domingo, 24 de maio de 2020

DEZ PERGUNTAS MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - CÁSSIA NASCIMENTO


Agradecemos à autora CÁSSIA NASCIMENTO pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Qual a sua percepção para essa pandemia mundial?

Uma chamado geral para consciência humana coletiva, do que estamos fazendo por nós e para nós mesmos, enquanto humanidade, que pouco pensa no coletivo, então para mim esse momento de "solidão" de convivência, de companhia, vejo como oportunidade de meditar, refletir sobre nosso comportamento egoísta e vaidoso, nossas ações, sobre nossa realidade, perceber que vivemos apegados em ganhar valores superficiais, aí vem um vírus e desmonta a nossa prepotência, e nos faz pensar, algumas pessoas, nos valores espirituais e no valor humano, que não envolve necessariamente religiosidade, mas sobretudo, se religar ao que de real tem valor, a vida, a saúde, o bem viver, o bem querer a si mesmo e ao próximo, com afeto, com respeito, com atenção, cuidado e proximidade verdadeira. Em relação a morte nenhum ser humano está preparado para essa realidade, eu escrevi, assim, sobre a morte, naquele livro meu "O teto branco": Na verdade somos todos frágeis diante da “morte”. Todos nós temos medo dela. Do ponto de vista, viver a vida, todos somos aprendizes. Somos interligados. Somos interdependentes mesmo sem o nosso querer. Diante disso, não saber para onde retornamos é assustador. Por essa razão, provavelmente, muitos se apavorem diante do mistério, do oculto, do inalcançável. Todos nós tememos ir para outra dimensão. Por não saber para onde vamos, perguntamos como será lá? Como na vinda para cá ocorre o mesmo. Temos receio do mundo novo, do inesperado, daquilo que não temos domínio. Quando saímos do confortável ventre materno, do canto quentinho protetor de nossa mãe, o que será de nós depois? Como será nossa vida? Com quem vamos aprender a viver? Alguns seres humanos têm esse despertar de consciência e cedo compreendem que tudo no Universo é bem feito, é perfeito. Que é maravilhoso vir ver a vida... Estar transitoriamente aqui. (pg. 32 de "O teto branco" autopublicação, minha!  em abril de 2018)

2 - Enquanto autora, esse momento afetou o seu  processo produtivo? Em tempos de quarentena, está menos ou mais inspirada?

Meu signo solar é leão, então posso dizer que inspiração e otimismo para fazer o que gosto não falta, de modo que neste tempo de pandemia estou escrevendo bastante, retomei a prosa poética de uma produção com gosto de realidade/fictícia que havia iniciado em 2013, cujo título é Deixa-me Tentar! Escrevo para uma personagem mulher, por achar bem mais interessante escrever sobre o universo feminino. Além dessa produção, que nasceu através de um sonho, ao dormir sonhei com o nome da personagem, Beta Castellana, a partir daí tem fluído a história. Também escrevo para meus posts do projeto do coração, sobre MeditAção Poética PrátiCa ParAmar que divulgo no Instagram e Facebook diariamente após a prática da meditação. E recentemente em 3 de maio escrevi uma poesia-musical que chamei de "Você,Amor", retrata esse período em que vivemos,  poesia musical por que ela pode ser cantada e assim tocar o coração das pessoas para que externem o amor que guardam no peito, no agora! 

3 - Quando isso passar, qual a lição que ficou? 

Sinceramente, memória afetiva de vida vivida, dessa nossa humanidade tão carente de espiritualidade. Não vejo esse momento com vitimização, mas sim com propósito de mudança de visão, de transformação para melhor vivermos no futuro de agora. Depende de nós essa transformação de valores, de igualdade, de fraternidade, de solidariedade, de melhor distribuição financeira no mundo, e de verdade nas relações humanas.

4 - Os movimentos de integração da mulher influenciam no seu cotidiano?

Sim, sempre. Costumo ouvir no meio acadêmico literário que minha escrita é poética e também feminista. Talvez seja mesmo! 

5 - Como você faz para divulgar os seus escritos ou a sua obra? Percebe retorno nas suas ações?

Além de participar de coletâneas e saraus, divulgo no site Recanto das Letras, nas páginas do Facebook e Instagram, repasso para pessoas afins e tenho blog, mas há muito tempo não uso.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita para a mulher?

Positivo o retorno enorme pessoal de satisfação de produzir, criar, ter a disposição de escrever, até sem esperar grandes expectadores, embora quem escreve quer ser lido, isso é uma realidade real. 

7 - O que pretende alcançar enquanto autora? Cite um projeto a curto prazo e um a longo prazo.

Recentemente eu recebi está pergunta pelo facebook: Quando foi que você fez alguma coisa pela primeira vez? Eu respondi : O lançamento do livro "O teto branco (autopublicação), não foi o primeiro livro escrito, porém foi o primeiro editado, nasceu de um experiência incrível quando tive que escrever sobre algo que tivesse me atravessado, algo real e verdadeiro, para fechamento de um módulo no curso de pós graduação de escrita não ficção, foi avassalador e ao mesmo tempo deslumbrante para alguém apaixonada pela prosa com poesia. Assim eu vi nascer meu primeiro filho editado. Foi uma alegria muito grande, mesmo com alguns desafios.  

8 - Quais os temas que gostaria que fossem discutidos nos Encontros Mulherio das Letras em Portugal?

Porque o meio editorial ainda privilegia a escrita masculina e autores masculinos?
Vejo como efeito de atraso essa separação (categorias), afinal nós não somos inferiores na escrita. Cada qual tem o seu valor literário, ou para algumas pessoas a escrita é ato de libertação, maravilhoso! Discutir sobre essas separações que ainda exitem.
Pensar como dar espaço maior para mulheres escritoras ou que gostam de fazer seus experimentos, escrever suas histórias ou memórias, poesia, prosa, contos...

9 - Sugira uma autora e um livro que lhe inspira ou influencia na escrita.

Clarice Lispector e Virginia Wolf, pela presença de transbordamento na escrita de si, ainda que entrelinhas. Eu gosto muito de escrita de si, entrelinhas.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

O que te causa deslumbramento? 
R: Ser quem eu nasci para ser. Fazer o que gosto para não ter que gostar do que faço. A linguagem escrita, considero a minha melhor forma de expressão, apesar de ouvir que eu me comunico muito bem verbalmente também. Desde menina eu já sabia que as letras escritas era minha salvação, até hoje, inspirada pela intuição escrevo, escrevo, escrevo... para alimentar a própria vida, com emoção!

sábado, 23 de maio de 2020

DEZ PERGUNTAS MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - ANA MARIA LOPES


Agradecemos à autora ANA MARIA LOPES pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Qual a sua percepção para essa pandemia mundial?

Apesar das tragédias que acontecem dentro tragédia maior que é o Covid-19, creio que foi uma pausa necessária para se repensar tudo. Desde as macro questões (economia, meio ambiente, sistema de trabalho, educação, emprego, saúde, etc) até às nossas questões individuais.

2 - Enquanto autora, esse momento afetou o seu  processo produtivo? Em tempos de quarentena, está menos ou mais inspirada?

Sou privilegiada por estar em isolamento social e ter o conforto necessário para passar por essa pandemia. Logo, tenho mais tempo para dedicar à escrita. A quarentena aumentou meu ânimo criativo e acabou impulsionando um antigo projeto literário.

3 - Quando isso passar, qual a lição que ficou?

Talvez que o tempo e a vida sejam o maior patrimônio que temos.

4 - Os movimentos de integração da mulher influenciam no seu cotidiano?

Como integrante de um coletivo editorial de mulheres, estou sempre ligada em todas as questões relativas ao tema. Nossa grande preocupação durante essa quarentena tem sido a vulnerabilidade de mulheres em isolamento.

5 - Como você faz para divulgar os seus escritos ou a sua obra? Percebe retorno nas suas ações?

Além do lançamento, o Coletivo Editorial Maria Cobogó usa as redes sociais para divulgar seus livros. Também levamos a feiras literárias, encontros e rodas de leituras. Coletivamente estamos no sebo Don Caixote, na Amazon, na Blooks e em pequenas livrarias de Pirenópolis, Goiás e Ipameri, essas últimas, cidades do interior de Goiás. O retorno que tenho, como a maioria dos escritores, é pequeno em termos financeiros, mas quanto à leitura, é muito gratificante.
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6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita para a mulher?

Não vejo pontos negativos. Como também não vejo distinção nos universos masculinos ou femininos. A única coisa pela qual ainda luto é por uma maior visibilidade da literatura escrita por mulheres, principalmente na região onde vivo, o Centro-Oeste do Brasil.

7 - O que pretende alcançar enquanto autora? Cite um projeto a curto prazo e um a longo prazo.

Escrevo para me manter lúcida e viva. Projetos são muitos. Como editora, tenho dois livros para trabalhar, como membro do Coletivo Maria Cobogó tenho um projeto para fazer livros explicando a vida e obra de grandes artistas de Brasília – e que muito contribuem para a beleza da cidade – para crianças e adolescentes. É o projeto Mestres Cobogós. Muitas vezes passamos por monumentos, esculturas, azulejos, e não sabemos o nome do autor nem sua história. O Mestres Cobogós irá contar sobre Glênio Bianchetti, Athos Bulcão, Ceschiatti, Burle Marx e muitos outros que fizeram com que essa cidade se colocasse entre as mais belas do mundo. A longo prazo e como projeto individual, escrevo um romance histórico sobre as mulheres na Guerra do Paraguai. Foi uma pesquisa longa onde elenquei mulheres que a historiografia não contempla. Tanto mulheres da corte brasileira, escravas, índias, quanto paraguaias e guaranis. É um livro que pretendo lançar no fim deste ano ou no início de 2021.

8 - Quais os temas que gostaria que fossem discutidos nos Encontros Mulherio das Letras em Portugal?

O poder dos coletivos e formação de leitores.

9 - Sugira uma autora e um livro que lhe inspira ou influencia na escrita.

Atualmente estou lendo Maria Altamira, de Maria José Silveira. O livro inspira por ser uma história de mulheres dentro de um cruel contexto nacional, o da invasão das terras indígenas e ao movimento dos trabalhadores sem teto da grande São Paulo. Maria José tem uma escrita fluida, precisa e certeira. Tenho me pautado na escrita dela para escrever meu romance.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Acho que quase tudo foi dito. Claro que há mais coisas a se dizer, mas o espaço é pequeno. Há as questões políticas e de gênero. Há as questões da censura. Estamos vivendo no Brasil, hoje, momentos muito violentos. Precisamos defender a democracia para podermos escrever livremente. Todas essas são questões muito relevantes.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

DEZ PERGUNTAS MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - LÚCIA ENEIDA


Agradecemos à autora LÚCIA ENEIDA pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Qual a sua percepção para essa pandemia mundial?

Preocupação. Essa é a palavra que me define. Leio agora, 08/05/2020, no jornal, uma triste realidade: a pandemia do corona vírus que assola o mundo inteiro, só aqui no Brasil, já matou mais de nove mil pessoas. Em alguns estados já está ocorrendo estresse do sistema hospitalar pois faltam leitos e respiradores para a grande maioria da população que se amontoa em filas a procura de um lenitivo para a saúde. Enquanto isso, o Presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, perguntado sobre o número de mortes, respondeu: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Sou Messias, mas não faço milagres.” Em 28/04 quando o número de mortes estava em mais de cinco mil.

2 - Enquanto autora, esse momento afetou o seu processo produtivo? Em tempos de quarentena, está menos ou mais inspirada?

O isolamento é o nosso único remédio, enquanto não há vacinas, por isso é uma questão de bom senso, de educação, de cidadania e de respeito pelo outro, principalmente pelos profissionais da saúde, ficar em casa. Desde o dia 12 de março, quando a Governadora do meu estado, Fátima Bezerra, decretou o isolamento social, que estou reclusa, sem sair de casa e como sempre tive metas em minha vida, o meu foco tem sido uma atividade que amo fazer: escrever. Todos os dias escrevo uma crônica ou um conto ou um poema. Estou com material suficiente para publicar um livro em prosa e outro em versos, quando tudo isso passar pois inspiração não me falta.         

3 - Quando isso passar, qual a lição que ficou?

Ficou a certeza de que somos frágeis demais, de que é preciso perdoar mais, ter mais altruísmo, que dinheiro não compra saúde pois já estamos vendo “a escolha de Sofia” ocorrendo em alguns hospitais. Imagino a carga pesada dos médicos que estão na linha de frente para escolher quem deve morrer ou viver.  Meu Deus! Choro ao pensar que aqui no Rio Grande do Norte, este pequeno estado onde vivo e que pertence a região Nordeste, a mais pobre do país, que não tem hospitais suficientes para atender a demanda, caso a população não cumpra a quarentena; será um verdadeiro caos.

4 - Os movimentos de integração da mulher influenciam no seu cotidiano?

Pertenço ao Mulherio das Letras Nísia Floresta, inclusive no ano passado, lancei, no encontro do Mulherio em Natal/RN, um livro que escrevi sobre Maria Queiroz Baía que conta a saga de uma professora potiguar que nasceu sem as pernas e com apenas um braço, na década de vinte, e só queria estudar para um dia ser professora. Foi discriminada duplamente: por ser mulher e por ser deficiente, mas com coragem e ousadia, conseguiu transpor barreiras e tornou-se uma precursora dos direitos femininos, da inclusão e da cidadania.

5 - Como você faz para divulgar os seus escritos ou a sua obra? Percebe retorno nas suas ações?

Gosto muito de participar de coletâneas e antologias. Uso as redes sociais para fazer a divulgação. Escrevi dois livros, um de poemas e uma biografia que foram muito bem vendidos, graças a Deus.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita para a mulher?

Vejo hoje que a mulher, aos poucos, vem conseguindo ocupar seu espaço na literatura. Pertenço à Associação Literária e Artística de Mulheres Potiguares – ALAMP – que tem como principais objetivos o incentivo à leitura e às artes de mulheres potiguares e a difusão dos nomes e obras dessas mulheres. Percorremos vários municípios do nosso estado divulgando a Literatura Feminina Potiguar através de recitais, contação de histórias e eventos literários nas escolas, nas praças e nos clubes.  A ALAMP já soma seis livros entre antologias e coletâneas com os escritos das mulheres alampeanas que tem muitas ações realizadas e belas histórias a contar. São quase duzentas mulheres associadas da ALAMP vindas da capital e dos vários municípios do Rio Grande do Norte. Portanto, creio que o engajamento das mulheres em associações e grupos é a melhor forma de propagar seus escritos e fazer-se notada pois “uma andorinha só não faz verão”.

7 - O que pretende alcançar enquanto autora? Cite um projeto a curto prazo e um a longo prazo.

Qual o objetivo de toda escritora? É ser lida sempre. Amo escrever! Como já citei anteriormente, pretendo lançar um livro de contos e crônicas, um de poemas e um infantil. E a longo prazo um romance que já está em andamento.

8 - Quais os temas que gostaria que fossem discutidos nos Encontros Mulherio das Letras em Portugal?

Gostei imensamente de todos os assuntos tratados nesta entrevista, tais como: os movimentos de integração da mulher; a mulher, seus escritos e divulgação; preconceito contra a mulher; universo da escrita para a mulher.

9 - Sugira uma autora e um livro que lhe inspira ou influencia na escrita.

Todos os livros da escritora Lya Luft gosto muito, mas como devo citar apenas um: “Perdas & ganhos”

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Gostaria que me perguntassem qual a homenagem que recebi, enquanto escritora, que me deixou muito emocionada.
Segue a resposta:
Já recebi várias homenagens em escolas por onde andei falando sobre leitura e literatura. Também recebi homenagens na Câmara dos Vereadores e na Assembleia Legislativa como escritora, ganhei medalhas, além de belas mensagens de leitores pelas redes sociais falando sobre meus livros, mas a que eu mais gostei partiu de uma leitora que nunca a vi pois, volto a afirmar, que toda escritora quer ser lida e quando o leitor gosta dos seus escritos, é melhor ainda.
Há dois anos esqueci propositalmente um livro da minha autoria “Confissões em prosa & versos” em um banco do shopping, com o seguinte bilhete: “Olá! Este livro é seu. Pode levá-lo, leia-o e caso queira se comunicar comigo, o meu e-mail é luciaeneida@yahoo.com.br.” Saí, dei uma volta, depois voltei ao mesmo banco e vi que o livro não estava mais lá. Pensei que talvez algum funcionário pudesse ter pensado que alguém havia perdido e deixou nos “achados e perdidos” que ficava na secretaria daquele estabelecimento. Não fui atrás. Fiquei na incerteza.
Um mês depois, recebi um e-mail da pessoa que achou o meu livro, com a seguinte mensagem:
“Olá, meu nome é Israyane, eu achei o seu livro, desculpa demorar tanto para escrever. Eu não sabia o que escrever e é a primeira vez que eu tenho a certeza de que a autora de um livro vai ler o que eu escrevi. Eu queria agradecer pela sua atitude de "esquecer" seu livro no Shopping Midway. Quando eu achei pensei que era brincadeira e fiquei procurando o dono. Eu fiquei muito feliz em achar o livro pois eu amo ler, porém nunca fui de ler poemas, mas eu gostei muito do que li. Alguns me tocaram muito e com certeza vou levar para vida. Sua história é incrível e saber que existem ótimas autoras potiguares iguais a você me deixa super feliz! Amei o fato de você usar, em alguns poemas, a linguagem nordestina que particularmente é a mais linda. Saber que o Nordeste está bem representado e está em um livro onde todo mundo pode ler e saber que não há outro lugar como aqui. Muito obrigada por nunca desistir de seu sonho! Seu livro pode mudar histórias, pois eu acredito que a partir da leitura, vidas podem ser mudadas, pelos menos mudou o meu dia, me deixou mais feliz. Obrigada por ser quem é!” 
Terminei de ler e não consegui conter as lágrimas. Foi a melhor homenagem que já recebi.

quinta-feira, 21 de maio de 2020

DEZ PERGUNTAS MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - MARIA DE FÁTIMA SOARES


Agradecemos à autora MARIA DE FÁTIMA SOARES pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Qual a sua percepção para essa pandemia mundial?

Nunca imaginámos que uma coisa destas fosse acontecer-nos. Tem sido muito duro ver o sofrimento de todos os países afectamos, mas muito belo ver a união e a resiliência dos que, na adversidade, se tornam um só.

2 - Enquanto autora, esse momento afetou o seu  processo produtivo? Em tempos de quarentena, está menos ou mais inspirada?

Confesso que tem interferido um pouco com a minha escrita e com algum desalento, que é normal acontecer-nos, mas que rapidamente se controla e tenta contrariar. Todos os dias escrevo, é uma disciplina que adoptei há muito. Logo, melhor ou menos bem, nunca parei de criar.

3 - Quando isso passar, qual a lição que ficou?

Uma grande humildade quanto à pequenez do Homem, perante “estas coisas” que só costumávamos ver, ou ler, em filmes e livros de ficção. E gratidão! Muita. Que todos possamos ser bem sucedidos a proteger-nos e aos nossos, cumprindo todas as regras para que unidos se vença esta doença. E sobretudo um infinita homenagem a todos que perderam a vida. Que nunca sejam esquecidos!

4 - Os movimentos de integração da mulher influenciam no seu cotidiano?

Sim! Sou, por hábito, bastante “combativa” e tento lutar contra a desigualdade em todos os planos. Qualquer segregação, seja da cor da pele, credo, género, orientação sexual, e outras, mexem muito com o meu sentido de liberdade e de que todos são iguais e devem ter os mesmos direitos.

5 - Como você faz para divulgar os seus escritos ou a sua obra? Percebe retorno nas suas ações?

Não divulgado muito o meu trabalho. Devia ser muito mais activa em defender o que faço. Normalmente escrevo nos meus blogs. Partilho no Facebook, os meus livros, entrevistas e outros eventos onde já estive, mas… não sou muito “insistente”. Nada mesmo, nessa divulgação. Sei que faço mal, mas é o meu feitio e o gostar de estar mais reservada.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita para a mulher?

Atualmente, ainda existem muitas discriminações “contra” a mulher escritora, como contra a mulher, mais “mundana”. O universo livreiro e relacionado, ainda é liderado pelos homens e não é fácil “vingar” se não se for conhecido ou tiver uma boa “máquina” de divulgação por trás. Depois, há ainda temas que, se tratados por mulheres, são lidos tão frivolamente o com tanto preconceito e ignorância, que me revolta. O sexo, por exemplo. É (ainda) muito complicado escrever, sem ficar “conotado” com leviandade e receberem-se comentários indesejados. Ou convites, inimagináveis. Não devia acontecer.  Por outro lado, é bom verem-se cada vez mais mulheres a lutar pelos seus sonhos e não desistir, frente às adversidades.

7 - O que pretende alcançar enquanto autora? Cite um projeto a curto prazo e um a longo prazo.

Nada de importante. Gostaria que quem me lê, goste e que o sinta e recorde como algo bonito e tocante. Quanto a projectos, estou, por enquanto, em repouso. Lancei um livro de poesia o ano passado. Talvez surja outro, daqui a um tempo, em que toda esta situação, também esteja evidente. Se, de poesia, romance, ficção… ainda não sei.

8 - Quais os temas que gostaria que fossem discutidos nos Encontros Mulherio das  Letras em Portugal?

Estou certa que são muitos e sempre interessantes e abrangentes os temas dos Encontros do Mulherio das Letras. Da “discussão” nasce a  luz. É da troca de ideias que vão sempre surgindo perguntas, debelando-se inquietações.

9 - Sugira uma autora e um livro que lhe inspira ou influencia na escrita.

Como Água para Chocolate, por exemplo., de Laura Esquível. Ou quase todos de Juliet Marillier. Na verdade há inúmeros livros e autoras, que me inspiram.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

A pergunta.
Acha que os/as autoras nacionais são devida e igualmente acarinhados?
A resposta.
Não! Há muita diferença no tratamento e divulgação de uns e total discriminação e desconhecimento, quanto ao trabalho (melhor ou igual) de outros.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

DEZ PERGUNTAS MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - LAURINDA RODRIGUES


Agradecemos à autora LAURINDA RODRIGUES pela disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Qual a sua percepção para essa pandemia mundial?

Entendo este acontecimento referente ao "Coronavírus", com a amplificação, que teve e ainda tem, na vivência factual de todas as realidades sociais, em todo o mundo, como o SÍMBOLO da recusa que a humanidade continua a fazer da sua "PARTE SOMBRIA", desviando a sua atenção para realidades que, sendo difíceis, não são tão difíceis como a PROPOSTA CRÍSTICA" de que temos de ATRAVESSAR O UMBRAL para a purificação da consciência: O VIRUS REPRESENTA, para mim, UMA MANIFESTAÇÃO DA PARTE ESCURA DO INCONSCIENTE COLETIVO.
Atenção que esta minha interpretação, sendo divulgada, está sob a égide da criação da autora Laurinda Rodrigues e, podendo ser reproduzida, deve ter sempre a indicação do seu nome.  ah, ah!  

2 - Enquanto autora, esse momento afetou o seu processo produtivo? Em tempos de quarentena, está menos ou mais inspirada?

Enquanto autora, a minha produção tem aumentado nestes últimos tempos, mas não acho que isso tenha a ver com o processo de isolamento: é mais uma circunstância astral de inspiração.

3 - Quando isso passar, qual a lição que fica?

Tirei muitas lições sobre a relação entre as pessoas.

4 - Os movimentos de integração da mulher influenciam no seu cotidiano? 

Não sinto qualquer problema de integração: sempre achei que isso depende da posição individual e não grupal. É evidente que me reporto à cultura ocidental e, especificamente, a Portugal.

5 - Como você faz para divulgar os seus escritos ou a sua obra? Percebe retorno nas suas ações?

Tenho editado livros, em edição de autora, participado em colectâneas e partilhado em Tertúlias. Existe sempre retorno. Depende da expectativa que se põe.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita para a mulher?

Confesso que não consigo distinguir "pontos positivos" e "pontos negativos" específicos para a mulher; acho que as dificuldades editoriais têm a ver com outras realidades, que não de género.

7 - O que pretende alcançar enquanto autora? Cite um projeto a curto prazo e um a longo prazo.

Enquanto autora, o meu principal objetivo é realizar-me com a qualidade que acho possível, de acordo com o que sou. Tenciono publicar pelo menos mais um livro e gravar um CD com letras minhas, ditas e cantadas.

8 - Quais os temas que gostaria que fossem discutidos nos Encontros Mulherio das Letras em Portugal?

Gostaria muito que se falasse sobre a relação homem-mulher no aqui e agora e no futuro previsível.

9 - Sugira uma autora e um livro que lhe inspira ou influencia na escrita.

Na minha escrita não reconheço influência de nenhuma autora em especial. É claro que sendo o soneto uma das formas poéticas que privilegio, poderia falar de Florbela Espanca. Todavia, os nossos conteúdos poéticos são muito diferentes.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

A pergunta que se impõe é sobre a felicidade, embora não se saiba bem o que ela é. "És feliz". Julgo que RESPONDI no texto que entreguei para fazer parte da nova Coletânea do "Mulherio de Letras".