Toda a gente já me ouviu dizer que a minha praia é a poesia. No entanto, isso não invalida que eu absorva e me estimule com outras leituras. E uma das últimas que fiz fora da poesia foi o livro PORTAS MÁGICAS (Romance Fantástico) da autora MARTA TEIXEIRA PINTO. Sem me alongar muito em considerações sobre a obra, não quero deixar passar a oportunidade de dizer publicamente que este livro não fica a dever absolutamente nada aos grandes nomes do género que por norma são best-sellers no nosso mercado. Se mais razões não houvesse, esta seria suficiente para justificar a entrevista que se segue. Quero também deixar expresso o meu agradecimento à autora pela disponibilidade em responder às minhas perguntas.
SOBRE A AUTORA E A OBRA
MARTA TEIXEIRA PINTO, nascida em Lisboa e a residir na margem sul, sempre adorou livros com especial preferência para as histórias de fantasia, lendas, mitos, contos tradicionais e de fadas. O interesse pela escrita revelou-se muito cedo e é parte importante da sua vida. PORTAS MÁGICAS é o seu primeiro trabalho publicado e foi escrito quando tinha vinte e um anos.
ENTREVISTA
1 - Como e quando surgiu o gosto pela escrita?
O meu gosto pela escrita surgiu quando era criança,
no quarto ano do primeiro ciclo. Tinha uma professora que nos pedia duas
tarefas semanais relacionadas com a leitura e a escrita: uma era escolher e decorar
um poema (que teríamos de declamar perante a turma) e a outra era escrever uma
pequena história (que teríamos de ler à turma). A partir daí, escrever
(pequenas histórias, contos, descrições de momentos, lugares e estados de
espírito) passou a ser um hábito e também uma necessidade.
2 - Quais os factores principais para enveredar por
um género de escrita pouco explorado por autores portugueses?
A minha madrinha (que não é fada, mas que, às vezes,
parece!) costuma dizer que o verdadeiro sucesso está em fazer-se o que se gosta
e eu não poderia concordar mais. Portanto e, respondendo à sua pergunta,
enveredei por este género porque (até agora) é o que mais gosto. Penso que o
facto de ser pouco explorado por autores portugueses também poderá ter
espicaçado o meu lado mais aventureiro e sedento de desafios. Afinal, se em
Portugal se «consome» literatura fantástica porque não «produzi-la»?
3 - Que razões encontra para a escassez de autores
portugueses neste registo?
Não posso falar por ninguém mas, no meu caso, o que
fez com que Portas Mágicas passasse cerca de dezassete anos «na gaveta»
foi a aparente falta de interesse do mercado livreiro português pela publicação
de livros deste género escritos por autores nacionais. Penso que quando esse
interesse se manifestar de forma clara e inequívoca, os autores portugueses do
fantástico aparecerão. Eles existem! Andam é um pouco escondidos.
4 - Até que ponto misturar fantasia, magia e
fantástico torna difícil a criação de personagens e enredo credíveis?
Criar personagens credíveis foi (e é!) uma das
minhas principais preocupações. Gostaria que as minhas personagens principais
fossem «pessoas» com as quais os leitores pudessem identificar-se e empatizar, nas
quais pudessem encontrar bons modelos e inspiração, sobretudo o público mais
jovem. Para criá-las tive, em primeiro lugar, de pensar no tipo de pessoas que
eu própria gostaria de ter a meu lado nos momentos mais difíceis e desafiadores
e, em segundo lugar, de inspirar-me nos meus amigos e familiares mais próximos.
Com estas duas «ajudas», acabou por não ser muito difícil.
Quanto ao enredo, gostaria que fosse suficientemente
crível para conseguir «transportar» os leitores para a ação do meu mundo de
fantasia e torná-lo seu. Na altura, não posso dizer que tenha sido muito
complicado, talvez por eu própria ser muito jovem, por estar a fervilhar de
histórias por contar e por vestir este meu mundo fantástico como uma segunda
pele.
5 - Que autores mais a influenciam? Porquê?
Na altura em que escrevi Portas Mágicas,
teria de dizer que os autores de fantasia e fantasia histórica que mais me
marcaram foram J.R.R. Tolkien, por ser o mestre do fantástico por excelência,
C.S. Lewis, por ter tido a ideia de transportar os seus jovens e atribulados
protagonistas para um mundo mágico de beleza inebriante, e Marion Zimmer
Bradley, pela forma apaixonante como pegou em mitos e lendas de sempre e os
contou do ponto de vista das suas inesquecíveis personagens femininas.
Atualmente, não poderia deixar de referir J.K. Rowling, pela sua imaginação
prodigiosa e pelo seu sentido de humor fabuloso, e, sobretudo, Juliet
Marillier, pela sua escrita sublime e pela sua capacidade de transformar contos
tradicionais em romances épicos.
6 - Em que circunstâncias surgiu a oportunidade de
editar e quais as expectativas iniciais?
Há cerca de dois anos, comecei (ou antes, recomecei) a procurar uma editora que
tivesse interesse em publicar Portas Mágicas. Depois de várias
tentativas frustradas, no início do Verão de 2012 uma grande amiga falou-me da
Editora UNIVERSUS e sugeriu-me que entrasse em contacto com Maria José Lacerda.
Foi o que fiz e, a 15 de dezembro de 2012, o livro foi lançado. Parece ter sido
simples, não parece? Mas não foi. Foram dezassete anos de dúvidas, incertezas e
respostas negativas ou inexistentes. Quando surgiu o nome da UNIVERSUS, não
sabia o que esperar, mas também não estava disposta a desistir. Felizmente,
deram-me a resposta que fez a diferença!
7 - Surpreendeu-a o sucesso que foi a sessão de
apresentação? Porquê?
Sim e não. Por um lado, fiquei surpreendida com
adesão de pessoas que eu não conhecia e que se deslocaram ao evento do
lançamento para assistirem e participarem. Jamais o esquecerei. Por outro lado,
não posso dizer que fiquei surpreendida com a adesão da minha família e dos
meus amigos, alguns dos quais vieram de muito longe para estar presentes naquele
momento tão importante para mim. A maior parte são pessoas que estão sempre lá
para mim e com as quais sei que posso contar incondicionalmente, o que muito me
comove.
8 - Que retorno tem tido por parte dos leitores?
O retorno tem sido bastante positivo, o que muito me
alegra, claro! Já ouvi e li as expressões «mágico», «fantástico»,
«apaixonante»… Encorajador, certo?
9 - Projectos para o futuro?
Para já, pretendo terminar e publicar o resto da
saga Portas Mágicas (que penso que será uma trilogia) e dar seguimento a
outras ideias e projetos que tenho em fila de espera. Um deles talvez passe por
reunir todos os pequenos contos e histórias que tenho escrito ao longo dos anos
e tentar publicá-los. Vamos ver as oportunidades que surgem.
10 - Que conselhos dá a quem pretende seguir o mesmo
género literário?
Os conselhos que posso dar aos outros são os que dou
a mim própria: não desistir (mesmo quando não obtemos respostas), acreditar (que
somos capazes), continuar a escrever (ainda que mais ninguém pareça
interessar-se pelo que escrevemos), arriscar (porque ouvir um «não» não é o fim
do mundo), continuar a arriscar (porque há sempre a possibilidade de ouvir um
«sim»). J











