sábado, 5 de maio de 2018

EU FALO DE... ATÉ AO FIM DOS MEUS DIAS



Muitos acusam-me de excesso de rigor, pouca tolerância e de nunca demonstrar satisfação. A verdade é que não concebo outra forma de estar quando a questão é trabalho. Sou tremendamente exigente com o que faço e isso transparece para quem trabalha comigo.

O facto da perfeição estar longe do nosso alcance sempre foi para mim motivo para elevar a fasquia. Sei que jamais conseguirei executar tudo de forma imaculada e que os erros sempre existirão, mas é essa certeza que me impulsiona e ajuda a caminhar rumo ao perfeccionismo. Batalho com abnegação porque quero sempre chegar o mais perto que puder da perfeição.

Sou exigente, sim. Os resultados raramente me satisfazem, sim. Nunca alcançarei a excelência, não. Mas nunca será por ter desistido ou por ser conformista. Isso jamais serei.

E é por tudo o que referi nos parágrafos anteriores que, volta e meia, sinto a frustração apoderar-se de mim. Quando as coisas ficam aquém do que idealizo, questiono e coloco tudo em causa, e sou atormentado por um tremendo sentimento de impotência. Depois, analiso tudo à lupa, assumo tudo o que estiver errado, levanto a cabeça e regresso ainda com mais determinação e maior exigência. E por cada trabalho que me deixa uma ponta de frustração, maior é o rigor no trabalho seguinte. Quanto mais insatisfeito fico, menos tolerante me revelo. Quanto mais impotente me sinto maior a exigência que transmito.

E assim vai ser até ao fim dos meus dias.

MANU DIXIT

sexta-feira, 4 de maio de 2018

DEZ PERGUNTAS A... RÔ MARTINS


Agradecemos à autora RÔ MARTINS a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autora e pessoa?

Intensa! É assim que me defino como autora e pessoa. Se o que escrevo não tem valor para mim, não terá para os outros. Os sentimentos são as minhas inspirações. Eternizo-me por meio das palavras e entendo que elas têm, verdadeiramente, o poder de transformação, de encantamento, de descobertas... Escrever é algo “mágico” e maravilhoso, assim como ler... É como caminhar num universo paralelo, do qual gosto muito. Como autora e pessoa, assimilo ser única, pois existe entre “nós” (eu autora e eu pessoa), uma interlocução construtiva de reciprocidade.

2 - O que a inspira?

Os sentimentos, os afetos, as boas coisas da vida como a natureza, os sonhos, as delicadezas, os pequenos gestos de solidariedade, sorrisos, gratidão... Talvez, a minha inspiração resume-se, pura e simplesmente, em viver! Em ser quem sou e saber que posso ser melhor, noutro instante... O que me inspira é também parte de mim... é talvez um “órgão” ainda não definido que libera energia através dos meus sentidos, movimentando, a efeito, o próprio “sentir”... Posso dizer então que o instante, em sinergia com o meu ser, é o que determina o momento da minha escrita, e pronto... o pensamento ganha alma e liberdade.

3 - Existem tabus na sua escrita? Porquê?

Desconheço. A liberdade na escrita e o cuidado no modo com que escrevo levam-me a crer que cada obra é especial. O fundamento é a intensidade e isso gera boa aceitação de quem, com alma e sensibilidade, aprecia ou, simplesmente, apropria-se do que lê.

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

A importância de “valor” no tempo e espaço. Estar junto gera união e força com a reciprocidade de também desfrutar de ser, tanto quanto, especial dentre os demais. Antologias e Colectâneas são, a meu ver, um conjunto que agrega respeito, autoridade, habilidades e competências. É como um “jardim florido” onde cada plantinha, com suas peculiaridades, seus tons, formas e cores, se torna esplêndida a cada olhar que encontra. Numa Antologia, as diferenças se entrelaçam e se comunicam num mesmo contexto, literalmente.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

São meios de interações e trocas. Gosto de escrever e utilizo as redes sociais para mostrar um pouquinho dessa arte através de poesias, reflexões... Do mesmo modo, colho carinho, admiração, valorização... Por vezes, as redes sociais acabam tornando-se uma extensão da própria vida. Desse modo, tenho pra mim, e compartilho aqui, que é preciso ser consciente e saber lidar com as limitações. Trata-se de um local de constantes “vai e vem”... Torna-se necessário sermos seletivos e determinados na constância dos objetivos que pretendemos.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

A exigência que fazemos conosco, enquanto escritores, bem como as regras ortográficas, ao qual nos submetemos, rendidos aos padrões literários;  o momento da escrita;  o estado de humor... enfim! A meu ver, vários fatores podem se intercalar antes de uma obra ser lançada, enquanto tal. De modo geral, acredito, o que escrevemos passa, primeiramente, pelo “valor” que damos (enquanto autores) à obra do momento, ou seja, a sua essência (peculiaridade exclusiva do autor). É preciso que o nosso “ego” (enquanto autores) se satisfaça! O momento da escrita é fundamental, refletindo na tomada de decisão entre uma publicação e outra... Nas entrelinhas, mesmo que indiretamente, existem contextos de intenções envolvendo a interlocução entre o autor que tem em vista um leitor. Não escrevemos por escrever... Por vezes, me pergunto se existe alguma obra literária escrita ao acaso? Talvez, já que pode acontecer de um súbito de ideias surgirem e uma obra nascer, repentinamente, de modo que se torne tão perfeita aos olhos do autor que ele decida por publicá-la imediatamente. Em outros momentos, o sentido é interiormente pautado (e até anulado) podendo a obra nunca vir a ser apreciada por outros.  

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Torná-lo conhecido, sem dúvida. Oferecer ao público o privilégio de conhecer as suas obras e, até mesmo a sua interface enquanto pessoa, sem exageros ou excessos.

8 - Quais os projectos para o futuro?

Desejo, apropriar-me de conhecimentos que favoreçam o meu amadurecimento enquanto pessoa e escritora. Penso em escrever um roteiro teatral, publicar obras voltadas também para o público infantil, escrever um romance... Mas principalmente, penso em compor músicas! Sei que preciso aprender muito para realizar o que hoje não passam de sonhos.

9 - Sugira um autor e um livro!

Existem, sem dúvidas, livros excelentes enriquecendo a nossa literatura. Poderia indicar vários, claro. Para o momento, indico “Iracema”, de José de Alencar.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

O que você desejaria para o mundo hoje?

A Paz e a união entre os povos. Desejo, para o nosso mundo, a inexistência de fronteiras que limitam a solidariedade, as conquistas, o entendimento... a valorização da vida, em todos os sentidos.

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quinta-feira, 3 de maio de 2018

ADRIANA FALA DE... SERES DE ÁGUA


“… Somos seres de água, todos sujeitos ao desenrolar de um guião do qual nem sempre somos autores, é a conclusão final a que o leitor poderá chegar, assim que absorver a última página deste livro, pois somos líquidos e líquidos nos entregamos aos acasos, vestidos de vicissitudes e pequenas felicidades, e ao ocaso dos nossos dias. “ Vítor Costeira

E foi exatamente assim, em estado absolutamente líquido, confirmando as palavras tão acertadas do autor, que como leitora e ser de água que sou, cheguei a última página do livro, transbordando, em lágrimas que caiam abundantes e escorriam no canto dos lábios, e as sorvia, matando a sede das emoções despertadas. O livro nos convida para uma viagem do cotidiano, com essas pequenas estórias, que parecem tão próximas de nós, mesmo que distantes das nossas vivências. Pessoas sentidas, lapidadas pela caneta de extrema sensibilidade do autor, que deixam de ser personagens e retratam um pedaço de cada um, na fluidez das imagens linguísticas que se transformam em imagens e sensações.

Me vi como a Amélia, em UM DIA NA VIDA DE AMÉLIA, que na expectativa da chegada dos seus, embeleza-se e cria os momentos vividos, mesmo antes deles de fato acontecerem. E com as expectativas frustradas, recolhe-se em sua solidão, ao perceber que fora esquecida em uma data especial.

Me vi Júlia, sofrida por ter-se distanciado do pai que tanto admirava e amava, e que sem saber, em um ato nobre, doou-lhe mais do que presença e afeto, em PASSOU UM ANJO POR AQUI.

Me vi em RESTOS DE ESTRELAS, como aquele que transborda em amor pela família, mas recolhe-se na observação das rotinas tão distantes e diferentes das suas por entes outrora tão próximos.

Me vi Maria, cheia de sonhos, paixão e desejos, sendo tragada pela acomodação e o conformismo de um relacionamento sem sentido e ausente de carinho e cumplicidade, em FOGE COMIGO, MARIA!

Me vi como um AMIGO, que senta no banco de uma praça, buscando sol e aconchego, para as suas horas vazias, em O HOMEM QUE LIA POEMAS NUM BANCO DE JARDIM.

Me vi um pouco Alex, um pouco Fran, sentados à beira mar, olhando as ondas, e relembrando caminhos e sonhos que a vida nem sempre facilitou ou realizou, em SERES DE ÁGUA.

Me senti perto das escolhas e consequências de O HOMEM QUE ACERTAVA EM TUDO O QUE PREVIA.

E ainda mais próxima da Maria, José, Madalena, do Jesus morto e do Jesus abandonado nesse fantástico conto NOITE DE NATAL.

E em ATÉ AMANHÃ, revivi o conforto de ser acolhido por quem nos quer tão bem.

Fechei o livro, ainda vivenciando essas imagens, que cada um, desses nove contos, tão bem escritos, com suas metáforas, lirismo, realismo e evidências concretas e verídicas, despertou em uma manhã sem previsão de grandes emoções. Apenas um livro… não, não é um livro, é O LIVRO que contribui para engrandecer a nossa alma, a nossa cultura e acima de tudo, o nosso olhar, um pouco mais sensível, para a vida, para o outro, para as nossas realidades e daqueles que fazem parte desse nosso planeta azul.

Gratidão e parabéns Vítor Costeira, não cabem na imensidão desse oceano que você nos faz navegar ao abrir SERES DE ÁGUA. Uma obra-prima, que merece todo o nosso respeito e aplausos. E ainda embalada pelo calor aconchegante dessas águas, aguardo os próximos…


DRIKKA INQUIT

quarta-feira, 2 de maio de 2018

AS CRÓNICAS DA AVÓZITA... HÁ PALAVRAS SEM PALAVRAS



Há palavras que nos deixam sem palavras. E quando nessas palavras, se encontra a palavra AMIZADE, tudo faz sentido. Até o sol sorri, numa tarde de céu nublado e chuva intensa.

Depois, há que absorver emoções e sentir o coração a saltitar de alegria. Digerir cada palavra e pôr em prática objectivos guardados no fundo do baú.

Revirar palavras entrelaçadas em outras palavras e soltar desabafos. Imprimir sentimentos escondidos em palavras antigas. Caminhar por caminhos desconhecidos, e em palavras vivê-los.

Tudo isto, porque – há palavras que nos deixam sem palavras.

MARIA ANTONIETA OLIVEIRA

terça-feira, 1 de maio de 2018

DEZ PERGUNTAS A... JUÇARA VALVERDE


Agradecemos à autora JUÇARA VALVERDE a disponibilidade em responder ao nosso questionário

1 - Como se define enquanto autor e pessoa? 

Escritora comprometida com o meio ambiente e os problemas sociais humanos. Gosto de gente e por isso resolvi escrever literatura infantil – livros paradidáticos. A paixão e o desejo pelo outro. Uma andarilha da vida que busca ampliar sua consciência através das palavras e quem sabe, com isso, atingir seus companheiros de jornada. Junto com todos na mesma barca, o que surge pra mim, como ser humano, é isso: criar e partilhar, produzir e espalhar.

2 - O que a inspira?

Meio – ambiente; a natureza, as flores, os jardins. Poemas sociais: O humano com suas dores e sonhos. Erótico e lírico: A paixão e a sensualidade das relações homem- mulher. Qualquer coisa. Uma cena de rua, uma história que alguém me contou, coisas que aconteceram comigo ou surgidas em sonho, dores, amores. Pra quem vive e respira palavras, tudo pode virar literatura.

3 - Existem tabus na sua escrita?

Não.

4 - Que importância dá às antologias e colectâneas?

Agregam autores, sem fronteiras; ajudam a publicar os primeiros trabalhos de iniciantes; divulgam e disseminam os autores suas ideias, e as vezes, quando trabalham temas específicos, desenvolvem projetos. São importantes para divulgar o trabalho de escritores ou até já publicados e até pelo contato e conhecimento entre os autores. Minha primeira publicação foi numa antologia independente lançada aqui em Porto Alegre, Teia Contos e Poesias, organizada em várias reuniões de todos que pretendiam participar. Ali conheci pessoas com quem me relaciono até hoje , numa troca literária e de convivência rica.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

Uso as redes sociais para divulgar escritores, meus livros, trabalhos culturais e entidades literárias. No facebook, várias vezes encontrei os primeiros leitores de poemas meus. O papel das redes sociais é importantíssimo. Ali se tem divulgação e recepção instantânea de nosso trabalho até do exterior, assim como se fica conhecendo outros autores e trocando impressões sobre nossos trabalhos. Grupos de estudos , de leituras e cursos podem ser feitos pelas redes sociais, o que significa um avanço enorme no alcance da literatura

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Meus livros são diálogos com o mundo e ficarão. Muito empenho, esforço e dedicação – horas solitárias, às vezes, exaustivas. Universo da escrita... O ato de escrever traz dor e prazer ao mesmo tempo. É minha maneira de estar neste mundo louco e de tentar equilibrar-me dentro dele. Negativo no universo da escrita é que nossas obras passam por um sistema de circulação dentro de uma sociedade capitalista na qual tem mais voz, muitas vezes, autores conhecidos e que vendem mais. Aí entra o papel importante, positivo das editoras independentes , que vão se impondo e apostando em novos escritores Negativas são também as panelinhas literárias, a fogueira das vaidades.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Boa editora. Que as editoras façam boas distribuições do que é editado. E que o autor também se disponha a esta divulgação, participando de encontros, lançamentos, saraus, entrevistas, enfim, de todos os tipos de eventos literários que possam divulgar seu livro.

8 - Quais os projectos para o futuro?

Escrever, ler mais, oficinas literárias para troca de conhecimentos.

9 - Sugira um autor e um livro!

Marcus Vinicius Quiroga – Campo de trigo maduro ou Fazer-se Frida.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Por que começou a escrever?

As que sempre me coloco. O que a gente faz neste mundo, por exemplo. Não haveria, não há respostas e sim suposições, outras perguntas e diálogos infinitos comigo mesma e com outros andarilhos curiosos.



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