quinta-feira, 4 de junho de 2020

DEZ PERGUNTAS MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - SOLANGE PADILHA



Agradecemos à autora SOLANGE PADILHA pela disponibilidade em responder ao nosso questionário


1 - Qual a sua percepção para essa pandemia mundial?

Penso que existem várias questões O impacto e disseminação da pandemia em curtíssimo tempo descortina nossa fragilidade humana e traz para primeiro plano, o significado da responsabilidade social, o ser e pertencer à espécie humana. Desacelerar é palavra chave para criar novas atitudes, pensamentos e ações. Somos parte de um sistema orgânico e há urgência de resolver desigualdades e harmonizar e reequilibrar a vida no planeta.

2 - Enquanto autora, esse momento afetou o seu processo produtivo? Em tempos de quarentena, está menos ou mais inspirada?

Sim, claro, afetou muitíssimo. Nos últimos 50 dias vivo outra experiência com o tempo e o espaço. Pertenço duplamente ao grupo de risco e organizar questões práticas e guardar cautela redobrada em relação a pandemia interferiu diretamente no cotidiano das atividades literárias dentro e fora de casa.
Além do vírus, a situação no Brasil hoje é rocambolesca, e os problemas políticos e sociais se avolumam na mesma proporção da pandemia. Tudo isso desorganizou bastante o cotidiano de escrita. Faço anotações, pequenos textos para a internet, revisão de textos já existentes.
Infelizmente, muitas vezes não sobra tempo para inspiração  

3 - Quando isso passar, qual a lição que ficou?

Como sugeri anteriormente, espero que haja um fluxo de consciência sobre o que estamos construindo para as futuras gerações; Se isso vai acontecer? É uma interrogação, estamos no meio do turbilhão. Mas acredito que haverá mudanças significativas.

4 - Os movimentos de integração da mulher influenciam no seu cotidiano?

Tenho um longo percurso no feminismo. Pertenci ao que se convencionou chamar no Brasil, de segunda onda, anos 70. Vivi o autoexílio em Paris, participei de grupos de mulheres brasileiras exiladas e também do Movimento de Libertação das Mulheres (MLF) da França. De volta ao Brasil reuni-me a outras mulheres e criamos o primeiro jornal feminista brasileiro, Nós Mulheres. Escrevi sobre o tema mulher para jornais de oposição, pesquisei grupos de mulheres operárias, e ajudei a organizar os primeiros encontros que reuniram milhares de mulheres da periferia a partir de uma pauta de resistência política e feminista, e isso no Brasil da época era uma novidade. Com a atriz Ruth Escobar, fizemos o 1 Festival das Mulheres nas Artes, reunindo mulheres de todo o Brasil e, também internacional. Eu organizava a parte de literatura e artes plásticas. Cora Coralina que faria 90 anos naquele ano foi a homenageada especial e  contamos com a presença das escritoras portuguesas, Isabel Barreno, Natália Correa e Lídia Jorge. Foi um acontecimento incrível e inovador.

Com a volta ao estado de direitos me afastei dos movimentos de mulheres, retornei ao Rio de Janeiro para dar foco à escrita de poemas e ensaios, retomei minha formação acadêmica e convivência com grupos indígenas. Em 2014 me chamaram para  participar do  grupo feminista A #partida, escrito assim mesmo em minúscula, criado pela filósofa Marcia Tiburi. Nasceu com o objetivo de impulsionar mulheres a ingressarem na política. Deste grupo fez parte Marielle Franco que se elegeu vereadora nas eleições de 2016. No ano seguinte era criado o Mulherio das Letras, ao qual pertenço desde então.

5 - Como você faz para divulgar os seus escritos ou a sua obra? Percebe retorno nas suas ações?

Essa é a parte mais complicada. Tenho três livros de poemas publicados por pequenas editoras e que não foram relançados, salvo Dadá anda ainda um livro poema-objeto de 1992 que relancei 60 exemplares durante a FLIP de 2018. Grande parte de meu trabalho é desconhecido. Publico online, em sites específicos, na minha página de autor, no meu perfil do Facebook. No Rio de Janeiro existe grande quantidade de saraus e houve época em que fui assídua e divulgava meu trabalho através de leituras públicas. Poesia no Brasil tem um publico relativamente restrito e flutuante. Como também faço poesia visual, participo de grupos e movimentos ligados a este segmento da poesia com interface nas artes visuais.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita para a mulher?

Essa pergunta é ao mesmo tempo simples e complexa. Penso que os pontos negativos, são aqueles que há séculos invisibilizam a própria presença e criação das mulheres na literatura, como em outros campos da historia cultural, social e política, com inúmeros preconceitos, restringindo sua participação ou diminuindo-a, ou ainda, ignorando seus trabalhos e livros, “esquecendo” de citá-las ou de incluí-las em compêndios de literatura, enciclopédias, academias. Os positivos são principalmente aqueles que nasceram de uma consciência dessa invisibilidade, das lacunas, das perdas, afinal como seriam os poemas de Safo, a grande poeta do VI século antes da era cristã, além dos raros fragmentos que nos sobrou? Muito importante também a determinação de escritoras dos séculos XIX e XX que escreveram e criaram como grandes escritoras e também aquelas teóricas, filósofas que pensaram seu tempo e a condição feminina  e se engajaram em lutas por direitos sociais e políticos, Hoje pesquisadoras mulheres, mas também homens, têm se dedicado a um trabalho quase arqueológico e revelam nomes e escritas até  então ignorados, e relegados ao esquecimento pelos críticos literários. Vivemos um momento de intensa criatividade e sou otimista. Acho que estamos reinventando novos parâmetros do que seja a literatura. Afinal uma metade da humanidade silenciada por séculos, está surpreendendo e deve continuar a surpreender a todos aqueles que dominaram a palavra escrita.
 
7 - O que pretende alcançar enquanto autora? Cite um projeto a curto prazo e um a longo prazo.

Acabei de escrever um livro de poemas e espero em breve terminar a revisão do que será meu primeiro livro de contos. Até mês passado, a previsão da editora era fazer o lançamento no primeiro semestre deste ano. Acredito que será prorrogado para o segundo semestre. Também quero fazer em São Paulo uma exposição dos poemas visuais que foram expostos pela primeira vez aqui no Rio ano passado e em janeiro deste ano. Espero uma trégua da situação atual que permita retornar os projetos.
A longo prazo, quero continuar escrevendo, continuar pesquisas sobre a escrita da mulher, e também desenvolver o campo da expressão visual. No Brasil, a poesia se popularizou através da música, das letras de canções de extraordinários poetas que tornaram nossa musica popular brasileira de uma riqueza imensa e muito abrangente. Mas tenho muita vontade de incentivar conversas com jovens sobre a palavra, sobre as possibilidades que o simples dizer carrega e como seu sentido poético é uma belíssima arma para a vida. Penso mundo nesse universo feminino que está surgindo e como estabelecer postes com ele através da leitura, do dizer. A escrita é tão sutil que o desafio é inesgotável. Se der tempo, quero me ligar cada vez mais com o mundo que estamos vivendo no que ele trás de novo e me sabendo de outra geração poder dizer como ele me atravessa. E, se possível encontrar leitoras e leitores para dialogar.
 
8 - Quais os temas que gostaria que fossem discutidos nos Encontros Mulherio das Letras em Portugal?

Há alguns anos me interesso sobre a relação entre poder literatura e autoria de mulheres. Já na época do jornal Nós Mulheres, há quarenta anos,  me intrigava a ausência da mulher entre os escritores. Escrevia pequenos ensaios, mas tomei outros rumos. Em 2018 escrevi um pequeno ensaio sobre a criação contemporânea gestada pelo fluxo de consciência que vem se desenvolvendo desde o século XX com maior visibilidade. Este ano, em março, participei de um seminário também sobre o assunto. Um encontro de escritoras é uma ótima oportunidade de pensar falar e trocar ideias sobre mulher e literatura.

9 - Sugira uma autora e um livro que lhe inspira ou influencia na escrita.

Primeiro devo dizer que não tive uma formação acadêmica e regular. Tanto me influenciaram livros quanto filmes. Antes de saber ler, aos cinco anos já ia ao cinema com minha mãe todas as semanas. Sempre fui muito ligada ao teatro, que corresponde a minha formação ginasiana, e as artes visuais Me parece que isso leva a outra dinâmica da escrita, algo peculiar a minha geração. Foi a partir da relação com o feminismo que se deu muito cedo que me interessei por autoras, pelo pensamento de Simone de Beauvoir, teóricas revolucionárias da época da Revolução Francesa ou dos primeiros momentos do socialismo.  A leitura de romancistas ou mesmo de poetas se deu mais tardiamente. Inicialmente predominaram os homens.
Me limitando à poesia, durante muitos anos fui obcecada por Rimbaud. Meados dos anos 70 é tempo da chamada poesia marginal, geração mimeógrafo, onde surgem uma profusão de poetas mulheres jovens, os hacai de Matsuo Bashô ou Leminski , o tropicalismo e os grandes letristas da nossa canção e do samba. Mas quando decido que finalmente vou escrever poesia, posso dizer que a poesia de Ana Cristina Cesar e seu  livro A teus pés, me tocou fundo e foi  definitivo  para o meu entendimento do que seria uma linguagem diferente daquela que lia em poetas da época ou dos que já eram clássicos brasileiros. Hilda Hilst, extraordinária e Clarice Lispector também, pela densidade e sinceridade interior, pela maneira como do banal revelava o terremoto que está sempre pronto a eclodir do subsolo. Perto do Coração Selvagem causou-me um impacto tremendo há algumas décadas. Com essas autoras descobri que o mal estar interior ou aquela minha necessidade de ir buscar o que está ainda mais submerso e, a dificuldade de expressá-lo, podiam se tornar uma escrita, uma assinatura. O não saber deixou de me paralisar. Entendi que tanto eu quanto a língua era misterioso mesmo. e o enigma era saber como tornar uma experiência muito particular numa linguagem, descosturando o já feito.  Além dessas autoras, existe uma enormidade de boas escritoras hoje no Brasil. Muitas poetas vindo das periferias com novos linguajares, novas propostas que renovam o já estabelecido, além das autoras negras. Como romanistas ou ensaístas Maria Valeria Resende, Lygia Fagundes Telles, Conceição Evaristo, sem falar de uma geração de pesquisadoras que desvendou e está desvendando minuciosamente nomes do passado e o papel da mulher na nossa literatura. São inúmeras e muitas talentosíssimas as escritoras que se reúnem no Mulherio das Letras por todo o Brasil.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Por exemplo, “O que espera da vida aos 70 anos?”
- Muitas pessoas acham que existe uma idade para dizer as coisas e que passado um período não se têm muito mais a dizer. Eu recomecei minha vida muitas vezes. Mudei de rumo muitas vezes. Não acreditei na morte por um longo período, malgrado as evidências. Como muitos já disseram, não me arrependo, tive e tenho uma vida muito rica, nem um pouco estável, mas rica.  Quero ter coragem para mudar quantas vezes ainda forem preciso. É claro, somos seres biológicos e a vida um acontecimento imprevisível. Sendo assim, continuo enamorada dela, em busca de melhorar a mim e toda esta parafernália que é esta viagem no planeta Terra. Diria que ainda estou longe de me dar por satisfeita. E embora a situação seja adversa, acho que na sua inutilidade, o ser humano aqui está para viver o espanto como um canto de guitarra a tristeza nas cordas do violoncelo e o desassossego ou alegria da poesia e não havendo instrumentos para fazer de qualquer utensílio um ritmo que enalteça a vida, o viver. Somos todos artistas natos de nós mesmos, e todos juntos somos os únicos a querer igualar sua pequenez ao imenso universo. Sendo parte dele, não é um exagero, mas um propósito razoável, desde que nos entendamos como o bem mais precioso e respeitado por todos e para todos.  Se ainda der tempo, e puder escrever uns dois livros de poemas... tá ótimo!

quarta-feira, 3 de junho de 2020

DEZ PERGUNTAS MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - JÉSSICA RODRIGUES


Agradecemos à autora JÉSSICA RODRIGUES pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Qual a sua percepção para essa pandemia mundial?

Eu a percebo como um desafio para lidar com o inesperado e com a luta contra um inimigo invisível. É muito triste a perda de tantas vidas humanas. Dói a sensação de impotência frente aos impactos diretos e indiretos que a pandemia traz.

2 - Enquanto autora, esse momento afetou o seu  processo produtivo? Em tempos de quarentena, está menos ou mais inspirada?

Sim, afetou muito. Mas tenho oscilado neste período. Já estive em um vazio de ideias, com os pensamentos devastados por tudo o que tem ocorrido e, assim, sem condição de escrever nada. Mas, em contrapartida, já acordei em uma manhã inspirada, grata pela vida e saúde, escrevendo três textos sucessivos. A escrita é mesmo assim surpreendente.

3 - Quando isso passar, qual a lição que ficou?

Que não damos conta de tudo. Que nem sempre ou quase nunca detemos o controle da vida. Que cada momento conta, as pessoas são importantes e a saúde essencial. Gostaria de acreditar que teremos (seremos) pessoas melhores depois disto tudo, porém, desconfio que muitos ainda não terão aprendido.

4 - Os movimentos de integração da mulher influenciam no seu cotidiano?

Sim. São elo e fortalecimento em meio ao caos. A mulher é ser potente e os movimentos femininos, necessários para valorizar todo este potencial. Ao me perceber parte de um grupo coeso em ideais e ideias, me identifico, reafirmo e cresço. Os movimentos de integração da mulher vislumbram possibilidades para além do vivido.

5 - Como você faz para divulgar os seus escritos ou a sua obra? Percebe retorno nas suas ações?

Como autora independente faço a divulgação nas redes sociais, através de parcerias e participação em eventos literários. Não é um caminho fácil, mas o retorno tem sido bom. Ver meus escritos se espalhando entre as pessoas e com boa aceitação do público é um retorno muito positivo. Tenho me alegrado em especial com o alcance do público infantil com o qual sempre lidei enquanto professora e difusora da literatura e, que agora, encontra valor na produção de minha autoria. Adultos às vezes ficam receosos em opinar, mas as crianças costumam ser sinceras e, quando dizem que gostaram da história é porque gostaram mesmo! Fico feliz por isso.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita para a mulher?

No meu ponto de vista o mais positivo é o movimento que as mulheres fazem. Muito já foi alcançado, embora ainda tenhamos muito por fazer. É trabalho de formiguinha mesmo. Resultado das ações de mulheres fortes que nos antecederam, da ousadia de mulheres do nosso tempo e de um legado para as gerações futuras. Mas o ganho está mesmo no movimento, pois as mulheres são ativas e o estado de mera aceitação e apatia não nos cabe. A busca por igualdade de oportunidades, aceitação e reconhecimento da mulher não só na escrita, mas em toda cadeia  produtiva do livro, ainda se mostra um entrave. Contudo, ao invés de o enxergarmos como obstáculo ou empecilho, temos o tomado como impulso para continuar.

7 - O que pretende alcançar enquanto autora? Cite um projeto a curto prazo e um a longo prazo.

Quero que o que escrevo seja lido, apreciado, aprimorado, expandido e que a minha escrita impulsione outros a ler e escrever também. A curto prazo acredito que este alcance (já iniciado) se fortaleça e,  a médio prazo, se consolide não como fama ou status, mas como ganho pessoal e profissional na carreira docente. A longo prazo desejo contrato com uma editora que apoie minhas publicações vindouras.

8 - Quais os temas que gostaria que fossem discutidos nos Encontros Mulherio das  Letras em Portugal?

Seria interessante a discussão sobre recursos de mídia digitais em divulgação literária e editorial. Gostaria de saber mais sobre os critérios de seleção em concursos literários e antologias também. Os temas recorrentes sobre protagonismo feminino devem ser mantidos, visto serem norte para os movimentos de integração da mulher. Encontros com representantes de editoras também seriam muito bem-vindos.

9 - Sugira uma autora e um livro que lhe inspira ou influencia na escrita.

Difícil esta pergunta. Tenho me permitido circular e conhecer, pois acredito que motivação e inspiração não têm fontes únicas, mas diversas. Gosto da poesia de Cora Coralina e Marina Colasanti, aprecio as crônicas de Clarice Lispector e a escrita cotidiana forte de Conceição Evaristo e Carolina Maria de Jesus. São referências, mas escritoras contemporâneas não tão conhecidas têm me despertado muito ultimamente.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

“O que te faz escrever, qual sua motivação para a escrita?” A resposta seria o poema de capa do meu primeiro livro solo, o A vez e a voz da palavra, publicado em 2019.

Escrevo porque me falta voz
E deixo que pelas palavras
Se desatem os nós
Registro porque a memória falha
Me escondo, me faço
Percebo, cresço e apareço
Porque pelas letras sonho
Caminho sem mover os pés
Recobro o ânimo
E nas entrelinhas
Recrio um novo viés
Escrevo para me revelar
Me acho e descubro
O que não posso
É me deixar calar

terça-feira, 2 de junho de 2020

DEZ PERGUNTAS MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - LITAS RICARDO


Agradecemos à autora LITAS RICARDO pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Qual a sua percepção para essa pandemia mundial?

A minha percepção é muito pessoal, dado que sou uma exploradora de um mundo que poucos tendem a querer ver.
Acredito que este período veio trazer muitos benefícios para muitas pessoas, mas para outras, certamente que o entenderão que não, que este período só veio prejudica-las, tendo em conta que o mesmo trouxe uma grande mexida nas vidas pessoais, familiares e sociais.
Muitas desenvolveram aptidões pessoais que desconheciam em si, as redes sociais foram muito mais usadas para fins culturais e aproximação, que adveio igualmente de um isolamento social.
Particularmente, trabalhei o tempo todo. Só mesmo ao fim-de-semana é que parei, o que me permitiu terminar projetos que estavam parados há muito e desenvolver outros que estavam somente no pensamento. Tendemos a querer chegar a todos o lado, e este isolamento, veio trazer-me a mensagem pessoal de que é tempo de cuidar de mim, de parar para me ouvir e para neste mundo SER.

2 - Enquanto autora, esse momento afetou o seu processo produtivo? Em tempos de quarentena, está menos ou mais inspirada?

Este tempo foi mágico para mim.
Terminei o terceiro romance, que estava guardado há quase 2 anos, à espera de tempo para o rever; habituei-me a gostar da minha fisionomia na divulgação em vídeo das minhas inspirações; participei em eventos culturais on-line, ofertando-me um mundo que desconhecia; tive mais quietude, abrindo-me mais à escrita e não só; tive tempo para olhar mais para mim e para a família que construi; e muito mais.  

3 - Quando isso passar, qual a lição que ficou?

Particularmente falando, tenho uma visão positiva. Falar de um aspeto social, seria entrar numa esfera ferida e débil, e decidi há algum tempo não o fazer.

4 - Os movimentos de integração da mulher influenciam no seu cotidiano?

Não me influenciam e também até á data, e já lá vão uns anos de vida, não posso dizer que me senti diferente em qualquer grupo, por ser mulher. Nem a nível profissional, nem literário.
Posso apenas referir a questão a nível familiar / educação, que, com requintes muito inteligentes, fugi o mais que pude.
Talvez seja privilegiada, ou então, inconscientemente seletiva.  

5 - Como você faz para divulgar os seus escritos ou a sua obra? Percebe retorno nas suas ações?

Até á data, publicava os meus textos nas redes sociais, em formato de foto ou em texto. Com a situação da pandemia, habituei-me a fazê-lo através de imagem, o que me deu mais expressão.
Participo em antologias, e, dentro da minha possibilidade também estou presente em eventos.
Recebo retorno a variados níveis, e sou grata por todo o gesto público ou privado, que, felizmente, são muitos.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita para a mulher?

Da minha parte, só tenho pontos positivos que são muito pessoais. O que é mesmo importante para mim, é que seja o que for que eu escreva, faça sentido a alguém e quanto a isso, só tenho a agradecer a mim própria, porque consigo fazê-lo.
Não tenho nenhum aspeto negativo a mencionar, porque ainda não passei por nenhum.

7 - O que pretende alcançar enquanto autora? Cite um projeto a curto prazo e um a longo prazo.

A curto prazo, tenho o romance para lançar, o que aguardará com tranquilidade o momento certo.
A longo prazo, tenho um projeto em mente, do foro literário. decorrente de um amor a crianças portadoras de Trissomia 21.
Tenho os recursos, faltando o principal, que é a disponibilidade. Para quem tem que viver do trabalho diário, e fazer toda a ginástica de uma família, mesmo tendo ajudas (o que é o meu caso), é preciso dedicação e ainda não consegui atingir esse patamar.
Tenciono chegar lá.

8 - Quais os temas que gostaria que fossem discutidos nos Encontros Mulherio das Letras em Portugal?

Não faço ideia. É difícil direcionar um tema, quando me sinto livre para escrever.

9 - Sugira uma autora e um livro que lhe inspira ou influencia na escrita.

É ingrato mencionar uma autora, quando gosto de muitas outras. Inicialmente, antes de entender um pouco melhor este percurso literário, cheguei a mencionar nomes. Hoje, sinto que não devo de o fazer.
O que me inspira é essencialmente a natureza, o interior de cada ser humano, como um todo; e o que me influencia é, essencialmente, o meu estado de alma no momento em que me predisponho a escrever.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Quem és?
Resposta: Não sei. Continuo empenhada à procura de mim, com alegria e gratidão a cada instante.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

DEZ PERGUNTAS MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - MARIA LEONOR COSTA (NONÔ)


Agradecemos à autora MARIA LEONOR COSTA (NONÔ) pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Qual a sua percepção para essa pandemia mundial?

Infelizmente, fenómenos pandémicos acontecem na história da humanidade de tempos a tempos. Esta pandemia veio provocar uma enorme revolução social e económica sobretudo e vai ser um marco histórico equivalente ao 11 de setembro.

2 - Enquanto autora, esse momento afetou o seu processo produtivo? Em tempos de quarentena, está menos ou mais inspirada?

Este momento trouxe-me mais tempo livre e com isso uma muito maior disponibilidade para criar e escrever sobre este tema e sobre outros temas. Para mim, à exceção da doença, este período tem sido muito benéfico.

3 - Quando isso passar, qual a lição que ficou?

Os efeitos da pandemia ainda se vão notar durante algum tempo. Surgindo uma vacina poderemos retomar as nossas vidas. A mim esta doença fez-me pensar muito na natureza e na sua resposta face à nossa clausura. Dá que pensar?

4 - Os movimentos de integração da mulher influenciam no seu cotidiano?

Claro que sim, sou a favor do empoderamento feminino, sem sobreposição ao masculino, mas de igualdade de direitos entre géneros. Considero que quanto a isto, na sociedade portuguesa, ainda terá de haver uma grande revolução de mentalidades. Nós as mulheres temos o dever de nos apoiarmos mutuamente.

5 - Como você faz para divulgar os seus escritos ou a sua obra? Percebe retorno nas suas ações?

Eu divulgo o meu trabalho num blogue, nas redes sociais, no Youtube e publico regularmente em antologias. Por vezes concorro a concursos. Gostava de interagir mais com outros escritores. Vou recebendo um crescente apoio nas minhas ações.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita para a mulher?
Não sei se neste momento a mulher é secundarizada no campo da escrita. Felizmente, já há muitas escritoras reconhecidas. Acho que há leitores para todos os géneros. O mercado português é que se mantém pequeno, mas felizmente mais aberto do que num passado recente.

7 - O que pretende alcançar enquanto autora? Cite um projeto a curto prazo e um a longo prazo.

Enquanto autora a curto prazo pretendo publicar livros, tenho vários na calha.
A longo prazo ser reconhecida pelo meu legado como alguém que através das suas palavras influenciou, ajudou e apoiou muitas pessoas.

8 - Quais os temas que gostaria que fossem discutidos nos Encontros Mulherio das Letras em Portugal?

Temas relacionados com a edição e a publicação de livros. Assuntos sobre escrita criativa de vários géneros. Como as mulheres se podem apoiar umas às outras para chegarem mais longe. Juntas somos mais fortes!

9 - Sugira uma autora e um livro que lhe inspira ou influencia na escrita.

Sou influenciada por tudo aquilo que vivo e que leio. Neste momento tenho comigo a poetisa Natália Correia – “Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica” e a obra completa de Matsui Bashô famoso autor de Haikus.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Como chegou até aqui? E como consegue manter a atualização diária do seu blogue?

Cheguei até aqui desafiando-me sempre a escrever mais e melhor. Mantenho a atualização do meu blogue com muita paixão, muita disciplina e muita criatividade. Tendo sempre como objetivo agradar, ajudar e influenciar pela positiva o leitor.