segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

EU FALO DE... COMPORTAMENTOS

Correndo o risco de me tornar repetitivo e assumindo essa condição como uma certeza quase adquirida, vejo-me obrigado a voltar a escrever sobre uma situação que, infelizmente e para desgosto de quem ama a cultura e os eventos culturais, parece ter-se instalado nos hábitos comportamentais das pessoas. 

Invariavelmente e à falta de melhor argumentação, tenho de repisar a ideia que a tão propalada crise, mais que económica e financeira, está na falta de valores morais, de carácter e, nos tempos mais recentes, de saber estar em sociedade, com tudo o que isso implica.

Apesar da minha condição de apologista da quebra dos preconceitos rígidos e castradores que a sociedade sempre nos tenta impingir, tenho a noção que existem e devem continuar a existir algumas regras, mais não seja, para um funcionamento social saudável.

Eu, enquanto cidadão e sem prescindir dos direitos inerentes à minha condição de individuo, não posso esquecer que sou parte de um todo. E esta ideia não deve nem pode ser exclusividade do meu pensamento.

Sem falsos moralismos, porque a perfeição é uma utopia e, como todos os conceitos, cada um de nós se define de forma diversa, é com tristeza que verifico o quanto o culto do individualismo se tem tornado importante para muita gente e que esse exacerbar do EU começa a estar de mãos dadas com a falta de respeito para com os outros.

Os parágrafos anteriores servem de nota introdutória para o relato de alguns acontecimentos que testemunhei no último evento literário em que marquei presença e que, como disse anteriormente, parecem começar a fazer parte dos hábitos comportamentais das pessoas.

Em primeiro lugar e único facto que menciono com exactidão cronológica, já são poucos aqueles que estranham o retardar do começo dos eventos. Creio não estar a cometer nenhuma heresia se disser que julgo nunca ter estado num evento literário que tenha começado à hora marcada. Existe sempre uma qualquer razão para adiar mais uns minutos o começo das sessões. Não querendo aliviar ou aligeirar este tipo de situações recorrentes, porque os maus hábitos são de evitar, sempre digo que o facto de se tratar da apresentação de uma antologia com autores de vários pontos do país e, inclusive, do Brasil, acarreta alguns problemas de logística que, quer se queira ou não, dificilmente conseguem ser contornados, nomeadamente a afluência de amigos e familiares de muitos autores. Neste particular não posso calar o meu desconforto ao verificar que são os próprios autores, quais noivas ciosas dos protocolos, os culpados pelo atraso do início do evento por, imagine-se, chegarem mais tarde do que os seus “convidados”. Talvez a melhor solução seja aceitar apenas autores do outro lado do Atlântico, uma vez que a representante brasileira foi das poucas pessoas que chegaram antes da hora prevista, tendo vindo de propósito para este evento. Adiante.

Menos aceitável ainda e para mim bem mais chocante é o carácter hipócrita e a falta de respeito que alguns autores evidenciam com cada vez maior regularidade. Aceito a existência de pessoas que, ao ver os seus trabalhos em antologias ou colectâneas, se sintam dominados por sentimentos de extrema realização e, por que não dizê-lo, uma ponta de vaidade. Até acho isso natural. O que eu jamais posso aceitar é que esse deslumbramento seja manifestado de forma tão desrespeitosa como aconteceu no último Domingo. Não serei o único a sentir alguma repulsa pelo comportamento daqueles que, até ao momento de serem homenageados no mais puro silêncio e respeito por parte dos outros autores, mantiveram a seriedade mas não foram capazes de retribuir, nas mesmas condições, quando eram os outros a receber o mesmo tratamento, ora com conversa sussurrada, ora com abandonos e regressos constantes à sala onde decorria o evento. A falta de respeito tomou dimensões tais que um dos autores, Fernando Jorge Benevides, na hora de ler um dos seus trabalhos, teve de reiniciar a leitura três vezes devido ao barulho das conversas na sala.

No entanto, pasme-se, o ponto alto da falta de educação e respeito aconteceu no momento em que duas jovens, com um talento imenso, se preparavam para mais um número musical e foram brindadas com a debandada quase geral da assistência. Motivo... “fumar um cigarrinho e beber um café porque a sessão já vai longa”, como me sussurrou ao ouvido um dos tão pontuais autores.

Posso até concordar com quem disser que algumas destas situações podem ser evitadas pelos organizadores dos eventos e, neste particular, reservo as minhas sugestões para uma conversa, para a qual desde já me disponibilizo, a ter com a representante da editora, caso seja esse o seu entendimento, e aqui sinto-me em perfeitas condições e com o distanciamento suficiente para emitir as minhas opiniões porque não faço parte dos autores antologiados nem sequer sou autor desta editora; se o fosse a minha reacção seria bem mais enérgica. 

No fundo, e regressando com o fio à meada, aquilo a que assisti é demasiado mau para que as culpas sejam atribuídas única e exclusivamente à editora. Aquilo que se pretendia como uma festa de poesia e de poetas acabou, independente de alguns momentos belos e emotivos, por se transformar numa feira de vaidades onde, sem qualquer ponta de civismo, se passearam bastantes egos exacerbados num desfile de hipocrisia, má conduta e falta de educação.

Sim, meus amigos, estamos em crise. Mas é uma crise de valores morais e de saber estar em sociedade.

MANU DIXIT 





quinta-feira, 7 de novembro de 2013

FALA AÍ BRASIL... FLÁVIO MORGADO

Mais uma vez o poeta Flávio Morgado honra-nos com a sua presença neste espaço. Fala aí poeta...
Não precisa dizer também

Pensa o leitor. Não pode ele, nem em cartas que escreve ao autor do artigo, dizer, em compaixão: “Eu também!”. Deixa sentir-se incapaz de ser ouvido. Como se pode chorar à frente de um quadro de Van Gogh com nossos girassóis que o pobre holandês jamais regou. E regou. Deixa ele se entender, como em qualquer texto, que pensara ser escrito a ele, ali, naquele momento. Contra-assine o amor. Em silêncio. Não precisamos dizer também. Vim antes de sua resposta.
Porque vim antes e me desesperei com seu atraso. E tendo vindo antes, vi-me eu menino acreditando nos livrinhos que a tia me ofertava por ouvir quieto o conto de Crusoé. E por isso gostei de ter com as palavras. E fui buscar nos primeiros versos lidos o amor que se aprende e se repete. Pra aprender a sofrer e escrever a você que tardava. E olhava da janela de meu quarto alto o ponto futuro de que falava Rimbaud; pra chegar antes e lhe avisar do estado de cada coisa; e aprender antes os versinhos para oferecer seu primeiro poema. Não pude esperar demais. Os outros também podiam a esperar.
Porque andei com meus fantasmas pela rua como se o mundo se soubesse de sobreaviso, e da sua sacada você me via gesticulando sozinho e dizia: “O poeta, mãe!”. E ouvi atento o que dizia e me senti lúcido. E compartilhava com outras vozes antes de mim a espera. Fiz-me contemporâneo de outros tempos e jamais estive só. E eles sorriram me afagando os ombros quando você dobrou sua esquina de aguardo e angústia.
Vim antes para habitar meu vazio. E então pudesse recompor meu carinho, querida. E me ensinar a usar o termo “dúctil” em poesia. E me reconhecer ansioso. E a amá-la desconhecida e ver crescê-la. Até perder a fé na unidade e ter a paz no conflito. A me obrigar a ser o outro. A desacreditar e achar benção sua presença (in)esperada. A encenar em mim sua espera. A chegar antes, em meu nada, e reconhecer que à luz da ausência, todo sapato já fora calçado.
Porque treinei amor. E me senti estrangeiro em cada perna que entrava pra sentir o corpo e saber dar. Porque não neguei uma rosa entregue sequer, mesmo ouvindo engano. Porque cheguei a dormir à porta da amada errada que me cobriu a testa de beijos piedosos num segredo de vocês duas (e todas as outras!). E no dia que fui ao seu encontro, todas elas me arrumaram a roupa, pentearam meu cabelo e disseram: “Faz tudo de novo!”. Porque deixei minha armadura na porta ao entrar na sua casa e deixei me sangrar de passado.
Porque não burilava ainda os meus versos e não me queria poeta como os outros, fez-me esconder sua ausência na página em branco como recurso. Acharam estilo. E você riu a me ver gago declamando, pois sabia de cor os versos da lacuna. E me fez falar aos surdos como se precisasse não me deslumbrar para que pudesse ser sua a voz que me diria que as luzes são mais sinceras no escuro. E maldisse toda crítica ao meu segundo lugar. E quis oferecer jantares aos que me elegiam.
Porque investiguei suas fotos e vi que amava James Dean. Comprei um quadro dele e pus na parede bem à altura de seus olhos. Comprei uma jaqueta e fiz uma foto fumando. Desarrumei estrategicamente meus livros ao seu olhar perspicaz. E, antes, li Drummond em três dias para citar um verso “como quem não quer nada”. E deixei a barba crescer, e desenhei falhas nela como a do galã de cinema que gosta. E planejei uma leitura nua de Vinícius. E estive nu diante de mim mesmo. Porque você me tirou de contexto - “antes, e com tal zelo, e tanto.”
Porque a angústia aguarda a cada homem, como cada coisa está para a outra. E foi minha pré-palavra. E abraçou a outros enquanto me via de soslaio, para eu acreditar que era surpresa. E tornar o amor à prova como se não soubesse o antes. Pra erguê-la como solução. Como quem fura os olhos do pássaro para o pobre cantar melhor. E seguimos a embaralhar nosso encontro.
Porque vim antes e tive que resguardar as palavras na presença de sua evocação. E porque ninguém acreditou nela e riu indiferente, disse que verdade mesmo era inventar-se a si próprio – e lhe compus. E dei ao silêncio tudo quando estamos fora de nós. Contei historinha antes do seu sono e fiz acreditar que na minha ausência, quando dorme, quando seu silêncio é povoado de memórias, sorrateiramente cresço dentro de você. Como se a minha distância fosse a sua possibilidade de me afirmar. E daí esquecesse a que veio, ao que deve. E um vazio incomum lhe preenchesse e se visse surpreendida com uma necessidade do absoluto. E então no momento que pensar ser útil inventar o amor, eu já serei percebido, e farei uma carta de amor aberta, que será publicada em uma revista portuguesa para que se sinta poeticamente única a todos os outros amores. Como lhe assinasse anónima em todos. E aí se pegará rindo de ver tudo destino e literatura. E eu não precisarei ouvir dizer “eu também”. Porque vim antes.



Flávio Morgado. Rio de Janeiro, 4 de novembro de 2013.

sábado, 27 de julho de 2013

FALA AÍ BRASIL... FLÁVIO MORGADO

Para grande honra deste blogue, o poeta Flávio Morgado, a quem agradeço antecipadamente, decidiu voltar a presentear-nos com a sua colaboração e, desta vez, dá-nos a conhecer, através do seu olhar crítico, um dos trabalhos do artista plástico Victor Mattina.

Persistido, o óbvio assusta


Antes de tudo, duas considerações.
A primeira é que não significa que um artista, seja de qual tempo for, está em plena compreensão dos mais variados desenvolvimentos intelectuais, espirituais e tecnológicos que estão ocorrendo. Escrever um texto que os coloque nesses termos talvez esteja mais próximo de uma crítica feita por um historiador da arte, o que não ocupo, e além do mais, os próprios historiadores têm prestado cada vez mais atenção às singularidades do que nas possíveis semelhanças. Creio que os artistas não tenham essa necessidade, têm seu próprio trabalho a fazer, pesquisas intuitivas a realizar. Suas tintas atingem o nosso discurso, são livres. E por isso perene.
A segunda é acerca da pintura figurativa. É importante que fique claro que o figurativo não tem a exclusividade sobre a afetação, sua comunicação não necessariamente é a mais direta. Não é um rosto exposto, com a sua riqueza de vigas e humanidades, que define nosso movimento de aproximação ao quadro. Lembremos apenas de Picasso, “Guernica” (1937): choramos com a geometria.
Dadas considerações, tentarei fazer com que me entendam melhor.
Estou aqui para falar da pintura de Victor Mattina, mais precisamente de seu quadro “Ibn Al-Shaykh Al-Libi”, o rosto do terrorista líbio.
Capturado no Paquistão e entregue aos americanos, o líbio foi torturado até o limite de inventar confissões, ligando o ataque do dia 11 de setembro de 2001 ao Iraque, e confessar-se pelo silêncio. Adquiriu vitiligo após as sessões de interrogatório e foi encontrado morto anos depois em uma cela na Líbia. Mattina o conheceu por notícias, como todos nós, seu rosto foi exposto em fotografias, como o de todos os outros terroristas que já vimos. O que fez foi se constranger, e como pintor, nos estender o constrangimento. Pintou exatamente o que vimos na fotografia.
O registro fotográfico já não nos basta? Por que levá-lo, exatamente igual, ao quadro? Ou por que não o traduziu em outra forma de expressão, talvez mais contemporânea, menos figurativa, mais abstrata?
Talvez porque ir às tintas não seja mesmo igual, ainda que mantenha os mesmos referenciais fotográficos. Talvez porque um quadro abrigue-se em nós em outro espaço que não o da fotografia jornalística. Talvez porque a abstração não seja exclusividade apenas das formas geométricas.
Percebam o diálogo que se estabelece entre a fotografia e a pintura, principalmente no que se refere ao seu lugar de fala. Imaginemos a tal fotografia na quarta página do jornal que lemos todos os dias. Agora imagine o mesmo rosto pintado e emoldurado em uma exposição, recebendo seu merecido destaque. De repente, ali, onde estamos muitas vezes para fugir dos jornais, ele reaparece: “Parece que você não me viu direito, não é?”, sua voz encorpa-se naquele lugar.
Estando ali, soa um afronte. E não é por sua técnica, sua nova interpretação, sua contemporaneidade. Não. O pintor parece usar a pintura apenas como suporte ao alarde. E talvez para isso fosse mesmo preciso manter a figura, recuperar nossa capacidade de se tocar pela figura, apenas abstraindo o espanto, inerente em qualquer banalidade. “Olha, é simples. É só isso que (não)vimos todos os dias.” Tal qual nos fosse necessário, por exemplo, expor um cacho de banana e vê-lo apodrecer por uma semana para vê-lo preso ao jugo da palavra morte. É apenas um cacho de fruta, está sempre conosco, sabemos que elas com o tempo apodrecem, mas ainda assim é necessário. Como são os que intuem nossas necessidades de espanto e silêncio. Que emolduram o não-dito. Perene e persistente.



Meu primeiro espanto suscitou um poema e referendou sua perenidade:


olhos de ouvir
 “Ibn Al-Shaykh Al-Libi” de Victor Mattina


nosso risco
pouco difere de uma fruta
que em mancha, borra
                            ferida,
                 marca a luta.

à mesa,
em tinta pústula
a morte pinta-se
             por dentro (de açúcar)
da indiferente banana

à tela, o pintor
em tinta-muda
colore
            o discurso

(aos nossos olhos de ouvir)


o silêncio desordena
                               o rosto
e acusa inocência
                              do pintado
em não reconhecer a morte
                              pelo cacho
e na palavra um capricho



- fora sempre confessado.



Flávio Morgado. Rio de Janeiro, 25 de Julho de 2013.


quinta-feira, 13 de junho de 2013

EU FALO DE... ACORDO ORTOGRÁFICO


Muito se tem escrito e falado sobre o acordo ortográfico; contra e a favor. Independente da minha opinião e ignorando os argumentos de ambos os lados, aquilo que me apraz dizer é que, seja qual for o destino final desta iniciativa, ela nasceu torta e assim ficará ad aeternum.
Em primeiro lugar e, quanto a mim, o maior erro de todo este processo foi a forma arrogante como este acordo foi apresentado. Tal como vem sendo habitual na nossa sociedade, as decisões finais ganharam forma de irreversibilidade sem que em primeiro lugar tivesse existido uma discussão séria e equilibrada sobre todas as matérias. Discussão essa que deveria ter sido feita previamente e não ulteriormente, como veio a acontecer.

Se por um lado, os mentores deste acordo não se deram ao trabalho de ouvir todos aqueles que deveriam ser ouvidos, por outro lado, quem deveria ter sido escutado remeteu-se ao silêncio quando deveria ter falado e só se fizeram ouvir as vozes da discordância quando o acordo tomou corpo de lei, isto é, depois que foi aprovado.
Entre tanto ruído que se fez após a aprovação deste acordo ortográfico, aquilo que mais me intriga - tendo em consideração que este é um acordo da lusofonia - é a indisponibilidade do Brasil em aplicá-lo de imediato, por considerar existirem dúvidas na aplicabilidade de alguns pontos e a recusa dos PALOP em lhe dar legitimidade. Feitas as contas, o único país onde o acordo está efectivamente aplicado é Portugal.

A conclusão óbvia de todo este processo é simples: aquilo que pretendia ser a uniformização de uma língua esbarrou na impossibilidade de se uniformizar o que nunca será uniformizável.

MANU DIXIT

terça-feira, 28 de maio de 2013

EU FALO DE... UMA FESTA


A VIDA É UMA FESTA

Em primeiro lugar, quero deixar o meu pedido de desculpas, a todos os que acompanham este blogue, pelo longo período de silêncio a que o mesmo esteve remetido. Sem entrar em grandes detalhes, por se tratar de um assunto pessoal, quero também agradecer todo o carinho e amizade que alguns de vós me manifestaram perante o ocorrido. Já sabia de antemão a qualidade dos amigos que tenho mas é sempre reconfortante sentir que existem pessoas do nosso lado nos momentos mais delicados. Obrigado a todos por existirem. 

Tendo em conta que a vida continua, venho, neste novo respirar, falar-vos da grande festa de poesia que aconteceu no passado domingo, no Museu João Mário, em Alenquer.

Na sequência do I Concurso de Poesia AlenCriativos, da respectiva sessão de entrega de prémios e menções honrosas e como resposta à opinião publicamente expressa pelo júri, a editora Universus decidiu, com a devida autorização dos autores, juntar alguns dos poemas que foram a concurso e publicar a antologia AUDAZ FANTASIA. E foi, precisamente, a sessão de lançamento desta obra que levou mais de uma centena de pessoas ao Museu João Mário, em Alenquer, para assistir a uma bela festa, onde a música e a poesia estiveram de braços dados em nome de uma causa maior.

Se, por si só, tanto a música como a poesia seriam motivos mais que suficientes para reunir tanta gente num ambiente cultural e em torno da cultura, este evento ganhou outra dimensão pelo aspecto social que se lhe juntou.

Por decisão dos organizadores do I Concurso de Poesia AlenCriativos, dos responsáveis da editora Universus, dos membros do júri e com a anuência dos poetas envolvidos, parte do valor das vendas desta antologia reverte para a Mithós - Movimento de Apoio à Multideficiência, associação de carácter social.

Num dia ensolarado e com uma vasta gama de eventos espalhados um pouco por todo o país, foi muito interessante verificar as diferentes proveniências de quem marcou presença. Sendo natural que a maioria do público fosse residente nas áreas mais próximas de Alenquer, não posso deixar de referir aquelas pessoas que vieram de vários pontos do país, apenas e só, para assistir a este evento. Posso estar a cometer um engano mas creio que, de todas as regiões, apenas as ilhas não estavam representadas. E foi bonito de ver a interacção do público antes, durante e depois do evento. Se no “antes” e no “depois” é natural existir essa interacção, o envolvimento do público no “durante” acabou por dar um colorido diferente a um ambiente, já de si, festivo.

Não quero terminar sem fazer referência à grande surpresa que foi descobrir o talento de uma jovem que encantou toda a plateia com a sua fantástica voz. Deixo-vos o nome a reter: Cheila Raposo.

Por último, quero felicitar duas grandes impulsionadoras, duas grandes organizadoras, duas grandes animadoras, enfim, duas grandes senhoras que são a génese do grupo AlenCriativos e que, com o seu empenho, muita alma e coração, amor à escrita e à terra onde vivem, deram o exemplo do que se pode fazer quando se unem esforços em nome de uma causa. Parabéns Ana Coelho e Eugénia Ponte.    

MANU DIXIT