terça-feira, 17 de outubro de 2017

FALA AÍ BRASIL... TACIANA VALENÇA - VIII

ALEGRIA EM DOSES

Fico impressionada com a quantidade de pessoas que hoje em dia tomam remédios para depressão. Já havia pensado nisso há algum tempo, mas nessa semana li uma reportagm sobre o assunto.

Hoje você não pode mais ficar triste, se ficar está em depressão.

Não pode ficar cansado ou irritado, nem que seja apenas por alguns motivos que o tiraram da rotina normal.

Haverá quem diga: é meu amigo, você anda muito estressado.

Se seu filho anda fazendo "trelas' na escola (que era normal antigamente) ou não está rendendo nos estudos, precisa urgente de terapia ou psicóloga, antes que seja tarde. Se não presta atenção, tem "TDAH" (transtorno de déficit de atenção), se corre muito e brinca muito, é "Hiperativo", se não gosta de brincar com os outros é "retardado", se não entende algumas coisas, até mesmo por imaturidade é "limítrofe".

Nossa, quantos rótulos! Hoje existe nome para tudo!

Fui ao médico, avaliar causas de uma enxaqueca, saí com antidepressivos que me custaram 3 quilos a mais em dois meses e continuei com dores de cabeça.

Determinei então meu tratamento: nadar todos os dias!

Adoro nadar! Coloquei as caixas dos remédios num saco e joguei-as no lixo. Não digo que não tenha mais algumas de vez em quando, mas melhorei quase que 90%.

Bem, não estou aqui a condenar tratamento nenhum, claro que alguém que realmente tenha depressão precisa ser tratado com remédios. Apenas questiono a quantidade de diagnósticos que são dados aleatoriamente. Não existe mais tristeza, preocupações, decepções, TPMS?

Quando um garoto leva um fora da namorada e fica triste durante um tempo, está com depressão?

Devemos estar alertas para isso. Tão grave quanto não tratarmos uma depressão, é tratarmos dela quando na verdade não temos, quando apenas estamos passando por dificuldades ou tristezas momentâneas, o que não é nada anormal nos dias de hoje.

Se você chega ao médico sem nada, estando até muito feliz, ele pode até perguntar: não quer ficar ainda mais feliz? E passa um remedinho para aumentar sua felicidade.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

OS LIVROS DE... ELIANA CASTELA

Eliana Castela

1.Livro “Pelos Rios ao Sabor da Fruta”

SINOPSE:
O livro traz crônicas da viagem realizada em 2015, que pretendia ser do Acre ao Ceará, mas que se estendeu até Pernambuco. Uma viagem inversa a que foi feito por nordestinos a partir do final do século XIX, quando homens e mulheres foram para a Amazônia trabalhar com a exploração da borracha ao mesmo tempo em que fugiam das condições precárias de enfrentando da seca e do descaso do Estado brasileiro. Ao longo da viagem são identificadas situações que remetem ao mesmo abandono de mais de um século atrás, bem como a mesma riqueza cultural das pessoas que habitam as regiões do Nordeste e da Amazônia brasileira.

2. Livro “Da Escrita Rupestre à Era Digital”

SINOPSE:
Livro de poemas com temas diversos.


BIOGRAFIA DA AUTORA:
Eliana Ferreira de Castela, nascida em Rio Branco, AC, é atriz com registro no MTb do RJ. poeta, tendo seus poemas publicados eventualmente em blogs, periódicos digitais e em outras mídias digitais. É uma das organizadoras, juntamente com Mané do Café, do calendário, Folhinha Poética, em formato digital. É Licenciada e Bacharela em Geografia, e especialista em História da Amazônia, pela Universidade Federal do Acre - UFAC. Mestre em Extensão Rural, pela Universidade Federal de Viçosa.

CONTACTO:
e-mail: elianacastela@gmail.com

domingo, 15 de outubro de 2017

ADRIANA FALA DE... CABEÇA DE ANTÍGONA

"Humilhação, exclusão e exílio matam. Sentir-se ferida na sua honra mata. Sentir-se duramente injustiçada, envergonhada - mata. É procurar em vão o direito perdido de viver no próprio corpo politico, o usurpado. Aos poucos eu vejo uma luz ainda que turva, ela vem do fundo do meu poço. Vou tateando aqui e ali num passo lunar de cada vez. Um slow motion de sensações redescobertas, como quem volta de um longo coma induzido. Este livro é uma celebração à vida depois da morte."
Patrícia Porto in Cabeça de Antígona

Patrícia Porto, é uma das autoras e sem duvida, ser humano  que admiro e tenho imenso carinho não só pela genialidade em que faz uso das palavras, em uma dança cadenciada, criativa, única e sempre com pinceladas de sarcasmo, ironia, rebeldia, dor, entusiasmo, coragem, humor e possui a habilidade extraordinária de estar em cada texto de forma tão iternsa e particular, que leva o leitor para viagens tão profundas, que sempre regressa transformado de alguma maneira, seja em uma forma diferenciada de olhar o mundo ou de perceber-se a si mesmo. Patícia tem esse dom, de transformar e envolver seja na escrita ou na palavra dita, o universo daqueles que gravitam ao seu redor, como leitores e ou amigos.

Não pude deixar de registrar e divulgar mais esse momento enriquecedor para nós , leitores e fãs, com o Lançamento em 18 de outubro em Niteroi, Rio de Janeiro de mais uma preciosidade que preenche a alma e nos faz despertar para um outro mundo.

Transcrevo as palavras da Editora Reformatório que sintetisa, em poucas palavras e com maestria essa obra de arte que está por vir:

"Cabeça de Antígona", de Patricia Porto que, segundo Délcio Teobaldo na apresentação do livro, "possui o manejo, tem as mãos adestradas ao ofício, mas chuta as panelas, rasga a nesga da saia a navalha, aumenta a chama a ponto de incendeio, erra a pitada do tempero. Por isso, quando me pediu que escrevesse uma orelha para este livro, reagi com ironia: “Ora, ora, Patrícia... Não te farei apenas a orelha. Te faço escuta”. Sonora escuta, porque os poemas de “Cabeça de Antígona” como, aliás, toda a poética de Patrícia Porto é de uma musicalidade que beira ao absurdo. Provoca desvario. Então, não se surpreendam que, cabocla e maliciosamente, sua Antígona se assemelhe a uma ribeirinha ancuda terçando um coco, um tambor de Mina, um samba de roda. Assim ela põe Antígona e Ogum no mesmo terreiro, e no ritmo alucinante da música! (leiam Patrícia Porto em voz alta, por favor!) "



DRIKKA INQUIT

sábado, 14 de outubro de 2017

EU FALO DE... A PERSISTÊNCIA DA MEMÓRIA



Por ocasião da etapa de Lisboa do recente IV Encontro de Poetas de Língua Portuguesa, apresentei-me ao poeta brasileiro Luiz Otávio Oliani, cuja obra não me é, de todo, desconhecida, e até se engloba nos padrões daquilo que considero poesia com cabeça tronco e membros. A troca de palavras, que mantive com o autor, apesar de curta, permitiu-me conhecer um pouco quem está por detrás dos versos e, como gentileza gera gentileza, fui brindado com o seu livro A PERSISTÊNCIA DA MEMÓRIA, e foi a minha leitura deste livro que despoletou a necessidade de escrever este texto.

Ter um conhecimento prévio sobre este autor permitiu-me direccionar a atenção para aspectos que, em outras circunstâncias, só me ocuparia em posteriores leituras. Talvez influenciado pelo meu gosto pela poesia de cariz minimalista, que não minimal, embrenhei-me neste livro, e a ideia que tinha sobre a concisão dos textos deste autor saiu reforçada.

Com A PERSISTÊNCIA DA MEMÓRIA, Luiz Otávio Oliani vem provar uma vez mais (se é que mais provas são necessárias) que a poesia não precisa ser extensa e cheia de adornos para alcançar os seus objectivos e passar, para os leitores, a mensagem pretendida. Os cinquenta textos/fragmentos que compõem o livro, talvez por se assemelharem a pequenos aforismos (para não os classificar como tal), estão impregnados, tanto, de mensagens visíveis como subliminares, porquanto nenhum dos textos está definitivamente encerrado, deixando aos leitores a capacidade/possibilidade de diferentes interpretações ou desfechos. Ao longo da leitura, torna-se evidente o cuidado do autor em limar cada palavra para lhe subtrair o excesso e manter o essencial. E esta característica, por si só, revela que estamos na presença de um autor que trabalha as palavras, explorando ao máximo as alternativas que as mesmas oferecem.

Resumindo, e em poucas palavras, A PERSISTÊNCIA DA MEMÓRIA, é um livro que recomendo sem hesitações.

MANU DIXIT

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

FALA AÍ BRASIL... ANDREA SANT ANNA - IV

Correndo com os lobos...

Os dias correm feito lobos... traiçoeiros, sorrateiros a nos iludir, e com fome... o tempo nos engole ferozmente. Deixa-nos por vezes, e não raramente, vestígios indignos, por outras, retalhos de sonhos. As cidades e lugares cada vez mais parecem-se com a caverna escura de Platão... O "Ensaio sobre nossa cegueira " já estreou. Nossa cegueira vem sendo sacudida com visões apocalípticas que fazem, literalmente, tudo tremer. Incrível viver nesses tempos!!! Tendo sempre sido solar e otimista, agora testemunhando o fim das coisas, a falência, os escombros, os retrocessos, as marcas de derretimento das certezas civilizatórias... Testemunhas com o peito oprimido pela dor de ver. Ver, presenciar, dói. Porém, não ver nos torna ridículos e patéticos. Somos ridículos e patéticos ainda quando vemos. Difícil deixar de sê-lo com a forja de mil anos a nos limitar em nossa ignorância. Nossa barbárie. Estupefação. Indignação. E por que não? Coragem. Vejo coragem em meio ao caos. Vejo beleza e nobrezas possíveis. Vejo poesia, enlevo e desejo também, vejo. Possibilidades de nascer da lama, como a flor de lótus, ressurgindo do nada que nos tornamos. Eis, aí. Uma esperança.