sexta-feira, 8 de setembro de 2017

EU FALO DE... PEQUENOS DETALHES


Um dos aspectos que me deixa sempre com pé atrás, em relação a alguns autores, provém da frase gasta e ilógica: "Escrevo com a alma". Gasta, por tantas vezes usada, ilógica porque ninguém escreve com a alma, quanto muito com lápis ou caneta, ou no teclado do computador.

Mas façamos de conta que há mesmo quem escreva com a alma... nesse caso, lamento muito informar, essas almas são tremendamente incoerentes e a única coisa que fazem é levar o seu proprietário ao descrédito.

Como disse, fico de pé atrás quando oiço alguém dizer que escreve com algo incorpóreo e depois, quando leio o que essa alma escreveu, vejo coisas do género: "Naquele dia a lua estava luminosa" e a única explicação que encontro para tal fenómeno é a possibilidade dessa alma ter escrito no Inverno árctico dos países escandinavos ou no alaska. E mesmo assim  tinha de ser num dos raros momentos em que o céu fica limpo.

Outra muito frequente é: "A brisa soprava forte"... Eu sei que deixei a escola há muitos anos mas, recordo-me perfeitamente, a definição de brisa, por si mesma, estabelece que estamos perante um vento fresco, brando e leve. Ora, assim sendo, quando sopra forte deixa de ser brisa para ser apenas vento.

E como estes, encontram-se muitos outros exemplos.

Eu sei que pode parecer mesquinho fazer estas observações, no entanto, é nestes pequenos detalhes que reside a diferença entre um bom texto e mais um texto.


Também sei que, hoje em dia, a generalidade dos autores sente uma tremenda urgência em alimentar regularmente os seus leitores e assim receber a sua quota de likes e comentários. Mas, convenhamos, para receber os comentários que recebem, podem muito bem gastar mais uns cinco minutos a burilar o que escrevem. Ok, compreendo que esses cinco minutos e esse trabalho de aperfeiçoamento vos retira essa imagem de espontâneos e deita por terra o espírito "escrever com a alma", mas como isso não existe, deixem-se de tretas e cuidem melhor os vossos textos.

MANU DIXIT

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

FALA AÍ BRASIL... PATRÍCIA PORTO

Entre flores e feridas.

                          Quem já se sentiu vítima de um gesto, uma palavra, um olhar de intolerância sabe à flor da pele o quanto isso faz doer. E talvez tenha aprendido pela dor que a melhor resposta possível é uma resposta política: a luta, a luta pacífica - e não passiva - pelos direitos e pelos “deveres” dos homens. Um clichê dentro do outro seria dizer que desde que o mundo é mundo, os seres humanos exercem a nem sempre sutil “intolerância” - para humilhar, negar, apartar, desprezar o outro. E nada é tão difícil de tolerar que a própria intolerância. Diríamos também que é uma herança complexa de nossa vida coletiva se levarmos em conta toda a nossa história pelo mundo, tão marcada por ações e reações resultantes de atos de intolerância levados às ultimas consequências, atos violentos e infundados, nascidos da não aceitação e da retroalimentação de ódios entre os povos, que só deixaram como legado as guerras e os genocídios, as maiores tragédias humanas.

O Homem é sim capaz da exclusão e do extermínio por não concordar com ideias diferentes das suas, por não aceitar um modelo político diferente do seu, uma raça diferente da sua, uma classe social , uma religião que não seja a sua, enfim, por não enxergar a diferença entre os seres. E, paradoxalmente, tudo o que somos e fazemos vai nos singularizando dentro da própria trajetória humana. Somos diferentes, diversos, igualmente diferentes.

A tentativa de igualdade começa, sobretudo, pelo respeito à diferença. Pelo amor à diferença. E porque não há nada mais belo e humano que o amor não podemos deixá-lo de fora da resposta política, daí que o político é também poético, o que enfurece os que pensam dentro de caixas fortes. Ora, sabemos o quanto isso pode parecer desagradável: disponibilizar-se para amar, amar para além do seu raio de segurança e de seus prodígios. Não, não é fácil assim como num estalar de dedos e pensamentos. É um exercício contínuo de aceitar e ser aceito, é um exercício extraordinário de coragem. Até porque é muito mais fácil sentir raiva, guardar mágoas, velhos ressentimentos remoídos... Amar é ter coragem de assumir a sua parcela mais humana, é tirar a casca, a couraça, a culpa de não ser perfeito. É deixar de lado a mesquinharia, o egoísmo, toda falta de gentileza. Amar é sentir-se feliz por ser o suficiente - como disse um sábio, pois não precisamos ser o melhor entre outros, mas o melhor que se pode ser para alguém. Feliz quem pode olhar para as suas crias e se alegrar com a tamanha diferença encontrada. Feliz por ser capaz de compreender que os filhos não podem ser uma mera projeção narcísica dos desejos dos pais, de uma país e nem estão aqui somente para cumprir uma entre as tantas profecias familiares e coletivas. Eles são únicos quando são eles mesmos. E se perdem quando não podem ser eles mesmos.  Talvez a tarefa mais árdua seja de encontrá-los perdidos na estupidez globalizada.

Mesmo assim a perplexidade contemporânea nos coloca diante de atitudes pra lá de esquizoides se pensarmos nas últimas e tantas demonstrações de intolerância ocorridas pelo mundo afora. Poderemos nos questionar se estamos de fato perdendo contato com nosso mundo interior, perdendo também a capacidade de olhar para dentro desse interior. Para onde então caminha a nossa humanidade? E a nossa juventude? Tantos episódios de crueldade gratuita, de intolerância explícita... Por que sentir tanta raiva, tanto desprezo por tudo e todos? Será que estamos adoecendo ou será que sempre temos algo de doente em nós? Em tempos de glamourização excessiva da violência, dos bíceps saudáveis e das seitas que ditam regras comportamentais - até as alimentares, que tal trazer de volta o silêncio que perdemos com tanto barulho externo? Que tal ouvir o silêncio para refletir sobre quem somos, sobre o que queremos, sobre as escolhas que precisamos fazer? Que tal pausar a mente, nossa casa? Pausa-da-mente...

Nossos corações devem estar despertos para que possamos ver um palmo antes e depois de nossos narizes. Precisamos de menos babás eletrônicas e mais diálogo, menos shopping e mais abraços, menos redes sociais e mais tête-à-tête. Precisamos brincar mais, rir mais - principalmente as meninas, precisamos nos lançar mais ao outro, aquele nosso velho desconhecido. E, é claro, precisamos ter coragem. Essa palavra latina que une Cor + Agir, “agir com o coração”. O amor é a fé em estado sublime e sendo assim é o amor a única ponte que nos leva ao outro dialogicamente e que nos faz enxergar no olhar do outro a nossa imagem menos refletida, o amor é que nos educa sobre a necessária "empatia" para bem viver, para viver com, con-viver. Mais Eco. Menos Narciso.

(Esta crônica foi escrita em 2010)


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

FALA ÁFRICA... MACVILDO PEDRO BONDE

METAPOESIA: QUE CAMINHOS ME GUIAM?
Este texto nasce a propósito das mesas “redondas” dinamizadas pelo Movimento Kupaluxa no Centro Cultural Brasil-Moçambique. Numa das sessões foi abordado para a questão do metapoema no meu livro. É a partir do questionamento do Pedro Pereira Lopes, meu confrade das letras que decide redigir braves palavras sobre a minha poesia.

A princípio considerei inapropriado enveredar por este caminho, mas a necessidade de conhecer melhor os caminhos da criação poética e das minhas inquietações levaram-me a percorrer este atalho sinuoso.

Que elementos de discurso compõem o meu texto para que possa cataloga-los de Meta poesia? Esta é uma questão que irá percorrer este pequeno ensaio a volta do que tenho escrito.

Como defende Sousa Freitas (2008:25) , é na necessidade de interrogar a escrita, que aquelas denominadas artes poéticas pessoais incorporam um movimento de in-escrita e de interrogação onde aparentemente o autor da escrita parece ter substituído o objectivo de comunicar pelo de se exprimir.

Na verdade no livro “ensaios poéticos” procuro enveredar pelo caminho de exorcizar os meus eternos fantasmas literários. Neste sentido, olho para o metapoema como um desses caminhos visto que o mesmo tem por tarefa a descrição do processo criativo do autor, algo que não se apresenta ao longo desta minha primeira aparição.

O século passado (XX) foi marcado por inúmeros autores que seguiram a metapoesia como recurso criativo. Neste sentido, a minha experiência estética em função dos meus gostos estéticos poderá de forma involuntária ter acoplado um conjunto de valores defendidos em Rimbaud e o seu simbolismo.

Recorrendo a uma definição simplista: metapoesia pode ser vista como: “poema em que o autor fala sobre o próprio poema, a poesia e/ou seu processo de criação”.

A minha poesia incorpora acima de tudo o meio envolvente onde me insiro. Ela representa uma forma de desconstruir a realidade social denunciando um conjunto de práticas que não ajudam a dar a poesia o seu verdadeiro lugar.

A este respeito, Thamos (2010) , “a experiência poética funda-se na percepção física da existência. O poeta busca dar a ver, através de imagens, aquilo que deseja exprimir e tende a valer-se da palavra como uma coisa em si”. Esta interpretação vem de algum modo fundamentar que a minha poesia é reflexo do que me rodeia.

“Quantos exercícios faltam para um poema vertical? Por que saga ou epopeia haverá de esperar, na madrugada insone, onde até os mosquitos reclamam da anemia de que padecem as minhas pardas veias? Quantos? Tantas questões ofuscam a réstia de saudade que se cola amiúde à minha forma de existir. Assim relegado ao som da flauta como quem encanta as cobras nas ruas de Panjab, escutas o milagre das ondas que não esmorecem”.

No poema “exercícios poéticos”, encontro elementos que demonstram que a intimidade com a minha poesia é ainda iniciática e artesanal. Há dentro do texto incertezas do eu-lírico perante o processo criativo, a qualidade estética, o sublime e o sentimento.

A comparação é um traço que descreve o estado da alma do poeta no texto. Vendo-se desterrado de valores com os quais um poema nasce “adulto”, fugaz, consciente do seu valor, aguardo um toque magica para despertar para o caminho da perfeição.

“A doença é o tédio da vida, a masmorra da alegria e do ritmo fascinante dos passos infantis à beira-mar. O tédio! O suco dos boémios e poetas na criação do verso. O rio de inspiração, o tubo de escape, a vida. Porque a vida é luta, é coragem para os dias que se avizinham tristes, é pão e água, respiração. A vida e o tédio cantam na janela do poeta a canção de embalar para que no luar o papel virgem brilhe eternamente na boca alheia”.

Em relação ao texto “tédio”, faço referência ao que inspira ao processo criativo. Há uma descrição de fenómenos com os quais se pode tecer um poema. A preocupação quotidiana é um elemento indispensável com o qual no seu íntimo o poeta constrói os seus sonhos no papel. Ou seja, o estado da alma concorre para que sangre sobre o papel o ritmo efervescente do verso. O poeta deixa-se levar a inspiração fazer o seu trabalho.

Como argumentam Martins e Cerqueira (2015:256) , “Tudo o que se transpõe para a forma do poema é, a nosso modo de ver, manifestação de experiências profundas pelas quais esse indivíduo especial tenha passado. Não que necessariamente tenham ocorrido com ele; nesse caso, a observação da experiência alheia dada nos altos níveis que somente aquele tipo de homem consegue experimentar será responsável pela captação poética”.

“Querias ser tu esse ruído medonho, esse estalo diferente na forja da palavra vida.” (p.9). Nota-se aqui uma preocupação com o mundo literário a sua volta. Procurar romper com o discurso do dia em que a literatura anda descrente, sem qualidade para continuar a iluminar a sociedade.

Neste sentido, procuro integrar todo um conhecimento sobre a vida, a literatura como mecanismo de trazer uma lufada de ar fresco a uma geração marcada por exemplos infelizes no campo literário.

“E o poema vertical nascia para a solidão dos campos secos, vestido do inchaço dos dedos, rugindo a saciedade da metáfora triste” (p.12). A preocupação com a qualidade do texto aparece vincada na ideia do poema vertical. Seguindo a ideia deixada por Virgílio de Lemos quando invoca Noémia de Sousa e a sua poesia de reivindicação de uma identidade, o poema vertical aparece como a exaltação do belo.

A criação poética é um fenómeno que associa a habilidade técnica e o acúmulo de experimentações emotivas de diversa ordem (Martins e Cerqueira, 2015:264).

Para concluir podemos invocar o excerto: “Começamos pela palavra, de seguida o verso e por fim a estrofe” (p.15). Este é um processo que indica a criação poética. Não é linear, mas o papel tinge-se de palavras que cobrem o silêncio da textura.


terça-feira, 5 de setembro de 2017

FALA AÍ BRASIL... ADRIANA MAYRINCK

Adriana Mayrinck, por ela mesma.

Desnudo-me nas palavras que deixo escorregar no papel quando escrevo poesia. Não sei onde começa e termina a autora, a pessoa, a fantasia. Nas entrelinhas, marco a minha passagem e não percebo quem é que se mostra com mais intensidade, o concreto, o oculto ou o abstrato de mim mesma. Sei que sou eu, múltipla nas formas de me expressar.

Sou poeta, como Cecília Meirelles, denominava-se. Adotei a palavra, expressão máxima do que se vai além do ser e é assim que me deixo traduzir.  

E produtora cultural. Caminho conduzido pela vida, ao abandonar o jornalismo, que nunca saiu de mim. A palavra, a curiosidade, a necessidade de ouvir histórias e conhecer gente, estão no sangue que circula, fervendo, por entre o olhar tranquilo e o sorriso receptivo. E a fascinação pela arte. Principalmente a da escrita, na língua portuguesa e seus infinitos sentidos e vocábulos.

Hoje, além do espaço em que os amigos acostumaram-se a chegar, apresento-me  para além das fronteiras e é por isso que estou aqui. Coordenadora do FALA AÍ BRASIL e muito honrada e feliz com o convite do Emanuel Lomelino, no qual sem bajulações, tenho imensa admiração pela retidão de caráter e habilidade em expor com autenticidade suas opiniões, sigo na mesma linha, fiel aos meus princípios. E enriquecida a cada dia com os autores que se chegam, nesse universo tão imenso e rico de talentos e expressões, com contos, crônicas e divulgação de seus livros e entrevistas, comecei a olhar para o meu lado de fora. Na poesia, renasço a cada linha e como autora, com livro recém publicado tenho ressalvas a fazer sobre o trabalho da editora, que percebo ser generalizado e guardo para outro momento.

Como produtora cultural, divulgadora e fundadora da In-Finita, não tenho como transcender palavras e torna-las mais fluídicas. É o meu lado mais concreto, racional, objetivo que se revela. Embora sempre, sutilmente, com um toque de arte. E é esse lado tão prazeroso quanto amargo na profissão, que experimento nesses 27 anos de caminhada que mais me gratifica e mais me sacrifica. O tempo que me consome pelas madrugadas sem dormir a cada evento, a falta de atenção aos amigos, família e a filha, que com sabedoria, a vida a colocou com o talento e vocação para me completar e acompanhar, nessa rotina de produção e trabalho. Juntas, trilhamos com nossas exigências de perfeição, esse caminhar por entre flores e espinhos que é o de realizar, produzir, promover, divulgar e conduzir, todos os trabalhos que chegam até nós. Excelência é a palavra de ordem, o desejo de quem nos contrata, sempre em primeiro lugar, e nenhum detalhe pode fugir do que nos propomos. Transpiração e inspiração misturam-se por entre os sorrisos da realização e a sensação de decepção, nos espinhos fincados, vez ou outra. A designer e fotógrafa, fica por trás da tela, da lente, de uma maneira ou de outra, protegida, como faço com a minha sócia. Protejo-a, mas nunca fica isenta totalmente, pois também é assistente de produção, aprendendo desde cedo, a conhecer o lado menos iluminado de algumas pessoas e da incompetência generalizada. Sigo representando a empresa, matando leões, acariciando corsas e caçando raposas. Os leões são fáceis, atacam e aprendemos a nos defender. As corsas, são o que nos incentivam a seguir e a ser cada vez melhor e as raposas, ah... Essas ficam a espreita, escondidas, circulando e esperando a melhor hora de se revelar.

Com a transparência que me é peculiar, deixo apenas o meu registro atento, as vaidades que em nome da arte usufrui sem limites as boas intenções e o talento alheio, para se promover, ou pior, copiar.

Os meus anos de noites insones e trabalho árduo, levaram –me a ter uma empresa referência em competência e profissionalismo. Nunca foi e não é fácil. Nosso meio denominado cultural e artístico, tem mais gato por lebre do que se possa imaginar, desconhecem o caminho construído pedra sob pedra até ser o que se é hoje, com arranhões e espinhos, e invadem o mercado, ludibriando clientes e apresentando trabalhos de má qualidade.

E como aqui é um espaço também de opinião, hoje no FALA AÍ BRASIL... mostro-me como sou: profissional e gentil, mas também crítica e indignada pela incompetência alheia reverenciada nas redes sociais. Não há planejamento, estudo, experiência. Hoje todos se auto intitulam produtores culturais e jogam lixo no mercado.

Aprendi a fazer a minha parte, realizar, observar e calar, porque o meu trabalho é real e concreto, mas como formadora de opinião, sinto-me na obrigação de pontuar essas situações prejudiciais ao universo literário e cultural, pois ganham adeptos e curtidores, e o pior,  cativam clientes que desatentos, não percebem e incentivam a má qualidade das realizações seja em que segmento for, eventos, cultural ou literário.

A superação das expectativas, surpreender, cativar, agregar, promover o outro, e manter-me fiel ao que desejei, é a compensação desse gosto meio amargo que fica, quando os oportunistas de plantão, seguem, como provedores culturais, ludibriando os desavisados, e espalhando lixo cultural.

O gratificante é o carinho daqueles que nos prestigiam e acreditam em nosso trabalho. E é só por isso que vale a pena, sempre... prosseguir.

DRIKKA INQUIT

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

EU FALO DE... MODAS E TENDÊNCIAS

Volta e meia surge alguém que, doutorado sabe-se lá em quê e com legitimidade outorgada vai-se lá saber por quem, decide semear comentários, por diversos espaços, em diferentes textos de distintos autores, como se tratasse de algum erudito supremo a quem todos deveriam prestar atenção e seguir como estando na presença de um qualquer Messias da era digital, pela sua visão inabalável e correcta sobre o que é ou deve ser a poesia.

Só que estes iluminados, da razão e do único saber, não se apercebem que, se mais razões não existissem, o direito que lhes permite vomitar opiniões a torto e a direito, é o mesmo que valida o que cada um escreve e como escreve: o direito à livre expressão.

Mas existem mais razões e é nessas que quero basear esta minha dissertação.

Uma das belezas maiores da poesia é a multiplicidade de estilos, conceitos e sensibilidades, que permite aos criadores. Já o disse diversas vezes e, até prova em contrário, manterei esta minha ideia, não existe nada mais democrático que a poesia. Ela não olha faixas etárias, géneros nem estratos sociais, ela não se importa com crenças ou falta delas, ela não distingue entre ricos e pobres nem entre brancos, negros ou amarelos, ela nem sabe o que são nacionalidades ou regionalismos. Ela é apenas poesia, não tem rosto, somente formas. E as formas da poesia não são ditadas pelas tendências ou modas. As formas da poesia são ditadas pela sensibilidade de cada um.

E por falar em tendências e modas, muito ao gosto dos tais iluminados que deram origem a este texto, em nome de quem se pode dizer que a rima já não é poesia? Com que legitimidade se apregoa que o amor é uma temática morta na poesia? Quem delibera isso? Os intelectuais que só regurgitam postas de pescada, a coberto do anonimato, pela internet fora? Os mesmos imbecis, ou primos desses, que querem empobrecer culturalmente os povos?

Como disse, a poesia não é elitista... é universal. A poesia não quer saber se é escrita por académicos ou pelo mais humilde rimador popular. A poesia não quer saber se quem a escreve faz amor até ver estrelas ou se somente faz amor depois de ver espectros pelo pó inalado. A poesia não que saber de modas nem tendências. A poesia é, por si só, uma tendência e, independentemente do estilo, da forma, do conceito, da sensibilidade, seja do que for, nunca estará fora de moda.

MANU DIXIT