segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

FALA ÁFRICA... MACVILDO PEDRO BONDE (XXII)

Sons da chuva

As gotas caem astutas na boca da urbe, corpos fustigados pelo troar do medo albergam dentro de si capas invisíveis, um raio dormente saltita diante das nuvens em flor. Não há vida no meio da lama, há silêncios ardidos na sombra do vazio, olhos esquecidos na bagagem do asfalto. Os homens desterrados [do abrigo] despem aos solavancos a sua máscara, percorrem outros abismos na obscuridade. Daqui do alto, espreito parte angústia; esbelta sorri nos pés ardidos ao calor do medo.

Breve biografia
M.P.Bonde nasceu a 12 de Janeiro de 1980 em Maputo. Foi membro do projecto (JOAC) e do colectivo Arrabenta Xithokozelo. Em 2017 lançou a sua primeira obra literária “Ensaios Poéticos” pela Cavalo do Mar.
Vencedor da 1.ª edição do Prémio Literário Fernando Leite Couto.


domingo, 4 de fevereiro de 2018

FALA AÍ BRASIL... PATRÍCIA PORTO (XXVI)

É um textão absurdo que fala sobre relações que trabalho há tempos: Cinema e Educação. Narrativa de imagens e representação social.
"Os filhos esquecidos da educação"
No Brasil, a lei sempre pode justificar os meios e os fins. Para fazer e para não fazer. Para desdizer ou maldizer. Ouço que a lei existe em todo o mundo, em todos os Estados – de direitos ou exceção. Por isso sempre me questiono sobre a verdade. Lei e verdade andam desde sempre juntas, para o bem ou para o mal. E será que vale a pena discutirmos o que é a verdade hoje? Será que estamos preparados para esta discussão ou será que estamos dançando no escuro, como se ainda estivéssemos na Caverna de Platão à espera de alguma luz?
Na Grécia Antiga, era a mitologia que explicava os acontecimentos através de narrativas heroicas. Aquiles e Odisseu são heróis coletivos e fundadores. O que mais importava naquele tempo era a narrativa, porque por ela se conhecia os homens. Pela narrativa, chegávamos à fundação dos povos. Pela narrativa, um povo dizimava o outro e fundava um novo princípio. No poema épico, Aquiles se banha de sangue e seu elmo simboliza a força contra o inimigo, Agamenon. Estamos diante da Ilíada, uma narrativa sangrenta de combate e terror, de vida e morte. Sempre me apavoro quando leio a Ilíada e nunca vi um filme que pudesse dar conta da grandiosidade de Homero naquela narrativa de bravura e força. Também me apavoro quando leio o Rei Lear, de Shakespeare.
São narrativas em que a verdade se diluí na ficção, na arte e, mesmo assim, nos coloca diante das nossas ruínas mais profundas ou diante das nossas estranhezas humanas mais inquietantes, e nada é mais verdadeiro que a ficção do poder para narrar a verdade sobre o poder e a vontade de poder. O que parece diametralmente oposto e paradoxal se une nas pontas do contorno de mundo como “aletheia”, que significa “o não esquecimento” ou, para muitos, a busca da verdade.
Somente com o surgimento da filosofia, a verdade passa ser o centro de uma nova narrativa de mundo. “No início, era o verbo”. Verdade e verbo se confundem nessa nova narrativa. O peso da palavra como verdade parece então relembrar a relação de irmandade entre Zeus e Hades, irmãos e deuses, o primeiro da Origem, o segundo, dos Infernos. Novamente a dicotomia cede, não por vontade, espaço para o ambíguo do homem. O que é verdade? Ela existe sem a contaminação do não-ser-verdade ou do parecer-verdade ou até-que-se-crie-uma-outra-verdade?
Para os pré-socráticos, ou seja, antes de Sócrates e de sua maiêutica, ou antes de um pensamento que nos chega até os dias de hoje, a transformação era o que regia o fluxo da narrativa. Quando Heráclito diz que a única coisa certa é o devir, é a mudança, ele abre o caminho do pensamento para o plenamente humano. A narrativa segue esse fluxo entre a vida e a morte. Tudo que nasce um dia deve morrer. Nada é imutável.
No século XX, ou muito tempo depois de Heráclito, Antônio Gramsci vai dizer que “se o velho morre e o novo não nasce, neste interregno ocorrem os fenômenos mórbidos mais diversos”. O que foi o século XX? O que se tem se tornado o século XXI? Tempos de dissolução da verdade e do verbo, do questionamento da própria ideia de linguagem enquanto verdade. O Rei Lear está novamente vivo e morto, e a cobiça e a intriga entre suas duas filhas provocam a sua derrocada, sua destruição. Os tempos do século XX são incertos. Não há mais lugar para as certezas definitivas. A narrativa se fragmenta. Está em pedaços.
Aqui, neste cruzamento da minha narrativa, é que entra O filho de Saul, os filhos de ninguém, os filhos de Antígona, quando me fazem pensar sobre o lugar do discurso e da retórica na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Quando me fazem pensar no lugar do signo como verdade na lei ou ainda no lugar da verdade como lei. Não à toa, Nietzsche se debruçou sobre este tema e não à toa foi citado numa verborragia insana de homens que se colocam em pedestais de deuses e são mitificados por boa parte da população brasileira atualmente. Nietzsche, que foi um crítico severo do conceito de verdade, questionou os seus determinismos ou quem falasse ou praticasse o poder em nome dela.
Por isso mesmo a palavra não deveria se sobrepor à coisa humana. Na LDB, a sigla EJA (Educação de Jovens e Adultos) aparece como uma abreviatura e um símbolo linguístico de um determinado segmento e não de outro, que é substancialmente composto apenas por jovens e adultos. Ensino básico e ensino superior se separam dicotomicamente também pela palavra. Por isso quando falamos ou escrevemos sobre a EJA, ainda não estamos falamos sobre o universo dos cotistas, ainda não estamos falamos sobre a formação do novo docente brasileiro, nem conseguimos falar sobre a diversidade, a heterogeneidade e de toda uma rede complexa de questões que ficam ali, barradas na porta pela dicotomia do signo, porque precisamos antes falar da morte da EJA.
Outra questão é que a juventude é hoje um nó naquilo que muitos desejariam só “EA”, ou Educação de Adultos. Se eu tenho o ECA como estatuto e defino a partir de uma região mórbida – e não mais emancipatória – de que o jovem de 15 anos deve passar a estudar no turno da noite, e eu não sou mais Aquiles, nem Rei Lear, eu me torno a morbidez de uma gestão autoritária e excludente que habita muitas escolas. Há um sujeito que conduz esse predicado como regra. E esse sujeito só se torna abstrato na narrativa, quando culpabilizo o sistema em vez de nomear os gestores que agem morbidamente em nome da lei.
Trabalhei por anos diretamente com o alunos do Centros de Recursos Integrados de Atendimento ao Adolescente (Criaad-Degase) e sempre me perguntava: “de quem sãos esses filhos? Por que me sinto tão vazia e impotente? Por que não consigo trazê-los pra mim?”. Eram tantas as camadas de exclusão, que eu, ali, professora de língua portuguesa, me questionava sobre o meu próprio lugar no mundo e sobre aquele dever e devir.
Foi assim que, pensando nessas questões trazidas primeiramente pela sala de aula, fui assistir O Filho de Saul, um filme belíssimo em sua dureza de linguagens e na própria dureza que nos seca a língua. É um filme quase sem palavras, porque elas não dariam conta da vida e da morte que permeia a narrativa de Saul, que faz parte dos SonderKommandos, judeus que ficavam responsáveis pela limpeza da câmara de gás em campos de concentração nazista. Saul está em Auschwitz e, um dia, entre mortos que chegam em volume, encontra seu filho – ou quem poderia ser seu filho. Assim como uma Antígona, em sua tragédia ou na nossa tragédia humana, Saul corre contra o tempo e a morte para realizar o rito fúnebre de enterrar o corpo desse filho – ou o seu próprio corpo ou ainda, o corpo da narrativa.
Lembrei de um aluno muito jovem, de 16 anos, já com passagem pela polícia. Sandro era o nome dele. Sandro era meu aluno da EJA, sexta série naquela época. Um dia, Sandro desapareceu, desapareceu da escola, despareceu da mãe-Antígona, desapareceu de seu território. Eliane era o nome da mãe de Sandro que ficou dias, meses, procurando o corpo do filho para enterrar na sua tragédia única e de muitos. Ninguém se interessou o bastante. Um dia, Eliane também desapareceu, deixou de ir à escola, e eu só posso sentir muito por não ter um final para contar.
Mas eu posso falar da sensação que tive com o final do filme e da saga de Saul. Um vazio, uma sensação de afastamento e dor ao mesmo tempo. Os filhos de Saul ou o filho de Eliane, por mais que eu me importe, eles não são meus filhos. Eles são filhos de quem? E a palavra e a lei, por mais emancipatórias que possam ser, não dão conta de desfazer ou me absolver dessa verdade. Por mais que eu me engajasse como professora do Sandro, não poderia e não pude mudar aquele desfecho trágico. Mas, ainda assim, eu posso e nós podemos pensar sobre os filhos de Eliane, os filhos de ninguém, os filhos de Saul, os filhos dos outros – e quem sabe, podemos até mudar algo, como uma palavra, um discurso que caminhe no fluxo da nossa própria narrativa na contra-corrente da verdade cínica, da verdade abusiva, da pós-verdade que reluz como ouro.

Publicado na ANF/2017


mini-Biografia: Patricia Porto

Graduada em Literaturas Brasileira e Portuguesa, Doutora em Políticas Públicas e Educação, professora e poeta, publicou a obra acadêmica "Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte Docente na Escolarização da Literatura” e os livros de poesia "Sobre Pétalas e Preces" e "Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos". Participou, ainda, de coletâneas no Brasil e no exterior, integra o coletivo Mulherio das Letras e é colaboradora do portal da ANF (Agência de Notícias das Favelas). 

sábado, 3 de fevereiro de 2018

ADRIANA FALA DE... FALTA DE INTERPRETAÇÃO

Falta de interpretação. Um sintoma crescente nas redes sociais.


Acompanhei o surgimento da internet e das redes sociais quase no final da minha adolescência. Em todo o meu tempo de formação, escolar e de vida, fui orientada a ler e interpretar, sempre. E hoje, deparo-me com tantas situações explícitas em que, com apenas uma leitura mais atenta, tudo é esclarecido, mas as pessoas fazem comentários tão despropositados que me remete ao olhar inquisidor de uma professora nas minhas aulas de português, com sua caneta vermelha ativa, onde éramos cobrados a interpretar textos. (E nem vou comentar outros assuntos, relacionados à mal escrita, que se disseminam nesta era digital). Se fosse a geração que cresceu na era copia e cola, até poderia compreender, embora não aceite, a dificuldade de percepção. Mas ao se tratar de autores, senhores da escrita e pessoas habituadas ao universo literário, fica difícil entender tamanha dificuldade. Só posso creditar esse fato à rapidez em que inserimos a nossa vida e nossos pensamentos nesse tempo digital, onde os segundos passam a toda a velocidade e que as  postagens e respostas devem seguir o mesmo percurso, sem tempo de análise. Demorei a ser adepta desse novo jeito de viver mas por necessidade de manter contato com amigos distantes e depois por ser uma útil ferramenta do meu trabalho, um pouco reticente e resistente a esse fenômeno que nos torna dependentes, e expostos, mesmo que se tenha cuidado em manter a privacidade pessoal, sucumbi a esse apelo da modernidade. Mas ainda caminho entre a cruz e a espada, questionando, observando, analisando e por que não criticando, aqui com os meus botões, essa necessidade cotidiana da humanidade estar conectada ao facebook, instagram e twitter, entre outros, correndo o risco de perder, aquela pessoa próxima que faz aniversário, uma postagem interessante ou evento que passou despercebido. Sou depende por necessidade, e a experiência de ter ficado uma semana inativa me fez sentir um peixe fora d'água e ainda perder alguns contatos, e percebi o quão exigente e mediático é esse nosso espaço virtual. Apesar de continuar em defesa do tempo off line, do café quente, um bom papo e olho no olho, desejo que o tempo siga no seu fluxo e que as pessoas adequem-se a ele, também nessa era instantânea, no mínimo, lendo, interpretando, para depois responder com coerência e assertividade, contribuindo para a continuidade de uma linguagem correta, que só faz enriquecer a nossa tão especial língua portuguesa.

DRIKKA INQUIT

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

EU FALO DE... FALTA DE RESPEITO E SABER ESTAR


Em oito anos, já perdi a conta ao número de eventos literários que assisti. Estive em auditórios, livrarias, bibliotecas, museus, cafés, restaurantes, câmaras municipais, juntas de freguesia, quartel de bombeiros, mercados e até em eventos ao ar livre.

Foram oito anos a ver muitas formas de organização, muitos modelos de moderação, muitos modos de interacção entre autores, editores, promotores, leitores e público em geral.

Estive em eventos de casa cheia e outros com mais gente na mesa de apresentação que na plateia. Estive em eventos com público específico e outros com público de todas as idades.

Já estive em tantos eventos, com tantas características e propósitos, que cheguei a pensar já ter assistido a tudo o que pode acontecer nestes eventos.

Entre os muitos locais, onde se fazem estes eventos com regularidade, estão as inúmeras lojas da Fnac. Quem já esteve numa dessas lojas, sabe que o local disponibilizado para eventos está inserido no espaço de lazer onde existe a cafetaria.

Devido a essa localização, na hora de uma apresentação, enquanto os intervenientes falam da obra, do autor, ou estão a ler algo para a plateia, há sempre um ruído de fundo, da máquina de café ou chávenas e copos a ser pousados no balcão ou nas mesas e, mais incómodo, conversas entre clientes do espaço que, não tendo qualquer interesse no evento, acabam por perturbá-lo com o volume das suas vozes.

Sendo evidente que aquele espaço foi criado para proporcionar momentos de lazer e é de livre acesso, também não deixa de ser verdade que os eventos fazem parte daquilo que o espaço tem para oferecer aos seus clientes. Assim sendo, o comportamento dos utilizadores deveria estar em conformidade com o que lhes é proporcionado, mas não costuma ser assim, bem pelo contrário, nota-se uma tremenda falta de respeito pelo evento, pelos autores e pela plateia.

No entanto, no passado dia 27 de Janeiro, aquando da apresentação do livro O QUE A MINHA CANETA ESCREVEU de Manuel Machado, na loja Fnac de Santa Catarina, no Porto, fui surpreendido por algo que merece ser referido e deve ser objecto de reflexão. Na qualidade de membro da mesa de apresentação, por ser o coordenador da colecção a que pertence a obra supra citada, pude verificar, com espanto, que todos os clientes, sem excepção, que entravam naquele espaço, ao verificarem estar a decorrer um evento literário, agiram com a maior das normalidades, fazendo os pedidos na cafetaria e consumindo os seus lanches, com o cuidado de não perturbar e, muitas vezes, escutando atentamente o desenrolar do evento, numa incrível demonstração de respeito e civismo, bem diferente do que é regra noutros espaços semelhantes.

Observador como sou, não podia deixar passar em branco este episódio e tinha de parabenizar publicamente a Fnac de Santa Catarina e os seus clientes (fi-lo na hora e no local) pelo enorme exemplo de respeito e saber estar. Fosse sempre assim...

MANU DIXIT

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

DEZ PERGUNTAS A... ANDRÉ MARQUES

Agradecemos ao autor ANDRÉ MARQUES a disponibilidade em responder às nossas perguntas
Podem saber mais do livro e acompanhar o autor neste link

1 - Como se define enquanto autor e pessoa?

Examino-me atentamente. Julgo-me compassivo e com particular vocação para o que me rodeia. A humildade a servir de epígrafe. Sinto-me escutar os outros, e com os outros. Sou uma pessoa de corpo e alma. Duas mãos que agarram o mundo de uma vez só. Quanto ao facto de ser autor, considero-me um ser de palavras, de histórias, de vozes com vozes dentro. Enquanto autor sinto-me na obrigação de catapultar emoções. A minha missão enquanto autor e pessoa é erguer novos temas, transfigurar assuntos comuns, e, sobretudo, oferecer amor.
Autor e pessoa; dois conceitos que se conjugam na perfeição. Eu.

2 - O que o inspira?

O desconhecido inspira-me profundamente. Escrever sobre o incomum. Ilumina-me o espírito a chávena de café que bate insistentemente na bancada da cozinha. Inspiro-me no labor de todos os dias. Procuro entender as desavenças do alheio, as traições, as motivações de cada um. Inspiro-me no amor que me rodeia, que transporto para os outros. A vida é a inspiração em pessoa. De pessoas que caminham entre a poesia e a prosa. De pessoas que não cruzam os braços à vida. Inspira-me a dureza dos que não desistem.

3 - Existem tabus na sua escrita?

Não existem tabus na minha escrita. O objetivo máximo das minhas palavras é a liberdade entusiasta. No meu livro abordo a homossexualidade de uma forma natural. Um casal que vive, que sonha, que trai, que realiza, que não escolhe o amor. Duas pessoas que se deixam levar pelas legalidades e ilegalidades da vida. O tabu pode ser perigoso para quem escreve. O tabu limita o desassombro criativo. O tabu limita a qualidade gramatical que um bom livro exige e que os leitores merecem.

4 - Tendo em conta os inúmeros aspectos que encontramos no seu livro, nunca pensou enveredar por outros géneros literários, nomeadamente a poesia?

Tenho alguns apontamentos relacionados com a poesia. Encontro-me implantado em três antologias, designadamente na “Antologia Poesia e Prosa” com o carimbo Lua de Marfim editora, na primeira “Antologia Amantes da Poesia”, e, “Universus da Poesia”, ambas com a marca Universus editora. Em vista disso, a poesia é um sentimento que tem acompanhado o meu crescimento ao longo do tempo, e espero que a longo prazo. O amor é a poesia da alma, afirmo eu. E um romance não se constrói apenas de prosa.

5 - Que impacto têm as redes sociais no seu percurso?

As redes sociais por norma projetam o que nunca se viu. Representam um papel fundamental para os autores desconhecidos. O mundo é vasto. Estou muito grato às redes sociais que por vezes, para não dizer inúmeras, suavizam de forma grandiosa o trabalho das editoras. Sinto-me bastante agradecido quando recebo palavras de louvor por parte de pessoas que não conheço. Gente boa que simplesmente chega e deixa o seu testemunho. É impagável.

6 - Quais os pontos positivos e negativos do universo da escrita?

Por dentro dos pontos positivos torno saliente o espargir do pensar para o papel. A escrita é o meio de transporte favorito do pensamento. E chega sempre a horas ao destino, ou ao destinatário que é a mesma coisa. Não é um processo fácil, por motivação do azar ou das palavras com pouco andamento emocional. A falta de ação no papel fundamenta a entrada de inúmeros pontos negativos. Se o texto não arrepia, não vale a pena. Os leitores andam cada vez mais exigentes, e ainda bem. É fundamental que assim seja. Para mim, é imprescindível que as pessoas se identifiquem com aquilo que escrevo.

7 - O que acredita ser essencial na divulgação de um autor?

Acredito ser essencial uma editora idónea. Absolutamente apta. Por entretantos, trabalhar de forma empenhada, persistente. Editora e autores juntos pela mesma causa e pelas pessoas certas. O amor pelas coisas necessita de fé. O resto constrói-se com trabalho, como já referi.

8 - Quais os projectos para o futuro?

Para já não existe nada em cima da mesa. O “Nem todos os amores crescem” tem sido a grande prioridade. Os quilómetros imensos. Todos os dias surgem ideias, conceitos, mudanças, mas nada em concreto. Podem acompanhar a minha página de Facebook “André Marques – Nem todos os amores crescem”. É lá que está o grosso do meu trabalho. Todas as minhas palavras caminham por lá.

9 - Sugira um autor e um livro?

Os ossos do Arco-Íris de David Soares.

10 - Qual a pergunta que gostaria que lhe fizessem? E como responderia?

Escreve com a pretensão de ser conhecido?
Sabe-me sempre muito bem quando reconhecem o meu trabalho. Não sou hipócrita. Admiro tocar o coração das pessoas. Deixar marcas de gratidão em quem me lê. Não pretendo ser o lugar. Quero apenas ter um lugar especial na alma das pessoas, ser a estante de alguém, a página de alguém. O reconhecimento surge na sequência.