terça-feira, 1 de novembro de 2022

O Circo Eldorado - JACKMICHEL

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Tutuca era um menino levado da breca. Ele adorava pirulitos, balas, amendoins, balões, paçocas, risadas, bagunça, música.
E, para ele, foi a maior alegria de sua vida quando chegou à Vila do Ipê Amarelo, lugar onde ele residia na companhia do tio Donato e da tia Graça, o conhecido Circo Eldorado.

EM - ALMANAQUE PALHAÇO - JACKMICHEL - IN-FINITA

domingo, 30 de outubro de 2022

Apresentação da coletânea SOMBRAS - Adriana Mayrinck


Tempos irreconhecíveis estes nossos, que em um piscar de olhos, deixamos a nossa zona de conforto, as expectativas e perspectivas de um amanhã sem grandes sobressaltos e nos vimos aprisionados em casa, distantes de tudo e de todos, com dificuldades em respirar, assistindo a vida como um filme sem percebermos o limite entre a ficção que se revestia de realidade. Perdas, dor, desesperança, tempos sombrios onde o dia se fazia noite, continuadamente.
Mas haviam aqueles que resistiam, que iluminavam, que davam às mãos e transformavam o impalpável em força para resistir e seguir.
E as sombras eram formadas pelos passos, atitudes e sentimentos de cada um. As incertezas eram iluminadas pela solidariedade, integrados ou alheios ao que se passava ultrapassamos estes dois anos de pandemia. Mas a escuridão não passou, ainda insistia em ofuscar o brilho da paz. E foi ao meio de todos estes questionamentos coletivos e individuais que convidamos autores de diversos gêneros literários para fazerem parte da coletânea SOMBRAS e dialogarmos sobre esses tempos de escuridão, tempos de luz e a sombra que se fez no mundo e em cada um de nós.
Este livro surgiu com a ideia da contadora de histórias e professora Zezé Matos em uma conversa corriqueira, na qual de imediato alinhei, achei que seria simples reunir autores e criar lives e momentos de discussão sobre esta temática, entre as duas margens do Oceano Atlântico, com as particularidades de cada continente mas com tantas coisas em comum. Não foi fácil e o projeto se arrastou por mais tempo do que pretendíamos. Resistências pelo tema proposto, momentos de vidas que impediram autores a estarem aqui connosco, problemas dos mais variados foram impedindo ou adiando a construção desta obra e todas as iniciativas propostas. Mas como acredito que tudo o que é mais difícil, tem um significado ainda mais especial, estamos aqui, trazendo as nossas apreciações, sentimentos e esperanças. Com prosas, versos ou contos espero que cada palavra possa ser um ponto de luz no meio da escuridão. Um grande bem-haja!

ADRIANA MAYRINCK

A partir de Novembro divulgação dos textos nos blogues TOCA A ESCREVER e TOCA A FALAR DISSO

SOMBRAS - TEMPOS DE ESCURIDÃO. TEMPOS DE LUZ - COLETÂNEA - IN-FINITA

sábado, 29 de outubro de 2022

SOMBRAS - TEMPOS DE ESCURIDÃO. TEMPOS DE LUZ (Colectânea) - Sinopse

Em tempos de escuridão a vida clama por luz! Em meio ao caos a que chegamos, um grito é urgente! A preservação da vida inspirada pela luz que recria a harmonia e faz a existência humana ter valido a pena. Entretanto, sabemos ser a jornada humana um misto paradoxal entre a busca da luz e a escuridão. Muitos de nós insistem, com nossas ações, trazer ao mundo o pior de nós. Em meio às sombras a pairar imobilizando o fluir vital de sermos luz. Assim prosseguimos escrevendo nossas memórias por meio da épica batalha. A divina arte de existir está em extinção? Arrazoemos.

Zezé Matos

A partir de Novembro divulgação dos textos nos blogues TOCA A ESCREVER e TOCA A FALAR DISSO

SOMBRAS - TEMPOS DE ESCURIDÃO. TEMPOS DE LUZ - COLETÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

CONTOS E CASOS de Terezinha Pereira - Sinopse

Com uma linguagem simples e quase poética, Terezinha Pereira com seus contos, casos e causos nos brinda com a leveza da arte da escrita, em narrativas que levam os leitores e leitoras a uma viagem a cotidianos, vivências e sentimentos que despertam o nosso imaginário conduzindo-nos a um passeio por palavras que se revestem de cenas quase concretas. Pequenas novelas que vão criando enredos e despertando empatias e simpatias, nos breves personagens descritos. Um livro que retrata a vida com suas pequenas cenas cotidianas, que envolve, enternece, grita, silencia, denuncia, revolta, cuida, convida… mas acima de tudo, nos faz mais sensíveis a tudo o que diz respeito ao SER humano.

A partir de Novembro divulgação de textos no blogue TOCA A FALAR DISSO

CONTOS E CASOS - TEREZINHA PEREIRA - IN-FINITA

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

ALMANAQUE PALHAÇO de JackMichel - Sinopse

Neste livro nomeado Almanaque Palhaço de JackMichel a Escritora 2 em 1 homenageia a imagem do palhaço, personagem mítico que povoa nosso imaginário de sonhos. A artista que, há muito, já transpôs os confins da literatura e chegou ao das belas artes, mostra aqui sua produção de contos, poemas, crônicas e pinturas com giz de cera na temática da palhaçaria. Atenção: o livro tem a pretensão de ser instrutivo como os almanaques de variedades que eram vendidos antigamente nas bancas de revistas. Como é doce recordar!

A partir de Novembro divulgação de textos aqui no blogue TOCA A FALAR DISSO

ALMANAQUE PALHAÇO - JACKMICHEL - IN-FINITA

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Incendiários e seus efeitos - RUTH COLLAÇO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Por vezes também eu incendeio, e confesso que me dá muito prazer. Para mim quero os incêndios de chamas vivas, de corações iluminados e vibrantes. Mentes acesas com acendalha da partilha, do conhecimento partilhado e com a busca constante do esclarecimento. Gosto que pegar fogo a paixões, mas falo de paixões pela vida, pela força da vida, pela garra de vencer! Das outras elas próprias se encarregam de entrar em combustão e acabam por se extinguir sozinhas. Para mim o fogo da vida, a chama que nos molda e nos ensina, aquela que derrete o ouro e o transforma num valor... não em joia, mas no metal puro que ele é e tudo o que ele representa.
Em verdade vos digo que eu gosto de incendiar, mas no que diz respeito a “fogo posto”... entristece-me vê-los queimar os próprios dedos...
Refletindo melhor, há também quem seja egoísta nos seus fogos, que preferem arder sozinhos, por incompetência de espalhar fogo e calor à sua volta, por medo de perder ou partilhar. Todo o mal fosse esse.... chama-se um bombeiro, ou a esquadra toda, problema resolvido.!
Porque afinal de contas, quem brinca com fogo, acaba por se queimar... ou chama os bombeiros.

EM - BEIJOS E CONTOS - RUTH COLLAÇO E HETERÓNIMOS - IN-FINITA

(E)TERNA SENSUALIDADE de Nicoleta Peceli - Sinopse

Posfácio

Chegados ao final desta obra da autora Nicoleta Peceli, ficamos com a certeza de que estamos perante uma obra diferenciada.

O trabalho de qualquer artista está sempre, de certo modo, dependente de como o seu público o entende e aprecia. É precisamente aqui, neste ponto, que em meu entender se encontra a mestria e a dificuldade de quem escreve.

A mensagem que se pretende passar tem de ser objectiva, sem margem para enviesamentos ou críticas despropositadas.

Nesse âmbito, escrever uma obra de cariz sensual e/ou erótico, obriga a uma enorme clarividência por parte de quem escreve, sob pena de os seus autores correrem o risco de verem a sua obra como vulgar ou próxima  do pornográfico.

Importa, por estas razões, exultar o trabalho da autora Nicoleta Peceli que, mesmo sendo mulher num país ainda algo machista, teve a coragem de escrever sobre um tema tantas vezes tabú, não só para muitas mulheres que ainda não se libertaram de uma educação patriarcal, mas também para a sociedade em geral, ainda presa aos valores religiosos e castradores.

Será, porventura, um choque para muitos homens e muitas mulheres, que uma mulher expresse, de uma forma liberta e descomplexada, pensamentos, devaneios, desejos e comportamentos mais íntimos.

E é neste ponto que julgo que a obra de Nicoleta Peceli é encorajadora e libertária, sobretudo para as mulheres, perante os outros, mas essencialmente perante si próprias.

Esta (E)terna Sensualidade, com que a autora nos presenteia, é um exercício de libertação para as mentes ainda retrógradas que pululam na sociedade portuguesa.

Assim, cabe ao leitor/a reflectir sobre a obra que agora finda, sem fazer juízos de valor e, acima de tudo, sem a entender como uma obra autobiográfica acerca da sua autora.

Se leu esta obra, então está de parabéns. Valerá a pena ponderar sobre tudo aquilo que leu, liberte-se, liberte quem está à sua volta e seja feliz, porque ninguém poderá sê-lo sentindo-se culpado.

O prazer não pode ser uma forma de culpa, mas uma escapatória para aquilo a que chamamos Paraíso.

Raul Tomé

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(E)TERNA SENSUALIDADE - NICOLETA PECELI - IN-FINITA

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Desconstrução, processo lento (excerto) - RUTH COLLAÇO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Toda a "construção" de um ser humano, de um conceito é para mim um processo maravilhosamente lento ao mesmo tempo que, a menos que estejamos alerta, é também assustadoramente lento ao ponto de apenas percebermos a mudança quando batemos de frente com ela.
Não pretendo com isto que entendam a minha humilde confissão, como um medo de mudança ou de reviravoltas do destino (aliás... o meu segundo nome é reviravolta e o primeiro poderia ser ventania).
Assusta-me, contudo, que não esteja(mos) atent@s às subtis mudanças e alterações que nos rodeiam e que aos poucos transformam o nosso mundo e desconstroem o nosso dia a dia. A nossa forma de estar e conviver, de partilhar e comunicar.
Assoberba-me a ideia de quant@s de nós ficarão excluídos nesta gigantesca e lenta transição que o mundo atravessa, e à qual todos aceitamos, como se verdadeiramente acreditássemos que "Vai tudo ficar bem".

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domingo, 16 de outubro de 2022

Cheiro a espera - RUTH COLLAÇO

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Cheira a medo e a espera. No fim da fila espero a vez, enquanto o sol desenha um mapa com um risco de suor, percorrendo de norte a sul a curva das minhas costas.
E estou só, tão só...
À minha frente estende-se uma serpente de gente que tal como eu anseia resguardar-se à sombra, desfaleço. Não tanto pelo sol e pelo calor, mas pela impaciência que me obriga a (re)aprender a paciência. Método jocoso este que o universo usou para nos fazer desacelerar...
(E logo hoje esqueci-me de trazer o leque...).
Conspiro para comigo uma estratégia diabólica para furar a fila, passar à frente, sei lá, até pela janela me dá ganas de entrar.
Percebo então que a serpente se contorce e encolhe.
Volta a esperança, o sol já não me castiga e o meu corpo deixa de ser mapa... Sabe bem a brisa fresca que se enfia na manga da túnica e me apaga o mapa que o sol, sonolento desenhou.
Estou só, tão só.
Estou farta, tão farta.
Nesta solidão de gente que espera, e neste silêncio de quem já não grita, espero... Desespero.... Enquanto a esperança me faz companhia e me lembra que a vida é feita de esperas....

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terça-feira, 11 de outubro de 2022

Chá da tarde e o mar (excerto) - RUTH COLLAÇO

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Naquele dia os joelhos recusavam-se a obedecer com a leveza que ela necessitava. Não era do frio, nem do dia de trabalho que ela já conquistara, mas das vezes que tivera que os dobrar perante tantas regras impostas pelas leis da vida.
Tentou alcançar com o olhar o seu lugar predileto na esplanada, sabendo com uma cega certeza que ele já lá estaria à sua espera.
E estava, sereno, discreto, com aquele brilho no olhar sempre que a via, capaz de iluminar toda a passadeira da estrada só para ela passar. Guiada pelo seu sorriso, ganhou força e direção. Era urgente abraçá-lo.
E foi o sorriso que os embrulhou no abraço, foram os braços que sorriam quando os corpos de encaixaram por breves momentos.
Para ele, era sempre como se os braços não lhe chegassem para a envolver. Queria cobrir o seu corpo, encaixá-la entre os ombros na conchinha que tentava fazer no peito. Ela sentindo-se uma pérola daquele oceano que era o corpo que a acolhia, deixava-se prender, e ficava… só queria ficar.
Ele suspirou ela inspirou.

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quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Segredos da mesa 13 (excerto) - RUTH COLLAÇO

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Chegaram quase ao mesmo tempo. A saudade que sentiam era já tão mais forte que a sede.
O dia estava quente, lá fora o sol já lançava o seu mistério sobre os rostos que se encontraram à porta do lugar marcado. os reflexos de luz incendiavam os ruivos caracóis que ela trazia das longas tardes de verão, de corpo moreno e brilho na pele ela sorriu-lhe oferecendo-se ao abraço que ele trazia guardado há dias. Ele trazia o olhar vestido de alegria e o brilho que irradiavam iluminavam-lhe o rosto, como ele era belo, ali à luz do por do sol. Numa cumplicidade serena de corpos sussurrados, entraram e já a sua mesa la estava.
Seria o feito do número da mesa (era a 13), ou seria apenas uma efêmera musa que os encantava?
O calor que se fazia sentir, solicitou a saída do leque e num espasmo rápido, foi atirado em abertura, e escondeu a sede e desejo de um beijo com o qual ela sonhava.... teve que o abanar para não se denunciar.

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sábado, 1 de outubro de 2022

Leva-me... e era doce. - RUTH COLLAÇO

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Enquanto os lábios se descolaram de um beijo, pediu-lhe num tom rouco, grave e quase carente "leva-me nos teus beijos".
Sua boca colhera dois lábios suaves que minutos antes o tinham beijado o rosto, o pescoço, os ombros, as mãos. De narinas apuradas tinha inspirado do sândalo a essência que o embriagava sempre que a tinha nos braços, sabendo que se não parasse para respirar, perderia todo o comando e autoridade sobre as suas mãos que inquietas permitiam que na pele fossem desenhadas nuvens e contornado sonhos.
De olhos fechados, entregava-se a cada grau de calor que do corpo escaldante emanava, como era doce!
Acolhia o hálito morno e faminto que lhe depositava, húmido, no pescoço, instintivamente erguia-se um ombro fazendo com o pescoço um ninho onde aceitava e guardava cada respirar, e era doce!
Suas pernas tremeram, seu corpo emergiu e colados um ao outro sentiram que auras e almas e todo um universo se movia envolta de centro que eram.
Devagar, quase perdendo o equilíbrio, abriu os olhos e disse baixinho, ainda seus lábios roçavam na boca molhada....
Quem me dera meu amor, quem em dera levar-te no meu beijo!!

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sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Gênero e Imigração (excerto 24) - WANIA MELO

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Embora a crise econômica gerada pela pandemia da Covid-19 tenha fomentado desemprego em massa e transformado profissões de modo generalizado. As mulheres, especialmente as mães de crianças pequenas, foram as mais afetadas. Colocadas em situações limites nas empresas ou não encontrando formas de conciliar o trabalho com o cuidado com os/as filhos/as. A pandemia da Covid-19 escancarou um problema que antes era individual: o desequilíbrio nos cuidados com as crianças e a invisibilidade dessas tarefas perante o mercado de trabalho. Muitos dizem: ‘ah, não tenho culpa que ela quis engravidar’. Mas não se questionam como seria um mundo em que as mulheres não cuidassem mais das crianças? Não valorizam a importância desse trabalho de construir o futuro da sociedade. Se queremos adultos saudáveis, precisamos que essa conversa saia da esfera individual e vá para o coletivo. As pessoas precisam enxergar o papel social da mãe.

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domingo, 25 de setembro de 2022

Gênero e Imigração (excerto 23) - GLAUCIMARY NASCIMENTO TEODÓSIO

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O texto traz a reflexão autobiográfica de uma estudante de doutoramento brasileira em Portugal, com ênfase no período inicial da pandemia da Covid-19 no país. Como experiência específica, particular, pode também ser considerada uma amostra de uma situação maior e mais complexa, a de estudantes em mobilidade internacional, que optam por realizar integralmente um curso superior em outro país e, portanto, vivem também a condição de ser migrante. Trata-se de uma reflexão de como esse período particular aprofundou algumas questões já existentes, impactando inclusive nos estudos e na vida em geral.
O texto traz ainda como a rede de mulheres brasileiras em Portugal criada pela Plataforma Geni se configurou como um processo amplo de solidariedade e sororidade, com partilhas e apoios diversos, reduzindo os efeitos causados pela pandemia, especialmente quanto ao isolamento social. Com minha participação na rede, pude perceber como essas mulheres, que ofertaram e receberam apoios de diversos tipos, fortaleceram a ideia de que é possível encarar realidades complexas com ideias simples e que a coletividade fortalece os laços e dá novos sentidos ao viver. 

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terça-feira, 20 de setembro de 2022

Gênero e Imigração (excerto 22) - LUANA C. DE SOUZA BASTOS

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Migrar é um fenômeno presente desde os primórdios, no entanto, os agentes impulsionadores foram sofrendo metamorfoses. A socióloga Saskia Sassen em seu artigo «A Massive loss of habitat» (2016) alude sobre a perspectiva das pessoas migrantes serem expulsas dos territórios que viviam, contudo premeditado por uma lógica econômica excludente e perversa devido à expansão da mineração, agricultura, disputa de água e expansão das cidades. Essa visão trazida por Sassen é importante para manifestar o que é ocultado pelos Estados e organizações quando desenvolvem ferramentas sociais e econômicas que não abrangem a realidade macropolítica e, por conseguinte, negam a complexidade do fenômeno da migração.

O fluxo migratório para Portugal tem suas características e a segunda maior população imigrante no país é brasileira. Desde 2006 a sociedade portuguesa está a receber altos números de pessoas imigrantes brasileiras comparado aos anos anteriores, tendo queda em 2010 e novo aumento em 2016 (Portugal, 2017). As pessoas imigrantes brasileiras deixaram o país de origem por ausência da sensação de segurança, expectativa com a economia até então próspera em Portugal e desejo por melhoria da qualidade de vida. Ademais, o atual perfil do fluxo migratório brasileiro é composto pela feminização (12,46% são mulheres dos 20,26% de pessoas imigrantes brasileiras em Portugal) (Portugal, 2017), pessoas imigrantes com alto nível de escolaridade, pessoas empreendedoras, estudantes e pessoas aposentadas (França e Padilla, 2018).

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quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Gênero e Imigração (excerto 21) - CAMILA LAMARTINE

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É durante a década de 1990 que se conhece o termo ciberfeminismo. Sua primeira atribuição se faz à a filósofa Sadie Plant, que o utilizava para apontar a relação entre mulheres, máquinas e as novas tecnologias numa espécie de aliança (Timeto, 2019). Como Plant referia, as mulheres sempre foram peças da cultura masculina, e, conforme a tecnologia avança, elas vão se libertando das amarras patriarcais e garantindo acesso social à opinião pública.

O termo ainda é atribuído ao coletivo artístico australiano VNS Matrix, devido à publicação do Manifesto Ciberfeminista, numa homenagem ao Manifesto Ciborgue de Donna Haraway (1995) que propôs a quebra de binarismos no mundo informatizado e digital. Para elas, a internet funcionava como uma verdadeira ferramenta de desmistificação e libertação feminina.

Estas ativistas expuseram, pioneiramente, a relação entre tecnologia e mulher a partir da ficção científica e da arte num questionamento acerca da dominação e do controle do espaço digital. Suas intervenções incluem revistas, eventos, instalações e cartazes, como o da figura abaixo, que apresenta o próprio manifesto

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sábado, 10 de setembro de 2022

Gênero e Imigração (excerto 20) - CAMILA LAMARTINE

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Com o boom da internet a comunicação se descentraliza no que compreende os grandes meios de comunicação, sendo, portanto, a primeira vez que se percebe uma apropriação de ferramentas comunicacionais da Web Social, o que reformulou possibilidades de transformações sociais (Galindo, 2016). Dessa forma, a internet passa a ocupar um espaço híbrido de interação e organização social, influindo diretamente no modo de comunicação dos indivíduos, tornando-os sujeitos da sua própria vida (Castells, 2013).

Esta relação desenvolvida virtualmente foi ponto de partida para o surgimento das redes sociais digitais que se constituem a partir da relação entre atores (pessoas, instituições ou grupos; os nós da rede) e suas próprias conexões (interações ou laços sociais) – elementos pré-definidos, já que, “a abordagem em rede, tem, assim, seu foco na estrutura social, onde não é possível isolar atores sociais nem suas conexões” (Recuero, 2009, p. 24).

O ciberespaço garantiu à comunicação uma denotação de horizontalidade, alterando e redefinindo a maneira como as interações comunicacionais e informacionais eram anteriormente firmadas, ainda mais no que tange o espaço e o tempo. Isto, especificamente no caso do feminismo, permitiu uma maior pulverização das ideias e ideais para o debate das mulheres, constituindo em si própria uma nova epistemologia feminista que vem a questionar as diversas desigualdades de gênero e as relações da mulher com a cultura eletrônica, com a ciência e com a tecnologia (Martinez, 2019).

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segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Gênero e Imigração (excerto 19) - MARIA CAROLINA VIEIRA

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Pela falta oportunidades no mercado de trabalho e a necessidade de ter uma forma de levar comida para casa várias mulheres se arriscam a empreender mesmo estando ainda irregulares no país e isso pode acabar por ser perigoso, pois afinal coloca essas mulheres a mercê de chantagistas e pessoas que podem usar de má fé. Um caso que acompanhamos de perto foi o de uma mulher que tinha acabado de abrir um pequeno salão de beleza próximo à casa dela com o intuito de fazer unhas e revender produtos cosméticos. Era apenas uma sala com uma porta para a rua e se pagava 300 euros de renda mensal direto para o proprietário, sem contrato de aluguel. Com a pandemia de Covid-19 ela fechou o espaço e explicou que não conseguiria pagar a renda do mês, porque não estava mais podendo trabalhar e pediu que aguardasse até a situação se normalizar minimamente para que ela pudesse acertar os meses em atraso. O proprietário não aceitou e ameaçou invadir o lugar e colocar as coisas dela na rua. Após algumas orientações em relação ao decreto do governo que suspendia os despejos, ele se predispôs a esperar até que ela resolvesse tudo.

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terça-feira, 30 de agosto de 2022

Deixa-me - ITANIRA SOARES

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Deixa-me espreguiçar em teu corpo nu numa volúpia de gozo e carinho, como quem quer medir, pesar, avaliar tua performance, tua virilidade, teu vigor.
Deixa-me ser bailarina mesmo que ainda em rodopios e na ponta do pé, meu corpo tome conta do teu, tonta de prazer, enroscando-me freneticamente em seus braços longos e fortes sobre os meus esvoaçantes e macios.
Deixa-me tomar conta de ti com sentimento de criança quando descobriste o brinquedo que te deu prazer ao esconderijo de tua alma.
Deixa! Deixa eu te dizer que os arrepios dos meus dias adolescentes eram beijos solfejados de desejos, eram músicas assoviadas de lânguida ternura.
Deixa a juventude voltar contente sem mágoa, sem choro, sem angústia.
Chega devagarinho como quem ser feliz novamente.
Abraça meu corpo como quem tem fome e sede de carinho, como quem pede sem pedir, quer sem querer e reforça a força do amor enfraquecido.
Deita e sente a temperatura da minha pele onde os poros suam emoções acumuladas.
Vem com sede ao pote.
Vem que ainda há tempo para sermos felizes um dia.

EM - PELOS CAMINHOS DO MEU UNIVERSO - ITANIRA SOARES - IN-FINITA

Gênero e Imigração (excerto 18) - MARIA CAROLINA VIEIRA

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Sabe-se que nos grupos de brasileiros/as do Facebook há um grande alcance de pessoas e que neles é possível encontrar muita informação sobre regularização e entidades de apoio a imigrantes aqui em Portugal. Contudo, mas diante dos relatos, percebemos que essas informações passam por vários ruídos e que as experiências individuais colaboram para dúvidas e paralisação, principalmente das mulheres, por medo de não fazerem o procedimento correto e acabarem ficando expostas ou atrapalhando a situação delas no país.
O alcance da Rede Solidária da Plataforma Geni se deu em sua maior parte online, mas sua parte offline expôs a realidade de várias mulheres imigrantes em Portugal na qual a internet, informações e direitos enquanto imigrantes não é algo tão acessível e simples quanto parece. Diante disso passamos a olhar com um olhar ainda mais sensível e empático para essas mulheres, afinal todas saíram do Brasil com o sonho de uma vida melhor, mais segura e mais próspera e a pandemia da Covid-19 expôs algo que muitas ainda nem tinham consciência que é a falta de informações e acesso às estruturas básicas e necessárias para iniciar uma nova vida com mais qualidade e ciente de seus direitos e deveres.

EM - GÊNERO E IMIGRAÇÃO - PLATAFORMA GENI - IN-FINITA