sábado, 15 de julho de 2017

FALA AÍ BRASIL... TACIANA VALENÇA

A RESPONSABILIDADE DO ESCRITOR

Existe um vídeo do nosso Ariano Suassuna onde ele diz: “Se usamos a palavra genial com Ximbinha, o que dizer de Beethoven?

Pois é assim que tenho percebido a introdução tanto de novos cantores e compositores como de novos escritores. O que se vê é que na facilidade desse  mundo onde tudo se tornou tão en passant, qualquer pessoa pode ser tudo o que quiser, não importa se faz bem feito, com responsabilidade e propriedade  ou não. Sempre haverá alguém para aplaudir, claro, alguém que não entende de música ou de literatura. Porque os que entendem, estudam e se preocupam não são enganados. Mas lembrando uma outra frase, dessa vez do Nelson Rodrigues: Os idiotas vão tomar conta do mundo, não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos. Apesar da rudeza da frase, sinto dizer que ele tinha toda razão. Se os que aplaudem, aplaudem qualquer coisa por pura ignorância, os que fazem farão qualquer coisa e serão chamados de grandes, de maravilhosos, brilhantes e etc. Assim, grande parte da humanidade estará fadada a ouvir e ler qualquer coisa e pior, achar bom.

Quando falo da responsabilidade de um escritor é porque estou mais envolvida com eles e o que tenho visto é muito pouca preocupação com o que se escreve e, principalmente, com o que se publica. Hoje tenho apenas dois livros publicados, infantis, mas que não comercializei por me achar ainda muito imatura para tal. Tenho livros prontos de poesia, fazendo um de crônicas. Mas estão lá, maturando, sendo vistos e revistos.  Fiz oficina literária com Raimundo Carrero, um grande escritor, várias vezes premiado, por duas vezes. Quanto mais faço, treino e escrevo, mais percebo que ainda falta alguma coisa, que o público merece ler algo bom e não qualquer coisa feita para encher meu ego de vãs vaidades, que também pode marcar minha escrita como ruim para o resto da vida.

Acho que sim, podemos e devemos incentivar novos escritores. Qualquer um pode escrever bem, desde que leve a sério o compromisso com seus futuros leitores e consigo mesmos. Perpetuar a literatura é algo grandioso, mas feito irresponsavelmente pode ser uma grande catástrofe para nossa literatura.

Como sempre disse Carrero: leiam os bons, escreva, escreva e escreva. Fazer oficinas, ler grandes autores, treinar diariamente, pedir opiniões. Tudo isso feito com a devida constância só poderá ter um ótimo resultado. 

Os leitores e futuros escritores agradecerão o empenho.

Taciana Valença

Mini-Biografia:


Taciana Valença Administradora (Universidade Federal de Pernambuco), escritora, produtora cultural, editora da Revista Perto de Casa (Recife/PE/Brasil) e Diretora Social da União Brasileira de Escritores.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

ADRIANA FALA DE... KYRIE

Abrir as páginas do Kyrie, é como se os cantos gregorianos começassem a soar por nossa alma, antes mesmo de aprofundarmo-nos na leitura de cada poema. Uma leitura não muito fácil, pois é pontuada por algumas palavras que remetem a liturgia católica e outras em latim. E mexe com o oculto, a teologia, a filosofia que carregamos na história de nossas vidas.

Mas esse tom, que vem do sagrado e que percorre cada poema, que mistura-se com o profano em  versos cadenciados e bem elaborados fica explícito na arte da boa escrita. É como uma obra de arte, para apreciar, sentir, aprofundar-se. A relação do autor com ele mesmo, com a natureza, com a vida, fica bem pontuada, com ritmo e forma. Pura poesia, daquelas que vem das origens da escrita, revestidas por metáforas e signos.
Percebe-se o cuidado de Paulo de Carvalho,em fugir do conceito religioso, atendo-se a algo muito maior do que a religião, com simbolismos e uma linguagem peculiar, as vivências e reflexões que todo nós em algum momento de nossas existências, deparamo-nos. O existir de uma força maior e todos os questionamentos que nos envolve a partir disso, no mais íntimo de nosso ser.

Kyrie da primeira até a última página, nos leva para essa reflexão e indagação, e a uma introspecção, não só conduzida pela alma do poeta , mas também nós leitores, seguimos por esses caminhos, ao nos identificarmos com esse duo que carregamos desde os primórdios tempos:

A essência divina que é a chama que nos move, rege e de algum modo orienta, e o outro lado, concreto, material,  que nos faz tão mundanos, imperfeitos e únicos.

Um abraço tropical
Adriana Mayrinck

DRIKKA INQUIT

quinta-feira, 13 de julho de 2017

FALA AÍ BRASIL... BÁRBARA LIA

O mundo está desintegrando. Os grupos que deveriam se unir para lutar por igualdade - para todos - se fragmentam em pequenos caminhos a sós e dentro destes - caminhos a sós - se fragmentam mais. Por outro lado, o momento rosa das redes sociais exige todo mundo pensando igual em uma espécie de utopia besta de uma coisa que não existe - não somos os maravilhosos seres humanos plenos de beleza dentro. E isto não é de todo ruim. Afinal, a humanidade só leva esta graça imorredoura e esta poesia inescrutável por ser assim - impura e falha. Cara, eu lutei uma vida por uma Liberdade plena. Eu fui a louca que abandonou - TUDO - para ser quem sou e agora não consigo me unir a coisa alguma que não seja criança e passarinho, então - tá difícil. A liberdade é um beco que desagua no solidão do Ser. Em alguns nichos e momentos poéticos, em algumas almas, em alguns livros, eu me agasalho. E é só, percebo que, estamos sim, cada dia mais desnudos diante de tudo que pode nos soterrar em um segundo, pois existe um manual sendo digitado dentro da gente, que faz com que alguns esqueçam que ser Livre é algo como ser pele de estrela e alma de flor. Ser delicado e inquebrantável, sei isto é difícil, mas, poxa, o resto é o de sempre, e o de sempre nos trouxe até aqui. Enfim, não sei o que dizer meio a tanto debate e vertente e teorias e confrontos e me recolho, e fico "do lado de cá do arame farpado"...

Bárbara Lia


Mini-Biografia:

Bárbara Lia nasceu em Assai (PR). Poeta e Escritora. Professora de História. Publicou dez livros, entre eles: O sorriso de Leonardo (Kafka edições baratas), O sal das rosas (Lumme), A última chuva (ME), Constelação de Ossos (Vidráguas), Paraísos de Pedra (Penalux), Solidão Calcinada (Imprensa Oficial do PR) e Respirar (Ed. do autor). Integra várias Antologias, entre elas: O que é Poesia? (Confraria do Vento / Cáliban), O Melhor da Festa 3 (Festipoa), Amar - Verbo Atemporal (Rocco), Fantasma Civil (Bienal Internacional de Curitiba), A Arqueologia da Palavra e a Anatomia da Língua (Maputo). Vive em Curitiba.


quarta-feira, 12 de julho de 2017

ADRIANA FALA DE... IN-FINITA

As ideias surgiam e alcançavam pessoas que as tornavam possíveis. Comecei a existir, no tempo certo, sem data marcada, como as coisas que surgem por alguma razão que nos foge do entendimento.

Como uma colcha de retalhos, fui crescendo, amarrando pedacinhos de vivências, pessoas, realizações, com diversos trabalhos na divulgação do turismo em Recife e no Rio de Janeiro, após uma caminhada pelo mundo do jornalismo esportivo e artes plásticas.                       

A arte e a literatura sempre envolvidas. No olhar da fotografia, na crônica diária, no folder publicitário, na revista, no jornal, no cinema. E em cada lugar, um olhar diferente, um artista, um poeta, uma palavra. Os caminhos começaram a criar atalhos, cruzamentos, pontes, e para a poesia virar trabalho, foi apenas um acontecimento natural.

Além da concepção inicial de que tudo tem começo, meio e fim em um projeto, e de que o querer, o poder de realização, o desejo, o aprendizado, a inspiração, são infinitos, ganhei esse nome IN-FINITA.

Mas além da poesia, vieram várias formas de expressar e divulgar o trabalho artístico em diversos segmentos na produção de eventos ou edições literárias. Eu caminhava sozinha, sempre agregando parceiros e amigos ainda no início dos anos noventa e as ideias borbulhavam. E ganhei sobrenome e registro. Virei empresa : IN-FINITA Bureau de Ideias. E uma missão: Com o principal objetivo de divulgar e fomentar a Poesia Lusófona em eventos culturais.

E a caminhada foi ganhando ramificações, e com uma peça fundamental, o designer gráfico. Pronto eu estava quase completa. Agreguei a produção de capas de autores, elaboração de livros, folhetos, banners, e tudo que envolve o designer gráfico, além de criar sites e administrar redes sociais.

Em 2017, atravessei o oceano, e encontrei no TOCA A ESCREVER, a parceria que faltava para complementar, agregar e principalmente, realizar. Brasil e Portugal, agora caminham lado a lado, com projetos paralelos e também complementares. Somos dois em um. E com mais ideias e mais projetos por acontecer.

Muito prazer e sejam bem-vindos!

Esperamos por você, para um café, uma reunião, ou simplesmente, um bate-papo e troca de ideias.

Trabalhamos com Eventos e Feiras Literárias, Produção Cultural, Elaboração de Livros, Capas, Coletâneas, Antologias, Designer Gráfico, Web e Mídias Sociais, Fotografia e Assessoria de imprensa.

Um abraço tropical

IN-FINITA Bureau de Ideias

DRIKKA INQUIT

terça-feira, 11 de julho de 2017

ADRIANA FALA DE... QUERIDO DIÁRIO PEREGRINO

A poesia que descreve o ir e vir do cotidiano, em palavras simples e versos concretos, curtos e realistas. O olhar da autora pelo seu passar de imagens tão familiares, que a rua traz no seu caminhar de vida. Poesia crua, de uma alma peregrina que busca assentamento por entre as letras, na qual usa e abusa da simplicidade.

Sua visão de passante, de poeta, de cidadão do mundo. De trabalhadora, mulher e parte integrante das dores e sabores vivenciadas nas horas do dia. Nesse livro a sociedade desperta a atenção e sobrepõe o lado pessoal, que existe, mas oculta-se pelas entrelinhas.

A natureza, a vida, sempre pontuadas em seus poemas, também fixa-se como cenas bucólicas do pulsar por entre a cidade e seu dia-a-dia.

Querido Diário Peregrino é exatamente isso. Um diário poético narrando os passos de Bernadete Bruno, pela vida e pelo seu sentir.

Um abraço tropical,
Adriana Mayrinck


DRIKKA INQUIT