sexta-feira, 3 de abril de 2020

Em tempos de quarentena - CLÁUDIA GOMES


Cuidar é amar (se)

Quando minha saúde
depende da sua
O problema é seu
Quando sua saúde
depende da minha
O problema é meu
Quando nossa saúde
depende de todos nós
O problema é nosso!
Reciprocidade é a palavra do momento.

Cláudia Gomes


Todos os textos publicados na rubrica EM TEMPOS DE QUARENTENA são da responsabilidade exclusiva dos autores e os direitos respectivos apenas a eles pertencem.



quinta-feira, 2 de abril de 2020

Em tempos de quarentena - CARMEN LÚCIA QUEIROZ


O VÍRUS DO ALÉM!
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Excetuando as pessoas que querem vê o Brasil pegar fogo, esse momento de calamidade nos traz grande oportunidade de reflexão.

De repente começamos a vê as pessoas do jeitinho que elas são.

Suas agendas secretas começam a se expor. Elas não são mais tão secretas assim.

Observamos:

O altruísmo daqueles que não medem esforços para tudo dá certo.

Os aproveitadores da ocasião.

Àqueles brandos de coração.

Verificamos nitidamente:

Aqueles que a despeito do momento crucial que estamos vivendo, não conseguem se desligar dos comentários críticos e maldosos.

Assim como àqueles que buscam elevar seu espírito e levar aos demais conteúdos de construção. 

Daqui da minha quarentena consigo vê o mundo mais transparente.

É um mundo lindo, nosso  Planeta a flutuar no Universo. A Abóboda Celeste com seus planetas, cometas e estrelas.

Mais perto de nós o Sol e a Lua  se complementam.
Assim como eu e você...

Estamos sozinhos, as filhas e os netos de quarentena em suas casas. Minha mãe também.

Falamos baixinho um com o outro, com muito carinho. 
Ajudamo-nos mutuamente. Parecemos mais unidos do que nunca.

Procuramos entender esse soco no estômago. Chegamos até a pensar:  Será esse o fim da nossa humanidade?

O que Deus  quer nos dizer com tudo isso?

Olhamos um para o outro. 
É um olhar diferente, bondoso, curtido, sem fragmentos de outros pensamentos, longe do que seja vulgar e efêmero ...

Será que os demais estão vendo como a gente?
Se sim,  vamos em frente.

Encontraremos, com certeza, as respostas aos nossos questionamentos.

Talvez a razão de tudo esteja em nós mesmos, em nossos próprios comportamentos...
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Carmen Lúcia Queiroz  
22.03.2020


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Em tempos de quarentena - SOFIA PARRO


Sabiam que hoje começa Primavera?
Quase que nem dávamos conta não é? Com a fase histórica que o mundo vive, o isolamento, o medo e a chuva que hoje se sentiu por aqui, não dei de facto pela Primavera, mas a verdade é que ela chegou e com ela, quero passar a todos no mundo uma mensagem de Esperança. 
Porquê? Porque se os media insistem no culto do medo, eu insisto no culto da comunidade, do bem-estar da Natureza. Pois o vírus, na realidade somos nós que a destruímos e consequentemente, a nós mesmos. 
Sejam como flor que nasce no meio do cascalho, sejam resilientes, únicos... sejam símbolos de Primavera!
Um Bem-Haja a todos

Sofia Parro


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quarta-feira, 1 de abril de 2020

Em tempos de quarentena - MARIANA VIRGÍNIA MORETTI


O Amor se Aprisionou

Até hoje, os escritos mais bonitos que já li falavam de amor. Mas hoje não posso falar sobre ele. Hoje, sinto que ele está distante, aprisionado, atarefado em descobrir novas tarefas a cada momento: assim se mantém ocupado, fixo, longe de deprimir-se. Hoje não. O que posso falar de mais belo é sobre ele, o tempo.
O amor precisa de dois, ou mesmo de um. De pelo menos um para que exista. De um que possa senti-lo e nominá-lo amor. O tempo não. O tempo corre com as voltas do planeta, com o crescimento das plantas, com o desgaste das rochas, com o apodrecimento dos corpos e de tudo que um dia teve vida. O tempo leva a vida e nutre outra. Cronos devorou vidas e deixou uma lição: nada sobrevive ao tempo. Tempo é rei, tempo é lei. Hoje estou aprisionada com o amor, com a esperança, com a melancolia e vejo o tempo livre nas ruas, e essas vazias. O rei está percorrendo as calçadas e devorando os filhos que encontra pela frente.
Tudo o que está além da compreensão humana deve ser respeitado. Se não acredita no tempo, ao menos o respeita. Deixe que passe pelas ruas. Deixe que leve os dias que precisar. Sua comitiva é longa e não perdoa os humanos. Somos um sopro diante da imensidão do Tempo. Como alguém que se respeita, digo que é democrático, leva embora independentemente de religião, nacionalidade, raça ou cor. Como alguém que se teme, carrega consigo os velhos, os anciãos, aqueles que julgar conveniente colocar em sua sábia comitiva – o Tempo é tirano.
Os desavisados alertam: onde está a ameaça invisível? Olho e nada vejo! Não há o que temer. Pois bem. Coloque-se diante do artefato mais tenaz já construído pela humanidade: a ampulheta. Fique diante dela e repare como a areia se esvai no orifício. Agora perceba que já não é o mesmo desde que ela começou a despencar. Perceba como, se virar a ampulheta, centenas, milhares de vezes a apreciar a dança das areias, não será o mesmo. Será consumido pela voracidade dele, do Tempo. Será, sobretudo, tolo. Nem tudo que podemos conhecer é visto. Talvez seja a maior vantagem do amor sobre o tempo – o amor sentimos com mais facilidade e, se destrói o corpo, é com nosso consentimento alegre.
O amor se aprisionou.
O tempo corre solto nas ruas. Deixe que passe.

Mariana Virgínia Moretti Carvalho


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Em tempos de quarentena - MARIA ELIZABETE NASCIMENTO DE OLIVEIRA


Clausura e medo I

O medo do covid-19,
torna-nos reféns. 
Clama pela sensibilidade humana.
Não! Não é pesadelo.
Fecham-se os estabelecimentos, evitam-se os contatos físicos,
trancam-se em casa. 
Há responsável por tamanha balbúrdia???
Algo invisível zomba da pequenez humana.
O inferno de Dante 
saiu da ficção,
perambula pelas ruas 
e pelos hospitais.
Os médicos enlouquem na luta contra a morte,
sem recursos nas instituições de saúde, 
com crises de choro, 
curvam diante da impotência nos corredores.
Choram o horror da guerra, 
choram a sentença final.
Quem pode viver?
Quem deve morrer? 
Resta sonhar que haverá campeão contra o remador desse barco sem vela.

Clausura e medo II

A ordem é que os seres humanos,
acima de 60 anos, 
percam a prioridade no uso dos respiradores.
Condenam-os à morte pela idade,
com insuficiência respiratória, 
morrem sozinhos, 
sem assistência, sem velório, sem amor,
como bichos enclausurados 
na gélida cela do desprezo e da solidão, 
por um vírus sem páreo, numa arena solitária, que causa assombro e dor.
Sobram as cinzas, 
não há funeral, 
há medo do contágio.
Os infectologistas alertam: vai piorar!
Mas, alguns teimam e
continuam na zombaria,
com fakenews, memes e exposição exagerada.
No Brasil, os governantes ditam as ordens e preocupam-se com a economia.
Enquanto isso...
o mundo perde seus anciãos,
sua memória e sua dignidade.
Sem dó, sem piedade ou poesia.

Clausura e medo III

A vida, neste contexto de horror, 
segue na luta insana 
contra o inimigo invisível.
Sem abraços,
sem aperto de mãos,
sem beijos e/ou carícias.
As ruas em triste abandono 
reclamam de solidão.
Não mais se ouvem 
as melodias nos bares da cidade,
os hinos nas instituições religiosas,
a algazarra dos bêbados nos botecos.
A ordem é recolher, 
voltar-se para a casa, 
Voltar-se para si.
Talvez, para que, neste cenário:
de dor, 
de abandono, 
de solidão 
e de medo, 
se reaprenda a viver.

Maria Elizabete Nascimento de Oliveira


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