segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

DEZ PERGUNTAS A... VÍTOR COSTEIRA

Agradecemos ao autor pela disponibilidade em responder às nossas questões

1 - Como se define enquanto autor e pessoa?

Penso que o Autor e a pessoa, no meu caso, se confundem um pouco. Somos um só. Apenas a roupagem se altera, pois a pessoa é mais do que o Autor, uma vez que se entrega à Família, a Amigos, a funções, tarefas e a actividades diversas, para além de se entregar ao próprio Autor. De qualquer das formas, o fio condutor entre os dois está na forma como entende o mundo onde se insere. Sou um observador e um captador de sensações. Tal como com a fotografia, eu retenho a memória dos momentos dos outros e dos meus. Depois, passarei para uma escrita feita de Poesia ou Prosa... ou não.
Sou defensor de tudo quanto possa unir as pessoas, acreditando que é a diversidade que embeleza a unidade! Somos parte de um todo perfeito, daí sermos não-perfeitos, pois somos apenas parte.

2 - O que o inspira?

O Amor, a Amizade, a dor, a felicidade, os outros, os outros, os outros, sempre aprendendo com os outros, permitem-me um vasto manancial de inspiração! Assim como também a Natureza, pois ela é o suporte vital para toda esta compreensão de um todo, que me leva a inspirar nela mesma e no meu papel tão reduzido, mas tão importante!

3 - Existem tabus na sua escrita? Porquê?

Não chamaria “tabus”, mas não me vejo a escrever poesia sobre emoções, sentimentos passionais e mesmo erotismo, como se estivesse escrevendo um manual de instruções para reparar um electrodoméstico. Não sinto necessidade de descrever um acto literalmente. Tabus? Não, não sinto que tenha.

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

Tal como existem, na maior parte das que eu conheço, honestamente, não me atraem as antologias e/ou colectâneas. Acredito que estes livros sejam importantes para muitas pessoas, pela possibilidade de verem a sua escrita em papel que todos possam ler de outra forma e pela circunstância de estarem lado a lado com alguns poetas e poetisas de quem são admiradores. Em termos literários, para um autor que escreva com objectivos mais vastos, creio que estas obras não dirão muito, mas não deixarão de ser uma ferramenta de divulgação do que fazem possibilitando sempre o encontro latente com outras mentes e outros estilos e géneros literários. Acredito que, na maior parte dos casos, estas compilações se abram apenas nas páginas dos que as adquiriram, por eles, pelos seus familiares e pelos amigos. Há uma certa falta de cultura literária que grassa pelo público em geral, mas também pelos próprios autores.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

No meu caso, as redes sociais terão sempre que ser lembradas como o primeiro veículo de divulgação do que eu escrevia. Sempre tive uma aversão às redes sociais, mas acredito que tal acontecesse por deficiente informação da minha parte. Eu iniciei o meu percurso nas redes sociais no Google+, como forma de expor imagem digital, de que sou forte adepto e autor também, para além de um outro passatempo, a fotografia. Mais tarde, comecei a ilustrar as imagens com pequenas frases que ia escrevendo... era já o bichinho da escrita que me ia desassossegando e convidando a mostrar o que eu já fazia há muitos anos, mas que a ninguém mostrava. Entretanto, uma boa amiga desafiou-me a mudar de ares e eu, finalmente, aceitei o desafio e passei a publicar no Facebook e ainda em outras plataformas digitais. Tudo mudou! Fui bem recebido. Os meus poemas passaram a ser lidos e ansiados por leitores que, alguns deles, me acompanham desde o primeiro instante. Para terminar este ponto, devo acrescentar que aqui cheguei apenas há cerca de dois anos sem nenhuma obra publicada. Neste momento, são já três livros de poesia e... o futuro mais dirá!

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Não consigo olhar para o universo da escrita e entendê-lo de forma diferente do universo social em que circulamos como indivíduos reais. Quem escreve são pessoas reais, são aqueles que encontraremos em espaços sociais e também em redes sociais. Aquilo que de bom e de menos bom acontece, no dia-a-dia das pessoas, também acontece no mundo da escrita. Somos todos nós, autores e leitores, quem teremos que destrinçar o que queremos ou não queremos, optando por aquilo que entendermos ser o melhor para nós e para a forma de entender os outros e o mundo em que acreditamos!

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Em primeiro lugar, entendo que o autor não deve desligar-se da sua própria divulgação, da sua alavancagem! Diria mesmo que, ele, Autor, é a peça-chave desse dar-se a conhecer aos potenciais leitores! Publicar algo, seja em que editora for, e esperar que o céu mude de cor apenas para ele... resulta no maior erro da sua “carreira” literária!
Depois, a própria editora não deve abster-se de apoiar a obra e o autor! Não estou a par do que pode ou não fazer-se, mas sei que uma obra que não se veja, de que não se fale, é obra morta e autor reduzido a cinzas! Resumindo, acredito que tudo resulte bem, se houver uma interacção saudável entre editora e Autor!

8 - Quais os projectos para o futuro?

Como ser humano, continuar o meu crescimento! Estudar, entender o que me cerca, respeitar a Natureza e os outros parceiros de caminhada e tentar ser feliz, nos momentos que assim o puder ser!
Como autor, ser o prolongamento da pessoa que cada vez mais quer ser melhor, crescer muito e chegar onde o meu sonho nem arrisca sonhar!
Iniciei a caminhada com a Poesia, mas os contos sempre aqui estiveram e ansiosos continuam espreitando!

9 - Sugira um autor e um livro!

É uma crueldade sugerir um autor apenas e um livro apenas! A literatura é uma vastidão de obras e autores acima de acima! Sinto-me redutor e injusto, ao mesmo tempo! Mas seria de todo fastidioso e impossível elaborar uma lista deles que continuaria a ser redutora e injusta!
Assim, aqui vai! De idioma estrangeiro, Gabriel Garcia Marquez e o seu “Cem anos de solidão”. De idioma português, José Saramago e o “Memorial do Convento”.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Pergunta: “O que o impulsiona a escrever?”
Resposta: Uma necessidade urgente em me ver do lado de fora de mim mesmo! Um saber entender-me melhor! Uma carência afectiva de mim para mim, que me permita gostar de quem sou!

2 comentários:

  1. Aqui deixo plantada a minha enorme gratidão, para com Emanuel Lomelino e Adriana Mayrink! Depois, o reconhecimento pela árdua tarefa de ambos em divulgar tanta e tão larga qualidade da escrita de idioma luso! Bem-hajam! Parabéns, ao Toca e à In-Finita!!!!

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  2. Muito bom, já te conhecia, mas com estas perguntas e respostas fiquei a saber mais de ti! Parabéns, sempre te disse que estavas no bom caminho e não me enganei! Sucesso são os meus votos mais sinceros, do fundo do meu coração! Beijinhos!

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