quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

FALA ÁFRICA... MACVILDO PEDRO BONDE (XIX)

Aprendo os sinais

Estou em transe. Engoli a noite – um luar espreita pela minha alma, as estrelas sitiadas no alto, piscam seus braços no leito onde resguardo a memória. As flores, enxugadas pelo odor nocturno, amainam a dor na boca. Julgo soltar a fala com os olhos, meu corpo frio, um pirilampo gregário sacode a escuridão. Não há água que jorre na crosta dos olhos, um fio de esperança lambida no calor do medo. Apalpo minha boca, cor de púrpura, a língua foge do embate. Aprendo os sinais: 1 – o pulsar do tédio; 2 – o fulgor do coração; 3 – a sombra entre as cortinas; 4 – uma flor que ri à janela; 5 – uma porta que chia no escuro. Conto, em surdina, os dedos dos pés, ignoro a aritmética da solidão; engoli uma noite; escuto no clamor dos cães, um rio invisível.

Breve biografia
M.P.Bonde nasceu a 12 de Janeiro de 1980 em Maputo. Foi membro do projecto
(JOAC) e do colectivo Arrabenta Xithokozelo. Em 2017 lançou a sua primeira obra literária “Ensaios Poéticos” pela Cavalo do Mar.
Vencedor da 1.ª edição do Prémio Literário Fernando Leite Couto.


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

IN-FINITA APRESENTA... VITOR COSTEIRA

Ao chegar no primeiro evento em Lisboa, entre outras pessoas que de imediato me acolheram e tornaram-se amigos e autores queridos, Vítor Manuel do Nascimento Costeira, natural de Lisboa, e sua esposa Fátima, foram alguns deles. E nesse passar do tempo e conhecendo melhor a sensibilidade do ser humano e autor apresento com imensa satisfaçao esse poeta e escritor, que preenche com maestria a nossa vida literária, com seu lirismo e arte. Na Assessoria Literária da In-Finita, Vitor Costeira.

3 livros publicados:
·        
      Sou Teu: Editora Chiado, 2015, Poesia
·        Asas de Colibri: Andorinha Editorial – Lua de Marfim, 2017, Poesia
·        Poemas de (A)Mar: Edição de Autor – Miká Penha Editora, 2017, Poesia

Co-autor em:
·       
      Deixa-me ser Poesia: Pastelaria Studios, 2017, Poesia
·        Livro Aberto: Autor Publica em parceria com Rádio Voz de Alenquer, 2017, Poesia
·        Amantes da Poesia: Modocromia em parceria com PopularFM, 2017, Poesia
·        Quando eu era pequenino: Letras da Lagoa de Óbidos, 2017, Poesia
·        1º Concurso Literário de Edições Vieira da Silva, 2017, Contos

Dois prémios de Poesia, por participação em concursos que permitiram a publicação dos livros: Asas de Colibri (Concurso da APPACDM, sob o tema: Uma semente diferente) e Poemas de (A)Mar (Concurso on-line do Grupo LLO - Letras da Lagoa de Óbidos, sob o tema: Dia do Poeta).

Outras menções honrosas e de participação, de significado menor.

Prefaciador de duas obras de cariz poético: “Colectânea Amantes da Poesia Vol. II”, Modocromia e “Emoções” de Maria Luz, Modocromia. Fui ainda o apresentador desta última obra e da sua autora assim como fui apresentador da autora Maria Carvalho no lançamento do seu livro “Sou filha da Poesia”, Edições Vieira da Silva. Tudo em 2017.

Convidado de honra para diversos eventos, entre os quais destaco o convite para Programas de Rádio e encontros de autores. De sobressair, a participação na Cidade da Maia, como o Grupo “Asas de Poesia”, todas elas em 2017.

Apoio nas emissões de poesia do Grupo “Amantes da Poesia” na Rádio PopularFM, em Pinhal Novo.


Acompanhe o autor neste link

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

FALA AÍ BRASIL... TACIANA VALENÇA (XIV)

A RESPONSABILIDADE DO ESCRITOR

Existe um vídeo do nosso Ariano Suassuna onde ele diz: "Se usamos a palavra genial com Ximbinha, o que dizer de Beethoven?"

Pois é assim que tenho percebido a introdução tanto de novos cantores e compositores como de novos escritores. O que se vê é que na facilidade desse  mundo onde tudo se tornou tão en passant, qualquer pessoa pode ser tudo o que quiser, não importa se faz bem feito, com responsabilidade e propriedade  ou não. Sempre haverá alguém para aplaudir, claro, alguém que não entende de música ou de literatura. Porque os que entendem, estudam e se preocupam não são enganados. Mas lembrando uma outra frase, dessa vez do Nelson Rodrigues: Os idiotas vão tomar conta do mundo, não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos. Apesar da rudeza da frase, sinto dizer que ele tinha toda razão. Se os que aplaudem, aplaudem qualquer coisa por pura ignorância, os que fazem farão qualquer coisa e serão chamados de grandes, de maravilhosos, brilhantes e etc. Assim, grande parte da humanidade estará fadada a ouvir e ler qualquer coisa e pior, achar bom.

Quando falo da responsabilidade de um escritor é porque estou mais envolvida com eles e o que tenho visto é muito pouca preocupação com o que se escreve e, principalmente, com o que se publica. Hoje tenho apenas dois livros publicados, infantis, mas que não comercializei por me achar ainda muito imatura para tal. Tenho livros prontos de poesia, fazendo um de crônicas. Mas estão lá, maturando, sendo vistos e revistos.  Fiz oficina literária com Raimundo Carrero, um grande escritor, várias vezes premiado, por duas vezes. Quanto mais faço, treino e escrevo, mais percebo que ainda falta alguma coisa, que o público merece ler algo bom e não qualquer coisa feita para encher meu ego de vãs vaidades, que também pode marcar minha escrita como ruim para o resto da vida.

Acho que sim, podemos e devemos incentivar novos escritores. Qualquer um pode escrever bem, desde que leve a sério o compromisso com seus futuros leitores e consigo mesmos. Perpetuar a literatura é algo grandioso, mas feito irresponsavelmente pode ser uma grande catástrofe para nossa literatura.

Como sempre disse Carrero: leiam os bons, escreva, escreva e escreva. Fazer oficinas, ler grandes autores, treinar diariamente, pedir opiniões. Tudo isso feito com a devida constância só poderá ter um ótimo resultado. 

Os leitores e futuros escritores agradecerão o empenho.

Mini-Biografia:

Taciana Valença Administradora (Universidade Federal de Pernambuco), escritora, produtora cultural, editora da Revista Perto de Casa (Recife/PE/Brasil) e Diretora Social da União Brasileira de Escritores.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

ADRIANA FALA DE... NEM TODOS OS AMORES CRESCEM

NEM TODOS OS AMORES CRESCEM... abranda, inquieta, desperta, seduz, questiona, busca e mergulha a fundo em todas as vertentes e possibilidades de sentir o amor.

A procura, o êxtase, a cumplicidade, a serenidade, o encontro, a conexão, a desilusão, a descoberta, os preconceitos, a loucura, o interesse, a fusão, o sexo, o desespero, a indiferença, a ironia, o descaso, a violência, a solidão. Todas essas palavras bailam implícitas ou explícitas no romance quase poético de André Marques. O uso constante das metáforas, o lirismo nas figuras de imagem, que passam bailando por nossos olhos, consumidos na leitura, nos conduzem para enredos que falam da alma humana e todos os dissabores e encantamentos que só esse sentimento nos leva a vivenciar.

Um livro que fala de amor. De histórias de amor. De pessoas que sentem amor. Aquelas que seguindo o conceito tradicional não se enquadram no que chamamos de final feliz, mas que na sombra de nós, mexe e instiga, fala de preconceitos, sensações e possibilidades de ser e viver o amor e tudo o que ele provoca na antítese de si mesmo. E nos deixamos levar pela leveza das palavras bem colocadas em frases curtas e pontuadas. Pela percepção em olhar a si e o que está por trás do olhar do outro. As tramas provocadas pelas escolhas, pelo destino, pelas consequências. Personagens que são espelhos de nós. Gente que sente, que sonha, que sofre, que busca:  A completude.

"As palavras culminam em ventania. E quem recebe o ar agitado com agrado tem o pensar desobrigado. Na longa noite, preservo a lua acima do meu nariz. Assemelho-me a um evidente aprendiz. (...) " André Marques


E como um aprendiz, personagem e autor, aproximam-se de nós, leitores,  também peregrinos nas vertentes do que o amor nos traz, nos aprisionamentos e cárceres que construímos, seja no mito que herdamos em detrimento desse sentimento, ou na libertação do nosso ser individual assumindo a des-construção do que fomos e escolher, simplesmente, amar. NEM TODOS OS AMORES CRESCEM, é uma alquimia de palavras, histórias, personagens, conflitos, substâncias e sentidos que fazem ou não coerência na complexidade de se ver, sentir e viver o estado puro, cru, duro de algo que não se domina, compreende, retém, mas se eterniza.

DRIKKA INQUIT

domingo, 14 de janeiro de 2018

EU FALO DE... CONCEITOS DE POESIA


A questão sobre o que é ou o que pode e deve ser considerado poesia, nunca será consensual porquanto a generalidade das definições estão umbilicalmente ligadas aos conceitos próprios criados por diferentes tendências e correntes. No entanto, e se cada um de nós pensar pela sua cabeça tentando, dentro do possível, eliminar essas influências, facilmente se chega à conclusão que a poesia existe sob várias formas, fórmulas, estilos e modelos.

A negação de poesia por qualquer razão meramente estética é simplesmente a negação da existência de correntes literárias que, convenhamos, devem reger-se pelas suas especificidades mas nunca com carácter elitista.

Apesar de compreender essa vertente defensora da conexão arte-poesia em que quase se exige a falta de compreensão dos leitores sobre a matéria escrita para a considerar poesia legítima, não deixa de ser verdade que ela não é moderna pela simples razão que sempre existiu poesia hermética.

Para mim o grande ponto de desencontro está no que atrás mencionei sobre a falta de consenso na hora de definir os critérios válidos para se poder chamar poesia a um texto. Na minha ideia e inerentes conceitos, não existe nada mais democrático que a poesia. A poesia é tão democrática que não olha a estrato social, a faixa etária, a raça, a credo ou cor política. Ela, que já foi elitista nas eras medievais, deixou de o ser com o passar dos séculos e com a crescente alfabetização, que aliás está na génese do nascimento das tais correntes literárias que teimam em chamar a si mesmas a autoridade para definir o que pode ser considerado poesia.

Quanto à questão da arte... sempre acreditei que a arte maior está na capacidade de saber usar o simples em detrimento do complexo. Para os religiosos (que não sou) a grande obra de arte de Deus foi ter criado o homem. E, convenhamos, o que poderia ser mais simples que um ser despojado de tudo? Apenas e só um corpo nu.

Na arte em geral e na poesia em particular, acho que o mais belo é o simples, o mesmo é dizer; a poesia nua. No entanto, e aqui é que reside a diferença entre o que eu penso e o que pensam as "autoridades", creio que a poesia é demasiado abrangente para se poder catalogar definitivamente o que pode e deve ser considerado poesia. Aos meus olhos, seja poesia simples ou hermética, apologista de regras ou neo-romantismo, etc, todos têm o direito de se verem englobados no conceito maior de poesia. Tudo o resto serão sempre atribuições influenciadas pelas correntes a que as "autoridades" estão confinadas.

MANU DIXIT