como uma ampulheta quebrada. É a noção de perenidade a extinguir-se como o Cretáceo. Contudo, mantemo-nos impávidos porque essas coisas só acontecem aos outros. Quais outros?

Apreensivo

Emanuel Lomelino

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Prosas de tédio e fastio 19 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

19

A turbulência dos dias não quer saber se o arco-íris é filho do sol e da chuva ou reflexo da cúpula que dá razão aos esfomeados terraplanistas.

De leste chegam uivos ogivados rugidos por gargantas mais inocentes do que gárgulas esquimós, enquanto, daquela janela aberta para o Tejo, ecoa uma voz de barítono com hálito de açorda e chamuça.

Nos carris do elétrico, encerados pela morrinha recente, deslizam saltos altos, “raios partam” e outros impropérios indiferentes às moedas, largadas à laia de piedade, no boné do humorado maltrapilho, que tem banca permanente no adro da igreja e um cartaz a informar: multibanco avariado.

Na porta da tasca sorvem-se ginjinhas espirituosas e lançam-se olhares – cada um com o seu significado – para os “camones” na esplanada e aos que passam, de mochilas às costas e ansiosos por fotografar os azulejos quebrados das fachadas devolutas.

O céu anuncia o anoitecer precoce de mais um domingo e não há tempo a perder com notícias de Gaza ou Kiev porque é dia de clássico na tv e expulsão num reality show.

EMANUEL LOMELINO

terça-feira, 1 de abril de 2025

Pensamentos literários 20 - Emanuel Lomelino

Pensamentos literários 

20

Sou um leitor híbrido. Embrenho-me em romances, contos, filosofia, antropologia, história, ciências, crónicas, ensaios, prosa poética e poesia, como quem procura respostas a perguntas que ainda não fez.

Leio contemporâneos e antigos, essencialmente clássicos, com o objectivo de expandir os meus conhecimentos e, com isso, alargar horizontes e aperfeiçoar as minhas técnicas criativas.

Nessa fome por sapiência, mais do que ler, devoro livros atrás de livros, com plena consciência de que o estômago literário jamais ficará saciado.

No entanto, a conclusão mais relevante desta gula está no facto de que, das léguas de palavras lidas, tal como admitiu Adam Zagajewski, assimilei apenas “farrapos” de entendimento. O resto, sobra-me a esperança, um dia conseguirei compreender.

EMANUEL LOMELINO

segunda-feira, 31 de março de 2025

Prosas de tédio e fastio 18 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

18

Não há sol que ilumine os íngremes caminhos sombrios que o fado obriga a percorrer, sem desvios.

A luz dissipa-se a cada encruzilhada como se as copas das árvores fossem uma cortina fechada para o céu.

Os passos sincopados, numa lentidão desesperante, soam a desencanto e nada pode ser feito para que a viagem enalteça o espírito.

Olhar para trás também não se revela uma melhor opção porque a lonjura parece idêntica – senão maior.

Resta seguir adiante, na esperança de que, apesar do negrume, a caminhada possa ser feita com o mínimo de percalços e a vastidão subterrânea seja substituída por extensas planícies pintadas de verde e luz.

Pouco importa a escuridão dos dias quando o final do túnel ainda está à distância de uma vida inteira.

EMANUEL LOMELINO

domingo, 30 de março de 2025

Prosas de tédio e fastio 17 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

17

A pele manchada, de múltiplas e árduas batalhas, exibe com sofreguidão todas as escaras acumuladas, que se sobrepõem umas às outras, como se a derme fosse um transporte público apinhado de gente em hora de ponta, quase sem espaço para respirar.

O cansaço e as nódoas negras empilham-se no corpo e, por mais forte que seja a nossa resistência, fazem esmorecer todos os ímpetos, todos os desejos, toda a força interior, como se as vontades, quais seres independentes de nós, quisessem tomar as rédeas da vida e levar-nos por caminhos diferentes, diametralmente opostos ao pretendido.

No pensamento aflora a ideia de mandar os planos às malvas, abdicar dos propósitos iniciais e aceitar, com resignação, a tristeza dos fados sem melodia, qual Sísifo conformado com a inevitabilidade da sua sorte.

Nestes dias, de moral fragmentada, encontro a salvação nas palavras dos sábios que habitam a minha cabeceira, ganho mais uns traços na bateria que me energiza e volto a acreditar que todo o esforço, sangue, suor, lágrimas e corpo inchado, levar-me-ão ao porto ambicionado.

EMANUEL LOMELINO

sábado, 29 de março de 2025

Papaguear cultura 11 - Emanuel Lomelino

Papaguear cultura 

11

Já escrevi inúmeros textos sobre a legitimidade universal que a escrita outorga. Todos, sem excepção, podem, e devem, exercer essa actividade sem rodeios nem receios, independentemente das razões adjacentes, subjacentes, laterais ou de fundo.

Escrever é mais do que um direito, é um dever. Pela defesa libertária; pela identidade; pela diferença; e sobretudo pelo legado que carregamos, e que deve ser respeitado, preservado e prolongado, para que as gerações vindouras não percam o rastro às suas raízes e, também eles, sintam que devem contribuir nessa perpetuação.

Não existe história sem registo. Não existe noção do passado sem que a memória seja celebrada, e a melhor forma de o fazer é colocar tudo por escrito.

Mas a história de um povo, de uma civilização, não se limita a referências factuais e a acontecimentos quotidianos colectivos. Ela também resulta de pensamentos críticos, ensaísticos ou lúdicos, ficção, criatividade, inovação, singularidade…

Por essas razões defendo que todos devem escrever, seja sobre o que for, de que forma for, e com as motivações que lhes aprouverem. O importante é escrever. Escrever muito.

Depois… o tempo encarregar-se-á de separar o trigo do joio.

EMANUEL LOMELINO

sexta-feira, 28 de março de 2025

Prosas de tédio e fastio 16 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

16

Numa tentativa vã de fazer o tempo abrandar, caminho pelas ruas mais despidas da cidade e dou por mim a inspecionar com curiosidade todo e qualquer ser que cruze a minha marcha.

Mais do que os tons capilares da moda, os trajes ultrajantes, ou as libertinagens chocantes, foco a minha atenção nas mãos – tão diferentes das minhas - e nos seus movimentos – tão efusivos quanto enganadores.

Sejam grandes ou pequenas, robustas ou delicadas, morenas ou pálidas, todas elas me parecem mãos habituadas a luvas de pelica, tão unidos estão os dedos. Ao vê-las, fico com a sensação de apenas me cruzar com cirurgiões.

Ao contrário, as minhas assemelham-se a grampos rombos e lascados, tantas são as escaras, por vezes sobrepostas, que as enfeitam e impedem que os dedos se toquem e consiga cerrar os punhos.

Acho que, se os outros também andarem pelas ruas da cidade a observar mãos, ao verem as minhas devem pensar que sou estivador ou coveiro.

EMANUEL LOMELINO

quinta-feira, 27 de março de 2025

Prosas de tédio e fastio 15 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

15

Perguntaram-me como seria o filme da minha vida. A resposta foi tão instantânea como uma curta-metragem.

Do nascimento até agora, já vivi inúmeras aventuras, algumas dramáticas, outras hilárias, estive envolvido em situações pitorescas e outras complicadas, escalei muitas montanhas ao longo das peregrinações por bastantes lugares, tive os meus fracassos, alguns sucessos, muitas hesitações, fiz boas escolhas e tomei muitas mais equivocadas, mas não consigo identificar episódios com originalidade suficiente para merecerem ficar registados em película.

Na realidade, tudo espremido, o potencial filme seria tão minúsculo que pareceria mais um anúncio publicitário do início do século XX – mudo, a preto e branco, e para ficar perdido no arquivo empoeirado de uma qualquer cinemateca anónima.

EMANUEL LOMELINO

A dúvida (excerto 24) - Zélia Alves

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Como padrinhos do noivo e da noiva, apenas a Dra. Alice e o amigo José. Não tinham querido mais ninguém. A cerimónia decorreu sem incidentes e quando os noivos, à saída, levavam com a habitual praxe das pétalas de rosas, foram abençoados com uns borrifos de chuva que uma nuvem que por ali passava decidiu presenteá-los, como que a abençoar aquela união. Nada que impedisse que seguissem, em cortejo, para o Parque Manuel Braga para tirarem as fotografias.

EM - A DÚVIDA - ZÉLIA ALVES - IN-FINITA

quarta-feira, 26 de março de 2025

Crónicas de escárnio e Manu-dizer 30 - Emanuel Lomelino

14-02-2024

E se existisse apenas uma estrela no céu, uma nespereira na terra, um cavalo-marinho no mar, uma pedra num só rio e as maçãs fossem alimento das víboras?

E se em vez de asfalto existissem apenas túneis de toupeira, um cachorro mudo, um papagaio viciado em café, uma enxada e uma prostituta low-cost?

E se chovessem rosas azuis, os prados fossem lilases, o sal soubesse a alfazema, o estrume cheirasse a Dior e o vermelho fosse caminho de cabras?

E se os pés tivessem guelras, as unhas nascessem nas pálpebras, se fumasse pelos cotovelos e os braços derretessem a cada aceno?

Se a natureza fosse absurdamente distinta daquilo que é, tal qual conhecemos, apenas restaria um par de coisas inalteradas: a beleza do pôr-do-sol e a tendência humana para a autodestruição.

EMANUEL LOMELINO

terça-feira, 25 de março de 2025

Prosas de tédio e fastio 14 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

14

Há muito que decidi, com plena consciência do acto, deixar de andar ao sol e mostrar-me ao mundo apenas a conta-gotas, especialmente durante tempestades diluvianas.

Sei da importância do processo de sintetização da vitamina D, mas nunca tive problema algum em assumir os estragos colagénios porque envelhecer é inevitável e nunca gostei de brilho emprestado ou genérico porque ofusca, cega e ilude.

Prefiro o cinzentismo que me define e só a mim pertence pelo simples facto de poder revelar-me, com maior liberdade e satisfação, tal qual sou, no anonimato das sombras e sem intromissões despropositadas nem, sobretudo, ilegítimas.

Pelo mesmo motivo tenho uma predilecção especial por becos e vielas, em detrimento das avenidas largas e intermináveis.

EMANUEL LOMELINO

segunda-feira, 24 de março de 2025

Lomelinices 100 - Emanuel Lomelino

Lomelinices 

100

Quando era criança, e estava constantemente a ralar os joelhos ou a esfolar outras partes do corpo, ouvia os mais velhos dizerem que as dores, que então pouco sentia, viriam com a idade. Sempre achei muito estranho esse vaticínio e até o esqueci durante grande parte da vida.

Eis senão quando, chegado ao equador da existência secular, o corpo, qual despertador orgânico, começou a tocar e não há forma de o silenciar.

Dói caminhar, dói sentar, dói mexer, dói ficar estático, dói mover, dói tocar, dói ouvir, dói ver, dói falar, enfim, dói tudo, por tudo e mais alguma coisa, inclusive pensar.

Esta dor, que são várias dores em sequência, faz-me acreditar que, mais do que avisos, aquilo que os mais velhos faziam, quando eu era criança, era dar voz às suas próprias dores, demonstrando empatia pelas dores que hoje sinto e eles bem conheciam.

A diferença entre os dois tempos está no facto de, agora, não existirem crianças a brincar na rua e a ralar joelhos ou a esfolar outras partes do corpo. E, sobre essa dor, que desconheço, eu não sei como demonstrar empatia.

EMANUEL LOMELINO

Rogai por nós (excerto) - Malu Baumgarten

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Não consigo lembrar o rosto dela. Apenas três vezes estivemos juntas e ela arrasou meu coração. Disse que eu não era nada. Não sou. Tão vulnerável. Sem palavras quando, no telefone ela disse que meu desejo era falta do que fazer. Ocupada ela, muito, para pensar em mim. Só uma foda, fui. Aqui estou, uma foda, mas dói a minha pele. Fina, queima ao longo do corpo. Ovo descascado, pêssego macio, Maria Madalena sou. Choro também por ter ficado para trás quando era a hora da minha mãe. E feliz estava aquele dia, o anseio do amor depois de anos sem.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - COLETÂNEA - IN-FINITA

domingo, 23 de março de 2025

Lomelinices 99 - Emanuel Lomelino

Lomelinices 

99

Oiço o som metálico do trompete, que sai das colunas, e na mente ecoa-me um cenário distante, no tempo e no espaço, como uma lembrança acabada de nascer no improviso de Coltrane. Mas não é jazz, nem memória. É uma imagem vívida de outra era, outra realidade, talvez desejo, quem sabe sonho irrealizado.

Confuso, quedo-me, de olhos fechados, a escutar a sinuosa melodia que flutua indiferente ao impacto que me aplica, e vejo, tão nitidamente como o agora, um episódio de vida que, tenho a certeza, nunca foi meu. Existem dejá vus de momentos jamais vividos?

Abro os olhos pela urgência ofegante de voltar a mim e à realidade que me rodeia. O som dissipou-se, não sem deixar-me o corpo perturbado e trémulo.

As pernas bambas, prestes a colapsar, pedem-me que encontre um lugar para me sentar até que as palpitações regressem à normalidade. Receoso, caminho devagar até ao único banco vazio que vislumbro. Sento-me após uma caminhada eterna e tento colocar as ideias em ordem.

O coração desacelera e a lucidez é-me devolvida. Respiro fundo e, com a maior tranquilidade que o raciocínio me concede, concluo que estive, mais uma vez, à beira de uma síncope.

EMANUEL LOMELINO

Retrato de família (excerto) - Solange Cianni

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Os homens bebem vinho e riem das piadas machistas. Ele, José, ria tímido com canto da boca mas por dentro... que graça tinha? Que homem tem que fazer muitos filhos, que mulher tem que obedecer o marido calada, que lugar de mulher é na cozinha e por aí vai.
Ele não podia contar que quem manda é ela, que grita com ele porque não engravida, xinga de frouxo, bate a porta, dorme no outro quarto. Não podia.
Água fervendo no fogão, joga a massa na panela e tampa. Uma pica a cebola com os olhos cheios, a outra corta as tiras de tomate sem as sementes. Na frigideira o azeite já está no ponto para fritar a beringela com pimentão.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS IX - COLETÂNEA - IN-FINITA

sábado, 22 de março de 2025

Prosas de tédio e fastio 13 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

13

Quando existe vontade tudo é possível.

Faço contas de cabeça, procuro soluções, testo ideias, exercito modelos e fórmulas até conseguir colocar em prática conceitos elaborados por mim.

Insisto, com resiliência, tentando provar que há sempre uma possibilidade e nada é inviável quando não nos desviamos de um propósito, de um objectivo, por mais difícil que ele possa parecer à partida.

Tal como este texto que, apesar de estar longe do seu epílogo e talvez necessitar de uma eternidade para ser terminado - porque tudo leva tempo -, tem sido escrito com esmero, e atenção redobrada, para que possa chegar ao seu final de forma satisfatória. Ou pelo menos convicto de que sou capaz de ser bem-sucedido.

Tive de reformular duas frases, lá atrás, pois duas letras tentaram escapar ao meu crivo e isso prejudicaria este exercício de escrita.

Afinal, não precisei de muito tempo. Bastou meia hora para provar que é possível escrever um pequeno texto sem recorrer à utilização de artigos definidos. Quem sabe, um dia, tentarei fazer algo semelhante com artigos indefinidos ou preposições.

EMANUEL LOMELINO

Pouline (excerto) Sara Timóteo

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A esposa de José era dotada de uma estatura baixa e muito harmoniosa de formas. O rosto era eclipsado pelos olhos bordejados por pestanas longas. Olhar extraordinário esse, que parecia nada ter retido de todos os horrores que já vira. Maria encontrava-se na posse de um medalhão de prata com a imagem da Virgem Maria sobre o qual ela e a tia Amélia (pouco antes do passamento desta última) haviam realizado um sortilégio com a finalidade de garantir o regresso de José da guerra.
Contudo, Maria acordara sobressaltada nas últimas noites, após sonhar com José sufocando com o próprio sangue. Devido a estes perniciosos momentos de pesadelo, ela encontrava-se cansada, desmotivada; inclusive, já fora repreendida pela enfermeira-chefe.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS IX - COLETÂNEA - IN-FINITA

A dúvida (excerto 23) - Zélia Alves

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O Mondego corria mansamente, em contraste com os pensamentos de Joana, os quais se desenrolavam num turbilhão. Desta vez estava sentada na muralha do parque Manuel Braga e com o pensamento a mil, mas ia reparando num jovem que estava a lavar o “Basófias”. Basófias é um pequeno barco que faz mini-cruzeiros no Mondego. É muito agradável a viagem de cerca de uma hora junto às margens. Do alto, perguntou ao jovem quanto custava a viagem e a que horas partiria. “São 9,50€ e parte às quinze horas!”

EM - A DÚVIDA - ZÉLIA ALVES - IN-FINITA