sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

A princesa e o príncipe (excerto) - Beatriz de Sá Gasparetto

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Era uma vez uma princesa que vivia num jardim, ela ficava todos os dias lá brincando feliz e alegre.
E também tinha um príncipe, mas ele não era tão feliz.
Ele morava num castelo e os pais dele eram muito bravos. Ele ficava todos os dias triste, porque os pais
dele não o deixavam brincar lá fora.
Ele não conhecia o mundo direito por causa dos pais. Só que um dia o príncipe quis fugir, ele não aguentava mais ficar lá dentro.
Quando ele estava lá fora ele viu a princesa, foi a hora que ele se apaixonou por ela.
Mas aí os pais dele viram, e ficaram tão bravos e mandaram o filho voltar pra casa e trancaram ele no quarto.

EM - MIÚDAS DAS LETRAS - COLETÂNEA - IN-FINITA

A dúvida (excerto 10) - Zélia Alves

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E António puxou-lhe delicadamente a cabeça para o seu ombro. Joana cedeu e chorou. Sentiu um misto de compaixão pela mãe e ao mesmo tempo revolta com a vida, que quando menos esperamos nos dececiona com problemas verdadeiros, quando a maior parte do tempo não os temos, mas inventamo-los. E só quando a vida nos deixa sem chão é que conseguimos avaliar o quanto nos agarramos a coisas mesquinhas que não deveriam merecer o desgaste de nossas energias e de nos pôr de mal uns com os outros.

 EM - A DÚVIDA - ZÉLIA ALVES - IN-FINITA

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Lomelinices 77 - Emanuel Lomelino

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Lomelinices 

77

Na íngreme e inclemente escalada da vida, sempre repleta de obstáculos expectantes e retardadores, não existem degraus baixos nem patamares lisos onde seja permitido cauterizar as mazelas e recuperar o fôlego, sem que a urgência do tempo não se faça sentir. Todas as decisões estão prenhes de imediatismo e há pouco espaço para hesitar. E tudo pesa mais a cada grão que se move na ampulheta.

Neste esforço continuado, sem pausas nem sossego, pode-se ganhar resiliência e robustez, mas perde-se vigor e agilidade.

Sendo certo que o mais importante é a satisfação do caminho feito, também não deixa de ser verdadeiro que as únicas medalhas conquistadas são adquiridas na dor, no sangramento, nas lágrimas, nas contrariedades, e isso é tudo menos justo ou animador porque as memórias de uma caminhada não deveriam ser apenas de sofrimento, mercurocromo e pensos-rápidos.

EMANUEL LOMELINO

A memória I - Welwitcha Cardoso

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A memória é importante na aprendizagem, permite reutilizarmos experiências do passado para uma nova experiência futura.
Por isso, tem a função de guardar dados durante algum tempo, também armazenar informações importantes e não importantes. Por exemplo, quando somos mais novas e fazemos algo de errado e nos ensinam o certo, depois, quando somos mais velhos, utilizando a memória, já sabemos o que fazer corretamente. Um outro exemplo é quando sofremos um acidente de carro e ficamos traumatizados com a situação, muitas das vezes não conseguimos voltar a conduzir devido à memória.
Concluindo, a memória é muito valiosa para o ser humano, por isso temos sempre de cuidá-la e estimá-la.

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quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Devaneios sarcásticos 8 - Emanuel Lomelino

Devaneios sarcásticos 

8

Percebo as preocupações gerais associadas à inteligência artificial, mas não entro na histeria colectiva dos argumentos baseados no prejuízo pessoal. Discutir os prós e contras numa visão intimista é reduzir a análise ao egoísmo.

Parto do princípio que a IA é apenas consequência lógica do progresso humano, (tal como a revolução industrial) com todas as qualidades e defeitos adjacentes.

Por ser uma questão da humanidade, este tema nunca obterá consenso porque, como prova a história, o progresso colectivo sempre aconteceu com o sacrifício de alguém. Uns beneficiam, outros são marginalizados.

Para não estender muito esta dissertação, e cingindo-a apenas a um aspecto do mundo da escrita (o meu mundo) entendo esta “ferramenta” como um divisor de águas dual. Por um lado, aumentará o número de autores que não são responsáveis pelas criações que assinam (esses existem desde sempre), por outro lado, acentuar-se-á o maior flagelo da humanidade – a preguiça.

Quanto ao benefício… deixarão de existir erros ortográficos… e sacrificam-se os revisores de texto.

EMANUEL LOMELINO

Naufrágio perdido (excerto) - Sara Rodrigues

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Sexta-feira à tarde, estava eu pasmada e surpreendida, tinha recebido a notícia de que iria ser parte da investigação do naufrágio perdido de Marco Polo. Era uma notícia de que estava há muito tempo à espera, quando soube que iria ter uma investigação de um naufrágio perdido, candidatei-me logo, já que sou uma superfã de aventuras e ainda mais se a história está envolvida em mistério. É aqui que começa uma aventura mais.

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terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Papaguear cultura 8 - Emanuel Lomelino

Papaguear cultura 

8

A minha opinião sobre a democratização na escrita é muito clara: serei sempre apologista do universalismo criativo, isto é, todos têm, mais do que o direito, o dever de escrever como lhes aprouver, do jeito que entenderem, sobre o que quiserem. No entanto, universalizar a criatividade não transforma todos os criadores em expoentes máximos nem lhes outorga genialidade.

Este posicionamento advém da observação que tenho feito do contemporâneo universo da escrita, de onde sobressaem duas correntes que, não tendo carácter ideológico-filosófico-criativo, procuram impor as suas razões antagónicas. De um lado a banalização, do outro a elitização.

Li recentemente que, no início do século XX, houve alguém que identificou o excesso de impressões (leia-se produção de livros) como sendo o principal factor de deterioração dos valores culturais da época.

Mesmo desconhecendo as circunstâncias que levaram a essa afirmação, fiquei a matutar sobre qual seria a reacção, do mesmo indivíduo, às enxurradas impressas de hoje.

Creio que, nesta matéria, nunca chegaremos a um entendimento de compromisso porque o direito de publicar jamais poderá ser negado e cabe aos leitores decidir o que é banal e o que é literatura, sem elitismos. O mesmo vale para outras vertentes culturais. E isso levanta mais uma questão: existem condições para que os consumidores de arte saibam e queiram filtrar?

EMANUEL LOMELINO

Ritinha (excerto) - Alicia Varela

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Numa bela manhã, a Ritinha acordou com uma sensação estranha. Mesmo assim, decidiu levantar-se da cama e ir até à janela para ver como estava o dia. Quando se levantou e olhou pela janela, viu uma pequena estrelinha que caiu do céu e rapidamente correu até à porta. A Ritinha vivia na nuvem mais branca do céu, pois a sua vida de heroína era muito divertida, mas secreta, então ela teria que viver num lugar mais escondido. A Ritinha recebeu uma mensagem de seu chefe, na mensagem dizia que ela teria que conseguir a chave que abre o portão da cidade encantada.

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O princípio do mundo (excerto 21) - Jorge Chichorro Rodrigues

 
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As palavras de Antão fizeram o capitão-mor sentir-se aliviado não era minimamente responsável pelo facto de ele ir habitar aquela terra selvagem onde tudo podia acontecer. «Nas Índias existe alguma previsibilidade, pode antecipar-se com alguma certeza o que vai acontecer... Mas quero que saibas que aqui tudo deve ser imprevisível pois, pelo que pudemos observar, os costumes e os valores da civilização estão totalmente ausentes…», disse Pedro Álvares Cabral.

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segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Lomelinices 76 - Emanuel Lomelino

Lomelinices 

76

Ah, meus pobres olhos! Na ânsia de tatuar o meu nome nas pautas do mundo, deixei de vos alimentar com os melhores néctares literários e agora, que a cinza toma conta das vossas íris, temo não ser capaz de vos devolver o brilho.

Ah, meus infelizes neurónios! Na intenção de gravar em mim o máximo de saber, semeei demasiadas sementes estéreis e agora, que o tempo é a preciosidade mais rara, receio não ter habilidade para vos restituir a clarividência.

Ah, meus miseráveis ombros! Na ambição de prolongar ao máximo a minha irreverência juvenil, suportei o peso de múltiplas existências, tal qual Atlas, e agora, que os músculos atrofiam e as forças se esvaem, suspeito que a energia que me sobra é insuficiente para vos revigorar.

Ah, malditos genes que possuo! A sequência dos vossos comandos biológicos guiou-me nos trilhos de uma esperança vã e o tempo, que me pertencia, foi desbaratado na ignorância do seu valor. Agora, no ocaso dos dias, a sapiência dos ventos e das marés não serve para nada - é somente cultura geral.

EMANUEL LOMELINO

Prisioneira em liberdade (excerto 15) - Maria Antonieta Oliveira

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A mãe era a quinta de cinco filhos, sendo quatro raparigas e apenas um rapaz, o avô Álvaro, antes dela nascer dizia que se fosse outra rapariga a matava à nascença, claro que os irmãos miúdos acreditaram, até porque segundo diziam ele até era um pouco arisco na forma de falar, então, e no dia 13 de abril de 1925 a irmã mais velha, na altura com 13 anos, foi pôr-se à escuta na porta do quarto dos pais, para saber qual a resolução do pai que logicamente foi de alegria, dizendo – vá lá escapas, estás a sorrir para mim.

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domingo, 12 de janeiro de 2025

Crónicas de escárnio e Manu-dizer 21 - Emanuel lomelino

17-09-2021

Primeiro apareceu o homem, depois a mulher – dois géneros. Surgiu o sexo para que masculino e feminino se reproduzissem - número. A humanidade prosperou e virou muitos homens e mulheres com desejo sexual – biologia. Depois a humanidade era tanta e o sexo tão frequente, mas banal, que começou a busca por novos sentires – poesia?

E o sexo foi inovado. Os humanos dividiram-se entre heterogeneidade e homogeneidade, deixando espaço para a bissexualidade – natureza. E logo vieram grupos e subgrupos sob pretextos e teorias diversas para autoexplicar os seus aparecimentos – retórica.

Alguns deles sentiam-se elas, elas sentiam-se eles, outros (eles) sentiam-se elas, mas com desejos de serem eles, e existiam elas que se sentiam eles, mas queriam pertencer a elas. E também havia outros, ou outras, que não se sentiam uma coisa nem outra – modernismo.

E ao longo de toda esta dúvida existencial surgida do sexo, por muito que contestem e se ofendam, a gramática manteve-se sem mutações e continuou a classificar artigos definidos e indefinidos com critérios de número (singular e plural) e género (feminino e masculino). “Os” que se sentem “as” e “as” que se sentem “os”, são idênticos a “uns” que se sentem “umas”, mas querem ser “uns”, a “umas” que se sentem “uns”, mas querem sentir-se “umas”, e a todos os outros e outras – igualdade gramatical prática.

EMANUEL LOMELINO

A dúvida (excerto 9) - Zélia Alves

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Ao longo de quatro horas, Joana e António foram consultando o processo, para atentarem nos exames que iam sendo feitos e seus resultados. Até que o pior foi transcrito: Suspeita de carcinoma na mama esquerda. Teria de ser submetida a biópsia para confirmação.
Salomé aguentara sem se queixar e sem ir ao médico e deixara-se chegar a um estado bastante avançado. Fazia parte do seu temperamento – “Não dar parte de fraca”, como aliás, era seu hábito.
O Natal estava à porta. Célia iria entrar de férias e Joana estava sem saber o que fazer. No fim do turno, disse a Tony que não tinha disposição de ir comprar as coisas necessárias para o projeto, mas pediu-lhe
que fosse com ela até à beira do Mondego, local preferido quando estava deprimida. Foram.

EM - A DÚVIDA - ZÉLIA ALVES - IN-FINITA

sábado, 11 de janeiro de 2025

Lomelinices 75 - Emanuel Lomelino

Lomelinices 

75

A loucura das horas furtivas – aquelas que envelhecem corpo e espírito – tem o condão de entorpecer as ideias impedindo a clarividência.

Quando não é combatida atempadamente, transforma-se numa vertiginosa sequência de delírios que tomam de assalto, de unhas e dentes, as vontades básicas, substituindo-as pelas mais insanas, como quem se omite das responsabilidades e transfere o poder de decisão ao subconsciente doentio.

Por isso, sempre que se encerra mais um dia, para não me deixar aprisionar nas teias desconfortáveis do aparvalhamento e aliviar a mente das toneladas de entulho acumulado, entro de cabeça num processo de elasticidade cerebral procurando, assim, reencontrar uma réstia de sanidade. Como? Entregando-me doidamente à leitura de uma obra clássica da literatura universal.

Abençoado terapeuta Celan!

EMANUEL LOMELINO

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Lomelinices 74 - Emanuel Lomelino

Lomelinices 

74

Não foi um plano delineado de forma proposital, no entanto, o mundo que construi em meu redor, e que me serve quase na perfeição, faz de mim um eremita urbano.

Nunca desgostei das pessoas, bem pelo contrário, contudo, pouco a pouco, com o avançar da idade e o desaparecimento de alguns seres especiais, acentuou-se no meu âmago a vontade de usufruir deste isolamento egoísta e limitar a minha presença ao inevitável.

Substitui conversas com gente interessante por diálogos mentais com outros deslocados temporais, nos quais me revejo, mesmo não subscrevendo todos os pensamentos, conceitos e ideias que defenderam, pelo simples facto de ser apologista das discussões saudáveis com pessoas capazes de argumentar civilizadamente.

Esta esquizofrenia lomeliniana apraz-me e, enquanto tiver laivos de razoabilidade, não deixarei de a alimentar porque também me cumpro no silêncio conturbado dos meus pensamentos.

EMANUEL LOMELINO

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Crónicas de escárnio e Manu-dizer 20 - Emanuel Lomelino

18-11-2023

O próximo objectivo literário passa por encontrar obras de Séneca e descobrir se ele realmente dividiu os homens em duas categorias: os que caminham em frente enquanto fazem alguma coisa e os que vão atrás só a criticar.

Caso a atribuição se confirme, terei de discordar, em parte, e dizer-lhe que se esqueceu daqueles que, deambulam entre as duas facções.

Sim, existem os proactivos. Os que traçam os seus próprios caminhos e vão construindo, pedra por pedra, o destino que melhor lhes convém. Seguem as suas convicções e assumem os riscos do erro.

Atrás vêm sempre os visionários de obra feita, com as línguas afiadas e prontos a apontar, efusivamente e de dedo em riste, todos os percalços, todos os equívocos, enfim, tudo e mais alguma coisa, sem sequer saberem do que estão a falar.

Entre uns e outros estão aqueles que, sabendo identificar possíveis vantagens ou inconvenientes, ora fazem caminhos paralelos aos primeiros, ora juntam as suas vozes sussurradas aos segundos.

Esses, chamemos-lhes dissimulados, camuflam as suas acções em trajectos marginais para fugirem aos olhos dos censores e murmuram opiniões para não serem escutados pelos empreendedores.

Se Séneca dividiu os homens em duas categorias, fica aqui o reparo ao seu pensamento. Caso não tenha sido ele, fico já com a dissertação feita e só tenho de alterar o destinatário.

EMANUEL LOMELINO

O princípio do mundo (excerto 20) - Jorge Chichorro Rodrigues

 
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Vejo-as coroadas imperadores no Império do Espírito Santo cheio de paz e de sabedoria... Tão serenos como estes bons selvagens só os estoicos da Antiguidade, que sabiamente jogavam xadrez enquanto perto deles se derramava sangue devido às iníquas e mundanas paixões humanas... Podeis imaginar, meus irmãos, o que significa conciliar a sabedoria dos estoicos gregos e das filosofias orientais com a inocência destes selvagens?

EM - O PRINCÍPIO DO MUNDO - JORGE CHICHORRO RODRIGUES - IN-FINITA

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Lomelinices 73 - Emanuel Lomelino

Lomelinices 

73

Há quem se queixe de, por mais que recomecem algo, o desfecho ser sempre igual.

Mas a questão é simples e sempre a mesma: presumir que os sinónimos representam, fielmente, a mesmíssima coisa, quando não é assim.

Mesmo parecendo terem significação igual, existe uma enorme diferença entre reiniciar e repetir.

Reiniciar é voltar ao início, mas isso não obriga, em momento algum, fazer-se tudo exactamente da mesma forma: isso, sim, seria repetir.

Ora, tendo presente essa pequena, mas essencial, nuance, não é difícil entender que cada regresso ao ponto de partida é uma possibilidade de mudança. Isso implica voltar à estaca zero, mas enveredar por outro caminho, outra via.

Só colocando em prática essa consciência é que o desfecho final poderá ter hipóteses de ser diferente.

Se reiniciar e repetir fossem exactamente o mesmo era impossível evoluir.

EMANUEL LOMELINO

Prisioneira em liberdade (excerto 14) - Maria Antonieta Oliveira

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A Madrinha Lourdes, foi, é e será sempre o seu ídolo feminino, pela forma de ser, de estar, de pensar, de ver e viver na sociedade, sendo ela uma pessoa doutorada pela Universidade de Coimbra, nos anos 35/40 do século XX, podia ser pedante, não falar a qualquer um, mas nada disso, dava-se com todo o pessoal que existisse na pensão da mãe; de vestir, de se ornamentar, de se perfumar, enfim, um ser humano fantástico, embora tivesse um feitio muito especial. Era rica, muito rica, mas nada recebeu com a sua morte, um dia disse à mãe, que a moça não a sabia levar e só iria perder com isso, e perdeu.

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terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Lomelinices 72 - Emanuel Lomelino

Lomelinices 

72

Como tantas outras vezes, iniciei a jornada sem destino premeditado – de peito aberto, ao sabor da despreocupação e empurrado pela brisa de cada dia.

Mas, ao contrário de outras caminhadas, decidi arregaçar as mangas, debastar os matagais mais densos, retirar, à força de músculos, os basálticos obstáculos, sem recuar nos inúmeros momentos em que alguns estilhaços, mais afiados do que cutelo de talhante, rasgavam a pele.

Hoje, avaliando as viagens, vejo que todas elas, independentemente do meu grau de resiliência e sacrifício, apenas me fizeram gastar as solas e voltar à estaca zero. Desta vez sem possibilidade de recauchutar os sapatos.

EMANUEL LOMELINO