quarta-feira, 11 de junho de 2025

Devaneios sarcásticos 22 - Emanuel Lomelino

Devaneios sarcásticos 

22

Esta coceira subcutânea é uma reacção alérgica à imodéstia que voga nos ares circenses do universo individualizado das palavras.

Há um formigueiro que alastra corpo acima, como um farol de incómodo, e um outro, de jactância, que sobrevive à base de ácidos, pompa e circunstância.

A questão central é, precisamente, ser tudo lateral, periférico, limítrofe, marginal, à essência da arte. Tudo é engodo e subversão. Um chamariz veneziano para um corso de elitismo pedante.

O problema não está na vaidade presunçosa, mas sim nos rostos de plástico e sorrisos acetilenos, que escondem facas nos cós e fatuidade nos gestos, como se o mundo dependesse de esturjões e cosméticos, ao som de pífaros e violinos, numa noite de fábula e histórias da Carochinha, de portas cerradas aos pés-no-chão e olhos-abertos.

E não há metáforas suficientemente impactantes para descrever a arrogância pífia desta nova tendência aristocrata que grassa, e se alastra como sarna, nas letras Iscariotes.

EMANUEL LOMELINO

terça-feira, 10 de junho de 2025

Prosas de tédio e fastio 61 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

61

Abrem-se as portas da introspecção e na balança do deve e haver são pesados todos os passos, recuos e avanços.

Na avaliação, somam-se virtudes, méritos, nobreza, honra e altruísmos, e subtraem-se defeitos, vícios, transgressões, imperfeições e fraquezas.

O resultado desse exercício meditativo nem sempre corresponde à realidade porque existe uma tendência para a parcialidade, contudo, sendo-se honesto, chega-se a conclusões interessantes que podem ser benéficas, se usadas para limar arestas e alterar comportamentos.

Seja como for, a reflexão é a base holística do autoconhecimento e jamais pode ser reprimida, bem pelo contrário, deve ser entendida como uma oportunidade única para analisarmos as diferenças entre aquilo que queremos ser e o que somos na realidade. Só depois poderemos concluir se temos a fibra necessária para nos transformarmos no nosso ideal.

EMANUEL LOMELINO

E a maldição (excerto 4) - Rose Pereira

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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De qualquer forma, depois de quase cinco anos, René havia cumprido parte da pena determinada na sentença, estava na condicional, e Marta agora precisava resolver a sua vida.
O pedido de pensão da filha pôs um ponto final em qualquer possibilidade de harmonia entre os dois. Era tudo ou nada. E finalmente decidiu negociar a casa e assegurar-se com a pequena, bem longe da cidade natal.

EM - ESTAVA ESCRITO - ROSE PEREIRA - IN-FINITA

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Pensamentos literários 28 - Emanuel Lomelino

Pensamentos literários 

28

Deste lugar privilegiado, o horizonte é céu, terra, um rio navegado por inúmeras embarcações, uma ponte percorrida por uma infinitude de veículos, e todo o tempo que o meu olhar demora a perceber a totalidade da paisagem.

Igual extensão temporal existe na construção de puzzles, na leitura de dois capítulos dos Maias, ou na elaboração dos exercícios de escrita que, indiferente, partilho.

A mesma cadência existe no entrançar de pensamentos desta mente irrequieta, que se dedica (de corpo e alma; de fio a pavio) a dar voz à esquizofrenia que me define.

Não há nada mais nefasto para um ser-escrivão do que a ociosidade das mãos e a preguiça de uma pena.

Por isso, quando não escrevo sinto-me inútil e faço das tripas coração para que as folhas de papel (ou a tela do PC) estejam de bom humor e aceitem receber as palavras que nascem de mim.

EMANUEL LOMELINO

Velas perfumadas (excerto 5) - Daniele Rangel

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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No outro dia, no café da manhã, com os pedaços de chocolate prometidos, sorrisos de felicidades no rosto das crianças e falta de fé no rosto dos pais, a campainha tocou. Era a tia-avó beata que tinha chegado cedo para ajudar com as crianças naquele dia. Tinha chegado cedo mesmo, pois já fora na missa e já rezara o terço em casa. Os meninos correram para abraçá-la.

EM - TUDO SOB CONTROLE - DANIELE RANGEL - IN-FINITA

domingo, 8 de junho de 2025

Prosas de tédio e fastio 60 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

60

Estou cansado destes ares poeirentos que teimam em frequentar os espaços, sem ventilação, onde exerço o labor que me mortifica.

Não há um dia sem que essa presença fétida e mórbida fique a pairar sobre mim, como nuvem de tempestade iminente, mesmo resguardado no vazio das ideias e na leveza dos passos.

É uma fadiga crescente, ácida e pérfida que, acima de tudo, consegue perpetuar todos os desconfortos mais tempo do que o necessário, como um post-it esquecido e com lembrete desatualizado.

É inglório chegar-se à madurez da existência, apto para gerir colateralidades e administrar as doses certas de equilíbrio, e ter de inalar todos os vapores inválidos e fora de prazo, expelidos pelas chaminés do infortúnio, como um despertador que recusa silenciar-se.

Neste contexto, há muito deixei de acreditar ser possível escrever direito por linhas tortas. Por mais que as estique voltam sempre a encarquilhar.

EMANUEL LOMELINO

A biblioteca da Sofia (excerto 2) - Fátima Santos

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Havia muitos meninos que iam à Biblioteca para ouvir os contadores de histórias. Sentavam-se em círculo, numa sala luminosa, folheavam os livros, completavam histórias, faziam desenhos e, através da fantasia, voavam com as fadas, viajavam com os príncipes e as princesas, mergulhavam com as sereias e os golfinhos nos oceanos, ouviam a imitação de vozes de pessoas, de pássaros, de unicórnios voadores e de dragões comilões. Entre a realidade e a ficção, era um momento de diversão e de alegria.

EM - A BIBLIOTECA DA SOFIA - FÁTIMA SANTOS - IN-FINITA

sábado, 7 de junho de 2025

Devaneios sarcásticos 21 - Emanuel Lomelino

Devaneios sarcásticos 

21

No horizonte, duas áleas de fogo-fátuo iluminam, com as suas línguas afiadas de fome, as gordas passadeiras da presunção.

Pernas torneadas, por óleos, lâminas depiladoras e solário, avançam na vaidade dos passos altivos rumo ao salão pedante, como se a vida fosse movida a esturjão e champanhe francês.

Os espelhos refletem a modesta jocosidade dos engraxadores de crinas escovadas e gravatas espampanantes, que bajulam girafas anoréticas, e outras aves-raras, de pescoços nus e manchas retocadas a botox.

Até os lustres e candelabros receberam suas doses de unguentos de brilho cristalino para irradiarem pompa e circunstância sob as ocas cabeças de gel, laca e outros gases aspergidos.

E este cenário de saltos-altos e narizes polvilhados só fica completo havendo trovoadas de flashes e adulações vocais porque, quando o sol retornar aos céus, o mundo plebeu vai querer vibrar com a ostentação dos bonecos movidos a exuberância fútil, lisonjas supérfluas e capas maquilhadas.

EMANUEL LOMELINO

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Prosas de tédio e fastio 59 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

59

Quando sou abraçado pela paz dos meus mais preciosos silêncios, consigo levitar sobre a dureza dos dias como nuvens sopradas pela brisa matinal de verão.

Nas veias, correm livres, jangadas de júbilo sobre rios de esperança e o corpo, suspenso num raro frémito aliviado de tensão, flutua numa boia de confiança, prazer e bem-estar.

Os passos nascem com a agilidade felina e corajosa de quem enfrenta o mundo de peito aberto às adversidades, e os gestos brotam soltos, leves e indolores, numa completa indiferença sensitiva, apenas acessível pela dose certa de robustez emocional.

As encruzilhadas são meros detalhes de uma jornada que se faz primaveril, para deleite dos sentidos anestesiados pela beleza dos horizontes, que se mostram mais nítidos e definidos.

Depois… bem, depois volta o cinzentismo dos dias invernais, mas o espírito, calibrado pela serenidade da reflexão, tem a firmeza suficiente para ultrapassar os obstáculos que os combates da vida proporcionam.

EMANUEL LOMELINO

quinta-feira, 5 de junho de 2025

Prosas de tédio e fastio 58 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

58

Embora o tempo esteja a esgotar-se, ainda tenho esperanças de encontrar, em vida, o contrato de adjudicação e a licença empresarial da fábrica que fornece os problemas e contratempos que cruzam o meu caminho.

Depois, caso consiga o contacto directo, pedirei uma reunião de trabalho com os máximos responsáveis da empresa (CEO, diretor criativo, chefe de produção, chefe da logística e de distribuição) para procurar entender os fundamentos-base na definição da complexidade e género de obstáculos que me destinam, conhecer os critérios usados para estabelecerem o momento exacto de confrontar-me com cada item, saber as razões para a frequência, quase diária, das entregas feitas e, mais importante de tudo, por que carga de água devo pagar as faturas de artigos que nunca encomendei.

EMANUEL LOMELINO

E a maldição (excerto 3) - Rose Pereira

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Apesar da situação, Marta arrumou um emprego e meios para deixar a pequena Geórgia na casa de suas irmãs durante o dia. E até que encontrasse outra saída, decidiu que passaria o mínimo de tempo em casa com a filha.
Tanto corria risco desfrutando do conforto que era seu, quanto se ausentando demais dele. Este dilema fazia crer que ainda continuava sem ter onde morar.

EM - ESTAVA ESCRITO - ROSE PEREIRA - IN-FINITA

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Devaneios sarcásticos 20 - Emanuel Lomelino

Devaneios sarcásticos 

20

Interrogo-me sobre o paradeiro das palavras que, por falta de caneta e papel, ficaram por escrever. Aquelas que, abandonadas a sorte nenhuma, ficaram recolhidas no orfanato do léxico à espera de serem adoptadas por outros progenitores mais merecedores e sedentos da sua significação e importância.

Quantos serão os adjectivos, vagabundos silenciados com uma folha curricular debaixo do braço, que deambulam de estômago vazio e a esperança cosida na lapela?

Por onde andarão os advérbios sem modos e de nariz empinado que emergiram num momento de lucidez jamais registada?

Para onde navegarão agora aqueles verbos imponentes, contudo esquivos, que miraram o porto da criação com olho gordo, mas não saíram da embarcação da mente?

Como estarão os substantivos que um dia afloraram e foram barrados nos portões do estro, por não haver trajes de tinta nem hábitos de papel para os embrulhar numa qualquer história sem moral?

Como pode ser esdrúxula uma tarde sem pena nem caderno e palavras reprimidas!

EMANUEL LOMELINO

Velas perfumadas (excerto 4) - Daniele Rangel

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Pai e mãe entreolharam-se sem saber o que fazer. Os batidos na porta continuaram insistentemente, acompanhados de desesperados “mãnhê”. A mãe pediu para abrir a porta e o pai, ainda vestido, obedeceu desanimado. Porta aberta e as crianças correram para a cama, assustadas com quantidade de velas no quarto. O mais velho olhou elas e para as mãos do pai.

EM - TUDO SOB CONTROLE - DANIELE RANGEL - IN-FINITA

terça-feira, 3 de junho de 2025

Prosas de tédio e fastio 57 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

57

Por vezes as memórias estendem-se, lado a lado, como toalhas de praia, alinhadas na areia fina, a olhar cenografias esgotadas, numa tentativa de fazer aflorar nostalgias.

Noutras alturas, as expectativas desenham cenários e enredos, como fossem oráculos druidas à procura de enraizar em nós teias de hipotéticos felizes augúrios.

Não lhes dou, a ambas, a atenção que pedem porque, talvez fruto de irreverência ou rebeldia, eduquei-me a valorizar o palpável e a não desperdiçar energia com as miragens do tempo, que nada mais são do que engodos da mente, cujo objectivo principal é desviar-nos o foco daquilo que realmente importa e pode impactar na vida.

Não há nada mais decisivo do que o agora; o momento; aquele ínfimo fiapo temporal que determina o nosso futuro e grava o passado que nos explica. Esse ténue instante que surge e nunca se repete, para o bem e para o mal, mas que tem o condão de ser a nossa versão mais verdadeira, mais genuína, mais espontânea.

EMANUEL LOMELINO

A biblioteca da Sofia (excerto 1) - Fátima Santos

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Quase todas as tardes, quando saía da escola, a Sofia ia com a mãe à Biblioteca Municipal ouvir histórias. Os dias já eram maiores, os pássaros faziam círculos no céu azul e os jacarandás coloriam a avenida onde se localizava o imponente edifício que guardava milhares de segredos nas páginas dos livros adormecidos nas estantes.

EM - A BIBLIOTECA DA SOFIA - FÁTIMA SANTOS - IN-FINITA

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Pensamentos literários 27 - Emanuel Lomelino

Pensamentos literários 

27

Por mais que tentem escamotear, no universo da escrita existe uma enorme diferença entre expectativas e realidade. Para além dessa máxima incontornável, quase nunca os cenários são exactamente como se pintam. O mesmo é dizer: raramente aquilo que se espera corresponde ao que se obtém.

Por outro lado, e porque aquilo que move os autores contemporâneos é muita coisa menos devoção à escrita, os leitores menos avisados – ou desatentos – acabam por comer gato por lebre pela forma hipnótica como os “produtos” lhes são escarrapachados nos focinhos e pela ofuscação propositada que os holofotes virtuais provocam.

De alguns anos a esta parte, a literatura tem vindo a ser preterida em detrimento de carnavais e circos de escrita, com os autores a submeterem-se ao papel de malabaristas - alguns com inusitada prepotência e falsa modéstia (porque acreditam ficar-lhes bem).

Já não se discute literatura. Ninguém fala de criação. Só existe apetência para a autopromoção, para o elitismo folclórico alicerçado na troca de favores e louvores, para o fogo-de-artifício fátuo que maravilha mais do que as letras.

Por tudo isto acredito que, hoje em dia, as tendas circenses são, maioritariamente, preenchidas por iletrados.

EMANUEL LOMELINO

domingo, 1 de junho de 2025

Prosas de tédio e fastio 56 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

56

Há uma tendência mística para qualificar todos os seres. Existem ligações aos elementos da natureza: água, terra, fogo, ar e o éter (clássicos); e aos atómicos: sólido, líquido, gasoso e plasma.

Se fizermos a ligação entre os elementos da natureza e os atómicos vamos encontrar correspondências lógicas: água/líquido, ar/gasoso, terra/sólido, fogo/plasma. E o éter?

Se pensarmos nas características do quinto elemento, os seres de éter são vazios, logo completos pela natureza do nada, do vácuo, de não-matéria.

Deste modo, e enquanto os cientistas continuam à procura de provas irrefutáveis que confirmem a existência do éter, talvez distinto dos conceitos divinos consagrados pelos filósofos, podemos concluir que os seres etéreos não existem ou, quanto muito, são confundidos na essência e, identificar alguém como ser de éter, é uma presunção descabida que roça a imbecilidade. E imbecis existem, tal como os buracos negros.

EMANUEL LOMELINO

sábado, 31 de maio de 2025

Prosas de tédio e fastio 55 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

55

As gaivotas estão alinhadas no pontão, à espera do momento certo para agitarem as asas, enquanto os cágados sobem aos solários para aquecerem as carapaças e os patolas dividem pasto com os pombos – oportunistas-mor do parque.

Na outra margem do lago, a avó delicia-se com o espanto infantil que a netinha demonstra ao ver o aspersor regar a relva luxuriosamente verde.

Os bancos de jardim começam a ficar ocupados por gente sem horário, viciados em ecrãs táteis, novos românticos e apreciadores de solidão ao ar livre.

Num canto resguardado, o PT da moda dá instruções gímnicas ao escanzelado que, banhado pelo esforço, tenta transparecer atleticismo para impressionar as loiras saradas que usam o trilho próximo.

Joggers, runners, ciclistas e trotineteiros cruzam-se invisíveis, na pista de alcatrão laranja, com a voluptuosa patinadora quase desnuda, cuja movimentação acelerada provoca alvoroço no pontão. Uma a uma, as gaivotas abrem as asas, levantam voo e grasnam à sua passagem. Os cágados mergulham para arrefecer as carapaças, os patolas refugiam-se sob a água aspergida e só os oportunistas-mor continuam, impávidos e serenos, entregues à rapinagem, numa indiferença pombalina.

EMANUEL LOMELINO

sexta-feira, 30 de maio de 2025

Prosas de tédio e fastio 54 - Emanuel Lomelino

Prosas de tédio e fastio 

54

Sonhei que as páginas de um caderno abriam as linhas, como bocas famintas, para se alimentarem das palavras que, devoradas, ficavam caducas na sua essência.

Os verbos perderam força, os adjectivos secaram e os substantivos cortaram os pulsos com as vírgulas afiadas, com medo de ficarem, eles próprios, enfermos de amnésia.

De repente as metáforas deixaram de ser funcionais e os pontos de interrogação tentaram agarrar-se aos rodapés íngremes como penhascos, numa tentativa de protelar a sua extinção.

O apocalipse parecia estar a ganhar vida quando, no momento em que o frémito de todos os vocábulos pegou fogo, as labaredas envolveram o caderno que começou a contorcer-se até transformar-se num monte de cinzas-negras e um sol apareceu no horizonte anunciando renovação.

As palavras sacudiram o pânico dos ombros, deram os braços chamuscados, umas às outras, e prometeram continuar a sua função de retratar por extenso toda a amplitude das línguas de Babel.

EMANUEL LOMELINO

E a maldição (excerto 2) - Rose Pereira

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Entretanto, Marta logo se convenceu de que não haveria paz com a menina naquele lugar. Assustava-se à noite com os barulhos. Ouvia sussurros estranhos pelo lado de fora das portas. Durantes as madrugadas, jogavam pedras em cima do telhado, e ela temia que perfurassem o teto e caíssem sobre suas cabeças. Tentava proteger-se como podia, agarrada à filha. A pressão aumentava. Seus sonhos e planos estavam ameaçados pelo ódio dos que se diziam injustiçados.

EM - ESTAVA ESCRITO - ROSE PEREIRA - IN-FINITA