sábado, 23 de junho de 2018

DEZ PERGUNTAS A... THINA CURTIS


Agradecemos à autora THINA CURTIS a disponibilidade em responder ao nosso questionário 

1 - Como se define enquanto autora e pessoa?

Sinto-me uma artista e pessoa livre de "modismos", uma mulher que busca em minhas vivências, meus relacionamentos, minha forma de ver o mundo ou em mim mesma, sinto um amor incondicional pela Literatura e pelos Fanzines, são deles a inspiração e coragem para a arte contemporânea que produzo. Vejo minha função como artista e militante desta arte, como uma oportunidade de fazer um caminho diferente, uma possibilidade em experimentar e explorar a vida de forma artística.
Entre os altos e baixos que já passei me sinto uma pessoa que conserva em mim essência, a espontaneidade, uma pessoa cheia de sagacidade, a liberdade de expressão e a poesia na forma de viver. Vivo sempre em aprendizagem.

2 - O que a inspira?

A Vida, a Poesia e Esperança e a Arte.

3 - Existem tabus na sua escrita? Porquê?

Os tabus existem em tudo, faz parte desde sempre do ser humano, da sociedade, eu não me preocupo muito com tabus quando escrevo, acredito que justamente nas palavras, e quando escrevo me sinto liberta de todos tabus.

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

De uma importância vital para a literatura manter se viva e em movimento.
Esses intercâmbios culturais através das palavras nos proporcionam muitas informações é relevante para focalizar as antologias enquanto suporte e estimulo para leitores e artistas.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

Intensos.
São fundamentais na troca de informações, contatos, divulgações.
Indispensável, a internet trouxe o surgimento de vários novos bons escritores e editoras...
São determinantes atualmente e claro acaba por influenciar novos trabalhos e artistas com minhas ações também.
Essa ferramenta hoje dá alicerce e suporte que são oportunidades para que eu como artista interaja com meus fãs, leitores e aumente a chance de vender meus trabalhos, que acabam não sendo só fanzines, são oficinas, workshops, resenhas para blogues etc.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Negativos: Ainda é a valorização da própria. A falta de estimulo e hábito.
São muitas dificuldades ainda para uma maior realização da “ponte cultural” entre escritor e escrita, críticos, leitores através da escrita. Ainda noto muito conservantismo e medo de ousar na escrita. O que acaba nos limitando.
Mais os tempos estão mudando.
Os jovens vêm se apropriando da escrita e ela inclusive vem assumindo outros formatos.
E isso contribui muito para que as coisas fluam e os clássicos convivam com o contemporâneo.
Ao que tudo indica, com a chegada das tecnologias, redes sociais, os escritores, poetas, educadores, editoras, leitores e o próprio livro passam por um momento de transição, que estabelece uma troca ativa de ideias que resulte em transformações, modernização e na idealização de novos padrões ideológicos e atuação. 

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Primeiro um trabalho bem escrito, um bom suporte gráfico/visual, uma boa divulgação.
Valorização do autor local em sessões de autógrafos, primeiramente na cidade, bairro que mora. Intercâmbios culturais para divulgar trabalho.
- Atividades culturais como saraus, bate-papos literários, feiras literárias e de publicações.
Publicações e coletâneas de fácil acesso sem muitas burocracias.
Leis de incentivo para pequenos autores e editores.
- Responsabilidade social, cultural e apoio a partir de projetos ligados a espaços literários ex: Bibliotecas, Casas de Cultura, Espaços Culturais, Mídias Sociais.
Uma boa identidade visual.

8 - Quais os projectos para o futuro?

Continuar a escrever e produzir Fanzines me possibilita seguir concretizando meus sonhos.
Quero publicar um livro de poesias e espero que em breve!

9 - Sugira um autor e um livro!

Um autor Zhô Bertolini, um livro O Poeta e o Carteiro e acrescento um filme rs:
Trem Noturno Para Lisboa.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Uma que me surpreendesse e tocasse minha alma.
De Coração! Com Palavras em forma de Poemas!

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sexta-feira, 22 de junho de 2018

DEZ PERGUNTAS A... TECA MASCARENHAS


Agradecemos à autora TECA MASCARENHAS a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autora e  pessoa?

Sou uma pessoa que escreve; e estas duas dimensões, assim como tantas, inexistem, se dissociadas. Considero toda definição uma redução. 
Tenho um poema que diz:

NADA ME DEFINE
um número não me define
uma letra não me define

um nome não me define
uma palavra não me define
um gênero não me define

uma crença não me define
uma etnia não me define
um gesto não me define

um espaço não me define
um tempo não me define
um corpo não me define

uma alma não me define
um sonho não me define
um sentimento não me define

nada me define
ninguém me define
eu não me defino 
– não ouse me definir

Estes versos estão no meu segundo livro, Meu singular é plural. 
Quero dizer, com eles, também, que minha subjetividade está imersa na pluralidade e que sou parte pulsante do universo atemporal que me abriga. 

2 - O que a inspira?

Disse o poeta romano Terêncio, já no séc. II, a.n.e.: “Nada do que é humano me é estranho”. 
Uma das interpretações mais constantes que esta ideia sugere, é a noção da fraternidade entre a humanidade. Mas, eu ouso ir além neste significado, e certamente não estou sozinha, ao incluir todos os seres existentes em uma concepção de interdependência. 

Assim, sou uma poeta à mercê da vida, como canto nestes versos:

EU VIVO A VIDA À FLOR DA PELE
o nervo exposto
a carne viva

nada existe que não me capture o olhar
sofrimento alegria
nada existe que não me cale à fímbria
paixão nostalgia
nada existe que não me aguilhoe a alma
felicidade agonia

eu vivo a vida que me cumpre
a que eu engendro
e a que me resta
e a tua
e a deles

– eu vivo a nossa vida

3 - Existem tabus na sua escrita? Porquê?

Sou a favor da Liberdade!
Nada poderia expressar-me melhor que os famosos versos do poema “Liberté”, (1942), do grande poeta francês Paul Éluard (contemporâneo e amigo do nosso querido poeta Manuel Bandeira), conhecido como “O poeta da liberdade”; do qual transcrevo o segundo e o último  dos 21 célebres versos, traduzidos por Drummond e Bandeira:

LIBERDADE
(...)
Em toda página lida
Em toda página branca
Pedra sangue papel cinza
Escrevo teu nome
(...)
E ao poder de uma palavra
Recomeço minha vida
Nasci pra te conhecer
E te chamar

Liberdade

4 - Que importância dá às antologias e às coletâneas?

Como não poderia deixar de ser, considero as obras coletivas mais uma imprescindível manifestação da pluralidade. Nelas, os autores nos encontramos no mesmo patamar, imbuídos do objetivo comum de fazer amizade com os pares, apresentar o fruto do nosso trabalho, conquistar espaço no universo literário e atrair uma maior diversidade de interessados, contribuindo para a formação de novos leitores, aparentemente cada vez mais escassos, infelizmente. 

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

Nos tempos atuais, com a incrível velocidade da informação, as redes sociais configuram-se como um insubstituível veículo. Capaz  de disseminar, em tempo quase real, uma produção, literária, no caso, que de outra maneira demoraria para ser divulgada, atingir um número incomensurável de  leitores e receber imediato retorno. Acrescente-se que, para muitos escritores, elas se constituem na única plataforma para publicar seu trabalho e cativar apreciadores. 
Particularmente, as redes sociais contribuem sobremaneira para a divulgação da minha poética, paralelamente aos meus e-books e aos livros físicos; é através dela que tenho feito amizade com muitos poetas, estabelecido importantes parcerias, divulgado regularmente meus poemas e recebido generosos e gratificantes feedbacks de meus leitores, os quais muito me estimulam a prosseguir nessa caminhada, tão mais feliz quanto menos solitária. 

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Quando escrever constitui-se num imperativo, não há escolha. É escrever ou escrever. 
Não creio que o universo da escrita seja diferente dos demais. Ou seja, estamos expostos às vicissitudes que envolvem esse mister, assim como envolvem a vida de todos nós e todos os misteres, para o bem ou para o mal. 
Viver é estar constantemente à procura de um equilíbrio que é sempre momentâneo, já nos ensinava Aristóteles e o fluxo da vida nos impele a um infindável processo dialético de construção-desconstrução-reconstrução. 

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Para ser exitoso, o trabalho de divulgação de um autor deve ser um processo coletivo, no qual os atores estabeleçam parcerias entre si. Uma boa obra, aliada à uma edição bem elaborada e à uma divulgação bem executado, se não forem garantia de sucesso, certamente serão um excelente prognóstico. 

8 - Quais os projetos pata o futuro?

Meus projetos para o futuro são conjugados no presente: escrevo, divulgo meus versos e, tanto quanto possível, mas ainda não tanto quanto eu gostaria, sensibilizo meus leitores  e toco suas almas. 

9 - Sugira um autor e um livro!

Este pedido foge à capacidade de um escritor. Sou incapaz de limitar-me a indicar uma única obra  e a sintetizar um universo de registro escrito que se faz há milênios. 
Posso, sim,  citar alguns autores que considero relevantes na minha constituição poética, para não mencionar os clássicos, e os filosóficos, responsáveis por minha formação acadêmica. 

Para isso, deixo um fragmento de um poema meu, intitulado 
ARRASTO MEU VÉU DE NOIVA: 
(...)
recolho estrelas-do-mar e gravo em cada uma 
Cecília, Drummond, Sylvia, Pessoa, Adélia, Bandeira, Marina, Vinicius, Bell, Leminski, Cabral, Brecht, Cora, Gullar, Baudelaire, Hilda, Quintana, Neruda, Mia, Clarice, Whitman, Rimbaud, Emily, Florbela, Virginia, Elisabeth, Marianne, Maiakovski
com as cores do arco-íris traço um círculo 
e deito-me no centro
(...)

Enfim,  tão pouca a vida, para tanta beleza... 

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem  e como a responderia?

Qual sua rotina de escrita?

NÃO SOU RIGOROSA
para escrever
nem tenho precisão
não marco encontro com a inspiração
meu verso é que clama 
em chama
me incendeia a qualquer hora
se inflama
e se escreve em mim

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DEZ PERGUNTAS A... ANA COELHO


Agradecemos à autora ANA COELHO a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autora e pessoa?

Quem melhor me pode definir são os outros. No entanto, eu como pessoa tento ser para os outros o que gostaria que fossem para mim. Sou preocupada com o que me rodeia sem muitos alaridos mas muito sentimento, tentado que os meus atos façam diferença numa sociedade cada vez mais indiferente. Acredito que nem todos me vejam assim, porque cada um vê o que o rodeia com o seu olhar (sentimento).

2 - O que a inspira?

A vida, tudo o que me envolve e me entra na alma, mesmo um pequeno movimento do vento com uma folha solta. Por vezes conversas que escuto no quotidiano me inspiram os sentidos.

3 - Existem tabus na sua escrita? Porquê?

Não, porque viver é aceitar e encarar todas as formas de vidas e formas de estar, e se é a vida que me inspira tenho que escrever tudo o que a mesma tem nela, sem tabus.

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

Os trabalhos coletivos tem uma imensa importância na divulgação e incentivação aos novos autores, e quando os autores que já têm “obra” se unem nestes projetos estão a fazer um trabalho emocional e social de grande importância. E não posso deixar deixar de me lembrar que foi numa antologia que este meu percurso começou, é isso que penso quando participo e organizo estes projetos. E estes projetos são registos históricos desta época em que vivemos e escrevemos, múltiplos sentires registados em livros.  

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

As redes sociais levam-nos a todas as partes do mundo, através delas conhecemos pessoas muito interessantes que nunca nos iríamos cruzar se não fossem estas plataformas. Na escrita somos lidos e lemos sem fronteiras. Com as redes sociais aprendi e aprendo imenso todos os dias.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

O universo da escrita é um universo de seres humanos, cada um com o seu caráter e forma de ver e viver. A escrita em primeira linha é uma catarse para o autor, quando o que escreve chega ao leitor há um elo maravilhoso. A ligação com outros autores é mais uma mais valia, partilha de conhecimento e sentimentos. Os negativos são os egos, a vaidade e a falta de caráter de quem constituí este universo.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Um tema complexo, os meios de comunicação social são a melhor forma de divulgação, no entanto na área da escrita pouco ou nada fazem ( falo dos canais nacionais). As editoras na maior parte são tão desconhecidas como os autores e ficam-se pela edição da obra em virtude de não serem aceites nos meios literários, e o autor fica por sua conta. As editoras que já tem projeção ficam pelas muitas e boas obras dos conhecidos, ou pelos conhecidos que vendem...tudo isto observo há anos e parece a história do cão atrás do rabo. O que acontece na realidade são os autores que se divulgam via redes sociais e alguns projetos como por exemplo este do “ Toca a falar disto” que são um ponto de encontro dos autores e leitores. E arrisco a deixar esta mensagem, em vez de ser cada um por si, em volta de egos sem sentidos, os autores deveriam unirem-se, deviam participar mais nas iniciativas que muitos se esforçam por as fazer. Sim, porque tudo que é feito dá muito trabalho nos bastidores e muitas vezes os autores que mais reclamam falta de divulgação são os que não aparecem, os que nada fazem em prol da literatura, e muitas vezes é apenas uma presença numa tertúlia...

8 - Quais os projectos para o futuro?

Não faço projetos. Cada dia que vivo é um projeto a concretizar. Escrever faz parte de mim e creio que a cada dia o irei fazer para mim e por mim, se um dia serão obras ou não pouco me importa. E irei sempre tentar com as minhas possibilidades dar a conhecer autores, e viver o sonho de que o universo da escrita pode ser uma união e não divisão.

9 - Sugira um autor e um livro!

Um só livro e um só autor é pouco para sugerir. Há livros que me marcaram e autores que numa obra gostei muito de ler e noutra já não aconteceu. Como é para responder vou deixar a sugestão poética da obra de Al Berto “ O medo”.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

O que faria se fosse Ministra da cultura?
Claro que isto nunca seria uma realidade por muitas razões e uma delas é que a politica não me seduz...se fosse ministra tentaria que os livros fossem mais baratos sem tantas taxas de IVA e lutaria para que as ajudas ao meio literário e cultural fossem como o são noutras áreas, as desportivas por exemplo. Num país tão criativos, com tanta arte não há por parte dos governantes a atenção devida e merecida. A arte e a criatividades são marcos históricos e seria bom que fossem apoiados agora e não só daqui a 100 anos como tem acontecido ao longo de todo o tempo...

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