quinta-feira, 20 de julho de 2023

Diário do absurdo e aleatório 9 - Emanuel Lomelino

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Diário do absurdo e aleatório 

9

Não existe falácia na ânsia causada por um silêncio violado pela maliciosa verve, intencionalmente impostora, que fere de garras afiadas os órgãos mais frágeis, como lâmina aquecida a perfurar matéria inflamável.

Não há remorso nas labaredas que beijam os sentidos na esperança de postular uma cauterização lenta até ao cessar dos dias, como a queda num precipício infindo.

Ninguém percebe a vontade intrínseca do sal líquido derramado como consequência do fétido ardor que um verbo pode causar quando penetra o interior imaculado – como floresta virgem - isento de mágoas e nódoas.

Ninguém entende a extensão dos danos perpetrados pela radioatividade das palavras ácidas, propositadamente regurgitadas como cuspidela traiçoeira de um réptil mal-intencionado.

Ninguém compreende o desgosto de um tímpano ferido de inverdades. Há um mórbido desejo de surdez permanente, que é herético, mas apetecido como água fresca em dia desértico.

EMANUEL LOMELINO

quarta-feira, 19 de julho de 2023

Diário do absurdo e aleatório 8 - Emanuel Lomelino

Diário do absurdo e aleatório 

8

Quando os vidros e espelhos se transformam em estilhaços espalhados de modo arbitral no solo roído pelos passos de outrora, não estão sós e isolados. Ficam na companhia da caliça que já foi reboco; de alguns tufos de pelos com proveniência incerta; de heras que se atreveram a romper o betão para despontar entre as frestas de um chão que já foi imaculado; de pedaços de mosaicos quebradiços que a passagem do tempo libertou; de fragmentos de papel retalhado e amarelado pelo mofo; de poeira bafienta originária de múltiplas fontes; de lascas de madeira caídas de armários descoloridos e empenados, cujas portas estão seguras por uma única dobradiça enferrujada; de uma poça de água choca que, volta e meia, é alimentada pela goteira que o telhado esburacado deixou formar, e por onde entram aves para o descanso nocturno ou para se protegerem.

Todo este entulho de ruína e caos é cúmulo de memórias descartáveis que alguém – que pode ser plural – deixou para trás como estivesse a abandonar o mais irrelevante de si.

EMANUEL LOMELINO

terça-feira, 18 de julho de 2023

Diário do absurdo e aleatório 7 - Emanuel Lomelino

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Diário do absurdo e aleatório 

7

Há uma fragrância almiscarada a perturbar as pálpebras húmidas de desencanto. Um doce odor de verde-feiticeiro que se prolonga no horizonte oculto, como a magia da claridade diurna de um dia pardacento.

Há um suave perfume de velhas orquídeas, pálidas e plácidas como hidromel requentado. Uma essência sem músculo, mas dotada de força e energia retumbante, que prende, como grilhetas enferrujadas, os sentidos desprevenidos e insonsos.

Há um aroma maduro de intensidade que se espalha na morna brisa de um verão escondido. Um bálsamo tão hipnótico como soporífero, que impregna de dúvidas a mente mais avisada – tal qual um narcótico amanhecer.

Há uma preguiçosa emanação furtiva que impede as vistas curtas e cansadas de alcançarem o mínimo vislumbre perene de uma miopia desacordada, como quem se omite, conscientemente, das funções mais mundanas – porque despreparados são os ofícios da inocência.

Há, no ar, uma pestilência omnipresente, com requintes sombrios e inoportunos, que toldam a razão sem remorso pelos danos causados, como se a visão de um espírito peregrino não conseguisse, por si só, vaguear entre curtumes e incertezas, na desafiante estrada que redemoinha a cada novo despertar.

EMANUEL LOMELINO

O abismo (excerto 16) - CARLA SANTOS

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Existe um túnel subterrâneo natural com mais de 600 metros de profundidade, e as lamas com que faziam as curas de banhos termais vinham à superfície devido a uma falha geológica. A nascente termal é natural de água quente e muitos sais marinhos com cerca de 200 milhões de anos. Estas rochas estão a mais de 2 km de profundidade, mas em determinados locais aparecem à superfície. Por incrível que pareça… a uma distância de aproximadamente 17 km da praia mais próxima: Santa Cruz... existe aqui água salgada... conhecida por Sal-gema, ocorre na bacia sedimentar meso-cenozoica ocidental ou lusitânica, formou-se no jurássico e permanece até aos dias de hoje. As anomalias gravimétricas, ou seja, o fornecimento de indicações sobre a crosta terrestre registradas na prospeção geofísica na praia de Santa Cruz estão na sua origem.

– O Vulcão dos Cucos...

EM - O ABISMO - CARLA SANTOS - IN-FINITA

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Diário do absurdo e aleatório 6 - Emanuel Lomelino

Diário do absurdo e aleatório 

6

O ritmo, a cadência, a duração dos fragmentos de tempo é igual para todos, sem excepção. Ninguém vive segundos, minutos, horas, dias, semanas com maior duração do que os outros. A diferença está na forma como cada um usa o tempo; no modo como o gasta; na utilidade que lhe dá; no desaproveitamento que lhe faz.

O tempo é um só. Tão regular e contínuo, quanto obstinado e persistente na constância. O tempo é obsessivo, dono do seu nariz, pouco lhe importando a forma, o modo ou o jeito como o preenchem.

A génese das queixas sobre o tempo está no grau de prioridade que cada um, em toda a sua vitimização, dá ao tempo que lhe cabe. Por isso existem os desleixados e os organizados; os irrequietos e os cómodos; os espalhafatosos e os discretos; os inteligentes e os chico-espertos; enfim, aqueles para quem falta tempo e os outros que têm tempo de sobra. Apesar do tempo ser sempre o mesmo.

EMANUEL LOMELINO

A viagem dos sonhos (excerto) - DALMO MEDEIROS

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Desde que comecei a viajar, incentivado por Angela, um dos sonhos era conhecer Liverpool, a cidade dos Beatles. Até 2006, eu nunca tinha saído do Brasil. Viajara muito pelo país, em tournês dos shows com o MPB4 e também com o Grupo Céu da Bôca no Projeto Pixinguinha (olha ele sempre ao meu lado...rs.).

Em 2006, surgiu uma brecha nos shows e decidimos ir à Argentina e darmos uma esticada a Bariloche, desejo de Angela. Essa foi minha primeira viagem a um outro país. Ficámos uns dias em Buenos Aires, visitámos alguns pontos turísticos como a Cale Florida, Caminito, bem próximo ao famoso Estádio do Boca Juniors, conhecemos a gastronomia argentina do Chorizo e dois dias depois rumámos para Bariloche.

A ideia era pisar pela primeira vez na neve, coisa que eu nunca tinha visto na vida. Já na descida do avião, vendo tudo branco pela janela, fiquei preocupado sobre onde, e quando, o avião conseguiria descer. O avião desceu bem e eu só relaxei quando pus as mãos no corrimão gelado da escada do aeroporto. Ficámos 3 dias em Bariloche, visitámos quase todos os pontos turísticos da cidade, subimos de teleférico pelo menos 3 montes que tinham estações de esqui. Lá, comemos a melhor lasanha acompanhada do melhor vinho que já bebi na vida, delicia. Por sorte, ficámos num hotel que estava inaugurando naquela semana, portanto, ninguém conhecia e ficava na estrada que levava as estações de esqui.

EM - ESTAVA ESCRITO NAS ESTRELAS - DALMO MEDEIROS - IN-FINITA

domingo, 16 de julho de 2023

Diário do absurdo e aleatório 5 - Emanuel Lomelino

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Diário do absurdo e aleatório 

5

O céu azul, o sol a pique e a vontade de, como o António, “estar bem onde não estou”, porque os desejos são como as miragens provocadas pelas ondas de calor – aquele bailado ondulante, no negro asfalto, que hipnotiza, mas sufoca.

Consigo refrescar a garganta seca de outras paragens, no entanto, o espírito mantém-se ressequido e ressentido pelo momento – penoso instante que se prolonga na esfera do desespero, tal qual dunas de um qualquer deserto.

A água simplesmente humedece os lábios gretados e trémulos, enquanto as rédeas do pensamento não deixam que os olhos se desembaracem da linha do horizonte desejado e distante.

Confrontado com a inevitabilidade palpável e real – antagonista da sentença do António – encolho os ombros e aceito, mais uma vez, a fatalidade de estar mal onde não quero estar, mas estou.

Que ninguém se compadeça.

EMANUEL LOMELINO

Os cheiros e os sinais de cada um (excerto) - ANGELA RODRIGUES

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Os cheiros me trazem claramente a alegria e a identidade familiar. Como o cheiro de cigarro da vovó no canto da boca ao meu lado, a firmeza de suas unhas vermelhas e grossas com o dedal, deslizando placidamente pelos tecidos e me passando uma segurança de que nada de mal me aconteceria.

No entanto, a lembrança mais significativa dela era o quanto parecia distraída e compenetrada ao pegar a lata de fitas e barbantes, um emaranhado de nós de fitas e barbantes. Não imagino o que a levava, em algum momento específico, a querer desatar tantos nós. Para quê? Esse registro visual e silencioso me marcou sem nunca termos falado sobre isso. Qual o sentido de tanto repetir esse gesto? O que passava pela sua cabeça?

EM - OS CAMINHOS DA CURA - ANGELA RODRIGUES - IN-FINITA

Peabiru (excerto 10) - CARLOS DOMINGUEZ

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Momento de encantamento. São agora umas quatro horas da tarde. Já estive neste local antes, mas não trazia na minha mente esta vida que hoje me move. E nunca havia estado aqui com o local absolutamente vazio. Somente os pássaros estão na catedral em ruínas. Os pássaros e três guardas que buscam sombra para esmorecer o calor insuportável ao sol. Mais de 42 graus. No imenso gramado verde, da portaria até o prédio da catedral, uma caminhada me oferece o raro vazio e tranquilidade em um local turístico.
Estamos ali Álvaro, eu e três guardas. O céu azul com a perspectiva de tormenta no fim do dia. O vento norte bufa quente. Quando chegamos, porém, na frente da igreja em ruínas, buscando a sombra das paredes, uma inexplicável sensação de frescor me paralisa. Silêncio nas paredes de arenito cor de barro. Apenas um cachorro late na vila ao lado do sítio arqueológico. A torre do sino, feita de tijolos imensos, tem três pavimentos, com 34 palmos de altura. A mente viaja.

EM - PEABIRU - CARLOS DOMINGUEZ - IN-FINITA

sábado, 15 de julho de 2023

Diário do absurdo e aleatório 4 - Emanuel Lomelino

Diário do absurdo e aleatório

4

Erradamente, supôs-se que a vida seria uma simples equação matemática. Mas alguém, fraco no domínio da álgebra e apenas conhecedor dos números inteiros, enganou-se nos cálculos por não contemplar décimas, fracções, ou raízes quadradas.

Supostamente, a vida deveria ser um segmento de recta. Todos a partirem de um ponto A para chegarem, linearmente, a um ponto B. Mas alguém, fraco em geometria, olvidou a existência de círculos, triângulos, quadrados, etc. Tampouco conhecia ângulos, senos, cossenos, tangentes, catetos e hipotenusas.

Na verdade, de nada nos serve sabermos fazer cálculos avançados ou trigonométricos porque a complexidade da vida ultrapassa todas as ciências.

Para facilitar as coisas, pensemos na vida como uma enorme espiral irregular que contradiz todas as teorias conhecidas.

As contas nunca batem certas, os ângulos estão sempre errados, e as figuras geométricas têm formas difíceis de entender ou identificar.

Bem vistas as coisas, só o ponto de partida A e o ponto de chegada B são os elementos reais da equação da vida, tudo o resto são incógnitas disformes.

EMANUEL LOMELINO

sexta-feira, 14 de julho de 2023

Diário do absurdo e aleatório 3 - Emanuel Lomelino

Diário do absurdo e aleatório 

3

O tempo passa no seu ritmo célere e eu sei que não consegui dar todos os passos que devia. Por vezes ponho-me a pensar se não ocupei mal o tempo que me foi concedido. Acredito ter deixado passar algum sem lhe ter dado o devido uso. Tempo perdido e mal aproveitado.

Os dias sucedem-se a galope do tempo e eu deixo-me ficar apeado sem saber o que fazer, o que dizer, o que realizar, mantenho-me quieto no meu canto sem perceber que estou a perder o meu tempo.

Mesmo não sendo saudosista acontece-me em muitos momentos desejar que o tempo recue e me dê uma nova oportunidade de fazer algumas coisas que deixei de fazer por falta de tempo ou por não ter sabido aproveitá-lo.

E penso no tempo que deixei escapar entre os dedos, em tudo o que devia ter feito e não fiz, no que deveria ter dito e não disse, no que poderia realizar e não realizei. E assim dou por mim a pensar no tempo que se foi e esgota sem perceber que ao pensar no tempo que perdi continuo a perder tempo que podia utilizar para fazer, dizer e realizar as coisas que não faço, não digo e não realizo por falta de tempo e por não o saber aproveitar.

O mesmo é dizer que pensar no tempo que perdi continua a ser uma perda de tempo.

EMANUEL LOMELINO

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Diário do absurdo e aleatório 2 - Emanuel Lomelino


Diário do absurdo e aleatório 

2

O dia voou-se-me pelos dedos com a fúria premeditada de lâminas rombas. As mãos choraram desconforto enquanto a alma – essa eterna chaga tresmalhada – regozijou-se por não ser corpórea e celebrou a sua indiferença ao beliscar do físico.

Os segundos latejaram-me na pele; os minutos picaram o ponto; as horas cauterizaram os sulcos, infamemente, enfaixados com gaze inexistente. E ela – a alma arredada de empatia – manteve-se fiel ao seu umbigo narcisista.

A tarde sucedeu à manhã, como é habitual nestas coisas do tempo, e a cada tique-taque da ampulheta moderna mais rugas decidiram enfeitar-me a derme irritada de poeira e sedenta de tréguas. Da outra – a alma desgarrada de afinidades – nem um sopro refrescante de interesse ou sinal de afectação.

Foi apenas mais um dia que passou. O corpo ganhou umas quantas medalhas por continuar a superar etapas, enquanto a alma – vilã de si mesma – permanece na ignorância de que nada, nem ninguém, é imune à passagem do tempo e que este também se lhe aplica.

EMANUEL LOMELINO

O abismo (excerto 15) - CARLA SANTOS

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Em paralelo, a minha mente anda a testar uma tese... Tenho tido umas visões estranhas, sonhos loucos e sem resposta ou sem nexo para este mundo...

– Será que existem mesmos portais do tempo???

– Moinho do Penedo... Moinho do Penedo... Ora bem... deixa cá ver no pesquisador o que pode ser... talvez se colocar Penedo porque moinhos há muitos... vejamos... nada?!

Então e se for localidades? Vá lá... vá lá... Penedo Colares... Penedo S. Domingos de Rana... Penedo das Amizade, Sintra... Penedo de Lexim, Igreja Nova...

Assim não vou longe!... pensa... tantos Penedo... a sério... e agora?

Moinho do Duque... situado em Penedo Torres Vedras... será este?

Huuummm a aldeia é histórica... uma antiga Vila Romana... interessante... dois moinhos: o do Duque em bom estado e o moinho do Balofo meio em ruínas... entre eles um trilho militar... tenho que ir até lá... sábado... sim é isso.

EM - O ABISMO - CARLA SANTOS - IN-FINITA

quarta-feira, 12 de julho de 2023

Diário do absurdo e aleatório 1 - Emanuel Lomelino

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DIÁRIO DO ABSURDO E ALEATÓRIO 

1

Os dias tecem-se como macramé. Entrelaçam-se os nós à velocidade dos ponteiros, e a estética nunca é ditada pelo tecelão, mas sempre pelos fios do tempo. Os minutos são franjas e as horas urdem-se de forma aleatória, porém harmoniosa.

Hoje teci um dia pardo, entre refeições. Quis Aracne – deusa do ofício –, de porte altivo, como todas as divindades devem apresentar-se, que o padrão das pausas, para descansar as mãos doridas de tantas agulhadas, fosse obtuso, contudo geométrico. E os desenhos de mais um dia ficaram-me tatuados na pele.

A minha sorte é ter esta obsessão redundante pela etimologia das palavras e descobrir que, ao contrário de todos os “dejá vu” deste dia, macramé não tem origem francesa, antes árabe “migramah”, ou talvez do turco (língua aliada) “miskrama”.

Seja como for, assim que a noite se predispuser a embalar-me as escaras, enrolar-me-ei na tecelagem deste dia e dormirei na certeza de que na próxima alvorada serei artesão de outra arte qualquer.

EMANUEL LOMELINO

Caso 40 (excerto) - DALMO MEDEIROS

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Minha sede de cantar nunca está totalmente saciada. Estou sempre procurando um jeito de cantar, seja o que for, seja onde for. Assim como na Bahia, fui contemplado com o brilhante Grupo Dendê Diet, no Rio recebi de prêmio o Grupo OuroBa. Essa é uma história super interessante.

Numa tarde da semana, recebi um telefonema de um grande amigo, o cantor baixo Symo. Ele havia saído de um outro grupo vocal, o BR6, grupo que tinha feito shows pela Europa e com discos gravados.

Ele tinha em mente, montar um grupo vocal para cantar música brasileira. Inicialmente, já tinha convidado a arranjadora e maestrina Celia Vaz, com quem tive contato nos tempos da Pró-Arte, Marianna Leporace, irmã da Gracinha Leporace, esposa do grande Sergio Mendes, Vicente Nucci, irmão do cantor Claudio Nucci (ex-Boca Livre).

EM - ESTAVA ESCRITO NAS ESTRELAS - DALMO MEDEIROS - IN-FINITA

terça-feira, 11 de julho de 2023

Peabiru (excerto 9) - CARLOS DOMINGUEZ

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Após a explicação das sementes, o cacique Floriano vai dando por encerrado o rápido encontro. Indago a ele sobre o Caminho do Peabiru e a Terra sem Males – Yvy Mãrey. O cacique me olha bem nos olhos, silencioso. Não explica nada. Volta a dar a conversa por terminada. Como não estava nem um pouco satisfeito, busco despertar sua atenção novamente. Conto a ele que meu pai era nascido no Paraguai, na cidade de Coronel Bogado. Este assunto lhe devolve o entusiasmo.
– O pai dele é de Bogado, Marcelo! Nasci no Paraguai. Andei por muitos lugares. Agora estou aqui para não deixar nossa cultura terminar. Por isso converso com meu filho e com nossas crianças dos nossos costumes. Marcelo já sabe. E vai levar adiante para seus filhos. O modo do guarani não é o do branco. A gente não quer dinheiro. A gente quer viver e fazer nossa roça para ter comida. Do modo guarani. O guarani não faz guerra, é de outro costume. A gente planta a nossa semente. É outro viver. A gente vive bem, a gente faz outra cultura. A gente ensina as crianças, fala de como ter a nossa cultura, a língua guarani – explica Floriano com entusiasmo.

EM - PEABIRU - CARLOS DOMINGUEZ - IN-FINITA

Matriz de Santo Antônio (excerto) - TEREZINHA PEREIRA

E-BOOK GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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“Esta igreja começou a ser construída em 1710, no lugar de uma pequena capela. Naquela época começava a grande corrida dos tropeiros vindos de diversas colônias portuguesas no Brasil, em busca de ouro e pedras preciosas. Em 1723, Tiradentes, então conhecida como Vila de São José do Rio das Mortes, possuía 78 lojas e vendas e 3.801 escravos. Em 1729, já possuía 5.419 escravos, 106 vendas e 17 lojas. As primeiras informações a respeito desta igreja estão situadas entre 1730 e 1740. Sabe-se que a sua construção durou muitos anos, tendo começado pela capela-mor. Somente algum tempo depois lhe foi acrescentada a nave. Há registros de que a parte do coro foi feita em 1736. Mesmo que muita gente pense diferente, senhores, estejam certos de que este é o templo mais belo do Brasil. Vejam, seu interior é surpreendentemente grandioso. A obra de entalhamento do altar, a decoração das paredes da capela-mor e do arco do Cruzeiro são de autoria de João Ferreira Sampayo. Os lampadários de prata, os sinos e a ferraria foram instalados somente em 1760 e vieram do Rio de Janeiro. Vamos ao altar principal. Veja a imagem do orago da Matriz lá no alto, o Santo Antônio. Um pouco abaixo, vemos a imagem de São José, que é o padroeiro da cidade. O teto deste altar-mor recebeu pintura a ouro de arabescos florais, que lembram os templos da China e da Índia.”

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Enfim, meu irmão chegou! (excerto) - ANGELA RODRIGUES

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Até 1960, mamãe não tinha tido o filho homem que tanto esperava! Na família existia a crença que “menina dá mais trabalho do que menino”. Diziam que meninos eram mais livres, se viravam sem dificuldades como as delas. Imagino o quanto isso a frustrou.

Ela com 27 anos e chega o Roberto, pequenino, prematuro de sete meses, de cesariana e dois quilos e pouco, mas nasceu. Ficamos muito felizes! A excitação foi tão grande que papai enviou cartões para o “mundo inteiro” com dizeres no encarte em balões coloridos: “Verinha e Sergio mandam dizer que Roberto nasceu no dia 5 de setembro de 1961!”.

O nome Roberto foi uma homenagem ao meu avô paterno. Ele, como todos diziam, “parecia um rato” de tão pequenino e feio. Mas era homem e ficamos muito felizes. Não me lembro de nós, irmãs, sentirmos ciúmes dele. Gostávamos de cuidar dele e o tratávamos como filho. O que guardei foram os choros incessantes dele, depois do almoço. Mamãe resolveu seguir a educação infantil moderna que recomendava a criança ficar sozinha no berço e aprender a conviver com a frustração sem a presença constante da mãe, para não “estragar” a criança.

EM - OS CAMINHOS DA CURA - ANGELA RODRIGUES - IN-FINITA

sábado, 8 de julho de 2023

O abismo (excerto 14) - CARLA SANTOS

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Temos três casos de abuso sexual de menores por membros da Igreja Católica que também foram recrutados, hoje chamam-se: Muhammad que na altura da denuncia tinha 11 anos, Said com 14 e Ihab com 10 anos. Todos da mesma paróquia, mas que após investigações e julgamentos que acabaram sempre por ser encobertos pelo patriarcado e a Santa Sé... o pároco apenas foi transferido para outra paróquia e continua a sua vida sem que nada se tenha passado. Até agora não existem mais queixas dele, veremos se as há ou não... O povo cala-se, pois, a Igreja é sinónimo de pureza, de virtude, de apoio, confidência e respeito... isto na teoria... pois na vida real tudo muda e nada disto é verdade. Apenas uma mera ilusão em que o mundo tem vivido ao longo de séculos.
Os meninos apenas se tinham uns aos outros... os pais tinham vergonha e calaram-se, pois, o poder da igreja era e ainda é muito. Penso que já se arrependeram, pois, os filhos fugiram para não serem gozados e injuriados pelos amigos e vizinhos... diziam que era impossível o Padre João ter feito tal coisa, era tão amigo de todos, tão bom e ajudava sempre quem precisava. Deste modo mais uns que se autoproclamam islamistas. Estão em parte incerta neste momento.

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sexta-feira, 7 de julho de 2023

Caso 38 (excerto) - DALMO MEDEIROS

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A mediunidade numa pessoa, pode ser desenvolvida de diversas formas. A informação me chegou por diferentes guias espirituais. Tive a sorte de estar aberto, suscetível, até posso dizer, aguardando uma sinalização, devido aos fatos que acontecem na minha vida de forma repetida. Estou sempre alerta para leituras subliminares dos fatos que me acontecem. Percebo que, quando me disseram que eu traria boas energias para aquelas pessoas que se aproximavam de mim com boas intenções, decidi ficar atento a todas as pessoas que me cercavam.

Uma dessas pessoas, que tinha contato próximo a mim, passava por momentos difíceis na vida. Eu o via constantemente reclamando de fatos que não se completavam no trabalho, ações perdidas quando estavam na “frente do gol” para acontecer. Ele veio a mim com esses problemas. Nessa época, eu visitava com certa constância, uma espírita, Dona Elsa, já mencionada aqui antes, que recebia uma Vovó Cambinda de Aruanda.

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