quinta-feira, 19 de abril de 2018

DEZ PERGUNTAS A... LÍGIA SÁVIO


Agradecemos à autora LÍGIA SÁVIO a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autor e pessoa?

Uma andarilha da vida que busca ampliar sua consciência através das palavras e quem sabe, com isso, atingir seus companheiros de jornada. Junto com todos na mesma barca, o que surge pra mim, como ser humano, é isso: criar e partilhar, produzir e espalhar.

2 - O que a inspira?

Qualquer coisa. Uma cena de rua, uma história que alguém me contou, coisas que aconteceram comigo ou surgidas em sonho, dores, amores. Pra quem vive e respira palavras, tudo pode virar literatura.

3 - Existem tabus na sua escrita? 

Não.

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

São importantes para divulgar o trabalho de escritores ou até já publicados e até pelo contato e conhecimento entre os autores. Minha primeira publicação foi numa antologia independente lançada aqui em Porto Alegre, Teia Contos e Poesias, organizada em várias reuniões de todos que pretendiam participar. Ali conheci pessoas com quem me relaciono até hoje , numa troca literária e de convivência rica.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

No facebook, várias vezes encontrei os primeiros leitores de poemas meus. O papel das redes sociais é importantíssimo. Ali se tem divulgação e recepção instantânea de nosso trabalho até do exterior, assim como se fica conhecendo outros autores e trocando impressões sobre nossos trabalhos. Grupos de estudos , de leituras e cursos podem ser feitos pelas redes sociais, o que significa um avanço enorme no alcance da literatura

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Universo da escrita... O ato de escrever traz dor e prazer ao mesmo tempo. É minha maneira de estar neste mundo louco e de tentar equilibrar-me dentro dele. Negativo no universo da escrita é que nossas obras passam por um sistema de circulação dentro de uma sociedade capitalista na qual tem mais voz, muitas vezes, autores conhecidos e que vendem mais. Aí entra o papel importante, positivo das editoras independentes , que vão se impondo e apostando em novos escritores Negativas são também as panelinhas literárias, a fogueira das vaidades.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor? 

Que as editoras façam boas distribuições do que é editado. E que o autor também se disponha a esta divulgação, participando de encontros, lançamentos, saraus, entrevistas, enfim, de todos os tipos de eventos literários que possam divulgar seu livro.

8 - Quais os projectos para o futuro?

Continuar a andar, escrever, viver.

9 - Sugira um autor e um livro!

Dois , um estrangeiro e um nacional : “Ao Farol”, de Virginia Woolf e “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

As que sempre me coloco. O que a gente faz neste mundo, por exemplo. Não haveria, não há respostas e sim suposições, outras perguntas e diálogos infinitos comigo mesma e com outros andarilhos curiosos.

Acompanhem, curtam e divulguem esta e outros autores através deste link

quarta-feira, 18 de abril de 2018

EU FALO DE... PARA SER CÉSAR



Cada um é responsável pelos seus actos e eu, pelo menos, bem ou mal, tenho assumido aquilo que digo e faço, independentemente das razões, ou falta delas, que me assistem.

E se mantenho essa postura em questões, sobre as quais não tenho a mínima obrigação de me explicar, mais facilmente o faço quando se impõem justificações.

Dentro destes meus parâmetros de conduta, e para que a coerência, que eu tanto defendo, seja visível e notória, não abro excepções, em hipótese alguma.

Tenho plena consciência que, muitas vezes, e aos olhos de muitos, o meu rigor é excessivo ou despropositado mas, como não actuo em função das opiniões de terceiros, não pretendo abdicar de códigos e regras, que acho fundamentais, na condução dos projectos em que me envolvo.

Tal como tive oportunidade de escrever, inúmeras vezes, noutros textos, há uma qualidade/defeito que tem-me acompanhado durante toda a vida: a racionalidade sempre se sobrepõe à emotividade. E se, em algumas situações, essa característica tem consequências menos positivas, em questões de trabalho acaba sempre por ser útil que assim seja.

Sou apologista do “Trabalho é trabalho; conhaque é conhaque”, e sirvo-me dessa ideia para pautar os meus comportamentos de forma a dar o exemplo.

Felizmente, quando confrontado com momentos que exigem resposta coerente e imediata, consigo fazê-lo. Sei que isso choca e, em alguns casos, chega a melindrar e ferir susceptibilidades, no entanto, não posso, não devo, e não quero ter dois pesos e duas medidas, no modo de agir, sob pena de actuar com dualidade e deixar de ser visto, sentido e entendido, dentro dos tais parâmetros comportamentais que tanto apregoo como essenciais.

Para ser César não basta parecê-lo ; tem-se de sê-lo!

MANU DIXIT

terça-feira, 17 de abril de 2018

AS CRÓNICAS DA AVÓZITA... VOLTANDO ÀS EDITORAS

Entre poetas, escritores e leitores, foi abordada uma questão que, também eu, já questiono há muito.

A “rivalidade” entre editoras que puxam a si, autores desconhecidos, pois como já referi na outra crónica sobre editoras, os conhecidos são pagos para publicar, os outros, os desconhecidos, pagam e não é pouco, para terem nas mãos um livro, todo ele, escrito por si. Normalmente prometem mundos e fundos: que o livro vai para livrarias de vários países, que imensas livrarias de Portugal vão ter o nosso livro nos seus escaparates, que receberemos direitos de autor, enfim, prometem tudo e mais alguma coisa. Depois do contrato assinado e pago o excessivo valor acordado, ficamos com cem exemplares do nosso livro, nas mãos, raramente se vendem mais de cinquenta na apresentação do mesmo, os restantes, pois, os restantes ficam na prateleira a apanhar pó, como também foi referido naquela tarde de domingo.

O autor ingénuo, procura outra editora que até parece agir de forma diferente, promete menos mas vêm outras ilusões, no entanto, a situação vai ser igual ou pior ainda. E, o que faz o autor a seguir? Ou junta uns quantos, muitos euritos, e volta a pagar para poder folhear, manusear e cheirar um novo livro seu, e os restam irão ficar ao lado dos restantes na prateleira, ou faz como eu faço agora: só voltarei a publicar um livro meu, se me convidarem a fazê-lo, de borla, claro.

MARIA ANTONIETA OLIVEIRA

segunda-feira, 16 de abril de 2018

DEZ PERGUNTAS A... PETRUCIA CAMELO


Agradecemos à autora PETRUCIA CAMELO a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autor e pessoa?

Entidades diferenciadas, mas que se unem nas infinitas possibilidades da criatividade.

2 - O que a inspira?

O que toca as emoções.

3 - Existem tabus na sua escrita?

Não.

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

Um meio licito de divulgação dos trabalhos literários do autor.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

Não as utilizo.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Pontos positivos: tocar o imaginário do leitor
Pontos negativos: não os conheço.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

O que ele defende como escritor

8 - Quais os projectos para o futuro? 

Não tenho.

9 - Sugira um autor e um livro! 

Lêdo Ivo
Livro: A morte do Brasil

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Deixo em aberto essa questão.

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domingo, 15 de abril de 2018

ADRIANA FALA DE... ESPAÇO PARA AUTORES E LEITORES



Nas minhas andanças entre poetas, saraus e movimentos poéticos, percebia sempre os grupos que se formavam e que com o tempo ficavam cada vez mais fechados em si mesmos. Por essência sempre fui de agregar, quanto mais mentes pensantes, quanto mais energias e trocas, mais o enriquecimento e sucesso de qualquer tipo de iniciativa. Em todos os eventos feitos pela IN-FINITA no Brasil, independente de ser poesia, literatura, música, urbanismo, filosofia, política, cinema, entre outros, fazia questão de misturar perfis, convidando pessoas de diversos espaços e provocar a integração de todos. A fórmula deu muito certo, eram aqueles sábados com quarenta a cinquenta pessoas, trocando ideias e afetos, e só deixou de acontecer, porque os ventos levaram-me por outros caminhos e não tive sucessores para dar continuidade ao projeto Circuito das Artes, em Teresópolis, cidade serrana do Rio de Janeiro. Passei algum tempo direcionando as minhas energias para outros segmentos da minha vida, e participava como ouvinte ou arriscando ler uma ou outra poesia, naqueles grupos fechados, que sempre me acolheram imensamente bem, mas que repetiam sempre as mesmas pessoas, e ouvia algumas a comentar, como se houvesse competição que o grupo fulano de tal, fez um evento e tinha tantas pessoas. Comecei a perceber que havia sim, competitividade entre eles e a presença desse ou daquele  era disputada e que as ausências também incomodavam, e muito. E inevitavelmente os grupos se formam, devido às presenças continuadas, que também acho benéfico, mas sem rótulos ou exigências. Acredito e sempre incentivei a liberdade de ir e vir, circular, por onde se deseja, independente de tribos, grupos ou movimentos. A poesia é arte e não pode ser restrita ou rotulada, assim como o autor, nas suas diversas formas de interagir e expressar. Não olho a grama verde do vizinho, até por que estou preocupada em regar a minha e isso ocupa-me imenso tempo, e continuo com o pensamento e atitudes de sempre: espalhar sementes, criar pontes, divulgar e agregar, e para isso, não há portas ou janelas semi-abertas. Estão todas escancaradas, (como sou, na vida pessoal e profissional, com um sorriso no rosto, alma exposta), e a certeza de que a união faz a força e a poesia é o fio condutor para enriquecer a cultura entre os tempos e unir as pessoas, pelo menos nas manhãs de sábado, onde acontecem os eventos no Palácio Baldaya. E é nesse pensamento agregador que os nossos eventos em Lisboa estão sempre de portas abertas para quem quiser chegar: autores e leitores. É uma provocação que fazemos: saia de trás das redes sociais e venha olhar nos olhos, e transbordar a sua poesia, interagindo e integrando-se. Ou apenas, participando. Convide amigos. Acreditamos no encontro, e não há nada mais aconchegante para a alma, do que estar em um ambiente que nos acolhe e traz alegrias. Temos esse espaço, esperando por qualquer pessoa, que queira apenas, ser.

Nota: Os eventos da IN-FINITA são gratuitos e acontecem a cada 15 dias, aos sábados, das 11:00 às 12:30 na Biblioteca do Palácio Baldaya, em diversas temáticas. E temos um espaço para o autor expor, vender e divulgar seus livros, na mini feira, durante os eventos.

DRIKKA INQUIT

sábado, 14 de abril de 2018

EU FALO DE... ERUDIÇÃO E ANALFABETISMO




Gosto de escrever! E, por si só, essa razão explica as minhas crónicas e artigos de opinião. Gosto de expressar os meus pontos de vista, ideias, conceitos e percepções.

Gosto de escrever! E este gosto é amplo e generalista. Por isso escrevo (ou tento fazê-lo) de forma criativa e artística, mas também numa vertente mais didáctica e, até, crítica.

Contudo, ao contrário do que escrevem alguns “comentaristas” aos meus textos, não o faço com erudição, menos ainda com pretensões filantrópicas. Não pretendo criar ou fazer doutrinas para serem seguidas... São apenas “desabafos” de quem gosta de escrever. Já escrevi, diversas vezes, que as minhas habilitações literárias são reduzidas e a minha formação académica é demasiado escassa, para esse efeito. No entanto, e este é o meu maior trunfo argumentativo, tenho um elevado grau de análise e auto-reflexão que me permitem defender, com coerência e lucidez, as minhas opiniões.

Tecnicamente, no que a nomenclaturas e terminologias, da gramática, diz respeito, sou fraquíssimo, mas esse facto nunca me impediu de conhecer definições e conceitos dos termos, e saber em que circunstâncias aplicá-los. Resumindo: muitas vezes não sei os nomes técnicos mas, quase sempre, sei o que significam, para que servem e como usar. Falta-me a tal erudição, e o conhecimento académico, e a forma como expresso as minhas ideias é sintoma dessa debilidade.

Seja como for, esta fraqueza não me impede, nem impedirá, de tecer considerações sobre o que outros autores escrevem, nomeadamente, a nível criativo.

Como referi, posso não conhecer os termos técnicos (por vezes até os confundo) mas, por saber aplicá-los, vejo-me habilitado para esse exercício de análise.

Mas vamos a exemplos práticos porque assim consigo ser mais explícito e menos erudito:

Tornou-se quase um chavão dizer: “A minha poesia é uma metáfora da vida”. Esta frase, tantas vezes escutada, tem beleza poética (não nego), o problema é conseguir entendê-la como explicação de textos que são tudo menos metáforas da vida, porquanto, normalmente, os autores que dizem esta frase referem-se a um texto sobre a vida e, em vez de metáforas, usam muito mais a comparação, adjectivos expressivos e, sobretudo, a imagem (também figuras de estilo que têm como génese comparar ou fazer referências comparativas, enquanto a metáfora, por definição, é uma associação de duas ideias diferentes com algumas semelhanças).

Outro exemplo (e aqui tive de socorrer-me do meu manual de gramática, porque não sabia o termo técnico aplicável):

Já escrevi alguns textos sobre aqueles que escrevem autênticos testamentos, a que dão o nome de poesia, quando, em boa verdade, trata-se apenas de longos poemas. Desta vez não farei o discurso da diferença entre poema e poesia. Centro-me simplesmente numa ideia que defendo há alguns anos: a escrita poética exige síntese; a prosa permite perífrase (o tal termo que sempre me faltou).

Apesar de ter uma afeição maior à poesia minimalista, nunca fui avesso à mais extensa e discursiva, no entanto, acho que muitos autores exageram na hora de escrever e estendem o texto para lá daquilo que seria necessário, ou recomendável, como se o sentido, do que querem transmitir, deixasse de existir por serem práticos e sintéticos.

Um dos mais recentes ataques ao meu “eruditismo” e falta de recursos académicos, surgiu num dos meus últimos textos, a propósito dos inventores de palavras. Em determinado momento, eu escrevi que as palavras não se inventam do nada porque todas elas devem conter, em si mesmas, a história morfológica que lhes dá origem. Apareceu logo um, daqueles doutorados da praxe, a dizer que eu estava a falar do que não sabia e que as palavras não têm morfologia mas sim etimologia. Confesso que no imediato senti o peso do meu analfabetismo primário mas, porque sou teimoso e prefiro errar com fundamento, fui buscar auxilio num instrumento que muito prezo: um dicionário. E tive uma surpresa...

Então não é que a etimologia é uma parte da gramática que estuda a origem, a formação e a evolução das palavras e a morfologia, entre outros atributos, também é parte da gramática que se ocupa das formas e modificações das palavras? Afinal o meu analfabetismo primário não é assim tão grande como a erudição que vêem nos meus textos.

É também por esta razão que eu gosto de escrever!

MANU DIXIT

sexta-feira, 13 de abril de 2018

DEZ PERGUNTAS A... MARIA MARLENE


Agradecemos à autora MARIA MARLENE a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autor e pessoa?

Sou uma pessoa simples, sonhadora,  porém cheia de garra.. Considero-me uma mera aprendiz da vida e da arte literária.

2 - O que a inspira?

A natureza, os meus devaneios, uma imagem e o Amor. Ora, a saudade, a alegria a tristeza e a dor, também me inspiram.

3 - Existem tabus na sua escrita? Por quê?

Não. Escrevo livremente. São declarações de amor, homenagens à natureza (Terra e Céu), narrativas em versos das minhas alegrias, saudades, dores, enfim. Sem tabus.

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

As antologias e coletâneas alavancam nosso trabalho, fazem-nos ser conhecido(a)s, e conhecer outros autores do nosso país e de outros. Nem sempre podemos publicar um livro solo e as antologias e coletâneas nos proporcionam ver nossos trabalhos em um livro.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

Os meios sociais foram e são primordiais para a divulgação dos meus singelos escritos. Através deles, consigo até vender meu livro (risos), algo tão difícil, ainda.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Os pontos positivos: a realização de um sonho pessoal, a propagação da literatura e o incentivo à leitura. Os negativos: desvalorização,  desinteresse pela leitura, alto custo para se publicar um livro solo impresso. Espero que ele não se torne obsoleto.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

A trajetória literária, o título e o livro bem elaborados, entrevistas, saraus literários e projetos públicos que ajudem os autores/autoras a apresentarem seus trabalhos.

8 - Quais os projectos para o futuro?

Continuar escrevendo, já que a escrita é meu alimento, participar de antologias e publicar meu segundo livro que já está em construção.

9 - Sugira um autor e um livro!

José Junatas da Costa, paraibano. Livro: Razão ou Lógica, do autor citado.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Por que você escreve e para quem?
Escrevo porque me é prazeroso, é minha terapia, é alimento para minha alma e meu coração. Escrevo para ser lido, apreciado. Não sei se tudo que tenho escrito, um dia vai ser lido (risos). Obrigada.

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quinta-feira, 12 de abril de 2018

ADRIANA FALA DE... IV SARAU IN-FINITA


A vida é feita de pequenos momentos e, são esses, que realmente valem a pena ser vividos e viram retalhos guardados na lembrança ou deixados quietinhos, quase que esquecidos no sótão de nossa história.

Para as manhãs de sábado, um fragmento de apenas uma hora e meia, mas tão intensa na troca de energias e bem estar que nos surpreende a cada dia, após nossos eventos. Criámos essa linha que alinhava os pequenos retalhos, chamado SARAU IN-FINITA, sem expectativas ou direcionamentos, apenas com o intuito de dar espaço para a voz do poeta. E com o tempo, as presenças, as acolhidas, fortaleceram esse fio condutor, e percebemos claramente depois do IV SARAU IN-FINITA/PALÁCIO BALDAYA, aonde queremos chegar: na lembrança daqueles que compartilham esses nossos momentos.

A poesia é o convite, o motivo, a satisfação, a expressão maior. É ela a agulha que tece amizades, acolhe, descobre talentos, divulga autores, incentiva a caminhada, mas há algo maior inerente a nossa vontade, mas que faz toda a diferença: a boa disposição e interesse de todos que reservam seu tempo para expressar, sentir, semear, ou apenas, absorver, ouvir, participar.

Sempre gratos a todos que fazem parte desses pequenos momentos e aos que estão chegando a cada evento: autores, amigos, leitores e curiosos. Nesse em especial, ficámos felizes pela presença de um jovem poeta, João Barnabé, participando de seu primeiro Sarau. E que seja o primeiro entre muitos, aqui, ali, ou acolá, porque como disse, a poesia é o convite.

E vamos seguindo a cada quinze dias, com essas pequenas lembranças. Até breve...

DRIKKA INQUIT

quarta-feira, 11 de abril de 2018

AS CRÓNICAS DA AVÓZITA... OBSERVANDO



Estar sentada a ver e ouvir os outros, é um privilégio, pois vê-se e ouve-se, cada coisa de bradar aos céus.

Há aqueles que encantam pela beleza e simplicidade com que se apresentam, mesmo que o seu poema ou, e até, o seu dizer não sejam perfeitos.

Há os que até têm um bom poema mas, no momento da leitura, estragam-no, perdendo assim parte da qualidade.

Há o inverso, aqueles que de um mau poema, ao dizê-lo conseguem enaltece-lo, tornando o momento, num momento poético de nível.

Há os perfeitos, um bom poema e uma óptima leitura. Este será decerto, o ponto alto do sarau/tertúlia.

E, há os vaidosos, que antes de lerem ou dizerem de cor, o seu poema, se elevam ao degrau mais alto da escalada, e por fim, inchados, ficam com o ego em cima, ao ouvirem os aplausos, que afinal nem sequer são pelo poema ou pela declamação, mas sim, pela forma como conseguiu subir tão alto, na felicidade do ego enaltecido.

Há de tudo, é verdade!

Continuarei observando.

MARIA ANTONIETA OLIVEIRA

terça-feira, 10 de abril de 2018

DEZ PERGUNTAS A... FREDERICO SPENCER

Agradecemos ao autor FREDERICO SPENCER a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1- Como se define enquanto autor e pessoa?

Costumo pensar que ambos se fundem, posto que a matéria de trabalho do autor, seja prosa ou verso, reside no seu cotidiano e costuma aparecer nas coisas mais corriqueiras. Aquele que escreve está sempre atento aos acontecimentos, sejam políticos, sociais ou econômicos, tudo é matéria para sua escrita. Lembro de um fragmento de um poema de Alberto da Cunha Melo que diz: “A cem quilômetros por hora/solto a direção do carro/para escrever algo/mais importante que minha vida”. Acho que é por aí.

2 - O que o inspira?

Considero-me um poeta que trabalha com o social, isto é, com o processo sócio histórico que talha e modela a vida das pessoas. Ainda muito criança morava muito próximo ao Coque - comunidade do Recife, que ainda hoje enfrenta grandes problemas como pobreza e desigualdade social. Acho que isto me inspirou para a busca de uma profissão, na qual me formei em sociologia e pós-graduei em psicopedagogia e, esta realidade encharca minha poética.

3 - Existe tabus na sua escrita? Porquê?

Este deve ser um exercício para quem pretende escrever literatura: a quebra dos eixos que amordaçam o ser. A arte é exclusivamente a reinvenção da vida, o seu papel é criar novos conceitos que alarguem o campo do pensamento humano propondo um novo olhar sobre as coisas postas e pregadas como corretas. No entanto, a arte deve obedecer suas próprias normas, todos os segmentos artísticos propõem uma estética, um eixo normativo de qualidade e técnicas que devem ser conhecidas e trabalhadas onde estas vão libertar o autor de suas amarras, através de um exercício cada vez mais intenso e focado de sua arte.

4 - Que importância há nas antologias e coletâneas?

Ambas são sinônimas, trata-se de uma reunião de peças de vários livros num só, é um importante meio de divulgação da obra de um autor, sua importância dá-se pelo fato de trazer o melhor para um único livro. Reside aí um teste importante para aquele que se propõe a fazer a antologia, deve ter um conhecimento sobre autor/obra e assim poder reunir o que é primordial no autor.

5 - Que impacto tem as redes sociais no seu percurso?

As redes sociais são uma realidade e se transformaram num importante meio de divulgação, tanto para o autor conhecido quanto para aqueles que estão começando - são espaços democráticos onde pode-se até criar um debate sobre o assunto e também de percebermos a aceitação por parte do internauta através das curtidas e comentários. A internet quebrou barreiras de espaço/tempo, encurtou a distância entre autor e público, o que é muito bom.

6 - Quais os pontos positivos e negativos no universo da escrita?

A palavra cria realidade, nomeia tudo e todos e dá sentido às coisas, sem ela não teríamos sociedade nem cultura. A escrita cria a história do homem. Depois do advento da escrita impressa, a humanidade deu um salto de qualidade, através dela conquistamos o espaço e também criamos a bomba atômica, nos tornamos seres especiais no reino animal.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação do autor?

Todos os meios de divulgação são importantes, mas hoje rescindimos de uma crítica especializada que possa comprovar as qualidades ou não da obra. A internet hoje tem um peso preponderante na questão da difusão, porém, não qualifica o autor. Acredito que hoje o autor tem que estar mais próximo das pessoas, das escolas, do mercado. É um trabalho de guerrilha, feito de pequenas ações que vão quebrando a monotonia do mercado formal. Mas o foco deve ser as escolas onde estão os novos leitores. Com qualidade na escrita e inteligência mercadológica podemos acabar os empecilhos que hoje afastam o atual leitor das obras literárias.

8 - Quais os projetos para o futuro?

Tenho um livro de contos: O OLHO DO RINOCERONTE que deverá ser lançado ainda neste primeiro semestre e um outro de poesia: À LUZ DE UM SOL IMPURO, que deverá ir para o mercado no final do segundo semestre. Pretendo fazer um trabalho nas escolas, faculdades, abrindo debates sobre o conteúdo destas obras. Acho que vou continuar a escrever, mesmo tendo chegado aos sessenta anos, pois, ainda sinto que posso contribuir para melhorar nosso universo.

9 - Sugira um autor e um livro.

Sugiro Antônio Torres e o livro ESSA TERRA de sua autoria, considero um clássico de nossa língua e uma aula de conteúdo e técnica literária.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

A pergunta é: O que é poesia?

Resposta: Poesia é a arte de reinterpretar a vida cotidiana através das palavras - surradas e coloquiais - dando a elas um novo sentido. Através das metáforas e de suas irmãs, podemos aumentar o campo de percepção da realidade e transfigurá-la simplesmente porque passamos a enxergar o objeto de uma outra forma. Acabamos com a linearidade da especificação para o campo das possibilidades das coisas, das multiplicidades dos sentimentos. Saímos do campo da lógica formal para a metafísica possível da estética literária.

Acompanhem, curtam e divulguem esta e outros autores através deste link

segunda-feira, 9 de abril de 2018

ADRIANA FALA DE... CONEXÕES ATLÂNTICAS



Conexões Atlânticas não é uma Antologia. É um projeto que tem várias ferramentas de divulgação, inclusive, antologias. Idealizado para fomentar e divulgar os poetas nos dois lados do atlântico, entre Brasil e Portugal, com uma missão: acessível e com excelência na qualidade poética dos autores envolvidos. Divulgar a obra e o autor, criar vínculos com outros autores e despertar a atenção para o público leitor, em saraus e feiras literárias, além das redes sociais e outras plataformas. Estamos navegando primeiro em Lisboa, casa do projeto, com o intuito de mostrar que é viável, com custos baixos e às vezes nenhum valor atribuído, trazer o nome e a poesia dos brasileiros para Portugal. A ideia é manter também no Brasil, alguns pontos de divulgação, para os poetas portugueses. Mas como não conseguimos estar em dois lugares ao mesmo tempo, esse trabalho está sendo construído lentamente, para mantermos o mesmo perfil, com parceiros que estejam integrados e envolvidos no ideal do projeto, que não visa lucros, mas que  faz necessário  contribuições mínimas para existir, no caso, quando falamos de  elaboração de um livro. A Antologia Conexões Atlânticas, foi criada para facilitar esse encontro, em um livro a ser distribuído, que não está disponível para a venda. Um trabalho coletivo patrocinado pelos autores, além de outras ações. Como é um projeto continuado, a cada quatro meses, os autores participantes de cada edição estarão dando voz ao projeto através de seus poemas, biografias e entrevistas que estarão presentes nos espaços dedicados ao CONEXÕES ATLÂNTICAS. E é com imensa satisfação, devido à participação e acolhida dos primeiros autores ao projeto, e parceiros envolvidos, que seguimos confiantes dando os próximos passos. Sejam sempre bem-vindos!

Acompanhe autores e seus poemas:
Faça parte: CONEXÕES ATLÂNTICAS

DRIKKA INQUIT

domingo, 8 de abril de 2018

EU FALO DE... HUMILDADE E LENÇÓIS


Não raras vezes, em conversa com outros autores, abordam-se temas interessantes e que merecem reflexão. Apesar de ter os meus próprios conceitos sobre a poesia, tenho a abertura suficiente para compreender pontos de vista distintos dos meus. No entanto, essa disponibilidade de entendimento só marca presença quando, do outro lado, existe capacidade argumentativa, logo pensada, que justifique o que é defendido. Essa forma, de estar e compreender o outro, é a razão primeira para a minha evolução enquanto autor.

Não me cai nenhum braço se afirmar que, ao longo do meu percurso, fiz algumas alterações significativas no meu modo de criar e, acima de tudo, no modo de entender fórmulas e conceitos mais válidos e lógicos que aqueles que tinha anteriormente.

Posso dar como exemplo uma conversa com, talvez, seis ou sete anos, e que mudou a minha percepção sobre os primeiros escritos editados.

Ao falar com um autor, com muitos mais anos de experiência e criação, consequentemente com uma visão mais abrangente e conhecedora, entendi algumas coisas que hoje são, para mim, pedras basilares naquilo que escrevo e na forma como o faço. Depois dessa conversa, consegui perceber a diferença entre poema e poesia. Depois dessa conversa, consegui entender o que distingue um bom poema de um mero poema. Depois dessa conversa, a minha escrita evoluiu e, acredito, atingiu patamares mais elevados que, caso não tivesse escutado o que me foi transmitido, muito dificilmente atingiria.

Não raras vezes, uma simples conversa com outros autores pode alterar as nossas percepções e levar-nos a mudanças que, à primeira vista, são mínimas mas que marcam e definem, de forma impactante, todo o nosso trajecto. Mas para que essa mudança exista e ajude a criar novas bases de sustentação para aquilo que escrevemos, temos de trabalhar em nós a tal capacidade de ouvir os outros; evoluir no nosso pensamento e, talvez o mais importante, sabermos admitir que, por muito bem fundamentados que sejam os nossos argumentos, por mais lógicos e assertivos que sejam os nossos conceitos, o simples facto de sermos humanos leva-nos ao erro e devemos, em todas as circunstâncias, ter a humildade de reconhecer essa nossa condição.

Tal como a grande maioria dos autores que conheço, eu também escrevia autênticos lençóis de versos e apelidava-os de poesia. Bastava ter caneta na mão e, enquanto houvesse espaço branco numa folha de papel, escrevia, sem dar-me conta que aquilo que eu achava um grande poema, uma quase obra-prima, não passava de um mero poema que, seu eu tivesse, na época, os conhecimentos que ganhei com a dita conversa, talvez pudesse ter transformado em três ou quatro bons poemas.

Essa conversa ensinou-me que poema é o texto e poesia é a obra. Com essa conversa aprendi que um poema grande raramente é um grande poema, Após essa conversa entendi que a excelência de um poema não está na quantidade de versos produzidos, está sim na qualidade dos próprios versos e, se fazer um bom verso já é difícil, criar um poema com inúmeros versos de qualidade é tarefa complicada, quase utópica, que apenas alguns génios foram capazes de produzir.

Através dessa conversa consegui entender que uma ode não é feita por quem quer, mas sim por quem pode e sabe. Percebi também que, por mais esforço que um autor possa empregar no acto de criação, poucos são capazes de atingir a excelência, menos ainda quando a consciência de autor não existe e todo e qualquer escrevinhador acredita, na sua total ausência de humildade, ser Álvaro de Campos, Ruy Belo ou José Carlos Ary dos Santos, para não mencionar mais.

Depois dessa conversa, não passei a ser defensor intransigente da poesia minimalista, mas compreendo melhor o quanto é necessário ter os pés bem assentes na terra e que, em vez de tentar, em permanência, criar uma nova Ode Marítima, posso fazer três ou quatro poemas mais reduzidos que, em conjunto, podem beneficiar qualitativamente a minha poesia.

A poesia é a soma dos poemas que criamos e a qualidade dela não depende do tamanho dos poemas, depende sim do valor com que cada poema contribui para o todo. As boas obras de poesia não são unanimemente compostas por poemas grandes. As boas obras de poesia são alicerçadas na grandeza dos versos, na grandeza dos poemas, na consistência qualitativa do que se cria.

Depois dessa conversa, não passei a ser defensor da poesia minimalista e também não sou adverso aos escritos mais longos. Depois dessa conversa cheguei à conclusão que teria mais a ganhar entregando-me com todo o vigor e esforço à criação qualitativa em detrimento dos lençóis.

Bem vistas as coisas, cada um deita-se na cama que faz.

MANU DIXIT

sábado, 7 de abril de 2018

DEZ PERGUNTAS A... SALETE AGUIAR


Agradecemos ao autor SALETE AGUIAR a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autor e pessoa?
   
Sou um autor bissexto. Há períodos em que escrevo muito, intercalados com longos períodos em que apenas leio, ouço e catalogo músicas, e filosofo para mim mesmo. Sou uma pessoa tranquila e de bem com a vida.

2 - O que o inspira?
   
Fatos do cotidiano, “insights” sobre assuntos filosóficos ou políticos e, fundamentalmente, a beleza.

3 - Existem tabus na sua escrita? Porquê?
   
Acredito que não, embora alguma coisa pode estar no meu “ponto cego” psicológico intelectual, e aí eu não tenho mesmo como saber, mesmo que esteja visível para outros. O que posso afirmar é que há muitos assuntos e temas muito tratados atualmente e que, para mim, são totalmente irrelevantes ou desinteressantes.

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?
   
Acho que são formas importantes de se tomar conhecimento de autores que, de outra forma, dificilmente nos seriam dados a conhecer.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?
   
No início, nos tempos do Orkut, por exemplo, houve possibilidades de agrupamentos de pessoas com interesses comuns que abriram espaço para interessantes debates e trocas de idéias. Atualmente há uma massificação tão brutal e gigantesca que não espaço nem tempo para análise de nada, então praticamente não as frequento mais.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?
   
Só consigo ver pontos positivos, pois é a única forma de comunicação universal de idéias que permanece, mesmo após o desaparecimento dos autores. É muito mais fácil conversar com Omar Khayyam, Confúcio, Fernando Pessoa ou Peter Sloterdijk do que com nossa mulher ou nossos filhos.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?
   
Acredito que o essencial é que o autor tenha conteúdo. Quanto a se tornar conhecido, tudo vai depender de sorte ou marketing, o que não significa necessariamente conteúdo.

8 - Quais os projectos para o futuro?
   
Continuar vivendo a vida com calma e preparando a alma para o que há de vir. Escrever o que vier à tona da mente e publicar em meu blog.

9 - Sugira um autor e um livro!
   
É muito difícil escolher um, ainda mais sem a definição de estilo ou tema. Mas vou sugerir 2, pouco conhecidos ( digo isso porque só conheço eu mesmo que já os li), “Jogos Finitos e Infinitos”, de James P. Carse e “Crítica da Razão Cínica”, de Peter Sloterdijk.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?
   
Não tenho uma pergunta que gostaria que me fizessem.

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